Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 144 Online


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⚝ Capítulo 144
Houve um silêncio aterrorizante. Eu também estava em choque com a situação inesperada e prendi a respiração. Tardiamente, minha tia soltou um grito e o promotor interveio:
— Senhor, o que… O veredito ainda não foi anunciado!
— Eu não estou julgando, fique quieto.
Diante do tom cortante de Asgyle, ele se calou imediatamente. O Príncipe Herdeiro continuou:
— Isso não tem nada a ver com o julgamento do Yohan. Estou acusando a pessoa que usurpou o cargo de senhor através de artimanhas, sem o devido processo legal. De acordo com a lei real, a identidade e as propriedades do criminoso devem ser confiscadas, e ele deve cumprir uma pena de 30 anos. Portanto, estou apenas tomando as medidas cabíveis conforme a lei. Alguma objeção?
Ninguém respondeu. Ouvia-se apenas o som sutil de dentes batendo em algum lugar. A voz áspera do príncipe prosseguiu:
— Punirei esses fraudadores de acordo com a lei. Que a sentença seja executada assim que eu deixar este tribunal.
— Sim, meu senhor — uma voz grossa respondeu. Provavelmente era um guarda.
— E mais uma coisa.
Quando pensei que havia terminado, ouvi a voz de Asgyle novamente. Naquela quietude, ele deu uma nova ordem:
— Queimem suas línguas com ferro em brasa.
— Perdão?
Houve uma agitação momentânea. Senti um pequeno estrondo e um movimento; minha tia gritou. Então, meu tio implorou urgentemente:
— Senhor, o que está dizendo? Como pode dar uma ordem dessas… Isso é demais!
O promotor também interveio para ajudar:
— É verdade, meu senhor. A punição conforme a lei é o chicoteamento; isso é severo demais, por favor, retire a ordem.
Houve uma mistura de respirações pesadas e gemidos ansiosos. No entanto, não havia nenhum tremor na voz de Asgyle.
— Esta é a punição pelo pecado que ousaram cometer. Após o castigo, joguem-nos na masmorra até o próximo julgamento. Quando o processo terminar, exile-os juntos para um oásis longe da cidade, onde deverão viver pelo resto de suas vidas.
— Vossa Alteza!
— Não pode ser! Como pode fazer isso?
Meu tio e minha tia gritavam alternadamente. Então, a voz da mulher continuou:
— Vossa Alteza, por favor, tenha piedade! Sem nós, o que será da criança e do Salaam? Ele ainda precisa de tratamento médico!
Diante dos gritos, Asgyle respondeu com indiferença:
— Se quiserem mantê-lo no hospital, que o façam. A escolha é de vocês.
Meu tio chorou em uma voz desesperada:
— Depois de nos privar de todos os cargos e propriedades, como… como espera que nosso filho seja tratado?
Assustei-me com a voz dele, que estava quase embargada pelo choro, mas Asgyle não respondeu.
— Isso é realmente lamentável.
Era uma voz que não carregava nenhum sentimento de simpatia. Os prantos aumentaram diante da frieza que não lhes deixava sequer um lugar onde se amparar.
— Meu senhor! — o promotor gritou novamente. — O senhor não pode apenas ouvir o acusado durante o julgamento. Como pretende prosseguir com o processo?
Ao promotor que corajosamente fez a pergunta, Asgyle respondeu com uma voz vazia, tingida de um riso seco:
— Apenas uma boca para testemunhar é o suficiente.
Os gritos do casal, assim como o barulho das pessoas ao redor, desapareceram em um instante. No silêncio gélido, Asgyle continuou:
— Ouvi dizer que o casal se dava muito bem, então estou ansioso para ver quem deles ocupará aquele assento no próximo julgamento.
— Ah… Aaaaah!
Minha tia soltou um grito. Um canto do meu coração gelou com os gritos misturados a sons rudes, como se ela estivesse sendo arrastada.
— Meu senhor, por quê?! Por quê?! Eu não fiz nada! Soltem-me, soltem-me! Eu não sou culpada…!
— Vossa Alteza, sinto muito! Como pode me punir assim, meu senhor…!
Os gritos eram ouvidos alternadamente. Era a voz dos meus tios.
— Vossa Alteza, ao impor uma punição, deve-se notificar o nome do crime. Que crime eles cometeram? — perguntou o promotor com voz ansiosa.
E, do nada, veio a voz fria de Asgyle:
— O crime de perturbar o meu estado de espírito.
Os gritos do meu tio cessaram. A voz de Asgyle foi ouvida em meio aos gritos da minha tia, que continuava a berrar.
— Eu não disse que o perdão só vem uma vez?
— Não… Ah, ah, ah…!
Os gritos, que ecoavam tão alto como se as cordas vocais estivessem sendo rasgadas, finalmente silenciaram. Na sala agora quieta, eu estava encolhido, prendendo a respiração.
De repente, ouviu-se um ruído metálico à distância e uma cadeira se moveu. Enquanto eu me encolhia ainda mais pelo susto, Asgyle falou acima da minha cabeça:
— Acabou. Levante-se.
Era uma voz suave, incomparável ao tom que eu acabei de ouvir. Seria mesmo a mesma voz que ele usou tão friamente contra meus tios? Balancei a cabeça, confuso e hesitante. É claro que tudo o que eu via era apenas aquele pouco de luz.
Senti uma estranha sensação de alienação. O quê? Surpreendentemente, alguém sussurrou suavemente por trás:
— O que está fazendo? O Príncipe Herdeiro não está esperando por você?
Com essas palavras, lembrei-me das ordens de Asgyle. Se eu contrariasse o humor do príncipe, algo terrível poderia acontecer. Entrei em pânico e tentei me levantar às pressas, mas acabei caindo para frente.
— Ah!
Com um grito curto, inclinei-me e toquei o chão com as duas mãos. Por sorte, não caí de cara, mas o problema era este: uma vez que meu centro de gravidade vacilou, eu não conseguia mais perceber nada ao redor. Onde estava o Príncipe Herdeiro?
Se eu pudesse sentir o cheiro dos feromônios, tentaria usá-los como guia, mas ele não os liberava. Descobri mais tarde que, no tribunal, era regra geral que tanto Alfas quanto Ômegas escondessem seus feromônios sem exceção, para não nublar o julgamento dos outros. Mas, graças a isso, eu estava completamente desorientado.
Tateei o chão, tentando me segurar em algo. O piso de pedra frio entrou em contato com a sujeira e a poeira na minha mão estendida às pressas.
“Onde você está? Onde você está? A mesa… cadê a mesa?”
O pé de madeira angulado finalmente alcançou minha mão. Era a perna da mesa. Suspirei de alívio, apoiei as mãos e me levantei. Mas, imediatamente depois, surgiu outro problema. Eu estava olhando para o nada atrás de mim quando ouvi a voz de Asgyle:
— Para onde você está olhando agora?
Ao ouvir isso, tentei me acalmar e me virar. Eu ainda não o via, mas tentei manter o olhar no nível onde imaginei que ele estivesse. Vendo-me assim, Asgyle perguntou:
— …Você não consegue enxergar?
A voz dele parecia tremer levemente. No momento em que congelei, o aroma dos feromônios subitamente se espalhou como uma rajada. Asgyle, que me abraçou com força quando eu estava prestes a perder os sentidos, falou em voz rouca:
— Desde quando?
Eu não consegui responder. Apenas tentava fixar o olhar onde achava que ele estava. Poderia ser o rosto dele, mas eu não tinha certeza. Agora, até aquela luz estava desaparecendo gradualmente.
***
— Yohan! Vamos lá — Najima me saudou com doçura.
Naturalmente, abri os braços ao ouvir sua voz. Najima aproximou-se, deu-me um abraço apertado e logo se afastou. Em seguida, senti o abraço da enfermeira que a acompanhava.
Naquele país, o contato físico entre homens e mulheres era proibido, mas os Ômegas eram uma exceção — eram vistos quase como seres à parte da sociedade humana, o que permitia certas liberdades.
Após as saudações, sentei-me guiado pela enfermeira. Najima aproximou-se, projetou uma luz em meus olhos, examinou-me cuidadosamente e, após terminar, suspirou.
— Seja honesto, Yohan. O que você consegue enxergar?
Hesitei antes de responder.
— Nada…
— Absolutamente nada? — A voz dela subiu um tom, carregada de uma preocupação que beirava o temor.
Encolhi os ombros diante de sua reação.
— A luz… eu ainda vejo… só um pouco.
— Isso é muito sério — Najima respirou fundo.
Na verdade, os exames detalhados já haviam sido feitos. No dia anterior, assim que o Príncipe Herdeiro descobriu o estado dos meus olhos, ele me levou pessoalmente ao maior hospital do reino. O diagnóstico foi cruel: eu estava prestes a perder a visão totalmente. A única esperança seria uma cirurgia de implante de lentes, mas a tecnologia necessária só existia nos Estados Unidos.
— Ainda não temos esse equipamento médico aqui — o doutor havia dito com pesar. Eu apenas aceitei; meu coração já estava dormente para notícias ruins.
Mas o Príncipe reagiu de forma diferente. Após uma conversa particular com o médico, ele voltou com uma decisão inesperada.
— Você vai mesmo para o deserto com o Príncipe Herdeiro? — a enfermeira perguntou, interrompendo meus pensamentos.
Virei o rosto na direção do som e confirmei. Ela continuou, animada:
— O Príncipe sempre gostou de ir ao deserto, mesmo antes de assumir tantas responsabilidades. Ele ama cada canto deste país. Se os seus olhos estivessem bons, Yohan, seria uma visão magnífica para você.
Ela parou de falar subitamente, percebendo que tinha tocado em um assunto sensível. Percebendo o clima pesado, tentei mudar de assunto:
— O Rikal tem uma namorada ultimamente. Vocês sabiam disso?
— Oh, sério? — Najima aproveitou a deixa e começamos a falar sobre amenidades.
— Ouvi dizer que haverá um concurso de tecelagem de tapetes, você ficou sabendo? — Najima me perguntou.
— Não — balancei a cabeça. Mesmo que soubesse, não teria como participar naquele estado.
Najima continuou:
— Eu estava ansiosa para ver o seu novo trabalho, é uma pena. Mas não há o que fazer agora, não é, Yohan?
Senti o toque de Najima em meu ombro, um gesto de encorajamento. Eu estava confuso sobre o porquê de ela, sendo a princesa, ser tão atenciosa comigo. Foi então que percebi algo.
— Mas… a princesa… eu…
— Ah, você está preocupado com a viagem ao deserto? — Najima disse, com um tom leve. — Sabe, eu visitei o Príncipe e comentei como era uma pena não poder ver o seu rosto ultimamente.
Ao ouvir Najima falar assim, fiquei ainda mais sem graça. Eu partiria em breve com o noivo dela, e ela parecia genuinamente feliz por mim. Baixei a cabeça, mas Najima soltou uma risadinha suave e sussurrou perto do meu ouvido, como se revelasse um segredo de estado:
— Não precisa se sentir assim. Afinal, todo mundo sabe que o Yohan é o primeiro amor do Príncipe Herdeiro.
— O quê?
Levantei a cabeça bruscamente. O que ela estava dizendo? Eu estava completamente atordoado, mas a Princesa Najima continuava a sorrir, confirmando aquela verdade inesperada.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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