Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 31 Online

↫─Capítulo 31
So Gi-hyeon era um homem que raramente sonhava.
— Sonhos são incômodos? Então apenas decida não tê-los. Vamos praticar juntos a partir de hoje?
Os sonhos que ele tinha quando criança o atormentavam muito depois do amanhecer. Enquanto as crianças em crescimento costumavam sonhar que caíam de grandes alturas no meio da noite, os sonhos do jovem Gi-hyeon beiravam puros pesadelos.
— Gi-hyeon está fazendo uma promessa a Gi-hyeon. Uma promessa de não sonhar mais.
Sua mãe havia falado de forma tão despreocupada com o menino que havia sofrido por uma noite de terrores. Ela possuía um talento único para condensar cada problema, reduzindo seu peso até que fosse mais insignificante do que um cisco de poeira. Sempre que qualquer coisa passava por suas mãos, até as crises mais graves se transformavam magicamente em assuntos triviais.
Como diabos isso era possível para ela? Gi-hyeon sempre se perguntava.
A parte mais surpreendente foi que, depois que ela disse aquelas palavras, a frequência dos sonhos de Gi-hyeon diminuiu drasticamente. Era como se aquela promessa para si mesmo realmente tivesse funcionado.
Por causa disso, Gi-hyeon percebeu que fazia muito tempo desde a última vez que teve um sonho como esse.
O sol escaldante batia implacavelmente de cima. — Jovem Mestre, por favor, venha para dentro e converse —, a governanta havia implorado, chamando por eles. Mas quando Yeon-oh se recusou a responder, ela acabou correndo para longe em uma ansiedade inquieta.
Sentindo-se culpado por ignorar inadvertidamente as palavras de um adulto, Gi-hyeon continuou olhando na direção dela. Os olhos pálidos e levemente pigmentados de Yeon-oh, no entanto, permaneceram fixos inteiramente em Gi-hyeon. Como resultado, apesar do suor escorrendo pelo rosto, Gi-hyeon não teve escolha a não ser ficar no jardim e encarar o garoto de volta.
— Como diabos isso faz algum sentido?
Yeon-oh cuspiu um xingamento doloroso demais para uma criança. Até agora, a mira dessas profanidades nunca havia sido apontada para So Gi-hyeon, mas hoje era claramente uma exceção.
Foi levemente chocante. Ele nunca esperou que o garoto direcionasse uma hostilidade tão crua a ele. Afinal, So Gi-hyeon era alguém que pertencia firmemente ao círculo de Jo Yeon-oh.
Era um destino decidido no momento em que nasceram. Ao nascer, Gi-hyeon havia herdado o nariz de ponte alta de seu pai e as feições delicadas de sua mãe. Mas havia outro presente. A qualificação inerente para entrar nos limites de seu amigo de infância, Yeon-oh, havia sido naturalmente concedida a ele. No entanto, hoje, esse mesmo círculo o estava expulsando violentamente.
Mesmo assim, Gi-hyeon não conseguiu se conter para exigir uma explicação. Mesmo através de seus olhos jovens, a fisionomia de Yeon-oh parecia assustadoramente severa.
Mais baixo que Gi-hyeon, Yeon-oh exibia uma expressão fria em um rosto que lembrava uma boneca de porcelana pálida. Normalmente, suas feições adoráveis o faziam parecer tão frágil que Gi-hyeon sentia constantemente a necessidade de cuidar dele como um irmão mais novo. Mas agora, tudo estava diferente. Congelado pelo choque e consumido pela raiva, Jo Yeon-oh estava mostrando um rosto que Gi-hyeon nunca tinha visto antes.
Ainda assim, Gi-hyeon não pôde deixar de se preocupar com ele. Era a primeira vez que Yeon-oh o xingava, mas isso não significava que So Gi-hyeon não era mais seu amigo.
— Você está… doente em algum lugar?
Gi-hyeon estava simplesmente ansioso por seu amigo. O rosto do garoto, já branco como farinha, havia perdido completamente o sangue, fazendo parecer que ele desabaria a qualquer segundo.
— De que porra você está falando?
Sua respiração havia se tornado incrivelmente irregular. Gi-hyeon só estendeu a mão porque arfar daquele jeito não era normal, mas antes que sua mão pudesse alcançá-lo, Yeon-oh se esquivou violentamente. Completamente despreparado para a rejeição, Gi-hyeon puxou a mão estendida de volta pelo ar vazio. Ouvir o bastardo xingá-lo pela segunda vez deixou sua mente totalmente dormente.
Ele queria oferecer algum tipo de desculpa, mas não era fácil. Ele tinha uma vaga suspeita do motivo de Yeon-oh estar tão furioso com ele. Nos últimos dias, Gi-hyeon havia sido estritamente proibido de visitar Yeon-oh. Esta era essencialmente a primeira vez que se viam desde o funeral de sua mãe.
No salão funerário, segurando um Gi-hyeon que havia soluçado até ficar à beira de desmaiar, Jo Yeon-oh não chorou, embora seus olhos estivessem injetados de sangue. Incapaz de encontrar as palavras para confortar um amigo que havia perdido a mãe em uma idade tão devastadoramente jovem, seus olhos estavam cheios de ressentimento em relação à sua própria impotência, odiando que tudo o que podia fazer era segurá-lo.
Esta era a primeira vez desde então. Desde o momento em que os procedimentos do funeral foram concluídos até seu pai começar a se preparar para a mudança, Gi-hyeon não pôde procurar o garoto que havia tratado como um irmão desde a infância. Mesmo que Yeon-oh tivesse implorado aos adultos de sua família para deixá-lo visitar Gi-hyeon, o resultado teria sido, sem dúvida, o mesmo.
Talvez fosse por isso que, quando Gi-hyeon finalmente conseguiu apertar a campainha e esperou em silêncio, Yeon-oh saiu correndo de casa com uma expressão de pura e avassaladora alegria. Por causa dessa reação inicial, Gi-hyeon foi inteiramente pego de surpresa por essa raiva repentina.
— Meu pai disse… que eu não poderei mais vir ver você, então eu deveria vir me despedir…
Os dois garotos, que viveram como irmãos apenas para serem abruptamente separados, ficaram sob o sol escaldante. Incapaz de dar um passo sob a sombra do teto de Yeon-oh, Gi-hyeon foi forçado a explicar a situação do canto do jardim. Mas toda a postura de Yeon-oh gritava que ele se recusava absolutamente a entender.
— Então o que diabos isso significa?
O garoto o encarou com tanta ferocidade que Gi-hyeon engoliu completamente as palavras que havia preparado. Ele não podia dizer: “Então vamos nos falar muito por telefone a partir de agora. Meu pai disse que vai me comprar um celular de qualquer maneira. Ele disse que posso enviar cerca de dez mensagens por dia. Vou economizar minha mesada e vir ver você durante as férias”. As desculpas que ele havia ensaiado meticulosamente durante todo o caminho até aqui se tornaram totalmente inúteis em um instante.
— E você simplesmente disse sim para isso?
— Ahn…?
— Eu perguntei se você concordou com essa merda totalmente fodida.
Gi-hyeon deu um leve aceno de cabeça. Mas ele imediatamente percebeu que era a resposta errada. Sem mais uma palavra, Yeon-oh virou as costas e marchou de volta para dentro de casa. Assustado, Gi-hyeon chamou por ele.
— Jo Yeon-oh!
— Nunca mais fale comigo.
Baque! A porta da frente se fechou violentamente. Foi a primeira vez que Gi-hyeon foi expulso do jardim sem sequer pisar dentro da casa de Jo Yeon-oh.
Gi-hyeon ficou lá até o sol se pôr naquele dia, mas a porta da frente nunca mais se abriu.
Arf!
Gi-hyeon abriu os olhos abruptamente, um calor abrasador queimando seu corpo inteiro. No momento em que percebeu que havia acordado na realidade, o sonho evaporou sem esforço. Apesar de quão vívidas as emoções e o sol escaldante daquele dia tivessem parecido segundos atrás, tudo desapareceu rápido demais.
— Ah…
Ele podia sentir algo dando terrivelmente errado com seu corpo. O aroma de rum misturado com baunilha emanava de algum lugar. Ele não sabia como descrever de outra forma; se forçado a colocar em palavras, era exatamente o cheiro daquilo. Era uma fragrância que Gi-hyeon nunca havia encontrado antes em sua vida. Respirando aquele aroma doce envolto no toque forte de álcool, ele percebeu que seu corpo inteiro estava subindo com uma febre violenta.
— O que é…
Seu estado físico estava mudando a cada segundo. Era totalmente perturbador. O pânico puro era tão imenso que ele não conseguia sequer registrar onde estava. Havia apenas a percepção vaga e horripilante de que algo estava acontecendo com seu corpo, e ele estava completamente impotente para controlar.
Ele não podia ficar assim. Ele tinha que fazer alguma coisa. Um pressentimento desesperado gritava para ele agir — significasse ligar para a recepção pedindo redutores de febre para acalmar essa temperatura anormal ou entrar em contato com o Gerente Yoo para arrastá-lo para a sala de emergência.
— Urgh.
Conseguindo se arrastar para fora da cama, seus joelhos cederam instantaneamente, falhando completamente em suportar seu peso. À medida que os músculos nos quais confiava para ficar de pé se dissolviam em gelatina, Gi-hyeon balançou violentamente, quase derrubando a luminária na mesa de cabeceira. Nunca tendo experimentado nada parecido, ele desabou no chão, piscando fixamente em um torpor. Mas um segundo após cair, um choque visceral o sacudiu, forçando seus quadris a se erguerem do chão.
— Que porra é…
Algo que havia encharcado sua cueca e shorts de algodão foi deixado para trás em um círculo perfeito bem onde ele acabou de se sentar. Assustado, ele esfregou com os dedos; era escorregadio, molhado e completamente transparente. O aroma potente de rum com baunilha flutuava diretamente dali. Justo quando parecia avassaladoramente doce, um toque forte atingiu seus sentidos, e no momento em que a fragrância pareceu picante demais, ela imediatamente se suavizou em algo loucamente macio.
A princípio, ele realmente acreditou que havia derramado sabonete líquido. Ele se convenceu de que devia ter derrubado acidentalmente uma das amenidades do banheiro em suas calças, adormecido sem perceber e acordado com aquela bagunça.
— Ah!
Mas não era isso. Algo espesso e escorregadio deslizou por entre suas nádegas. Hororizado, Gi-hyeon praticamente rastejou com as mãos e os joelhos, tentando desesperadamente fugir de sua própria poça. Ele não conseguiu dar nem alguns passos antes que a parte superior de seu corpo desabasse contra o chão, sua bochecha pressionando contra a textura áspera do carpete do quarto.
E então, aconteceu. Um bipe eletrônico agudo ecoou pela suíte antes de alguém escancarar a porta. Havia apenas uma pessoa que entraria de forma tão agressiva. Se tivesse sido o Gerente Yoo, ele teria tocado a campainha.
— Jo… Jo Yeon-oh… é você?
Totalmente ciente de quão pateticamente sua voz estava tremendo, Gi-hyeon chamou. Mas a pessoa que havia entrado no quarto não disse absolutamente nada. Ele apenas ficou lá, mortalmente imóvel, aparentemente encarando Gi-hyeon diretamente. Como sombras pesadas obscureciam seu rosto, Gi-hyeon não conseguia ler sua expressão, mas o peso daquele olhar travando nele era inegável.
Apesar da distância considerável entre a porta da frente e o chão do quarto onde Gi-hyeon estava, uma pressão esmagadora e sufocante o atingiu, interrompendo sua respiração por completo.
Era uma sensação que Gi-hyeon nunca havia sentido antes em sua vida. Visão, audição, tato, paladar, olfato — nenhum sentido humano poderia descrever com precisão. Era literalmente um aroma sentido através da pele. Uma fragrância idêntica à pressão física que esmagava seus ossos.
Parecia que ele havia pisado sob os galhos de uma árvore de flores exóticas em plena floração, apenas para ser violentamente esmagado sob o peso de dezenas de milhares de pétalas. Arfando em busca de ar, Gi-hyeon mal conseguiu levantar a cabeça de sua postura desabada para olhar para frente.
Onde eu já senti esse cheiro antes? Ele tateou através de suas memórias confusas. Embora nenhuma imagem específica viesse à mente, um nome escapou por seus lábios sem um pingo de hesitação.
— Jo Yeon-oh…
— …
Parado ali estava Jo Yeon-oh diante de So Gi-hyeon. Mas pela primeira vez em sua vida, Gi-hyeon sentiu uma sensação inteiramente assustadora irradiando do homem. Este não era o amigo de infância com quem ele havia crescido, o objeto de seu amor não correspondido ou seu amante. Era uma presença esmagadoramente estranha e feroz que desafiava todos esses títulos familiares.
— Urgh!
Uma breve onda de náusea surgiu em sua garganta.
Simultaneamente, suas coxas começaram a tremer violentamente. Isso não era algum espasmo muscular por ter se esforçado demais surfando mais cedo. Bem no fundo, uma sensação pesada e dolorida floresceu, acompanhada por uma coceira enlouquecedora.
Gi-hyeon queria desesperadamente submergir em uma banheira de água gelada. Ele sentia que enlouqueceria se não fizesse isso. A fronteira entre a racionalidade e o instinto puro estava se deteriorando rapidamente. Seu próprio corpo agora exalava ativamente o cheiro de um xarope espesso fervido de rum e baunilha. Com o toque alcoólico forte completamente queimado, a doçura suave e enjoativa restante transformou o próprio ar do quarto em uma névoa pegajosa e sufocante.
Mas o aroma do outro homem era igualmente devastador. Os feromônios de Jo Yeon-oh explodiram com o cheiro de flores exóticas desabrochando de forma tão agressiva que poderiam explodir. Era um aroma estonteante, sufocante, do tipo que você só sentiria estando diretamente sob um galho pesado com milhares, dezenas de flores.
Era apenas o cheiro de flores, mas esmagava fisicamente So Gi-hyeon. Ele só conseguia soltar suspiros quebrados e sufocados. Era a intimidação absoluta e dominante que Jo Yeon-oh estava projetando como um Alfa pela primeira vez. Os feromônios se agarravam à sua pele como um peso físico. Sem sequer entender o que estava acontecendo com ele, Gi-hyeon gemeu impotente.
Lá no fundo, incrivelmente no fundo dele, um calor escaldante começou a ferver. Afogando-se naquela febre, o primeiro pensamento que perfurou a mente de So Gi-hyeon foi puro instinto: Corra.
Correr de quê? Não de Jo Yeon-oh. De si mesmo. So Gi-hyeon sabia que tinha que fugir de seu próprio corpo. A percepção aterrorizante de que se ficasse ali, ele não tinha absolutamente nenhuma ideia do que poderia fazer ao agarrar Jo Yeon-oh consumiu completamente sua mente.
Tateando cegamente a estrutura da cama para se levantar, uma nova onda de líquido deslizou por suas coxas. A fricção escorregadia e molhada entre suas nádegas era inconfundível. Parecia exatamente com quando uma substância desconhecida havia derramado sobre ele no restaurante que visitou com Cheol-jin. Reagindo inteiramente à sensação, seu olhar se voltou automaticamente para sua metade inferior.
Mas ele não tinha tempo para ficar parado ali olhando entre as pernas. So Gi-hyeon tentou desesperadamente sair do quarto. Ele absolutamente não podia deixar Jo Yeon-oh pegá-lo assim. Se o bastardo o visse nesse estado repulsivo, algo vital dentro de Gi-hyeon poderia se despedaçar permanentemente.
Ele estava operando puramente com base naquele terror absoluto, completamente ignorante do que seu corpo estava realmente passando. Cambaleando para ficar de pé, Gi-hyeon deu uma ampla volta em torno de Yeon-oh, correndo desesperadamente em direção à porta do quarto.
— Eu… não estou me sentindo bem hoje. Eu peguei… um resfriado. Então eu vou dormir sozinho…
Ele tentou passar pelo homem antes mesmo de conseguir terminar a frase. E ele poderia ter conseguido, se Jo Yeon-oh não tivesse agarrado seu pulso cruelmente.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.