Ler Passion – Novel – Capítulo 30 Online

Jeong Taeui deu leves socos no ombro dolorido para aliviar a tensão e balançou a cabeça de um lado para o outro. Ele havia terminado um caderno ontem e se perguntava quando conseguiria concluir a cópia dos nove volumes restantes. Taeui suspirou; não tinha escolha a não ser abrir um novo caderno e começar a escrever as primeiras linhas.
— Regulamentos da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos, Artigo 1: Estrutura Organizacional.
— Está tendo um momento difícil, hein? Olhando para esses cadernos restantes, parece que ainda terá de escrever mais nove, certo?
Nesse instante, uma voz lenta sussurrou atrás dele.
Assustado, a mão de Jeong Taeui escorregou, e sua caneta traçou uma linha sobre o que havia acabado de escrever. Ele mordeu o lábio e xingou baixinho:
— Droga.
Jeong Taeui se virou. Aquilo era uma situação perigosa. Se a pessoa atrás dele quisesse cravar uma faca em seu pescoço, ele não teria como evitar. Nem sequer havia percebido alguém se aproximando dele por trás.
Jeong Taeui se enrijeceu por um momento, depois relaxou lentamente os ombros. Não havia como escapar daquela situação. Se tentasse desviar, seria atingido.
Tudo bem… Se quer me matar, então me mate…
Jeong Taeui continuou escrevendo ao lado da linha errada e disse com calma:
— Não tem nenhum livro interessante aqui para ler.
Pensando bem, aquele homem tinha uma má reputação, mas um gosto peculiar por livros. Será que havia algum nesta biblioteca que combinasse com ele?
— É, tem livros mais interessantes no seu quarto.
Apesar de dizer isso, o homem parecia ter encontrado algo que lhe servia. Sentou-se a alguns assentos de distância de Jeong Taeui, segurando um livro na mão.
Jeong Taeui o olhou surpreso. Embora não quisesse entrar em conflito, pensava que, da próxima vez que encontrasse aquele homem, certamente haveria problemas.
O homem, Riegrow, não parecia diferente da manhã ou da noite anterior, quando Jeong Taeui o havia visto. A única mudança era sua roupa; sua postura calma e o rosto claro e luminoso não mostravam sinais de fadiga.
Riegrow sentou-se e abriu o livro como se ignorasse Jeong Taeui. Virava as páginas em silêncio, com o olhar por trás dos óculos fixo apenas na leitura.
Será que ele havia se esquecido daquela manhã, quando Jeong Taeui havia apontado uma arma para ele?
Jeong Taeui encarou Riegrow com desconfiança. Sentindo o olhar, Riegrow levantou os olhos. Seus olhares se encontraram. Riegrow fitou Jeong Taeui em silêncio por um momento, sem qualquer intenção de desviar, como se estivesse refletindo sobre algo. Então fechou o livro.
— O que foi? Quer que eu te ajude?
Riegrow fez um gesto como se estivesse pronto para ajudar, pedindo o caderno e a caneta.
— A punição por violar a proibição de portar armas pessoais é essa, hein? Bem leve. Parece que o Instrutor Jeong tem carinho pelo sobrinho.
O tom de Riegrow, sem rir nem se irritar, fez Jeong Taeui franzir a testa.
— Parece que você quer dizer que estou recebendo tratamento especial. Se for esse o caso, também tenho uma pergunta. Se eu sou favorecido por ser sobrinho do instrutor, quem é você e que conexões tem para poder espancar alguém brutalmente sem receber punição alguma?
Riegrow riu e balançou a cabeça.
— Não precisa ficar bravo. Só acho que o Instrutor Jeong gosta muito do sobrinho. Mesmo que você não seja punido, não tenho do que reclamar. Só estou constatando os fatos.
— …Então a relação entre mim e meu tio já se espalhou até o ramo europeu?
— A notícia sobre a pessoa que ousou apontar uma arma para mim se espalhou rápido. Em menos de um dia, todos já sabiam do justo soldado Jeong Taeui, que entrou no ramo asiático há menos de um mês porque o tio o trouxe.
Era óbvio que ele não havia esquecido. Mas por que estava tão calmo?
Jeong Taeui olhou para Riegrow com desconfiança. Riegrow arqueou a sobrancelha, como se achasse graça.
— Por que está me olhando assim? O único que deveria estar com raiva sou eu.
— ……
— Ou será que você acha que, toda vez que eu te ver, vou pular e morder seu pescoço?
— Exatamente.
Jeong Taeui respondeu, contrariado. Riegrow riu.
— Pode até ser, mas agora não estou com disposição. Espere mais um pouco.
Ao dizer isso, Riegrow abriu o livro novamente e voltou à leitura, como se não quisesse ser incomodado.
Jeong Taeui observou o homem por um tempo, depois voltou-se e continuou a mover a caneta. Enquanto escrevia mecanicamente, ponderava lentamente sobre as palavras dele. A última frase era o que mais lhe vinha à cabeça.
“Atualmente, não estou no clima. Espere um pouco.” Taeui percebeu imediatamente que aquilo significava: “Agora não, mas quando eu estiver no clima, eu te arranco o pescoço.” Isso poderia acontecer no minuto seguinte ou no último dia do treino.
Seria melhor agir agora. Aquela situação não era diferente de ficar tenso por duas semanas seguidas.
De repente tomado pela raiva, ele apertou a caneta com força, fazendo a página do caderno rasgar.
Jeong Taeui lembrou-se do azarado tenente Kim. Quando a notícia do envolvimento de Jeong Taeui numa facada num bar gay se espalhou, o primeiro a saber foi o tenente Kim. Naquela época, Kim zombou de Jeong Taeui, dizendo “Isso não vai se espalhar rápido” como se quisesse que os outros ouvissem.
Será que todo azarado era igual? Não! Mas o tenente Kim era apenas azarado, não perigoso como aquele homem. Comparado a ele, o tenente Kim era mais fácil de lidar, embora só um pouco.
Quanto mais irritado Jeong Taeui ficava, mais depressa escrevia, e logo terminou de copiar o segundo livro e pegou um novo caderno. Começou de novo: Regulamentos da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos, Artigo 1.
A vantagem e desvantagem daquele trabalho monótono era que, enquanto a mão se movia sem parar, sua mente só pensava nos perigos que o aguardavam nas próximas duas semanas. Talvez porque aquilo estivesse relacionado à sua vida.
— Nada mudou. O melhor é ficar escondido, aparecer só quando for inevitável e sempre ficar junto dos colegas. Pelo menos assim eu fico vivo.
Mesmo que o chamassem de covarde, contanto que fosse seguro, Jeong Taeui estava disposto a ficar junto aos instrutores por duas semanas. Certamente eles não matariam alguém na frente dos instrutores.
Enquanto murmurava e escrevia, Jeong Taeui de repente sentiu alguém observando-o e ergueu o olhar.
Seu sussurro abafado certamente era inaudível, mas em algum momento Riegrow o observava com interesse. Quando seus olhares se cruzaram, Riegrow sorriu como quem dissesse: “Fale mais.”
— Se você matar alguém na frente dos instrutores, o que acontece? — Jeong Taeui parou de escrever e perguntou, mantendo o contato visual com Riegrow. Ele podia perceber suas intenções, mas aquele não era o momento de se esconder. Riegrow riu e apontou para a mão de Jeong Taeui.
— Você não reparou enquanto copiava? Tem uma descrição detalhada das penalidades.
— Tem uma seção sobre penalidades por matar, mas nada sobre matar na frente dos instrutores.
Jeong Taeui murmurou com descontentamento. Na realidade, a seção sobre homicídio era muito vaga. Em resumo, [Tratado de acordo com a situação] estava descrito em três páginas.
Riegrow pensou por um momento, depois balançou a cabeça e disse:
— Bem, não tenho certeza porque ninguém jamais matou alguém na frente dos instrutores. Mas houve um caso em que alguém matou um instrutor e ficou detido por oito meses.
Mais uma vez, a caneta de Jeong Taeui escapou da linha. Ele encarou a página rasgada, em silêncio.
Droga. Se ele ousou matar um instrutor, me arrastar para longe dos meus colegas para me matar não seria nada difícil. Seu plano, de repente, havia se tornado inútil.
— Além disso, daquela vez foi considerado legítima defesa, parecido com esta manhã.
Riegrow acrescentou. Mas provavelmente não deveria ter dito aquelas últimas palavras.
Jeong Taeui girou a caneta entre os dedos, sentindo um gosto amargo. Perguntou-se se não teria entendido mal o significado de legítima defesa, mas, pensando melhor, provavelmente era Riegrow quem havia entendido errado.
— Só para acrescentar, a definição do dicionário de legítima defesa é uma ação inevitável que causa dano para proteger a si mesmo ou a outros de um perigo iminente e ilícito.
Riegrow não havia entendido errado. Jeong Taeui achava uma audácia ele chamar suas ações de “inevitáveis”. Quis dizer isso, mas as palavras ficaram presas na garganta.
— Se estamos falando sobre esta manhã, o dano infligido ao agressor pareceu excessivo.
Por fim, Jeong Taeui não conseguiu segurar e disse uma frase. Mas Riegrow balançou a cabeça.
— Você o ouviu. Ele me disse para atirar. É o tipo que tentaria me emboscar se eu o soltasse. Para evitar ameaças futuras, eu não tinha outra escolha. De qualquer forma, ele ainda está vivo, mesmo que esteja trancado em algum lugar.
— E sobre matar o instrutor? — Jeong Taeui perguntou.
Riegrow sorriu levemente. Após um breve silêncio, respondeu de forma sucinta:
— Sim, é verdade. Na realidade, eu quase morri. Nem eu mataria um instrutor a menos que fosse levado a esse ponto. E me arrependi profundamente depois de ter feito isso.
Jeong Taeui o olhou com pesar, querendo dizer: “Minha boca está seca” mas, no fim, engoliu as palavras.
No fim das contas, embora não soubesse o motivo exato, estava claro que aquele homem mataria até mesmo um instrutor, ou talvez o vice-diretor ou o diretor, se tivesse um motivo ou uma desculpa adequada. Portanto, usar pessoas como escudo para se manter fora de sua vista era inútil.
A conclusão era que o melhor era permanecer sempre escondido. Embora não tivesse certeza se isso era realmente possível.
— Por que estou tão azarado esses dias?
Jeong Taeui atirou a caneta sobre o caderno e murmurou. Antes, ele vinha tendo azar, mas desde que chegou aqui as coisas pioraram.
— Ouvi dizer que Jeong Jay muita sorte; você não é igual a ele? — Riegrow perguntou de repente, ouvindo o murmurinho de Jeong Taeui. Jeong Taeui apenas olhou para ele. Pretendia resmungar sobre a rapidez com que as notícias se espalhavam ali, mas achou que não era surpresa naquele ramo.
— Irmãos nem sempre compartilham o mesmo destino. Eu sou apenas uma pessoa comum. Na verdade, agora está pior do que o normal.
— Aha…
Riegrow sorriu vagamente, mas não disse mais nada.
Jeong Taeui lembrou-se do irmão, que fazia muito tempo que não via. Nessa situação, se fosse seu irmão, embora este certamente não enfrentasse algo assim, talvez aquele homem tivesse tido que deixar a ilha por um acidente inesperado ou sido mordido até a morte por um enxame repentino de cobras venenosas.
Jeong Taeui resmungou sério, apontando para Riegrow.
— Você devia se sentir sortudo por eu não ser meu irmão. Do contrário, seu destino estaria muito ruim agora.
Riegrow riu. Parecia entender exatamente o que Jeong Taeui quis dizer.
— Agradeço por isso. Então hoje não farei nada com você; não fique tão tenso.
— Se você conseguir segurar isso por duas semanas, seria bom.
— Bem… não sou bom em controlar minhas emoções, então não posso prometer.
Isso queria dizer que ele resolveria a questão antes das duas semanas acabarem. Olhando em seus olhos frios, Jeong Taeui soube que não era só um comentário qualquer.
Jeong Taeui pegou a caneta novamente com amargura. De qualquer forma, a única forma de resistir era tentar reduzir ao máximo o tempo que ficasse perto dele.
Jeong Taeui parou subitamente de escrever. Olhou para Riegrow, que voltara ao livro, e perguntou, em voz baixa:
— Mais cedo você disse que me ajudaria a copiar o livro, não foi?
Riegrow ergueu a sobrancelha, um pouco surpreso com o que Taeui disse. Observando os cadernos e as canetas de Jeong Taeui, ele deu de ombros.
— Se você pedir, eu ajudo. Copiar não é difícil; o Instrutor Jeong vai notar a diferença na caligrafia.
Mesmo sabendo disso, ele ainda se ofereceu para ajudar. Isso significava que não estava apenas dizendo por dizer.
Jeong Taeui sorriu e entregou a Riegrow um caderno em branco e uma caneta.
— Sem problema, contanto que bata a quantidade. Só preciso que escreva um livro.
— Hum… certo.
Riegrow pegou a caneta e começou a escrever com fluidez.
Jeong Taeui lembrou-se das palavras do tio: “Até mesmo o ajudante deve copiar 10 volumes”, e decidiu deixar de lado as preocupações com as dificuldades futuras. Às vezes, as pessoas estão dispostas a suportar o incômodo apenas para atrapalhar os outros.
Vamos ver como ele aguenta. E isso também reduz o tempo cara a cara.
Jeong Taeui entendeu por que seus colegas haviam passado tanto tempo se preparando fisicamente para o treinamento conjunto desde que ele chegou à ilha.
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Dizer que um dia parecia mil anos era exagero, mas de fato estava sendo muito mais cansativo do que o normal.
Quando treinava com colegas do mesmo ramo, ao menos podia ter a garantia de que eles não tinham a intenção de feri-lo seriamente. Mas agora, mesmo em pequenas partidas, era preciso manter-se em alerta, porque muitos estavam prontos para quebrar seu braço sob a desculpa de um “erro de combate”.
Mesmo nos intervalos não havia descanso. Compartilhar o espaço de descanso com eles significava estar sempre em guarda contra possíveis pedras lançadas ou alguém usando um zarabatana*.
O único momento de descanso era ao voltar para o quarto depois do trabalho e trancar a porta. Mas, se saísse do quarto para usar o banheiro ou tomar banho, corria o risco de entrar em conflito e teria de evitar ou lidar com isso até voltar ao quarto.
Até isso era incômodo demais, por isso, logo após terminar o trabalho, Jeong Taeui passava no banheiro a caminho do quarto e, assim que entrava, desabava na cama. Mas mesmo ali não se sentia confortável. Era porque precisava suportar o olhar ressentido de Maurer.
— Tá bom, tá bom, a culpa é minha, é minha. Eu vou zerar minha conta para comprar centenas de Colts pra você…
Jeong Taeui murmurou contra o travesseiro, cansado demais para falar em voz alta.
Maurer ainda estava absorto em um jogo de quebra-cabeça, enquanto Tou não voltara desde que saíra para o banheiro, provavelmente envolvido ou provocando alguma briga por aí. Sua resistência era realmente admirável, brigando e discutindo todos os dias sem parar.
— Ei, chegou uma convocação.
Meio adormecido na cama, Jeong Taeui ouviu a voz descontente de Maurer. Preguiçosamente, ergueu a cabeça para olhar o pager sobre a mesa, depois afundou de novo o rosto no travesseiro. Estava cansado demais para conferir. Mas então Maurer falou de novo:
— Ei, outra convocação.
— …De onde?
Jeong Taeui resmungou, irritado por ser incomodado em meio ao cansaço. Maurer pegou o pager para verificar o número e disse casualmente:
— 114.
— 114… por que alguém estaria me procurando pelo número de guia…
— Do que você tá falando? Tem mensagem também, confere aí.
Maurer atirou o pager com precisão ao lado do travesseiro de Jeong Taeui. Preguiçosamente, ele abriu os olhos para olhar o aparelho. A luz indicadora sob a tela piscava, como Maurer havia dito; havia mesmo uma mensagem.
Conferir o quê? Que chato. Provavelmente mais um aviso ou lembrete de alguma coisa.
114, 114, onde é isso? Sala 14, subsolo 1? O que tem lá? Ah, as salas dos instrutores. E a equipe médica. Sala 14 é…
De repente, Jeong Taeui arregalou os olhos e se sentou. Como alguém que acabara de ressuscitar, ele se levantou num pulo, assustando Maurer, que estava concentrado em uma revista ali perto.
Notas:
•Zarabatana – é um tubo usado para disparar pequenos dardos ou projéteis por meio do sopro, tradicionalmente utilizado em caçadas por povos indígenas.
Milk & Ink Scan
Traduzido e revisado por Mandy Ink.
Até o próximo capítulo!
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Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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