Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 22 Online

↫─Capítulo 22
Felizmente, não havia muitas pessoas no ônibus, então ninguém prestou muita atenção em nós. Mesmo assim, era inevitável o constrangimento de um homem adulto chorando feito criança.
Para conter as lágrimas que rolavam contra a minha vontade, apertei os olhos com força e encolhi os ombros. As mãos de Choi Hyun-oh, que até um segundo atrás procurava fotos de todo tipo de filhote de animal no celular para me distrair, gesticulavam inquietas no ar.
— O que houve… Não chora. O que o seu hyung fez?
Choi Hyeon-oh perguntou baixinho, colocou sua mão errante no meu ombro e me puxou suavemente para perto dele. Era uma posição ambígua, nem abraçar nem ficar juntos. Choi Hyeon-oh acariciou minhas costas suavemente e falou docemente.
— Quem teria coragem de bater num garotinho tão fofo? O seu hyung é um…
— Não… Não foi isso… Ele não bateu… E eu não sou um garotinho.
Corrigi o mal-entendido do Choi Hyun-oh com a voz chorosa. Conforme funguei, o bolo que se formou na minha garganta a fez arder. Hyun-oh, com toda a delicadeza, enxugou as lágrimas que tinham escorrido até o meu queixo e que eu não tinha conseguido limpar.
— Tá, tá bom.
Embora tivesse dito aquilo para me confortar, a expressão no rosto do Choi Hyun-oh mostrava que ele não estava nem um pouco convencido. Senti que estava prestes a virar uma verdade absoluta que eu morava com um hyung que agredia o irmão mais novo, então tentei explicar desesperadamente com a voz embargada:
— Eu estava tentando atender a sua ligação, mas não estava conseguindo, aí fiquei nervoso… e acabou dando nisso.
— Quê? Como assim? Você mesmo bateu na sua cara? Ai, tá bom, esquece.
O rosto do Choi Hyun-oh, enquanto ele dava tapinhas nas minhas costas, mudou para uma expressão de pura descrença. Seu semblante, que parecia vacilar entre acreditar em mim ou não, terminou com um aviso em tom de alerta:
— Se a ligação cair, é só ligar de volta. Não precisa chegar a esse ponto da próxima vez.
— Entendi.
Antes que eu percebesse, minhas lágrimas diminuíram um pouco e eu já conseguia controlar o choro. À medida que as lágrimas que antes rolavam sem parar foram cessando, apertei os olhos com força para evitar que mais alguma escapasse. Minha visão continuava embaçada, provavelmente pela umidade que ainda restava.
Limpei os resquícios da minha crise emocional com as costas da mão. O gesto bruto fez meus olhos arderem, mas eu conseguia aguentar aquilo. Choi Hyun-oh continuava inclinado em minha direção, mantendo o contato visual.
— Mas com que força você se esbofeteou para a sua bochecha ficar inchada desse jeito?
Choi Hyun-oh perguntou, metade preocupado, metade brincando. Seus dedos tocaram de leve o meu rosto. Graças ao aquecedor, mesmo dentro do veículo aquecido, a temperatura da minha bochecha estava extraordinariamente alta. Ele segurou meu queixo, examinando a área, e perguntou:
— Não está doendo? Quer um remédio?
— Não, estou bem.
— Por que você bateu no próprio rosto por um motivo tão bobo? Mas e aí, o que aconteceu com o seu hyung para te deixar chorando desse jeito?
A voz de Choi Hyeon-oh era baixa e calma, talvez porque ele não queria chamar atenção das pessoas dentro do ônibus. Dei outra fungada.
Novamente, as imagens de Saheon e da namorada preencheram minha mente. Meus olhos, que estavam se acalmando naturalmente, voltaram a arder, mas dessa vez consegui segurar.
No entanto, eu não conseguia sufocar as emoções que borbulhavam, então apertei os lábios com força, reprimindo os sentimentos que faziam meu peito doer. Meus lábios ficaram levemente bicudos, talvez por conta do meu coração amargurado. Entrelacei minhas mãos com força, pressionando-as dolorosamente enquanto procurava o que dizer.
Para os outros, Saheon era apenas um hyung com quem eu tinha crescido desde a infância. Seria difícil entender por que eu choraria só porque um hyung que era como parte da família arrumou uma namorada.
No entanto, seria exagero dizer com todas as letras que a pessoa de quem eu gostava estava namorando alguém, mas eu já tinha deixado escapar que se tratava do hyung com aquele “o hyung…”. Meu cérebro, ainda atordoado pelos resquícios das lágrimas, buscou rapidamente uma desculpa.
— Você brigou com o hyung? Ele te deu uma bronca?
Mas antes que eu pudesse inventar uma desculpa, Choi Hyun-oh surgiu com uma resposta plausível. Parecia que dizer que havíamos brigado seria a resposta mais aceitável. Balancei a cabeça devagar, assentindo. O Hyun-oh franziu a testa com toda a força, e bagunçou seu cabelo descolorido e brilhante.
— Aff. Seu hyung parece mesmo assustador, mas como ele pôde fazer isso com o próprio irmão que mora com ele? É por isso que você vai correndo pra casa quando ele liga? Lee Cheong-myeong, você está aí, preso, bem na casa dos vinte anos, quando na verdade deveria estar aproveitando a vida…
Choi Hyun-oh se encolheu, fingindo um arrepio de pavor. Na realidade, as ligações do Saheon eram só para saber se eu estava bebendo muito e me avisar para não voltar tarde, e no fim das contas era eu quem insistia que voltaria para casa sozinho.
No entanto, como o Hyun-oh já tinha entendido tudo errado e não me deu espaço para explicar o mal-entendido, não tive escolha a não ser desviar o olhar sem jeito e balançar a cabeça de leve.
— Da última vez que o vi ele estava de uniforme, ele parecia ser um piloto, né? A maioria desse pessoal não é da Força Aérea? Não me diga que ele usa linguagem militar com você também?
Sem saber o que responder, soltei uma risada sem jeito. Pensando que sua hipótese fazia todo o sentido, o rosto do Choi Hyun-oh se iluminou com a descoberta:
— Caramba, isso deve ser assustador de verdade. Deve ser como viver com um superior militar todo santo dia… Aposto que ele te chama pelo nome de um jeito super formal. “O comandante está desapontado com o soldado Lee Cheongmyeong…”
Imitando uma voz firme e rígida, o tom brincalhão do Choi Hyun-oh me fez soltar uma risadinha. Ele também ergueu um canto dos lábios, abrindo a boca para me provocar:
— Seus olhos e seu nariz estão todos vermelhos. Se chorar e rir ao mesmo tempo, vai nascer cabelo na sua bun…
Eu interrompi em sobressalto o comentário afiado do Choi Hyun-oh e dei um sorriso sem graça. Não deveria ser possível, mas fiquei um pouco assustado. Engolindo a saliva com calma, aliviei a garganta naturalmente e disse:
— …Ah… não, mas…
— Ah, agora não vai mais nascer pelos, vai nascer um chifre de tão bravo?
— Não vai nascer chifre nenhum. — retruquei, tentando parecer firme enquanto mudava de assunto logo em seguida: — Mas e então, para qual matéria optativa a gente vai mudar?
O rosto do Choi Hyun-oh ficou vermelho de raiva num instante quando eu mudei abruptamente o assunto e ele lembrou do fato “daquele desgraçado do Yoo Do-jin”. Antes ele tinha abaixado a voz para evitar chamar a atenção das pessoas no ônibus na hora de me acalmar, agora ele gritava como se quisesse que o mundo inteiro ouvisse enquanto xingava o amigo de dez anos.
— Hoje eu infernizei aquele desgraçado até ele atender o telefone. Confiei nele para fazer a minha inscrição e, quando perguntei que palhaçada era aquela, o cínico ainda me solta: “Ué, mas você se inscreveu mesmo?”. Aquele filho da puta! Falei para ele dar um jeito de conseguir uma outra optativa decente.
O cabelo do Choi Hyun-oh balançava sob a luz do sol conforme ele se enfurecia. Os fios descoloridos estavam tão danificados que a luz solar tornava as pontas duplas ainda mais visíveis.
— As optativas disponíveis agora provavelmente ou estão lotadas ou já encerraram, então vou pegar qualquer coisa decente que sobrou. E aquele cara é monitor de uma optativa super popular. Ele disse que ia dar um jeito discreto de descobrir quando abrirem vagas por desistência, então, se não tiver outra opção, vamos fazer qualquer uma que sobrar.
— Beleza, combinado.
— O que quer que a gente faça, com certeza vai ser melhor do que o Schrödinger. Né? Ah, nós descemos aqui!
Choi Hyun-oh enfiou as mãos bem fundo nos bolsos e, assim que o ônibus começou a desacelerar, ele se levantou de repente e foi em direção à porta traseira.
***
O local do encontro era um restaurante de churrasco coreano barato e com refil de bebida liberada, então não havia apenas calouros do departamento de Língua e Literatura Francesa, o salão espaçoso estava lotado de estudantes de vários períodos.
Todos os trinta calouros compareceram e, a julgar pelos rostos desconhecidos, parecia que alguns sunbaes também estavam presentes. Enquanto Choi Hyun-oh e eu caminhávamos em direção aos assentos que a Shin Jiyu tinha guardado, nós notamos que ela estava sendo cercada por alguém que parecia ser um sumbae, então mudamos de direção discretamente.
— Se a gente sentar ali, você vai sair caminhando de quatro hoje.
Com o sussurro baixinho do Choi Hyun-oh, eu concordei em silêncio. Não importava o quão forte a pessoa fosse para bebida, ver cinco garrafas de soju fechadas bem na frente da Shin Jiyu me fez pensar que aquela não era uma boa ideia.
Naturalmente, nós nos viramos em direção à mesa onde a Min Iseo e a amiga dela estavam sentadas. Choi Hyun-oh, que se aproximou do lado da Min Iseo, já foi puxando uma cadeira e perguntou casualmente:
— Tem problema se eu sentar aqui?
— Nenhum! Senta aí, pode sentar.
Min Iseo, que se atrapalhou toda ao chegarmos ficando meio de pé, conseguiu se sentar de volta com a ajuda da amiga que dava risadinhas. Com o rosto corado, ela colocou o cabelo longo atrás da orelha e sorriu timidamente.
Observando aqueles gestos dela que lembravam um coelhinho, encontrei rapidamente um copo vazio assim que a amiga dela me estendeu uma garrafa de cerveja.
A confraternização começou cerca de 15 minutos após o horário marcado. Ao contrário do que eu esperava que fosse algo grandioso, foi bem parecido com as festas com bebida que já tínhamos feito antes, as boas-vindas ao nosso “familiar” Departamento de Literatura Francesa, foi feito pelo representante do terceiro ano liderando um brinde que dizia: “Língua Francesa—” e o resto respondendo em coro: “—é como uma família!”.
Graças ao Choi Hyun-oh, que tinha me consolado durante toda a viagem de ônibus, e à carne deliciosa bem na minha frente, meu humor tinha melhorado significativamente em relação ao início.
No entanto, só porque meu humor tinha melhorado não significava que estava tudo bem. Conforme a intensidade das emoções sombrias que preenchiam meu coração diminuía gradualmente, uma sutil sensação de inquietação começou a surgir.
Deixei meu celular em cima da mesa, comendo a carne sem muita vontade enquanto olhava para a tela repetidamente, mas não havia nenhuma mensagem recebida. E esse fato só alimentava minha ansiedade infundada.
Será que fui frio demais quando saí da casa do hyung? Eu tinha fugido, apavorado com a chance de ser pego depois de disparar palavras ríspidas, mas o Saheon não tinha me impedido e nem entrado em contato.
Eu tinha escondido meus sentimentos melancólicos, mas parece que meus colegas sentados na mesma mesa perceberam tudo. Min Iseo, que estava sentada bem na minha frente, perguntou:
— Cheongmyeong, aconteceu alguma coisa?
— O nosso Cheongmyeong está borocochô porque levou uma bronca do hyung dele.
Choi Hyun-oh, que tinha se voluntariado para grelhar a carne, respondeu no meu lugar. A amiga sentada ao lado da Min Iseo soltou uma risadinha. Parecia que o mero fato de eu ter tido um conflito com o meu hyung era divertido para os outros. Quando olhei para a minha colega, que tinha os olhos semifechados com um sorriso, ela rapidamente balançou as mãos negando:
— Eu não estou rindo dele, só achei ele fofo. Ele é fofo.
Até as amigas sentadas ao lado dela riram baixinho. Se era verdade ou não, eu não tinha certeza, mas fiquei um pouco desconfortável. Segurando meu copo em silêncio, vi os olhares expectantes dos meus colegas e virei metade do conteúdo goela abaixo. O calor da bebida, que estava mais forte do que o habitual, pareceu começar no topo e se espalhar por todo o meu corpo.
Um pequeno viva ecoou por pura cortesia. Depois de virar o restante da cerveja, me senti tonto e abaixei a cabeça enquanto o mundo ao meu redor girava. Meus colegas continuaram a falar sobre o Saheon.
— Mas por que o irmão do Cheongmyeong deu uma bronca nele? É porque ele está bebendo demais? Ele já não está indo para casa cedo o suficiente?
— Pois é. Se ele brigou por causa disso, então…
Os comentários hesitantes continuaram, mas não os contestei e mantive a cabeça baixa. Eu me sentia mais bêbado do que o normal e estava tonto. Mecanicamente, balancei a cabeça concordando enquanto ouvia por cima o que meus colegas diziam.
— Se o irmão do Cheongmyeong tivesse um toque de recolher às 22h durante toda a faculdade, eu até entenderia. Ele com certeza ele se divertiu o tempo todo, mas fala para o Cheongmyeong voltar cedo para casa, isso não está certo. Não estamos nos anos 80.
“Isso mesmo. É isso mesmo. O hyung deve ter trazido a namorada dele para casa, e ele devia estar querendo beijar ela e transar! Ele provavelmente nem se lembra de que eu me confessei antes!”
— Ah, eu conheci aquele hyung pessoalmente e ele era assustador de verdade. Só de olhar para ele, parecia que ele vivia uma vida de abstinência, então talvez seja por isso… Mas por que o Lee Cheongmyeong já está desse jeito? Ei, Hee-yeon, o que você deu para ele beber?
— Hã? So-maek. O so-maek com a proporção áurea especial da Hee-yeon.
— Ficou maluca, por que você deu isso para ele!
O barulho da discussão parecia um rádio cheio de estática. Com a boca firmemente fechada, notei que a tela do meu celular em cima da mesa acendeu. Era o Saheon. Sentimentos impuros subiram até o topo da minha cabeça.
“A gente se fala todo santo dia, então por que ele não entrou em contato comigo até agora?! Aposto que ele só ligou porque já terminou de transar com a namorada!”
Bufei de raiva e recusei a ligação. Decidido a desligar o aparelho por completo, eu estava prestes a pressionar o botão de desligar quando mudei de ideia. Com o cérebro fervendo de calor, pensei que deveria pelo menos falar o que precisava ser dito para o Saheon:
‘Eu não vou voltar para casa hoje, eu te odeio, Saheon.’
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz
Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar