Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 13 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 13

O tom amigável misturado com risadas deixou meu rosto ainda mais vermelho. Senti como se a minha tentativa de testar o terreno tivesse sido exposta. Não, parecia que ela tinha sido totalmente escancarada. Minha mão sem jeito empurrou o quepe que estava sobre o meu joelho em direção ao Hyung.
​— … Desculpa…
Uma desculpa que eu nem sabia explicar acabou escapando. Saheon, que pegou o quepe quase na altura do meu peito, soltou uma risadinha. Cada som que vinha dele fazia minhas orelhas queimarem ainda mais.
​— Por quê? Está se desculpando pelo quê? Se você quiser ir, vá. Se não quiser, não vá.
Saheon colocou o quepe que recebeu de mim em cima do painel. Minha mão inquieta procurou outra coisa para segurar, encontrando a alça grossa da minha mochila. Roçando o polegar contra o tecido na parte de trás da alça, senti a textura áspera.
​— Você quer ir a um encontro às cegas?
Tendo olhos para uma única pessoa desde a infância, eu não tinha nenhuma experiência remotamente próxima ao namoro, e não é porque eu tinha me tornado adulto que meus sentimentos mudariam. Mas eu também sabia que, se falasse a verdade, algo que eu não seria capaz de lidar acabaria acontecendo.
Esfreguei a alça da minha mochila e tentei responder com naturalidade. Embora eu tentasse controlar minhas expressões faciais, não conseguia esconder muito bem meu rosto desanimado.
​— Sabe, é que… só…
Minha resposta vaga claramente soou como uma confirmação para Saheon. O Hyung continuou falando com um sorriso maravilhoso de canto de boca.
​— Aos vinte anos, é a época perfeita para encontros às cegas, saídas em grupo e apresentações. Se tiver uma chance, você devia tentar.
Minhas pálpebras foram caindo gradualmente, sem saber onde focar o olhar. Olhei para os joelhos e assenti de leve. Senti como se o vento frio e triste daquele dia tivesse passado pelos meus ouvidos.
Num instante, meu humor ficou sombrio. Percebi a distância entre Saheon e eu. Não havia restado nenhum constrangimento no Hyung, quem eu não via há três anos por causa de uma confissão apressada e uma rejeição, mas se aquele motivo não passava de uma bobagem para ele, então…
​Eu deveria ser grato por conseguir encará-lo sem morrer de vergonha, mas meu coração, traiçoeiro, não pensava assim.
Mesmo que fosse porque eu era menor de idade e parecia tão jovem, mas a situação não deveria ser completamente diferente agora que eu era um adulto? Será que o motivo pelo qual o Hyung me deixou morar com ele foi justamente por já ter superado tudo? Por ter guardado aquela história em um canto da memória onde o que aconteceu no passado já não importava mais?
Parecia que eu continuava preso ao mesmo lugar. As palavras de Saheon, que antes eu achava que eram apenas vergonhosas por ele ter lido meus verdadeiros sentimentos, ganharam uma interpretação totalmente diferente.
​“Você vai continuar agindo assim?”
Algumas palavras negativas grudaram no meu pensamento, claramente distorcendo o que o Hyung tinha dito de verdade. Mesmo sabendo que não era real, as palavras de Saheon já estavam sendo digeridas de forma pessimista na minha mente. Será que ele estava me dizendo para enterrar meus sentimentos de uma vez, já que ele tinha consciência deles? De repente, a cena vívida da rejeição do passado passou diante dos meus olhos.
“Crescemos juntos desde pequenos, achei que fosse bom nos sentirmos como uma família… esses sentimentos são passageiros… quando alguém que te ama e te valoriza de verdade aparecer, você vai perceber que é diferente… você é precioso demais para eu gostar de você desse jeito, Cheongmyeong…”
Mas, tanto no passado quanto agora, Saheon estava errado. Sem conseguir esconder minha expressão triste, continuei esfregando a alça da mochila preta sem rumo.
​— Eu preciso ir agora.
A mão grande de Saheon pousou no topo da minha cabeça. Talvez sabendo que o tempo estava correndo e que eu precisava descer, o carinho dele ao bagunçar meu cabelo foi gentil. Assenti meio sem rumo e me despedi:
​— Hyung, boa viagem.
​— Sim.
​ Os olhos de Saheon se curvaram em um sorriso. A tensão de antes já tinha desaparecido há muito tempo, engolida pelo meu desânimo. Saí do carro lentamente. A porta se fechou com um baque abafado.
Olhei brevemente para trás já estava prestes a entrar no campus, mas, bastaram mais alguns passos para que o som de uma buzina chamasse minha atenção. Ao me virar, vi o Hyung no banco do motorista gesticulando para eu voltar. Aproximei-me do carro.
​— O que foi?
​— Cheongmyeong.
​— …Oi?
A janela do passageiro estava aberta pela metade. Curvei-me para olhar Saheon dentro do carro. O Hyung estava inclinado em direção ao lado de onde eu tinha acabado de sair. Era uma situação estranha ver o Hyung olhando para cima para me encarar.
​— Ah…
Ele soltou um suspiro baixo e encostou-se novamente no banco. Saheon, com as veias azuis saltadas nas costas da mão que segurava o volante, parecia alguém que estava se esforçando muito para conter alguma coisa.
​— Você pode ir a encontros às cegas.
Percebi na hora que as palavras de Saheon estavam conectadas à nossa conversa anterior. Meu coração, ainda meio amuado, me fez assentir como quem diz “tanto faz”. O movimento brusco fez com que meu próprio cabelo cobrisse de leve a minha visão.
Uma risada baixa ecoou. Enquanto eu instintivamente forçava os olhos para baixo, tentando conter o nó que se formava na minha garganta, uma voz mansa e reconfortante veio em seguida:
​— O Cheongmyeong é inteligente, então já sabe que namorar alguém da mesma faculdade é problemático, né?
​Os lábios de Saheon se curvaram em uma sorriso descontraído. Diante daquelas palavras que soavam quase como um aviso para eu não arrumar um namorado ali, meus lábios, antes amuados, entreabriram-se de leve.
​— Se eu tiver um tempinho durante o quick turn, trago uns petiscos vietnamitas para você. Ah, já se passaram quase cinco minutos. Vá entrar, a gente se vê amanhã.
Depois de terminar o que tinha a dizer, Saheon rapidamente pegou o volante. Enquanto se apressava para dar a partida, ele acenou com a mão para a direção a janela aberta do carro, deixando apenas aquelas palavras flutuando no ar. Fiquei encarando fixamente a traseira do carro do Hyung se distanciar.
Quando voltei a mim por causa do frio, pude sentir claramente que cerca de metade do peso no meu coração havia sido aliviado. Sem perceber, meu coração batia um pouco mais rápido.
Pressionei a mão contra o peito. Eu sentia que ia e voltava entre o céu e o inferno a cada palavra que o Hyung dizia. Era o mesmo pedido, mas por que o primeiro me deixava triste e o segundo tão feliz? Segurei a alça da mochila com tanta força que ela chegou a dobrar, e pressionei o lábio superior contra o inferior, selando a boca que insistia em querer sorrir.
***
Para encontrar o prédio anunciado no chat da turma, tive que olhar o mapa ao lado da porta da frente. Se eu tivesse ido para a festa de boas-vindas ou a orientação para novos alunos, teria encontrado meu caminho sem problemas, mas não foi o meu caso.
O campus ficava em uma colina baixa, e a subida parecia íngreme mesmo para quem olhava lá de baixo. Segurando firme a alça da mochila enquanto procurava o prédio no guia, finalmente encontrei o nome do prédio que procurava.
“Subir o caminho que parecia uma trilha de caminhada e, na primeira bifurcação à esquerda, entrar”. Gravei o mapa na mente com os olhos atentos, como se estivesse traçando uma rota. Após confirmar uma última vez, meus passos avançaram sem qualquer hesitação.
​O campus em março já estava tingido de verde. Ao contrário do que a paisagem sugeria, o clima ainda era de inverno, e o casaco longo acolchoado que eu usava roçava contra os meus joelhos a cada movimento.
Como não havia ninguém para conversar, eu andava em passo rápido por causa do frio, e antes que percebesse, já tinha chegado em frente ao prédio. Quando respirei um pouco mais fundo e expirei, a fumaça branca subiu.
Confirmando o nome “Cheolmaegwan” escrito acima da entrada principal no primeiro andar, chequei o número da sala que tinham mandado no grupo. Sala 305, no terceiro andar.
​— 305… Sala 305…
Até os corredores estavam tomados pelo frio do inverno, e fumaça branca saía toda vez que eu murmurava uma palavra. Subi as escadas com as mãos nos bolsos. Aquele cheiro de mofo típico de prédios antigos misturava-se à brisa do inverno.
A sala 305 ficava bem no final do corredor. No meio de tantas salas de aula vazias, apenas aquela última parecia movimentada e cheia de gente. Esfregando minhas mãos geladas, aproximei-me rapidamente.
O relógio visível pela pequena janela da porta anunciava 10 minutos antes do início da aula. Ao olhar para dentro, respirei fundo e abri a porta com cuidado.
Os olhares das pessoas que conversavam se voltaram imediatamente para mim. Algumas pareciam surpresas, com os olhos bem abertos diante da chegada de alguém novo. Sem conseguir disfarçar o meu constrangimento, corri os olhos pelo espaço à procura de um lugar para sentar.
​De repente, com tantas atenções voltadas para a minha direção, meus ombros ficaram rígidos de tensão. Os assentos, nem muito à frente nem muito atrás, já estavam cheios de gente. Enquanto procurava um assento vazio, de repente percebi algo.
Só havia garotas ali. O som de uma fanfarra anunciando que o meu passaporte para o isolamento social tinha sido carimbado ecoou nos meus ouvidos.
Eu já estava preocupado porque a Saheon estava me assustando o fim de semana todo e senti uma tontura ao encarar a realidade que se jogada na minha cara de novo. Talvez as outras pessoas estivessem igualmente desnorteadas, já que algumas me olhavam de frente, cobrindo a boca enquanto cochichavam com quem estava ao lado.
Minha garganta tremeu de puro nervosismo. Por um instante, me perguntei se não teria entrado na sala errada, mas, como eu havia conferido o nome do prédio e o número da porta, a chance de um erro era quase nula.
Com a cabeça baixa, procurei rapidamente um assento vazio e confirmei que havia um no canto de trás. Quando eu estava prestes a mexer os pés, uma voz me chamou.
—Você também é do departamento de Língua e Literatura Francesa…? Quer dizer… Sunbaenim?
​ A garota, que tinha começado a falar comigo de forma informal, pareceu se dar conta de que eu poderia ser um aluno retornando ou transferido, e rapidamente tentou consertar o deslize, acrescentando o honorífico de forma desajeitada. Respondi em voz baixa:
​— Sim.
—Seu nome é…?
—Eu sou Lee Cheongmyeong….
Parecia que aquela garota era uma espécie de representante de classe temporária, já que ergueu as sobrancelhas ao confirmar o meu nome na lista de chamada que estava aberta em cima da mesa. Pelo menos, depois de ouvir o nome do curso, tive a certeza de que tinha sim vindo ao lugar certo.
—Ah, ​A garota bateu palmas, animada, e logo em seguida soltou uma risadinha, talvez meio sem jeito pela própria reação exagerada. Os outros colegas sentados em volta dela começaram a rir baixinho e a cutucaram no braço de forma brincalhona.
—Você tem vinte anos?
—Sim.
—Ahh temos a mesma idade? Podemos falar de forma casual. Então você é Cheongmyeong, né? Não te reconheci porque você não veio à festa de boas-vindas nem à orientação dos calouros.
O clima era mais amigável do que eu esperava. Ela continuou tagarelando, sem esconder sua empolgação.
—Só tem garotas aqui, e eu pensei que você fosse garota por causa do seu nome longo, mas tem mais um colega de classe homem. Ah, eu sou a Shin Jiyu.
No meio daquele turbilhão de informações, a única coisa que consegui captar foi que havia mais um aluno homem na turma. Quando dei uma olhada rápida ao redor, parecia que só tinha garotas ali, mas talvez eu simplesmente não tivesse reparado bem. Meu olhar estava prestes a correr pela sala naturalmente quando o som da porta se abrindo atrás de mim me fez parar.
Um som de respiração alta e ofegante ecoou no ambiente. Ao virar a cabeça para trás para olhar, vi um cara com a cabeça tão abaixada que a única coisa visível era o castanho-claro do seu cabelo descolorido..
— Ah, uff, uff… Deu tempo. Cara, essa foi por pouco.
Ele se recostou no batente da porta, ofegante. Apesar do frio, gotas de suor se formavam em sua testa como se ele tivesse acabado de correr.
Seu cabelo era castanho brilhante, um pouco frisado por causa do descolorante, com dois piercings no lóbulo esquerdo, e embora estivesse vestindo uma longa blusa preta, suas calças azul-claro rasgadas eram visíveis abaixo.
No geral, ele passava a impressão de ser um delinquente… não, na verdade, parecia mais um cara brincalhão. Me repreendi mentalmente por julgar os outros daquele jeito logo de cara e desviei o meu olhar analítico. Foi então que Shin Jiyu falou:
—O professor ainda não chegou.
—Ah, que alivio.
O ‘outro colega de classe homem’ que Shin Jiyu mencionou, parecia ser esse delinquente bem na minha frente. Mordi a língua, sentindo-me culpado pela escolha inconsciente das palavras.
— Choi Hyun-oh. Você escapou de virar um excluído. O Cheongmyeong também está aqui.
Diferente da escolha de palavras que Shin Jiyu usou comigo, os dois pareciam muito próximos. Até as colegas perto dela levantaram a mão cumprimentado com familiaridade, indicando que já haviam se tornado amigos durante os dois encontros anteriores. Choi Hyun-oh, que me olhava com os olhos arregalados, perguntou.
—Cheongmyeong? Ah, você também é do departamento de francês?
—Sim.
Vendo Shin Jiyu conversando confortavelmente com ele, parecia que Choi Hyun-oh também tinha a mesma idade. O delinquente na minha frente agia de forma amigável, como se fosse um velho amigo que eu não via há anos.
—Por que você não veio à orientação? Achei que era o único cara e fiquei com medo.
—Eu tive algumas circunstâncias.
Respondi evasivamente. No entanto, parecia que as circunstâncias não importavam para Choi Hyun-oh, pois ele deu um leve tapinha nas minhas costas sem me machucar.
— Ah, tô morto. Deixa eu sentar, deixa eu sentar. Shin Jiyu, vai um pouquinho pro lado aí.
O assento de canto que eu estava de olho foi rapidamente tirado. Com Choi Hyun-oh à minha esquerda e Shin Jiyu à minha direita, pisquei sem expressão, tudo estava acontecendo como um turbilhão.
—Cheongmyeong? Quais aulas você está fazendo?
—… Me inscrevi em todas as aulas obrigatórias do primeiro ano, e para as eletivas, estou fazendo o curso online e Inglês intermediário, e Gatos e Física.
—Ah é? Eu também estou na aula do gato? Nossos horários devem bater bastante, então. Mas e aí, por hoje é só isso mesmo?
—Sim.
Choi Hyun-ho parecia alguém que nunca conheceu o constrangimento desde o dia em que nasceu. Com um sorriso brincalhão diferente do de Saheon, perguntou sem hesitar.
—Então, depois disso, quer ir tomar uma bebida comigo?

 

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz

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Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar

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