Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 163 Online

↫─Capítulo 163
A pessoa já presa nas mandíbulas de um Devorador, gritando em agonia, estava além de qualquer ajuda. Testemunhar a cena horrenda de uma pessoa viva sendo mastigada impiedosamente fez Taebaek sentir ânsia de vômito — uma reação que ele não tinha há muito tempo. Shinu olhou para ele com uma expressão preocupada, mas Taebaek apenas acenou com a mão, sinalizando que estava bem. Mesmo assim, ele ocasionalmente cuspia saliva misturada com ácido estomacal.
Quando as pessoas conseguiam se desvencilhar após serem imobilizadas por um Devorador ou ficavam paradas, indefesas, cercadas por eles — aquelas que ainda não tinham sido mordidas e, portanto, ainda estavam intactas —, Taebaek às vezes intervia para ajudar. Tendo recebido ajuda de um monge antes, ele sentia que deviam pelo menos um pouco de assistência em retribuição. Ele não fazia grandes esforços para salvá-las, no entanto, apenas disparando uma bala na nuca de um Devorador à distância.
Os dois avançavam, às vezes caminhando, às vezes correndo em velocidade máxima e, outras vezes, rastejando silenciosamente para evitar a morte que espreitava em cada canto.
Houve momentos perigosos. Os Devoradores não vinham apenas de uma direção — eles surgiam de lado, de frente ou até apareciam debaixo de arbustos grossos. Houve ocasiões em que um Devorador quase mordeu seu tornozelo ou ombro.
Não importa o quão habilidoso Shinu fosse, ele nem sempre conseguia antecipar essas surpresas, e seu coração despencava. Desviando, atacando e escapando do perigo por instinto, ele sentia uma profunda sensação de exaustão, como se o sangue estivesse sumindo de seus membros, após confirmar que tanto ele quanto Taebaek estavam seguros.
— Haah… haah…
— Ufa…
Taebaek e Shinu exalaram pesadamente. Eles tiveram que fazer zigue-zague e voltar pelo mesmo caminho tantas vezes para evitar os Devoradores que o que deveria ter sido uma jornada curta levou exponencialmente mais tempo.
— Eu preferia estar nas montanhas. Na verdade, não é só preferência — é objetivamente melhor.
Taebaek mirou na boca aberta de um Devorador e atirou no palato. Sua intenção era colocar uma bala na testa dele, mas mirar enquanto corria e arfava pesadamente era difícil. Felizmente, a bala perfurou a boca do Devorador e entrou em seu cérebro.
— Concordo — Shinu respondeu, atirando no topo da cabeça de um Devorador enquanto este rastejava, roendo restos de cadáveres que outros Devoradores haviam abandonado.
Atravessar montanhas também era exaustivo, mas era desafiador apenas fisicamente. Não havia tanto desgaste mental. Ocasionalmente, eles encontravam Devoradores ou pessoas nas montanhas, mas era esporádico.
Nas planícies planas, no entanto, tanto a energia física quanto a mental deles se esgotavam rapidamente.
— Não há muitas áreas planas como esta na Coreia.
Taebaek , com a arma pendurada no ombro, tirou a espada que trazia presa à mochila. Embora tivesse se tornado proficiente em atirar graças ao treinamento diligente de Shinu, atirar enquanto corria ainda era um desafio. Os Devoradores continuavam surgindo por perto, não lhe deixando tempo para mirar. Nessa situação, golpear com uma espada como um chicote parecia mais eficaz.
— Não restam grandes montanhas antes de Mokpo, o que é um problema — Shinu suspirou, olhando para os campos vastos e sem obstáculos que se estendiam diante deles.
Eles avançavam, passo a passo, lutando pelo caminho. O fedor de corpos em decomposição invadia suas narinas, e a visão de cadáveres despedaçados sob os pés ardia em seus olhos. Parecia que caminhavam por um mundo cheio de gás venenoso, o que, francamente, não estava longe da verdade.
Taebaek partiu a cabeça de um Devorador que avançava e disse: — Não que eu esteja do lado dos soldados…
— Sim?
— Consigo entender por que eles não puderam eliminar todos os Devoradores.
— …
— É impossível dizer quem é humano e quem é um Devorador…
Taebaek balançou a espada para limpar o sangue. Seu olhar varreu a cena caótica. Os corpos despedaçados e os Devoradores eram indistinguíveis.
Se olhasse de perto, havia diferenças óbvias: os Devoradores tinham mandíbulas semelhantes às de tubarão, tons de pele diferentes, olhos brancos e orelhas vermelhas. Mas mesmo a uma curta distância, era difícil diferenciar. Às vezes, enquanto ele mirava em um Devorador, uma pessoa cruzava correndo sua linha de visão, ou um Devorador de repente mudava de rumo. Era um caos absoluto.
Shinu acompanhou o olhar de Taebaek , observando a cena.
Era um ciclo constante de comer e ser comido, lutar e ser atacado. Os gritos, choros e lamentos que enchiam o ar silenciavam de repente, deixando uma calmaria opressiva que tornava difícil respirar.
Com uma careta, Shinu puxou a gravata para afrouixá-la.
Por volta das 14h00, Taebaek e Shinu procuraram um lugar para descansar brevemente. Percebendo que seria difícil encontrar abrigo para a noite, decidiram comer e recarregar as energias. Eles não comiam desde que consumiram chocolate na descida da montanha, e a fome estava começando a incomodar.
