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Capítulo 4.1 – Amber Alert

Apesar de ter dito apenas que conversaria, os agentes do FBI algemaram Tennessee. Ele não reclamou particularmente. A vantagem já havia mudado de lado. Era um jogo em que o resultado estava decidido a partir do momento em que se tinha mais a perder.
Se não tivesse prometido ao garoto que voltaria, Tennessee teria de alguma forma escapado daquele momento. Ele teria usado Kaylen como escudo, ou mataria pessoas sem hesitação e escaparia, mesmo ao custo de ferimentos. E então ele olharia para trás, para o peso dos pecados acumulados sobre ele.
Mas Tennessee não resistiu e os seguiu obedientemente. Tennessee pensou que havia ficado amador. Que fora abandonado como um ser inútil. Era como se a lâmina afiada estivesse enferrujando, esperando apenas pelo dia em que quebraria. Mas, ao escutar o garoto, sentiu que algo dentro de si havia mudado.
— O garoto vai para um bom lar.
— É melhor que vá, Alexa Paulson.
— …Você descobriu isso em apenas uma semana? Impressionante.
Kaylen, não, Alexa, rosnou dizendo que tinha que ir lidar com a equipe de segurança.
— Continue me chamando de Kaylen. Não saia por aí dizendo meu nome verdadeiro.
Fosse Alexa ou Kaylen, não fazia diferença para Tennessee.
— Qual é o pagamento?
— Varia a cada vez.
Kaylen encontrou a página correspondente no fichário aberto e a virou para ele.
Tennessee franziu a testa. O pagamento que Tennessee costumava receber era substancial. Havia muitos trabalhos que pagavam mais de um milhão de dólares por caso, e a base era de dez mil dólares.
Kaylen o ignorou. Ela sabia que ele não estava fazendo isso por dinheiro de qualquer forma. E, comparado aos seus antigos trabalhos, era uma quantia pequena, mas havia muitos bons mercenários no mundo que poderiam ser contratados com esse dinheiro. Embora fossem o tipo de caras que venderiam seu país por um preço mais alto.
— Você aceita?
— Antes disso… eu preciso falar com o garoto.
Com um gesto, outro agente destrancou as algemas nos pulsos de Tennessee. Girando seus pulsos rígidos, Tennessee se perguntou se seria acusado de alguma infração se distendesse um soco em Kaylen agora mesmo.

── ⋆⋅☆⋅⋆ ──

— Tennessee!
O garoto correu de longe. Havia se passado apenas uma semana, mas suas bochechas já haviam emagrecido. A gordura que ele havia acumulado diligentemente com fast-food e refeições de restaurante cheias de sódio tinha sumido.
Diferente de Megan, que apontou sua arma assim que a porta se abriu, o garoto reconheceu Tennessee imediatamente. E imediatamente, sem qualquer hesitação, ele correu em direção a ele.
Ele tomou impulso do chão. Os cadarços frouxamente amarrados flutuavam. O garoto o abraçou como um redemoinho. Foi exatamente como antes. Tennessee, inconscientemente, estendeu os braços. Abraçando o garoto com força, Tennessee de repente se lembrou de seu primeiro assassinato.
Depois de matar sua mãe, Tennessee saiu para o quintal e banhou-se na luz do sol que caía torrencialmente. Os campos estavam tingidos de dourado e o céu estava assustadoramente límpido.
Naquela liberdade, Tennessee desabou. O fato de que ele finalmente tinha visto a esperança, e que ela era baseada no infortúnio alheio. Era uma felicidade dolorosa. Uma libertação que ele não conseguia saborear por causa da culpa. E agora, Tennessee estava sentindo uma emoção completa pela primeira vez.
O calor do corpo pressionava-se pesadamente contra ele e, com esse calor, Tennessee apertou os braços e enterrou o garoto profundamente em seu abraço.
— Você está bem? Está machucado?
O garoto perguntou, enterrando o rosto no ombro de Tennessee.
— Eu estava preocupado. Você está bem agora? Que bom que você voltou. — O garoto despejou as palavras rapidamente.
— Não chore.
O garoto mordeu o lábio. Ele achou que estava prestes a cair no choro, mas na verdade já estava chorando. Era uma tristeza que ele nem percebia que estava transbordando. E, de alguma forma, Tennessee sabia e dizia para o garoto não chorar enquanto o segurava.
— Está resolvido?
Megan, que vinha assistindo ao reencontro lacrimoso com desagrado, perguntou. Tennessee assentiu, e Megan estendeu o braço ostensivamente.
Ele olhou para o braço dela como ela queria, mas não conseguia dizer o que exatamente deveria estar olhando por causa da densidade das tatuagens.
— Aqui! Olhe bem aqui!
O olhar de Tennessee seguiu a unha de Megan. Era uma laceração de leve. Tennessee lembrou-se do garoto segurando a arma firmemente, mesmo naquela situação de ansiedade.
— …Você atirou de verdade?
— Sim! Aquele moleque maldito!
— É só um de raspão. Você consegue esse tipo de ferimento só de ir para a cozinha.
— Você está brincando comigo?!
O garoto estremeceu e se encolheu nos braços de Tennessee, como se houvesse algo que Tennessee não soubesse que o estivesse incomodando. Ele acariciou as costas do garoto com um toque desconhecido.
— Peça desculpas ao garoto. Esta é a chave. Obrigado.
— Aquele bastardo!
Deixando Megan, que estava gritando, Tennessee virou as costas. Megan o agarrou e disparou perguntas.
— Está tudo realmente resolvido?
Não era que ela não acreditasse em Tennessee quando ele dizia que estava tudo bem, mas havia muitas perguntas sem resposta.
Ele deveria explicar agora? Tennessee hesitou, mas vendo o garoto bem ao seu lado, tomou uma decisão. Não havia tempo suficiente para contar tudo a Megan, uma a uma. Tennessee disse que voltaria novamente algum dia. Até lá, o garoto continuava nos braços de Tennessee. Ele havia parado de soluçar e ergueu levemente o rosto.
— Se você já terminou de chorar, desça.
— …Eu ainda não terminei de chorar.
— Não está saindo nada, mesmo que você tente espremer.
Vendo o garoto distorcer o rosto deliberadamente, uma risada vazia escapou por conta própria. Era absurdo.
— Acabou tudo agora? Está seguro?
Quando Tennessee estendeu a mão, o garoto colocou a arma sobre ela. Nariz vermelho, olhos lacrimosos.
— Nós vamos para outro lugar agora, não é?
Depois de entrar no carro, Tennessee colocou o garoto no banco do passageiro. Enquanto enxugava as lágrimas, o garoto afivelou o cinto de segurança com diligência. Ele parecia ter desenvolvido bons hábitos.
— O pulso.
Quando ele puxou para cima a manga da jaqueta que cobria o pulso, a pele fina que havia cicatrizado completamente foi revelada. Tennessee soltou uma risada abafada ao ver as manchas de lágrimas borradas na manga.
— Mostre-me os dentes.
— Olhe, eles estão começando a crescer.
O garoto esticou bem os lábios e mostrou. Ainda não tinham saído completamente, mas dentes brancos e adoráveis estavam espreitando por entre as gengivas.
— Estou vendo. — Tennessee assentiu.
— Para onde vamos agora? — o garoto perguntou, enxugando as lágrimas com bravura.
Tennessee não sabia como dar essa notícia ao garoto.
Um silêncio familiar fluiu no carro. As mãos do garoto, que estavam amarrando os cadarços, desaceleraram. O garoto havia levado uma vida que estava sempre meio flutuando, como uma semente de dente-de-leão. Por isso, ele percebia facilmente o sutil silêncio de Tennessee.
— …Não é isso, né?
O garoto olhou para cima, mas ele não conseguiu encarar os olhos do garoto. Ele encostou a cabeça no banco do motorista e fechou os olhos. As lágrimas que recém tinham parado estavam prestes a brotar novamente, então o garoto cerrou os lábios. As lágrimas que não saíam por mais que ele tentasse espremê-las quando estava sendo abraçado, agora escorriam com facilidade.
— Tennessee. Não é isso, né?
— Você vai para um bom lar.
— Tennessee…
O garoto limpou os olhos com a manga que já estava manchada de lágrimas.
— Você está me abandonando?
— Não, escute com atenção.
— Você está me abandonando. …Você prometeu que me contaria. Quando fosse me deixar.
— Eu não estou te abandonando.
— Mentiroso!
No fim, o garoto chorou, implorando para que ele não o abandonasse. Não era apenas uma birra. Era uma prece. Sabendo que não seria ouvida, sabendo que não tinha chance de se realizar, o garoto não conseguia se desapegar daquele vínculo.
Tennessee se lembrou da postura confiante do garoto antes, dizendo que viveria por conta própria. Ele dissera que iria embora, e naquela época, não tinha nada além do próprio corpo, sem sequer um dólar, mas gritara daquele jeito. “Para onde teria ido aquele espírito?” O garoto estava soluçando.
“Por favor.” Naquela época, essa palavra fora o último apelo que o garoto conseguira fazer. Mesmo diante de uma situação imediata e indefesa, o garoto não se permitia dizer: “Não me abandone”. Era a última resistência e orgulho como criança. Tennessee percebeu um pouco tarde que aquilo fora um desafio para não depender dele completamente.
O garoto chorava silenciosamente.
— Eu vou te visitar às vezes.
— Eu não quero…
Depois de soluçar, o garoto o questionou:
— Por quê? Porque você está indo embora!
O apelo transbordou e se transformou em ressentimento.
— Eu tenho que ir trabalhar.
— Onde?
— No Afeganistão.
— Esse não era o plano. Isso era quando você estava no exército, mas agora você está aqui. …É por minha causa?
Foi uma pergunta que saiu sem que ele se desse conta. O garoto nunca tinha ousado imaginar que possuía um valor tão grande a ponto de Tennessee suportar algo por ele. Mas a razão pela qual essa pergunta surgiu foi porque a intuição do garoto questionou dessa forma.
— Não é por sua causa, é por minha causa. Por causa da minha culpa.
— Hic… Que culpa?
Tennessee suspirou. E abriu a boca. Ele não sabia por onde começar, então interrompia a fala intermitentemente. Deveria começar pelo modo como iniciou nesse trabalho, ou deveria começar por aquele momento específico?
— Eu faço coisas pelas pessoas que elas mesmas não querem fazer.
— Tipo um tutor, um professor?
Haha. Não.
Mesmo no meio de tudo aquilo, Tennessee soltou uma risada abafada. Era uma pergunta que revelava a inocência da mentalidade do garoto exatamente como era. Para o garoto, um professor provavelmente era alguém que os pais, com preguiça de ensinar os filhos em casa, pagavam para chamar.
Mesmo chorando, o garoto ficou cativado pelo sorriso de Tennessee, que ele estava vendo pela primeira vez. Os cantos de seus lábios se ergueram suavemente, revelando um sorriso sincero. Ele sabia sorrir. O garoto enxugou as lágrimas.
— Eu mato pessoas por dinheiro.
Os olhos do garoto se arregalaram.
“Você se lembra de uma pessoa chamada Taylor Watson?”
“Tennessee, o garoto não vai se ressentir com você? Você deve a ele.”
— Eu costumava trabalhar de forma inconsequente. Eu sabia vagamente que tipo de consequências a longo prazo minhas ações teriam, mas não me importava.
Tennessee havia aceitado aquele trabalho vários anos atrás. Era um serviço que recebera de um intermediário, como de costume. Era uma missão difícil, então a quantia era alta.
O alvo estava programado para entrar no programa de proteção a testemunhas do FBI. Era um jovem que recém completara vinte anos e era uma testemunha crucial em um julgamento. Tennessee não perguntou em qual julgamento ele iria testemunhar, e nem queria saber.
E, algumas semanas após terminar o trabalho, Tennessee viu a foto do jovem na primeira página do jornal. Ele abriu o jornal como se estivesse em transe.
O caso no qual o jovem deveria testemunhar não era um escândalo comum. Era um esquema em que agências de amparo à infância e lares adotivos recebiam compensações financeiras para enviar um pequeno número de crianças como joguetes sexuais para figuras influentes, tais como políticos de alto escalão e empresários.
Taylor Watson estava no centro daquela rede de tráfico humano, e William Hurston estava entre os suspeitos acusados de fornecer crianças pequenas para ele.
Pornografia infantil foi encontrada nos computadores de vários políticos, mas parou por aí. Havia uma escassez de testemunhas substanciais no processo de investigação.
Em uma situação em que mais evidências eram necessárias para o indiciamento, o jovem procurou as autoridades investigativas. Ele alegou que havia sido abusado sexualmente por vários políticos diversas vezes até atingir a maioridade, e estava programado para testemunhar em breve. Mas ele não pôde comparecer ao tribunal.
O motivo era bem conhecido pelo próprio Tennessee. Ele encarou o rosto da pessoa que havia matado como se estivesse possuído.
O resultado de sua ação foi aquele. Taylor Watson estava entre os que foram absolvidos depois que a testemunha crucial foi assassinada. Ele era o “amigo do Sr. Hurston” que o garoto havia mencionado.
Pelo que Tennessee sabia, o garoto havia sofrido abusos terríveis de Hurston. Se tivesse passado mais tempo lá, poderia ter sido submetido a abusos sexuais além dos abusos físicos. Poderia ter se tornado uma das muitas vítimas de Taylor Watson.
— Então… então se o Tennessee não tivesse feito aquele trabalho,
— Hurston e Watson teriam sido indiciados, ou pelo menos não seriam capazes de tocar nas crianças. A culpa é minha.
O garoto esqueceu de chorar e olhou para Tennessee.
Tennessee sabia que o garoto nutria uma grande fantasia a respeito dele. A razão pela qual ele não havia explicado tudo antes poderia ter sido porque ele desfrutava dessa fantasia. Porque a polpa da admiração, do anseio e da confiança do garoto era doce.
— Eu não posso ser uma boa pessoa. Em vez disso, vou enviar você para um bom lar.
— Eu não quero.
O garoto mordeu o lábio e segurou a raiva. Tennessee não perguntou ao garoto pelo que ele havia passado. Isso era algo que apenas Deus e o garoto sabiam.
— Então não me abandone, você me deve! É por sua causa!
O garoto, que finalmente havia explodido em ira, imediatamente balançou a cabeça.
— Não, não era isso que eu estava tentando dizer. Eu sei. Não é culpa do Tennessee.
Limpando as lágrimas do queixo, o garoto encarou Tennessee como se o estivesse fuzilando com o olhar.
— Culpe a si mesmo apenas o quanto for necessário, Tennessee. Hurston me atormentou muito. Foi horrível. Mas isso é porque ele é uma pessoa ruim. Infelizmente, existem muitos demônios neste mundo. Então o Derek também é culpa do Tennessee? Não acho que seja o caso.
Não estava inteiramente errado. Mesmo que não tivesse sido ele, o trabalho teria ido para outro executor. Mas isso não trazia a absolvição pelo que ele havia feito.
Toda ação tem consequências e responsabilidades. Como resultado, a escolha de Tennessee permitiu que Taylor Watson andasse livre. E isso levou a essa vítima que era o garoto.
— Eu te perdoo. Não me abandone.
— Eu não estou te deixando porque te odeio.
— Então por quê?!
— Eu não sirvo para ser um pai ou responsável de verdade. Você é jovem e precisa encontrar alguém que possa te proteger em segurança.
— Tennessee. Você me protegeu.
— Sinto muito.
Foi o primeiro pedido de desculpas que Tennessee verbalizou na vida. Ele falou baixinho:
— E a escola? Quem vai te levar sempre que você tiver treino de futebol americano? Você acha que eu vou ficar sentado na arquibancada assistindo você jogar? Não é que eu não queira, é que eu não posso. Isso é negligência e abuso. Você teria que ficar esperando por mim em uma casa vazia. Você não é um bicho de estimação. Estar comigo não é tudo que vai existir na sua vida inteira.
— Mentiroso.
— Eu vou te ver quando voltar do Afeganistão. Estou falando sério.
— Eu não preciso disso.
Tennessee tirou uma caixa do bolso. Ele a estendeu para o garoto, que estava sentado no banco do passageiro, mas o garoto teimosamente manteve os lábios cerrados e não a pegou.
Quando ele insistiu novamente, o garoto pegou a caixa, soluçando. Ao rasgar o papel de embrulho, revelou-se o modelo mais recente de smartphone. O garoto olhou para o aparelho e disse, sarcasticamente:
— Tennessee, onde você aprendeu esse hábito terrível de machucar alguém e depois compensar materialmente?
— …Estou te dando isso para que pudesse entrar em contato comigo.
Ele dava um presente e recebia um sermão daqueles. Era a primeira vez que Tennessee passava por isso.
Havia um motivo prático, mas ele também se lembrava do garoto correndo de um lado para o outro e ficando feliz quando lhe comprou roupas novas no shopping da última vez.
— Vou partir para o Afeganistão em breve. Quando eu voltar, vamos para a Disney World.
— Isso é para crianças.
Não era fácil, afinal de contas.
— Então vamos para a Universal Studios.
A Universal Studios era diferente, e ele não disse que era um lugar para crianças.
A razão pela qual Tennessee contou ao garoto sobre seu passado foi para aliviar a ansiedade dele. Uma promessa de que estava em dívida e que pagaria por isso repetidas vezes. Tornou-se uma âncora.
Talvez percebendo suas intenções, o garoto não disse mais nada. Foi uma reação misturada entre resignação e aceitação. O garoto estava cheio de todo tipo de emoções e respirava de forma pesada.
— …Qual é o seu nome?
Ele ainda limpava os olhos marejados. Mas parecia mais calmo do que antes, e pronunciou a pergunta com uma respiração trêmula.
— Amber. Amber. Nome de merda.
“É um nome de menina.”
— Entendo por que você o escondeu.
— Você disse que não zombaria de mim.
— Você vai ganhar um nome novo quando for adotado de qualquer maneira.
— Eu odeio a porra do nome Amber. Odeio todos os nomes que começam com A.
O garoto, que finalmente havia parado de chorar, pediu:
— Tennessee, me dê um. Um nome de homem.
Amber era um nome feminino demais para se argumentar que hoje em dia não existe mais essa história de nome de homem ou de mulher.
“Será que os pais dele inicialmente esperavam uma menina?” Tennessee assentiu, pensando em coisas para as quais nunca saberia a resposta.
Amber. Era Amber.
— Ha…!
Tennessee soltou um suspiro vazio.
Ele se lembrou do momento em que, por impulso, roubara aquele carro. Havia sido um palpite, mas na verdade era um tipo diferente de aviso.
Por que, de todos os carros no estacionamento do Seven-Eleven, ele tinha que ter entrado logo naquele? Era um Amber Alert.

── ⋆⋅☆⋅⋆ ──

— Não se confunda achando que você trabalha acima de mim, Kaylen.
Kaylen desdenhou, dizendo que não esperava por isso.
— Quando é que o perdão judicial vai sair?
De qualquer forma, Tennessee tinha dinheiro mais do que suficiente. Ele não comprava nada além do estritamente necessário e não tinha gosto por luxos. A compensação astronômica que havia recebido até então estava apodrecendo em algum lugar. Por isso, em vez de discutir sobre valores, Tennessee exigiu o perdão completo de sua pena.
O FBI não sabia muito sobre os assassinatos de aluguel que Tennessee havia cometido, e o acordo só foi possível porque não havia atos de traição ou espionagem que pudessem prejudicar gravemente o país.
Ainda assim, houve alguma resistência na negociação.
“Eu preciso saber quantos trabalhos você aceitou antes disso.”
“Está dizendo que eu deveria confessar tudo o que já fiz?”
“Claro, eu sei que você não é uma pessoa limpa. Apenas me diga.”
“Diga-me o quanto o FBI já sabe primeiro.”
“……”
— O perdão? Logo? Talvez amanhã?
— Sem chance.
Kaylen cruzou os braços, olhando para Tennessee, que estava sendo exigente com relação a encontros, apesar de ter recebido um indulto. Ele estava ocupado preparando algo, como se tivesse um compromisso importante.
— Entregue-me em três dias.
Foi uma declaração consideravelmente sinistra.
— Tennessee, você sabe que um perdão judicial não é uma licença para matar, certo?
Tennessee não respondeu, e Kaylen ficou profundamente inquieta. Ele franziu a testa porque Kaylen não parava de questioná-lo.
— Eu não vou matá-lo.
“Isso seria fácil demais.”
— Qual é o problema em dar um jeito nos caras que eu preciso dar um jeito? Estou fazendo isso porque o FBI não consegue limpar o lixo. Vocês deveriam me pagar.
Tennessee estava falando meio a sério.
— É um ato patriótico. Digamos que eles passem pelo devido processo legal e sejam presos. Às custas de quem você acha que todos eles vão viver? Dos seus e dos meus impostos.
— …Você não paga impostos.
Kaylen resmungou para Tennessee, que obviamente não pagava impostos por viver na ilegalidade, mas ele sequer deu ouvidos. E, pegando seu rifle de precisão, Tennessee partiu.
— Onde você vai?! — Kaylen gritou atrás dele.
Tennessee respondeu:
— Para o Oregon.
Oregon. Onde William Hurston morava.

── ⋆⋅☆⋅⋆ ──

O passado e o presente do Afeganistão não eram muito diferentes. O trabalho que ele recebeu do FBI não era tão sujo quanto pensava, mas também não era particularmente limpo.
Tennessee sentia como se tivesse passado de um quase freelancer para um trabalhador contratado. Da perspectiva dele, a natureza fundamental do trabalho continuava a mesma.
Kaylen nem sequer molhou os lábios antes de embalá-lo como um item de segurança.
“Para ser honesta, haverá alguns assassinatos de vez em quando, mas, no geral, é segurança. O princípio original da segurança é bloquear as ameaças quando elas ocorrem, mas o nosso objetivo geralmente é bloquear essas ameaças antes que elas aconteçam.”
Adicionar muito açúcar não faz o veneno desaparecer. Mas Kaylen parecia ter orgulho desse trabalho como agente do FBI. O rosto dela se contraiu quando Tennessee perguntou se ela havia recebido aprovação do Congresso.

“É privado, no entanto.”
Então Kaylen aumentou o tom de voz em um tom de injustiçada.
“ Pelo amor de Deus, Tennessee. Nós não somos a CIA.”
Tennessee achava que era tudo a mesma coisa.
O garoto foi adotado pouco antes de Tennessee partir para o Afeganistão. Foi um caso excepcional, considerando que o garoto já tinha idade suficiente para ir para o ensino fundamental dois. Foi graças aos esforços de Kaylen.
O lugar para onde ele foi adotado era uma família de classe média que já tinha dois filhos, sendo ambos adotados.
“É uma boa família.”
Kaylen disse, e Tennessee disse ameaçadoramente:
“É melhor que seja.”
Se não fosse, ele planejava destruir tudo imediatamente.
O garoto estava programado para receber ensino doméstico por um ano e depois entrar no ginásio de uma fundação privada. Depois de passar o sétimo e o oitavo ano no ginásio, ele iria para o ensino médio privado da mesma fundação, do nono ao décimo segundo ano, uma escola católica particular com uma alta taxa de entrada na faculdade.
Os outros dois filhos da família adotiva de Amber já estavam frequentando a escola primária privada daquela fundação. A mãe adotiva era médica, e o pai adotivo era contador, de modo que era uma família financeiramente bem estruturada.
Até partir para o Afeganistão, Tennessee ocasionalmente contatava o garoto, mas não o visitava. Ele estava ocupado, e estava preocupado que isso interferisse na adaptação de Amber.
Obviamente, Amber não via isso com bons olhos. Cada vez que ele ligava, havia um sentimento avassalador de ressentimento.
“Por que você me comprou um celular se não vai me dar o seu número e só me liga com essa raridade?”
Tennessee sabia que ele estava dizendo coisas rancorosas porque estava chateado. Mas era difícil ligar com frequência.
Amber ainda não confiava em sua nova família e ficava em seu quarto em vez de sair e jantar com eles. Tennessee pensava que, se ele se aproximasse no meio de tudo isso, o abalado garoto não se apegaria mais à sua família.
permanecia em seu quarto em vez de sair e jantar com eles. Tennessee pensava que, se se aproximasse no meio de tudo aquilo, o abalado garoto não conseguiria criar laços com a nova família.
Ele ouviu que houve muitos conflitos, mas talvez por causa de sua experiência com adoção, os pais adotivos de Amber não desistiram. Aos olhos de Tennessee, eles eram pessoas de bom coração e acolhedoras.
Eles até recusaram o patrocínio de Tennessee. Em primeiro lugar, se fosse uma família tão necessitada a ponto de precisar receber patrocínio, Tennessee teria se oposto com uma arma na cabeça deles.
As palavras dos pais adotivos de que não teriam escolhido a adoção em primeiro lugar se não estivessem preparados para sustentar o garoto mostravam a determinação deles. Por isso, Tennessee depositava dez mil dólares todo mês. Ele queria custear a faculdade dele. Se isso também fosse rejeitado, ele poderia apenas dar a ele como mesada.
Os pais adotivos entendiam o apego que o garoto tinha por Tennessee. Era um bom lar, que conseguia abraçar com amor aquele coração ansioso que ainda não havia fincado raízes.
Mesmo agora, no Afeganistão, Tennessee ocasionalmente recebia fotos. Na maioria das fotos, Amber tinha um rosto inexpressivo que não sorria, mas ele podia ver que ele estava gradualmente ganhando peso e seu corpo magro estava se tornando longo e esguio. O médico disse que Amber cresceria até um metro e noventa e três. Até mesmo Tennessee tinha pouco mais de um metro e oitenta de altura.
Tennessee saiu do carro e se aproximou da porta da frente. Era maior do que parecia nas fotos. Era uma casa de três andares, localizada em um bairro nobre com baixo índice de criminalidade.
Quando ele tocou a campainha, uma criança abriu a porta. Au au! A criança, que tentava acalmar os cachorros que latiam alto, olhou para cima. Annie Dexley. Ela havia sido a primeira a ser adotada, mas era a mais nova em termos de idade.
Tennessee ficou parado e esperou por alguém, Amber ou os pais adotivos de Amber. Annie chupou o dedo e encarou Tennessee sem piscar.
Ele deveria dizer olá? Ele estava encarando a filha mais nova quando Annie de repente estendeu a mão. Ela esticou os braços como se pedisse para ser carregada. Tennessee acariciou o cabelo cacheado de Annie.
— Tennessee!
Alguém desceu as escadas com um estrondo. Ele conseguia notar apenas pela voz. Era Amber.
Tennessee ergueu Amber, que corria em sua direção, e percebeu totalmente a mudança no peso.
Ele não tinha notado quando o viu nas fotos, mas o peso dele parecia ter dobrado em apenas três meses, fosse porque ele havia ganhado músculos ou não.
— Faz tempo.
Com Amber em um dos braços, Tennessee apertou as mãos dos pais adotivos. Eles abraçaram Tennessee logo em seguida, ao mesmo tempo que o aperto de mão. Ele não gostava de contato físico, mas suportou o abraço desnecessário.
— É a primeira vez que vejo o garoto gostar tanto de alguém. disse David, o pai adotivo de Amber.
Tennessee às vezes pedia para algumas pessoas verificarem a situação recente de Amber. As fotos que eles enviavam apenas o mostravam gritando, brigando com os pais ou ficando no quarto o tempo todo. Não havia ferimentos novos ou grandes marcas de tristeza, mas ele não via nenhuma foto dele simplesmente estando feliz. Se Tennessee não tivesse visto aquelas fotos, teria confundido a aparência animada de Amber com sua aparência normal.
— O garoto estava esperando há muito tempo.
— Eu sei. Me atrasei um pouco por causa do trabalho.
Alguém espiou por trás enquanto eles conversavam. Era o segundo irmão mais novo, Cody. Annie e Cody já sabiam que Amber faria uma viagem para a Flórida. Disney World. Era um paraíso para as crianças, e Annie e Cody naturalmente queriam se juntar à viagem.
A razão pela qual as outras duas crianças não iam à viagem, embora Tennessee não se importasse, era por causa de Amber. Amber se opôs fortemente a isso.
De qualquer forma, a quantidade de dinheiro não importava para Tennessee, e ele teria ficado satisfeito se Annie e Cody tivessem saído das fraldas. Mas Amber deu vários motivos e impediu Tennessee, e como não havia razão para levar as outras crianças se Amber não quisesse, apenas os dois foram para a Disney World.
— Ry- não, o Amber está animado.
Ele havia dito que odiava a porra do seu nome, mas Amber não conseguiu abandoná-lo completamente afinal de contas. Tornou-se seu nome do meio. Pegando o sobrenome de sua nova família, o nome do garoto agora era Ryker Amber Dexley.
Mas Tennessee achava que Amber combinava mais com ele do que Ryker. O garoto não gostava que Tennessee insistisse em Amber, mas também não chegava a objetar. No entanto, ele parecia se apresentar como Ryker para as pessoas ao seu redor.
— Vamos, Tennessee.
Sua madrasta, Elizabeth, ofereceu uma xícara de café. Tennessee queria aceitar, mas o garoto não era de sentir muita culpa. Dizendo coisas como, você sabe há quanto tempo estou esperando por este dia, não podem conversar mais tarde, Amber arrastou Tennessee para fora. Eventualmente, com uma das mangas sendo puxada, Tennessee teve que se despedir.
— Disney World é apenas para crianças, não foi o que você disse?
O garoto estava se esforçando muito para agir com indiferença. Embora tivesse dito aquilo da última vez, ele estava claramente animado com a aproximação da partida. O garoto havia passado por muitas mudanças de opinião enquanto Tennessee estava no Afeganistão. Havia também o fato de que ele nunca tinha ido à Disney World. Mas também era difícil abrir mão da Universal Studios, então eles finalmente decidiram reservar um dia durante a viagem à Flórida para visitar lá também.

── ⋆⋅☆⋅⋆ ──

A Disney World em Orlando, Flórida, é o maior parque temático da Disney. Não era longe do aeroporto de carro e cativava as crianças desde a entrada.
E estava cheio de gente.
Tennessee encarou fixamente o que estava em sua mão. Era uma tiara da Minnie Mouse. As orelhas eram tão grandes que podiam ficar presas na porta.
O garoto apontou para algo, então ele lhe deu dinheiro e o enviou, mas ele retornou com isso para ele. Enquanto ele a encarava, Amber insistiu para que Tennessee a usasse. Você absolutamente tem que usar quando vem à Disney World, ele disse.
— Você quer me ver passar vergonha?
— Sim.
Tennessee soltou uma risada abafada e colocou a tiara sem se importar. O garoto franziu a testa. A tiara da Minnie Mouse inesperadamente combinou com Tennessee, que usava jeans preto e uma camiseta branca em vez de um terno. Era diferente de sua aura imponente habitual. Talvez fosse porque ele tinha um leve sorriso e parecia um pouco mais relaxado.
Tennessee, que já estava atraindo atenção de vez em quando, colocou a tiara, e muitas mulheres o olharam de cima a baixo e lhe enviaram sorrisos sugestivos. As mulheres, que pareciam ser turistas, reuniram-se, cobriram a boca com uma das mãos e apontaram para Tennessee.
Aquilo não estava certo. A criança ficou emburrada e tentou tirar a tiara de Tennessee. No entanto, Tennessee era uma barreira alta demais para um menino de 11 anos. Depois de tentar tirá-la, a expressão da criança endureceu quando Tennessee a pegou e a obrigou a usar.
— Eu tenho onze anos. Você está colocando isso em mim agora?
O garoto ficou com uma expressão de total incredulidade, mas foi mais uma vez cativado pelo sorriso satisfeito de Tennessee. O sorriso de Tennessee era raro, e havia algo nele que tornava difícil de esquecer.
Realmente havia muitas crianças. Tennessee se perguntou se já havia estado cercado por tantas crianças em toda a sua vida. Ao redor dele, na frente e atrás, estavam crianças nas séries iniciais do ensino fundamental.
Algumas dessas crianças usavam vestidos de princesas da Disney ou fantasias de personagens. O garoto parecia estar meio certo. A maioria ali era composta por turistas e famílias.
Felizmente, o garoto ficou pulando de um lado para o outro o tempo todo. Ele gritava “Tennessee!” para que viesse rápido e o apressava. Tennessee se deixou arrastar de bom grado pelo garoto. Era uma agitação agradável.
Depois de passarem bastante tempo na Disney World, eles seguiram para a Universal Studios no dia seguinte. Surpreendentemente, não ficava longe dali.
Após passarem apenas metade do dia na Universal Studios, Tennessee e o garoto estavam meio encharcados.
Eles haviam andado em um brinquedo de barco na água, e espirrou muito mais água do que haviam antecipado. Tennessee e Amber compraram toalhas em uma barraca e secaram o cabelo e as roupas.
O tempo passou mais rápido do que podiam calcular. Amber sacudiu o cabelo molhado e soltou uma gargalhada apropriada para a sua idade.
Ele nunca imaginara que iria a um lugar como aquele. Era um local em que ele nem sequer pensava quando era mais jovem. Suas orelhas doíam com o barulho, e ele sentia uma leve dor de cabeça, mas o tempo passou voando.
Parecia que eles tinham chegado bem cedo pela manhã, mas o pôr do sol já estava acontecendo. O céu na Flórida estava limpo. Amber se inclinou para trás no banco e suspirou contente.
— Da próxima vez, vamos para onde o Tennessee quiser ir. disse o garoto para Tennessee, que estava sentado ao lado dele no banco bebendo água.
Da próxima vez. Da próxima vez… Ele deveria dizer isso agora? Tennessee hesitou. Ele tinha um cronograma. Ele não voltaria para os Estados Unidos por pelo menos dois anos. Mas Amber, com as bochechas coradas, parecia tão feliz que Tennessee, de forma incomum, adiou o que tinha que fazer.
Tennessee olhou fixamente para Amber. O menino sacudia a franja meio úmida. A infância no rosto de Amber, agora na transição entre criança e menino, havia um rubor natural em forma de triângulo invertido. Fosse pelo calor ou por vergonha, suas orelhas estavam vermelhas como se estivesse no meio do inverno. Aquela explosão de cor, como uma flor em plena floração, fazia Amber parecer tímido.
Embora, devido aos traços marcantes de seus olhos e aos cantos da boca bem definidos, aquela timidez parecesse se transformar em um charme travesso.
Ele era inegavelmente um menino. Tennessee pressentiu isso. A última lembrança da infância de Amber que ele conseguia ter era de três meses atrás, quando Amber tinha onze anos e meio.
Dedos abertos como asas estendendo-se em sua direção. Um indicador esguio, mas de ponta romba, bem como um garoto de sua idade. A última imagem infeliz que Tennessee lembraria terminaria ali.
— Tennessee?
A criança chamou com os olhos arregalados, sentindo o olhar dele. Tennessee balançou a cabeça, dizendo que não era nada.

── ⋆⋅☆⋅⋆ ──

A viagem de quatro dias e três noites terminou tão rápido quanto o amanhecer.
Tennessee estacionou o carro com cuidado. Era o fim da tarde, já passava da hora do almoço. A casa de três andares com aspecto antigo estava bem na frente deles, mas o garoto não desceu, preferindo rasgar a embalagem. Era fast-food com o rosto de uma garota detestável desenhado na embalagem.
Como uma criança em fase de crescimento, Amber sentia fome quase a cada três horas. Ele tinha almoçado no aeroporto, mas disse que estava com fome no caminho para casa.
Como eles tinham tempo, Tennessee estava prestes a entrar em qualquer restaurante por perto, mas o garoto balançou a cabeça com firmeza. Ele tinha que comer fast-food, disse ele.
Elizabeth, a médica, nunca comprava fast-food para ele, disse ele.
Uma ou duas vezes não tem problema.
O garoto tinha dito aquilo, apontando para o restaurante de fast-food.
— Eles não vão me deixar comer se eu entrar na casa. Então eu tenho que comer aqui.
Amber disse, oferecendo seu sanduíche de frango. Tennessee balançou a cabeça.
E parecia que apenas dez minutos haviam se passado, mas o garoto já tinha devorado o hambúrguer, o sanduíche de frango, duas porções de batatas fritas, dez nuggets de frango e dois Mountain Dews. E ele nem sequer tinha comido com pressa. Tennessee se lembrou novamente da altura esperada do garoto de um metro e noventa e três.
O garoto, que havia comido de forma limpa, sem uma única migalha na boca, finalmente saiu do carro. Tennessee saiu com o garoto, mas parou em frente à porta da frente.
O garoto estava cantarolando. Dava para ouvir vagamente o som de água e risadas, como se os irmãos mais novos de Amber estivessem brincando na piscina do quintal.
Com as mãos nos bolsos, Tennessee observava o garoto. O garoto, que estava estendendo a mão para a campainha, virou-se.
— Quando poderei te ver da próxima vez?
Tennessee não respondeu por um bom tempo. A expressão desapareceu lentamente do rosto do garoto, que havia perguntado com leveza. Até mesmo o cantarolar que ele vinha fazendo sumiu em algum momento.
Por favor… O garoto percebeu o significado do silêncio e disse como se estivesse implorando.
— Por favor. Quanto tempo é dessa vez? Três meses? Seis meses?
Tennessee soltou um “dois anos”.
‘…Dois anos? Dois anos, ele disse?” Amber olhou para Tennessee em desânimo, incapaz de acreditar.
O garoto começou a calcular passo a passo. Logo ele faria doze anos. Ele vinha recebendo ensino doméstico nos últimos três meses. Em nove meses, ele estaria no sétimo ano. Quando Tennessee voltasse, ele estaria entrando no oitavo ano.
Isso significava que ele veria Tennessee por volta dos quatorze anos. Dois anos era tempo demais. Era um período muito longo. Em dois anos, quando tivesse quatorze anos, ele seria capaz até de dirigir. Era um futuro muito distante.
— Para onde você vai dessa vez? Afeganistão?
— Vários lugares. Irã, por enquanto.
O garoto estava desiludido com essa realidade incontrolável. Era sempre assim. De forma passiva, lutando para reagir a qualquer coisa que acontecesse. Preparação ou lidar com a realidade era um luxo para o garoto.
Dois anos… Ele não pôde deixar de ficar zangado. Até um momento atrás, literalmente dez minutos atrás, ele estava tão feliz, mas Tennessee tirou sua felicidade sem um pingo de misericórdia. A felicidade que ele próprio havia lhe dado. Ele era um homem cruel.
— O que é isso…
Amber suspirou com um soluço.
— Então daqui a dois anos? Você não vai a lugar nenhum depois disso, vai?
Tennessee era brutalmente sincero. Ele não dizia nada que não pudesse cumprir.
— Por que você vai para o Irã? Você ainda está fazendo aquele trabalho? Aquele… aquele trabalho.
— Não. Eu trabalho com o FBI.
A expressão de Amber se torna estranha.
— Então o Tennessee não é uma daquelas coisas, certo? Um rato?
— …Onde você aprendeu isso?
— Com a Megan.
— Não entre em contato com ela.
Enquanto expressava sua indignação, Amber assentiu.
O garoto enterrou o rosto em uma das mãos. Ainda assim, houve muitas mudanças em Amber ao longo dos últimos três meses. Ele havia se tornado imune ao primeiro adeus, mas o garoto foi capaz de aceitar essa despedida de forma mais calma do que antes.
Era um pequeno consolo o fato de Tennessee dever algo a ele, de que não seria capaz de cortá-lo de sua vida facilmente.
— Eu vou ligar.
— Você me comprou um celular e quase nunca ligou.
— …Eu vou.
— …Sério. Você tem que ligar.
“Dois anos… Dois anos, ele disse.”
— Assista a um pouco de Netflix.
— Tudo bem.
— Tome Mountain Dew com moderação.
— A Elizabeth e o David nem sequer compram.
— Você tem os cem dólares que eu te dei.
— Eu gastei isso há muito tempo.
Então Tennessee tirou dinheiro vivo. Eram trezentos dólares. O garoto ficou boquiaberto. Tennessee, interpretando de outra forma por causa da não aceitação do garoto, tirou mais trezentos dólares e entregou a ele.
— Você ainda não consertou esse hábito terrível?
Quando ele ficou fora por três meses, comprou um celular para ele, mas agora que vai ficar fora por dois anos, está dando dinheiro vivo. Ele sabia que essa não era a intenção, mas continuava se irritando.
Tennessee precisa aprender a se reconciliar de outras maneiras que não sejam compensações materiais. Será que é porque ele tem muito dinheiro que continua tentando resolver as coisas financeiramente? Mesmo os ricos Elizabeth e David não faziam tanto assim.
— Tennessee, fume um pouco menos também.
Amber estava sendo sincero. Quando ele repreendeu Tennessee, que estava prestes a pegar um cigarro, ele apenas soltou uma risada abafada.
— Você sabia? Maconha faz menos mal ao corpo do que cigarro.
É isso que ele está aprendendo enquanto recebe ensino doméstico? Tennessee semifechou um dos olhos enquanto acendia o cigarro.
— Maconha também vicia menos.
— Eu não gosto disso.
Lembrando-se da aversão de Tennessee a drogas, o garoto assentiu.
— Mas você sabia?
— O que foi agora.
— Álcool também é uma droga. É apenas a diferença entre legal e ilegal, mas o álcool também é classificado como uma droga.
— Eu sei.
— Então você não deveria beber álcool também.
Amber se lembrou de Tennessee bebendo cerveja ocasionalmente.
— …Eu já abri uma concessão até aí. Vá para dentro.
O garoto bateu no chão com a Cinder. Ele conseguiu ouvir alguém saindo da casa, tendo visto o carro de Tennessee. Não havia muito tempo. Não, o tempo sempre era curto demais quando ele estava com Tennessee.
Então Tennessee tirou dinheiro vivo. Eram trezentos dólares. O garoto ficou boquiaberto. Tennessee, interpretando de outra forma por causa da não aceitação do garoto, tirou mais trezentos dólares e entregou a ele.
— Você ainda não consertou esse hábito terrível?
Quando ele ficou fora por três meses, comprou um celular para ele, mas agora que vai ficar fora por dois anos, está dando dinheiro vivo. Ele sabia que essa não era a intenção, mas continuava se irritando.
Tennessee precisa aprender a se reconciliar de outras maneiras que não sejam compensações materiais. Será que é porque ele tem muito dinheiro que continua tentando resolver as coisas financeiramente? Mesmo os ricos Elizabeth e David não faziam tanto assim.
— Tennessee, fume um pouco menos também.
Amber estava sendo sincero. Quando ele repreendeu Tennessee, que estava prestes a pegar um cigarro, ele apenas soltou uma risada abafada.
— Você sabia? Maconha faz menos mal ao corpo do que cigarro.
É isso que ele está aprendendo enquanto recebe ensino doméstico? Tennessee semifechou um dos olhos enquanto acendia o cigarro.
— Maconha também vicia menos.
— Eu não gosto disso.
Lembrando-se da aversão de Tennessee a drogas, o garoto assentiu.
— Mas você sabia?
— O que foi agora.
— Álcool também é uma droga. É apenas a diferença entre legal e ilegal, mas o álcool também é classificado como uma droga.
— Eu sei.
— Então você não deveria beber álcool também.
Amber se lembrou de Tennessee bebendo cerveja ocasionalmente.
— …Eu já abri uma concessão até aí. Vá para dentro.
O garoto bateu no chão com o tênis. Ele conseguiu ouvir alguém saindo da casa, tendo visto o carro de Tennessee. Não havia muito tempo. Não, o tempo sempre era curto demais quando ele estava com Tennessee.
— Adeus, Tennessee.
— Adeus, Amber.
Era uma despedida, embora breve. Era ainda mais para Amber. Não havia como entrar em contato com ele, nenhuma maneira de transmitir esses sentimentos complicados a ele.
— Ah, Tennessee. Você se lembra daquela vez? Você disse que me contaria uma coisa.
Amber aumentou o tom de voz para as costas de Tennessee, que se virava sem arrependimentos, como se nem sequer estivesse triste.
“Quando eu voltar, responderei a uma pergunta que você fizer.”
Tennessee, lembrando-se de suas palavras, assentiu.
— …Qual é o seu nome?
Não Tennessee, mas o nome que seus pais biológicos lhe deram quando nasceu.
— Leandre Blake Johns.
Tennessee respondeu com extrema facilidade, considerando o quão firmemente ele o havia mantido escondido até agora. “Um nome mais normal do que eu pensava?” Esse tipo de expressão sutil ficou evidente no garoto.
— Estou indo.
— Adeus. — resmungou o garoto. Ele agora estava acostumado com as costas de Tennessee. Uma adaptação indesejada.

── ⋆⋅☆⋅⋆ ──

A FBI era basicamente uma Agência Federal de Investigação, por isso não estava livre de problemas de jurisdição sempre que operava em outros países. Mas, ao empregar indivíduos como Tennessee, eles podiam arranjar desculpas para estar fora de sua jurisdição.
Como não era oficialmente afiliado à FBI, Tennessee não esperava que a agência o protegesse nem um pouco. Ele era uma ponta solta que podia ser cortada a qualquer momento, mas aceitou a situação sabendo disso.
“Eu não deveria começar a fazer planos para o futuro?”, pensou Tennessee.
— O que você está fazendo? — perguntou Kaylen, pegando um sutiã que havia caído debaixo da cama. Ela prendeu o fecho de qualquer jeito e depois pegou uma camiseta que estava caída no chão.
— Ah, era sua.
Ela tinha vestido porque a cor era parecida, mas acabou sendo de Tennessee. Vestir as roupas de Tennessee, que eram muito maiores que as dela, fazia seus ombros parecerem caídos. Kaylen, encontrando suas próprias roupas com atraso, tirou a blusa de Tennessee.
Tennessee não respondeu. Kaylen, por curiosidade, esticou o pescoço e olhou para Tennessee. Ele estava olhando para algo em seu laptop. Um e-mail. Para ser exata, Tennessee estava olhando para uma foto do garoto anexada ao e-mail.
Era as informações de contato que ele tinha dado aos pais adotivos de Amber, pedindo que eles o contatassem de vez em quando. Ele nem tinha dado um endereço de e-mail para o garoto, com medo de que isso pudesse interferir no processo de adaptação à nova família.
David e Elizabeth eram pessoas afetuosas e amorosas, e pareciam acreditar que Tennessee era igual.
Eles enviavam fotos dos momentos aconchegantes da família a cada duas ou três semanas. Era sempre o mesmo, independentemente de Tennessee responder ou não.
Nas fotos, a altura de Amber aumentava gradualmente, seu maxilar começava a aparecer como se tivesse sido esculpido, e seu pescoço e ombros se tornavam mais grossos.
As fotos, que inicialmente não tinham expressão, aos poucos começaram a capturar o sorriso natural de Amber, pouco a pouco. Dado mais tempo, Amber seria capaz de sorrir abertamente sem reservas, assim como tinha feito durante a viagem à Flórida. As fotos estavam cheias desses sinais positivos.
— Você sabe que isso é estranho, certo?
Kaylen continuou, vestindo seu shorts.
— Ficar olhando a foto de um garoto depois de ter um momento quente com sua parceira sexual.
Aborrecimento e absurdo se revelaram simultaneamente nos olhos de Tennessee. Ele claramente não gostou da nuance. Tennessee franziu a testa, prestes a revidar, mas Kaylen, tendo avistado a foto do garoto, exclamou em admiração.
— Ele cresceu muito.
Então, ela inclinou o rosto por trás de Tennessee e acrescentou:
— Ele deve fazer muito sucesso. Quantos anos você disse que ele tinha?
— Oitavo ano. Agora ele vai entrar no ensino médio.
— Só isso? Mas ele é alto, não é?
Os pais adotivos de Amber tinham dito que a altura de Amber estava aumentando dia após dia, mas Tennessee não tinha realmente percebido isso. Isso se devia em parte ao fato de que a maioria das fotos de Amber que haviam sido enviadas eram fotos individuais, e também porque o crescimento não era intuitivo apenas olhando para as fotos.
No entanto, ao ver uma foto recente tirada com seu pai adotivo, David, Tennessee percebeu o quanto Amber tinha crescido. Tennessee até duvidou momentaneamente da autenticidade da foto.
— Vou vê-lo em breve. — Tennessee assentiu.
— Já faz um mês, então você finalmente pode descansar desta vez. Onde você disse que vai ficar durante esse tempo?
— Aqui e ali.
— Vamos nos encontrar mesmo depois que você voltar para casa.
Kaylen, que tinha o princípio de não cultivar amantes por ambições políticas e objetivos, era uma parceira sexual decente. Ela era honesta e proativa na cama, e até direta.
A atitude de Tennessee não era muito diferente, então eles mantinham uma relação limpa e sem envolvimento emocional por muito tempo. Os dois já haviam sido íntimos em Teerã, Kandahar, Bagdá, Islamabad e Kuala Lumpur.
— Estou planejando ficar em Chicago por cerca de uma semana. Venha então.
— Está bem.
Fechando o laptop, Tennessee pensou em Amber, que encontraria em algumas semanas. Como o garoto seria diferente pessoalmente? Na foto, Amber erguia levemente as pontas dos lábios. Olhos suavemente úmidos.
Seu rosto havia mudado muito, mas olhar para as fotos imediatamente trazia de volta as lembranças de sua infância. Mas assim que ele desviava o olhar, não conseguia imaginar muito bem o garoto sorrindo. Toda vez que olhava para uma foto, ele se surpreendia, pensando: “Ah, era assim que era o rosto dele, era assim que era a energia dele.”
— Você o contata com frequência?
Ele não sabia se podia chamar aquilo de contato. Em vez de os dois terem uma conversa, era mais próximo de Tennessee assistir Amber unilateralmente.
Tennessee ainda tinha pessoas que reportavam sobre Amber. Se havia sinais de abuso, se ele estava sofrendo bullying na escola, se havia algum problema de saúde, coisas assim. O último relatório que ele recebeu foi há algumas semanas.
“Como Amber estava indo?”
Mesmo sabendo, ele não conseguia deixar de se perguntar.

── ⋆⋅☆⋅⋆ ──

Naquele momento, Amber estava enfurnado em seu quarto. Ele tirou a gravata do uniforme escolar e sentou na cama, passando a mão na testa. Amber acreditava que sua vida era tranquila. E, de fato, na superfície, era.
Ele quase sempre jantava com a família à mesa, nunca tinha causado problemas na escola e suas notas eram boas. Mas havia uma parte em Amber que não podia ser preenchido com uma “vida normal”.
Amber olhou para o celular. Também não havia contato de Tennessee naquele dia. Bem, ele era uma pessoa mesquinha quando se tratava de contato. Pensando bem, ele sempre tinha sido basicamente gentil e tinha permitido muitas coisas a ele, mas nunca havia tomado a iniciativa de se aproximar primeiro.
Frio e indiferente. “Se você juntasse as lágrimas que derramei por sua causa, teria uma lagoa funda o bastante para se afogar.”
Amber estava com raiva de si mesmo por não conseguir parar de pensar em Tennessee. Tennessee estava sempre no dia a dia de Amber. Mesmo durante a aula, quando passava tempo com a família ou quando se exercitava, uma parte da consciência de Amber invariavelmente estava ao lado de Tennessee, e ultimamente estava ainda pior.
Uma semana atrás, não, teriam sido duas semanas? Amber teve um sonho. Um sonho em que Tennessee aparecia. Porque ele o tinha tratado com tanta gentileza que lhe trouxe lágrimas aos olhos, Amber percebeu que era um sonho.

Tennessee estava beijando uma mulher. Ao ver seu maxilar anguloso e seus movimentos sensuais, Amber ficou parada, sem saber o que fazer. Quando seus lábios se encontraram, Tennessee ergueu a cabeça. Seus olhares se cruzaram enquanto Tennessee tocava o corpo macio da mulher. Era como se estivesse caindo naqueles olhos azuis.

— Venha aqui, Amber.
No sonho, ele disse isso, e ele perdeu a vontade e andou em sua direção, em branco.
— Bom garoto.
Foi um elogio doce. Amber mordeu o lábio inferior, sentindo que ia chorar sem perceber. Era um tom que ele só tinha ouvido de Tennessee uma vez. O momento em que ele tinha aberto os olhos em estado febril e turvo, e tinha recebido remédio e sido puxado para seus braços, se repetiu.
— Você não queria me ver?
A voz de Tennessee estava extremamente suave, ao contrário do normal. Era como se uma camada da frieza que ele sempre mantinha firmemente em volta de si tivesse sido descascada.
— Eu queria, eu queria ver você.
— Eu sei.
“Isso é mentira? Então por que você não me contatou? Por que você nunca veio me ver? Você sequer pensou em mim? Eu sou mesmo esse tipo de existência para você?”
Mesmo no sonho, Amber era atormentado por perguntas. Ele se perguntava se deveria derramar friamente essas perguntas para Tennessee, ou se deveria suprimir o impulso, mas um gole de emoção escapou.
— E você, Tennessee?
— Eu também.
Foi só o que ele disse.
Quando abriu os olhos com o barulho alto, Amber percebeu que o som não era outro senão o de seu próprio coração. Amber, que se levantou, enterrou o rosto quente nas palmas das mãos.

Ele esfregou o rosto várias vezes. Sua frequência cardíaca disparou. Mesmo assim, Amber não ficou nem um pouco surpreso. Parecia algo que inevitavelmente aconteceria
Não havia um momento sequer em que ele não pensasse em Tennessee. Mesmo agora, ele se lembrava de quando Tennessee entrou sem bater enquanto ele tomava banho. Provavelmente não fazia muito tempo que ele tinha conhecido Tennessee. Ele desconfiava dele, mas, por outro lado, parecia estar feliz com a presença de Tennessee.
As palavras e ações que Tennessee havia feito na frente dele, que estava assustado, eram claramente lembradas como se estivessem escritas em algum lugar. O cigarro se apagando na água do vaso sanitário.
Olhando para trás agora, parecia que ele tinha jogado o cigarro fora por consideração a ele. Desde então, Tennessee não fumava muito na frente dele. Ele só costumava segurá-lo na boca. Ele só era gentil em momentos como aquele.
Desde então, ele às vezes sonha. Imaginando Tennessee abraçando-o, assustado. Uma fantasia fútil em que ele passa a mão em seu cabelo sem se importar que seu terno de alta qualidade fique todo molhado, e o acaricia suavemente, dizendo que está tudo bem.

Realidade e desejo se misturam. O leve cheiro de Tennessee se misturando com o aroma do vento. A presença quente dele o abraçando forte, dizendo que sentia muito por estar atrasado.
Quando pensa nesse Tennessee, ele sempre faz esta pergunta.
“Ele um dia vai me valorizar? Como neste sonho.”

↫─☫ Continua….

⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr

Ler Amber Alert (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um assassino de aluguel. Tennessee não tinha a intenção de maquiar sua profissão. Ele se mantinha fiel à sua própria natureza moralmente falida e ao seu passado. Era uma vida monótona, mas ele não achava que fosse ruim.
Pelo menos até encontrar algo no carro roubado.
— Qual é o seu nome?
— …Não vou te contar. Você vai rir.
— Então qual é o seu nome?
— Tennessee.
— Isso é seu nome ou sobrenome?
— Você não precisa saber.
A criança inclinou a testa para fora pela janela traseira. Seu cabelo preto esvoaçava ao vento.
Um sequestro involuntário. Foi assim que a relação entre Tennessee e a criança começou.
***
Fogo ardia em seus olhos.
Tennessee, eu deveria ter arrancado essas suas pernas.
Ele respirou fundo, sobrecarregado pelas emoções intensas que se transformavam numa mistura de amor e ódio.
Sua perna não deveria ter sido apenas quebrada, deixada para você se apoiar torto nela, deveria ter sido danificada além de qualquer reparo.
Eu deveria cortar suas duas pernas e colocá-las num saco, depois colocar uma coleira no seu pescoço. Vou amarrar essa coleira nas minhas pernas perfeitamente saudáveis.
Um silêncio sufocante se instalou. Seu corpo desabou, sem forças.
Suas palmas estavam pegajosas. O que ele pensava ser suor era, na verdade, sangue escorrendo. Sem energia nem para enxugá-lo, ele enterrou o rosto nas mãos.
Era horrível. Esta versão de si mesmo. A situação toda. Era o próprio desespero. Se ele desistisse, se Tennessee escapasse assim…
Ele não conseguiria seguir vivendo.
Nome alternativo: Amber Alert Alerta Amber

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