Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 21 Online

↫─Capítulo 21
A pronúncia dela era clara e límpida, lembrando a de uma apresentadora de TV. Antes mesmo que minha mente pudesse processar a situação, meu corpo já tinha travado por conta própria. Uma sensação aguda e dolorosa me percorreu por inteiro.
—Por favor, entre.
Desta vez foi a voz de Saheon. Por um breve momento, me perguntei se tinha ouvido errado, mas quando a resposta chegou, esse pensamento foi naturalmente descartado.
Na casa estranhamente silenciosa, até os menores sons da vida cotidiana ecoavam alto. Ouvi o barulho de saltos finos e altos raspando contra o piso de azulejo da entrada, indicando que a dona daquela voz de mulher desconhecida tinha entrado primeiro.
— Com licença.
Por fim, parece que Saheon também entrou, já que o som dos saltos sumiu por completo. Aquela conversa entre os dois só poderia estar acontecendo se estivessem andando lado a lado ou de frente um para o outro.
— Então este é o lugar para onde você mudou? Ah, Saheon. E o seu irmão mais novo que mora com você?
— Ele deve estar na faculdade. Deve estar por aí se divertindo com os colegas de classe.
— Entendi. Queria conhecê-lo um dia. A propósito, você disse que ele é calouro, né? Calouros têm mais é que se divertir mesmo.
A voz brilhante e tagarelava tinha um poder de levantar o ânimo de qualquer um, mas infelizmente, isso não se aplicava a mim. O único pensamento que preencheu minha mente atordoada foi um:
“Hyung tinha uma namorada.”
Ao tirar os sapatos, o som de saltos que ecoava nos meus ouvidos desapareceu, mas eu ainda conseguia adivinhar a situação lá fora pelos sons de movimento e pelo roçar de tecidos contra o corpo. Uma exclamação daquela pessoa desconhecida ecoou vinda da sala de estar:
— Ah, isso aqui…
Ouvi um ruído metálico, como se algo estivesse sendo erguido na direção de onde eu sentia a presença do lado de fora da porta. Foi só então que percebi que estava prendendo a respiração, totalmente focado no que acontecia lá fora. Soltei o ar, tentando diminuir ao máximo a minha presença.
— A gente não comprou isso quando fomos para Phuket daquela vez?
— Isso mesmo.
Parecia que a convidada que Saheon trouxera estava olhando a cristaleira da sala. Dentro do armário de metal branco e madeira ficavam as lembranças que Saheon tinha colecionado pelo mundo desde que começou a trabalhar.
Mas pensar que era algo que eles tinham comprado juntos em Phuket… Esfreguei a ponta dos meus dedos, que agora estavam frios, e mordi o lábio inferior. Eu não conseguia adivinhar facilmente ao que aquela pessoa desconhecida estava se referindo.
Ouvi o som do paletó do uniforme sendo jogado no sofá. Eu sabia que o Saheon tinha a mania feia largar o paletó e o quepe no sofá assim que chegava em casa, mas não consegui evitar a sensação de que meu coração tinha despencado.
Comecei a apertar meus joelhos, que tinham começado a tremer de forma incontrolável. No entanto, o pouco calor que restava ali não serviu de nada para me acalmar.
— Yunseo, você vai ficar só olhando para isso? Vem aqui.
Havia um leve riso na voz de Saheon. Parecia que a convidada tinha uma personalidade brincalhona, pois soltou uma risada revigorante.
— Ah, espera, vem aqui!
Na minha mente, que ardia de ciúmes, eu já estava juntando várias cenas a partir do que o Saheon tinha dito. Para que ele queria que ela se aproximasse? Para dar um abraço? Para dar um beijo?
Meu interior se revirou de ciúme incontrolável. Levantei-me, dei um pulo da cama e escancarei a porta. Foi uma ação impulsiva, sem pensar duas vezes. Saheon, que estava na cozinha, e a convidada, que estava de frente para a bancada da ilha, viraram-se surpresos.
Saheon segurava no alto algo que a convidada provavelmente estava segurando momentos antes. A mulher desconhecida esticava as duas mãos como se tentasse recuperar o que havia sido pego, mas, com uma diferença de altura de quase uma cabeça e meia, ela só conseguia segurar o pulso de Saheon.
Eu estava ofegante como se tivesse acabado de dar uma corrida. Eu tinha consciência da minha expressão distorcida, mas o impulso de agir era incontrolável. Saheon, que parecia um pouco surpreso, deu um passo para mais perto da convidada e abriu a boca:
— …Você estava em casa?
A pergunta, que parecia uma pergunta naturalmente surpresa, foi interpretada pelo meu coração distorcido como ‘Por que você está aqui?’ Olhei para os dois lado a lado, respirando pesadamente sem responder.
O convidado desconhecido usava o uniforme da companhia aérea onde Saheon trabalhava. Com um coque arrumado, um uniforme impecável e um cachecol leve, ficou claro à primeira vista que a convidada era uma comissária de bordo.
A mulher deu um passo para trás, soltando o braço de Saheon. Parada lado a lado com aquela mulher elegante e bonita, que tinha uma altura que combinava com a dele, os dois pareciam o par perfeito. O visual deles era bom o suficiente para estampar uma foto promocional da companhia aérea.
— Você é o Cheongmyeong…? — a convidada perguntou.
Quando a barreira da porta desapareceu, a voz alegre dela ressoou ainda mais. Por um momento, me perguntei como essa pessoa desconhecida sabia meu nome, mas ela sorriu radiante, como se estivesse contente, e me cumprimentou calorosamente:
— Ouvi muito sobre você. Nossa, você é ainda mais bonito do que me disseram! Quando só ouvia falar, achei que você seria super fofo, mas você é alto… Nossa, você parece um modelo. Saheon, você deveria ter me contado que seu irmão mais novo é lindo assim!
A convidada se aproximou de mim com elogios amigáveis, mas eu estava apenas ouvindo por cima. Meu olhar se voltou instintivamente para Saheon. Eu nem sabia o que estava esperando dali; foi apenas uma reação instintiva.
— Sua aula já acabou?
Fechei a boca que estava entreaberta. Meu pomo de adão subiu e desceu de forma brusca. Tive que me esforçar para falar com uma voz que parecesse normal:
— …Ah, não. Hoje é a integração… então sobrou um tempo… Só vim deixar as minhas coisas rapidinho…
Até as palavras mais simples tropeçavam e se embolavam. Terminei a frase quase gaguejando e apertei as mãos com força, demonstrando que não sabia o que fazer.
— Integração? Mas hoje é dia 8, não é? Você não tinha dito que seria no dia 9?
— Nossa, Saheon. Eles não fariam a integração no fim de semana, né?
A comissária deu um tapinha brincalhão no braço de Saheon e sorriu radiante. Ela, que parecia ter o tamanho exato para caber perfeitamente no abraço dele, era adorável em cada mínimo movimento. Saheon pegou o celular, talvez para checar a data.
— Ah, é verdade.
— …É. Eu devo ter… me confundido com as datas. Desculpa.
A última parte da minha frase morreu no ar. Senti como se um abismo profundo tivesse se formado entre Saheon e mim, demarcado pelas linhas finas do piso. Para ser mais exato, era um abismo que separava o casal de uma terceira pessoa restante.
— Então o hyung vai te buscar mais tarde? Me liga quando terminar.
— Não, não precisa. Estou bem.
A voz que saiu por entre meus lábios soou estranha até para mim. Respondi de forma rígida e resmunguei como se estivesse inventando uma desculpa, abaixando a cabeça profundamente.
— Eu… tenho que encontrar o Hyun-oh. Então, já vou indo. Tchau.
Inclinei ainda mais a cabeça em saudação e movi os pés como se quisesse fugir dali. Saheon me seguiu rapidamente. Senti o calor se acumulando nos meus olhos, então os fechei com força.
— Você devia colocar um casaco. Está muito frio lá fora.
Hyung, que me alcançou na entrada, sussurrou baixinho. Meu casaco acolchoado longo parecia chegar até a cintura de Hyung enquanto ele o segurava.
Estendi a mão como quem pedia o casaco, mas o hyung o envolveu pelas minhas costas. Senti uma sensação quente e fofinha contra mim. Pelo visto, ele mesmo pretendia me vestir. Mesmo enquanto ele enfiava meus braços nas mangas como um hyung zeloso, mantive meu olhar fixo no chão, focado no vazio.
No canto da minha visão, vi duas malas de viagem alinhadas. Uma etiqueta vermelha brilhante presa à mala me chamou a atenção: “REMOVE BEFORE FLIGHT”. Era a mesma tag pendurada nas malas dois.
— Não beba demais. Se achar que vai ter que pegar um táxi, me liga.
O hyung sussurrou de forma carinhosa, dando um tapinha brincalhão na minha bochecha, mas não respondi, pois continuava encarando aquela mesma etiqueta. Saheon, como se estivesse me pressionando por uma resposta, apertou meus lábios com o polegar e o indicador, fazendo-os inflar como os de um peixe.
— Mungmung, você vai ligar? Hein?
Conforme Saheon balançava a mão de leve, me vi balançando a cabeça. Atordoado pelo toque brincalhão dele, afastei a mão do hyung com um tapa. Não tinha sido um empurrão bruto; ela simplesmente saiu com facilidade. Franzi um pouco a testa e resmunguei:
— …Não precisa se preocupar com isso.
Meus olhos baixos estavam semicerrados e ríspidos, eu não conseguia olhar para o Saheon com aquela expressão. Virei-me abruptamente, arrastando meus sapatos meio amassados enquanto saía pela porta da frente.
Eu não tinha a menor ideia de qual era o meu estado de espírito enquanto caminhava em direção ao ponto de ônibus. Em um transe completo, sentei-me no banco frio do ponto de ônibus por um longo tempo e, quando senti a vibração do celular na minha mão, baixei as pálpebras.
Era uma ligação do Choi Hyun-oh. Após algumas tentativas desajeitadas, dei um tapa nas minhas próprias bochechas para me trazer de volta à realidade. A sensação de ardência amorteceu meu rosto. Graças à dor, consegui atender a chamada logo antes que ela caísse, levando o aparelho ao ouvido.
— Alô?
Dei tapas tão fortes nas minhas bochechas que elas ficaram dormentes. O calor que subia por elas deixava meu corpo inteiro aquecido, fazendo com que o casaco acolchoado parecesse até desnecessário.
— ‘Você já saiu? Cara, que frio. O ônibus 3300 vai passar por aqui daqui uns cinco minutos; você vai conseguir pegar?’
Ergui os olhos num sobressalto. O ônibus vermelho preso no trânsito estava bem ali na minha frente. 3300. Levantei-me rapidamente e bati na porta dianteira do veículo.
— Vou. Estou subindo. Já entrei.
Enquanto subia os degraus altos e escaneava meu cartão de transporte, ouvi Choi Hyun-oh rindo. Escolhi o assento livre entre dois vazios. Sentei-me do lado direito, esperando avistar Choi Hyun-oh esperando na próxima parada.
— ‘Olha, que reflexo rápido. Se você tivesse perdido esse, eu estaria no jornal das nove hoje à noite. Está congelando.’
— Já estou dentro. Estamos a caminho.
— ‘Não deixa ninguém sentar do seu lado; coloca a mochila ou alguma coisa aí.’
— Entendi.
Como não havia muitos passageiros no ônibus mesmo, parecia improvável que alguém invadisse meu espaço. Mas decidi seguir o conselho do Choi Hyun-oh e fui revirar meus bolsos. Eu estava procurando algo para reservar o assento, já que não tinha trazido a mochila.
Depois de revirar meus bolsos vazios por um tempo, encontrei um pedaço de papel de chiclete. Coloquei no centro do assento para que ficasse visível.
Depois de parar algumas vezes no sinal vermelho, o ônibus logo chegou à próxima parada. Choi Hyun-oh, avistando-me sentado perto da janela, sorriu e subiu no ônibus. Fazia apenas seis horas desde o nosso último encontro, mas ele se aproximou com uma expressão radiante.
— O Hyun-oh chegou! Ah, que lixo é esse no banco…?
Choi Hyun-oh deu um peteleco casual no papel de chiclete que eu tinha colocado ali, fazendo-o cair. Quando ele se jogou no assento com um baque, olhou para mim surpreso.
— Por que a sua cara está assim? Aconteceu alguma coisa?
Com a pergunta dele, lembrei-me por um instante de Saheon, de quem eu quase tinha conseguido esquecer. Dei um sorriso vago, sentindo-me metade na realidade e metade em um sonho. Meu reflexo no vidro do ônibus parecia mais abatido do que o habitual.
— Ahn? O que houve?
Choi Hyun-oh inclinou-se em minha direção, como se tentasse bloquear a visão do meu rosto para as pessoas sentadas perto de nós. Mantive meus olhos baixos, permanecendo em silêncio. A imagem de Saheon e sua namorada inundou minha mente, fazendo meus olhos arderem de calor.
Mas eu sabia que, por mais que o Hyun-oh fosse um bom amigo, havia coisas que eu podia e coisas que eu não podia dizer. Decidi não falar sobre isso e abri a boca:
— …O hyung.
No entanto, o que eu não tinha previsto era que as emoções que até então só existiam guardadas no meu coração de repente transbordariam, transformando-se em uma onda de sentimento avassaladora.
A imagem do Saheon e da namorada, que ficavam ótimos juntos, não saía da minha mente, tornando-se ainda mais nítida. Parecia que eu tinha engolido uma chama viva; minha garganta e meu coração doíam. Mordi o lábio inferior por dentro, tentando conter as lágrimas que se acumulavam nos meus olhos.
— O hyung o quê? Por quê? Você está chorando? Cara, não chora. O que aconteceu?
Choi Hyun-oh, atrapalhado, agarrou meu ombro em pânico. Pressionei as pálpebras com as duas mãos, tentando esconder as lágrimas que haviam caído, mas quando as emoções explodiram, não havia sinal de que elas se acalmariam facilmente.
— Por que, porque… Olha para mim. O que o seu hyung disse? Não chora. Ei, espera aí. Alguém te bateu? Por que a sua bochecha está vermelha assim? O seu hyung te bateu?
As palavras de Choi Hyun-oh tornavam-se cada vez mais urgentes. Eu precisava dizer que não, mas minha garganta estava sufocada de angústia e eu não conseguia colocar as palavras para fora direito. Balancei a cabeça vigorosamente, tentando expressar a negação apenas com um gesto.
Mas parece que o Hyun-oh já tinha presumido que eu havia sido agredido pelo Saheon. Uma enxurrada de palavrões começou a sair sem parar por entre os lábios de Choi Hyun-oh.
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz
Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar