Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 63 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 63

No silêncio mortal do salão, eu permaneci encolhido de joelhos, atordoado e paralisado. Eu não conseguia sequer imaginar o motivo pelo qual Asgyle havia pedido para ficar sozinho comigo. Eu estava apenas agudamente ciente do cheiro de feromônios que pesava sobre todo o meu corpo como uma rocha esmagadora.
Tentei suprimir a minha respiração, que ameaçava ficar cada vez mais rápida e errática. Ao levantar a cabeça cuidadosamente, meus olhos imediatamente se encontraram com os do Príncipe Herdeiro. Asgyle parecia não tirar os olhos de mim desde que a porta havia sido fechada. Meu coração bateu dolorosamente ansioso sob aquele olhar descarado e ameaçador.
Ele e eu éramos os únicos acordados no enorme salão. Havia dezenas de Ômegas rolando e gemendo no chão e na cama, mas nenhum deles estava são ou em seu juízo perfeito. Eles sequer pareciam lembrar o que estava acontecendo agora que a droga os havia lançado no ápice da excitação do cio.
O cheiro adocicado e úmido dos Ômegas, misturado ao feromônio denso de Alfa Dominante que o Príncipe Herdeiro despejava sem controle no ar, paralisava o meu próprio sentido de olfato. O formigamento que tomava o meu corpo provavelmente devia-se à exposição bruta aos feromônios de Camar.
Fechei os punhos com força de propósito. Minhas unhas cravaram nas minhas palmas suadas e a dor ajudou a minha mente a clarear um pouco. Asgyle, que não havia falado nada até então, finalmente abriu a boca.
— …Então, o que é que você sabe fazer?
Não havia uma gota de emoção em sua voz silenciosa e opaca. Eu não fazia ideia se ele estava genuinamente curioso, se estava rindo de mim ou se era apenas uma ameaça. Engoli a seco e abri a boca com dificuldade. De repente, uma confusão inundou a minha mente.
“Estou olhando para o Camar… ou para Asgyle?”
— Eu apenas… Tudo o que eu fiz foi limpar e organizar as coisas… — confessei com a voz trêmula.
Ao me ouvir, os olhos de Asgyle se estreitaram.
“Ele não acreditou em mim?”
— Era como fazer recados ou arrumar o ambiente para ele… Eu só fazia coisas assim. Quanto à pesquisa, bem… eu não sei de nada.
Mesmo que ele fizesse mais perguntas, não havia o que dizer. Ele me encarou sem dizer uma palavra, como se tentasse arrancar de mim toda a verdade humilde. Estava se tornando cada vez mais difícil suportar o silêncio e o cheiro forte de feromônios que nos envolvia. Abri e fechei as mãos novamente, tentando recuperar os sentidos, quando Asgyle perguntou em um tom lento:
— Isso é estranho. É totalmente diferente do que o doutor Steward me disse.
— Como é?
Quando perguntei atônito pela primeira vez, ele curvou os lábios e deu um meio-sorriso amargo.
— Ele me disse que você era um pesquisador genial e que você era absolutamente essencial para a investigação dele. O seu homem disse que você estava desempenhando um papel indispensável.
Depois de ouvir aquelas palavras, fiquei sem reação. Senti meu coração palpitar de culpa ao perceber o quão duro Steward havia trabalhado para me encobrir e me proteger perante Asgyle, e aquilo me deixou ainda mais ansioso.
“Mas… Steward não está mais aqui.”
E se o doutor não voltar, ele mentiu para um membro da realeza… isso não seria uma sentença de morte?
Pensamentos complexos passavam pela minha cabeça enquanto Asgyle sorria com desdém.
— Foi com essa desculpa que o doutor implorou para que eu lhe desse a permissão para trazer você da América para cá. E depois ele continuou inventando todo tipo de desculpa para te manter escondido naquele laboratório.
Eu abri a boca para me defender, mas não havia nada a dizer, então apenas soltei um gemido baixo. Asgyle ergueu a taça de vinho como se já não esperasse nenhuma resposta decente da minha reação e continuou a falar:
— Foi uma piada interessante ele ter fugido, ao mesmo tempo em que deixou a preciosa razão de estar aqui para trás.
Ao contrário do que dizia, Asgyle não parecia nem um pouco feliz com aquilo. Eu lutei para quebrar a cabeça e tentar inventar alguma desculpa para salvar a pele de Steward de alguma forma. Mas nada me vinha à mente de tão em pânico que eu estava.
Então, antes que eu pudesse falar, Asgyle continuou:
— Sabe… quando eu estudava na Inglaterra…
Pisquei confuso com a mudança repentina de assunto. Asgyle abaixou a taça vazia no criado-mudo e continuou a falar em tom arrastado.
— Eu nunca tinha visto pessoas como você por lá. Um homem abraçando outro homem, chorando e abrindo as pernas de bom grado para ele.
— …
— Sendo que ele sequer é um Ômega.
Seu sorriso estava cheio de um nojo e um desprezo indescritíveis. Fiquei sem palavras e apenas o encarei com os olhos arregalados, digerindo a ofensa. Mal abri a boca, mas levou um pouco mais de tempo para a minha voz sair.
— Eu… e-eu… O doutor Steward e eu não temos esse tipo de relacionamento… Não somos isso.
Eu mal consegui negar antes de gaguejar, mas Asgyle não acreditou nem por um segundo. Em vez disso, ele soltou uma risada curta e decepcionada, e zombou de mim sem hesitação.
— Você não é nada, e mesmo assim ele trabalhou tão duro para te trazer até aqui e te manter ao lado dele trancafiado? Exatamente como você acabou de admitir: que não tem utilidade nenhuma?
— Isso é…
Eu também não tinha uma boa resposta para isso. Se eu tivesse dito que Steward havia apenas sido gentil o suficiente para me salvar de morrer nas ruas, Asgyle não acreditaria. Afinal, eu também não entendia por que o doutor era tão bom para mim, a ponto de colocar a própria vida em risco por um estranho.
— Você tem alguma ideia do porquê o seu homem voltou para os Estados Unidos com tanta pressa de repente? — Asgyle perguntou novamente.
Mais uma vez, não consegui responder. Ele balançou a cabeça, sorriu irônico e murmurou para si mesmo:
— Você é apenas um brinquedo inútil. Você realmente não sabe de nada.
— O doutor me disse… que havia uma emergência… — eu sussurrei.
Enquanto eu falava com a voz espremida e assustada, Asgyle me encarou em silêncio. Dentro do meu coração, um canto do meu peito esfriou de medo. Eu já havia adivinhado que algo muito grave tinha acontecido com Steward quando ele atendeu aquele telefone, mas não perguntei por pensar que era um assunto pessoal, algo que eu não tinha o direito de ouvir.
“Mas será que havia outro motivo pelo qual Asgyle o proibiu de me levar junto?”
— Você realmente é ingênuo a ponto de achar que ele vai voltar para te buscar? — o rosto do príncipe ao fazer aquela pergunta estava cheio de desconfiança. Assim como os homens que me arrastaram até ali, estava claro que Asgyle não confiava em Steward de forma alguma.
Hesitei antes de responder.
— Se ele não voltar, acredito que deve haver um motivo muito sério para ele ser impedido de fazê-lo.
— Parece que você realmente confia bastante nele.
Foi então que eu revidei a provocação, reunindo a coragem e perguntando cuidadosamente:
— Vossa Alteza também não confiava no doutor Steward…? Se não confiava, por que o trouxe até o outro lado do mundo e confiou a própria vida e o seu tratamento aos cuidados dele?
Asgyle me encarou em silêncio de forma sombria e gélida.
— Quantos anos você tem?
— Ahn… vou fazer vinte e um em breve.
Diante da resposta, Asgyle soltou uma risada sombria e balançou a cabeça. Mas, pela expressão dele, ele parecia estar apenas ficando mais irritado do que antes.
Eu estava extremamente nervoso, sentindo a aura assassina pesando, mas de repente Asgyle se moveu da cama.
Observei com espanto enquanto ele esticava o braço, agarrava uma garrafa de vinho colocada na mesa de cabeceira próxima e servia uma quantidade generosa em sua taça. Ele virou o copo goela abaixo de uma só vez, largou a taça de volta com força e olhou fixamente para mim.
Mesmo no meio de toda aquela inundação brutal de feromônios, dezenas de Ômegas se contorcendo ao seu redor e seu cio prestes a eclodir, Asgyle abriu a boca com uma precisão cirúrgica, sem nenhum sinal de agitação em sua voz e uma expressão calma e implacável.
— Se o Steward não fugiu e tiver a audácia de voltar, ele com certeza estará muito curioso sobre o progresso e a situação da pesquisa dele. Portanto, abra bem os olhos, assista cuidadosamente, e relate ao seu amante os resultados exatos do que ele me propôs a fazer amanhã.
Eu não conseguia sequer imaginar o que ia acontecer a seguir e do que ele estava falando. Mas, antes de tudo, eu não pude evitar falar e me apressar em negar.
— O doutor Steward não é meu amante.
Asgyle não disse nada. Tudo o que ele fez foi me olhar com frieza e desviar o olhar com desprezo.
“Por favor, não negue.”
Senti meu peito apertar dolorosamente, então respirei fundo.
“Camar, por favor… não chame o que temos de nojeira, e não negue o fato de que eu amo apenas você…”
Fechei os olhos rapidamente e os abri de novo, forçando as lágrimas acumuladas a caírem para limpar minha visão embaçada. Meus olhos mal haviam clareado, mas a visão que eu tive logo depois foi algo que eu nunca, em toda a minha vida, sequer seria capaz de imaginar ou estar preparado para assistir.
Asgyle agarrou um dos Ômegas, que havia subido engatinhando e se contorcendo até a borda da cama aos seus pés, e o puxou brutalmente pelo braço em sua direção, erguendo o corpo do garoto.
“O quê… não.”
Meus olhos se arregalaram em puro choque e horror, e eu fiquei paralisado, olhando para a cama.
Bem na minha frente, com o meu corpo inteiro travado sem conseguir mover um único músculo, o Ômega se sentou de frente para Asgyle, escarranchado no colo dele, com as pernas abertas. E com um único e violento impulso dos quadris do Príncipe Herdeiro, o pênis duro e exposto de Asgyle foi inteiramente engolido por aquele buraco encharcado e molhado.
— …!
Cobri a boca com as duas mãos num sobressalto, abafando o meu próprio grito.
Asgyle introduziu casualmente e com força brutal o seu pênis dentro de outro Ômega bem ali na minha frente, como se não fosse absolutamente nada. Como se estivesse usando um buraco na parede. Ele apenas observou, inexpressivo e apático, enquanto o Ômega, enlouquecido pelo cio forçado e pela conexão, gritava histericamente de prazer e tremia violentamente sob os seus impactos.
Asgyle, ainda penetrando o Ômega com estocadas fortes, estendeu a mão, bebeu o resto do vinho direto da garrafa, largou o vidro vazio e então voltou o seu olhar morto e indiferente para o Ômega, que estava chorando, gritando e quicando freneticamente em cima dele.
E eu, encolhido no chão do salão, fui obrigado a assistir a cada segundo repulsivo e devastador daquela cena, fixo no meu lugar como me foi ordenado.
Asgyle puxou o Ômega do próprio colo e o jogou de lado no colchão de barriga para baixo. Ele pegou o seu pênis, agora úmido, brilhante de sêmen alheio e fluidos do fundo do outro, e simplesmente o empurrou e o enterrou no corpo do Ômega com brutalidade, voltando a foder o garoto por trás.
Depois de várias repetições rápidas e mecânicas, em que Asgyle esmagava os quadris do garoto, o Ômega desmaiou, incapaz de aguentar o tranco e se levantar. Asgyle o jogou para fora da cama, arremessando-o no chão como lixo inútil, apenas para então agarrar pelo cabelo o próximo Ômega que implorava aos seus pés e enfiá-lo em si do mesmo jeito.
E então, de novo, e de novo. Asgyle fodeu, descartou e derramou os seus feromônios espessos em cada um dos Ômegas daquele quarto pelas próximas horas.
Horas se passaram desde que ele fodeu brutalmente e jogou para fora da cama o último Ômega que ainda estava consciente.
Eu assisti a todas as cenas asquerosas e torturantes sem piscar, tremendo no chão, o tempo todo.
Em vez de se levantar após terminar com o último, Asgyle olhou ao redor, vendo a dúzia de Ômegas gemendo, contorcendo-se pelo chão desmaiados ou incapazes de respirar direito sob os seus fluidos, e, então, o Príncipe Herdeiro virou a cabeça e olhou para mim.
— O experimento é um fracasso.
Com uma voz misturada de irritação, nojo e sarcasmo, ele ordenou em tom alto o suficiente para os guardas lá fora escutarem:
— Diga ao Haham para encontrar outra maneira. Com esse nível medíocre de feromônios, eu nem sequer fico excitado, quanto mais entrar em rut.
Como ele mesmo disse, durante toda aquela foda de horas a fio, Asgyle não pareceu ter tido o menor interesse naquilo, e não havia gozado nem chegado sequer perto do clímax do rut com nenhum deles.
Então, ele se levantou da cama e deu passos largos e pesados na minha direção. À medida que o Príncipe Herdeiro se aproximava, em toda a sua altura opressora, completamente nu e manchado pelo cio dos outros, prendi a respiração e recuei os ombros, olhando para cima apavorado.
A minha visão, que havia embaçado por um tempo sem eu perceber, clareou novamente quando o cheiro estrangulador do feromônio de Asgyle me atingiu no rosto e empurrou para longe os meus pensamentos. Quando pisquei inadvertidamente, a visão finalmente nítida me fez perceber que eu estava chorando há horas.
Asgyle parou a poucos centímetros de mim. Hesitante, olhei para cima com o queixo trêmulo e encontrei os olhos do Príncipe, que estava parado me encarando de cima. Assustado com a imensidão predatória dele, parei de respirar, enquanto ele abria a boca.
— Por que você está chorando? Está sentindo falta do seu homem?
Tentei negar, mas a minha garganta engasgou num soluço doloroso e não saiu nenhuma palavra, apenas as lágrimas grossas.
Mal conseguindo balançar a cabeça, ouvi Asgyle dizer, com um sorriso de escárnio voltado para mim:
— O seu dono vai voltar em breve, como você disse. Eu só espero que, até lá, você não ouse mostrar ou derramar essa sua luxúria imunda e chorosa em nenhum lugar do meu palácio.
— …E o que vai acontecer se eu o fizer?
Foi só depois de cuspir a resposta afiada num acesso de fúria e dor que percebi o que eu havia acabado de dizer. Asgyle olhou para mim em um silêncio opressor e me avisou em voz baixa e rouca:
— Se você quiser apostar a sua vida e tentar oferecer o seu corpo imundo para mim, então tente a sorte.
E, com isso, ele virou as costas sem a menor hesitação e passou por mim com passos firmes em direção à saída do salão. Acordei do meu torpor ao som do estrondo da porta dupla se fechando atrás de Asgyle.
Quando pisquei as lágrimas espessas dos olhos, a única coisa que vi foi o salão escuro, e vários Ômegas deitados e gemendo em dor, jogados como lixo por todos os lados não muito longe de onde eu estava encolhido.
Era um sentimento complexo de humilhação, devastação, raiva e profunda tristeza.
O cheiro dos fluidos, dos Ômegas estuprados e do feromônio de Asgyle deixado para trás no ar se movia de forma tão espessa e asquerosa que fazia a minha pele inteira formigar de pavor e frio. E aquilo nunca, de fato, me acalmaria.
Com o cheiro, os vestígios dele que eu nunca poderia ter em minhas mãos, fizeram meus olhos brilharem novamente.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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