Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 06.2 Online

6. Todos temos esqueletos na alma (Tolstói) (Parte 2)
Tentou pensar racionalmente que, como ainda não tinha acontecido, eles podiam impedir, mas o plano de não só matar Cheriot como massacrar a família toda para encerrar o assunto era tão repugnante que Yurij ficou sem palavras. Ainda bem que Cheriot não tinha escutado essa história. Se tivesse escutado, com certeza se culparia pensando que foi por sua culpa. Os maus são os que cometem o crime, mas quem carrega a culpa são sempre as vítimas inocentes.
—Que tipo de pessoa alguém seria pra bolar um plano desses?
—O segundo ou o terceiro filho. Ou seja, um dos tios do Goodnight, mas eu não tenho certeza. Esses dois herdaram e administram juntos a empresa de investimentos dos pais, e o endereço IP do telefone pela internet usado para a encomenda saiu dessa empresa. Qualquer um que possa entrar e sair da empresa é suspeito.
—Como diabos você descobriu tudo isso, Aliocha?
Enquanto trabalhava na agência, Alexei tinha melhorado muito sua habilidade de descobrir essas coisas. Considerando que Heather muitas vezes o ajudava, provavelmente aprendeu com ela, mas para descobrir isso de fora, sem ser como Dolly, que protegeu a família por dentro, ele devia ter se infiltrado bastante.
—Depois de ajudar a sumir com o corpo do Samuel, eu descobri através do chefão intermediário em Vancouver. Embora eu seja bastante atraente, entre alfas existem limites de confiança, e ele não era idiota a ponto de dar informação importante a um matador que apareceu do nada.
No fim, significava que ele o tinha espionado às escondidas.
—Antes de mais nada, o telefone que você recuperou foi de grande ajuda. Sem as mensagens que tinha nele, eu não teria sabido o endereço da casa do chefe.
—Tinha o endereço da casa dele?
—Os caras que você neutralizou eram mercenários, mas pertenciam aos Guardiões do Inferno. Não eram contratados temporariamente, então havia várias mensagens recentes trocadas com o chefe.
Yurij, que vinha escutando em silêncio, perguntou sobre um ponto que lhe parecia estranho.
—Mas você não teria tido tempo de ir e voltar do Parque Nacional Yoho.
—Eu pedi pro Timac.
—Você está pagando ele, né?
Perguntou porque lhe parecia que, mesmo sendo amigo dele, ele abusava demais de Timac, mas Alexei deu de ombros como se fosse óbvio.
—Por quem você me toma, Yurij?
Decidiu conferir isso quando voltasse a Vancouver e visse Timac, e Yurij voltou ao ponto principal.
—Entendi o que você disse. Agora estou curioso sobre como você planeja impedir. Se você tem provas, não seria melhor passar em segredo pra polícia?
—Assim a gente não conseguiria pegar quem fez. Tem que colocar o culpado atrás das grades pra ele não fazer uma coisa dessas de novo. Quem é que contrata matador pra matar a própria família, Yurij? Até aquele desgraçado do Volkov não tocou no próprio sangue.
Depois de muito tempo, Alexei mencionou Igor Volkov. Yurij refletiu sobre todas as coisas que ele tinha feito e assentiu.
—Não dá pra comparar com os Volkov, mas é verdade que é um cara igualmente terrível.
—Por isso tem que pegar ele. Quem sobreviver lá porque se preparou de antemão será o culpado, e o meu plano é ir como parte da equipe de bufê da festa, ver como a situação se desenrola e pegar ele. Seria ótimo gravar a conversa no local, mas só de pegar em flagrante já aumentam as chances de conseguir provas.
—Se a gente deixar tudo seguir assim, os caras vão entrar na festa, Aliocha. Aí as pessoas vão se machucar.
—Eu acho que é aí que você pode ajudar.
—…Como?
Por mais Yurij que fosse, ele não conseguiria dar conta sozinho de vários matadores armados. Se lutasse disposto a morrer, talvez conseguisse, mas Alexei tinha ficado bravo dizendo que ele nem sonhasse em pensar em morrer.
—Você conheceu os dois seguranças do Cheriot? Um deles é policial aqui. A gente pode compartilhar o plano com ele de antemão, fazer a polícia se esconder e, no momento em que os caras chegarem, neutralizar eles.
Alexei tinha planejado tudo com bastante detalhe. Com certeza, se fizessem como ele dizia, poderiam pegar o culpado no local por um triz. Claro, como haveria muita gente, surgiriam variáveis incontroláveis, mas ele e Alexei poderiam lidar com elas de alguma forma na hora.
—Mas como você soube desses dois?
—Quando a ordem chegou, também entregaram informação. Para ser exato, foi atualizada ontem depois que o Cheriot chegou aos Estados Unidos. Uma mulher que parece ter uns cinquenta, um homem ruivo, e…
Alexei olhou para Yurij com olhos orgulhosos e lhe mostrou seu telefone.
—…um alfa extremamente perigoso de uns trinta e poucos.
Na tela do telefone aparecia borrada uma imagem de Yurij captada por câmera de segurança. «O que isso tem de orgulhoso?» Ele parecia se sentir satisfeito por lhe darem esse título.
—Parece que todos esses caras levaram uma bela surra da sua parte.
Ao voltar depois de muito tempo a um ambiente onde podia ser ele mesmo, Yurij já não precisava ser chamado de lixo ou desprezível. Que não houvesse problema em ser Yurij Kiselyov claramente lhe dava tranquilidade, mas ele não conseguia se orgulhar de sua periculosidade como Alexei fazia.
Simplesmente… era assim.
Nem o cigarro, nem a alegria de ver a pessoa que ele mais estimava, eram tão intensos quanto antes. Claro que o momento com Alexei sempre o tranquilizava, mas fora isso, ele não conseguia se sentir em seu lugar.
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Era evidente que a informação vazava de dentro, porque os detalhes pessoais dos dois seguranças de Cheriot estavam escritos com bastante detalhe. Benji, ou seja, Benjamin Fraser, era um policial de Boston de 38 anos, detetive da divisão de crimes graves. Cuidava principalmente de violência doméstica e tráfico de pessoas. Parecia que tinha chegado do Canadá quando criança, obtido a cidadania americana e vivido ali desde então.
O surpreendente era a informação sobre Dolly. Embora fosse mais breve que a de Benjamin, o conteúdo era muito mais interessante. Dorothy Hamilton (codinome), mestiça russa, ex-militar do exército americano, mas a unidade em que serviu não estava clara. Ao ler seu breve perfil, entendeu por que Dolly gostava de sobremesas russas.
Seu inglês era tão fluente e quase não tinha sotaque russo, como seu pai Vasili, então ele não tinha notado. Às vezes em Yurij também se notava a pronúncia dura em certas palavras, mas Dolly não tinha isso.
Não era ruim saber um pouco mais sobre as pessoas próximas de Cheriot, ainda que por meios ilegais. Alexei lhe disse para ir com ele amanhã à noite à festa. Hoje planejava ir à empresa de bufê para se informar sobre a festa de amanhã, então parecia estar ocupado.
Yurij, sentado na cama, olhou o papel com o número de Benji que Alexei tinha obtido ilegalmente e secou o cabelo. Depois de entrar no hotel mais barato que encontrou na cidade, tomou banho primeiro. Como o voo direto de Calgary a Boston só saía de madrugada, Yurij também, como o grupo de Cheriot, pegou um voo para Toronto e chegou ali com escala.
Depois de lavar a poeira, apalpou a atadura enrolada em seu braço. Comparado com o flanco, o ferimento não era profundo e parecia estar bastante curado. Como já fazia uma semana, era hora de trocar. Acariciando a atadura com uma mão relutante, sacudiu ligeiramente a cabeça e voltou à realidade.
Ao discar o número de Benji e apertar o botão de chamada, tocou o sinal. Não sabia se ele atenderia um número desconhecido. Se não atendesse, teria que contatar Cheriot e, ao pensar que poderia escutar sua voz por telefone, por um momento se sentiu muito emocionado, mas depois, ao pensar que era melhor que Cheriot não soubesse de nada, a emoção desnecessária se acalmou.
Felizmente, Benji atendeu.
[—Benji falando. Quem é?]
—Sou eu, Yurij.
Do outro lado da linha houve um breve silêncio. Depois de alguns segundos de silêncio, Yurij pensou que talvez ele tivesse desligado e olhou a tela do telefone. A ligação continuava conectada.
—Benjamin?
[—Como você conseguiu o meu número?]
Diferente de antes, quando atendeu como uma pessoa normal, Benji adotou um tom bem agressivo. Era uma situação surpreendente, o próprio Yurij admitia.
—Um amigo me deu. O amigo a quem o Cheriot foi pedir a encomenda inicial é meu amigo, embora eu não saiba se você ouviu falar.
[—Como esse cara soube o meu número?]
—Se ele sabe que você é da divisão de crimes graves da polícia de Boston, depois disso não é difícil.
Antes que Benji desligasse, Yurij foi ao ponto principal.
—Informação simples sobre você, sobre a Dolly e sobre mim foram espalhadas entre os caras que estão atrás da gente. Mas o importante não é isso, tem uma coisa que você precisa fazer.
[—Como assim vazaram a minha informação para uma organização criminosa e isso não é importante?]
Benji perguntou de volta como se lhe parecesse inacreditável.
—Como agora você é segurança do Cheriot, é melhor priorizar os assuntos dele. Ouvi dizer que amanhã tem uma festa de família na casa de veraneio da família Goodnight perto de Lexham Beach, está correto?
[—Você colocou um espião ou o quê?]
Como a informação que Alexei obteve era precisa, Benji desconfiou muito. «Ah, será que eles não sabem que tem um criminoso dentro da família?» Provavelmente só Dolly e a mãe de Cheriot sabiam.
—Se você perguntar à Dolly por que essa informação vazou, ela vai te dizer. Tem um infiltrado na família do Cheriot. Esse infiltrado planeja matar os familiares diretos que forem à festa amanhã.
[—Espera, espera.]
Benji ficou em silêncio um momento e depois disse a Yurij que tinha lhe enviado um endereço.
[—Vem pra cá. Isso não é coisa pra falar por telefone. Ah, droga. Por que a Dolly sempre me esconde as coisas?]
Depois de soltar sua reclamação contra Dolly, desligou primeiro. Nesse meio-tempo, ao checar o endereço que chegou, viu que era um bar no centro da cidade a quinze minutos de carro do hotel. Ao olhar fixamente o nome do lugar, Yurij abriu o navegador e procurou imagens. Era um bar de coquetéis que parecia elegante. Não era uma balada, mas parecia um lugar onde se podia conhecer gente facilmente.
…Isso significa que Cheriot também está lá.
Yurij olhou a imagem com o rosto inexpressivo e depois bloqueou o telefone. Pegando a chave do hotel e sua carteira, percebeu que já era hora de a farmácia fechar para comprar ataduras novas.
Enquanto olhava a atadura enrolada em seu braço, desenrolou-a lentamente com as mãos. Ao soltar a atadura bem enrolada, caiu uma gaze manchada de sangue. Como ele supôs, a laceração no antebraço já estava quase curada e tinha se formado uma casca. Como o ferimento não era profundo comparado com outros, talvez não deixasse cicatriz, mas sim uma marca.
Para ver se sentia bem o lado esquerdo, moveu do braço até a perna sem razão e determinou que não havia problema. Cobriu seu tronco, que não queria ver, com uma camiseta preta de manga curta. Vestiu também a jaqueta para cobrir até os braços e saiu do hotel. Não parecia vestido como alguém que fosse a um bar caro.
Uns vinte minutos depois de terminar a ligação, Yurij desceu do táxi. O endereço que Benji compartilhou ficava onde se cruzavam quatro prédios acabados em pedra marrom. Pessoas bem-vestidas passavam lentamente pela rua que escurecia, se roçando. Só Yurij, parado no meio, se vestia de maneira completamente diferente.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake