Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) – Capítulo 27 Online

❀ 7 Minutes Of Heaven 6
Naquele exato momento, Madison Wilkes, que andava de um lado para o outro no corredor com uma expressão ansiosa, entrou em seu campo de visão. Ele estava sempre grudado em Vivian como uma sombra. Madison, que estivera inquieto com as mãos e olhando ao redor, congelou de choque quando seus olhos encontraram os de Chase.
— Ch-Chase! Oi!
— Onde está a Vivian?
A expressão de Madison travou por um instante. Com um sorriso desajeitado enquanto revirava os olhos, ele respondeu apressadamente:
— Ahn, o quê? Eu não sei. Não a vi…
Atrás dele, como se estivesse de vigia, havia uma porta que levava ao terraço. Chase tinha certeza de que Vivian estava atrás daquela porta. Ele conseguia adivinhar vagamente com quem ela estava. Uma fina ruga se formou entre suas sobrancelhas.
— Pode se afastar? Eu gostaria de um pouco de ar fresco.
Diante das palavras de Chase, Madison bloqueou a porta com um pouco mais de firmeza e gaguejou:
— I-isso é um pouco difícil…
Chase exalou profundamente. Uma voz baixa, misturada com irritação e frieza, ecoou pelo corredor.
— Sinto muito, mas esta é a minha casa.
Ele empurrou Madison gentilmente para o lado e puxou a maçaneta. Assim que a porta se abriu, o ar noturno do terraço roçou friamente em sua pele.
No espaço atmosférico, o que ele encontrou foram as silhuetas de duas pessoas emaranhadas como se fossem uma só.
Chase já sabia quem era o acompanhante de Vivian. Sua voz, baixa e profunda, chamou aquele nome.
— Evan.
Só então as duas figuras agarradas se separaram uma da outra.
Chase sentiu sua têmpora latejar de dor. O homem loiro que emergia da sombra escura sorriu maliciosamente para Chase.
— Evan? Você deveria me chamar de tio.
— Até parece, sendo que você é apenas um ano mais velho.
Ele era Evan Prescott, o filho que Albert Prescott trouxera de fora. A família Prescott gastava muito dinheiro controlando a mídia para esconder sua existência, mas era questionável por quanto tempo conseguiriam tolerá-lo.
Evan Prescott era um tremendo canalha. Ele fora enviado deliberadamente para uma escola particular rígida, mas, mesmo lá, foi expulso por distribuir drogas ilegais aos alunos.
Porém, aquilo era apenas uma pequena parte dos incidentes que haviam vindo à tona; suas más ações eram muito mais numerosas e muito mais graves. Era quase um milagre que ele não tivesse ido para um refrão juvenil.
Chase o encarou com um olhar irritado e disse:
— O que o traz aqui? Ficou sem dinheiro?
Evan sorriu e jogou o cabelo para trás. O cabelo loiro, símbolo dos Prescotts, fluiu pausadamente com seu sorriso.
— De jeito nenhum. Por que eu ficaria sem dinheiro? Eu sou da família Prescott, onde o dinheiro brota se você cavar o chão.
Evan, que sorrira de forma atrevida, passou por Chase com um andar arrogante.
— Tenha uma boa noite, sobrinho. Não seja tão ranzinza.
O último comentário de deboche ecoou por muito tempo nos ouvidos de Chase.
Assim que ele desapareceu, Chase levantou a voz, como se estivesse esperando por aquele momento:
— Vivian!
Vivian recuou de susto, mas imediatamente encarou Chase com uma expressão de injustiçada.
— Você me assustou. Por que está gritando?
— Você realmente precisa perguntar?
Eles haviam crescido juntos no mesmo bairro desde a infância e se consideravam como irmãos, à sua própria maneira. Mas, neste momento, aquele relacionamento parecia sem sentido.
— O que há de errado com a sua cabeça?
Diante das palavras de Chase, que soavam como se ele a achasse patética, Vivian rebateu defensivamente:
— É problema meu.
— Problema seu? Eu te disse claramente para não ver aquele traficante!
— Não o chame de traficante, não fale de forma tão descuidada!
— Você realmente gosta dele?
— E se eu gostar?
— Vivian, é sério!
Finalmente, a voz de Chase se elevou. Vivian retrucou, sentindo uma onda de emoção:
— Seja ele um traficante ou um bastardo, Evan Prescott ainda é um “Prescott”. Eu também quero ser uma Prescott!
Vivian sempre quisera ser uma “Prescott”.
O valor do nome Prescott não se resumia apenas ao dinheiro. A família Prescott possuía uma reputação prestigiosa de séculos na América. Eram uma família que construiu um império financeiro, um nome profundamente enraizado na história, política e economia americana.
Eles existiam em uma dimensão que não podia ser alcançada através do sucesso por conta própria. Era um mundo firmemente fixado pela “classe”, não pelo dinheiro.
Claro, o parceiro mais adequado era Chase, mas ela soube desde cedo que ele não a consideraria. Os dois não podiam ser nada mais do que namorados oficiais na escola.
Então Evan Prescott, o tio de Chase apenas um ano mais velho, apareceu diante de Vivian. Parecia que ela finalmente havia encontrado uma escada para subir até a família Prescott.
— Dizem que o fundo fiduciário dos Prescott é ativado quando você faz vinte anos?
A expressão de Chase endureceu instantaneamente.
— Como você sabe disso?
Vivian sorriu amargamente.
— Sabe de uma coisa? O fundo fiduciário que um jovem de vinte anos receberá excede em várias vezes o dinheiro que meu pai ganhou durante toda a sua vida sendo chamado de “nouveau riche”.
Chase respondeu com uma expressão fadigada, como se estivesse cansado de ter que dizer tais coisas:
— E então? E se você se casar? Você acha que meu avô aprovaria você?
— …
Atingida em seu ponto fraco, Vivian flinched e ficou rígida.
As palavras de Chase perfuraram a realidade como uma lâmina. Albert Prescott, o chefe da família Prescott, era um homem que não considerava ninguém humano, a menos que fosse de uma grande linhagem. Para evitar perder o favor de Albert Prescott, o pai e o tio de Chase casaram-se competitivamente com filhas de famílias prestigiosas da classe alta.
Albert Prescott, na casa dos 70 anos, ainda estava forte e mantinha firmemente seu trono. Vivian mordeu o lábio e falou, mal contendo as lágrimas que se formavam em seus olhos:
— Quem é você para falar assim? Eu já estou passando por um momento difícil o suficiente sem você dizer essas coisas!
Chase exalou cansado e falou com uma voz tingida de fadiga:
— Estou dizendo para você parar antes que se machuque. Isso é um conselho como amigo.
Vivian encarou Chase por um tempo e, finalmente, incapaz de suprimir sua raiva, deu as costas. O som dos saltos finos ecoando no corredor desapareceu.
— Ah…
Um longo suspiro dispersou-se no ar noturno. Deixado sozinho, Chase arrancou bruscamente a gravata borboleta de seu colarinho e a jogou no chão.
Nesse momento, uma bolsa estranha chamou sua atenção. Como se alguém a tivesse deixado para trás às pressas, uma mochila velha estava parada em um canto do terraço.
Chase olhou alternadamente para a mochila e para a direção onde Vivian havia desaparecido. Seu coração bateu desconfortavelmente, imaginando se alguém tivesse, de alguma forma, testemunhado aquela situação.
— …O que é isso agora?
Sentindo-se frustrado, Chase sentou-se no parapeito do terraço e pegou a mochila. A bolsa estava mais pesada do que o esperado.
Ziiiip. Ele abriu o zíper distraidamente. A mochila estava cheia de apostilas e impressos. Materiais do SAT, fórmulas matemáticas, apostilas de preparação para exames. Chase vasculhou a bolsa para ver se havia algo com um nome escrito.
Justo então, um caderno vermelho cafona atraiu seu olhar. Chase encarou com indiferença os caracteres chineses incompreensíveis escritos em verniz branco na capa e abriu o caderno.
As páginas, virando com um farfalhar, pararam naturalmente no que parecia ser a seção aberta com mais frequência. Um título, com a caneta reforçada através de várias camadas, saltou aos seus olhos.
[Por Que Odiamos Chase Prescott]
Por um momento, os olhos de Chase se estreitaram ao encontrar seu nome em um lugar inesperado. Uma fenda sutil apareceu em sua expressão anteriormente indiferente e, logo, uma luz não identificável começou a se espalhar em seus olhos.
— O que é isso…
Uma voz baixa escapou como um suspiro. À medida que lia, sua expressão entediada desapareceu e os cantos de sua boca curvaram-se lentamente para cima. Quando viu a mensagem pedindo desculpas aos ursos polares com uma hashtag, ele chegou a rir alto.
“Presume-se que a salsicha de Chase Prescott seja tão pequena quanto um órgão vestigial. Provavelmente forma um equilíbrio perfeito com suas duas bolas encolhidas devido aos esteroides.”
Naquela parte, ele ficou tão perplexo que automaticamente passou a mão pelo rosto.
— Loucura…
Chase balançou a cabeça levemente e pegou um relatório de pontuação de um simulado do SAT que estava ao lado. Curioso, ele o abriu e encontrou pontuações quase perfeitas densamente escritas.
Após confirmar a inteligência do autor, seu olhar voltou para o caderno vermelho.
“Entropia Prescott”
S = k log W
“W: Número de mulheres com quem Chase Prescott saiu”
Uma exclamação de algo próximo à admiração irrompeu diante do deboche matemático. Era um conteúdo sugerindo que, conforme o número de mulheres com quem ele saía aumentava, a desordem do mundo cresceria exponencialmente.
— Ha…
Como alguém com tamanha habilidade intelectual poderia escrever algo assim? Em vez de se sentir ofendido, aquilo pareceu revigorante e fofo.
À medida que lia o conteúdo do caderno, o peso que pressionava os ombros de Chase desapareceu. O fardo de ser o herdeiro em potencial da família Prescott, as rachaduras na família e o desvio de sua amiga de infância; tudo isso perdeu a força e se dissipou diante da zombaria leve nas páginas.
Ninguém jamais havia falado com ele daquela forma. Em vez de se sentir mal, era bizarro, porém prazeroso. Como ser escolhido por um comediante de stand-up e se tornar o objeto da sátira.
Era divertido. Ele realmente sorriu um sorriso genuíno, não falso, pela primeira vez em muito tempo. Uma pequena ondulação surgiu em algum lugar de seu peito.
Seria uma coincidência trivial ou o começo de algo?
Chegou uma notificação de que um veículo estava pronto para levá-lo ao aeroporto.
Chase, com uma mochila simples pendurada no ombro e prestes a seguir para o aeroporto, encontrou Dominic, que bebia uísque no bar da sala de recepção. Ele parecia estar comemorando após o sucesso do evento de caridade.
— Está tarde. Onde você vai?
Chase apenas deu de ombros. Não era como se seu pai tivesse perguntado por interesse genuíno, de qualquer forma. Era apenas uma formalidade.
— Vejo você depois.
Cumprimentando-o casualmente como se fosse um estranho, Chase estava prestes a se afastar quando parou à porta. Então, como se de repente se lembrasse de algo, ele se virou e perguntou:
— Você conhece aquele garoto de mais cedo? Aquele que frequenta a mesma escola que eu.
— Quem? Ah, certo. Você quer dizer aquele garoto asiático?
A sobrancelha de Chase franziu-se ligeiramente diante da observação indiferente de Dominic.
— Qual é o nome dele?
— Como eu saberia uma coisa dessas? Lembro-me do pai dele pedindo um investimento, no entanto.
— Investimento?
Chase deu meia-volta, colocou sua bolsa no chão e sentou-se ao lado de Dominic.
— Por que a pergunta? Já desenvolveu interesse nos negócios da família?
— Talvez.
— Ele queria que eu investisse algum capital inicial em um negócio de importação de carros usados do exterior. Apenas trocados, na verdade.
Após um breve silêncio, Chase falou calmamente.
— Faça isso.
Dominic, que levava o copo aos lábios, virou a cabeça em sinal de perplexidade.
— Hum?
— Dê a ele. Você disse que eram apenas trocados, não foi?
Uma expressão um tanto confusa passou pelo rosto de Dominic.
— Você está subitamente demonstrando perspicácia de investimento?
— Você às vezes não sente apenas vontade de fazer algo?
Dominic girou o copo de uísque na mão como se tivesse ouvido algo ridículo. O gelo fez um som metálico ao bater nas laterais do copo.
Enquanto Chase pegava sua bolsa para sair, ele se virou mais uma vez.
— Você vai fazer isso, certo? O investimento.
— Com certeza.
Com a resposta sarcástica de seu pai, Chase assentiu e finalmente saiu de casa.
Assim que o apito do treinador soou, Chase focou seu olhar no recebedor e estabilizou sua respiração.
— “Ready, set, hike!”
No momento em que a bola deixou a ponta dos dedos de Chase, o cornerback Alex Martinez grudou no recebedor como um raio. Justo quando a bola estava prestes a chegar às mãos do recebedor, Alex torceu o corpo e a desviou com a palma da mão.
— Bom, Martinez! Prescott, um pouco mais de precisão! Preparem-se e vamos de novo!
A voz do treinador ecoou alto pelo campo.
Durante a breve pausa, Chase pegou a bola e continuou a conversa que vinham tendo.
— Ele diz que não entende por que ela ficou zangada quando ele estava apenas reconhecendo os sentimentos dela.
— Hum…
Alex Martinez, que parecia imerso em pensamentos, era como uma versão neutralizada de Max e Bryan. Ele não era excessivamente brincalhão, nem excessivamente galanteador.
Chase havia consultado Alex impulsivamente sobre sua preocupação, falando de sua própria experiência como se fosse a de outra pessoa.
Alex, que estivera ouvindo seriamente, perguntou para confirmar:
— Deixe-me resumir. Seu amigo Nate recebeu uma confissão de uma garota chamada Caitlin, e ele a rejeitou?
— Não é como se ele tivesse recebido uma confissão. Mas sim, algo desse tipo.
— E a Caitlin está agindo de forma fria depois que ele a rejeitou?
— Sim.
— E o problema é…
— Eu já te disse. O Nate ainda quer andar com a Caitlin.
Chase lançou um passe curto. Alex pegou a bola e perguntou sem rodeios:
— Por que se dar ao trabalho?
— Porque a Caitlin é especial. Aparentemente, ela é diferente de qualquer outra pessoa que ele já conheceu antes.
Alex riu como se estivesse achando graça.
— E ele pergunta isso para você? O quão lerdo é esse tal de Nate?
— …Por quê?
— É óbvio que esse Nate já gosta da Caitlin. Quantas vezes ele foi à casa dela? Pelo que estou ouvindo, parece amor à primeira vista.
Foi quando aconteceu. No limite de sua visão, um defensor investiu contra Chase, que segurava a bola.
PUM! Com uma colisão barulhenta, o corpo de Chase foi arremessado contra a grama.
— Prescott! Eu te disse para não ignorar o lado cego!
A voz do treinador ecoou pelo campo. Chase removeu lentamente seu capacete, tentando acalmar sua confusão. Ele conseguia ouvir sua própria respiração pesada.
O céu azul se estendia diante de seus olhos. Seus olhos piscaram vagamente enquanto ele encarava o céu límpido e sem vento.
O lado cego. Se você negligencia uma lacuna que falhou em ver adequadamente, é isso que acontece: você é atingido com força.
Talvez Alex estivesse certo.
Desde o momento em que Nate viu Caitlin pela primeira vez, seu olhar foi atraído por ela. Ele se perguntou como seria a voz dela. Mesmo após descobrir a identidade dele na escola, continuou a se preocupar com ele. Quando descobriu que fora ela quem escrevera insultos sobre ele em um caderno que nem era engraçado, ficou estranhamente feliz.
Só agora tudo se encaixava claramente. Talvez Nate tivesse se apaixonado por Caitlin à primeira vista.
O lado cego que ele não havia notado. Todas as emoções pelas quais ele passou batido até agora estavam finalmente se aproximando dele com peso.
— Ele disse, “Então vamos namorar”, como se estivesse me fazendo um favor. Eu quase bati nele.
— Ha! Que arrogante.
Justin zombou com o rosto incrédulo.
Agora, Jeong-in não tinha segredos para Justin. Não ter nada a esconder fazia seu peito parecer mais leve, e a sensação de ser compreendido era confortavelmente calorosa. Ele quase se arrependia de não ter contado a ele antes.
Justin, que ouvira sobre o que aconteceu na noite passada através de Jeong-in, tocou o queixo com o dedo como um detetive absorto em uma dedução e disse:
— A afirmação de que ele nunca namorou a Vivian é 100% mentira.
— Sério? Ele não parecia estar mentindo…
— Olhe para aqueles dois. Você acha que pessoas tão perfeitas resistiriam a namorar um ao outro? Pessoas como eles são geneticamente programadas para serem atraídas uma pela outra.
As palavras de Justin eram estranhamente convincentes.
Talvez ele soubesse intelectualmente que a declaração de Chase era uma falsidade óbvia, mas seu coração não queria aceitar.
Após ficar perdido em pensamentos por um momento, Jeong-in assentiu com uma expressão amarga.
Justin observou cuidadosamente a reação de Jeong-in antes de finalmente falar com cautela. Havia algo que ele queria perguntar nos últimos dias.
— Hum… não tenho certeza se deveria perguntar isso.
— Hm? O que foi?
Jeong-in piscou inocentemente.
— Então, você é gay?
Diante da pergunta de Justin, o rosto de Jeong-in tornou-se confuso. Essa luta havia contribuído para que sua adolescência fosse particularmente difícil. Ele ainda não conseguia definir com clareza sua identidade sexual.
— Eu não sei. Mas a pessoa de quem eu gostava antes era uma garota…
— Quando?
— Antes de vir para a América. Quando eu estava na terceira série, eu acho.
— Hmm… então acho que você pode gostar dos dois lados.
Jeong-in deu de ombros, como se ele próprio não tivesse certeza.
— Uau, então suas chances de encontrar alguém dobraram! Que sorte a sua…
Justin lhe lançou um olhar invejoso. Jeong-in deu uma risadinha diante da reação incomum dele, então seus olhos brilharam de repente ao se lembrar de algo.
— Ah, e ele ficou perguntando quem era o Justin. Quando ele veio em casa, eu pensei que era você e desci as escadas chamando seu nome.
— Qualquer um pensaria que ele está com ciúmes porque gosta de você.
Justin estalou a língua, depois sorriu como se tivesse tido uma ideia.
— Jay, não conte para ele.
— Hein?
— Se ele perguntar quem é o Justin de novo, não conte. Apenas finja que há algo misterioso sobre isso.
— De jeito nenhum. Eu disse a ele para não falar comigo nunca mais.
— Só para o caso de ele perguntar. De alguma forma, não acho que aquele cara vá desistir tão fácil. Aquele persistente… determinado… quarterback bonitão.
Jeong-in balançou a cabeça com firmeza, como se aquilo não fosse acontecer. Mas Justin sorriu de forma sinistra, seus lábios tremendo com algum pressentimento inexplicável.
A previsão de Justin concretizou-se perfeitamente. Poucos dias depois, Chase Prescott acabou perguntando quem era Justin novamente. No entanto, a pessoa a quem ele perguntou não foi Jeong-in.
Justin estava acabando de descer na zona de desembarque. Após sair do banco do passageiro do carro de sua mãe, ele abraçava desajeitadamente duas grandes cartolinas. Vários materiais estranhos sobressaíam entre as placas brancas.
Ele carregava um saco cheio de contas de isopor para representar os pares de bases de DNA. Ele estava planejando fazer um modelo de hélice dupla de DNA.
Enquanto lutava para segurar a bolsa ao mesmo tempo em que reforçava o aperto nas cartolinas, alguém se aproximou pelo lado e pegou as placas dele.
— Olá?
Uma voz suave e baixa, que Justin adoraria usar para sua IA em desenvolvimento, o cumprimentou. Justin virou a cabeça surpreso e seus olhos se arregalaram. Incrivelmente, Chase Prescott estava parado ali.
— Deixe-me carregar isso. Você é o Jonathan, certo?
Jonathan? Desta vez era Jonathan. Seguindo Jacob e Jasper, a coleção de palpites errados de Chase estava ficando mais rica a cada dia.
Se Justin negasse, teria que revelar seu nome real. Incapaz de fazer qualquer uma das duas coisas, Justin apenas olhou fixamente para Chase, sem fala.
O que era mais perturbador era que Chase lhe dava um sorriso brilhante. Aquele sorriso sedutor que ele costumava reservar para as garotas estava agora desestabilizando o estado mental de Justin.
De perto, ele era ainda mais bonito. Como os dentes dele eram tão brancos? Ele usava pasta clareadora dez vezes ao dia? Ugh, a luz do sol refletindo em seu cabelo loiro era ofuscante. A menos que ele estivesse tentando deliberadamente fazer os outros perderem a visão…
— Eu vi você andando com o Jay. Vocês devem ser próximos?
Justin apenas conseguiu assentir com a boca aberta diante das palavras de Chase.
— Posso te perguntar uma coisa?
— O-o-o que é…?
Chase colocou o braço casualmente sobre os ombros de Justin. Simultaneamente, os olhares das pessoas se voltaram para eles.
Desacostumado a ser o centro das atenções, Justin sentiu um calafrio emocionante percorrer sua espinha. Apenas conversar com Chase e caminhar lado a lado estava atraindo a atenção de todos. Parecia ser o novo aluno transferido popular no primeiro dia de aula.
— Você conhece alguém chamado Justin entre os amigos do Jay?
Gasp…
— Você o conhece?
O sorriso relaxado no rosto de Chase tornou-se instantaneamente frio. Aquele olhar enviou calafrios pela espinha de Justin. Ele estava prestes a confessar a verdade quando Jeong-in lhe veio à mente. Ele não poderia vazar informações para alguém que havia machucado seu precioso amigo.
— Ah, sim, eu o conheço.
— Como ele é? Ele estuda nesta escola? Talvez no time de natação da universidade?
— Não! Ele, ele… f-frequenta a Midtown High School.
Midtown High School era o nome da escola frequentada por Peter Parker, o protagonista do Homem-Aranha, um dos quadrinhos favoritos de Justin. Justin revirou os olhos furtivamente, esperando que Chase não percebesse.
— Midtown? Nunca ouvi falar dessa escola.
— Claro que não. Não fica neste bairro.
— …Que tipo de cara ele é?
— Bem, como eu deveria dizer… Ele é justo. Não posso dizer que é um cara bonitão de classe mundial como você, mas… ele é atraente! Ele também é muito flexível, bom em escalar paredes…
— Ele escala paredes?
— P-parkour! Parkour é o hobby dele. E também… ele não é tão alto, mas tem um corpo tonificado… e um abdômen incrível…
Justin estava descrevendo Peter Parker. Ele olhava ocasionalmente para Chase para ver se era pego, mas Chase apenas ouvia com uma expressão séria, sem mostrar sinais de suspeita. Justin riu internamente de alívio. “Trouxas”, de fato.
— …Sério? Um cara bonito… cujo hobby é parkour?
— É-é. Isso mesmo, mas…
Justin começou a sentir gradualmente uma estranha sensação de desconforto naquela situação.
Chase Prescott sempre foi relaxado e confiante. Justin, que sempre teve dificuldade com tudo, admirava a compostura de Chase e, em certo ponto, começou a invejá-la.
Mas o Prescott diante dele agora estava longe de ser relaxado; ele havia se aproximado de um nerd com quem normalmente não se importaria e estava tentando extrair informações — e informações falsas, ainda por cima.
— Como alguém de outra escola conheceu o Jay?
— Uh, o quê? Por que você pergunta?
— Só curiosidade.
Estranho. Ele está agindo como se tivesse sentimentos pelo Jeong-in. Justin achou que algo estava esquisito, mas continuou a explicar sobre Peter Parker.
— Eles se conheceram em uma competição do Decatlo Acadêmico. Ele é um representante da escola dele. M-Midtown High, quero dizer.
O Decatlo Acadêmico é uma competição acadêmica proeminente na América, onde os estudantes competem em conhecimentos de vários campos, incluindo literatura, ciência, matemática e ciências sociais.
A sobrancelha de Chase franziu-se ligeiramente.
— …Então ele deve ser inteligente? Para competir nesse tipo de competição.
De jeito nenhum. Chase Prescott está realmente com ciúmes agora? De alguém que nem sequer existe?
Justin sentiu um impulso de testar o grande Chase Prescott.
— Sabe, isso é algo que nem o Jay sabe… Ah, esquece. Não é nada.
— O que é?
— Não, eu não deveria fazer fofoca sobre os outros.
— Jonathan, sinto muito, mas eu não sou bom em lidar com a curiosidade.
Chase persistiu obstinadamente. Justin se inclinou e sussurrou em seu ouvido como se estivesse compartilhando um grande segredo.
— Eu acho que ele gosta do Jay.
Foi quando aconteceu.
Justin viu claramente. Um flash de ansiedade obscureceu aqueles belos olhos azuis de Chase Prescott, que sempre fora tão abundantemente confiante.
“Meu Deus!”, Justin gritou internamente.
Chase Alexander Prescott gosta do meu amigo! O quarterback do time da escola caiu vítima da invasão de um nerd!
Ele sentiu vontade de fincar uma bandeira e proclamar vitória ao som de tambores. Isso era como Aníbal anunciando que o exército romano havia cruzado os Alpes. Não, era ainda maior que isso.
Justin recuperou cuidadosamente as cartolinas das mãos ainda atordoadas de Chase.
— Obrigado por ouvir, Chase Prescott.
— …Sem problemas. A gente se vê.
Os olhares das pessoas ao redor pareciam perfurantes. Apenas por ter Chase Prescott carregando suas coisas e trocando palavras com ele, Justin subitamente se tornou o centro das atenções. A sensação era indescritivelmente maravilhosa, fazendo seus ombros arredondados saltarem de excitação.
Foi quando:
— Jonathan.
— Sim? Por que está me chamando, Chase Prescott?
Justin usava repetidamente o nome completo de Chase, como alguém que usa deliberadamente o nome completo de uma celebridade para se exibir aos outros.
De alguma forma, ele se sentia superior ao grande Chase Prescott. Se Chase Prescott era James Bond, então ele era o Q, passando instruções de missões e entregando equipamentos de última geração.
Chase fez uma pausa momentânea antes de falar.
— Não sei se o Jay te contou, mas acho que ele está bravo comigo.
— O quê? É verdade? Eu não fazia ideia!
Justin falou com tons exageradamente teatrais. Chase franziu a testa brevemente como se estivesse intrigado, então perguntou seriamente de novo:
— Você pode me ajudar a fazer as pazes com ele?
— Hmm… não sei.
Justin protelou deliberadamente, coçando a ponta do nariz. Oportunidades para mexer com Chase Prescott eram raras.
— Jonathan, posso pegar seu número de telefone primeiro?
— Hic!
Assustado, Justin começou a soluçar. Chase franziu a testa novamente.
— O que você disse, Chase Prescott? Eu não ouvi direito. Você pediu o meu número de telefone?
Justin aumentou a voz de propósito. Estudantes próximos olharam na direção deles.
Chase parecia um pouco confuso e cauteloso. Ele se perguntou se Justin poderia ter problemas de audição.
— …Você não consegue me ouvir bem?
— Não! Hic! Eu te dou meu número, hic!
Justin inseriu seu número de telefone no celular de Chase e tentou devolvê-lo. Mas Chase não estava prestando atenção para pegar o aparelho de volta. Seu olhar estava fixo no estacionamento.
No meio do estacionamento, o porta-malas de um Honda prata estava escancarado com balões coloridos flutuando sobre ele.
Cinco alunos estavam em fila, cada um segurando um cartão grande formando as letras “P”, “R”, “O”, “M”, “?”. Então, um estudante apareceu atrás deles, erguendo uma faixa. O cartão decorado de forma colorida dizia: “Você aceita ser meu par?”.
A garota que recebeu o buquê exclamou encantada:
— Sim! Eu vou com você!
Assim que a garota aceitou, aplausos e vivas explodiram ao redor deles.
Sussurros podiam ser ouvidos dos espectadores amontoados.
— O que você acha desse tipo de pedido de formatura?
— É comum demais. Eu queria que fosse mais romântico. Se o Danny não me fizer um pedido de formatura adequado, eu não vou ao baile.
— É o nosso único baile do último ano… Eu ficaria tão decepcionada se alguém me convidasse de forma tão casual quanto convidar para o jantar.
Quando Justin se virou dizendo “Chase Alexander Prescott?”, Chase estava com uma expressão perturbada no rosto. Ele passou os dedos pelo cabelo loiro brilhante, bagunçando-o. Então, praguejou baixinho.
— Droga…
Ele estava se lembrando das palavras que havia lançado tão descuidadamente para Jeong-in. Aquele pedido impensado, sem qualquer atmosfera ou romance.
— Se namorar é o que é preciso para a gente conversar e rir como antes, então tudo bem. Vamos namorar.
Através de seus ouvidos entorpecidos, Chase ouviu a voz de Justin.
— Chase Prescott? Você está bem?
— …Não.
Um profundo sentimento de desânimo era evidente no rosto sombrio de Chase, que não parecia nada bem.
Jeong-in chegou à sua sala de aula de matemática do primeiro período mais cedo do que o normal. Embora compartilhasse essa aula com Justin, hoje ele precisava entregar uma tarefa do clube para Amy Williams, a professora responsável pela Sociedade de Atletas da Matemática.
Ele entregou cuidadosamente o conjunto de problemas que havia resolvido meticulosamente e falou com cautela.
— Sinto muito por tudo.
Williams observou Jeong-in por um momento, então assentiu e falou suavemente.
— Tudo bem, todo mundo pode se perder durante a adolescência. É para isso que serve esse tempo. O importante é encontrar o caminho de volta para sua própria trilha.
Aquelas palavras suavizaram docemente o coração de Jeong-in.
Nas últimas semanas, ele fora levado pela correnteza. Distraído por novas pessoas e novos estímulos, ele havia negligenciado as coisas que realmente importavam.
Mas agora ele entendia. Ele sabia onde pertencia e no que deveria realmente se focar. Essa percepção acalmou sua mente turbulenta como um lago perturbado pelo vento que gradualmente se estabiliza.
— A competição está chegando em breve. Você sabe disso, certo?
As semifinais da competição estadual de matemática seriam realizadas em breve. Tendo perdido as quartas de final por pouco no ano passado, as expectativas eram ainda maiores este ano. Jeong-in assentiu silenciosamente, firmando sua determinação.
Nesse momento, Justin irrompeu pela porta da sala com um rosto incomumente brilhante.
— Jay!
Suas bochechas estavam coradas como se ele estivesse terrivelmente animado. Teria ele encontrado Hayley Simmons no caminho? Enquanto os dois se sentavam, outros alunos começaram a entrar na sala. A maioria era do último ano.
Justin virou-se imediatamente para Jeong-in após colocar sua mochila na mesa. Ele sussurrou baixinho para que apenas ele pudesse ouvir.
— Jay. Tenho uma coisa para te perguntar.
— O que é?
— O que você faria se o Chase Prescott gostasse de você?
Os olhos de Justin brilhavam de antecipação e curiosidade, e seu rosto mostrava traços de empolgação. Mas Jeong-in estava surpreendentemente calmo. Sua voz permaneceu tão composta quanto sempre ao responder.
— Eu não sei. Não acho que nada mudaria.
— …Hein?
Foi Justin cujos olhos vacilaram em confusão, em vez dele.
— Eu tenho sido tão estúpido ultimamente. Não é hora de estar sem foco. Eu nem comecei minha redação ainda, e ainda não decidi onde fazer meu trabalho voluntário.
Jeong-in abriu rapidamente sua apostila e segurou seu lápis. Diante da determinação renovada de Jeong-in, Justin engoliu em seco e reformulou sua pergunta.
— E se essas não fossem questões? Se não houvesse preocupações com a carreira? E se o Prescott gostasse de você?
Após encarar a ponta de seu lápis por um momento, perdido em pensamentos, Jeong-in finalmente falou.
— Ele e eu somos muito diferentes.
— Hein?
— Quando eu penso sobre isso, mamãe e Steven brigavam muito por coisas assim. Diferenças culturais, quero dizer.
— Diferenças culturais…?
— Você sabe como nós acreditamos em coisas como o destino. É por isso que também acreditamos em reencarnação e conexões entre as pessoas. Como o fio vermelho do destino.
— Certo.
Essa crença de que o parceiro destinado de alguém é predeterminado era familiar na cultura oriental. As conexões entre as pessoas nunca eram levadas de forma leviana. É por isso que as pessoas costumam esperar e torcer para que alguém seja “aquela” pessoa para elas.
— Eu ainda não entendo pessoas que conseguem se encontrar e terminar casualmente.
Havia uma amargura estranha no tom de Jeong-in.
Chase Prescott tinha Vivian Sinclair como sua namorada de longa data, mas ele já havia sido ligado romanticamente a inúmeras outras pessoas. Jeong-in não queria ser apenas mais um deles, apenas mais uma pessoa sem significado passando pela vida dele.
Compreendendo os sentimentos de Jeong-in, Justin não conseguiu mencionar Chase Prescott novamente e mudou de assunto de forma desajeitada.
— Ah, minha mãe quer que você vá jantar lá em casa hoje à noite. Ela disse que vai fazer aquele porco refogado com cebolinha que você gosta.
— Sério?
O rosto de Jeong-in se iluminou. Durante toda a aula, Justin continuou lançando olhares para Jeong-in, incapaz de dizer se ele estava genuinamente bem ou se estava apenas fingindo estar.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
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Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven