Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) – Capítulo 28 Online


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❀ 7 Minutes Of Heaven 7

— Então, vou focar em mim mesmo de agora em diante. Estou pensando em como começar minha redação. “A Vida de um Imigrante” seria clichê demais? E se eu começasse citando Nietzsche?
Jeong-in falava sem parar para a vovó Meiling, que não demonstrava nenhum sinal de estar ouvindo.
A avó estava sentada no sofá assistindo à sua telenovela, como de costume. Na tela da TV, uma mulher em um vestido de noiva esbofeteava seu parceiro de casamento estratégico e enganador, saindo correndo da catedral.
Jeong-in continuou:
— Para o trabalho voluntário, pensei em ir para Oklahoma ajudar a construir casas, mas dizem que isso é previsível demais. Meu conselheiro me disse para encontrar algo mais especial. Preciso começar a procurar hoje à noite.
Observando Jeong-in continuar a falar sobre suas resoluções, Justin finalmente percebeu. Jeong-in estava fazendo uma promessa a si mesmo. Quase como uma autohipnose para manter o foco.
— Crianças, o jantar está pronto!
Nesse momento, Rachel entrou com uma pequena bandeja e a colocou no colo da sogra. A bandeja continha uma deliciosa sopa de caranguejo e pão chinês, organizados com capricho. Relutante em tirar os olhos da tela por um segundo que fosse, a avó comia enquanto assistia à TV.
As duas trocaram palavras breves em chinês, com tons agudos que faziam parecer uma discussão. Jeong-in perguntou cautelosamente a Justin, que estava sentado ao seu lado:
— Elas estão brigando?
— Não. É apenas o jeito que falam. “Obrigada, querida. Parece delicioso.” “Sim, mamãe. Aproveite sua refeição.” Algo assim.
Na tela, os protagonistas que haviam se separado se reuniam milagrosamente em um reencontro emocionante. Jeong-in desviou o olhar deliberadamente da cena romântica.
A casa de Justin tinha uma mesa de jantar giratória, como as vistas em restaurantes chineses. Os pratos sobre ela, embora não fossem numerosos, pareciam todos deliciosos. Como donos de restaurante, seus pais eram cozinheiros excelentes.
Rachel, a mãe de Justin, que sabia que Jeong-in amava porco refogado com cebolinha, sempre o convidava para jantar quando preparava esse prato. Era uma refeição modesta, porém calorosa.
Após o jantar e o chá, Justin ofereceu-se para levar Jeong-in para casa. Ele parecia levemente nervoso ao entrar em seu Volvo usado.
Era preciso coragem para andar em um carro dirigido por Justin. Ali, se você reprovasse no teste de direção três vezes, precisava esperar seis meses antes de refazê-lo. Ao contrário de Jeong-in, que passou de primeira, Justin mal conseguiu em sua sexta tentativa, finalmente obtendo a licença após meio ano.
Jeong-in assentiu quando Justin sugeriu parar em uma loja próxima no caminho. Ele acabara de se lembrar que estava sem Pop-Tarts para o café da manhã.
O carro de Justin rastejou para a estrada. Enquanto carros, lambretas e, ocasionalmente, bicicletas passavam voando por eles, Justin abordou um assunto com cuidado.
— Jay, escuta. E se o Chase Prescott…
— Primeiro hoje de manhã, e agora de novo, Justin. Por que você continua falando dele?
Como alguém tentando arranjar um encontro às cegas, Justin vinha mencionando o nome de Chase Prescott em cada oportunidade desde a aula desta manhã.
— Bem… quando é que nós não falamos dele? Tipo, 90% do nosso “livro da vergonha” é sobre o Chase Prescott.
— …Isso é verdade.
Enquanto Jeong-in admitia isso relutantemente, o carro de Justin virou na Rua Fitzroy. Embora não fosse tão cara quanto Crestview, ainda era uma área afluente com casas de alto padrão espalhadas por toda parte. O cenário da área residencial tranquila, com parques bem cuidados e árvores nas ruas, passava pela janela.
Enquanto Jeong-in olhava distraidamente para fora, um carro familiar chamou sua atenção.
— Hein? Aquele é o…
Um Porsche conversível prata estava estacionado à beira da estrada.
— Aquele não é o carro do Chase Prescott? — Justin perguntou, estacionando seu carro a uma certa distância, do outro lado da rua.
Era, de fato, o carro de Chase Prescott. O motivo pelo qual podiam ter certeza era que Chase estava parado perto dele, com Vivian Sinclair em seus braços.
Por que parecia que aquilo era inevitável? Por que parecia que haviam chegado a um final previsível?
Um sorriso amargo formou-se nos lábios de Jeong-in.
— …Você estava certo, Justin. “Nunca namoramos”, sei. Era tudo mentira.
Claro, ele mesmo tinha visto. Os dois emaranhados no terraço na noite da festa de caridade. Ele apenas havia esquecido aquilo momentaneamente.
Justin encarava Chase e Vivian com o rosto paralisado, incapaz de dizer qualquer coisa. Ele parecia um tanto atordoado, como se a hipótese em que acreditara até agora tivesse sido completamente despedaçada.
— O que estamos fazendo aqui? Vamos, Justin.
Atrapalhado, Justin manobrou o carro às pressas e atingiu uma lata de lixo na beira da estrada. Com o barulho estrondoso da lata caindo, tanto Chase quanto Vivian olharam na direção deles. Jeong-in abaixou-se instantaneamente.
— Justin, vá rápido!
Justin pisou no acelerador em pânico. O carro saiu em zigue-zague pelo beco. Jeong-in agarrou o cinto de segurança com força e disse sarcasticamente:
— O estereótipo de que asiáticos não sabem dirigir provavelmente começou por causa de pessoas como você.
— Isso não ajuda em nada, sabe?
Somente depois que saíram completamente da rua é que o carro de Justin recuperou a estabilidade. Com um suspiro de alívio, Jeong-in olhou pela janela, sua expressão afundando pesadamente.
Sim, talvez fosse o melhor.
Chase pode simplesmente se casar com uma líder de torcida como Vivian Sinclair, que vem de uma boa família e é bonita, e viver feliz para sempre como namorados de colégio com muitos filhos.
Algum dia, depois que o tempo passasse, ele esperava poder dizer com um sorriso confortável que houve uma época em que gostou dele quando era jovem. Isso seria o suficiente.
Jeong-in suspirou com resignação enquanto observava os postes de luz passando do lado de fora da janela.
ESTRONDO—
Com um impacto repentino, um carro desgovernado atingiu uma lata de lixo colocada à beira da estrada. A lata caiu impotente e o carro saiu em disparada.
Chase soltou Vivian, a quem estava confortando, e olhou para o carro com um rosto surpreso.
— Motorista bêbado, talvez.
Ao som do fungar de Vivian, Chase voltou sua atenção para ela. Ele já estava consolando a garota que chorava há vários minutos.
— O que eu me importo… uém…
Chase olhou para ela com olhos levemente cansados e soltou um pequeno suspiro. Ele quis dizer “eu te avisei”, mas não verbalizou.
— Você quer dizer “eu te avisei”, não quer?
Como se tivesse adivinhado seus pensamentos, Vivian ergueu a cabeça e encarou Chase com raiva. Chase nada disse e disfarçou com uma risada superficial. Vivian franziu a testa em frustração, mas finalmente assentiu em reconhecimento.
— Tudo bem. Você estava certo.
Evan Prescott finalmente tinha conseguido. Ele fora preso no México por posse de itens proibidos e encarcerado em uma prisão local. Foi o suficiente para perder o favor de Albert.
Albert despachou imediatamente um advogado e gastou uma enorme quantia de dinheiro para tirar Evan de lá. Mas houve um preço. Ele foi absolutamente proibido de retornar aos Estados Unidos e não era mais um membro oficial da família Prescott.
O problema era que as estipulações do fundo fiduciário da família Prescott declaravam claramente que a elegibilidade ao fundo seria imediatamente revogada se alguém cometesse um crime que ficasse registrado.
No fim, Evan foi expulso da família Prescott com apenas um pequeno pagamento de consolação. Embora fosse dinheiro suficiente para comprar vários prédios no centro da cidade, não era nada comparado ao fundo fiduciário.
