Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 181 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 181

— V-você está me dando isso?

— Sim. Será muito mais útil do que um machado ou um bastão de beisebol. Eu não preciso lhe dizer o quão valiosa ela é. Isso servirá como uma prova de confiança?

— Claro, claro! Obrigado. Muito obrigado mesmo.

A inquietude no rosto largo de Jingyeom derreteu-se como poeira soprada pelo vento. Sua expressão encheu-se de alívio, segurança e até mesmo alegria. Shinu explicou brevemente como operar a arma de fogo, e Jingyeom assentiu com um foco que nunca havia demonstrado antes.

Shinu sorriu de leve e deu um tapinha no braço de Jingyeom — um gesto de camaradagem, uma demonstração de confiança. “Estamos no mesmo barco agora”, parecia dizer. Jingyeom abriu um grande sorriso, exibindo os dentes amarelados devido a anos de tabagismo pesado.

— Vejo você mais tarde.

Com isso, Shinu virou as costas. Jingyeom, agora exibindo uma expressão quase infantil, acariciou a pistola em suas mãos como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.

Enquanto Shinu caminhava pelo corredor, seu rosto tornou-se frio, como se aquele sorriso nunca tivesse estado lá em primeiro lugar.

Os sobreviventes reuniram-se no pátio da escola, aglomerados em um grupo compacto. No centro do pátio havia uma pilha de cerca de um metro de altura, feita de livros didáticos, cadernos e encostos de mesas. O cheiro sutil de gasolina emanava do amontoado.

As pessoas, sobrecarregadas com seus pertences escassos e segurando armas improvisadas, encaravam a pilha fixamente. O perigo iminente e as chances desfavoráveis à frente tornavam difícil manter o foco; seus pensamentos continuavam divagando.

— Apliquem a tinta — disse o homem no traje de proteção, arrancando-os de seus devaneios.

Os sobreviventes pegaram os tubos de tinta e aplicaram-na nos calcanhares de seus sapatos. Um brilho suave de verde-limão brilhante surgiu — a tinta era fluorescente. Lembrava minúsculos vaga-lumes agarrados aos seus pés.

A tinta provavelmente havia sido usada nas aulas de artes das crianças. O homem corpulento no traje de proteção a havia entregado a Shinu mais cedo, sugerindo que poderia ser útil. Ela de fato os ajudaria a acompanhar a pessoa à frente na escuridão.

Taebaek também pintou os calcanhares de seus tênis e, em seguida, aplicou um pouco na parte de trás dos sapatos sociais de Shinu .

Naquele momento, o lutador se aproximou.

— Está feito.

Ele entregou uma corda para Shinu .

— Obrigado pelo esforço.

Shinu deu um breve aceno de cabeça em agradecimento ao pegar a corda. Ele a inspecionou rapidamente antes de fazer um sinal para os outros. Os sobreviventes se dispersaram pelo pátio da escola, esgueirando-se para as sombras e cantos escondidos para se ocultarem.

Shinu e Taebaek encontraram um lugar perto do portão principal, onde ficavam o muro e uma grande árvore de ginkgo. Os frutos de ginkgo esmagados espalhados ao redor emitiam um odor fétido, mas nenhum deles vacilou — o fedor dos restos de Devoradores espalhados em seus corpos há muito tempo havia entorpecido seus sentidos.

No entanto, os sons sinistros dos Devoradores aglomerados atrás do muro ecoavam nitidamente em seus ouvidos.

— Uf…

Taebaek respirou fundo. Ele já havia passado por todo tipo de caos, mas essa loucura era inédita. Ele não conseguia evitar o sentimento de tensão. Como cada dia podia ser tão imprevisível? Ele pensou em escrever uma biografia se sobrevivesse — com certeza seria um best-seller internacional. Talvez fizessem um filme ou um drama baseado em sua história, quem sabe até uma longa série de streaming.

O Shinu não poderia interpretar o papel principal? Nenhum ator conseguiria capturar o carisma dele.

Taebaek apegava-se a esses pensamentos, tentando distrair a si mesmo. De repente, Shinu esticou o braço e apertou sua mão com força. Taebaek virou-se para ele, encontrando Shinu sorrindo por trás da máscara.

— Não fique com medo. Eu estou aqui com você.

— …Hyung.

— Eu beijaria você para acalmá-lo, mas, bem… — Shinu deu de ombros, apontando para a carne de Devorador espalhada por todo o seu corpo.

Apesar das circunstâncias, Taebaek sentiu como se tivesse recebido um beijo profundo e reconfortante. Seu medo evaporou por completo. Certo. O que há para temer com o Shinu ao meu lado?

— Não é nada nojento. Você poderia me beijar se quisesse.

Taebaek balançou os ombros de forma brincalhona como um cachorrinho abanando o rabo. Shinu riu baixinho e olhou para o pátio da escola.

Todos, exceto o homem no traje de proteção, haviam sumido em seus esconderijos. O homem mexia nervosamente em um isqueiro Zippo, abrindo-o e fechando-o com um clique.

Shinu apertou a corda em sua mão. Ela estava conectada ao trinco do portão principal. O cadeado já havia sido removido, restando apenas o trinco deslizante, que se abriria quando ele puxasse a corda.

Ele engoliu em seco e preparou-se para puxar a corda quando—

— Ah!

Taebaek de repente ergueu a cabeça com uma exclamação alta, assustando Shinu o suficiente para fazê-lo sobressaltar-se.

— O que foi?

— Eu não comi meu My Chew!

Taebaek revirou a capa de chuva freneticamente, procurando a bala. A expressão de Shinu contorceu-se em descrença. Sério? Agora? Em um momento como este? Você tem que comer isso? Bem agora? Sério?

— …Você realmente precisa comer isso agora?

— Claro! Só restam duas.

Taebaek chegou a tirar as luvas para procurar o doce. Assim que o encontrou, desembrulhou-o cuidadosamente com suas mãos grandes e colocou-o na boca. Suas bochechas estufaram enquanto ele mastigava.

Shinu balançou a cabeça, exasperado. Ah, o meu Taebaek. Mostrando seu lado louco de novo depois de tanto tempo.

No momento em que Taebaek recolocou as luvas, Shinu já havia enrolado a corda em seu pulso. A folga da corda tensionou-se conforme ele puxou, prendendo-se em algo com um baque firme.

Taebaek desenhou um círculo fluorescente no muro, sinalizando para o homem no traje de proteção. O homem imediatamente jogou o isqueiro aceso sobre a pilha de livros e correu para as sombras.

A pilha incendeou-se instantaneamente. O pátio escuro da escola ganhou vida, com os edifícios projetando sombras oscilantes e dançantes sob a luz do fogo.

Taebaek posicionou-se em frente ao círculo fluorescente, bloqueando-o da visão.

— Kiieeek!

— Kaaargh!

— Krreeek!

Os Devoradores, agitados pelas chamas brilhantes, ficaram frenéticos. Naquele momento, Shinu puxou a corda com força, abrindo o trinco com um rangido alto. Os Devoradores que estavam apoiados no portão caíram para a frente, e os que vinham atrás os pisotearam enquanto avançavam para dentro.

Seus corpos inchados bamboleavam e mancavam para a frente, espalhando o fedor de decomposição por um espaço que nunca havia sido invadido antes.

Sem hesitação, os Devoradores avançaram contra o fogo. Eles mordiam e batiam os dentes no amontoado em chamas, mesmo quando o fogo envolvia seus cabelos e queimava seus couros cabeludos. Eles não demonstravam sinais de recuo.

Logo, o fogo começou a diminuir. As chamas ferozes não eram páreo para as mandíbulas vorazes dos Devoradores, e o fogo antes vívido reduziu-se a brasas agarradas aos corpos e roupas dos monstros. Até mesmo aquelas foram apagadas conforme os outros as mordiam como cães raivosos.

Conforme os Devoradores perderam o interesse no fogo, começaram a vagar sem rumo, com movimentos erráticos e sem propósito.

Shinu confirmou que todos os Devoradores haviam entrado no pátio da escola e puxou uma gravata do bolso. Ele a usou para amarrar seu pulso ao de Taebaek.

Ele não se importava com mais ninguém. Mas separar-se de Taebaek não era uma opção.

Entendendo esse sentimento, Taebaek apertou a mão de Shinu com força antes de soltá-la. Shinu virou-se para ele, com seus olhos marcantes visíveis acima da máscara de dentes pontiagudos. Eles se curvaram suavemente, como se ele estivesse sorrindo.

Shinu assentiu, e Taebaek deu um passo para o lado para revelar o círculo fluorescente. Ele alternava entre bloqueá-lo e descobri-lo, fazendo-o piscar como um sinal.

No terceiro piscar, Shinu pisou no pátio da escola e começou a mover-se em direção à massa de Devoradores.

Quanto mais perto ele chegava, mais grotescos eles pareciam. O fedor por si só era suficiente para arder seu nariz apesar da máscara, e os corpos frios e pegajosos dos monstros roçavam contra ele como galhos podres. Cada toque fazia sua pele arrepiar.

Ele queria gritar, arrancar a capa de chuva e fugir daquela cena infernal. Sua energia física e mental esgotava-se a cada passo.

Mas ele não podia se dar ao luxo nem de respirar fundo, aterrorizado com a possibilidade de os Devoradores perceberem que ele não era um deles e atacarem. A essa distância, ele estaria morto antes mesmo de conseguir compreender.

Olhando de soslaio, Shinu viu Taebaek caminhando com a cabeça baixa, os olhos fixos no chão — ou melhor, nos sapatos de Shinu . Embora parecesse composto, a gravata que os unia tremia levemente. Taebaek a segurava com força, talvez força até demais.

Shinu exalou silenciosamente. Ele queria sair daquele pesadelo o mais rápido possível, mas o caminho à frente parecia interminável.

Você já tentou caminhar muito devagar? Na metade do ritmo de sua passada habitual — e depois cortando isso pela metade de novo. Pessoas que já machucaram as pernas e tiveram que depender de muletas talvez consigam se identificar.

O caminho parecia infinitamente amplo, longo e distante. Um trajeto que normalmente levaria cinco minutos estendeu-se pelo que pareceu uma eternidade, arrastando-se por dezenas de minutos.

Era insuportavelmente frustrante e exaustivo. Forçando-se a desacelerar tanto, Shinu sentiu o suor escorrer por sua testa — não pelo esforço, mas um suor frio nascido da tensão.

E a escuridão não ajudava. Se houvesse ao menos um vislumbre de luar, ele talvez conseguisse distinguir os edifícios dos Devoradores. Mas as sombras imponentes dos edifícios de apartamentos altos bloqueando o céu tornavam a navegação quase impossível. Ele tinha que confiar nos carros destruídos fracamente visíveis para guiá-lo.

Os veículos capotados espalhados pela estrada forneciam um mapa rudimentar; desde que conseguisse manter o controle dos pontos cardeais, ele encontraria o caminho. Shinu havia memorizado a rota para o Porto de Mokpo. Ele não tinha certeza se os pontos de referência que havia anotado ao longo do caminho ainda estavam intactos, mas até mesmo os resquícios serviriam como marcadores suficientes.

Conforme ele arrastava os pés para a frente, com os olhos movendo-se para a esquerda e para a direita para manter-se alerta, um baque surdo quebrou o silêncio. Virando a cabeça bruscamente, Shinu viu Taebaek curvado, segurando a coxa. Ele aparentemente havia esbarrado no porta-malas de um carro na penumbra.

Infelizmente, era a mesma coxa que Taebaek havia machucado antes.

— Ai…

Taebaek cerrou os dentes, suprimindo um gemido conforme a dor irradiava por seu corpo.

↫─☫ Continua….

⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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