Ler Alphega (Novel) – Capítulo 33 Online

— Episódio 33 —
— De qualquer forma, vou ter que tomar chá com o pai depois. Espero na frente do escritório mesmo.
O mordomo Park, que havia começado a caminhar em direção à sala de descanso, rapidamente correu atrás de Kanghyeon com passinhos apressados.
— Então prepararei uma cadeira.
— Não precisa.
— As pernas podem cansar.
— O senhor deve saber que não sou assim tão fraco.
— Mas…
Mesmo sendo apenas ficar de pé por um instante, o mordomo Park continuava soltando palavras de preocupação. Quando lhe deu um olhar dizendo “chega”, só então ele fechou a boca.
Era assim desde antigamente.
O mordomo Park tratava o robusto alfa dominante Baek Kanghyeon como se fosse uma bola de vidro frágil.
Quando o jovem Kanghyeon tossia levemente, o Cheongwonjae inteiro era limpo de ponta a ponta. Se surgisse um pequeníssimo arranhão, o mordomo Park ficava de plantão 24 horas seguidas e não deixava que andasse com os próprios pés. Nos dias em que voltava de fora sem guarda-costas nem funcionários, até chamava o médico pessoal para um longo exame.
Para Kanghyeon, o mordomo Park era inevitavelmente um fardo e um incômodo.
Pelo menos depois de se tornar adulto havia ficado muito melhor, mas aos olhos de Kanghyeon ainda era uma superproteção excessiva.
Se ao menos uma pequeníssima parte dessa superproteção fosse demonstrada também para os irmãos, o coração não estaria tão pesado como agora.
Kanghyeon sentiu o interior da boca ficar ainda mais amargo enquanto ficava parado na frente do escritório.
Naquele momento.
— Fique quieto e faça como este pai mandar! Você ainda não consegue se entender?!
A voz irritada que chegou vagamente do escritório foi como água fria.
— Pense em como pagar sua dívida para com Kanghyeon, como ousa…!
O canto dos olhos de Kanghyeon se ergueu afiadamente.
Ainda fala assim com os irmãos.
Não conseguia continuar ouvindo em silêncio.
Kanghyeon cerrou os dentes e estendeu a mão como se fosse abrir a porta do escritório de repente.
Mas não conseguiu abrir a porta.
Se entrar agora de repente, o pai vai saber que eu estava ouvindo. Pode até ficar ainda mais bravo com o irmão por minha causa.
O pai nunca ficava bravo com Baek Kanghyeon.
Por outro lado, com os outros três irmãos, sempre ficava furioso como fogo ou frio como gelo.
Sabendo dessa temperatura tão nítida, interferir nessas situações podia causar o efeito contrário.
Quantas vezes os irmãos haviam pago o preço pelo que Kanghyeon havia feito?
Se interferisse agora, no fim seria Baek Seongju que carregaria esse fardo. Não era o que Kanghyeon queria.
Kanghyeon por fim baixou a mão que havia estendido sem força.
Sem conseguir nem abrir a porta, ficando parado na frente do escritório, as duras palavras do pai continuavam a atingir seus ouvidos.
Eram todas palavras direcionadas a Baek Seongju, mas Kanghyeon sentia uma desolação impotente como se estivessem voltadas para ele mesmo. Os nós dos dedos dos dois punhos que havia cerrado inconscientemente ficaram brancos e começaram a tremer levemente.
Isso continuou até o momento em que Baek Seongju abriu a porta do escritório.
Baek Seongju, ao abrir a porta do escritório, não demonstrou nenhuma surpresa ao ver Kanghyeon.
Ao contrário de Huiwoo, Baek Seongju era uma beleza esguia de olhos afiados. Pela face arrumada e serena de onde era impossível ler emoções, a primeira impressão era de bonito mas frio.
Já faziam quatro anos que havia entrado nos quarenta, o suficiente para começar a aparecer algumas rugas, mas o rosto de Seongju continuava estranhamente liso. Talvez por isso parecesse à primeira vista que tinha a mesma idade que Kanghyeon.
Como Kanghyeon era meio palmo mais alto, o olhar de Seongju naturalmente se voltou para cima. Ele olhou uma vez para os olhos sombrios e complexos de Kanghyeon e então olhou para baixo. Os dois punhos cerrados preencheram o campo de visão de Seongju.
— Bem-vindo.
A voz de Seongju era uma voz sem emoção parecida com a de Kanghyeon. Ele estava incrivelmente calmo para alguém que havia acabado de ouvir os gritos do pai.
— O pai está esperando. Vai logo lá dentro.
Deixando essas palavras, Seongju deu espaço para Kanghyeon passar.
A ponta dos dedos de Seongju tocou a mão de Kanghyeon sem que ninguém visse. A mão de ossos finos envolveu suavemente o punho cerrado de Kanghyeon — que estava apertado de doer — e deu tapinhas gentis. Como se dissesse que ele estava bem.
Kanghyeon, sentindo o gosto de sangue na boca que havia estado mordendo, abriu a mão. Só então Seongju também retirou a mão.
Baek Seongju saiu e a porta se fechou.
O pai que havia estado sentado de costas para a entrada, olhando para fora, virou a cabeça em direção a Kanghyeon.
O pai de Baek Kanghyeon, Baek Jungman, era um homem de olhar impressionantemente afiado e cortante que faria qualquer um encolher. Mesmo tendo passado dos setenta, as feições marcadas misturadas com rugas ainda não haviam perdido a nitidez, e o porte digno de um alfa era mais imponente do que o de Kanghyeon. Como se dissesse que a idade era apenas um enfeite, de alguma forma a intimidação que emanava dele com o passar dos anos não mostrava sinais de diminuir.
No entanto, esse homem que parecia sempre arrogante e frio em tudo sem nenhuma falha desmoronava sem resistência diante de apenas duas pessoas.
Uma era a esposa que Baek Jungman amava incondicionalmente.
E a outra estava bem diante dele agora.
O olhar cortante de Baek Jungman, que faria qualquer um encolher, se curvou num instante. Uma curva agradável também se desenhou no lábio firme.
O rosto de Baek Jungman ficou gentil num piscar de olhos. Com isso, até o ar frio do escritório pareceu ter mudado.
— Seja bem-vindo.
Baek Jungman se levantou da cadeira e caminhou pessoalmente até a entrada. Ele segurou Kanghyeon, que se curvava para cumprimentar, e o abraçou com carinho.
— Foi longe até chegar aqui. Senta aqui.
Assim que Kanghyeon se sentou no sofá dentro do escritório guiado por Baek Jungman, ouviu-se toc toc, uma batida. Em seguida o mordomo Park entrou puxando uma bandeja com uma chaleira e xícaras de chá de alto valor.
As xícaras de vidro temperado transparente foram colocadas uma a uma na frente de Baek Jungman e Kanghyeon, e a chaleira do mesmo material as encheu com um chá preto avermelhado.
O chá de cor profunda e bonita que encheu as xícaras tinha um aroma extraordinariamente bom. Certamente não era à toa que o mordomo Park havia dito ser um chá especial.
Enquanto o mordomo Park enchia as xícaras, Kanghyeon deu uma olhada discreta no escritório. Parecia que o pai, que havia conversado com Baek Seongju que havia voltado depois de seis meses, não havia nem oferecido um copo de água.
Desviando o olhar com um rosto amargo, cruzou com o olhar de Baek Jungman carregado de afeto.
— Experimenta logo. É um bom chá que guardei para você.
Com o incentivo do pai, Kanghyeon pegou a xícara. O aroma do chá que emanava plenamente parecia refletir ao máximo o gosto de Kanghyeon.
Ele colocou os lábios na xícara de temperatura agradável e provou um pouco do líquido vermelho.
O chá que entrou na boca tinha um sabor muito profundo e um retrogosto agradavelmente doce. Esse também era o gosto de Kanghyeon.
Quando o chá quente tocou a boca que havia sido mordida, sentiu uma picada que parecia despertar os sentidos. Havia também um leve mas intenso sabor de sangue.
De repente, veio à mente Kwon Haeil.
Ele havia dito que sentia um aroma leve mas intenso escondido dentro dos feromônios alfa de Kanghyeon. Embora não fosse um bom aroma mas sim um sabor de sangue, será que era uma sensação parecida com isso?
Que essa expressão fosse entendida de uma forma assim.
Kanghyeon engoliu o chá com o leve sabor de sangue. A sensação do líquido quente descendo era claramente perceptível.
— …O chá está bom. O aroma também é ótimo.
— Não é? Haha, ainda bem que guardei.
A impressão de Kanghyeon, expressa a contragosto, parecia ter agradado bastante.
Baek Jungman bateu no próprio joelho e riu em voz alta. O mordomo Park, que estava prestes a levar a bandeja embora, também deixou um “o senhor presidente realmente tem um olho aguçado”.
Depois que o mordomo Park saiu e ficaram apenas os dois no escritório, Baek Jungman perguntou com um sorriso:
— O trabalho está indo bem?
— Sim, é compatível com minha aptidão.
— Ouvi dizer que você volta para casa tarde todos os dias. Não está se esforçando demais?
O pai também sabia sobre as horas extras.
Não era nada surpreendente, pois não era só na BC Holdings que acontecia isso. No entanto, era inevitável que incomodasse saber que as pessoas ao redor, incluindo Jeong Wonwoo, relatavam essas coisas ao pai uma a uma.
Kanghyeon respondeu forçando naturalidade:
— Estou me esforçando para não decepcionar o pai.
— Você não precisa se esforçar tanto. Seja o que for, você vai conseguir. Não se preocupe e cuide primeiro de si mesmo.
Com essas palavras, os lábios de Kanghyeon hesitaram.
Aquelas palavras cheias de afeto do pai eram na verdade um encorajamento vazio que só lhe dava desânimo.
Mas para os irmãos seria diferente.
Os irmãos que sempre recebiam apenas palavras frias carregadas de humilhação e gritos. Para eles, aquela levíssima frase “você vai conseguir” seria como um oásis precioso — mas o pai nunca a pronunciava para eles.
Lembrando dos irmãos pelos quais sentia compaixão, Kanghyeon precisava sentir uma mágoa ainda maior do que a deles.
Mas se despejasse tudo que sentia naquele momento, o impacto seria suportado inteiramente pelos irmãos.
Então por agora precisava permanecer sentado como um filho fantoche incapaz de qualquer pensamento ou julgamento.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Alphega (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.