Simplesmente assim, o bilhete de Vivian para o castelo dos Prescott tinha voado para longe.
— Chase, você realmente não quer se casar comigo? Eu não vou exigir que você seja fiel. Você pode ter namoradas.
— Você quer tanto assim ser uma Prescott? Mesmo através de um casamento de fachada?
Vivian fungou e assentiu.
— Eu não posso fazer isso. Eu me apaixonei por alguém.
Diante das palavras de Chase, longe de ficar surpresa, Vivian bufou.
— Se você não quer, apenas diga. Não precisa mentir além de tudo.
Olhando para Vivian, Chase de repente se viu refletindo sobre seu passado. Era difícil acreditar que ele, que pensava que o amor não passava de uma ilusão, tivesse passado a gostar de alguém de todo o coração. A mudança era tão inacreditável para o próprio Chase quanto para qualquer outro.
Ao inclinar a cabeça para trás, ele viu a lua branca brilhando fria, porém silenciosamente. Ver aquela lua o lembrou de Jeong-in.
Uma pessoa que ilumina silenciosamente a escuridão com uma luz sutil, em vez de atrair a atenção de todos como o sol do meio-dia.
Uma pessoa que, de forma calma e gentil, traz claridade à escuridão de Chase Alexander Prescott que os outros não veem.
O primeiro amor de Chase era uma pessoa assim. Alguém que o fazia querer se tornar um homem melhor.
— Preciso te contar uma coisa, Vivian.
Educação Física Avançada era a única aula em que os jogadores de futebol americano com diferentes desempenhos acadêmicos compareciam juntos.
Hoje era uma aula de medicina esportiva sobre o tratamento de lesões e bandagens que poderiam ocorrer durante o exercício. Enquanto enrolavam faixas nos braços e pernas uns dos outros, Max Schneider de repente bateu palmas.
— Ah, é mesmo! Tenho uma grande novidade. Vocês ficaram sabendo?
Brian, conhecendo o hábito de Max de fazer alarde por nada, perguntou com indiferença:
— O que foi?
— Madison Wilkes fez um pedido de formatura.
— E daí? Hoje em dia, o que importa se é um garoto ou uma garota fazendo o pedido?
— O que importa é para quem foi. Dizem que foi para o Jay.
Chase, que estava perdido em pensamentos, levantou a cabeça abruptamente. Sua expressão distorceu-se imediatamente.
— O quê? Jay? O Jay que eu conheço? Você quer dizer o Jay Lim?
— Sim!
Jeong-in havia se tornado, de repente, o centro das atenções.
— Acho que aqueles óculos eram o problema, afinal. Por que ele sempre cobria o rosto?
— Eu entendo por que dizem que os asiáticos são misteriosos. O rosto dele é bastante intrigante.
— As garotas também estavam realmente interessadas.
A conclusão era que Jeong-in sem óculos era lindo. Chase sentia-se desconfortável com a continuação daquela conversa, mas o falatório sobre Jeong-in prosseguia.
— Ele parece ter uma personalidade legal também. Quieto, e não fica se exibindo por ser inteligente.
— Eu achava que todos os nerds eram sombrios. Fazendo rituais vodu esquisitos e coisas do tipo.
— Você tem assistido a filmes demais?
Chase ouvia a conversa deles sem dizer nada, mas estava bastante desagradado.
Aquela irritação estranha que sentia quando via Jeong-in parado ao lado de Darius em vez de ao lado dele, ou quando Jeong-in ia para casa no carro de Brian em vez de no seu. Agora ele conseguia entender a natureza daquela emoção.
Ele detestava que o olhar de Jeong-in caísse sobre outra pessoa e sentia-se incomodado ao vê-lo permanecer ao lado de outro alguém. As emoções que ele havia descartado como mero descontentamento ou despeito agora estavam claras. Ele queria Jeong-in só para si.
Ele sentia falta de ouvir a voz suave e articulada de Jeong-in ensinando matemática a Darius enquanto lia um livro, e de dirigir sob o céu noturno estrelado com ele no banco do passageiro de seu carro.
Chase recordou seu erro. Se ao menos tivesse percebido seus sentimentos um pouco mais cedo. Então ele não teria dito bobagens como “Então vamos namorar”, como se estivesse fazendo um favor a ele. A imagem de Jeong-in franzindo suas sobrancelhas delicadas e o expulsando não saía de sua mente.
Somente após voltar a si e levantar a cabeça, Chase percebeu que a aula havia terminado e todos estavam se levantando de seus assentos.
Naquele momento, Darius pegou sua mochila e disse com uma voz um tanto desanimada:
— Eu passo. E vocês, comam sem mim por enquanto. Eu preciso ir estudar.
— O quê? Estudar?
Darius Thompson estudando? Max riu como se tivesse ouvido a piada mais engraçada do mundo. Mas Thompson estava falando sério.
— Preciso ir para a biblioteca. Vou levar bronca do professor se eu me atrasar.
— Por professor, você quer dizer o Jay? — Max perguntou, fingindo limpar lágrimas dos cantos dos olhos.
Darius assentiu com uma expressão ainda séria.
— Ele diz que, se eu reprovar no meu teste, o mundo inteiro vai acabar.
— O quê?
— Primeiro eu vou fracassar, depois o Jay não vai conseguir a carta de recomendação dele e vai fracassar, então o mundo do futebol vai me perder e fracassar, e a indústria do esporte vai fracassar. Ele disse que as indústrias farmacêutica e médica fracassariam também, mas eu não entendo essa parte.
Chase observou Darius em silêncio. Apesar de ter quase o dobro do tamanho dele, Darius estava claramente com pressa, aparentemente aterrorizado.
Jeong-in vinha dando aulas de reforço de matemática para Darius sem perder uma única sessão.
Pensando bem, Jeong-in era firme e resoluto. Ele parecia ter uma visão clara do que realmente queria fazer e de como alcançá-lo.
Jeong-in tinha um plano e um destino claros na vida. Ao contrário dele mesmo, que não era capaz de partir nem de ficar, apenas flutuando no mesmo lugar, amarrado ao porto.
— Espero não levar muita bronca hoje…
O grupo caiu na gargalhada, achando engraçado que o grandalhão Darius estivesse intimidado pelo relativamente pequeno Jeong-in.
Chase levantou-se silenciosamente e posicionou-se ao lado de Darius.
— Eu vou com você.
Todos olharam para ele com rostos confusos. Darius também inclinou a cabeça com uma expressão que parecia perguntar: “Por quê?”.
— …Eu também tenho algumas dúvidas de matemática.
Darius assentiu casualmente, sem qualquer suspeita particular, e Chase ergueu os cantos da boca de forma desajeitada.
Alex Martinez olhou para Chase com uma expressão aparentemente perplexa. Ele sabia que Chase recebia tutoria de um professor famoso. Por que ele faria perguntas de matemática a um colega?
Além disso, ele vinha agindo de forma muito estranha ultimamente. Durante o treinamento, cometera tantos erros ridículos que, ontem, o quarterback reserva teve que substituí-lo.
De repente, ele se lembrou da conversa que teve com Chase durante o treino, alguns dias atrás. Era sobre o amigo de Chase, Nate, e sua paixão, Caitlin.
Alex pensou consigo mesmo inconscientemente: Nate e Caitlin. E… Chase e Jay Lim?
O comportamento gentil de Chase especificamente em relação a Jay, apesar de ser outro rapaz. Todo o desconforto que ele sentira em relação a Chase subitamente fez sentido. Os olhos de Alex se arregalaram em choque.
Enquanto caminhava em direção à biblioteca com Darius, o coração de Chase começou a bater rapidamente como se ele tivesse acabado de dar uma arrancada. Por que não havia percebido antes? Que aquela atração não era mero interesse, mas afeto.
— Olá, professor.
Darius cumprimentou Jeong-in, que já estava na sala de leitura da biblioteca.
Jeong-in, que tirava um sanduíche embrulhado de sua mochila, olhou para cima e franziu a testa ao descobrir os dois homens corpulentos entrando pela porta.
Diante daquela cena, Chase recordou uma memória de infância. Depois de se meter em problemas, Vivian sempre o levava para casa com ela. A mãe de Vivian, que valorizava as aparências, nunca dava bronca em Vivian quando Chase estava presente. Seguindo Darius agora, ele se sentia exatamente como Vivian naquela época. Usando Darius como um escudo para evitar ser repreendido.
— …Por que você está aqui, Prescott?
— Eu também tenho algumas dúvidas de matemática.
Felizmente, hoje era dia de aula de Estatística AP, e ele tinha alguns problemas que havia marcado para perguntar ao seu tutor.
— Eu pergunto depois que você terminar com o Thompson.
Talvez achando difícil recusar abertamente com Darius presente, Jeong-in assentiu com uma expressão descontente.
Chase fingia ler enquanto lançava olhares contínuos para Jeong-in. Dando uma mordida em seu sanduíche e deixando-o sobre o plástico, Jeong-in começou a explicar para Darius.
— Pense no eixo x como a sua força e no eixo y como a distância que a bola percorre. Se a sua força aumenta isso aqui, a distância que a bola percorre também vai aumentar, certo?
A voz de Jeong-in era suave, porém clara enquanto explicava, misturando comparações que Darius provavelmente entenderia, como futebol americano ou fatias de bolo. Darius parecia não ter dificuldade em compreender, assentindo e ouvindo atentamente as palavras de Jeong-in.
Uma vez que se tornou consciente disso, Jeong-in apareceu sob uma nova luz.
Jeong-in era, fundamentalmente, uma pessoa bondosa. Talvez fosse um traço herdado de sua mãe. Ela também parecia genuína e gentil. Quando os dois conversavam, pareciam apenas amigos próximos.
— …Prescott, você não disse que tinha dúvidas também?
Jeong-in, após dar a Darius mais alguns problemas para resolver, olhou para Chase com uma expressão e um tom de voz um pouco mais calmos.
Chase imediatamente tirou seu livro da mochila, como se estivesse esperando por isso.
O que ele havia marcado era um problema sobre análise de regressão em Estatística AP. Havia vestígios dele resolvendo até a metade antes de ficar travado.
— Eu parei aqui. Em certo ponto, eu já não sabia mais o que estava calculando.
Jeong-in verificou suas anotações e assentiu levemente, como se estivesse impressionado.
— Você resolveu até a equação de regressão. Como os valores previstos estão muito dispersos, você precisa de um intervalo de confiança.
Jeong-in continuou sua explicação, desenhando um pequeno gráfico abaixo de onde Chase estivera resolvendo o problema.
— O valor previsto é 45.3, mas há uma probabilidade de 95% de que o valor real de y esteja entre 47.5 e 53.2.
— Sim, está certo.
Chase entendeu rapidamente a explicação de Jeong-in e logo encontrou a solução.
— Para problemas como este, se você abordar com o entendimento de que a linha de regressão não é perfeita…
Mas sua concentração não durou muito. Olhando para os cílios baixos de Jeong-in, Chase pensou inconscientemente:
Como aqueles óculos quebraram a ponto de ainda não terem sido consertados? É por causa disso que as pessoas estão grudando nele agora que ele está sem óculos?
E a Madison Wilkes enlouqueceu? Quão bem ela conhece o Jay para fazer um pedido de formatura? Por que ela tem agido com tanta familiaridade desde antes? Como o Jeong-in respondeu? Ele deve ter recusado, certo? Porque o Jeong-in gosta de mim. Ele… gosta de mim?
— …então você precisa considerar a incerteza.
Com pensamentos beirando a ilusão, o olhar de Chase, que estivera vagando pelo rosto de Jeong-in, fixou-se em seus lábios em movimento. Seria porque o rosto dele era pálido? Seus lábios eram notavelmente vermelhos. Ele passou algo neles? Não parecia o tipo de pessoa que faria isso.
— Prescott?
— …Hein?
— Você entendeu?
— Sim.
Na realidade, ele não tinha entendido nada da última parte.
A essa altura, Chase estava pensando em qual seria o gosto daqueles lábios vermelhos.
Ele relembrou o beijo brincalhão de antes. A sensação surpreendentemente suave era a única coisa de que se lembrava com clareza.
— Vamos parar por aqui por hoje. Darius, você precisa fazer sua lição de casa.
— Sim, professor.
Enquanto a sessão na biblioteca se encerrava, Chase engoliu internamente seu arrependimento e decepção.
Ele deveria ter valorizado cada momento com Jeong-in. O primeiro beijo deles não deveria ter sido aquela brincadeira boba no vestiário. E ele havia arruinado tudo desde o início com aquela confissão insincera.
A autoaversão enterrou-se profundamente em seu peito.
Será que ele teria outra chance?
Depois de se certificar de que Darius foi o primeiro a sair da biblioteca, Chase bloqueou deliberadamente a porta, prendendo Jeong-in lá dentro.
Jeong-in olhou rapidamente ao redor. Até a bibliotecária tinha saído para o almoço; a sala de leitura estava vazia.
— Jay.
Jeong-in olhou para cima. Seu olhar silencioso era frio como gelo. Chase respirou fundo brevemente antes de falar.
— Você vem assistir ao jogo depois de amanhã?
Depois de amanhã era o jogo de caridade do time principal. Jeong-in balançou a cabeça calmamente.
— Preciso estudar para o SAT.
Chase fez a expressão mais piedosa que conseguiu arquitetar.
— O Snowball chorou a noite toda. Esta manhã, os olhos dele estavam todos inchados.
Jeong-in olhou para Chase como se não pudesse acreditar no que estava ouvindo. Mas Chase continuou seriamente:
— …Você não sente falta dele? Que mal aquela criança inocente fez para sofrer com a separação da família?
Jeong-in falou com uma voz calma e um suspiro profundo. Seu tom era como se tentasse convencê-lo com lógica.
— Prescott. Estou me esforçando muito para deixar você ir.
Os olhos de Chase tornaram-se desesperados enquanto ele tentava, de alguma forma, diminuir a distância entre ele e Jeong-in, mesmo com aquelas palavras transparentes. Mas Jeong-in parecia completamente alheio aos seus sentimentos.
— Mesmo que você não possa ajudar alguém que está lutando para desistir, pelo menos não torne as coisas mais difíceis.
— Não faça isso.
— …O quê?
— Por favor, não desista de mim.
Jeong-in encarou Chase em silêncio.
Havia sinceridade em sua voz. Tinha uma ressonância completamente diferente de suas palavras anteriores, que ele havia descartado casualmente como piadas sem graça.
— Por favor. Você tem muita paciência. O suficiente para não desistir da matemática do Darius.
Que tipo de psicologia era aquela?
Ele não quer me ter, mas não quer que ninguém mais me tenha? Jeong-in não pôde deixar de pensar cinicamente.
— Chase Prescott. Você realmente…
— Sou um caso perdido? Eu sei. Um caso perdido que percebeu os sentimentos tarde demais.
Jeong-in olhou para Chase como se perguntasse: “O que você quer dizer com isso?”.
Encontrando aqueles olhos límpidos e transparentes, Chase sentiu uma sensação de formigamento desconfortável, como se uma pena estivesse roçando sua garganta. Ele não conseguia mais suportar sem soltar a confissão que estava entalada.
— Eu gosto de você, Jay. Eu gosto de você.
Os olhos de Jeong-in se arregalaram. Como ele estava sem os óculos, Chase podia ver a surpresa preenchendo seu rosto pequeno. Mas sua expressão, momentaneamente abalada, logo voltou à calma habitual.
O que é isso agora?, Jeong-in pensou consigo mesmo. Seria uma extensão do “eu quero andar com você”? Ele ainda era incapaz de desapegar?
Jeong-in estabeleceu duas hipóteses em sua mente.
Hipótese A: Os sentimentos dele são sinceros.
Exteriormente, sua confissão parece bastante sincera. Mas o comportamento com Vivian que ele testemunhou na noite passada enfraquece a validade desta hipótese.
Hipótese B: Os sentimentos dele não são sinceros.
Isso sugere que ele pode simplesmente gostar de relacionamentos como um jogo de conquista, ou que está apenas testando sua reação.
Jeong-in organizou matematicamente as duas hipóteses. Ele calculou as probabilidades substituindo funções de confiabilidade e variáveis externas. O resultado favoreceu esmagadoramente a Hipótese B.
Na verdade, mesmo sem cálculos tão complexos, Jeong-in estava semiconvencido. O coração de Chase não seria o que ele pensava.
Sua existência poderia ter sido algo novo para ele. De raças diferentes a culturas diferentes, origens familiares distintas, resultando em uma personalidade diferente, além da descoberta do “livro da vergonha”.
Como ele estava prestes a perder essa novidade antes que ela desaparecesse, estava relutante em deixá-la ir. Alguém que tem tudo não estaria acostumado a perder ou abrir mão das coisas.
Mesmo que as palavras de afeto de Chase fossem sinceras, elas claramente teriam um peso diferente das dele. Para ele, foram anos de um amor unilateral, mas para Chase, poderia ser apenas um capricho passageiro. Poderia ser como uma brincadeira que seria rapidamente esquecida assim que sua curiosidade fosse satisfeita.
Jeong-in não queria ser deixado sozinho lidando com as consequências enquanto observava uma borboleta voar sem esforço de uma flor para outra. Algumas pessoas são perfeitas quando mantidas apenas como uma paixão platônica.
Além disso, apaixonar-se por alguém em um instante é algo que raramente acontece na realidade.
Tendo terminado de organizar seus pensamentos, Jeong-in disse calmamente:
— Ouvi dizer que Bellakov tem uma população total de cerca de 120.000 pessoas, e há cerca de 9.000 pessoas da nossa idade.
Chase não conseguia entender o que Jeong-in estava tentando dizer. Ele franziu levemente as sobrancelhas, esperando pelas próximas palavras.
— Estou dizendo que a probabilidade de eu gostar de você, Prescott, é de uma em 9.000.
Um pouco divertido, a sobrancelha de Chase arqueou-se. Ser alvo de afeição com uma probabilidade de uma em 9.000 não era algo desagradável de se ouvir.
No entanto, a conversa fluiu em uma direção que ele não antecipara.
— Mas como a probabilidade de você gostar de mim de volta também é de uma em 9.000, a probabilidade de gostarmos um do outro se torna uma em 81 milhões.
— …Por que isso?
Uma sensação de mau presságio de repente o invadiu. De alguma forma, a história de Jeong-in não parecia estar indo em uma direção positiva.
— Eu nunca depositei muita esperança em tais probabilidades, para começar.
Para Jeong-in, Chase Prescott era o objeto perfeito de uma paixão unilateral. Observar de longe, sozinho. Era a forma de relacionamento mais inofensiva e segura, sem possibilidade de se machucar.
Ele nunca sequer imaginara que passariam a gostar um do outro. Considerava que tal coisa não lhe era permitida.
Era lamentável que seus sentimentos tivessem sido descobertos, mas ele jurava que não queria nada mais.
— Estou dizendo que não fiquei muito decepcionado pelo fato de seus sentimentos não serem os mesmos que os meus. Eu não tenho tempo para isso… Então você não precisa demonstrar curiosidade ou piedade.
— …O quê?
Na frente de Jeong-in, ele sempre acabava repetindo perguntas estupidamente.
Chase estava sem palavras. Curiosidade? Piedade? As palavras de Jeong-in tinham um tom bastante cruel.
Para ele, essa emoção não era, de forma alguma, leve. Depois de perceber seus sentimentos com tanta dificuldade, o outro estava descartando-os como algo trivial e simples.
A voz de Chase baixou ainda mais, carregada de uma rouquidão que Jeong-in nunca tinha ouvido antes.
— Você não… acredita nos meus sentimentos?
— Estou dizendo que não faz sentido estatisticamente. E, de qualquer forma, você é…
Jeong-in deixou a frase morrer no ar. Mas Chase não deixou passar aquela hesitação sutil.
— E eu sou o quê? Por que você não termina o que estava dizendo?
— Você é… Chase Prescott.
O cara que é gentil com todo mundo, que se enturma casualmente com qualquer um. A pessoa que estava abraçando Vivian ontem à noite, que beija em festas, mas afirma nunca ter namorado. Chase Prescott, que era difícil demais e, simultaneamente, fácil demais.
— Encontre alguém que combine com você, Prescott.
Alguém adequado para o sobrenome Prescott. Certamente não seria um imigrante asiático de recursos modestos que, por acaso, era um colega de classe do mesmo sexo.
Jeong-in havia organizado seus pensamentos nos últimos dias. Realisticamente, ele não estava equipado para lidar com Chase. Não havia necessidade de se forçar para dentro de um quadro onde ele não pertencia.
Jeong-in ergueu lentamente a cabeça e encontrou os olhos de Chase. Ao ver o rosto dele, Jeong-in ficou um pouco surpreso.
Inesperadamente, Chase exibia uma expressão ferida.
Ele sentiu algo se agitar em um canto do coração, mas deliberadamente se controlou. Evitando o olhar dele, Jeong-in virou a cabeça e passou por ele, ignorando sua presença.
— Gatsby é uma pessoa pura que perseguiu verdadeiramente o amor, ou um personagem obcecado pelo reconhecimento dos outros e pela vaidade?
A última aula daquele dia era Composição de Inglês, que Chase e Jeong-in faziam juntos. O professor Davis olhou ao redor da sala enquanto propunha a questão. E chamou Jeong-in para responder primeiro.
Após pensar um pouco, Jeong-in respondeu:
— Gatsby parece alguém que não conseguia pensar por si mesmo. Ele desperdiçou a vida tentando atender aos padrões dos outros.
Alguns alunos assentiram diante da opinião de Jeong-in. Naquele momento, um sorriso superficial cruzou os lábios de Chase. Aquele sorriso pequeno e aparentemente debochado atraiu a atenção de todos.
As sobrancelhas de Jeong-in se franziram bruscamente enquanto sua voz afiada cortava o ar.
— Prescott, eu disse algo engraçado?
Chase deu de ombros casualmente e retrucou:
— Não. Eu só estava me perguntando se é seu hábito julgar e avaliar os outros de forma arbitrária.
Murmúrios se espalharam pela sala de aula. Chase era geralmente indiferente a todos de forma igual e não tratava ninguém visivelmente mal. Vê-lo falar de forma tão ríspida era uma cena bastante incomum.
Dado que o oponente era ninguém menos que Prescott, uma pessoa comum estaria completamente intimidada. Mas Jeong-in não era de recuar. Quando alguém o atacava, ele sentia que precisava retribuir em dobro ou triplo para se sentir satisfeito. Isso não era exceção, mesmo que o oponente fosse Chase Prescott.
— Sinto muito se minhas palavras o incomodaram. Mas as pessoas só se lembram de Gatsby por seus aspectos superficiais — seu nome, casa glamorosa, roupas caras. Você não está se identificando com Gatsby, está?
A sala de aula mergulhou no silêncio diante do contra-ataque feroz do nerd. O sorriso torto de Chase deu lugar a uma expressão gélida.
— Julgar alguém baseando-se apenas em seu exterior visível, através de seus próprios padrões medíocres? Isso me parece mais vulgar.
Os olhos de Jeong-in brilharam intensamente com a réplica de Chase. Ele contra-atacou sem um momento de hesitação.
— Pelo menos eu sou honesto. Mas, assim como Gatsby, não importa o quão esplendidamente você se vista, se não houver nada dentro, isso acabará sendo exposto. Não é mesmo, Rei Prescott?
A sala de aula ficou tão quieta como se tivessem jogado um balde de água gelada nela.
Havia muitas pessoas que o chamavam de “Rei Prescott” porque ele era sempre escolhido nos eventos de seleção de Rei da escola. Mas chamá-lo assim naquela situação era puramente um escárnio e uma provocação.
Nem o professor nem os alunos conseguiam dizer nada. Ninguém ousava tocar no ar tenso que fluía entre os dois.
Chase encarou Jeong-in com olhos ferozes. Seus olhos azuis ferventes eram como fogo e gelo. De qualquer forma, estava claro que tocá-los resultaria em queimaduras.
Ranger—
O som agudo de uma cadeira sendo arrastada ressoou pesadamente por toda a sala.
Chase levantou-se silenciosamente de seu assento. Todos olharam para ele, mas ele não prestou atenção enquanto atravessava a sala.
BUM— a porta se fechou atrás dele, e ninguém pôde impedi-lo de sair.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

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Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven

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