Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 05.9 Online

5. Medovik (Parte 9)
Beber o uísque foi um erro. Embora soubesse que o ferimento podia inflamar, cedeu ao impulso e durante a noite a febre subiu, e só cedeu de manhã. Apesar de ser pleno verão, ele tiritava de frio e ao acordar sentiu falta do calor que tinha sentido junto à cama nos últimos três dias.
Viu o quarto com apenas uma mesa. Yurij tinha acordado no seu próprio quarto, ou seja, o quarto de hóspedes, não o de Cheriot.
«…A que horas será que o Cheriot foi dormir?»
Como se o primo, que ele não via havia muito tempo, lhe desse tanta alegria, passaram um longo tempo lá fora. Enquanto Yurij esperava, Dolly sugeriu que ele fosse se deitar porque não estava com boa cor. Ela tinha razão. Para não incomodar Cheriot esperando desnecessariamente, Yurij se preparou para dormir, mas ao perceber que agora havia mais hóspedes na casa, ofereceu a Dolly o quarto de hóspedes.
Ela examinou a cintura de Yurij, enfaixada apertada, e o expulsou da sala dizendo para ele parar de falar bobagem e ir dormir. Embora o tivesse recusado com firmeza, parecia ter agido com certo calor. Chegou até a lhe entregar uma garrafa de água de dois litros dizendo que quem está ferido deve beber muito.
De qualquer modo, Yurij, empurrado para o quarto de hóspedes como se o isolassem, desmaiou pela fadiga acumulada. Foi o pior estado físico em quase três anos. A inflamação fez a febre subir e, talvez por não ter tomado o neutralizador, ele teve uma forte dor abdominal. Tiritando de calafrios e dor, mal chegou a manhã. Ao abrir os olhos na cama encharcada de suor frio, olhou para o vazio, aturdido, e depois baixou os pés lentamente da cama.
Queria se lavar. Tinha suado tanto que assim ficava incômodo até descansar.
Felizmente, só sofreu durante a madrugada; de manhã a dor abdominal e a febre tinham baixado um pouco. Com o pensamento de que às vezes parecia estar destroçado, mas em momentos como esses ainda funcionava, abriu a porta.
E ao abri-la, se surpreendeu ao ver Cheriot.
—…Cheriot?
Cheriot tinha trazido uma poltrona individual para diante da porta do quarto de Yurij e tinha adormecido ali encolhido. A cena inesperada o desconcertou, mas ao mesmo tempo lhe pareceu adorável, a ponto de lhe apertar o coração, como se ele tivesse adormecido esperando por ele. Ao chamá-lo em voz baixa, Cheriot esfregou os olhos e acordou. Depois de bocejar de leve, ao descobrir Yurij parado diante da porta aberta, levantou-se de um salto.
—Wolfie!
«Ah.»
Ao escutar o apelido carinhoso que ele usava para chamá-lo, Yurij esqueceu no instante a dor que tinha sentido a noite toda. Suas sobrancelhas negras e retas se arquearam suavemente. Yurij, fechando com suavidade os olhos azuis sob elas, respondeu a Cheriot.
—Sim.
—Você dormiu bem? Como está o ferimento? Ontem, quando eu entrei, você já estava dormindo, então não pude te acordar. Você tomou o neutralizador? Jantou?
Assim que a resposta —sim— saiu de seus lábios, as perguntas de Cheriot transbordaram. Enquanto olhava para o homem que não tirava os brilhantes olhos verdes dele nem por um segundo, os olhos de Yurij arderam de repente. Era porque tinha sentido saudade demais.
O que isso tem de especial?
Como podia sentir tanta falta de umas simples perguntas que qualquer um poderia fazer? Tinham passado mal um dia sem conversar direito, mas Yurij sentiu como se tivessem ficado separados por anos. Ele sabia. Era um exagero. Com certeza algum julgamento não racional tinha se interposto, fazendo-o sentir uma intimidade exagerada por um homem que conhecia havia apenas uma semana.
