Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 62 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 62

O cheiro de feromônios que transbordou pelo ar me deixou atordoado por um momento. Minha visão escureceu e eu pareci perder a consciência por um instante.
Felizmente, o homem ainda estava agarrando o meu braço com força, então consegui evitar de cair no chão. Mal recuperei os sentidos e pisquei, tentando de alguma forma enxergar o que estava à frente através da tontura.
“Ainda bem que continuei tomando os inibidores mesmo enquanto estava sozinho, só por precaução.”
Se eu tivesse baixado a guarda e deixado de tomar os remédios de Steward, já teria sido exposto como um Ômega no segundo em que coloquei os pés aqui dentro.
Não consegui respirar fundo enquanto tentava conter as batidas aceleradas do meu coração. Tudo o que eu podia fazer era tentar manter a sanidade, muito longe de conseguir clarear a mente devido ao cheiro forte e brutal de feromônios que invadia os meus pulmões a cada lufada de ar. Respirei com dificuldade e tentei analisar a situação à minha frente.
Fui arrastado para dentro de um salão gigantesco. Era um espaço do mesmo tamanho do lugar onde eu havia ido jantar com Steward pela primeira vez sob as ordens do Príncipe Herdeiro. As paredes eram decoradas com vitrais elaborados, e os lustres maciços pendurados no teto ofuscavam todo o ambiente.
O carpete grosso sob meus pés engolia todo o som dos passos. Vinho tinto escuro, pós desconhecidos e caixas de medicamentos estavam espalhados bagunçadamente sobre uma mesa de mármore próxima.
Mesmo com a mente entorpecida pelo pavor, senti um aperto de inquietação. O que Camar está fazendo num lugar como este?
O rut… O doutor Steward havia
me dito que ele precisaria ser induzido e que causaria um frenesi de excitação incontrolável.
“Como eles estão fazendo isso? Se os sedativos não funcionam, eles estão tentando induzi-lo ao ápice aumentando a exposição aos feromônios para fazê-lo desmaiar depois?”
— Vossa Alteza, o senhor está bem? — O homem que estava me arrastando se apressou para frente e perguntou.
Foi então que o vi, deitado numa cama colossal a alguma distância. No mesmo instante, meu coração começou a bater como louco.
“Camar.”
Sem perceber, mal consegui prender a respiração. Camar não era o único sentado naquela cama, que era grande o suficiente para caber todo o laboratório de Steward em cima dela.
Ao lado dele, que estava recostado de forma displicente em uma longa almofada cilíndrica, vários servos se moviam apressados e tensos, servindo vinho e arrumando os lençóis. Asgyle pegou a taça de vinho que um servo levou trêmulo aos seus lábios, e o vi engolir de uma só vez um comprimido junto com a bebida.
Todos os presentes prenderam a respiração e esperaram que ele falasse. Mas Asgyle não abriu a boca facilmente.
– Haaah…
Ele soltou um suspiro profundo, como se estivesse exausto até os ossos, inclinou o torso para trás contra as almofadas e tombou o pescoço. Vendo-o tão abatido e letárgico, resisti desesperadamente à vontade de correr até lá e abraçá-lo.
Asgyle finalmente abriu a boca no momento em que percebeu que um aroma ligeiramente diferente estava emanando e se misturando ao seu próprio perfume dominador e sufocante.
— Não está sendo muito eficaz.
O cansaço era evidente em sua voz grave e áspera. Ele ergueu uma mão e esfregou as têmporas, fechou os olhos e continuou:
— Vocês não encontraram nada no quarto de Steward?
— Não… — O homem respondeu hesitante, engolindo o fim da frase de medo, e depois se apressou em justificar: — Parece que ele levou todos os materiais antes de fugir, mas nós trouxemos o assistente dele. Ele esteve ajudando o americano no laboratório durante todo esse tempo, então ele provavelmente sabe de alguma coisa. Não é mesmo?
De repente, ele se virou para mim e perguntou. Fui pego de surpresa e me encolhi sob aquele olhar fulminante.
Em seguida, o outro homem, que me segurava e havia me dado um tapa mais cedo, falou com a testa franzida.
— Vossa Alteza, é uma pena o que o estrangeiro fez, mas nós da equipe médica daqui também participamos dessa pesquisa desde o início. Acredito que ficará tudo bem se o senhor apenas confiar em nós e prosseguirmos com o procedimento.
Ele fechou a boca com o rosto contorcido de insatisfação. Pelas palavras que ele engoliu de volta, provavelmente queria gritar: ‘Por que o senhor confia mais naquele babuíno estrangeiro?!’. O ressentimento era palpável.
Mas Asgyle sequer se deu ao trabalho de responder às palavras dele. Em vez disso, fez outra pergunta fria ao homem que havia dado o primeiro relatório.
— Não restaram mais Ômegas?
— Sim, estes são todos. Mas podemos extrair uma carga maior de feromônios com os indutores venosos.
Depois dessas palavras, forcei meus olhos a focarem, e notei mais de uma dúzia de pessoas ajoelhadas aos pés da cama de Asgyle. Todos estavam nus.
“Eles são Ômegas.”
Foi então que percebi a identidade do cheiro fraco que se misturava ao feromônio denso de Asgyle. Era o cheiro do desespero e dos feromônios puros de Ômegas.
Logo em seguida, os médicos pegaram os frascos na mesa de mármore, encheram várias seringas e imediatamente começaram a aplicar injeções nos Ômegas, um por um, agarrando-os pelos braços sem nenhuma delicadeza. Pouco depois, as pessoas que receberam as doses começaram a cair no chão esparramadas, contorcendo-se em espasmos.
Os cheiros se misturaram num choque químico no ar. O feromônio de Asgyle ficou ainda mais agressivo e forte, reagindo à presença do cio alheio.
O médico que aplicou a injeção no último Ômega virou-se para Asgyle e falou como se relatasse um mero experimento de laboratório:
— Com um pico artificial de feromônios como este, acredito que Vossa Alteza irá finalmente reagir ao ápice do rut. Continuaremos monitorando o seu estado e tomaremos medidas ao longo do processo.
Naquele momento, um dos Ômegas, cujo corpo se contorcia violentamente como se a droga tivesse feito um efeito particularmente brutal, agarrou a perna do médico, implorando. Foi então que eu vi de perto.
Os olhos do Ômega estavam completamente revirados, saliva escorria de sua boca aberta, e seu pênis estava dolorosamente ereto, rígido de uma excitação forçada que parecia torturante. O líquido lubrificante que escorria de sua entrada já encharcava o chão ao redor.
Vendo aquilo, o médico contorceu o rosto em puro nojo e sacudiu a perna com brutalidade para chutá-lo para longe. Os Ômegas caídos pelo chão gemiam e arfavam em agonia, tocando a si mesmos e enfiando as mãos em seus próprios corpos, completamente consumidos pela indução.
Era uma cena tão doentia, assustadora e gráfica, mas eu parecia ser o único abalado. Todos os outros Alfas e Betas presentes, incluindo os guardas que me seguravam, olhavam para os corpos no chão com olhos de gelo, misturados com desprezo e nojo. Para eles, um Ômega não era uma pessoa. E, no exato momento em que descobrissem o que eu era, eu seria arremessado ali para acabar exatamente como eles, implorando feito um animal.
Naquele instante, uma onda incontrolável de raiva e pânico embolou meu estômago.
— …Urgh!
— Mas o que—?!
Não consegui suportar o horror da visão. Meu estômago se revirou violentamente, e o homem que me segurava gritou de repulsa, soltando os meus braços e pulando para trás.
Com isso, o apoio nos meus joelhos desapareceu. Desabei no chão e vomitei secamente várias vezes ali mesmo no tapete. No entanto, como fazia muito tempo desde que eu tinha feito uma refeição de verdade, tudo o que saiu foi saliva misturada a um suco gástrico extremamente amargo e ácido. Nada sólido saía, apenas o som oco e patético do meu estômago sofrendo espasmos no esôfago.
Mal consegui conter a ardência da ânsia e levantei a cabeça, vendo os homens me encarando irritados através da minha visão turva pelas lágrimas. Um deles estalou a língua com desprezo e se dirigiu a Asgyle:
— Eu não fazia ideia de que ele seria tão inútil, Alteza. Será que o americano abandonou esse garoto de propósito e fugiu? Ele deve tê-lo deixado para trás apenas como isca para nos distrair.
— N-não… não é isso.
Minha garganta ainda pinicava, e a voz saiu rouca e falha. Tentei negar com urgência, mas o homem se virou para mim com os olhos injetados de raiva e gritou:
— Se não foi isso, por que raios um pesquisador usaria alguém do seu nível como assistente?! Um bastardo magricelo, asqueroso e fraco como você, que ousa vir aqui vomitar na frente de Sua Majestade!
Eu não tinha argumentos para provar minha utilidade ali. Mas eu precisava defender Steward e garantir que ele não fosse caçado.
— O doutor Steward… não fugiu… Inevitavelmente, aconteceu uma emergência e ele precisou ir—
— Seu mentiroso maldito…!
— Parem.
Uma voz ríspida e fria cortou o ar como uma lâmina. Os homens se calaram no mesmo instante, e meus olhos se arregalaram em surpresa.
O Príncipe Herdeiro Asgyle estava olhando fixamente na nossa direção.
Minha boca estava seca, e meu coração batia tão forte que doía. Enquanto eu esperava em pânico silencioso, Asgyle abriu a boca, os olhos afiados cravados em mim.
— …Sobre o Steward. Você tem certeza disso?
Não havia uma gota de emoção naquela voz baixa. Eu tentei engolir a saliva para molhar a garganta, mas os músculos do meu pescoço apenas se moveram de forma travada e inútil.
— Sim. — Assenti lentamente com a cabeça e respondi, encarando-o de volta. — Eu confio no doutor Steward.
Asgyle ficou em silêncio por um momento. Seus olhos escuros se estreitaram levemente, como se ele estivesse sorrindo internamente com a minha resposta, mas foi apenas isso. E então, olhando para mim com uma expressão que eu era completamente incapaz de decifrar, Asgyle deu a ordem:
— Saiam todos daqui. Deixem-no sozinho comigo.
— Vossa Alteza?!
— O que o senhor está dizendo…?! Como o senhor pode ficar sozinho e confiar neste traidor?!
Houve um alvoroço imediato e indignado por todo o salão. Eu também estava paralisado de choque e confusão, mas Asgyle continuou a me encarar, inexpressivo.
— Não foram vocês mesmos que o arrastaram até aqui para substituir o papel do Steward? Ou vocês pretendem ficar aí parados em bando como idiotas, assistindo enquanto eu passo pelo meu próprio rut?
As palavras dele carregavam um escárnio inconfundível. Com os olhos semicerrados e a boca torcida, o nojo de Asgyle por seus próprios subordinados transbordava em seu rosto.
Os homens se entreolharam com expressões perdidas e chocadas. Seria um absurdo deixá-lo sozinho naquela condição com um suspeito, mas recusar a ordem seria um ato direto de rebelião.
— Mas, devido à nossa lealdade ao Príncipe Herdeiro… — o médico à frente tentou argumentar com a voz fraca.
A única resposta que obteve foi uma careta gélida de Asgyle.
— E o que você conseguiu me provar com toda essa lealdade até agora? Esforço sem resultados é patético e inútil, Haham.
Diante do corte direto, o médico chefe, Haham, fechou a boca, incapaz de retrucar. Os outros homens olharam para ele, hesitando. No fim das contas, Haham não teve outra escolha a não ser abaixar a cabeça, humilhado e resignado. Mas ele não se esqueceu de fuzilar meu rosto com um olhar cheio de ódio uma última vez.
Os outros também começaram a deixar o recinto, um a um, lançando-me olhares venenosos e duros antes de recuarem.
Logo em seguida, ouvi o estrondo pesado da porta dupla se fechando às minhas costas. E eu fui deixado completamente sozinho com Asgyle, afogado naquele aroma sufocante de feromônios.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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