Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) – Capítulo 43 Online


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❀ 7 Minutes Of Heaven 9

Jeong-in assegurou a Chase que ficaria bem e acenou para Vivian. Ela curvou os lábios em um sorriso triunfante, como se tivesse “roubado” a atenção de Jeong-in, enquanto Chase mantinha uma expressão levemente descontente.
​Jeong-in seguiu Vivian para fora do prédio da escola. Eles chegaram à mesma sequoia onde haviam conversado anteriormente.
​Vivian foi direto ao ponto.
​— Você sabe qual é o conteúdo mais popular entre streamers de moda e beleza como eu?
​Que pergunta aleatória era aquela? Jeong-in apenas a encarou com uma expressão vazia.
​— É o makeover. — Ela mesma respondeu.
​Um makeover refere-se ao processo de transformar completamente o estilo de alguém. É um tipo comum de conteúdo na TV, geralmente mostrando comparações dramáticas de “antes e depois”.
​Especialmente nas redes sociais, vídeos de pessoas comuns se transformando em aparências de nível de celebridade geravam muito barulho. A chave não era apenas a mudança de estilo, mas capturar o momento da descoberta de um novo eu.
​— E o que tem isso?
​— Meu número de seguidores está travado em 920.000 há semanas.
​— Uau… — Uma exclamação de espanto escapou dos lábios de Jeong-in. Para alguém cujos seguidores tinham acabado de chegar a 2 com a adição de Justin, aquele era um número inimaginavelmente grande.
​— Não estou pedindo seu espanto agora.
​— Então o quê? — Jeong-in piscou, como se ainda não entendesse.
​— Você sabia que abaixo de um milhão de seguidores você é considerada uma macroinfluenciadora, e acima disso é uma megainfluenciadora?
​— Não, eu não sabia disso.
​— Imaginei. — Vivian deu de ombros levemente, como se já esperasse por aquilo. Então, continuou com o rosto sério. — Grandes influenciadores são tratados como celebridades. Podem colaborar com marcas famosas e até receber convites para cerimônias de premiação como o Grammy.
​— Uau… — Outro som de admiração escapou de Jeong-in. Parecia um mundo onde o número de seguidores determinava sua classe social.
​— Nerd! Não é hora de ficar impressionado, ok? — Vivian, que havia perdido a paciência sem querer, respirou fundo, como se estivesse irritada consigo mesma por se deixar levar pelo ritmo de Jeong-in, e falou novamente contendo as emoções. — Eu preciso de um grande sucesso. Acho que preciso fazer um projeto de makeover.
​Jeong-in ainda parecia confuso sobre o motivo de ter sido chamado para ouvir o grande plano de Vivian.
​Vivian disse calmamente, de braços cruzados:
​— Eu preciso de alguém que tenha uma boa base, mas um estilo terrível. E a Maddie mencionou você.
​Os olhos de Jeong-in aguçaram-se imediatamente.
​— O que tem de errado com o meu estilo?
​— Você está perguntando sério? Você conseguiu tirar os óculos, mas pense em como costuma se vestir. Aquelas camisas xadrez infinitas, cabelo desgrenhado, camisetas de nerd e calças com caimentos inexplicáveis.
​Jeong-in lançou-lhe um olhar incrédulo e perguntou:
​— Para começar, por que você pensaria em me pedir isso?
​— É verdade que as coisas deram errado com o Chase por sua causa, que você roubou o Chase das garotas e que eu acho que você não é bom o suficiente para ele.
​— Esse é um jeito longo de dizer que você não gosta de mim.
​Vivian soltou uma risadinha. Eles tinham motivos e justificativas de sobra para não gostarem um do outro.
​Mas era estranho. Jeong-in não detestava totalmente o fato de Vivian demonstrar interesse nele. Ele se perguntou se era porque os humanos são criaturas visuais, simplesmente pelo fato de Vivian ser bonita, mas não era isso. Pensando bem, Vivian tinha algo além da aparência que atraía as pessoas.
​— Não estou pedindo para você fazer isso de graça. Eu te darei o cachê que vier da empresa e todos os itens que comprarmos para a transformação.
​Steven havia prometido pagar a mensalidade do seu primeiro ano, mas a vida universitária exigia muito mais dinheiro do que apenas a matrícula. Ele já estava pensando em conseguir um emprego de meio período de qualquer maneira.
​— Hmm…
​— Também te darei cartões-presente do Golden Field Grill. — Ao ver que Jeong-in parecia estar considerando a ideia, Vivian rapidamente ofereceu mais uma isca.
O Golden Field Grill, a rede de restaurantes da família dela, havia passado por uma reestruturação sob a consultoria da Prescott Capital, fechando quase metade das lojas da rede. Durante esse processo, o lado de Prescott assumiu uma participação significativa e influenciou a gestão, mas, no fim das contas, a situação financeira havia se estabilizado bastante.
Jeong-in mergulhou em uma contemplação séria. Quanto mais pensava, percebia que não era uma oferta ruim. Ele poderia ganhar dinheiro e mostrar um novo lado de si mesmo para Chase. Além disso, o Golden Field Grill era um dos restaurantes favoritos de sua mãe. Seria legal irem lá juntos durante o Dia de Ação de Graças ou o Natal.
— Quantos cartões-presente você vai me dar?
Vivian soltou uma risada incrédula. Enquanto isso, Jeong-in ainda estava calculando, pensando em quais eram os pratos favoritos de sua mãe e quanto custava o vinho mais caro que eles vendiam.
— Me dê cinco cartões.
— O quê?
— Se não gostar, esqueça.
Vivian encarou Jeong-in como se estivesse momentaneamente sem fala. Da testa lisa à ponte suave do nariz e às linhas faciais macias, ele realmente lembrava aquele modelo nobre sueco.
Recentemente, alguns influenciadores foram pegos forjando transformações ao fazerem pessoas já atraentes parecerem feias de propósito. Mas, com esse nerd na frente dela, não faltariam pessoas para testemunhar sua aparência original.
— …Tudo bem. Eu te dou cinco cartões.
— Me dê antecipadamente.
— …Certo. Eu te dou antecipadamente — Vivian respondeu com os dentes cerrados. Mas Jeong-in parecia ter mais condições de negociação para adicionar.
— Mas sobre essa coisa de transformação. Podemos fazer um pouco mais tarde, se for para fazer? Tipo, daqui a meio ano.
— O quê? Por que daqui a meio ano?
— O baile de formatura (prom) é por volta dessa época.
Nesse momento, a expressão de Vivian vacilou drasticamente. Ela olhou fixamente para Jeong-in, incapaz de esconder a surpresa.
— Você, não me diga que…
— Isso mesmo. Eu também quero ir ao baile pelo menos uma vez.
O baile, que ele havia descartado como uma festa para tolos imaturos, talvez fosse algo como o fruto proibido de Jeong-in. Ele podia ter pensado que era insignificante e estúpido, mas, no fundo, queria vivenciá-lo uma vez.
— Dez cartões.
Os olhos de Vivian brilharam quando ela subitamente dobrou a aposta em relação ao pedido inicial de Jeong-in. Foi quase sinistro.
— …Hein?
— Eu te dou dez cartões-presente.
Jeong-in olhou para Vivian com olhos suspeitos. Ofertas assim sempre vinham com condições.
— Eu vou te ajudar desde a preparação do pedido para o baile (promposal) até a transformação no dia da festa. Muito mais estiloso do que um nerd como você jamais poderia imaginar. Mas, em troca, deixe-me filmar um vlog para postar.
Jeong-in afundou em pensamentos profundos. Ele sempre fugiu, escondeu-se e teve falta de confiança na frente das pessoas. Por isso, sempre fora o papel de Chase tomar a iniciativa. Antes que a vida no ensino médio terminasse, ele queria dar o primeiro passo pela primeira vez.
— Dez cartões-presente além do cachê. Poste o vídeo três meses depois e apague-o antes de a vida universitária começar. Se essas condições forem cumpridas, eu aceito.
Desta vez, Vivian ficou pensativa diante das condições de Jeong-in. A calculadora em sua cabeça — muitas vezes subestimada por falta de “conhecimento acadêmico”, mas dotada de “malícia das ruas” — funcionou rápido.
De qualquer forma, o impacto de um vídeo é maior nos primeiros dias. Três meses seriam suficientes. Além disso, um vídeo de pedido para o baile significava que ela poderia apresentar não apenas o nerd bonito à sua frente, mas também Chase em seu canal.
Além disso, ela poderia manter a imagem de “a garota descolada que apoia o amor dos outros”. Entre as meninas, havia várias que secretamente queriam um GBF, um melhor amigo gay (Gay Best Friend). Ela poderia satisfazer as fantasias delas também.
— Fechado.
Os dois terminaram o acordo e trocaram olhares cautelosos antes de finalmente estenderem as mãos para um aperto de mão.
Hoje é o dia do destino.
Mesmo sem o alarme tocar, os olhos de Jeong-in se abriram de repente. Normalmente, esse seria o momento de se revirar na cama querendo dormir mais, mas hoje era diferente.
Às 19h de hoje, Jeong-in enfrentaria seu destino.
Hoje era o dia em que Harvard anunciaria as decisões de admissão antecipada.
— O que é isso?
Jeong-in perguntou a Suzy, olhando para algo colocado na mesa de jantar após descer para a cozinha. Um objeto retangular branco repousava sobre um prato.
— Eles não estavam vendendo bolinhos de arroz coreanos. Este é japonês, mas é bem parecido.
Era kirimochi, um bolinho de arroz japonês.
— Isso é apenas superstição. Meu filho vai ser um cientista.
Suzy deu de ombros e entregou a Jeong-in os Pop-Tarts que ele costumava comer. Jeong-in encarou silenciosamente a embalagem prateada que ela oferecia, mas, em vez disso, pegou o bolinho de arroz. Suzy sorriu com cumplicidade, como se esperasse por isso.
— Onde você vai conferir os resultados?
— Na casa do Justin.
Justin havia recebido sua aceitação do MIT dois dias atrás. Rachel aparentemente teve um colapso ao saber da notícia. Parecia inacreditável para ela que enviaria seu filho para tão longe, na Costa Leste.
Se Jeong-in entrasse em Harvard, ele frequentaria uma escola a apenas cinco minutos de carro de Justin. Nada poderia ser melhor do que isso.
Assim que a escola acabou, Jeong-in dirigiu-se à casa de Justin com Chase.
Os pais de Justin estavam ocupados trabalhando, como de costume, e planejavam voltar para casa tarde esta noite. Apenas sua avó estava em casa. E hoje, como sempre, ela ficou em transe assim que viu Chase.
Os três subiram para o quarto de Justin no segundo andar.
Chase e Jeong-in sentaram-se lado a lado na cama de Justin, cada um com um laptop à frente.
— Oh? Está chovendo. — Justin apontou para a janela.
Dezembro era a estação chuvosa naquela região, a época em que mais chovia. Jeong-in olhou para as gotas de chuva batendo no vidro, perguntando-se se aquilo era um bom presságio.
— Estou com tanta inveja de você, Justin.
Justin, que já havia recebido sua aceitação, era a pessoa mais invejável do mundo agora.
— Estou começando a achar que eu deveria ter me candidatado na decisão regular. Sabia de uma coisa? O MIT anuncia suas aceitações de decisão regular no Dia do Pi, no Horário de Tau.
Mesmo para anúncios de aceitação, o MIT escolhe datas que satisfaçam os entusiastas da matemática. Eles têm a tradição de anunciar as aceitações da decisão regular no Dia do Pi, 14 de março, às 18h28, que é 2pi quando expresso em horas e minutos.
— Você está balançando um sorvete na frente de uma criança faminta?
— Buu, MIT.
Quando Jeong-in reclamou, Chase juntou-se às vaias. Justin sorriu sem jeito. Então, olhando para o relógio, exclamou:
— É o momento da verdade!
18h59.
Justin apressadamente se espremeu entre Chase e Jeong-in. Então, olhou de um lado para o outro entre as telas deles.
O ponteiro dos segundos, movendo-se rapidamente, passou pelo número 10.
— Quando eu contar até três, atualizem. Entendido?
Diante das palavras de Justin, Jeong-in assentiu enquanto prendia a respiração, e Chase silenciosamente colocou as mãos no teclado.
— Um, dois, três.
Click.
O som de ambos pressionando os teclados simultaneamente ecoou.
As telas piscaram e, após um breve período de carregamento, as páginas mudaram.
Os três exibiam expressões estranhamente variadas.
Uma tela exibia “Parabéns”, enquanto a outra dizia “Adiado” (Deferred).
Chase passou a mão pelo rosto com força. Uma sombra escura caiu sobre suas feições.
Enquanto isso, Jeong-in não conseguia tirar os olhos da tela. Embora as letras fossem claramente legíveis, seu significado não parecia ser processado.
Justin olhou impotente de um lado para o outro entre as telas. Então, com uma voz cheia de compaixão, chamou por Jeong-in.
— Jay…
Mas Jeong-in encarava a tela sem se mexer. Sua tela exibia a seguinte mensagem:
Status da Minha Candidatura: Adiado
Obrigado por se candidatar à Universidade de Harvard. Estamos muito gratos por conhecer suas conquistas acadêmicas, atividades extracurriculares e sonhos.
Após uma revisão cuidadosa, sua candidatura foi adiada para o processo de revisão de decisão regular.
A Universidade de Harvard recebeu mais inscrições do que o normal este ano, tornando o processo de seleção mais competitivo do que nunca. Embora não possamos oferecer a você aceitação imediata nesta rodada antecipada, sua candidatura permanece sob consideração…
Isso era tudo o que estava visível na página. Mas Jeong-in nem sequer pensou em rolar para baixo para ver mais.
Após um longo silêncio, seus lábios endurecidos finalmente se abriram.
— Por quê…
Sua voz tremeu. Parecia que algo como uma grande pedra estava presa em sua garganta.
— O que eu fiz de errado…?
Justin falou cautelosamente:
— Pode ser um erro do sistema.
— Não…
Jeong-in balançou a cabeça fracamente. Como se nem aquelas palavras pudessem confortá-lo, ele fixou o olhar vago na tela diante de si. Justin abriu a boca para dizer algo, mas a fechou novamente. Por mais que tentasse encontrar as palavras apropriadas, não havia nenhuma que pudesse tornar aquele momento menos doloroso.
— Por quê… o que me faltou?
O GPA de Jeong-in é 4.0, o mais alto de toda a escola, e sua pontuação no SAT é mais do que suficiente — é transbordante. Ele venceu a Competição de Matemática do Estado da Califórnia e até obteve uma patente para um projeto que purifica componentes prejudiciais de esmalte e acetona usando musgo. Além disso, ele tem um histórico de cursos AP repletos de notas 5 e cartas de recomendação competitivas.
E ele teve que viver com tanto afinco para construir tudo isso.
Justin tentou confortá-lo com cuidado:
— Vamos ler mais abaixo. Tudo bem?
— Que diferença isso faria, afinal?
A voz de Jeong-in soou ríspida. Entre os três, ele era o único que não havia sido aceito.
— Haah… me desculpe.
Como se não conseguisse controlar suas emoções, Jeong-in respirou fundo e cobriu o rosto com as duas mãos.
Chase falou com uma voz pesada:
— Se você não for, eu também não vou.
Os olhos de Justin se arregalaram. Não, por que ele diria uma coisa dessas? Olhando para Chase com incredulidade, Justin moveu os olhos para avaliar a reação de Jeong-in.
Com certeza, Jeong-in, que tinha o rosto enterrado nas palmas das mãos, ergueu a cabeça ligeiramente. O olhar em seus olhos, visível acima da ponta dos dedos, era frio.
— …O quê?
— Que sentido teria se não for com você?
Justin sinalizou desesperadamente para que ele parasse, balançando levemente a cabeça onde Jeong-in não pudesse ver, mas Chase pareceu não notar.
— Sinto muito, Jeong-in. Se eu desistir significar que você pode entrar, eu quero fazer isso.
— O quê? Você está brincando agora?
Jeong-in praticamente jogou o laptop na cama e deu um pulo.
— O quê? “Se você não for, eu também não vou”?
A voz de Jeong-in falhou no final. Seu interior estava fervendo.
— Algumas pessoas se mataram de trabalhar, mas é tão fácil para você desistir assim?
Chase respirou fundo como se fosse dizer algo, mas não conseguiu dar nenhuma resposta e apenas suspirou. Jeong-in virou-se e tentou sair do quarto.
Chase o seguiu um segundo depois e agarrou o pulso de Jeong-in. Anteriormente, Jeong-in havia ido embora para casa quando estava chateado.
— Jeong-in, você não pode quebrar esse hábito de ir embora sempre que fica com raiva?
— Solte! Eu vou para casa!
Jeong-in tentou livrar-se da mão que segurava seu pulso. Mas ele apenas cambaleou com o ricochete, enquanto Chase não se moveu nem um milímetro. Ele tentou torcer o corpo novamente para soltar a mão, mas apenas ouviu a voz insistente de Chase chamando: “Jeong-in”.
— Eu entendi o que você quis dizer. Mas não tenho nada a dizer! Solte!
Ele estava começando a ficar ofegante, mas Chase sequer piscou.
— …Dói.
Só então Chase soltou sua mão. A mão que não se libertava apesar de todo o seu esforço foi liberada tão facilmente apenas porque ele decidiu soltá-la.
Tudo era fácil demais quando ele fazia. Mesmo naquela pequena questão, Jeong-in sentiu-se derrotado por Chase.
Jeong-in encarou Chase enquanto respirava pesadamente, então desceu as escadas sem dar a ele a chance de agarrá-lo novamente. Chase não conseguiu se conter e o seguiu.
Justin, sem saber o que fazer, bateu os pés antes de segui-los um passo atrás. Na sala lá embaixo, havia apenas a avó. Justin olhou ao redor e perguntou a ela:
— Você os viu?
A avó apontou para o jardim da frente.
Os dois estavam engajados no segundo round no jardim, ficando encharcados sob a chuva que caía.
Screech…
Ouvindo o som de algo raspando o chão, Justin virou-se para ver a avó, que havia saído em algum momento, sentada em uma cadeira na varanda assistindo aos dois brigarem. Parecia mais divertido que uma telenovela.
— Por que eu deveria ser o único colocado em espera?
A voz de Jeong-in disparou de forma aguda, misturando-se à chuva.
— Você nem queria isso seriamente há tanto tempo! Esse tem sido o meu sonho desde que eu era pequeno!
Chase olhou calmamente para Jeong-in enquanto permaneciam sob a chuva.
— É por isso que eu disse que sentia muito.
— Por que você sente muito?
— Então o que eu devo fazer?
— Eu sei que não é algo pelo qual você deva se desculpar! Eu sei que estou sendo irracional agora! Eu sei de tudo!
Jeong-in estava ofegante. Ele não tinha tempo para se importar com suas roupas ficando frias e molhadas ou com seu cabelo grudando na pele.
— Mas… o que eu posso fazer sobre estar com raiva?
A expressão de Chase desmoronou. Seus olhos estavam cheios de compaixão por Jeong-in.
— Não olhe para mim desse jeito!
Lutando sob a chuva que caía, Jeong-in virando as costas, Chase agarrando seu braço, Jeong-in livrando-se dele. Era como uma cena de drama, divertida o suficiente para a avó.
— Você nem leu o resto ainda. E você não foi rejeitado. Foi apenas adiado um pouco.
— Hic…
Finalmente, as lágrimas que ele vinha segurando jorraram. Essa farsa na chuva terminou quando Chase puxou Jeong-in para seus braços.
— O que eu faço… O que eu digo para a minha mãe…
— Você é a pessoa mais triste do mundo agora. Por que está pensando nos outros?
Chase envolveu as bochechas de Jeong-in com as duas mãos. Seu rosto pequeno, encharcado de lágrimas e chuva, parecia absolutamente miserável. Ele limpou cuidadosamente ambas as bochechas de Jeong-in com os polegares. Então, disse com uma voz gentil:
— Vamos para casa. Eu te levo.
— Hngh… hic…
— Por enquanto, tome um banho quente hoje e beba um chocolate quente. Depois, leremos devagar a parte que não lemos antes. Tudo bem?
Jeong-in assentiu em silêncio, com o espírito abatido. Chase o conduziu até o carro, com o braço em volta dele.
Assim que a porta da frente se abriu, os olhos de Suzy se arregalaram diante das duas figuras encharcadas.
— Jeong-in?
Jeong-in olhou para Suzy sem dizer uma palavra. Seus lábios estavam firmemente fechados, como se ele não tivesse sequer coragem de falar. Seu maxilar rigidamente endurecido tremia levemente.
Jeong-in separou os lábios dolorosamente, como se tentasse dizer algo. Mas, aparentemente incapaz de se controlar por mais tempo, ele subiu as escadas correndo sem dizer nada.
Suzy encarou a figura de Jeong-in se retirando com uma expressão confusa, enquanto o rosto de Chase estava repleto de emoções complicadas.
— Eu soube que os resultados saíram… O que aconteceu com o Jeong-in?
— …Ele foi adiado.
— Oh, não… E você, Chase?
— Eu passei.
— Que ótimo. Parabéns, Chase.
Suzy sorriu gentilmente. Então, ignorando o fato de ele estar molhado, deu-lhe um abraço leve e deu tapinhas em suas costas. Foi um parabéns um tanto pesado.
Chase baixou a cabeça e disse em voz baixa:
— …Sinto muito.
Suzy olhou para Chase por um momento e então falou calmamente.
— Chase.
O olhar dele permaneceu fixo no chão.
— Olhe para mim, querido.
Chase ergueu a cabeça lentamente. Suzy olhou para ele com um olhar que era ao mesmo tempo caloroso e firme.
— Estou triste porque o Jeong-in está triste. Você também deve estar, certo?
— …Sim.
— Mas isso não é algo pelo qual você deva se desculpar. Você entende?
Após um momento de silêncio, Chase assentiu com uma expressão desanimada. Ele sentiu um tipo de calor vindo de Suzy que nunca havia experimentado antes. Uma afeição direta, inabalável e gentil. Era, sem dúvida, algo que Jeong-in havia herdado dela.
— Agora eu tenho um filho para consolar, então preciso ir. Dirija com cuidado.
Chase assentiu brevemente. Só então a pedra pesada em seu coração pareceu assentar um pouco. Quando ele estava prestes a sair pela porta da frente e ir para o carro, parou de repente. E olhou para trás mais uma vez.
Apenas olhar para aquela pequena casa de dois andares lhe dava a ilusão de que seu coração estava se aquecendo.
Jeong-in fez o que Chase sugerira. Tomou banho com água morna e bebeu chocolate quente com muito chantilly por cima. Então, sentou-se à mesa, abriu a tela de resultados da candidatura novamente e rolou para baixo.
Ficamos profundamente impressionados com suas excelentes conquistas acadêmicas e projetos significativos. No entanto, além de suas realizações acadêmicas, gostaríamos de saber mais sobre quem você é como pessoa.
