Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 143 Online

⚝ Capítulo 143
— Eu tenho uma objeção! — disse o promotor com uma voz ríspida. O som irritante da cadeira sendo empurrada para trás precedeu sua fala. — A identidade do acusado não importa agora. O Príncipe Herdeiro está obscurecendo a essência do caso. Peço que foque nas evidências!
— É claro que o status não importa. Eu também estou aqui como advogado — respondeu Asgyle, simplesmente ignorando a objeção do promotor. — Não estou tentando apenas revelar quem é o acusado, mas sim a sua verdadeira natureza. Isso não é obviamente diferente?
— O senhor está brincando com as palavras — o promotor continuou protestando, furioso. O juiz interveio:
— Com todo o respeito, meu senhor, peço que se abstenha de tais comentários, a menos que estejam relacionados ao julgamento.
— Há uma relação — o ambiente silenciou e Asgyle continuou: — Existe uma enorme lacuna no meu raciocínio, sabem qual é? — Ele fez uma pausa, como se estivesse confirmando a reação de todos. No silêncio, o promotor abriu a boca.
— O corpo no corredor — acrescentou para Asgyle rapidamente. — Os corpos dos funcionários. Essa parte não pode ser explicada apenas com a sua hipótese.
— Sim — Asgyle aceitou as palavras dele com naturalidade. — Se os corpos no quarto foram resultado deles se matarem uns aos outros, o que dizer dos funcionários no corredor? Eu não entendia. Mas e se o Yohan fosse o herdeiro legítimo das terras de Al-Fatih?
Então ele falou mais rápido:
— Se seguirem o rastro dos funcionários mortos, poderão ver o movimento do criminoso. Vejam, assim.
Pouco depois, ouviu-se uma exclamação geral.
— Esse é o caminho por onde o Yohan saiu do quarto do Salaam.
Ninguém disse nada. Após um momento de silêncio, Asgyle retomou:
— Todos que viram o Yohan e sabiam dele morreram. O que isso significa? Não acham que alguém que não deveria ser descoberto criou esse cenário infernal? Quem seria essa pessoa?
— Vossa Alteza! — Ouvi o grito de choque do meu tio. Mas o Príncipe Herdeiro não deu trégua e continuou:
— Após a morte do antigo senhor de Al-Fatih, o Yohan se manifestou como Ômega. E, dizem que alguém o denunciou; o tio, que descobriu antes, o mandou para um oásis remoto. Ele viveu lá sozinho, sem contato com ninguém, até atingir a maioridade.
— De jeito nenhum, não, não! Perdão, juiz…!
Ouviu-se uma batida na mesa. Meu tio, que estava gritando, calou-se subitamente. Asgyle disse calmamente:
— Sete anos.
Assustado com o som do tapa na mesa, encolhi os ombros e continuei ouvindo. A voz calma de Asgyle prosseguiu:
— E o autor assumiu o lugar vago do senhor de Al-Fatih. Anos se passaram e, quando o Yohan atingiu a maioridade, ele novamente convocou o réu para a propriedade. Por quê? Por acaso ele queria devolver as propriedades ao Ômega e restabelecer o herdeiro? É claro que não.
Admirei em meu coração o raciocínio quase perfeito dele. Certamente houve muita pesquisa, mas o que ele disse até agora era próximo da verdade. Afinal, nada do que ele disse sobre o Camar era verdade, não é? Colocar uma mentira sobre noventa e nove verdades faz com que tudo pareça real. Só então entendi plenamente as intenções de Asgyle.
— O Senhor Al-Fatih herdou o fundo de reserva preparado pelos seus antecessores — continuou Asgyle. — Isso é passado de geração em geração, e se alguém que não seja o herdeiro legítimo assume devido a um acidente infeliz, o patrimônio retorna ao tesouro nacional, sendo costume que a nova geração prepare o fundo para a próxima. Aqui, o novo herdeiro que usurpa a propriedade não receberia nada para si. Sim, o autor não pôde suportar isso. Ele precisava de paciência.
Nem o promotor nem o tio falaram mais nada. No silêncio, apenas a voz de Asgyle era ouvida.
— Eles mantiveram o réu vivo até a idade adulta para obter o controle do patrimônio. Após conseguirem o dinheiro, pensariam em se livrar dele. Depois de trazer o Yohan do Oásis para herdar o fundo, ele revelaria que o rapaz era Ômega e tomaria legalmente o lugar de senhor. Dessa forma, ele calculou que tanto o dinheiro quanto as terras seriam dele. No entanto, houve um erro de cálculo.
Seu filho, cegado pela luxúria, cometeu uma atrocidade ao tentar violar o Yohan.
— Bem, isso não é…
Meu tio tentou negar, mas o juiz o impediu.
— Autor, por favor, permaneça em silêncio. Se desejar continuar participando deste julgamento, ordene que se cale ou pedirei que se retire.
— Obrigado, juiz — após o cumprimento, Asgyle continuou: – Se um Ômega comete um assassinato, geralmente é sentenciado à morte sem nem passar por um tribunal. Se o Yohan tivesse sido capturado na época, teria sido executado sumariamente, mas ele conseguiu fugir. A partir daí, o Senhor Al-Fatih entrou em apuros. Se fosse revelado que o Yohan é o herdeiro oficial, não importa o quanto seja Ômega, haveria um julgamento, e o fato de ele ter usado uma artimanha assim para usurpar o cargo de senhor seria revelado. Ele perdeu o Yohan, e seu filho ainda cometeu um assassinato; o que fazer? Pensando nisso, ele bolou um truque para resolver tudo.
Ele fez uma pausa. Após o silêncio, Asgyle acrescentou com um suspiro:
— Ele criou um homem inexistente para esconder os pecados do filho.
— Não! — o tio gritou novamente, mas o grito logo se tornou um murmúrio. Foi como se alguém tivesse tapado a boca dele. Asgyle prosseguiu:
— Se o Yohan tivesse permanecido na mansão, ele poderia culpá-lo pelo assassinato perante a polícia, mas esse não era o caso, e ficaria difícil encobrir a história. Mas se houvesse outro homem como cúmplice, seria diferente. Deixe o cúmplice desaparecer para sempre e, se apenas o Yohan for pego e eliminado, tudo será perfeito. É aqui que surge o problema: os funcionários que sabem que o Yohan estava sozinho na mansão. Ele deve ter tido medo de perder o controle. Só havia uma opção para o autor aqui: eliminar todos que viram o Yohan e colocar a culpa no homem imaginário.
— Vossa Alteza, o senhor está supondo demais! — o promotor protestou novamente, mas o juiz o parou.
— Continue, meu senhor.
— Obrigado — Asgyle fez um sinal de assentimento e continuou: — Criar um cúmplice… e assassinato é uma sentença de morte incondicional, onde ninguém ouviria o que o réu tem a dizer. No entanto, a menos que a identidade do acusado fosse revelada, o patrimônio não importaria mais. No mínimo, o título de senhor que ele obteve seria revogado. Como ele não podia fazer nada, pensou que seria melhor apenas se livrar dele.
O promotor objetou novamente:
— Ainda há uma lacuna na sua hipótese. O senhor disse que o funcionário viu o assassinato e correu para relatar. Não seria o momento certo?
— Isso é realmente verdade? — parecia haver um riso na voz de Asgyle. Como se estivesse rindo do promotor e de todos os outros sentados ali. — O autor enganou o próprio sobrinho para tomar seu lugar, deixou-o abandonado por mais de sete anos, obteve o dinheiro e o mandou para a morte. Uma pessoa assim realmente diria a verdade?
Ouviu-se o som de papéis, mas logo parou.
— Após investigação, o funcionário disse que pediu demissão pouco tempo depois. Foi esse funcionário quem descobriu o corpo primeiro e deu o único testemunho. Podem garantir que ele não forjou o relato em conjunto com o senhor?
— Absurdo! Chamem-no e ele pode testemunhar agora mesmo! — foi a minha tia quem gritou. Ao seu grito histérico, Asgyle respondeu friamente:
— Infelizmente, senhora, ele morreu em um acidente misterioso pouco tempo depois de deixar o emprego.
A intenção por trás da palavra “misterioso” era clara. O promotor perguntou imediatamente:
— Como descreveria as impressões digitais e o DNA? A prova de uma identidade que não foi revelada até agora!
— Como garante que não eram restos do dia anterior?
O promotor calou a boca diante da pergunta de Asgyle.
— Está dizendo que até as evidências foram plantadas por mim agora? — a voz trêmula era do meu tio. Asgyle não falou, mas o clima já estava definido.
— Isso é tudo.
Após o breve discurso, o Príncipe Herdeiro retornou ao seu lugar. O som dos passos aproximou-se, seguido pelo som da cadeira; logo pude sentir a presença dele ao meu lado. Ele hesitou, olhou para mim e logo pegou minha mão. Depois disso, um suspiro de alívio escapou de mim.
Eu queria agradecer, mas o juiz falou primeiro:
— Se ambos os lados não têm mais nada a discutir, encerrarei por hoje.
Senti as pessoas se levantando ao redor e rapidamente me pus de pé. Após um momento, ouvi um burburinho e soube que o julgamento havia terminado.
— Ufa… — foi o tempo de fechar os olhos e soltar um suspiro trêmulo novamente.
— Esperem, parem aí.
O ambiente subitamente ficou quieto com a voz de Asgyle. O calor que segurava minha mão desapareceu, e ouvi o som de Asgyle se levantando.
— Meu senhor, o julgamento terminou, mas… — o promotor começou a falar hesitante, mas Asgyle respondeu: — Sim, o julgamento terminou. Portanto, sejam educados.
Junto com isso, houve barulhos por toda parte. Apressei-me a ajoelhar no chão e baixar a cabeça, como esperava que os outros fizessem. A voz de Asgyle veio de cima:
— Jarwal bin Faisal bin Abdul Aziz al Hamed, senhor de Al-Fatih, e sua esposa. Eles serão destituídos de todos os cargos e propriedades, e sentenciados a 30 chicotadas cada.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho