Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) – Capítulo 42 Online


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❀ 7 Minutes Of Heaven 8

O Último Ano

Ele acordou sem o despertador. Na verdade, não tinha conseguido pegar no sono adequadamente.
Jeong-in abraçou a pelúcia do Snowball que estava ao seu lado. O pelo macio e fofo que ele não tocava há muito tempo envolveu-se entre seus dedos.
Ele piscou os olhos secos várias vezes. Sua mente ainda estava um pouco nublada.
Retornar para casa no dia anterior ao início das aulas… era um cronograma absurdo, realmente louco. Mas foi uma escolha inevitável se ele quisesse completar o período de estágio de dois meses inteiros.
Nos últimos dois meses, Jeong-in trabalhou como estagiário analisando dados no Laboratório de Pesquisa de Big Data Biomédico da Universidade da Coreia. Ele deveria ter chegado ontem à tarde, mas devido a problemas com seu voo, teve que fazer escala em Dallas e chegou tarde da noite.
Sua mãe lhe disse para tirar o dia de folga da escola, mas ele não podia perder o primeiro dia do semestre.
E havia outro motivo pelo qual ele tinha que ir à escola. Ele queria ver Chase o mais rápido possível.
— Jeong-in! Você acordou?
Quando a voz de Suzy ecoou do andar de baixo, Jeong-in já estava totalmente preparado para a escola.
No momento em que abriu a porta, um aroma rico e doce flutuou pelo ar.
— Finalmente, seu primeiro dia como veterano.
Suzy cumprimentou Jeong-in com um sorriso caloroso. Ela colocou um waffle recém-feito em seu prato, cobriu-o com várias frutas vermelhas e xarope, e finalizou desenhando um sorriso com chantilly em spray.
— Waffle para comemorar o primeiro dia do semestre.
— Parece delicioso.
Jeong-in sentou-se naturalmente e pegou o garfo e a faca. Suzy olhou para ele com preocupação.
— Você não vai ficar com sono na escola? Quer um café?
— Está tudo bem.
De qualquer forma, os primeiros dias do semestre costumavam ser gastos apenas distribuindo livros e horários e organizando os assentos.
— O primeiro dia é apenas orientação, de qualquer maneira.
Jeong-in falou como se não fosse nada demais e deu uma grande mordida no waffle. O exterior crocante e o interior úmido desmancharam-se em sua boca com várias texturas. O xarope doce misturava-se com o sabor ácido das frutas.
— Delicioso.
Suzy olhou para Jeong-in e perguntou cautelosamente:
— Você e o Chase… ainda estão juntos?
— Mãe.
Em resposta ao tom firme, quase de advertência, de Jeong-in, Suzy reagiu defensivamente.
— Só estou curiosa.
Jeong-in respondeu calmamente enquanto cortava seu waffle:
— Se fosse para acabar só porque ficamos separados por dois meses, nem teríamos começado.
Suzy olhou silenciosamente para Jeong-in antes de fechar a boca. Um sorriso amargo apareceu em seu rosto. Era uma expressão que sugeria que ela tinha feito tudo o que podia.
O intervalo de dois meses não teria sido assustador para Jeong-in também? Não, como a pessoa envolvida, Jeong-in deve ter ficado ainda mais temeroso e ansioso.
No entanto, Suzy tinha que tentar algo. Mas, no fim das contas, os pais sempre perdiam para os filhos determinados.
Suzy falou em uma voz resignada:
— Você sempre foi assim desde pequeno. Resolvia tudo sozinho. Como esses robôs aspiradores de hoje em dia, que limpam e até lavam os próprios esfregões.
Jeong-in soltou uma risadinha.
— Me comparando a um aspirador de pó, logo agora.
Suzy riu de volta. Era um sinal de rendição.
Jeong-in levantou-se de seu assento e abraçou Suzy com força. Suzy deu tapinhas nas costas do filho e disse:
— Prescott ou o que quer que seja. Se aquela família te causar problemas, eu não vou ficar parada.
— O que você faria?
— …Transferiria meu empréstimo para o America Bank, é claro.
Jeong-in caiu em uma gargalhada brilhante.
O estacionamento da Wincrest High School estava envolto em uma névoa matinal nebulosa. Devido à proximidade da área com a costa, era comum haver dias com essa densa névoa marítima.
No banco em frente ao estacionamento, um grupo de figuras grandes havia se reunido. Jogadores vestindo jaquetas varsity com uma mistura harmoniosa de vermelho e branco discutiam o que havia acontecido durante o acampamento de treinamento de verão.
Como de costume, Max Schneider era o mais falador.
— Qual era o carro do treinador McCarthy mesmo? Uma picape Toyota?
— Por quê? Planejando furar os pneus?
O técnico de futebol americano da Wincrest High School durante a entressafra, James McCarthy, é um ex-jogador universitário que já foi uma promessa brilhante, mas sua carreira na NFL foi interrompida devido a uma lesão. Após encerrar sua trajetória como jogador, ele começou a construir sua experiência como treinador.
Ele é um técnico com sólida bagagem e uma boa rede de contatos com olheiros, mas recebeu críticas por seu estilo autoritário, muitas vezes pressionando os jogadores com uma linguagem ríspida durante os treinos.
Durante este acampamento de verão, ele definiu a meta da equipe como “menos jogadas estúpidas” e conduziu treinamentos rigorosos.
Graças a esse treinamento, o porte físico de Chase melhorou ao longo desses dois meses. Também ajudou o fato de ele ter se dedicado inteiramente aos exercícios, já que não tinha mais nada para fazer enquanto seu namorado estava em um lugar distante.
— Sabe o que ele disse da última vez? Ele me falou que, se eu fosse lançar a bola como se fosse beisebol, era melhor eu ir para os Dodgers.
— Vamos jogar laxante nos donuts do técnico McCarthy em vez de granulado.
Em meio às piadas pesadas e reclamações, Chase não se juntou à conversa. Seu olhar estava fixo do outro lado do estacionamento, em direção à zona de desembarque onde os pais deixavam seus filhos.
— Press? Está ouvindo?
— …Não.
Alex, que estava seguindo o olhar de Chase, sorriu com cumplicidade.
— Eu consigo dizer só de olhar. Você está esperando pelo seu amor, não está?
— Amor? O Jay voltou da Coreia?
Foi então que aconteceu. Chase, que estava sentado no banco, levantou-se subitamente.
No momento em que um Camry vermelho entrou na zona de desembarque, seu corpo reagiu instintivamente. Ele correu sem hesitação, como se estivesse disparando para agarrar um passe no campo.
A porta do passageiro se abriu, e a primeira coisa que ele notou foi o cabelo preto como azeviche.
Chase, que parou do outro lado da rua, travou o olhar com Jeong-in assim que ele saiu do carro. Parecia que o tempo havia parado.
Jeong-in, a quem ele só conseguira ver em uma pequena tela de celular até ontem, estava agora diante de seus olhos. Ao alcance de sua mão.
Chase ficou parado, atordoado, incapaz de se mover enquanto encarava Jeong-in. Enquanto isso, Jeong-in caminhou e parou bem na frente dele.
— Voltei, Chase.
Ele não conseguiu mais se conter. Chase agarrou a mão de Jeong-in e o puxou para perto. O corpo de Jeong-in afundou no abraço largo de Chase. Temperatura corporal quente, aroma familiar. Tinham se passado dois meses.
Max deu um assobio. — Procurem um quarto! — A voz de deboche de Brian também foi ouvida.
Jeong-in sorriu suavemente enquanto apoiava a mão nas costas de Chase. Ele não se importava mais com os olhares dos outros. Nada importava agora, exceto a pessoa à sua frente.
Assim que desfizeram o abraço, Chase olhou para Jeong-in em silêncio. Era o rosto que ele estava vendo novamente após dois meses.
Enquanto olhava fixamente para o rosto de Jeong-in, que era ao mesmo tempo familiar e de alguma forma diferente, a primeira coisa que ele disse foi:
— Jeong-in, onde estão seus óculos?
Jeong-in não estava usando óculos hoje. Chase examinou os cantos dos olhos de Jeong-in, procurando por vestígios de lentes de contato.
— Você está de lentes?
— Talvez sim, talvez não.
Chase ponderou sobre aquelas palavras por um momento.
— Hein?
— Eu fiz cirurgia ocular a laser. Surpreso?
A expressão de Chase tornou-se momentaneamente confusa, mudando rapidamente para desânimo.
A expressão de Jeong-in, que esperava parabéns, também mudou de forma ambígua.
— Você não está feliz? Eu consigo enxergar bem agora…
— Uh… estou feliz. Estou feliz. Sim, estou muito feliz…
Mas, ao contrário de suas palavras, seu rosto mostrava claramente a decepção. Fazer a cirurgia a laser significava que Jeong-in agora mostraria seu rosto sem óculos o tempo todo.
— Por que você não me contou?
Chase não conseguiu esconder seu desagrado.
É sempre inverno lá? De alguma forma, Jeong-in parecia ter ficado mais pálido. Pele branca, cabelos e olhos pretos como azeviche e lábios vermelhos. O contraste de cores era tão intenso que seu rosto era impossível de ignorar, mesmo que alguém tentasse não olhar.
Antes, havia pelo menos aqueles óculos nada atraentes que neutralizavam isso, mas agora ele estava exposto, sem defesas.
O que era ainda mais angustiante era o fato de que Jeong-in nunca mais usaria óculos novamente.
— É realmente conveniente. Na verdade, ainda não me acostumei, então me pego tateando a mesa de cabeceira à procura dos óculos quando acordo.
— Haha… Bem, isso é ótimo.
Chase olhou ao redor sem que Jeong-in percebesse, lançando olhares intensos para aqueles que estavam encarando mais do que o necessário.
Enquanto caminhavam em direção à entrada, Chase pegou gentilmente a mão de Jeong-in. Jeong-in estremeceu momentaneamente, mas logo relaxou e permitiu. Isso também era algo que haviam combinado: não esconderiam mais a existência deles de ninguém.
Um novo ano letivo traz muitas mudanças.
Novos armários são atribuídos, os períodos de almoço mudam. E há benefícios especiais concedidos apenas aos veteranos (seniors), como o “Senior Ditch Day” — quando os alunos faltam às aulas juntos para atividades ou viagens especiais — ou lounges exclusivos.
Além disso, havia mais motivos para ansiar pelo novo ano.
Este ano, Chase e Jeong-in fariam AP Microeconomia juntos durante o primeiro período nos dias A. Era uma disciplina reconhecida como crédito de humanidades/ciências sociais na faculdade e, como Harvard valoriza particularmente um currículo equilibrado, escolher esse assunto foi uma boa decisão.
Logo depois viria AP Álgebra Linear, uma aula que ele e Justin fariam juntos. Parecia que ele voltaria a gostar dos dias A ímpares desta vez também.
— Vamos?
Assim que entraram no corredor, os olhares de todos recaíram sobre eles de uma vez. Sem os óculos para se esconder, Jeong-in sentiu-se ainda mais desajeitado e embaraçado. Ser o centro das atenções era rotina para Chase, mas não para ele.
Era estranho. Cada vez que o olhar de alguém passava por ele, parecia que pontas de penas invisíveis faziam cócegas em sua pele. Sua garganta secou e, de alguma forma, ele não sabia o que fazer consigo mesmo.
Mas não podia dizer que a sensação era inteiramente ruim. Ele conseguia entender um pouco por que algumas pessoas ansiavam por esse tipo de atenção.
— Ei, Press. Ei, Lim.
Quando alguém os cumprimentava assim ao passar, Jeong-in sentia um frisson de prazer. Ele, que sempre fora como um homem invisível, estava agora no centro das atenções. Tudo ao seu redor parecia embaçado e irreal.
— Oi, você é o Jay Lim, certo? Estivemos na mesma classe no primeiro ano.
— Jay, essa camisa é bonita. Onde você comprou?
— Ouvi dizer que você visitou a Coreia? Eu gosto muito de cantores de idol coreanos.
Enquanto caminhava para a sala com Chase, várias garotas se aproximaram. Alguém até elogiou a camisa xadrez que ele usava o tempo todo.
O mesmo aconteceu quando chegaram à sala de aula. Jeong-in recebeu perguntas adicionais sobre se havia tingido o cabelo de preto, para qual universidade se candidataria e em que bairro morava.
As pessoas subitamente queriam saber sobre Jeong-in. Queriam saber o que fazia Chase gostar dele, o que havia de tão especial para que ele pudesse desbancar até a poderosa Vivian Sinclair e se estabelecer.
Jeong-in respondia a todas essas perguntas com um sorriso ambíguo. Ele teria que se acostumar com a atenção agora. Esse era o preço inevitável de ser o parceiro de Chase Prescott.
O último ano havia começado para os dois, agora o casal oficial de Wincrest.
Era um dia em que o treino terminou particularmente tarde. Chase tomou banho imediatamente, saiu da escola e foi direto para a casa de Jeong-in. Ver a janela iluminada de Jeong-in já fazia seu coração disparar.
Ele relembrou a rota familiar: subir na árvore, chegar ao telhado e entrar pela janela. Fazia tempo, e o galho em que costumava pisar havia quebrado, então ele teve que subir usando um galho mais alto, mas isso não era problema.
No momento em que enganchou uma perna em um galho para subir na árvore, os faróis de um carro entrando na garagem iluminaram o caminho. As pupilas de Chase se contraíram. O carro que aparecia era ninguém menos que o Camry vermelho de Suzy.
O motor desligou, e ele ouviu Suzy fechar a porta do carro e sair. Chase, pendurado no galho da árvore, prendeu a respiração e congelou. Por dentro, ele repetia um mantra: “Por favor, apenas passe direto. Apenas passe direto”.
Naquele momento, ele ouviu algo, talvez um esquilo ou um chipmunk, passando apressado.
Com um sobressalto, as mãos dele perderam a força momentaneamente. O galho que ele segurava escorregou, e Chase caiu nos arbustos abaixo. Em sua postura desajeitada, ele mais uma vez prendeu a respiração.
Logo, ouviu passos se aproximando da casa.
Os passos que passavam pelos arbustos onde Chase estava escondido pararam antes de chegar à porta da frente. Chase chegou a parar de respirar por um instante.
— Chase.
A voz de Suzy ecoou, mas os arbustos permaneceram quietos como um rato.
— Eu sei que você está aí. Levante-se.
Chase ergueu-se lentamente, sacudindo os gravetos, e tentou acenar com um sorriso casual, fingindo estar despreocupado.
— Haha… olá…
Suzy suspirou como se estivesse resignada, então soltou uma risadinha, achando a situação divertida.
— Estou fazendo frango frito no estilo coreano. Quer se juntar a nós?
Os olhos de Chase brilharam enquanto ele exclamava: — Sim!
Com um par extra de mãos, preparar o frango tornou-se muito mais fácil. Uma pessoa passava o frango na massa, outra fritava no óleo, e a terceira separava o frango pronto e o envolvia uniformemente em uma panela com molho.
O frango que fizeram desta vez não tinha pelotas de massa dura, e o molho não estava queimado nem empelotado em lugar nenhum.
Os três sentaram-se no sofá da sala, comendo frango e assistindo à Netflix juntos.
Quando o protagonista masculino no drama estava contemplando uma oportunidade de promoção oferecida pelo presidente, Jeong-in e Suzy estavam na mesma sintonia.
— Ugh, ele não deveria simplesmente aceitar isso.
— Exato. As pessoas vão dizer que ele conseguiu o emprego por conexões.
Enquanto isso, Chase, que estava empilhando ossos de frango em seu prato, parecia confuso.
— Por que não? É uma boa oportunidade. Vocês não estão sendo defensivos demais?
Jeong-in o criticou imediatamente.
— Ugh, seu homem branco privilegiado, como você entenderia?
Suzy interveio, colocando mais lenha na fogueira.
— Exatamente. Como um macho alfa que nunca sofreu discriminação.
Chase levou a mão ao peito com uma expressão exagerada de quem estava ferido.
— Ei, eu também tenho sentimentos, sabem?
Mas Jeong-in e Suzy não deram atenção a Chase; em vez disso, viraram-se um para o outro e deram risadinhas. A hierarquia naquela casa era clara. O macho alfa branco privilegiado estava definitivamente na base da pirâmide ali.
O aroma saboroso de frango e risadas leves pairavam sobre o sofá.
Após assistir a um episódio do drama naquela atmosfera calorosa, Chase colocou a louça suja na pia como se estivesse em sua própria casa. Na verdade, isso era algo que ele nunca fazia em sua casa real.
Jeong-in puxou levemente a manga de Chase e disse a Suzy:
— Vamos ficar um pouco no meu quarto.
Suzy estreitou os olhos de brincadeira e então ofereceu com um sorriso:
— Mantenham a porta aberta.
— Mãe!
As bochechas de Jeong-in ficaram vermelhas, e Chase o seguiu, lutando para conter o riso.
Jeong-in deixou Chase entrar primeiro em seu quarto, depois entrou e fechou a porta. No momento em que ele se virou, Chase avançou sobre ele com um beijo.
— Mmph…
Jeong-in tropeçou para trás até que suas costas atingissem a porta, thud. Chase deslizou a mão entre as costas de Jeong-in e a porta, acariciando-o freneticamente.
— Mmm… Chase!
Jeong-in empurrou o peito de Chase. Chase recuou obedientemente, mas ainda mantinha uma expressão faminta.
Jeong-in balançou a cabeça e estalou a língua.
— É exatamente por isso que os adultos nos dizem para manter a porta aberta.
— Nem ficar acordado a noite toda seria o suficiente para compensar o tempo perdido.
Chase envolveu a cintura de Jeong-in com o braço novamente e abaixou a cabeça para capturar os lábios de Jeong-in. Enquanto mantinha o beijo, ele guiou Jeong-in em direção à cama. Logo, a parte de trás dos joelhos de Jeong-in tocou o colchão.
Depois de sentar Jeong-in na cama, Chase pressionou levemente seu peso para frente, empurrando-o para trás. Pouco antes de se deitar completamente, Jeong-in se apoiou no cotovelo enquanto empurrava o ombro de Chase com a outra mão. O acampamento de verão deve ter sido bem intenso; o ombro dele parecia ainda mais firme do que antes.
Não importa para que lado Jeong-in virasse a cabeça, Chase o perseguia, pressionando seus lábios nos dele. Jeong-in rolou e deitou-se de barriga para cima na cama. O jet lag deveria atingir seu ápice no terceiro dia, mas suas pálpebras já estavam pesadas.
Precisando de algo para se proteger, Jeong-in agarrou sua pelúcia do Snowball e a abraçou.
— Vamos apenas dormir.
Assim que essas palavras saíram de sua boca, Chase deu um pulo. Então, como se estivesse em transe, moveu as mãos em direção à cintura.
— Finalmente…
— Hein?
Seus olhos azuis ficaram sonhadoramente desfocados.
— Eu estou pronto.
Chase, como se estivesse hipnotizado, puxou a ponta do cinto para fora da fivela e levou a mão ao fecho.
— Vou ser muito bom para você. Vou ser gentil, não vai doer…
— Do que você está falando?
Jeong-in enterrou o rosto no travesseiro e caiu na gargalhada.
— Eu ainda não me ajustei ao fuso horário. Eu estava literalmente dizendo que estou com sono.
— Oh… que cruel.
Chase desabou na cama como se tivesse desmaiado.
Ele se lembrou de Max Schneider na escola perguntando com um rosto malicioso:
— Ei! Switch hitter! Em qual base você já chegou?
“Switch hitter” refere-se a um jogador de beisebol que pode rebater de ambos os lados, mas, na gíria, também significa bissexual. E perguntar em qual base alguém chegou é uma forma de usar metáforas do beisebol para descrever quão longe alguém foi fisicamente em um relacionamento.
Cada base representa um estágio: a primeira base é o beijo, a segunda base é o toque íntimo na parte superior do corpo, a terceira base se estende para a parte inferior e um home run significa a relação sexual.
Chase tinha ficado bravo com a pergunta explícita de Max, dizendo para ele não tratar o seu relacionamento como entretenimento.
Mas ele não podia negar que, no fundo, desejava desesperadamente chegar pelo menos à segunda base.
— Chase, nós já conversamos sobre isso. Nós ainda somos…
— Sim, eu sei. Jovens demais…
A voz de Chase reverberou enquanto ele enterrava o rosto no cobertor. Depois de ficar emburrado sob as cobertas por um tempo, ele subitamente ergueu a cabeça e disse:
— Meu aniversário é 12 de setembro.
— Eu sei. E daí? — Jeong-in perguntou com indiferença.
Todos os alunos de Wincrest certamente sabiam o quão extravagantes tinham sido suas festas de aniversário anteriores.
Mas os olhos de Chase brilharam, sugerindo que não era isso que ele queria dizer.
— Eu me torno adulto no mês que vem!
Na América, alguns alunos tornam-se legalmente adultos durante o último ano, dependendo do mês de nascimento.
As escolas públicas dos EUA geralmente usam o dia 1º de setembro como data de corte para a atribuição de séries. Aqueles nascidos entre 1º de setembro e 31 de agosto do ano seguinte são agrupados na mesma turma.
Isso significa que os nascidos em 1º de setembro são os primeiros entre os veteranos a se tornarem adultos legais.
— Quando eu for adulto, você não precisará mais me proteger.
Jeong-in respondeu com um sorriso desajeitado e apologético:
— O meu aniversário é em junho, sabe.
— Ah, certo… um bebezinho.
Chase suspirou e enterrou o rosto no cobertor novamente.
Rolando na cama, Chase pegou o Snowball e aproximou cuidadosamente o rosto do bicho de pelúcia de seu ouvido, como se ele estivesse sussurrando algo.
— É. O que foi? Ah… ser filho único é chato?
Jeong-in caiu na gargalhada. Chase colocou o dedo nos lábios com uma expressão séria de “shiu”, como se pedisse para não interromper a conversa, e continuou sua encenação.
— Sinto muito. Eu gostaria de te dar um irmãozinho, mas… o outro papai está sendo teimoso.
Jeong-in riu incrédulo e sacudiu as costas de Chase, que estava deitado de bruços.
— Hora de ir. Quero tomar banho e dormir. Estou cansado.
— Tão frio — Chase resmungou enquanto soltava o Snowball e se levantava lentamente da cama. Ele naturalmente deu um beijo rápido na bochecha de Jeong-in e caminhou casualmente em direção à janela.
— Chase. A saída não é por aí.
— Ah…
Ele percebeu tardiamente que, hoje, havia entrado orgulhosamente pela porta da frente acompanhado de Suzy.
Jeong-in caiu na gargalhada com os hábitos de “ladrão” dele, e Chase coçou a cabeça, sem graça, enquanto descia as escadas.
Suzy estava justamente apagando as luzes da sala, preparando-se para dormir.
— Eu já vou indo.
Suzy virou a cabeça e lançou um olhar confuso para Chase ao vê-lo descer sozinho.
— Onde está o Jeong-in?
— Ele vai dormir. Acho que está exausto.
— Tudo bem, vá para casa em segurança.
Suzy sorriu ao se despedir. Chase estava prestes a ir para a porta da frente quando parou de repente, hesitou por um momento e depois se voltou para Suzy. Ele abriu a boca com cautela.
— Hum, Sra. Lim.
— Ora, Lim não é o meu sobrenome. Na Coreia, as mulheres não adotam o sobrenome do marido.
Chase não conseguiu esconder a confusão momentânea. Suzy sorriu gentilmente, achando a reação dele fofa, e acrescentou:
— Está tudo bem. Chame-me como se sentir mais confortável.
Diante das palavras gentis de Suzy, Chase respirou fundo, como se estivesse reunindo coragem. Então, com sua voz mais séria, disse:
— Eu sei que foi uma decisão difícil. A senhora não vai se arrepender.
Suzy olhou para Chase em silêncio por um momento. Então, com um pequeno sorriso, ela assentiu.
— …Sim. Tome cuidado no caminho para casa.
Era, claramente, uma permissão.
Com o coração mais leve, Chase deixou a casa de Jeong-in e entrou silenciosamente em seu carro.
Antes de dar a partida, ele instintivamente virou a cabeça para olhar a casa de Jeong-in mais uma vez. Naquele momento, a luz do quarto de Jeong-in se apagou. Ele devia estar muito cansado.
Aquela casa de dois andares, pequena e modesta.
Sempre fora um espaço confortável e acolhedor, cheio de calor. E agora parecia que havia um lugar para ele naquela casa também.
Um sorriso gentil espalhou-se pelo rosto de Chase.
— Muito bem, pessoal. Se a elasticidade-preço no mercado for maior que 1, o que isso significa?
Os olhos de Jeong-in aguçaram-se e sua mão disparou para o alto diante da pergunta do professor de meia-idade na aula de microeconomia.
— Sr. Lim?
— Significa que, quando os preços mudam, a quantidade demandada muda em uma porcentagem maior.
Durante toda a aula, Jeong-in manteve um foco intenso. Se não por outra coisa, ele não podia se dar ao luxo de negligenciar seus cursos de AP (Advanced Placement).
Essas notas seriam um indicador importante de desempenho acadêmico para as admissões na faculdade, e algumas universidades poderiam até aceitá-las como créditos oficiais.
Embora a pressão fosse alta, Jeong-in estava preparado para lidar com tudo.
— Sim, está correto. Agora, pessoal, se o preço aumenta, o que acontece com a receita total?
A mão de Jeong-in disparou novamente. O professor olhou ao redor da sala, como se esperasse que mais alguém respondesse.
— …Mais ninguém? Alguém?
Jeong-in ergueu a mão, que já estava levantada, ainda mais alto. Chase, sentado diagonalmente atrás de Jeong-in, cobriu a boca para suprimir um riso.
O professor suspirou profundamente e olhou de volta para Jeong-in.
— …Sim, Sr. Lim.
— Quando a demanda é elástica e o preço aumenta, a receita total diminui. Isso ocorre porque a quantidade demandada diminui em uma porcentagem maior do que o aumento do preço.
— Sim, está correto. Mais uma vez.
As bochechas brancas de Jeong-in arredondaram-se enquanto ele sorria com orgulho. Chase não conseguiu conter o riso, com os ombros tremendo.
Ele não parece um esquilo exibindo orgulhosamente as nozes que coletou?
Alguns poderiam chamá-lo de bobo apaixonado, mas Chase achava até esse lado de Jeong-in insuportavelmente fofo e adorável.
Quando chegou a hora do almoço, Chase e Jeong-in dirigiram-se naturalmente ao refeitório. Caminhar lado a lado no corredor havia se tornado tão rotineiro que não era mais novidade. Agora, todos os alunos da Wincrest High School os consideravam um casal oficial.
Ninguém sussurrava ou se surpreendia quando Chase colocava o braço em volta do ombro ou da cintura de Jeong-in enquanto caminhavam, ou quando ele carregava casualmente a mochila pesada de Jeong-in.
Jeong-in não rejeitava nem evitava mais os toques de Chase. Embora fosse estranho no início, agora havia se tornado uma parte natural de sua rotina diária.
— Press.
Justin, carregando sua bandeja, sentou-se naturalmente ao lado deles. Chase o cumprimentou com um toque de punhos, mas sua expressão não estava particularmente alegre.
Ele vinha se sentindo desconfortável ultimamente porque notava as pessoas lançando olhares para Jeong-in ao passarem.
Chase tirou algo que havia preparado previamente de sua mochila e entregou a Jeong-in.
— O que é isto?
Jeong-in abriu o estojo retangular longo com uma expressão intrigada. Dentro, havia um par de óculos de armação de tartaruga, semelhantes aos que ele costumava usar.
Chase sorriu abertamente e disse:
— São óculos com proteção contra luz azul. Você teve todo o trabalho de fazer a cirurgia corretiva, então não podemos deixar sua visão piorar de novo.
Um “pfft” abafado veio de Justin. Ele parecia ter lido as intenções óbvias de Chase.
Jeong-in olhou fixamente para Chase e disse em um tom ponderado:
— Não há evidências científicas de que óculos de luz azul realmente protejam a visão. As descobertas de pesquisas sobre se eles têm um impacto significativo na saúde ocular são inconsistentes. Existem relatos anedóticos sobre a redução da fadiga ocular, mas pode ser em grande parte um efeito psicológico.
— …
Chase pareceu momentaneamente atordoado pela resposta inesperada.
Jeong-in mexeu no luxuoso estojo de couro e acrescentou:
— Mas já que isto veio de você… e as opiniões dos oftalmologistas sobre a luz azul ainda são divididas. Eu os usarei quando precisar olhar para a tela do meu laptop por muito tempo. Obrigado.
Justin, que estava segurando o riso com as bochechas infladas, deu um tapinha no ombro de Chase.
— Aguenta firme, amigão.
Chase soltou uma risada irônica, com seu plano cuidadosamente elaborado frustrado.
— Oh, Press! Eu pedi o número da barista do Cove Café ontem, exatamente como você sugeriu.
No entanto, Justin já havia se tornado bastante próximo de Chase. Ele agora estava até começando a receber conselhos amorosos dele.
Jeong-in estava um pouco preocupado. Chase não era exatamente qualificado para dar conselhos de relacionamento. Afinal, ele algum dia precisou de alguma estratégia para começar? Apenas fazer contato visual e exibir um leve sorriso era o suficiente para ele.
— Eu pedi o número dela educadamente, usando exatamente as frases que você escreveu para mim.
Enquanto isso, Justin sentia-se fortalecido, como se tivesse ganhado um aliado poderoso. Ele achava que isso era muito melhor do que os dias em que os nerds quebravam a cabeça juntos.
— Como foi?
— Aqui.
A expressão de Justin não era ruim. Ele pegou o celular e mostrou a tela do contato salvo.

[Nos Vemos em 10 Anos]

Tanto a expressão de Chase quanto a de Jeong-in tornaram-se solidárias ao verem a tela. Justin, porém, exibia um sorriso largo.
— Faltam apenas 9 anos, 11 meses e 27 dias. Legal, né? Quando finalmente começarmos a namorar, vamos fazer um encontro duplo.
Chase olhou para Justin como se ele fosse absurdo. Mas Jeong-in mergulhou em pensamentos e depois assentiu lentamente.
— Claro. Vamos fazer isso.
Tendo acabado namorando o próprio Chase Prescott, nada mais parecia impossível neste mundo.
Os veteranos passam agosto se ajustando ao novo ano letivo e setembro finalizando as preparações para a candidatura à faculdade. Outubro era o mês para concluir as inscrições para valer. Eles preparavam seus documentos de suporte e os enviavam para o “Common App”, uma plataforma para carregar as candidaturas universitárias.
Jeong-in enviou seu histórico escolar, atividades extracurriculares, duas cartas de recomendação, ensaios e sua pontuação mais alta no SAT.
O prazo de inscrição de Harvard era 1º de novembro, e outras escolas seguiam cronogramas semelhantes. Jeong-in terminou suas inscrições cedo, no início de outubro. Agora, tudo o que restava era esperar pelos resultados.
Pela primeira vez, Jeong-in podia realmente desfrutar de algum lazer. É claro que ele ainda tinha que se dedicar diligentemente às suas aulas de AP, mas não precisava mais refazer o SAT ou se preocupar com ensaios.
Jeong-in ia torcer em todos os jogos de Chase. Ele usava uma camisa com o número “7” de Chase em destaque e vibrava com o desempenho dele. Após cada jogo, Chase sempre ia às arquibancadas procurar por Jeong-in. Ele dizia que Jeong-in era seu amuleto da sorte.
Durante esse tempo, Chase tornou-se um especialista em fazer frango no estilo coreano, e Suzy agora o aceitava quase como outro filho.
Dias relaxantes e românticos continuaram.
— A casa do Justin é como a sua?
Diante da pergunta de Chase, Jeong-in arqueou uma sobrancelha, como se perguntasse o que ele queria dizer.
​— Quero dizer, é harmoniosa? Como são os pais do Justin?
​— Hmm… eles tendem a ser um pouco superprotetores com o filho. Podem parecer um pouco rudes no início, mas são pessoas muito calorosas quando você as conhece.
​Hoje eles iriam juntos à casa de Justin pela primeira vez. Rachel havia convidado Jeong-in, dizendo que planejava fazer o porco refogado com cebolinha que ele gostava, e Justin perguntara a Chase se ele queria ir junto.
​Chase não recusou, e Justin parecia animado.
​A casa de Justin era uma residência de madeira de dois andares bem maior que a de Jeong-in. Chase achou interessante observar a pequena horta plantada na frente da casa, algo não visto tipicamente nos jardins americanos.
​A porta se abriu quase imediatamente após baterem, e Justin apareceu.
​— Yo, e aí! Meu chapa, P-dog.
​O que quer que estivesse fazendo antes, Justin subitamente os cumprimentou como um rapper, batendo os ombros. Chase, pego de surpresa, entrou na onda.
​— Hey… Wong Money…?
​Ao ouvir o nome de rap aleatório que Chase inventou, Jeong-in, que vinha logo atrás, não conseguiu se conter e caiu na gargalhada. Chase virou a cabeça bruscamente com uma expressão séria.
​— Não ria, Lil J.
​Após trocarem nomes de rap, eles entraram na casa de Justin.
​A atenção de Chase foi imediatamente atraída pelas lanternas chinesas e pelas decorações em vermelho e dourado nas paredes.
​— Uau, sua casa é muito legal, Just.
​— Eu não quero ouvir esse tipo de elogio de alguém que vive em um lugar como a mansão do Bruce Wayne.
​Jeong-in riu concordando com o comentário de Justin. Enquanto Chase olhava ao redor da sala, avistou a Vovó Meiling sentada em uma cadeira de balanço e apressou-se em cumprimentá-la.
​— Olá, Sra. Wong.
​Um momento de silêncio se seguiu. Vovó Meiling encarava Chase sem sequer piscar. Chase limpou a garganta desajeitadamente, tentando esconder o desconforto.
​— Uh… Just, sua avó está bem?
​Assim que Chase entrou, a avó tirou os olhos completamente da TV e apenas ficou olhando para ele. Para uma avó que era tão absorta em telenovelas que até fazia suas refeições em frente à TV, aquilo era sem precedentes.
​— Vovó! Você não está tendo um derrame ou algo assim, está? Vovó?
​Quando Justin pairou na frente dela, sua avó o repreendeu em chinês. Pela maneira como ela acenava as mãos, parecia estar dizendo algo como “saia da frente, não consigo ver o cara branco atrás de você”.
​Ouvindo a comoção, Rachel surgiu da cozinha. Limpando as mãos úmidas no avental, ela olhou para as três pessoas paradas na sala e olhou ao redor como se procurasse por mais alguém.
​— Justin, você não disse que a namorada do Jay também viria?
​— Mãe, eu nunca disse namorada. Eu disse namorado.
​Pareceu levar um tempo para Rachel processar a situação, pois ela apenas piscou por um instante. Então, finalmente, como se não acreditasse, abriu a boca:
​— De jeito nenhum!
​Chase respondeu à pergunta dela com um cumprimento gentil.
​— Olá, Sra. Wong.
​Cofusa demais para retribuir o cumprimento, Rachel perguntou a Jeong-in novamente como se quisesse confirmar.
​— Jay, ele é realmente seu namorado? Mas esse namorado é…
​Após um silêncio constrangedor, Jeong-in e Rachel falaram simultaneamente.
​— …um garoto.
​— …branco.
​O ponto de surpresa dela estava ligeiramente desalinhado. A cabeça de Jeong-in inclinou-se em confusão.
​— A Suzy aprovou isso? Ela disse que está tudo bem namorar uma pessoa branca?
​Desta vez, Justin interveio.
​— Mãe, não tem algo mais preocupante do que ele ser branco?
​— Bem, isso também, mas uma pessoa branca…
​Rachel mudou seu olhar para Justin e subitamente emitiu um aviso.
​— Justin Wong! Deixe-me dizer com antecedência: você só pode namorar pessoas chinesas! Entendido?
Justin suspirou profundamente. Muitos pais chineses queriam que seus filhos namorassem apenas dentro de sua cultura. Infelizmente, os pais de Justin não eram exceção.
​Ele resmungou resignadamente:
​— Eu provavelmente vou acabar morando sozinho para sempre. Pode ser mais rápido construir um robô que se casaria comigo.
​Chase deu um tapinha encorajador no ombro de Justin.
Os três jantaram com os pais e a avó de Justin. Por algum motivo, a avó comeu à mesa em vez de ficar na frente da TV, e ela continuou encarando Chase com tanta intensidade que ele quase se engasgou com a comida várias vezes.
Eventualmente, Justin resgatou Chase, levando-o para o seu próprio quarto.
Chase recuperou o fôlego e olhou ao redor. O armário estava cheio de blocos e coleções de bonecos que o próprio Justin havia feito.
— Oh! O que vamos fazer no Halloween este ano?
Justin olhou para Jeong-in com olhos cheios de expectativa. Jeong-in deu de ombros com um “Bem…”, enquanto a expressão de Chase tornou-se um pouco sem jeito.
— Hum… Justin, sinto muito, mas eu estava pensando em fazer uma fantasia de casal com meu primeiríssimo namorado.
Jeong-in encarou Chase como se fosse a primeira vez que ouvia aquilo, e a expressão de Justin murchou imediatamente.
Era exatamente sobre isso que Rajesh havia alertado Justin: tornar-se a “terceira roda” (third wheel). Uma expressão para a pessoa solitária que acaba espremida entre um casal, o amigo que fica sobrando ao lado de duas pessoas em um encontro.
Ele não tinha se importado particularmente com o relacionamento deles antes — na verdade, tinha sido um apoiador fervoroso —, mas sentiu um certo desânimo ao perceber que não poderia mais fazer as coisas que sempre fizera com Jeong-in.
Para mudar a atmosfera sombria, Chase lançou uma pergunta rapidamente:
— Que fantasias vocês já usaram antes?
Jeong-in ponderou, resgatando memórias passadas.
— No ano passado eu fui Isaac Newton e o Justin foi uma maçã. O que fizemos antes disso?
Justin respondeu prontamente:
— Jay, você foi o gato de Schrödinger e eu fui a caixa.
— Certo. Originalmente o Justin seria o gato, mas…
— Quem diria que a fantasia de gato viria em um tamanho tão pequeno.
Chase levou a mão à testa. Ele sentia um desânimo genuíno por não ter conhecido esses nerds adoráveis desde sempre. Especialmente por não ter visto Jeong-in vestido de gato; parecia tão injusto que ele sentia que não conseguiria descansar em paz.
Justin hesitou antes de falar cautelosamente:
— Bem… eu conheço algumas boas fantasias de trio… Que tal BLT…?
BLT era o nome de um sanduíche clássico com bacon, alface (lettuce) e tomate como ingredientes básicos.
— Eu serei o bacon. O Jay pode ser o tomate e o Press pode ser a alface… Não, isso não funciona.
Após ponderar por um momento, Justin bateu as palmas como se outra ideia o tivesse atingido.
— Oh! Que tal fazermos Timão e Pumba como costumávamos fazer?
— Justin!
Jeong-in corou e tentou tapar a boca de Justin, mas era tarde demais. A expressão de Chase mostrava interesse.
— Timão e Pumba?
— Justin! Isso foi quando éramos crianças!
Justin olhou para o nada, como se relembrasse o passado.
— Cerca de seis anos atrás, foi a minha primeira fantasia de dupla com o Jay. Os vizinhos ficaram loucos dizendo como combinávamos bem.
Jeong-in era muito menor na época, e Justin tinha altura e físico semelhantes aos de agora. Jeong-in usara uma fantasia de suricato com um boné de beisebol vermelho virado para trás, e Justin colocara presas de javali e se vestira de Pumba. Embora amadora, todos que passavam os reconheciam instantaneamente.
— Só precisamos adicionar o Simba! Veja! Até a cor do seu cabelo combina com o Simba.
Justin apontou para o cabelo dourado de Chase. Certamente combinaria bem com ele. No entanto, Jeong-in, que não queria ser um suricato novamente, rejeitou firmemente a sugestão de Justin.
Não parecia que eles conseguiriam chegar a um acordo facilmente.
No dia de Halloween, a escola estava agitada desde cedo. Super-heróis, zumbis, personagens de filmes e programas de TV; os alunos que enchiam os corredores usavam fantasias diversas.
Os corredores estavam decorados com teias de aranha e guirlandas de papel em formato de abóboras, e alguns professores usavam perucas ou maquiagem leve.
As aulas foram ministradas apenas pela manhã, e os eventos de Halloween foram agendados para a tarde no ginásio e no campo. Todos os anos, havia atividades tradicionais como concursos de fantasia, corridas de rolar abóboras e o apple bobbing, onde os participantes tinham que recuperar maçãs flutuando na água usando apenas a boca.
Justin estava empolgado e radiante. Neste Halloween, ele faria uma fantasia de trio com as celebridades mais famosas da escola.
No fim, Chase vestiu uniformes cirúrgicos com um jaleco de médico por cima e um estetoscópio no pescoço. Ao lado dele, Justin também se transformou em um enfermeiro com uniforme verde segurando um prontuário. Enquanto isso, Jeong-in usava roupas de paciente folgadas com chinelos. Era uma combinação perfeita.
O problema era que, sempre que Jeong-in se afastava brevemente, outros “pacientes” surgiam em bando. Apenas no curto tempo em que ele foi ao banheiro, outra paciente falsa havia encurralado Chase.
— Doutor, tenho me sentido tão sozinha e deprimida ultimamente. Especialmente à noite.
Uma garota vestida de Viúva Negra, usando um macacão preto justo e uma peruca ruiva, fazia uma expressão triste na frente de Chase. Ela parecia ser do terceiro ano, uma série abaixo deles.
Depois de ter o trabalho de se vestir como uma personagem tão forte, fingir-se de frágil era bem irritante. Ela achava que conseguir o número de telefone do médico assistente curaria sua depressão?
Jeong-in não conseguiu se conter e retrucou:
— Ele não é um médico qualquer, é um cirurgião prestes a entrar na sala de cirurgia. Vá ver seu terapeuta para esse tipo de coisa.
A integrante dos Vingadores de traje preto lançou um olhar feroz para Jeong-in. Então, virou-se bruscamente e se afastou com o som de saltos altos batendo no chão.
Observando-a recuar, Justin estremeceu.
— Ufa, assustador. O que foi isso, uma mini-Vivian?
Chase cobriu a boca sorridente com a palma da mão. Agora há pouco, Jeong-in estivera claramente com ciúmes. O tom ríspido e o olhar afiado não deixavam dúvidas.
Chase, não se importando com os olhares das pessoas, acariciou naturalmente o cabelo de Jeong-in.
— Bem, parece que meu paciente precisa da atenção do médico.
— …Não atenda outros pacientes.
Jeong-in estava se tornando mais honesto com o passar do tempo. Justin olhou para os dois com satisfação, exibindo a expressão de um cupido bem-sucedido.
— Vocês estão tentando filmar Grey’s Anatomy? Se sim, tenho uma boa ideia.
Grey’s Anatomy era um drama ambientado principalmente em um hospital.
Justin não deu chance para protestos enquanto arrastava Chase e Jeong-in. Seu destino era o armário de suprimentos da escola localizado em um lado do corredor.
— Então. Eles sempre se pegam no armário de suprimentos do hospital. Eu vou vigiar para vocês.
Depois de dizer isso com o rosto sério, Justin empurrou os dois para dentro do armário.
Na sala de suprimentos escura, com apenas uma luz fraca filtrando pela fresta da porta, Chase falou em voz baixa:
— Eu gosto muito do seu amigo.
— Nosso amigo, você quer dizer.
Chase assentiu com um sorriso gentil.
— Certo, nosso amigo.
Mudando para uma expressão séria, Chase colocou o estetoscópio nos ouvidos. Então, em uma voz baixa e lânguida, disse:
— Então, paciente. Onde dói?
Entrando na brincadeira, Jeong-in fez uma expressão de dor e colocou suavemente a mão sobre o peito.
— Doutor, meu coração dispara sempre que você está por perto.
— Seria preocupante se não disparasse. Deixe-me ouvir seu coração.
Chase levantou levemente a bainha da bata de paciente de Jeong-in e deslizou a mão que segurava o estetoscópio por baixo.
Conforme o decote largo da bata subia, o pescoço longo e a clavícula de Jeong-in ficavam expostos. Chase exalou profundamente, quase como um suspiro, e desviou o olhar deliberadamente.
Quando o metal frio tocou sua pele, Jeong-in estremeceu momentaneamente.
— Shhhh… Estou verificando sua frequência cardíaca, então fique parado.
Aquelas palavras fizeram seu coração acelerar ainda mais. Sua respiração começou a ficar levemente ofegante.
Chase empurrou o estetoscópio um pouco mais fundo.
— Mmm…
Um som sensual escapou involuntariamente diante da sensação desconhecida do metal roçando a pele.
— Seu coração está batendo rápido demais. Deixe-me tratá-lo.
Chase envolveu a cintura de Jeong-in com o braço e abaixou a cabeça para um beijo. Como se estivesse esperando por isso, Jeong-in envolveu o pescoço de Chase com os dois braços, fazendo com que Chase soltasse um suspiro de desejo.
O corpo de Jeong-in inclinou-se para trás diante do avanço vigoroso de Chase. Quando suas costas atingiram as prateleiras, o som de objetos desconhecidos caindo no chão pôde ser ouvido. Mas nenhum dos dois prestou a mínima atenção.
Justo quando estavam completamente imersos no beijo, esquecendo a passagem do tempo, a voz urgente de Justin veio do lado de fora da porta.
— P-professor? C-código vermelho! Código vermelho!
Justin gritou desesperadamente, como se uma emergência tivesse ocorrido em uma sala de pronto-socorro.
Os dois se separaram apressadamente. Assim que a porta do armário de suprimentos se abriu, um vestido vermelho surgiu à vista. Embora ela usasse uma peruca preta curta hoje, a marca registrada daquela pessoa era icônica. O “código vermelho” de Justin referia-se à chegada de Vivian Sinclair.
Vivian estava vestida de Betty Boop. Um vestido mini vermelho vibrante e justo, sobrancelhas desenhadas para baixo com cílios longos enfatizados, lábios vermelhos deliberadamente cheios, brincos de argola de ouro ousados e sua vibração exclusivamente sedutora, mas fofa. Até mesmo o leigo em moda Jeong-in conseguiu identificar imediatamente qual personagem ela estava interpretando.
Diziam que ela havia desistido do grupo de líderes de torcida depois que seus seguidores nas redes sociais cresceram exponencialmente. Relatos indicavam que ela até tinha uma agência dedicada ajudando-a agora.
E, mais uma vez, a pessoa com quem ela queria falar era Jeong-in.
— Vamos conversar por um minuto, Jay Lim. — Vivian disse, erguendo o queixo com altivez.
Por um momento, a testa de Chase franziu-se ligeiramente. Ele imediatamente deu um passo à frente, como se fosse proteger Jeong-in.
— Sobre o que se trata isso?
— O namorado superprotetor poderia se afastar?
Os dois, que antes eram amigos, trocaram olhares frios com Jeong-in entre eles. Jeong-in puxou o braço de Chase em sua direção, como se dissesse que não havia necessidade de cautela.
— Jeong-in…
— Está tudo bem.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) Yaoi Mangá Online

Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven

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