Para avaliar melhor sua candidatura, incentivamos você a enviar um ensaio adicional que possa mostrar melhor sua formação, paixões e personalidade.
Os tópicos de ensaio que você pode considerar incluem:
* Uma experiência que influenciou significativamente sua identidade ou sonhos.
* Um desafio que você superou e como cresceu no processo.
* Uma história pessoal que revele sua perspectiva única.
Se desejar enviar um ensaio adicional, faça o upload pelo portal de candidaturas até a próxima semana.
Agradecemos profundamente seu interesse contínuo na Universidade de Harvard e aguardamos ansiosamente a revisão de seus materiais atualizados.
Era um cronograma um tanto apertado de uma semana, mas tudo o que era exigido era um ensaio adicional.
Os olhos de Jeong-in brilharam como os de um protagonista de drama que se volta para o lado sombrio após passar por dificuldades.
— Harvard, sua desgraçada. Você quer saber mais sobre mim? Tudo bem. Eu vou te contar.
Jeong-in entrelaçou os dedos e os esticou para frente, então imediatamente baixou as mãos sobre o teclado e começou a digitar em um ritmo furioso.
O ensaio começou com a história de seu pai, sobre a qual ele não conseguira se obrigar a escrever antes. Continuou com suas experiências como imigrante, histórias sobre sua mãe e como ele passou de detestar Chase, o quarterback mais popular da escola, a eventualmente namorá-lo.
Como ele havia se apegado às conquistas em seu desejo de escapar do preconceito. E como percebeu que ele também tinha preconceitos contra os outros.
Olhando para trás, nem tudo tinha sido perfeito. Ele nutriu preconceitos, foi exposto, fugiu por medo, mas, por fim, enfrentou os desafios.
Enquanto escrevia, as palavras jorravam como uma represa rompida.
Só então Jeong-in percebeu. Ele estava finalmente, verdadeiramente, escrevendo sua própria história.
Jeong-in passou a noite em claro. Na manhã seguinte, com os olhos injetados de sangue, abriu o portal de candidatura e carregou o novo ensaio sem hesitação. Então, desabou em sua cama e adormeceu como se tivesse desmaiado.
Quando acordou de seu sono profundo e longo, Jeong-in teve que chutar o cobertor, sentindo o embaraço de ter enviado o que parecia uma carta de amor excessivamente emocional.
Mas, alguns dias depois, ele recebeu um e-mail de um oficial de admissões:
Realmente gostei de ler seu ensaio. Foi tão fascinante que o li de uma só vez, e ele me deu uma compreensão vívida de quem Lim Jeong-in é como pessoa. E agora, estou curioso sobre o seu futuro.
Mais uma vez, obrigado por compartilhar sua preciosa história.
Não havia menção direta sobre se ele fora aceito. No entanto, quando ele o mostrou à sua conselheira, a Sra. Mendez, ela disse que aquilo era tão bom quanto uma carta de aceitação.
E, alguns meses depois, Jeong-in de fato recebeu sua carta de aceitação.
— Ugh…
Jeong-in acordou de um sono profundo, semiconsciente, com o som de um telefone tocando. Por um momento, seu corpo balançou, quase caindo da beirada da cama.
Com os olhos mal abertos, ele tateou em busca do aparelho.
[Código Vermelho: Cuidado Necessário ]
O nome do contato com um símbolo de sirene no final era exibido claramente na tela. Era Vivian Sinclair.
— …Alô.
— Nerd! Você ainda está dormindo? Sabe que horas são?
— Não, eu levantei mais cedo…
— Mentira. Acha que eu não percebo que você acabou de acordar? Aqui estou eu me preparando ao raiar do dia para te ajudar, e você está aí relaxando?
Que atitude. Jeong-in franziu a testa com os olhos sonolentos.
— Por que você ligou?
— A transformação precisa parecer mais eficaz, então venha o mais sem graça possível hoje.
— Sem graça? Tipo, o que eu devo fazer?
— Apenas se vista como você normalmente faz.
— …
Jeong-in podia ouvir Vivian rindo abafado pelo telefone.
— Ah, e não se esqueça de usar os óculos como antes!
Após insistir para que ele se apressasse, Vivian desligou abruptamente. Jeong-in olhou para o celular com uma expressão estupefata.
Hoje era o dia do promposal. Mais precisamente, o dia em que ele teria que fazê-lo.
Ele havia chegado até ali em parte levado pela insistência de Vivian de que ela cuidaria de tudo. Ontem, ele até precisou ir à escola pelas costas de Chase para um ensaio. Com tantas pessoas envolvidas, era tarde demais para desistir.
De qualquer forma, ele não conseguia pensar em nenhuma ideia particularmente boa sozinho. E achou que esta seria uma boa oportunidade para dar um encerramento positivo ao relacionamento de Chase e Vivian.
Jeong-in vestiu-se como de costume e colocou os óculos de luz azul que Chase lhe dera. Então, pedalou sua bicicleta até a escola, algo que não fazia há algum tempo.
O amanhecer em Bellacove estava lindo como sempre. As árvores das ruas balançavam sobre sua cabeça como se o estivessem incentivando, e a brisa matinal do oceano era fresca o suficiente para espantar qualquer resto de sono.
A escola estava quieta naquela hora precoce.
No corredor, garotas em uniformes de líder de torcida já estavam lá retocando a maquiagem. Estojos de maquiagem estavam espalhados pelo chão, e algumas garotas aplicavam cílios postiços na frente de pequenos espelhos iluminados. Todas estavam se esforçando extras na aparência, sabendo que estariam no vídeo de Vivian.
Como sempre, um banner pendia na parede do corredor:
[30 Dias Para o Baile. Você Já Encontrou Seu Par?]
Um mês antes do baile, este era o momento em que os promposals eram realizados de forma mais ativa.
Como Chase Prescott era o quarterback do time principal, o conceito do promposal de hoje era para Jeong-in se tornar seu “líder de torcida acompanhante”.
Madison, que estava retocando a maquiagem de uma amiga, avistou Jeong-in e sorriu abertamente em saudação. Jeong-in acenou de volta.
A ajuda de Vivian não era gratuita. Jeong-in teve que beber smoothies de iogurte durante todo o evento e expressar admiração por eles. Era uma marca para a qual ela estava fazendo propaganda. Isso era realmente exaustivo em muitos aspectos.
— Entrem em formação! O carro do alvo acabou de entrar no estacionamento!
Assim que Vivian guardou o celular, bateu palmas para estabelecer a ordem. De repente, todos ao redor ficaram ocupados.
— Certifique-se de filmar isso bem! Entendido?
Vivian não esqueceu de intimidar seu empresário que segurava o equipamento de filmagem. O homem operando a câmera fez um sinal de “OK”.
Jeong-in parou em sua posição designada com uma expectativa nervosa. Ele estava se escondendo atrás dos líderes de torcida masculinos no final da linha.
Mais de dez líderes de torcida se perfilaram em ambos os lados do corredor. Elas ficaram de frente para as paredes, prendendo a respiração enquanto esperavam o alvo chegar.
Finalmente, Chase entrou. A esse sinal, as líderes de torcida se viraram para frente uma a uma, como uma onda.
Os percussionistas da banda marcial ao fundo começaram a bater seus tambores. As líderes de torcida bateram os pés no ritmo e gritaram:
— P! R! O! M!
O tempo gradualmente tornou-se mais rápido e intenso. Madison deu cambalhotas pelo caminho no meio. Atrás dela, Vivian e outras líderes de torcida também exibiram suas melhores habilidades. Cambalhotas consecutivas, saltos mortais, piruetas. Um festival de todos os tipos de técnicas se desenrolou.
No momento designado, dois membros masculinos da torcida ergueram Jeong-in bem alto. Após flutuar no ar momentaneamente, Jeong-in pousou e se equilibrou nos ombros dos dois rapazes. Então, ele segurou um grande cartaz com uma mensagem para Chase:
[Número 7! Você quer ir ao baile comigo?]
Mas algo parecia errado. Chase estava vestido como um nobre da era da Regência.
Um casaco de cauda bem passado, uma gravata plastrom impecavelmente amarrada e até um colarinho rigidamente alto. Seu cabelo dourado, aparentemente estilizado com meticulosidade, brilhava intensamente. Darius Thompson, ao lado dele, estava vestido de forma semelhante. O toque final era Max Schneider usando uma fantasia de burro.
De repente, a ficha caiu para Jeong-in. Chase também tinha planejado fazer um promposal hoje.
Com certeza, Chase olhou para Jeong-in com uma expressão perplexa, então passou a mão pelo rosto como se estivesse completamente murcho.
Enquanto Jeong-in hesitava confuso, Vivian lhe deu um sinal entre dentes cerrados. Voltando a atenção para o momento, Jeong-in recitou sua fala:
— Chase Alexander Prescott, você quer ir ao baile comigo?
O corredor inteiro caiu em um silêncio momentâneo. Todos os olhos se voltaram para Chase em seu traje de nobre.
Chase fez uma pausa deliberada, como se quisesse intensificar a atmosfera. E quando a tensão atingiu o ápice, ele lentamente abriu a boca:
— Sim.
Os espectadores explodiram em vivas. As líderes de torcida jogaram as pétalas de flores preparadas e dispararam pequenos fogos de artifício.
Chase caminhou lentamente em direção a Jeong-in.
— Vou levar meu namorado agora.
Chase estendeu a mão, envolveu a cintura de Jeong-in e o ergueu suavemente. Os pés de Jeong-in tocaram o chão com leveza enquanto ele era baixado sem esforço.
Ainda segurando a cintura de Jeong-in com as duas mãos, Chase o puxou para perto e o beijou levemente. Outra rodada de vivas e aplausos eclodiu.
É claro que, entre aquela multidão, haveria pessoas olhando para o casal com olhos de desaprovação. Mas a maioria esmagadora de pessoas apoiando abafou todos esses olhares.
E assim, o promposal terminou perfeitamente. Embora os gritos e aplausos tenham diminuído, o corredor ainda zumbia de excitação.
Chase acariciou levemente o cabelo de Jeong-in com as pontas dos dedos e perguntou:
— Como tudo isso aconteceu?
— Vivian se ofereceu para ajudar. Não foi de graça, é claro.
Jeong-in apontou para a câmera montada no canto do corredor. Chase virou a cabeça, procurando por Vivian. Não muito longe dali, ela estava de braços cruzados, com uma expressão satisfeita. Chase deu-lhe um leve aceno com a cabeça.
— Vivian.
Vivian olhou reflexivamente na direção deles.
— Obrigado.
Vivian piscou surpresa por um momento. Então, ela rapidamente virou a cabeça para o lado.
Desajeitada com expressões emocionais, ela fingiu não se importar e, em vez disso, foi importunar Darius e Max, que estavam atrás de Chase.
— O que vocês dois deveriam estar vestindo? Shrek?
— …O quê?
O queixo de Max caiu em incredulidade. Vivian continuou calmamente:
— Chase é o Príncipe Encantado, você é o Shrek, Darius, e o Max é o Burro. Não é isso?
— Burro?! — Max gritou com raiva, jogando fora sua tiara de burro. Risadas explodiram na multidão.
Chase explicou a Jeong-in:
— …É “Orgulho e Preconceito”. Eu sou o Sr. Darcy. Darius é o Bingley, e o Max é o cavalo em que eu montei.
— Oh, não…
O som de Max e Darius discutindo podia ser ouvido logo atrás.
— Viu, Thompson! Eu disse que deveria ter sido o Bingley. Isso é blackwashing! O Bingley é branco!
— Não é minha culpa que não havia fantasias de cavalo que servissem em mim.
Chase desviou a atenção de seus amigos briguentos e olhou para Jeong-in.
— Foi uma aula significativa para nós, e um romance significativo, não foi?
Inglês Avançado (Honors English Composition).
Aquela aula era especial. A primeira conversa deles começou ali, eles tiveram discussões em que um saiu furioso, o amor foi confessado através de um poema e trabalharam em seu primeiro projeto juntos. O tema daquele projeto era o romance “Orgulho e Preconceito”.
Em certo momento, Chase chegou a chamar o preconceituoso Jeong-in de “Elizabeth”, em homenagem à protagonista do livro.
— Eu queria te convidar primeiro. Cheguei um passo atrasado.
— …Me convide.
Chase perguntou com uma expressão séria:
— Jeong-in Elizabeth Jay Lim. Você quer ir ao baile comigo?
Após uma breve pausa, Jeong-in sorriu abertamente e respondeu:
— Sim.
Mais uma vez, seus lábios se encontraram.

Knock knock.
O som de alguém batendo na porta quebrou o silêncio da casa. Suzy saiu da cozinha e correu para a entrada.
Seus olhos se arregalaram quando ela abriu a porta da frente. Vestido com um terno azul-marinho profundo, Chase parecia um protagonista masculino saído direto de um filme de romance.
— Olá.
— Meu Deus… Você está tão lindo, Chase.
— Fico feliz.
— Espere, vou chamar o Jeong-in.
Suzy chamou para o segundo andar com uma voz enérgica:
— Jeong-in! O Chase chegou!
Após um momento de silêncio, um leve som de movimento veio lá de cima. Então, Jeong-in desceu as escadas.
Ele parecia completamente diferente do habitual. Jeong-in usava calças de alfaiataria azul-marinho que se ajustavam perfeitamente às suas pernas esguias, combinadas com um blazer combinando. Por baixo, vestia uma camisa com padrões bordados sutis e sem gravata. Seu cabelo, antes desgrenhado e que quase cobria os olhos, agora estava penteadamente arrumado, revelando metade de sua testa.
— Oh, meu Deus… Jeong-in! Você está tão lindo e elegante. Você não acha, Chase?
Chase nem conseguiu responder, com a boca entreaberta. Ele apenas conseguia olhar fixamente para Jeong-in descendo as escadas.
— O que a Vivian fez com você?
Jeong-in apenas sorriu levemente diante das palavras de Chase.
Na verdade, Jeong-in havia passado os últimos três dias sendo arrastado por Vivian através de um inferno de compras. Vivian foi implacável, insistindo que a roupa para o baile tinha que ser perfeita, e Jeong-in estava exausto tanto física quanto mentalmente. Mas, vendo a expressão de Chase agora, parecia que todo aquele esforço não fora em vão.
Suzy nem teve tempo de continuar sua admiração antes de apertar freneticamente o botão do obturador de seu telefone.
— Crianças! Olhem para cá e fiquem juntos! Ótimo! Agora, vamos tirar uma dali também!
Tirar fotos assim ao buscar o par para o baile era uma das tradições mais comuns na cultura do prom americano.
— Já chega de fotos, mãe. Nós já vamos.
— Esperem um momento, meninos.
Justo quando Jeong-in estava prestes a se virar para Chase, Suzy os interrompeu rapidamente. Ela foi ao quarto por um breve momento e voltou com uma pequena caixa de plástico na mão.
Dentro da caixa transparente, havia duas lapelas (boutonnieres) meticulosamente preparadas, colocadas lado a lado. As lapelas, belamente compostas por rosas cor-de-rosa claro, mosquitinhos e folhas verdes não identificadas, eram deslumbrantes.
— Mãe…
No baile, era outra tradição que os pares prendessem corpetes ou lapelas um no outro. Suzy havia cuidado desse detalhe que os dois haviam negligenciado.
— Vocês precisam de flores.
— Obrigado.
Chase deu um abraço leve em Suzy.
— Vamos, prendam um no outro. É a tradição.
Cedendo à insistência de Suzy, os dois prenderam as lapelas na lapela esquerda do paletó um do outro. As rosas cor-de-rosa complementavam perfeitamente tanto o blazer de Jeong-in quanto o paletó de Chase.
Chase perguntou a Suzy:
— Você virá mais tarde, certo?
— Sim. Eu estarei lá.
Suzy não havia comparecido a muitos eventos da associação de pais, alegando sua agenda lotada. Além disso, como Jeong-in nunca participava, ela não tinha motivos para ir a bailes ou festas. Mas desta vez era diferente. Era porque o próprio Jeong-in a havia convidado pessoalmente para o baile.
Suzy aceitou prontamente quando Jeong-in pediu que ela fosse como supervisora (chaperone).
Embora seu papel fosse monitorar se os jovens estavam se comportando adequadamente e garantir que não houvesse álcool em seus copos, para Suzy, este baile seria tanto o seu primeiro quanto o último.
Assim que abriram a porta da frente e saíram, uma limusine stretch era visível na rua. A seção central alongada da limusine era algo que eles frequentemente viam em filmes e dramas.
— O que é isso?
— Devemos seguir a tradição.
Smokings e vestidos, corpetes e lapelas, e limusines. Os símbolos do prom.
Talvez fossem óbvios e clichês, mas Jeong-in mal conseguia acreditar que estava realmente fazendo parte de tudo aquilo.
A limusine que levava os dois entrou no estacionamento da escola. Balões coloridos pendiam dos postes de luz, balançando suavemente com a brisa da noite. A empolgação preenchia o cenário por toda parte.
Estudantes vestidos com galas e smokings reuniam-se em pequenos grupos, rindo e tirando fotos, cumprimentando-se calorosamente. Naquela noite, eles eram os protagonistas deste mundo.
Depois de saírem da limusine e se aproximarem do prédio do ginásio, um som de baixo profundo podia ser ouvido do lado de fora. Não importava qual música estava tocando. Hoje era o baile, e Chase estava ao lado de Jeong-in.
Jeong-in segurou a mão de Chase e entrou pelas portas do ginásio.
Um mundo completamente diferente se desenrolou diante de seus olhos. Luzes cintilantes pendiam do teto como estrelas, e um globo de discoteca dourado girava lentamente, projetando uma luz suave. Feixes dourados de luz dançavam pelo chão e pelas paredes.
Em um canto, estava a mesa de sobremesas. Cupcakes com decorações delicadas, biscoitos do tamanho de uma mordida e uma grande tigela de ponche com ginger ale borbulhando em uma espuma suave. Tudo era a perfeição clássica de um baile de formatura.
A música selecionada pelo DJ fluía do palco. Ele fazia as pessoas dançarem com batidas rápidas e, em seguida, mudava para canções lentas.
Com sons suaves de violão, a voz de Ed Sheeran — um clássico para ocasiões como esta — preencheu o ar. Os alunos começaram a se olhar. Alguns estendiam as mãos hesitantes, enquanto outros já seguravam seus parceiros e se moviam para o centro da pista.
— Vamos dançar?
Chase estendeu a mão. Jeong-in olhou para ela por um momento. De alguma forma, uma onda de emoção surgiu dentro dele.
Chase fora o rei do baile que existia apenas em sua imaginação. Alguém que Jeong-in pensava pertencer a um mundo completamente diferente. E agora, essa pessoa estava parada diante dele, estendendo a mão.
A adolescência é implacável. Era um tempo de tolice, imperfeição e fragilidade, onde tudo parecia prestes a quebrar. Mas, nessa mesma adolescência, também se podia encontrar o amor de uma vida inteira.
Jeong-in respirou fundo. Então, lentamente, segurou a mão de Chase.
Os dois entraram naturalmente na pista de dança. Chase envolveu gentilmente a cintura de Jeong-in com o braço, e Jeong-in colocou levemente os braços em volta do pescoço de Chase. Eles se moviam devagar, seguindo o fluxo da música.
— Olhe, sua mãe está aqui.
Diante das palavras de Chase, Jeong-in virou a cabeça. Ao longe, ele pôde ver Suzy parada na entrada do ginásio usando um vestido. Chase deu um leve aceno em saudação, e Jeong-in acenou de volta. Suzy observava os dois com o que parecia ser uma expressão comovida.
Jeong-in voltou o olhar para Chase. A imagem de Chase refletia-se nos olhos escuros de Jeong-in. As luzes coloridas tingiam o cabelo dourado de Chase com cores lindas.
Olhando naqueles olhos azuis que haviam abalado completamente sua vida, Jeong-in disse com a voz trêmula:
— Obrigado.
— Pelo quê?
— Por tudo. Há tanto que eu não saberia se não fosse por você.
Chase abrira um novo mundo para Jeong-in.
— É o que eu quero dizer também.
E o inverso era igualmente verdadeiro.
Eles dançaram, dividiram o ponche, tiraram fotos juntos sob o letreiro da cabine fotográfica, fazendo gradualmente todas as coisas que as pessoas fazem no baile.
E logo, o destaque do prom se aproximou: o anúncio do rei e da rainha.
As luzes do ginásio diminuíram um pouco, e o refletor instalado no palco concentrou sua luz lentamente. O vice-diretor pegou o microfone.
— Este ano, o momento da coroação do rei e da rainha do baile terá um significado especial. Porque este é o último ano em que selecionaremos um rei e uma rainha.
Um pequeno murmúrio se espalhou pelo ginásio.
A tradição de selecionar reis e rainhas em bailes de ensino médio estava mudando gradualmente. Mais escolas estavam mudando para títulos neutros em termos de gênero, como “realeza do baile” ou “soberano do baile”, e muitos lugares estavam eliminando tais títulos por completo.
O vice-diretor continuou com um sorriso significativo:
— Agora, anunciarei o histórico rei e a rainha finais.
Não houve surpresas. Chase Prescott e Vivian Sinclair foram selecionados como rei e rainha do baile. Quando seus nomes foram chamados, vivas ecoaram pelo ginásio.
Os dois subiram lentamente ao palco. Coroas foram colocadas em cada uma de suas cabeças, e uma capa de rei foi estendida sobre Chase.
Chase disse que pularia o discurso e apenas desejou a todos uma boa noite, e então foi a vez de Vivian.
Vivian inclinou a cabeça elegantemente enquanto pegava o microfone. Ela estava perfeita hoje, como sempre. Seu vestido de lantejoulas brilhava suavemente sob as luzes do palco, e seu longo cabelo ruivo enfatizava sua aura encantadora. Ela parecia a “Jessica Rabbit”, personagem famosa por seu cabelo vermelho intenso, vestido sensual e atmosfera glamorosa.
— Estou feliz por ser escolhida como a rainha e o rei finais com meu velho amigo Chase. Estou satisfeita em usar a última coroa, mas gostaria de abrir mão da primeira dança para outra pessoa.
A primeira dança era a tradição em que as duas pessoas selecionadas como rei e rainha abriam a pista dançando juntas.
Vivian continuou com um sorriso doce:
— Não seja tímido, apareça, Jay Lim.
Assim que Vivian terminou de falar, alguém empurrou Jeong-in gentilmente por trás. Jeong-in viu-se parado no meio da pista.
As luzes diminuíram ligeiramente e uma música suave começou a tocar.
Então, Chase desceu do palco. Caminhando lentamente entre a multidão, ele parou na frente de Jeong-in. Ele então removeu a coroa que estava usando e a colocou na cabeça de Jeong-in.
— Concede-me esta dança, meu rei?
Chase perguntou com uma reverência exagerada, como um ator de teatro, e Jeong-in caiu na gargalhada.
— Você é bobo.
Os dois deram as mãos novamente. E dançaram, movendo-se suavemente.
E assim, a noite do baile se aprofundou.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) Yaoi Mangá Online

Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven

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