Depois de escutar Dolly e tentar recuperar a razão, Yurij organizou seus pensamentos antes de dormir ontem à noite. O problema devia ser que ele tinha tido contato físico com alguém depois de tanto tempo. Talvez tudo tivesse dado errado desde aquele beijo. Como se diz, quando a pessoa faz algo a que não está acostumada, surgem problemas. Talvez ele tivesse se enganado pensando que tinham se aproximado rapidamente porque fez, com gosto, coisas que o Yurij Kiselyov original jamais teria feito.
Forçando-se a repetir isso, encarou o dia…
—Yurij?
Ao ver o homem grande feito um cachorrinho que olhava para ele com a cabeça inclinada, sua garganta se fechou de novo. Será que tinha bebido água suficiente ontem? Ele a sentia seca e áspera.
—Por que você estava dormindo aí?
Finalmente limpando a voz, franziu os olhos e perguntou. A poltrona individual parecia pequena demais para conter Cheriot. Ao lembrar de sua figura encolhida e adormecida ali, sentiu-se incomodado.
—É que… eu queria te ver assim que você acordasse.
Talvez por ter dormido com a cabeça apoiada no sofá, o cabelo da nuca de Cheriot se levantava rebelde. Apertando essa área com a mão, Cheriot fez uma expressão sem jeito e disse aquilo. Como Yurij não dizia nada, Cheriot se aproximou mais e continuou explicando.
—Ontem eu esperei muito, mas quando o Wolfie chegou eu não pude fazer nada e fiquei com pena. Eu preparei macarrão pra comer com você e escolhi os meus melhores jogos pra gente ver junto tomando cerveja.
Só de escutar, soava muito divertido. Qualquer coisa que fizesse com Cheriot, mesmo que fosse só sentar juntos, seria muito agradável. Porque enquanto isso Cheriot continuaria dizendo coisas lindas e adoráveis sem parar. Seu coração, cheio de amor, tinha o talento de selecionar palavras espantosamente belas, e o coração de Yurij, ao contrário, vazio, tinha espaço para guardar cada palavra que ele lhe oferecia.
«De verdade, Cheriot.»
«Você é mais adorável que qualquer um.»
«Que apesar do que você viveu você consiga sorrir assim e dizer coisas que alegrem os outros, é isso que te faz mais bonito que qualquer um. Pelo menos no meu mundo vai ser assim.»
—Yurij, por que você não diz nada?
Como Yurij continuava calado, Cheriot parou de falar e o observou. Enquanto olhava fixamente as pupilas verdes cheias de preocupação, Yurij pensou vez após vez no que devia fazer.
«Provavelmente não é necessário afastá-lo. A Dolly não pediu tanto. Então, por mais que eu me arrependa e enlouqueça, se a gente se despedir hoje e cada um cuidar dos seus assuntos por um tempo, vamos poder nos ver de novo algum dia. Como o Cheriot disse, nós dois vivemos em Vancouver, então quando eu não estiver ocupado poderia perguntar se ele quer ler um livro comigo.»
«Mas será que tudo bem?»
«Será que a gente chegou a esse nível de relação?»
—Ontem…
Ao Yurij começar a falar, Cheriot sorriu radiante. O sorriso que ontem custava tanto ver hoje brotava sem que ele fizesse nada. Como Dolly disse, o sorriso de Cheriot parecia ser em parte um hábito. Ele tinha imaginado. Desde o primeiro momento em que o viu, ele sorria para todo mundo… sentir que ele sorria para si de forma especialmente linda devia ter sido um engano por não conhecê-lo bem.
—Você disse que eu podia ir na sua casa às vezes. Ou que você podia vir.
—Sim, é isso mesmo.
Como se ficasse feliz por ele ter lembrado, Cheriot sorriu com olhos afáveis.
—Eu posso?
—Claro que sim.
—Mesmo eu não sendo mais o seu segurança?
Diante das palavras de Yurij, Cheriot franziu os olhos um momento como se estivesse desconcertado, e depois, como se entendesse tarde, abriu um pouco os lábios.
—É verdade. Como o Benji e a Dolly já vieram…
Cheriot fez uma expressão sem jeito e baixou a cabeça um momento. Seguindo seu olhar, Yurij descobriu que a unha do dedão do pé dele estava com uma cor avermelhada, como se estivesse prestes a cair. Cheriot também estava vendo aquilo.
—O nosso contrato terminou.
Murmurando isso, Cheriot se inclinou lentamente e estendeu a mão em direção ao peito do pé de Yurij. Yurij não gostava que ele tocasse aquela parte suja, então retirou o pé. Cheriot olhou para o pé que fugia, endireitou-se lentamente e murmurou para si:
—Até ontem de manhã a unha estava quase curada.
No instante em que escutou aquele pequeno sussurro, os acontecimentos dos últimos três dias passaram por sua mente e ele sentiu uma loucura incontrolável. A respiração faltou, o peito deu um pulo e um desejo ardente de não se separar de Cheriot se ergueu. Sentindo que por um momento sua razão se nublava, Yurij acabou fazendo a pergunta que nunca deveria ter formulado.
—Então, o que eu serei pra você quando eu chegar na sua casa com um livro?
O olhar que observava a unha se dirigiu lentamente ao rosto de Yurij. Cheriot piscou com seus olhos verdes como alguém que escuta uma pergunta repentina e o observou fixamente.
—Você, que disse que viria me procurar quando o trabalho terminasse, o que quer ser?
A pergunta que teria sido melhor esconder no coração e nunca fazer se materializou. Mas Yurij, através disso, queria, por favor, encontrar qualquer tipo de evidência.
Uma prova de que Cheriot e ele não acabariam sendo uma relação passageira.
Tinha ouvido dizer que uma noite de verão é, por natureza, a mais angustiante e amarga bem antes de se voltar à realidade. Talvez justamente por isso, Yurij se sentia terrivelmente deprimido pelo fato de se separar dele e voltar a Vancouver para repetir a mesma rotina diária. E também não tinha nenhuma certeza de se Cheriot poderia realmente estar seguro num lugar onde ele não pudesse vê-lo, e depois voltar a Vancouver.
Embora pensasse que quem o tinha protegido por tanto tempo certamente cuidaria bem dele… assaltava-o a dúvida de se conseguiriam protegê-lo como ele faria.
Empurrado por todas essas dúvidas e pelo desejo de confirmação, Yurij cometeu um erro. Assim que terminou de falar, percebeu que tinha tomado uma decisão estúpida.
Cheriot não disse nada.
Em vez disso, seu rosto bonito, que até pouco antes transbordava de coisas a dizer, se ensombreceu lentamente. Uma expressão de perplexidade cruzou seus olhos verdes. Seus lábios rosados se fecharam firmemente pela confusão.
«…Entendi.»
Foi uma pergunta que ele não devia ter feito.
Seu coração ficou pesado como se estivesse enterrado em lama. Assim que cedeu ao impulso estúpido e ousou tocar no que não devia, a paisagem brilhante desapareceu. Como uma miragem.
Se tivesse ignorado e deixado passar, provavelmente teriam podido continuar agindo como se fossem amantes, mas ao questionar sua relação, Cheriot agora tinha que esclarecer.
—…Eu… gosto muito de você, Yurij. Mas como agora você também sabe… por causa do fundo fiduciário, eu nunca tive um relacionamento sério com ninguém. Como eu te disse, o fundo é o legado do meu pai, algo muito importante pra mim…
Como se não soubesse como continuar, o semblante de Cheriot empalideceu. Enquanto observava seu rosto angustiado sem saber o que fazer, o coração de Yurij afundou profundamente, cada vez mais.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake