Ler Passion – Novel – Capítulo 31 – A Primeira Vez que Taeui Beijou Xinlu Online

— Entre nós, o mais novo é o Xinlu, certo?
— Hã? Sim. Por que a pergunta do nada?
Maurer perguntou com uma expressão preocupada, como se estivesse ouvindo um delírio de Taeui.
Jeong Taeui não respondeu, apenas conferiu rapidamente suas mensagens.
Como esperado, o remetente era Xinlu. O conteúdo não tinha nada de especial, apenas um lembrete para ele cuidar da saúde. Mesmo sendo só uma mensagem comum, foi o suficiente para fazer Jeong Taeui sorrir. Mas, ao ler a segunda mensagem, seu rosto escureceu.
[Nos vemos no fim de semana. Boa noite.]
— Fim de semana… — Aquelas palavras o fizeram lembrar. Na verdade, ele ainda não tinha contado a Xinlu que não poderia se encontrar nesse fim de semana. Não tivera a chance de visitar o escritório de Xinlu e também não havia esbarrado nele.
— Eu preciso dizer a ele… que não vou poder ir… — murmurou Jeong Taeui, triste.
Ele encarou o interfone ao lado da cama. Desejou que houvesse algum motivo para o treino de fim de semana ser cancelado, para que todos tivessem tempo livre. Mas, mesmo que isso acontecesse, ele e Xinlu ainda não poderiam simplesmente sair para passear tranquilamente.
— …Aishhh… — resmungou, balançando a cabeça.
Jeong Taeui se levantou. Maurer, que estava com um livro de palavras cruzadas na mão, o observou com uma expressão estranha.
— Vou ver o Xinlu um pouco.
Jeong Taeui colocou o pager no bolso e seguiu em direção à porta. Embora pudesse ligar, achava que esse tipo de coisa deveria ser dita pessoalmente.
— Xinlu? Ele provavelmente não está no escritório a essa hora.
— Então eu vou até o quarto dele. Qual é o problema?
— Durante o treinamento de intercâmbio, o primeiro andar do subsolo é uma área restrita aos membros. Não é permitido se encontrar em particular com um instrutor. O quarto de Xinlu também fica no primeiro andar do subsolo.
Maurer resmungou como se estivesse afirmando o óbvio. Jeong Taeui parou, arregalando os olhos para Maurer. O outro franziu a testa, como se dissesse: “Você não sabia disso?”.
Ele sabia, mas havia esquecido.
Jeong Taeui pensou por um momento. Mas decidiu que iria mesmo assim; seu desejo de ver Xinlu só aumentava… Ele precisava encontrá-lo. Não seria bom quebrar uma promessa deixando para contar tarde demais.
Jeong Taeui acenou para Maurer e saiu do quarto. Maurer ainda chamou: — Ei!. Mas Taeui fingiu não ouvir.
Assim que saiu, o ar frio bateu em sua pele, mas não se importou. Não tinha intenção de arrumar problemas nem de reagir a provocações. Mesmo ouvindo murmúrios atrás dele “covarde”, ignorou completamente.
Parou diante do elevador, mas percebeu que não seria sensato dar indícios de que estava indo para o subsolo, então decidiu pegar as escadas.
Já estava acostumado a subir e descer, então vencer seis ou sete andares não era difícil para ele.
As escadas ali eram duas vezes mais altas do que as normais, com grande distância entre os andares e tetos bem elevados.
Quando perguntou ao tio por que o prédio havia sido projetado dessa forma, o homem apenas riu e respondeu:
— Para exercício.
— Mesmo sem exercício, a própria vida já é um treino, tio… — murmurou Jeong Taeui, sabendo que ele não podia ouvir, enquanto subia os degraus.
Sempre que algo o incomodava, costumava reclamar com o tio, e mesmo que o outro não pudesse escutar, isso o fazia se sentir melhor.
Quando chegou ao primeiro andar so subsolo, havia uma nova placa: [Entrada proibida, exceto para pessoal autorizado].
Isso significava que apenas as pessoas autorizadas a acessar aquela área podiam entrar, e não os membros da filial.
Jeong Taeui fingiu não ver e abriu a porta. Preocupou-se que talvez estivesse trancada ou que alguém aparecesse apontando uma arma e dizendo: “Entrada proibida.”
Mas nada aconteceu.
Havia apenas a placa, sem qualquer outra medida, então Jeong Taeui coçou a cabeça enquanto permanecia no corredor do primeiro andar do subsolo. Talvez confiassem apenas na consciência dos membros. Nem toda escola funcionava assim; deveriam confiar apenas no que realmente era confiável.
O primeiro andar do subsolo geralmente tinha pouquíssimas pessoas, então, mesmo andando livremente, era raro encontrar alguém. Jeong Taeui caminhou tranquilamente, mas se lembrou de que havia câmeras por toda parte.
— …Se eu for pego depois, vou estar encrencado. — suspirou.
Mas, e daí? Ele sabia mais ou menos onde estavam as câmeras. Os outros membros também sabiam. Era possível se mover pelos pontos cegos delas.
No entanto, isso seria inevitável ao chegar nos quartos dos instrutores. Seria capturado pelas câmeras. Podia haver até câmeras escondidas das quais não tinha conhecimento.
Jeong Taeui hesitou por um instante. Deveria voltar? Ele podia simplesmente ligar, afinal.
Mas, mesmo sabendo disso, continuou andando pelo corredor. Tanto faz. Se for pego e acabar preso, que seja. Até a prisão não seria tão pior assim.
Caminhou até o quarto de Xinlu. Depois de se perder na primeira vez, não errava mais o caminho. Felizmente, tinha bom senso de direção.
O quarto de Xinlu não ficava longe das escadas. Apenas seguir reto e virar, e já estava lá. Ele chegou a pensar no que diria caso encontrasse alguém, mas, por sorte, não cruzou com ninguém no trajeto.
Jeong Taeui bateu na porta. Depois de um tempo, ninguém respondeu. Bateu mais forte, pensando que Xinlu talvez não tivesse ouvido ou não estivesse no quarto.
— Se não tiver ninguém e eu for pego sem conseguir nada… que azar. — murmurou, clicando a língua e balançando a cabeça. Talvez, mesmo querendo se encontrar pessoalmente, devesse ter ligado antes.
Porém, sua preocupação desapareceu quando a porta se abriu. Xinlu olhou para ele surpreso.
— Tay-hyung! O que você está fazendo aqui? Não devia estar nesse andar a essa hora… Entre.
Xinlu lançou um olhar rápido pelo corredor e puxou Jeong Taeui para dentro do quarto. Só então Taeui se preocupou com a possibilidade de causar problemas para Xinlu, mas já era tarde para se arrepender. Já que estava ali, preocupar-se não adiantaria nada.
Era sua primeira vez no quarto de Xinlu.
Embora não fosse muito diferente dos outros, Jeong Taeui olhava ao redor com curiosidade. O quarto era limpo e simples, sem itens desnecessários, mas também não vazio demais.
— Se alguém te vir, você vai se meter em encrenca. Por que veio de repente? — perguntou Xinlu, preocupado, enquanto tirava duas latas de cerveja.
Ao ver a cerveja, Jeong Taeui ficou um pouco surpreso. Mas logo pensou melhor: Xinlu, apesar de adorável, era um adulto. Beber cerveja era normal. Estranho seria se ele achasse aquilo incomum.
Jeong Taeui aceitou a lata, agradeceu e então hesitou por um momento. Como era um quarto privado, não havia sofá para convidados. Xinlu puxou uma cadeira da escrivaninha e sentou-se de frente para Taeui, esperando em silêncio que ele falasse.
— Sobre o fim de semana…
— Ah, sim. A previsão do tempo disse que vai estar claro e ensolarado.
Quando Jeong Taeui começou a falar, Xinlu sorriu radiante. Isso fez Taeui se sentir ainda mais ansioso. Ele tinha vindo para cancelar o encontro, e ouvir Xinlu falar daquele jeito apenas aumentava sua culpa.
— Hum…
Quando Jeong Taeui hesitou, o rosto de Xinlu ficou sério. Ele inclinou a cabeça, observando-o em silêncio.
— É que… acabei de descobrir que teremos treino neste fim de semana. Eu não posso faltar…
Ao dizer isso, Jeong Taeui não conseguiu continuar. Xinlu, por sua vez, apenas assentiu e sorriu levemente.
— Entendi. Já tinha a sensação de que havia algo errado. Da última vez, e na anterior também, durante o treinamento conjunto, tivemos que treinar o tempo todo, sem nenhum dia de folga. Achei que desta vez não seria diferente.
Xinlu falou enquanto assentia, depois sorriu de forma triste.
— Eu estava ansioso para dar uma volta com você… Que pena.
— Me desculpe.
Jeong Taeui abaixou a cabeça em desculpas.
Ainda assim, sentiu certo alívio. Estava claro que Xinlu já havia previsto aquilo. Na verdade, fazia mais tempo que Xinlu estava ali, então era natural que soubesse de antemão. Parecia que Taeui tinha se preocupado à toa.
Mas, mesmo assim, cancelar o encontro o deixava culpado. Xinlu parecia triste, mas, ao ver a desculpa de Jeong Taeui, balançou a cabeça e sorriu de novo.
— Está tudo bem. A programação de treino é o que é. Depois que o treino acabar, podemos sair para passear. A praia não vai fugir.
— Sim… Depois do treino, vamos dar uma volta. — disse Jeong Taeui.
Xinlu assentiu, animado. Em seguida, acrescentou:
— Depois do treino, no fim de semana, podemos sair da ilha e ir para Hong Kong. Eu também tenho algumas coisas que preciso comprar.
— Ah, ótimo. Ir juntos vai ser bom. Eu também tenho que devolver uns cigarros para o Tou. — concordou Jeong Taeui, contente.
Ele tinha vindo para cancelar o encontro do fim de semana, mas acabou saindo com dois novos combinados: dar uma volta e ir a Hong Kong. E isso o deixou satisfeito. Mesmo com os planos cancelados, ter ganhado dois novos encontros o fazia se sentir feliz.
— Mas… ainda me sinto mal. Eu realmente estava ansioso por isso.
A voz de Xinlu saiu suave, com a cabeça abaixada diante de Jeong Taeui. Ao ouvir aquilo, o rosto de Taeui ficou vermelho.
Estranho. Embora sempre perdesse a compostura diante de Xinlu, ele estava acostumado a namorar. Sabia como encantar e conquistar alguém depois de tantas visitas a clubes. Por isso, namorar e passar a noite com outras pessoas nunca fora difícil para ele.
Mas, com Xinlu, não era tão simples. Talvez fosse isso que as pessoas dizem sobre não conseguir tratar com indiferença aquele de quem você realmente gosta.
Embora se achasse ridículo, esse sentimento não o incomodava. Jeong Taeui corou e sorriu de forma tímida.
Nesse momento, Xinlu estendeu a mão, hesitante. Seus dedos tocaram suavemente a mão de Jeong Taeui, e as pequenas unhas roçaram na ponta de seus dedos. Xinlu o olhou com um olhar tímido, cheio de expectativa.
Jeong Taeui quase riu. Aquela inocência, aquele charme adorável e direto… Nunca tinha encontrado algo assim. Isso lhe deu vontade de segurar aquela mão, beijá-la com delicadeza e sorrir.
Mas… a sua mão não se moveu. Seu rosto esquentou ainda mais, ficando completamente vermelho.
Jeong Taeui olhou para Xinlu. Os dedos finos tocavam de leve a sua mão.
Seus lábios estavam secos. Estava tenso. Agora. É agora. — a voz em sua mente sussurrou.
Jeong Taeui fechou a mão, reunindo coragem. Lentamente, estendeu o braço e pousou a mão no ombro de Xinlu.
Não ousou encará-lo diretamente. Talvez, se fizesse isso, pareceria ridículo. Um homem corando como um camarão fervido, sem saber o que fazer. Só podia torcer para que Xinlu não o visse daquela forma.
Jeong Taeui se inclinou, puxando o ombro de Xinlu, e beijou-lhe a bochecha. Sua intenção era beijar seus lábios, mas o nervosismo o venceu, e acabou apenas na bochecha.
Mas, para Jeong Taeui, naquele instante, o importante não era onde havia beijado. O importante era que tinha beijado Xinlu pela primeira vez. Seus lábios tocaram a pele macia dele.
Ele sentiu o olhar surpreso de Xinlu. Jeong Taeui não ousou encarar diretamente; apenas recuou e passou o dorso da mão pelos próprios lábios.
— …..
— …..
Ambos ficaram em silêncio. Jeong Taeui abaixou a cabeça, os dedos se entrelaçando nervosos sem que ele percebesse. Quando levantou os olhos de relance, viu que Xinlu também estava de cabeça baixa, com as bochechas coradas.
Será que estava tudo bem? Será que Xinlu estava bravo? Seu coração disparava, como se fosse explodir.
Sem saber o que fazer, um sorriso começou a se abrir em seus lábios. Jeong Taeui tentou contê-lo, mas não conseguiu.
Levantou a mão para cobrir a boca. Ao olhar para Xinlu, viu que ele o encarava. Quando seus olhos se encontraram, Xinlu riu, o rosto todo vermelho.
A risada brilhante de Xinlu o confundiu a princípio, mas logo Jeong Taeui também acabou rindo junto.
Seu coração acelerava. Talvez Xinlu sentisse o mesmo.
Depois de rirem por um tempo, o ar entre eles ficou tímido e constrangido, envolvendo o espaço.
— Então… eu vou indo. Nos vemos depois do treino… Ah, e obrigado pela mensagem. Eu li.
— Ah, sim. Deixa eu te acompanhar.
Quando Jeong Taeui se levantou, Xinlu também se levantou. Isso deixou Taeui feliz. Xinlu, feito um cachorrinho, seguiu-o de forma adorável.
Embora Jeong Taeui dissesse que não precisava, Xinlu insistiu. Os dois caminharam quase em silêncio pelo corredor. Não havia necessidade de falar nada, apenas o calor de suas mãos entrelaçadas já bastava.
Seguiram de mãos dadas, em silêncio, os rostos corados. Se seu tio os visse, lançaria aquele olhar familiar e diria: “Olhem só vocês dois, se divertindo tanto…”
Mas Jeong Taeui não se importava. Que vissem, se quisessem. Afinal, eles só estavam de mãos dadas.
Jeong Taeui olhou para Xinlu. Ele era meio palmo mais baixo que ele. Seu cabelo balançava suavemente, exalando ainda o leve perfume de sabão. Taeui quis enfiar o rosto naquele cabelo, mas só conseguiu corar e sorrir de forma tímida.
Foi nesse momento.
Quando se aproximaram das escadas, ele soube que teria de soltar a mão dele ao chegarem ao sexto andar, e isso o deixou arrependido.
Alguém surgiu no corredor, perto da escada.
Taeui apertou com mais força a mão de Xinlu. Não seria nada bom se descobrissem que ele estava naquele andar. Embora talvez já tivesse sido registrado pelas câmeras de segurança, ser flagrado diretamente era outra história.
Jeong Taeui pensou e clicou a língua, tentando adivinhar quem poderia ser, esperando que fosse algum dos instrutores para poder justificar sua presença. Mas, ao perceber quem era, seus passos pararam de repente.
Não esperava encontrar aquela pessoa naquele andar; mais precisamente, não deveria estar ali. Riegrow, aquele homem brutal.
O homem também viu Jeong Taeui. Seu olhar deslizou lentamente até Xinlu, que estava ao lado dele. Então seus olhos pousaram nas mãos entrelaçadas dos dois.
Aquelas pupilas escuras e insondáveis eram impossíveis de decifrar. Elas se estreitaram com desconfiança, parecendo ao mesmo tempo divertidas, ligeiramente satisfeitas, ou até insatisfeitas e gananciosas.
Quando esse pensamento final passou pela mente de Jeong Taeui, ele endureceu a expressão. Lembrou-se da conversa com Tou naquela manhã, antes de vir até ali:
— Não existe garoto jovem e bonito que ainda não tenha sido tocado.
O coração de Jeong Taeui gelou. Ele apertou a mão e, por reflexo, posicionou-se na frente de Xinlu. Xinlu, confuso, mexeu-se nervoso atrás dele, mas Taeui permaneceu em silêncio, firme à frente.
Perigo. O pensamento atravessou sua mente instintivamente.
Não era um perigo que ameaçasse sua vida, como sentira antes. Era algo mais urgente, mais imediato; algo mais valioso que a própria vida poderia ser perdido.
Riegrow encarava Jeong Taeui. Sua expressão quase refletia todos os seus pensamentos, um semblante vago se formando lentamente em seus lábios, sem saber se era sorriso ou outra coisa.
— O que há de errado…? — sussurrou Riegrow. Sua voz estava um tanto indistinta, mas o riso contido dentro dela era evidente.
Jeong Taeui clicou a língua em silêncio. Não deveria revelar sua fraqueza para ninguém, especialmente para aquele homem cruel e ameaçador. E, ainda assim, em um instante, havia se exposto.
— Xinlu. Volte.
Jeong Taeui disse suavemente por cima do ombro. Xinlu pareceu hesitar, os olhos lançando um rápido olhar para Riegrow. Seus olhos eram cautelosos e analíticos.
— Hyung…
— Está tudo bem, volte. Nos vemos depois.
Jeong Taeui tranquilizou Xinlu com calma, que sussurrava enquanto segurava sua manga. Xinlu hesitou por um momento, depois se despediu de Jeong Taeui e começou a se afastar. Enquanto voltava, olhou para trás uma ou duas vezes. O olhar de Xinlu permaneceu em Riegrow, que retribuiu com um olhar sugestivo.
Logo, o som da porta se fechando ecoou atrás de Jeong Taeui e Riegrow. Riegrow continuou a observar a figura de Xinlu se afastando antes de finalmente voltar o olhar para Taeui.
Jeong Taeui olhou para ele com irritação.
Tinha encontrado alguém que não queria ver, em uma situação que não queria estar. Que azar.
Mas, mesmo com Xinlu desaparecido, a ansiedade de Jeong Taeui não diminuía. Sentia o olhar de Riegrow sobre seu ombro. Até Xinlu entrar em seu quarto, Riegrow continuou a observá-lo, mostrando interesse com os olhos estreitos.
— Esse garoto é bastante bonito.
Finalmente, Riegrow falou. Sua voz carregava um tom de prazer. A expressão de Jeong Taeui endureceu ainda mais. Ele olhou fixamente para ele e disse, rígido:
— O que há de bonito em um homem?
Riegrow sorriu imediatamente das palavras de Taeui. Seus olhos se enrugaram de tanto rir.
— Aha. Um homem. Sim, isso mesmo. Não faço distinção de quem gosto, mas parece que você não pensa da mesma forma. Que inesperado…
Riegrow falou arrastado, rindo suavemente. Jeong Taeui sentiu um gosto amargo na boca. Era uma resposta desajeitada. Se fosse com aquele homem, talvez ele tivesse percebido os sentimentos de Taeui por Xinlu desde o começo. Em vez de ficar enrolando, talvez fosse melhor admitir.
Sentiu-se desconfortável. O olhar atento de Riegrow sobre Xinlu continuava a assombrá-lo. O cristal que achava ter segurado firme agora tremia de forma instável.
Jeong Taeui clicou a língua. Pensou que não seria benéfico prolongar a conversa. Além disso, confrontar aquele homem não lhe trazia nenhum benefício.
— Por que você está aqui? Este lugar é proibido.
Disse Jeong Taeui, sabendo que não estava em posição de questionar. Ele olhou na direção de onde o homem viera. Era a direção dos quartos dos supervisores. Os supervisores que lideravam os membros da filial europeia também estavam naquele andar, mas seus quartos ficavam em outra direção.
Jeong Taeui inclinou a cabeça. Que assunto pessoal aquele homem teria para se encontrar com um supervisor ali? Ou estaria espionando o prédio da filial? No entanto, não havia motivo específico. A UNHRDO não tinha uma estrutura particularmente oposta, nenhuma organização ou setor que valesse a pena espionar.
Por ora, ele consideraria a teoria de que Riegrow fosse um espião, mas não podia tirar uma conclusão clara.
Riegrow sorriu levemente, como se tivesse entendido os pensamentos de Jeong Taeui. No entanto, não respondeu diretamente à sua pergunta, apenas reagiu de forma vaga.
— Certamente, não sou o único proibido de entrar aqui. O que você veio fazer? — Embora a resposta pareça óbvia.
Riegrow respondeu lentamente. Então, de repente, inclinou a cabeça e riu baixinho.
— Mas o que você fez com aquele belo garoto? Seu rosto está corado, fica até bastante atraente.
Jeong Taeui congelou com aquelas palavras. A sensação da bochecha de Xinlu contra seus lábios voltou no instante em que ouviu a pergunta ambígua. …O que você fez com aquele belo garoto? Seu rosto queimou.
Jeong Taeui ergueu a mão inconscientemente para esfregar o rosto com o dorso da mão. Mas logo percebeu que era um gesto inútil. Seu rosto ficou ainda mais vermelho, e Riegrow riu suavemente diante dele.
Jeong Taeui se sentiu extremamente frustrado. Não havia motivo para ser ridicularizado pelos outros, muito menos em relação a ele e Xinlu.
— Não importa o que eu fiz, não tem nada a ver com você.
— Mesmo? Fico curioso com a sua reação se realmente tivesse feito algo com aquele belo garoto. Quão quente é a respiração dele, quão fofos são os gemidos dele. Coisas assim…
Riegrow arrastou as palavras e sussurrou. Jeong Taeui lançou-lhe um olhar gélido.
Droga. Ele já estava desconfortável antes, e no fim era por isso.
Sentia-se inquieto. Quando ficava ansioso, sua boca secava. O modo como Riegrow olhara para Xinlu, cheio de desejo, o deixava extremamente incomodado. Mas, vindo desse homem, era ainda pior. Uma onda de preocupação o tomou, uma sensação de desgraça iminente.
Além disso, aquele louco, apesar da personalidade e natureza problemáticas, era fisicamente muito atraente. Bastava acenar a mão para atrair uma multidão, graças ao corpo e ao rosto chamativos.
Para ser sincero, ele tinha que admitir. A única coisa em que era melhor que Riegrow era no caráter.
Em rosto, corpo ou força, não podia dizer que era superior. Só podia se orgulhar de sua índole, não porque fosse grandiosa, mas porque a humanidade de Riegrow era tão baixa que chegava a ser assustadora.
— Então você quer dizer que gosta do Xinlu?
— Xinlu? Ah, então o nome daquele garoto é Xinlu. Sim, nada mal. Bastante bom.
Riegrow disse. Ao mesmo tempo, deu um passo em direção a Jeong Taeui. E depois outro.
Quando ele começou a se aproximar em um passo lento e despreocupado, Jeong Taeui franziu o cenho.
Por um instante, tinha esquecido que encontrar aquele homem nunca era algo bom. Na verdade, se o visse a cem milhas de distância, deveria ter corrido o mais rápido possível. A lembrança da boca da arma pressionada contra o seu pescoço ainda era muito nítida.
Jeong Taeui estremeceu e quase recuou por reflexo, mas rapidamente recuperou a compostura e permaneceu firme. Pensando bem, agora já era tarde para fugir. Dar um passo atrás só o faria parecer mais ridículo. E, certamente, ele não mataria alguém neste corredor… certo?
— Qual é o problema?
Riegrow deu de ombros e sorriu ao observar Jeong Taeui permanecer rígido no lugar. Mas aquele sorriso era ainda mais assustador. Embora avançasse devagar, Riegrow não parava; agora estava a apenas alguns passos de Jeong Taeui. E continuava a se aproximar.
Um passo, dois passos, mais um.
Jeong Taeui encarou os olhos escuros que o observavam. Seu corpo inteiro estava tenso e pálido.
Até onde ele pretendia ir? Agora, bastava estender a mão para tocá-lo.
Mas Riegrow continuou a avançar. Deu mais um passo e então parou.
A poucos centímetros de distância, Riegrow olhou para Jeong Taeui. Seus olhos eram frios como gelo. Apesar do leve sorriso que parecia se formar em seus olhos e lábios, seu olhar era cortante como uma lâmina.
Milk & Ink Scan
Traduzido e revisado por Mandy Ink.
Até o próximo capítulo!
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Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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