Encontrar um lugar decente para descansar, mesmo por apenas duas horas, no entanto, era um desafio. Os lugares que pareciam um pouco seguros estavam fervilhando de Devoradores, tendo sido invadidos por sobreviventes. A opção seguinte, uma estufa, não tinha cortinas e estava salpicada de sangue, deixando-os expostos demais.
Então, Taebaek tocou no cotovelo de Shinu.
— Que tal ali?
Shinu olhou na direção que Taebaek apontava. Havia um estábulo de telhado azul. Assentindo, Shinu dirigiu-se a ele.
O estábulo estava vazio. Restava apenas uma pilha de esterco fedorenta, que não dava pistas se gado ou porcos o haviam ocupado um dia — não que importasse. Eles estavam mais interessados no telhado do estábulo.
Eles escalaram a estrutura metálica que sustentava o estábulo. Embora os amplos vãos tornassem a subida difícil, ambos os homens eram ágeis o suficiente para chegar ao telhado em pouco tempo.
Depois de pousar a mochila, Shinu inspecionou cuidadosamente o telhado, com a arma em punho — não para examinar o telhado em si, mas para checar abaixo em busca de quaisquer ameaças ou rotas de fuga, caso precisassem de uma saída rápida.
Enquanto isso, Taebaek estendeu um saco de dormir para sentar e tirou quatro pacotes de mingau instantâneo. Acender um fogo era inviável, e a ideia de comer arroz malcozido ou sopa oleosa não era atraente. Além disso, depois de testemunharem todo tipo de horror, o apetite deles não estava particularmente forte. O mingau era perfeito. Taebaek até abriu uma lata de ovos de codorna para dar a Shinu um reforço de proteína.
Comer no telhado inclinado era complicado, e os assentos deles continuavam deslizando para baixo. Eles tinham que se apoiar firmando os pés firmemente contra o telhado para permanecer no lugar. Shinu insistiu para que evitassem tanto as bordas quanto o topo para não atrair a atenção de Devoradores ou de outros sobreviventes. Abaixo deles, o caos continuava inabalável, com Devoradores e pessoas passando pelo estábulo.
Taebaek obedeceu a Shinu sem questionar. Afinal, sua sobrevivência até ali se devia ao fato de ouvir os conselhos de Shinu.
Logo, Shinu terminou sua inspeção e retornou. Taebaek entregou-lhe uma tigela de mingau.
— Obrigado, Taebaek -ah.
Shinu aceitou com um pequeno sorriso.
Embora estivesse frio, sentar-se para comer proporcionava uma aparência de descanso.
Eles brincavam adicionando ovos de codorna ao mingau um do outro, trocando risinhos por causa da bobeira.
Após a refeição, eles enxaguaram a boca com enxaguante bucal. Então, prepararam-se para mergulhar de volta no caos, alimentando os carregadores e checando as armas. Nesse momento, Taebaek , guardando o enxaguante bucal em sua nécessaire, de repente pareceu desolado, segurando um pequeno espelho de mão.
— Hyung… caiu sangue em mim…
Ele resmungou, com o rosto exibindo marcas de sangue salpicadas pela bochecha, maxilar e pescoço. Shinu largou a arma e ajoelhou-se ao lado de Taebaek , limpando suavemente as manchas de sangue com um lenço umedecido.
Taebaek sorriu, segurando a cintura de Shinu para evitar que ele escorregasse, até mesmo arriscando um aperto atrevido de vez em quando. Shinu não reagiu, focado apenas em limpar o sangue.
O lenço umedecido ficou vermelho. Embora não fosse sangue de Taebaek , o coração de Shinu ficou pesado. Ele lembrou a si mesmo mais uma vez: seja mais cuidadoso, mais cauteloso, mantenha-o seguro. Ele havia feito essa promessa incontáveis vezes.
Shinu limpou cuidadosamente o sangue das mãos de Taebaek e até de seus tênis antes de se afastar. Ele sabia que tudo ficaria manchado novamente assim que começassem a se mover, mas ainda assim queria fazer aquilo.
A simples ideia de sangue no corpo de Taebaek fazia sua pele arrepiar. A imagem da coxa de Taebaek encharcada de sangue, sua pele rasgada, e a voz calma que ele usou para perguntar se estava prestes a morrer ainda o assombravam.
Alheio aos sentimentos de Shinu, ou talvez totalmente consciente e agindo de forma mais afetuosa por causa deles, Taebaek roçava alegremente os lábios contra a bochecha de Shinu em pequenos beijos.
Shinu soltou uma risada suave e bagunçou de leve a cabeça de Taebaek , que era totalmente adorável para ele. Então, com um sobressalto, ele voltou à realidade. Não era hora de perder tempo.
Ele pegou o mapa que balançava com o vento e o estendeu bem. Taebaek segurou o lado oposto, pronto para se concentrar no que Shinu estava dizendo.
— Estamos atualmente por aqui — Shinu apontou para uma área perto do condado de Yeongam, em Jeollanam-do (Província de Jeolla do Sul). Ficava a meio caminho entre Mokpo e o Monte Baekryeong, onde estiveram ontem.
— Certo.
— E para chegar a Mokpo, precisaremos cruzar este rio, o Rio Yeongsan.
O dedo de Shinu traçou o grande rio que corria entre Mokpo e o condado de Yeongam. Mesmo no mapa, o rio parecia substancial conforme desaguava no Mar de Mokpo.
— Mas a partir daqui, não há uma ponte direta para Mokpo.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive