Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) – Capítulo 46 Online

❀ 7 Minutes Of Heaven 3
Side Story – I Spy
— Eu vejo com os meus olhinhos algo azul.
Às palavras de Chase, Jeong-in virou a cabeça e olhou ao redor.
— É uma caixa de correio?
— Não.
— A bandeira americana?
— Não.
— Ah, entendi! Aquele letreiro do café com o golfinho?
O canto dos lábios de Chase subiu ligeiramente.
— Exatamente. Café Delfino. Vamos lá algum dia. Parece legal.
Chase e Jeong-in caminhavam lentamente pelas ruas jogando “I Spy” (Eu Vejo).
“I Spy” era um jogo de observação simples, geralmente apreciado por crianças. Uma pessoa escolhia algo próximo e dava uma dica, e a outra tentava encontrar o objeto correspondente.
Poderia parecer infantil, mas era surpreendentemente divertido. Além disso, dava a eles um motivo para olhar mais de perto para os arredores. Letreiros, fachadas de lojas e pequenos detalhes da rua atraíam a atenção deles — coisas que, de outra forma, poderiam ter passado sem notar.
Eles já estavam em Cambridge, Boston, há uma semana, mas ainda não tinham tido uma chance real de explorar. Aquela era a primeira caminhada tranquila pela área.
— Tem bastante gente trabalhando em laptops lá dentro. Eles devem ter Wi-Fi — comentou Jeong-in, espiando pela janela de vidro.
Surpreendentemente, muitos cafés não exigiam uma senha de Wi-Fi separada. Seria bom passar por ali quando tivesse pequenos trabalhos para fazer, apenas para mudar de ares.
— É a minha vez agora, certo? Eu vejo com os meus olhinhos… algo redondo.
Os dois continuaram o jogo enquanto caminhavam lado a lado.
A rua era harmoniosamente ladeada por calçadas bem cuidadas e árvores. Os postes de luz instalados por toda parte tinham um design clássico de ferro preto com duas lâmpadas que se estendiam como galhos. Conforme o sol começava a se pôr, as lâmpadas acendiam uma a uma.
Apesar da hora do final da tarde, a rua estava animada. Pequenas lojas enfileiradas estavam ocupadas recebendo clientes, e pessoas podiam ser vistas conversando em mesas ao ar livre na frente dos cafés.
Essa área, também conhecida como “Harvard Square”, estava sempre fervilhando de estudantes e visitantes. Por ser perto do rio Charles, corredores em roupas de ginástica e ciclistas eram vistos com frequência. Uma brisa agradável carregava uma mistura do cheiro do rio e o aroma das folhas.
Chase segurou discretamente a mão de Jeong-in e disse:
— Parece que estamos em um relacionamento à distância.
— O que você quer dizer? Nós nos vemos todos os dias.
— Mas não podemos dormir juntos todas as noites.
Entrar na faculdade não significava que poderiam estar sempre juntos.
Os calouros não podiam morar fora do campus, como regra. Harvard valorizava a vida comunitária, e a vida nos dormitórios era parte dessa tradição. O sistema incentivava os alunos a interagir naturalmente com seus colegas e a desenvolver um senso de pertencimento à escola vivendo juntos nos alojamentos.
Chase e Jeong-in haviam se listado como colegas de quarto preferenciais em seus formulários de pré-matrícula, mas enviar um pedido de colega de quarto não garantia a atribuição desejada.
As atribuições dos dormitórios de calouros eram feitas de forma aleatória, com a diversidade cuidadosamente considerada para evitar que alunos de origens ou tendências semelhantes se agrupassem no mesmo local.
Como esperado, eles foram designados para dormitórios diferentes. Jeong-in estava no Canaday Hall, e Chase no Weld Hall.
A boa notícia era que os dois prédios ficavam a menos de cinco minutos de caminhada um do outro. Considerando o tamanho do campus de Harvard, isso era relativamente perto, mas ainda assim era decepcionante.
— Saber que você está logo ali ao lado, mas não poder estar com você, está me deixando louco à noite. E não tem nenhuma árvore ou telhado que eu possa escalar.
— Não diga coisas tão perigosas. Meu quarto fica no quarto andar, você sabe.
Jeong-in se perguntara por que não foram designados para o mesmo quarto, apesar de terem enviado os pedidos. Ele teve uma pista do motivo quando visitou o dormitório de Chase após terminar sua própria mudança.
O Weld Hall, para onde Chase foi designado, era o dormitório mais popular de Harvard.
Localizado no centro do Harvard Yard, o Weld Hall ostentava a melhor localização, com acesso fácil às salas de aula, bibliotecas e refeitórios. O tradicional edifício de tijolos vermelhos exalava uma presença imponente até mesmo por fora.
Além disso, Chase tinha um quarto individual no Weld Hall. Tinha até um banheiro privativo. Isso era um mundo de distância do dormitório de Jeong-in, onde três pessoas dividiam um quarto e nove pessoas compartilhavam um banheiro comunitário. O nome Prescott deve ter tido um papel nisso.
Eles pensaram que continuariam a viver em dormitórios diferentes, mas a influência dos Prescott fez a diferença novamente.
Chase comprou um condomínio no coração da Harvard Square.
Na verdade, isso não era incomum entre estudantes ricos. Embora a vida no dormitório fosse obrigatória, alunos que podiam pagar frequentemente compravam casas particulares ou apartamentos próximos e viviam entre o dormitório e a residência privada. Condomínios de alto padrão perto da Harvard Square e do Rio Charles eram símbolos de status por si só.
— Vamos definitivamente morar juntos no ano que vem.
Ao dizer isso, Chase ergueu as mãos entrelaçadas e beijou os nós dos dedos brancos de Jeong-in. Alguns transeuntes olharam para eles com curiosidade, mas ele não pareceu se importar nem um pouco.
— Hmm… não sei. Eu tenho que pagar aluguel?
— Você está falando sério? Vai me mandar dinheiro pelo Cash App de novo?
Com as palavras de Chase, Jeong-in naturalmente se lembrou da primeira visita deles ao Sally’s Diner. Ele recordava vividamente como Chase o olhara com uma expressão irritada quando ele insistira em mandar o dinheiro até de um copo de chá gelado pelo aplicativo. Um pequeno sorriso surgiu no rosto de Jeong-in com a lembrança.
Jeong-in estava igualmente ansioso pelo dia em que morariam juntos. Os dias futuros eram empolgantes porque ele sabia que Chase sempre estaria neles.
— Ah, Jeong-in. Já designaram seu PAF?
Harvard designava PAFs (Peer Advising Fellows) todos os anos para ajudar os calouros a se adaptarem rapidamente à vida universitária. Eles aconselhavam sobre acadêmicos, atividades sociais e até preocupações pessoais. Geralmente, eram selecionados entre veteranos com excelentes notas e liderança excepcional.
Recentemente, Chase recebera sua designação de PAF, e agora eles esperavam pela de Jeong-in.
— Sim. Acho que tentaram ser atenciosos me combinando com um estudante asiático. O sobrenome soa coreano ou chinês.
— Que tipo de pessoa é?
— Não tenho certeza. Só trocamos algumas mensagens de texto. Só sei o nome, “Aiden Han”, e que ele é do terceiro ano.
— Espero que seja alguém legal.
Durante a primeira semana de aulas, eles conheceram muitas pessoas. Nas salas de aula, nos dormitórios, no Annenberg Hall onde faziam as refeições… rostos novos se cumprimentavam por todo o campus, compartilhando conversas e risadas desconhecidas, mas empolgantes.
— Harvard é realmente diferente. Meu colega de quarto, Mikey, está estudando inteligência artificial para se tornar um advogado que cria leis relacionadas baseadas nesse conhecimento. Não é legal? — Jeong-in disse em uma voz animada.
Muitos calouros universitários entram sem objetivos claros. Isso ocorre porque a maioria das escolas permite que os alunos escolham sua especialização no segundo ano.
No entanto, os calouros aqui tinham, cada um, sonhos vívidos. Alguns queriam se tornar advogados, outros ativistas ambientais, e alguns até queriam lançar startups no Vale do Silício. Todos tinham sua própria direção definida.
E o mesmo era verdade para Jeong-in e Chase.
Em Harvard, que não permite dupla graduação (double majors), os alunos podiam escolher uma disciplina secundária (minor). Jeong-in decidiu focar exclusivamente em biologia, sem uma secundária. Chase, por outro lado, disse que escolheria administração como sua minor.
Quando Jeong-in perguntou o porquê, Chase respondeu com um sorriso levemente envergonhado.
— Jeong-in, eu sou muito ganancioso.
Chase disse que não tinha a intenção de abrir mão de nada que iria herdar, acrescentando com um sorriso significativo:
— Muito ganancioso mesmo. Acho que sou um Prescott de corpo e alma.
Embora sonhasse em se tornar médico, ele também levava a sério a manutenção e o crescimento de sua riqueza. Como ele mesmo disse, independentemente do que qualquer um pensasse, ele era um Prescott, afinal de contas.
Os dois seguiram em direção ao mercado mais próximo, conversando sobre diversos assuntos. Era um local especializado em produtos orgânicos e premium, a cerca de um quilômetro de Harvard Square.
A distância e o clima estavam perfeitos para uma caminhada tranquila. As folhas vermelhas de outono balançavam levemente sob a brisa fresca do início da estação.
— Oh, sobre aquela pessoa que você chama de PAF. Por que não o convida hoje? Também estou curioso sobre ele.
Diante da sugestão de Chase, Jeong-in assentiu casualmente e disse:
— Eu deveria.
Hoje era o dia em que planejavam fazer uma festa de inauguração no condomínio de Chase. Sem funcionários para ajudar como antes, havia muito a preparar apenas entre os dois. Eles precisavam comprar comida e bebidas.
Jeong-in estava animado para reencontrar Justin depois de muito tempo.
Justin havia se matriculado no MIT e estava morando nos dormitórios. Embora fosse apenas uma caminhada rápida de 20 minutos do campus de Harvard ao campus do MIT, e apenas duas estações de metrô de distância, eles não se viam desde a matrícula porque ambos estavam ocupados se adaptando.
— Eu quero arroz. Algo grudento.
Assim que entraram no mercado, Jeong-in procurou por arroz. Fazia mais de uma semana que ele não comia arroz. Dizem que os coreanos tiram sua força do arroz e, talvez por isso, ele se sentisse um pouco sem energia.
É claro que pratos com arroz eram servidos no Annenberg Hall, onde comiam, mas não era o arroz macio e grudento que ele desejava. Era o arroz seco, soltinho e alongado, usado em pilafs ou saladas.
Chase apontou para o balcão de sushi e perguntou:
— Devemos comprar alguns rolls como aqueles?
Jeong-in olhou para dentro da vitrine de vidro. California rolls, spicy tuna rolls e rolls de salmão com abacate estavam organizados de forma impecável.
— Sim. Vamos comprar também macarrão instantâneo de copo para comermos juntos.
— Vamos fazer isso.
Animado com a ideia de criar a sensação de comer kimbap com macarrão instantâneo, Jeong-in cantarolou uma melodia. Chase acariciou suavemente sua bochecha, como se o achasse adorável, e então colocou vários tipos de rolls no carrinho. Eles pareciam muito frescos, como se tivessem sido feitos recentemente.
Depois de adicionar vários tipos de presunto de qualidade ao carrinho, Chase seguiu para a seção de laticínios, dizendo que compraria queijo. Jeong-in inclinou a cabeça e perguntou:
— Por que você está comprando queijo?
— Vou montar uma tábua de charcutaria.
Era uma escolha muito típica de Chase.
— Uma tábua de charcutaria? A Siri te disse isso? Disse que soa sofisticado?
— Como você soube?
Jeong-in riu e seguiu Chase, que examinava seriamente a seção de queijos. Como ele não gostava particularmente de queijo, estava olhando outras seções do mercado quando seu telefone tocou. Era Madison.
— O que você está fazendo? Estou em Boston e lembrei de você.
— Por que você está em Boston?
— Está acontecendo o Hyperwave Festival no Fenway Park.
— Hyperwave? Você quer dizer a teoria da superposição de ondas na física?
— …Nossa, você realmente não mudou nada, não é?
Madison riu com o que parecia ser uma voz satisfeita.
Ouvir que ela estava por perto fez Jeong-in sentir vontade de vê-la. Como Madison havia partido para Nova York logo após a formatura, eles não se viram durante todo o verão.
Quando Jeong-in mencionou que teriam uma festa no condomínio de Chase e perguntou se ela queria vir, Madison deu um grito tão alto que machucou o ouvido de Jeong-in: — É sério isso?
— Jay! Eu posso mesmo ir?
— Sim. O Justin disse que vem também.
— Quem é esse?
A resposta dela sugeria que não tinha a menor ideia de quem era Justin. Jeong-in sentiu um pouco de pena de Justin.
— …Meu amigo nerd.
— Oh! O nerd gordinho que anda com você? Tudo bem. Mas ei, Jay.
Madison fez uma pausa como se estivesse prestes a fazer uma pergunta difícil, então falou com uma voz cuidadosa:
— Hm… Eu posso levar uma amiga também?
Havia um tom estranhamente preocupado em sua voz. Jeong-in adivinhou imediatamente quem poderia ser a amiga.
— O nome dessa amiga começa com V?
— Talvez…?
— Só se ela não trouxer uma câmera.
— Mande-me o endereço! Vou agora mesmo!
Depois de desligar, Jeong-in olhou para cima e viu que Chase havia seguido adiante. Ele apressou o passo para se colocar ao lado dele. Parecia que eram um casal de recém-casados fazendo compras.
— Madison vem também. Com a Vivian.
— …
O rosto de Chase endureceu instantaneamente. Seus lábios se apertaram em uma linha firme e seu olhar tornou-se sutilmente afiado. Achando a reação divertida, Jeong-in o provocou deliberadamente, perguntando:
— Você está preocupado com a Madison?
— Não existem segredos neste mundo, Jeong-in. Você sabe que pode gostar de garotas também.
— Hein?
Jeong-in piscou, surpreso.
— Fiquei sabendo sobre o seu primeiro amor da terceira série. Aliás, você deveria tomar cuidado com as pessoas ao seu redor.
— Deve ter sido o Justin.
Jeong-in apenas riu, aparentemente despreocupado.
— Você era um belo conquistador desde pequeno. Beijando garotas e tudo mais? — Chase disse com um biquinho exagerado. Jeong-in caiu na gargalhada, achando a expressão dele divertida e fofa ao mesmo tempo.
Algum tempo atrás, Suzy havia mostrado a Chase um álbum de fotos de Jeong-in quando ele visitou a casa deles. Era um álbum que continha fotos da infância de Jeong-in na Coreia.
A foto a que Chase se referia foi tirada na festa de aniversário de Jeong-in no jardim de infância.
Fosse apenas naquele jardim de infância ou não, quando faziam festas, os professores sentavam o aniversariante na frente do bolo e faziam os colegas de classe se revezarem para dar beijos. Havia várias fotos capturando o momento em que uma garota beijava a bochecha de Jeong-in.
Chase era surpreendentemente ciumento. Antes de conhecê-lo, Jeong-in pensava que todos os estrangeiros seriam tranquilos em relação a essas coisas. Afinal, os protagonistas masculinos nos filmes sempre pareciam generosos e relaxados em seus relacionamentos.
Mas ele percebeu que isso era apenas um preconceito próprio conforme conhecia Chase. Ainda assim, ser o objeto de tal ciúme não era algo tão ruim.
* * *
Quando terminaram de fazer as compras e estavam voltando, já havia escurecido completamente.
A Harvard Square continuava vibrante mesmo àquela hora tardia. Grupos de pessoas se reuniam nas ruas para aproveitar jantares tardios, e a música que fluía das janelas de cafés e bares se misturava ao ar da noite.
Os dois refizeram o caminho da tarde e chegaram ao condomínio de Chase, no coração da Harvard Square.
O exterior de tijolos vermelhos do edifício lembrava um antigo brownstone europeu. No entanto, a estrutura simétrica e as janelas quadradas uniformemente dispostas conferiam uma sofisticação moderna ao seu charme antigo. Era um prédio onde o passado e o presente pareciam coexistir.
— Bem-vindo, Sr. Prescott.
Ao entrarem no saguão, Henry Fryer, posicionado no balcão da portaria, cumprimentou-os educadamente. Vestido com um uniforme impecavelmente passado, como o de um funcionário de hotel, e com seu cabelo grisalho penteado com esmero, ele lembrava o mordomo de uma antiga família nobre.
Chase perguntou naturalmente: — Olá, Henry. Chegou algo para mim?
— Recebi um pacote para o Sr. Jay Lim. Devo levá-lo ao seu apartamento?
— Por favor, faça isso.
Jeong-in ainda não havia se adaptado totalmente. Parecia um pouco estranho ver uma pessoa idosa e experiente como Henry cumprimentando Chase com tanto respeito e se oferecendo para entregar pacotes em sua casa. Isso lhe dava a impressão de estar exigindo respeito de alguém muito mais velho, o que sempre deixava Jeong-in desconfortável.
Alguns dias antes, eles tiveram uma pequena discussão quando Jeong-in comentou sobre Chase dar gorjetas casuais a Henry. Talvez fosse uma diferença cultural.
Enquanto guardavam as compras no apartamento de Chase, no sexto andar, Justin chegou cedo.
— Justin!
— Jay!
Os dois se abraçaram apertado, cheios de alegria pelo reencontro. Embora não fizesse tanto tempo assim, parecia que estavam separados há anos.
Jeong-in informou a Chase sobre a chegada de Justin e o convidou para entrar.
— Uau…
Os olhos de Justin se arregalaram no momento em que entrou.
O condomínio de Chase tinha três quartos e três banheiros. Embora o edifício fosse bastante antigo, havia sido reformado recentemente, tornando-se sofisticado e luxuoso em todos os detalhes.
O ponto alto da casa era o terraço que se estendia a partir da sala de estar. Por estar no último andar, o terraço oferecia uma vista do Rio Charles, que fluía silenciosamente.
— Assar marshmallows aqui seria incrível…
Justin não parava de expressar sua admiração. Cadeiras externas elegantes estavam dispostas em círculo ao redor de uma lareira no centro do terraço.
Depois de dar uma olhada no terraço, Justin começou a explorar o interior. Um dos três quartos estava configurado como escritório, enquanto os outros dois eram usados como quarto principal e quarto de hóspedes.
Justin encarou o quarto de hóspedes com desejo e murmurou para si mesmo, alto o suficiente para Chase ouvir na cozinha: — Tem um quarto extra…?
Chase fingiu não ouvir enquanto lavava as frutas para sua arma secreta, a tábua de charcutaria.
Justin murmurou novamente, alto o suficiente para todos ouvirem: — Hehe… e eu fiquei preso com um colega de quarto que é um colecionador patológico e guarda até caixas de pizza vazias…
Chase apenas sorriu gentilmente.
— O MIT permite que até calouros morem fora do campus…
Finalmente respondendo às insistentes indiretas de Justin, Chase retrucou: — Ora essa. Comutar de Bellacove levaria 16 horas de ida e volta. Não é um pouco longe?
— …Quarterback teimoso.
Chase soltou uma risadinha divertida. Justin já havia desenvolvido coragem suficiente para resmungar na frente de Chase agora.
Como se buscasse vingança, Justin pegou um pedaço de presunto que Chase estava organizando cuidadosamente em um prato e o colocou na boca.
— Ei.
Chase pegou outro pedaço de presunto e o colocou perfeitamente no prato, balançando a cabeça como se não pudesse controlar Justin, mas um sorriso caloroso cintilou em seus olhos.
Pouco depois, Madison chegou com Vivian Sinclair ao seu lado.
Madison segurava dois fardos de seis unidades de cerveja, enquanto Vivian carregava uma sacola de papel pardo com o logotipo de uma loja de bebidas. O som das garrafas batendo dentro da sacola deixava claro que também continha álcool.
— Jay!
Assim que Jeong-in pegou os fardos de cerveja, Madison o abraçou apertado.
Chase, que estava na cozinha, observou os dois se abraçando com olhos ardentes. O presunto que ele tentava colocar delicadamente ao lado do queijo acabou rasgado em pedaços. Justin segurou gentilmente a mão de Chase, que estava com as veias saltadas, tentando consolá-lo.
— Opa, opa. Calma lá, amigo.
Madison entrou e acenou para Chase em saudação.
— Oi, Chase!
— …Madison.
À primeira vista, parecia um sorriso amigável. Mas Jeong-in notou imediatamente que não havia muita sinceridade naquele sorriso.
Jeong-in agora conseguia distinguir entre os sorrisos reais e falsos de Chase. Quando Chase sorria genuinamente, covinhas profundas se formavam em suas bochechas, mas sorrisos que apenas chegavam aos olhos, como agora, eram meramente educados.
Vivian olhou ao redor do apartamento uma vez e disse em seu tom caracteristicamente afiado:
— Este lugar é verdadeiramente sórdido. Uma cobertura com concierge 24 horas e vista para o rio? Pavoroso.
Sabendo que esse era o jeito de Vivian elogiar, Chase rebateu imediatamente:
— Como você soube? O inquilino anterior era o Oscar.
Oscar era um personagem verde e rabugento que vivia em uma lata de lixo no desenho infantil “Vila Sésamo”.
Vivian olhou para Chase com um leve sorriso. Como se nunca tivesse havido qualquer ressentimento, ambos se entreolharam com expressões visivelmente relaxadas.
— …Faz tempo, Chase.
— Bom ver você, Vivian.
Observando os dois, que pareciam ter retornado aos seus dias de amizade, Jeong-in sentiu uma inexplicável sensação de satisfação.
— Mostre-me o lugar! — gritou Madison após ela mesma abastecer a geladeira com as cervejas. Quando Jeong-in estava prestes a segui-la, Chase bloqueou seu caminho. Então, ele deu um leve empurrão em Justin, que estava beliscando alguns pedaços de presunto ao seu lado.
— Justin! Você acabou de fazer o tour. Então você deve ser quem vai mostrá-lo a ela.
— Eu?
Justin limpou a garganta com um “hum-hum” e disse educadamente:
— Devemos ir, milady?
O termo “milady” era algo usado apenas no inglês medieval. Madison seguiu Justin com uma expressão que revelava claramente seu pensamento: é por isso que as pessoas o chamam de nerd.
Naturalmente, Chase permaneceu na cozinha enquanto Jeong-in e Vivian ficaram na sala de estar.
Jeong-in olhou para Vivian, que estava sentada no sofá mexendo no telefone. Vivian mantinha sua atitude chique de sempre, com os olhos baixos indiferentes e uma expressão entediada, como se nada no mundo pudesse interessá-la.
Jeong-in casualmente lhe fez uma pergunta.
— Como é que vocês duas ainda andam juntas?
Normalmente, quando o verão terminava, todos se espalhavam naturalmente para suas respectivas faculdades. Jeong-in pensou que, como Madison havia começado a vida universitária, elas não estariam juntas o tempo todo como antes.
Vivian permaneceu em silêncio por um momento, mantendo os olhos no telefone. Então, murmurou algo quase para si mesma.
— …Porque não existem.
— Hm? Eu não ouvi direito. O que você disse?
— Eu não tenho amigos! Feliz agora, seu nerd?
A voz de Vivian subiu bruscamente. No entanto, conhecendo o estilo dela de partir imediatamente para a ofensiva quando se sentia insegura, Jeong-in não se deixou afetar particularmente.
Em vez disso, Jeong-in balançou a cabeça como se achasse aquilo lastimável, ou um pouco cansativo. Vivian virou a cabeça para olhar pela janela e disse em voz baixa:
— …É tão diferente. Do ensino médio.
Ninguém a seguia como faziam no ensino médio.
Durante o ensino médio, Vivian estava sempre no centro do grupo. Quando ela caminhava, o corredor se abria naturalmente para ela, e todos a admiravam.
Mas agora as coisas eram diferentes.
No novo mundo em que Vivian havia entrado, o número de seguidores representava diretamente o status.
Em um campo dominado por influenciadores com 10 milhões, 20 milhões de seguidores, a contagem de seguidores de Vivian era apenas mediana. Ela parecia aceitar essa realidade, mas isso não a tornava menos amarga.
Achando Vivian um tanto digna de pena, Jeong-in tentou mudar de assunto rapidamente, apontando para a sacola de papel que ela trouxera.
— O que é isso?
— Um incrível de 20 anos. Uísque. O uísque geralmente sai em intervalos de 3 anos, então um de 20 anos é raro. Nerd, você entenderia se eu explicasse?
— Hmm… Posso não saber muito sobre o resto, mas sei algo sobre “incríveis de 20 anos” excepcionalmente raros.
Jeong-in acenou com a cabeça na direção de Chase, na cozinha.
Chase ainda estava ocupado preparando algo. Vivian voltou seu olhar para Chase e imediatamente caiu na gargalhada. Aquele riso pareceu derrubar parte da barreira entre eles.
Jeong-in tirou a garrafa de uísque da sacola de papel, observando o rótulo sofisticado enquanto continuava a conversa naturalmente.
— E você tem um amigo que, embora talvez não seja tão envelhecido quanto este uísque, está por perto há bastante tempo.
— …Eu tenho?
— Ali. Aquele incrível de 20 anos.
Vivian olhou para Chase com uma expressão ligeiramente emocional, depois voltou seu olhar para Jeong-in.
— Tanto faz, que seja. Mas nerd, que pulseira é essa?
Os olhos dela apontavam para a pulseira que Jeong-in sempre usava, um presente de Chase. Ela apresentava um pingente de infinito simbolizando a eternidade, combinado com ônix negra que Chase dissera combinar com os olhos de Jeong-in.
— O Chase me deu de presente de aniversário. Por quê?
— É bonita. Combina com você.
— Obrigado.
Jeong-in sorriu abertamente enquanto tocava suavemente a pulseira com a outra mão, como se fosse preciosa. Parecia ser a primeira vez que ele recebia um elogio genuíno de Vivian e sorria sinceramente em retribuição. Vivian pareceu momentaneamente sem palavras, seus lábios tremeram levemente antes de ela pedir licença para ir ao banheiro.
Jeong-in a observou se afastar com seu andar orgulhoso e soltou uma risadinha.
Vivian, que havia esbravejado sobre ter apenas Madison como amiga, provavelmente não percebia que estava, de alguma forma, entrando no círculo de amigos de Jeong-in também.
Pouco depois, o colega de quarto de Jeong-in chegou.
Jeong-in tinha dois colegas de quarto em seu quarto triplo. Silas Beckett, de Denver, era um garoto alto, com o rosto acidentado por acnes e introvertido. Ele pareceu não ter interesse em fazer amigos desde o início. Sempre usava fones de ouvido no quarto e nunca dizia uma palavra, apenas assentindo levemente mesmo quando Jeong-in iniciava uma conversa.
Aquele que aceitou o convite de Jeong-in foi Mike Barnes, um estudante negro, pequeno e magro, de Nova Jersey. Ele pediu para ser chamado de Mikey e, como esperado, seu apelido era “Jersey Mikey”, por causa da franquia de sanduíches.
Ele planejava se formar em ciência da computação e tinha uma personalidade excepcionalmente brilhante e ativa, por isso já havia feito vários amigos, embora não fizesse muito tempo desde que se matriculara.
— Jay! Que palácio é este?
Como esperado, ele chegou com fardos de cerveja em ambas as mãos, olhando ao redor com os olhos arregalados.
Jeong-in pegou as cervejas e caminhou naturalmente em direção à ilha da cozinha. Mikey e Chase, que já se conheciam, trocaram cumprimentos leves. Mikey havia encontrado Chase quando ele ajudava Jeong-in a carregar seus pertences no dia da mudança, antes do início das aulas.
Nesse momento, a pizza que haviam pedido chegou, servindo como sinal para que todos se reunissem naturalmente na sala de estar. Garrafas de cerveja e uísque já estavam sobre a mesa; todos pegaram uma fatia de pizza, brindaram com suas garrafas e engajaram em uma conversa. A atmosfera tornou-se muito mais relaxada.
Mikey olhou para Chase e perguntou casualmente:
— Então, Chase, qual é a sua relação com o Jay? Notei que você o chamou por um nome diferente mais cedo. É pessoal demais perguntar?
Chase deu uma mordida na pizza e, após parecer perdido em pensamentos por um momento, respondeu:
— Eu sou aquele que apoia o Jay em tudo o que ele faz.
Nesse instante, Justin interveio ao lado dele:
— Um fanático?
— Não, apenas alguém que ajuda o Jay a fazer o que ele quer.
Desta vez, Madison acrescentou de forma brincalhona:
— Um escravo?
— Não, alguém que está bem ao lado do Jay onde quer que ele vá.
Vivian foi a próxima a participar:
— Um stalker.
Todos caíram na gargalhada; Chase suspirou profundamente e deu de ombros.
— …Tudo bem. É exatamente isso o que eu sou. O escravo stalker fanático do Jay Lim.
Chase rendeu-se docilmente e, assim que terminou de falar, mais risadas eclodiram.
O ambiente estava extremamente alegre. Justin e Mikey pareciam compatíveis tanto em suas pretensões de curso quanto em personalidade, sugerindo que poderiam se tornar bons amigos.
Enquanto isso, Chase e Vivian tiveram sua primeira conversa amigável em muito tempo, enquanto Jeong-in e Madison estavam ocupados trocando histórias sobre suas respectivas faculdades.
De repente, a campainha tocou. Chase olhou para a porta com uma expressão confusa.
— Estávamos esperando mais alguém?
— Oh! O Aiden disse que talvez viesse se tivesse tempo.
— Aiden?
— Meu PAF que mencionei antes.
Chase fez um gesto para que Jeong-in permanecesse sentado enquanto ele se levantava e ia até a entrada.
Assim que abriu a porta, deu de cara com um homem asiático alto e bonito.
— O Jay Lim está?
— …Aiden Han?
As sobrancelhas do homem se ergueram, como se questionasse como Chase o conhecia. Ao mesmo tempo, um leve vinco se formou entre as sobrancelhas de Chase.
Ele parecia bem diferente dos típicos nerds asiáticos que Chase vira de perto.
Primeiro, ele era notavelmente alto, facilmente passando de 1,83m, e a definição natural dos músculos de seus ombros e braços indicava um corpo claramente tonificado por exercícios. Além disso, suas feições faciais delicadas e bem equilibradas eram o suficiente para atrair o olhar de qualquer um.
Chase deixou Aiden entrar e chamou por Jeong-in:
— Jeong-in, o Aiden chegou.
Jeong-in aproximou-se com sua garrafa de cerveja ainda na mão. Antes que pudesse cumprimentá-lo, Aiden falou primeiro.
—〈Não acabei de ouvir você ser chamado de Jeong-in? Você é coreano?〉
Jeong-in ficou momentaneamente atordoado pelo coreano natural que não ouvia há tanto tempo. Mas ele se recuperou rapidamente e respondeu em coreano também.
—〈Não, sou americano.〉
—〈Ah, desculpe. Eu quis dizer se você tinha um nome coreano.〉
Aiden estendeu naturalmente a mão para Jeong-in.
—〈Quando ouvi apenas o nome Jay Lim, pensei que você pudesse ser de Singapura. Lim é um dos sobrenomes mais comuns por lá.〉
—〈Isso é verdade.〉
Jeong-in pegou a mão dele e a apertou levemente. Aiden continuou com uma expressão acolhedora.
—〈Eu imigrei quando tinha seis anos. Para Chicago. E você?〉
—〈Califórnia. Faz pouco mais de 8 anos.〉
Aiden falava com naturalidade, sem estranheza ou tensão. Ele abriu a conversa mencionando experiências comuns de imigrantes asiáticos na América.
—〈Sua papelada diz Jay Lim. Você usa seu nome coreano? As pessoas aqui com certeza não vão pronunciá-lo corretamente.〉
—〈Não. Todos me chamam de Jay. Inicialmente eu quis usar meu nome coreano, mas desisti.〉
—〈Boa escolha. Meu nome coreano é Young-hyun, mas eu recebia “Ing-hin”, “Ing-hyem”, “Yung-hyun”… era sem fim.〉
Como havia passado por situações semelhantes, Jeong-in pôde se identificar totalmente e caiu na gargalhada.
— 〈Mas você veio para cá aos seis anos. Por que seu coreano é tão bom?〉
— 〈Meus pais impunham o coreano estritamente em casa. Meu pai é um pouco à moda antiga.〉
Enquanto a conversa em coreano continuava a fluir, Chase interveio:
— O que está acontecendo aqui?
Ele exibia um sorriso gentil, mas seus olhos, ao observar Aiden, continham uma estranha cautela.
Aiden virou-se para Chase e respondeu:
— Oh, me desculpe. Eu também imigrei da Coreia.
— …É mesmo?
— É bom ter alguém com quem falar coreano além dos meus pais, para variar.
Chase, com um sorriso no rosto, mas com uma veia proeminente saltada em um lado da testa, disse a Jeong-in:
— Isso deve ser bom para você, Jeong-in.
Jeong-in não podia negar. Em vez de responder, ele sorriu de forma um tanto sem graça. Honestamente, falar coreano era confortável. Apesar de passar mais de 8 anos na América, o coreano ainda era a língua com a qual Jeong-in se sentia mais à vontade.
— A propósito, quem é este?
Aiden perguntou, acenando levemente com a cabeça em direção a Chase. Justo quando Jeong-in estava prestes a responder, o braço de Chase envolveu a cintura de Jeong-in, puxando-o para mais perto.
— Chase Prescott. Calouro. Pré-medicina.
Aiden respondeu no mesmo formato à breve introdução:
— Aiden Han. Aluno do terceiro ano. Neurociência. Pré-medicina é inesperado. Como você conhece o Jeong-in?
— Como você pode ver.
Chase gesticulou com os olhos para o braço em volta da cintura de Jeong-in. Aiden pareceu um pouco surpreso, mas rapidamente assentiu em aceitação, aparentemente sem qualquer preconceito quanto a isso.
Guiado para o interior da sala de estar, Aiden foi apresentado a todos, e a festa continuou. Aiden entrou em contato com alguns colegas, sugerindo que mais pessoas tornariam a festa mais divertida.
Vários colegas calouros convidados por Mikey também chegaram. Alguns deles eram seguidores de Vivian, e ela parecia satisfeita por estar cercada de elogios e admiração.
A atmosfera da festa tornou-se cada vez mais animada. Todos se revezavam tocando suas músicas favoritas, e algumas pessoas balançavam suavemente, dançando. Pediram mais pizza, e a obra-prima de Chase, a tábua de charcutaria, também fez sucesso.
Jeong-in circulava, conversando com novas pessoas. Começando com discussões sobre cursos e estendendo-se a dicas sobre a vida em Harvard, ele reuniu muitas informações. Naturalmente, ele conversou mais com seu PAF, Aiden.
— Uau! Isso é incrível!
Nesse momento, ouviu-se a exclamação de Mikey.
Mikey e alguns amigos que ele trouxe estavam olhando para a versão beta de um aplicativo de estudos baseado em IA criado por Justin. Jeong-in e Aiden juntaram-se a eles.
— O que está acontecendo?
— Jay! Este aplicativo que seu amigo fez é maravilhoso!
— Como você implementou este sistema de feedback automático?
Mikey perguntou, examinando a tela de perto, e Justin explicou enquanto navegava pela interface.
— Se a taxa de precisão permanece constante, eu reforço a inferência, mas se a taxa de erro for alta, eu reseto o algoritmo de aprendizado.
— Uau… isso parece pronto para uso comercial agora mesmo!
Justin e Mikey rapidamente continuaram a conversa sobre linguagens de programação e algoritmos.
Embora tivesse bastante conhecimento sobre matemática e programação, Jeong-in percebeu que a conversa entre aqueles nerds da engenharia da computação era claramente em um idioma totalmente diferente.
Jeong-in naturalmente se afastou da conversa. No entanto, de alguma forma, ele não se sentiu mal com isso.
Ali, Jeong-in não era um nerd, mas apenas uma pessoa comum. No ensino médio, ele pensava que aquela pequena escola era o mundo e o universo inteiro, mas as coisas haviam mudado tanto depois de apenas uma estação. A agradável sensação de vazio o fez sorrir de repente.
— 〈Ah, tem um bom restaurante coreano. Quer que eu te fale sobre ele?〉
Jeong-in respondeu imediatamente às palavras de Aiden.
— 〈Restaurante coreano? Onde?〉
— 〈Tem vários lugares coreanos de fusão por perto, mas eles são realmente fusão, então você provavelmente não ficará satisfeito. Tem um lugar chamado Sooni que parece um restaurante mediterrâneo, mas é um lugar coreano autêntico. O nome da dona termina com Soon, então chamaram o restaurante de Sooni. A lula refogada deles é realmente deliciosa, e tem outro lugar decente chamado Hyun-dong Tofu Stew.〉
— 〈Você poderia me enviar as informações por mensagem?〉
— 〈Claro.〉
Jeong-in estava desejando arroz grudento e procurando por comida coreana desde que estiveram no mercado. Seu rosto iluminou-se consideravelmente com essa informação valiosa que ele estivera buscando desesperadamente.
Enquanto isso, Chase, que observava os dois conversando calorosamente em coreano que ele não conseguia entender, começou a balançar uma perna nervosamente.
Vivian aproximou-se silenciosamente do lado de Chase.
— Ele é bem bonito, não é? Aquele tal de Aiden.
— É? Eu não sei dizer.
— Sabe, aquela beleza delicada única dos asiáticos. Eu não sabia que Harvard tinha alguém como ele. Bonito e com ótimo senso de moda, sem falar que ele é um cabide perfeito. Você viu como os ombros dele são largos? Falei brevemente com ele e ele disse que jogava lacrosse no ensino médio.
— Pare de tentar criar problemas onde não existem, Vivian.
Apesar de suas palavras, Chase estava claramente agitado.
Chase Prescott sempre fora munido de uma gentileza sem sentido, indiferente a tudo, consistentemente cínico e entediado. Vivian sentia que estava se vingando em nome de todos que já haviam gostado dele no passado.
Tendo se tornado confortável com Chase novamente, Vivian sentou-se ao lado dele.
— Então, como é viver em um campo de nerds?
Chase permaneceu em silêncio diante da pergunta dela.
Para ser honesto, não era fácil. Jeong-in parecia natural e confortável naquele mundo, como se fosse sua casa, mas tudo parecia estranho e desajeitado para Chase.
No entanto, ele não conseguia expressar sua falta de familiaridade ao ver Jeong-in cheio de vida, como um peixe na água.
De alguma forma, parecia mesquinho falar de suas inseguranças durante o momento de brilho de Jeong-in.
— Você sabe que esse é o tipo de cara que as garotas gostam secretamente, certo? Seu namorado, quero dizer. A Madison gostava dele genuinamente.
— …
— Além disso, ele tirou os óculos e ficou lindo… Se ele parece lindo para você, ele não pode deixar de parecer lindo para os outros também.
Ela estalou a língua em desaprovação.
— O modo fácil acabou. Então não baixe a guarda, Chase Prescott. Tente o seu melhor para segurar firme e não soltar.
Ela parecia ter gostado bastante de Jeong-in. Depois de falar quase em tom de ameaça, Vivian continuou em um tom lamentoso.
— Por falar em reviravolta da sorte.
— Que reviravolta?
— Eu não sei como era antes, mas você pode ser a minoria aqui.
— …
— Quero dizer que é a sua vez de se sentir inseguro.
Diante das palavras de Vivian atingindo em cheio o cerne da questão, Chase mais uma vez viu-se incapaz de responder.
* * *
A sala de estar ainda guardava vestígios da festa. Almofadas espalhadas, garrafas vazias rolando pelo chão, copos e pratos vazios por toda parte.
Chase e Jeong-in colocaram uma música tranquila e começaram a arrumar tudo. Chase organizava os pratos e caixas de pizza na mesa, enquanto Jeong-in decidiu recolher as garrafas de cerveja vazias do chão.
— Ah, verdade. Chase, olha isso.
Chase, que estava enxaguando rapidamente os pratos na pia antes de colocá-los na lava-louças, virou a cabeça. Jeong-in segurava o que pareciam ser dois ingressos.
— A Vivian nos deu dois ingressos para o Hyperwave. Devemos ir?
— Você quer ir?
Jeong-in assentiu.
Descobriu-se que o Hyperwave que Madison mencionara não era o fenômeno físico em que Jeong-in pensara, mas um festival com DJs e cantores famosos.
Para Jeong-in, que sempre quisera participar de eventos como Coachella ou Lollapalooza pelo menos uma vez, essa era uma oportunidade bem-vinda. Além disso, o Fenway Park era perto o suficiente para chegar em apenas cerca de 15 minutos de carro.
— Se você quer ir, então devemos ir.
Chase sorriu afetuosamente. Ele sempre agia como se desse a Jeong-in o que ele quisesse, onde quer que ele quisesse ir.
A sensação de ser amado era tão calorosa e tranquilizadora. Às vezes, ainda era um pouco difícil de acreditar.
Jeong-in recolheu as garrafas vazias uma a uma e as organizou ordenadamente em um só lugar. Enquanto isso, Chase terminou de limpar a mesa e colocou as almofadas espalhadas de volta em seus devidos lugares.
— Chase, você vai terminar de limpar tudo isso hoje?
Chase parou de arrumar as almofadas e lançou um olhar para Jeong-in. Sua expressão dizia: “Por que você está perguntando isso?”.
Jeong-in disse casualmente:
— Eu vou tomar um banho. Ia te convidar para vir comigo, se estiver interessado.
Chase derrubou a almofada que estava segurando. Sua expressão mudou instantaneamente.
— Se eu dissesse não a essa pergunta, me chute no ponto vital e fuja. Teria que ser um clone ou um doppelganger com o meu rosto.
Jeong-in virou-se com um sorriso brincalhão. Então, correu em direção ao banheiro como se estivesse escapando. Chase foi atrás de Jeong-in com um ímpeto aterrorizante.
* * *
Enquanto a luz solar da manhã inundava o quarto, Jeong-in abriu os olhos e olhou para o relógio na parede. 9h da manhã. Era mais tarde do que ele esperava.
Levantando-se da cama, sentiu-se aliviado ao perceber que estava em uma forma razoavelmente boa. Que sorte que Chase havia parado após apenas uma vez no banheiro na noite anterior. Caso contrário, até mesmo sentar-se poderia ser difícil agora.
Chase ainda estava em sono profundo, talvez por ter ido para a cama tarde. O cabelo dourado espalhado pela testa brilhava sob a luz da manhã.
Jeong-in fechou as cortinas e sentou-se à escrivaninha oposta à cama, lembrando que o professor havia prometido enviar o tópico do trabalho por e-mail.
Assim que abriu o laptop de Chase, Jeong-in soltou uma risadinha.
— …Você seria um espião terrível.
No meio da janela do navegador estava a conta do Instagram de Aiden Han, claramente pesquisada por Chase na noite anterior.
Preocupado que Chase pudesse ficar sem graça, Jeong-in fechou rapidamente aquela janela.
O fato de ele conseguir demonstrar tal consideração tão naturalmente, de se importar tanto com Chase, surpreendia até a si mesmo.
Ao lado, havia uma aba do YouTube. O vídeo estava pausado na metade e havia um selo claro de “Inscrito” ao lado do nome do criador.
Jeong-in riu baixinho e leu lentamente o título do vídeo:
[Aprenda Coreano em uma Semana Mesmo se Você For um idiota — (1) Entendendo Consoantes e Vogais]
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) Yaoi Mangá Online
Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven