Ler Amber Alert (Novel) – Capítulo 4.2 Online

Capítulo 4.2 – Reunião
O Aeroporto O’Hare de Chicago era sempre um porre, não importava quantas vezes Tennessee viesse. O interior do edifício era todo em um tom de branco manchado, os corredores se estendiam indefinidamente e as pessoas se moviam apressadas em grupos, ocasionalmente esbarrando no ombro de Tennessee. Ele ouvia pedidos de desculpas, mas ouvi-los após três dias sem dormir era irritante.
Na vasta terra da América, Tennessee havia escolhido Chicago. A sede de uma corporação multinacional de segurança, uma das cinco maiores empresas de segurança, ficava localizada ali.
A conexão havia sido feita em Teerã. Um homem que se apresentou como líder da equipe apertou sua mão e o cumprimentou. Suas primeiras palavras foram:
— Você deve ser aquele Tennessee.
Eles demonstraram grande interesse no histórico incomum de Tennessee.
— Espero que você veja isso positivamente.
O homem lhe entregou um cartão de visitas. Na época, Tennessee não sentia necessidade de romper os laços com o FBI. O ambiente não era particularmente hostil. Os subsídios eram pagos regularmente e, ao contrário do exército, um certo grau de autonomia era garantido.
Quando Tennessee era enviado para missões, havia muitos superiores estúpidos. Eles ordenavam que ele se movesse sem saber de nada, e eram todos obstinados, causando-lhe irritação diária. Não era incomum que ele sentisse o impulso de estourar as cabeças estúpidas deles.
Havia um sistema em vigor, fosse no exército ou no FBI, mas pelo menos o FBI era razoável. Apesar disso, Tennessee acabou se demitindo porque estava cansado e de saco cheio.
A insônia piorou enquanto ele ponderava sobre o dia sob o céu escuro da noite. O cheiro de cigarro permanecia entre seus dedos.
A partir do momento em que se coloca uma bala na testa de uma criança e se pensa “peguei” em vez de “droga”, a pessoa começa a se sentir estranhamente perdido.
Mesmo durante suas missões, crianças e mulheres eram frequentemente usadas como armas. Havia menos vigilância em relação a crianças e mulheres em comparação com homens adultos, e suas roupas largas facilitavam a ocultação de armas.
Naquela época, a linha entre o bem e o mal era bem clara no Tennessee. Mas e se, em um momento em que não se atira imediatamente, pode haver muitas baixas entre as forças amigas, e não se consegue determinar com certeza se o que eles têm nos braços é uma bomba ou um Alcorão?
Ele acreditava que só havia matado pessoas com malícia. Mas, a certa altura, ele já não conseguia ter certeza. Os olhos das pessoas são tão inocentes, e seus corações ainda mais. E se ele acreditasse ter visto os fios de um dispositivo explosivo improvisado, mas não fosse isso?
Depois que o número de pessoas que ele matou passou dos três dígitos, Tennessee parou de examinar os corpos. Ele não tinha coragem de revirar os pertences delas para ver se era um Alcorão ou um dispositivo explosivo improvisado. Se mesmo um único erro fosse descoberto, todos os seus valores e crenças seriam abalados.
Ele estava calmo, mas achava que poderia enlouquecer a qualquer momento. Ele se sentia como se estivesse no olho de um furacão. Estava calmo, mas claramente havia uma tempestade rugindo ao seu redor, varrendo tudo. Foi ainda mais forte depois que ele ouviu o som de balas inexistentes.
Depois de retornar aos Estados Unidos, o passado, que havia desaparecido, foi revivido conforme ele se envolvia com o FBI. Ele se tornou ainda mais forte, crescendo em tamanho e rugindo.
No passado, a maioria das suas mortes era causada por balas. Ele ocasionalmente sujava as mãos, mas a maioria era por balas. Tennessee conseguia se distanciar pela lacuna entre o cano da arma e o cadáver. Ele não agarrava todas aquelas pessoas uma por uma e enfiava uma faca em seus pescoços relutantes.
Mas o trabalho do FBI era diferente. A arma servia metade para autodefesa.
Quando Kaylen perguntou por que ele estava pensando em pedir demissão e ele deu sua resposta, Kaylen retrucou:
— Não é como se você estivesse apenas esfaqueando eles uma ou duas vezes.
Tennessee acenou com a cabeça.
— Você está certa.
Ele apagou o cigarro, que já estava queimando até o fim do filtro.
— Não há muita diferença entre uma arma e uma faca. Isso não me faz sentir mais ou menos culpado.
É apenas uma diferença de sensação. Lavar as mãos manchadas de sangue, a pequena inconveniência das manchas de sangue presas debaixo das unhas que são difíceis de remover.
— Mas me irrita o fato de eu não conhecer as pessoas que estou matando.
Trabalhando com o FBI, Tennessee se lembrou do motivo pelo qual havia deixado o exército.
— Eu tenho que largar esse emprego. Me irrita o fato de minhas mãos estarem ficando ensanguentadas, mas eu não sei por que tenho que sujá-las de sangue.
Kaylen estava certa quando lhe ofereceu o emprego pela primeira vez. Isso era segurança. Se é que cortar as sementes do perigo antes que elas apareçam pode ser chamado de segurança.
— Você tem algum lugar em mente?
— Fui contatado por alguém.
Tennessee agora queria fazer um trabalho adequado. Se ele tivesse que sujar as mãos de sangue, ele queria ter aquela justificativa firme. Ele queria tornar alguém limpo ao se sujar. Era uma emoção que ele nunca teria percebido se não tivesse sido por Amber.
Então Tennessee veio para Chicago. Depois de se ajustar ao fuso horário e terminar seu trabalho, ele planejava ir para Michigan para ver o garoto.
Mas os planos de Tennessee foram frustrados em apenas um dia. Por causa de alguém parado bem na frente dele quando ele atendeu à batida na porta.
— ……Amber?
— Tennessee.
Realmente era Amber. Dois palmos mais alto.
Se Tennessee tivesse demorado mais alguns anos, ele talvez não tivesse reconhecido Amber. Foi uma mudança que o fez pensar que ainda bem que o viu antes disso. A atmosfera de Amber também desempenhou um papel para que Tennessee não o reconhecesse imediatamente.
Amber costumava usar uma infelicidade crônica, resignação e pessimismo em relação a isso como se fossem medalhas. Mesmo naquela idade jovem, ele era uma criança acostumado a olhar para a sua situação com um olhar cínico.
Não, a palavra criança já não combinava mais com Amber.
— ……Como você descobriu que eu estava aqui?
— É só isso que você tem a me dizer?
Qualquer um podia ver que Amber estava com raiva. Mas ele não parecia tão desesperado quanto costumava ser, incapaz de controlar sua raiva. Amber estava calmamente zangado, e só isso fez Tennessee perceber o quanto ele havia crescido.
— ……Por que você não me contou?
Tennessee esfregou as têmporas por causa de sua dor de cabeça latejante. Ele ainda não tinha contado a Amber que havia retornado para casa, e nunca havia revelado o endereço onde estava hospedado, então não esperava que ele aparecesse de repente.
— Você disse que voltaria em dois anos, mas não veio por mais de três anos, então por que não me contou……?
Os olhos de Tennessee caíram sobre as roupas simples de Amber bem no momento em que ele ia abrir a boca. Ele nem sequer tinha roupas adequadas, muito menos bagagem. Nesta estação, com este clima, a esta hora tardia, ele nem sequer usava um casaco apropriado.
— Você, como chegou aqui?
— Isso é importante agora?
— Você veio dirigindo? O David e a Elizabeth estão com você?
Era uma viagem de pelo menos quatro horas de carro de Michigan, onde Amber morava, até Chicago. Além disso, Amber ainda tinha 15 anos, então havia muitas restrições para dirigir. Um responsável tinha que estar presente durante a condução, e ele não tinha permissão para dirigir depois de um determinado horário.
Amber engoliu as palavras, como se estivesse ciente de que havia feito algo errado.
— ……Eles estão em casa.
— Você dirigiu até aqui sozinho? De Michigan para Chicago?
— ……Eu queria muito falar com você pessoalmente. Me desculpe se te incomodei.
— Esse não é o ponto.
Tennessee esfregou os olhos, que estavam rígidos por não dormir há muito tempo. Depois de alguns dias de privação de sono, seu cérebro estava desacelerando pouco a pouco.
— Você veio apenas com as mãos vazias e a chave do carro?
— Eu trouxe dinheiro vivo, por precaução.
Amber tirou do bolso várias notas de vinte dólares e algumas moedas de um quarto de dólar.
— Então você simplesmente veio para cá a esta hora da noite…….
Ele conseguia se sentir ficando cada vez mais irritado. Era em parte porque não dormia há muito tempo, e em parte porque Amber não parecia ter considerado como ele se sentiria se se machucasse.
— Que estupidez…! E se você tivesse encontrado um assaltante?
Mas Amber, que ele pensava que hesitaria, tirou outra coisa do bolso.
— Eu trouxe uma arma…….
— Uma arma? De quem é?
— Do David…….
Tennessee franziu a testa. Ele não gostava do fato de sua reunião depois de quase três anos estar tão manchada, mas de repente ele tinha muitos telefonemas para fazer.
— Você me disse para levar tudo se eu quisesse fugir.
— Isso era sobre mim.
Mesmo assim, ele não esperava que ele roubasse o dinheiro e a arma dos pais adotivos e viesse até Chicago.
— Se você fizer isso mais uma vez, vai levar uma surra.
Rosnando, Tennessee arrastou Amber para dentro de casa. “Como David gerenciava suas armas para que um garoto de quinze anos tivesse um revólver na mão?”
Infelizmente, era um acidente comum nos Estados Unidos, e Tennessee, que havia colocado diretamente uma arma na mão de Amber, não tinha o direito de dizer nada, mas ele pegou o celular com irritação.
Amber murmurou baixinho, olhando para ele.
— ……Me desculpe. Mas eu vim te perguntar uma coisa. Eu volto depois que conseguir a resposta.
Tennessee sentou-se na cama e passou a mão pelo cabelo.
Amber estava sentado em silêncio, esperando por ele, com um rosto que dizia que ele tinha muito a falar, o que vinha guardando por três anos.
— Venha para a cama em vez de ficar aí.
— ……O que?
David atendeu o telefone imediatamente.
— Aqui é o Tennessee.
[Meu Deus, Tennessee, por favor, me diga que o Ryker está aí.]
David falou rapidamente, e a voz de Elizabeth podia ser ouvida atrás dele. O outro lado da linha estava muito agitado. Tennessee explicou brevemente a situação. Eles ficaram imensamente aliviados.
Amber, que estivera com muita raiva, devia ter saído assim que conseguiu o endereço de Tennessee.
[Me desculpe, Tennessee. Eu pensei que Ryker ficaria feliz se eu contasse a ele com antecedência. Quando ele perguntou como eu sabia, não tive escolha a não ser dizer que às vezes enviava e-mails para você.]
Não era que ele não entendesse David ou Amber.
— Eu não dei um número para você entrar em contato comigo e passei três anos longe, então você tem todo o direito de estar com raiva.
Tennessee fez contato visual com Amber, que estava sentado ao seu lado, e encerrou a conversa rapidamente. Elizabeth, que estava preocupada, pretendia vir para Chicago imediatamente, mas Tennessee concordou em levá-lo ele mesmo de volta.
Ele não sabia como Amber havia conseguido a arma, mas eles claramente não sabiam que o revólver havia sumido. Pela saúde mental deles, Tennessee decidiu ficar calado.
— Durma aqui esta noite.
Tennessee deu a cama para Amber e se levantou. Ele ia dormir no sofá. As bochechas de Amber coraram como se estivesse envergonhado com as palavras. Tennessee pegou um cobertor e foi para o sofá. Estava tarde.
— Vamos conversar em três horas.
Com essas palavras, Tennessee fechou os olhos. Ele conseguia sentir Amber movendo os lábios e hesitando, mas, no final, Amber se deitou na cama de Tennessee.
↫─☫ Fim do Volume 1
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr
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Sinopse:
Um assassino de aluguel. Tennessee não tinha a intenção de maquiar sua profissão. Ele se mantinha fiel à sua própria natureza moralmente falida e ao seu passado. Era uma vida monótona, mas ele não achava que fosse ruim.
Pelo menos até encontrar algo no carro roubado.
— Qual é o seu nome?
— …Não vou te contar. Você vai rir.
— Então qual é o seu nome?
— Tennessee.
— Isso é seu nome ou sobrenome?
— Você não precisa saber.
A criança inclinou a testa para fora pela janela traseira. Seu cabelo preto esvoaçava ao vento.
Um sequestro involuntário. Foi assim que a relação entre Tennessee e a criança começou.
***
Fogo ardia em seus olhos.
Tennessee, eu deveria ter arrancado essas suas pernas.
Ele respirou fundo, sobrecarregado pelas emoções intensas que se transformavam numa mistura de amor e ódio.
Sua perna não deveria ter sido apenas quebrada, deixada para você se apoiar torto nela, deveria ter sido danificada além de qualquer reparo.
Eu deveria cortar suas duas pernas e colocá-las num saco, depois colocar uma coleira no seu pescoço. Vou amarrar essa coleira nas minhas pernas perfeitamente saudáveis.
Um silêncio sufocante se instalou. Seu corpo desabou, sem forças.
Suas palmas estavam pegajosas. O que ele pensava ser suor era, na verdade, sangue escorrendo. Sem energia nem para enxugá-lo, ele enterrou o rosto nas mãos.
Era horrível. Esta versão de si mesmo. A situação toda. Era o próprio desespero. Se ele desistisse, se Tennessee escapasse assim…
Ele não conseguiria seguir vivendo.
Nome alternativo: Amber Alert Alerta Amber