Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 12 Online

↫─Capítulo 12
O uniforme estava meticulosamente abotoado até o pescoço. A gravata, que ainda não havia sido amarrada, pendia rígida, envolvendo metade do colarinho. A maneira como ele aquecia a cera na palma da mão e a aplicava no cabelo, penteando-o com perfeição, era tão natural que parecia um hábito de muitos anos.
A testa reta de Saheon ficou à mostra porque sua franja foi cuidadosamente penteada para o lado. Suas sobrancelhas marcantes, a ponte alta do nariz entre elas e os traços faciais bem equilibrados logo abaixo, combinados à aura impecável e ascética de alguém que viveu sob uma disciplina rigorosa por muito tempo, atraíam toda a atenção.
Sentei na cama macia e olhei para o rosto de Saheon refletido no espelho. Havia um pequeno sulco ao lado do canto de sua boca, um hábito que surgia sempre que meu hyung estava concentrado.
Apenas observar Saheon se arrumando para o trabalho já me trazia alegria. Eu passei o fim de semana todo surtando com a vida universitária, mas olhar para ele foi o suficiente para esquecer, por um momento, o quanto eu estava preocupado.
O Hyung, que olhava para o próprio rosto com uma expressão de concentração, fez contato visual comigo através do espelho e deu um sorriso de canto de boca. Aquela imagem impecável refletida ali era incrivelmente bela.
Na noite anterior, eu estava tão abalado por várias preocupações que mal consegui dormir depois de me revirar na cama, mas agora, só meus olhos estavam apenas levemente pesados, como se minha mente estivesse forçadamente alerta.
Como era o meu primeiro dia de aula e o Saheon tinha prometido me levar, então escolhi esperar pacientemente até ele terminar de se arrumar. Ao contrário dele, que precisava vestir um uniforme completo, eu só tinha que colocar uma roupa simples, então estava com tempo de sobra.
Com o calor residual na palma da mão, Saheon jogou o cabelo para trás uma última vez, sinalizando que estava pronto. Ele se levantou e, com habilidade, deu o nó na gravata; depois, pegou o paletó e deslizou os braços longos por ele. Servia-lhe perfeitamente, como se tivesse sido feito sob medida para ele desde o início.
Depois de abotoar todos os botões duplos de seu paletó transpassado e ajustar seu quepe estruturado, ele se virou para mim, que estava meio deitado na cama, e sorriu. Sua mão grande bagunçou meu cabelo com força.
— Vamos, Mungmung.
O meu cabelo, que eu tinha acabado de arrumar, ficou todo bagunçado. Com um brilho travesso nos olhos, o Hyung deu uma risadinha, pressionando o topo da minha cabeça e descarregando o peso de sua mão pesada sobre mim.
Quando ele finalmente tirou a mão da minha cabeça, olhei para o espelho a partir da cama e vi que meu cabelo estava um completo desastre. Um resmungo irritado quase escapou, mas consegui conter o som na minha boca. Ao mesmo tempo que tentava arrumar meu cabelo, lancei um olhar feio para as costas dele que já se adiantava.
Enquanto eu pegava a bolsa preta que deixei no sofá da sala, o hyung me esperava com os sapatos calçados e a alça da sua mala de rodinhas já levantada. Rapidamente calcei o tênis.
Depois de endireitar o calcanhar do meu tênis para que não ficasse amassado, olhei para cima e percebi que Saheon me observava. Levantei as sobrancelhas, perguntando em silêncio o porquê daquele olhar.
— Nada.
O perfume marcante de Saheon exalou de sua pele, e seus lábios se curvaram em um sorriso descontraído. As palavras seguintes vieram carregadas de um tom brincalhão:
— Só estava pensando em quando foi que você cresceu tanto.
— Do que você está falando…
Resmunguei baixinho, fingindo que ainda estava com dificuldade para calçar o tênis, e acabei batendo a ponta do pé no chão. Isso só serviu para fazer doer meus dedos já apertados. Provavelmente foi só um comentário casual e sem segundas intenções da parte dele, mas senti minhas orelhas queimarem.
Assim que a porta da frente se abriu, o corredor silencioso foi preenchido pelo som das rodinhas da mala de Saheon e pelos nossos passos. Enquanto descíamos para o estacionamento, fiquei olhando de canto de olho para o perfil dele. Com seus traços marcantes o uniforme impecável caía incrivelmente bem nele.
Hoje foi apenas a segunda vez que vi Saheon de uniforme, mas, sempre que o olhava, ele parecia totalmente envolto por uma atmosfera profissional e sensual.
O carro de Saheon estava estacionado perto da porta de entrada que dava para o estacionamento. O banco do passageiro parecia um pouco apertado para mim. Enquanto eu ajustava o encosto, Saheon, que tinha colocado a mala no banco de trás, soltou um suspiro ao se acomodar no banco do motorista.
— Mungmung. Toma aqui.
— Tá.
Saheon me entregou o quepe. Assim que o apoiei com cuidado no colo, ele deu partida e o motor rugiu, fazendo meu corpo vibrar de leve. Quando o barulho alto do motor estabilizou, Saheon pisou no acelerador sem pressa.
Depois de sair lentamente do estacionamento, o carro começou a ganhar velocidade. Antes de entrarmos na avenida principal, ele apontou com o dedo na direção da rua.
— Está vendo ali? Não atravesse fora da faixa de pedestres; você deve pegar o ônibus vindo daquela direção. Pode pegar o 3300, mas o 3000 ou o 307 também servem. Só que o 307 dá uma bela de uma volta.
O sinal vermelho mudou para verde. Saheon fez uma curva à direita e acrescentou mais detalhes:
— De táxi daria uns 8.000 won. É mais perto do que você imagina.
— Ah, então não tem problema se eu me atrasar um pouco.
— Você já está pensando em se atrasar?
Havia um tom de riso na voz de Saheon. Até eu sabia que aquele não era o tipo de coisa para se pensar logo no primeiro dia de aula, então meu rosto ficou travado de vergonha.
As ruas estavam relativamente tranquilas, provavelmente por conta do horário alternativo daquele dia de semana. Fui observando a vizinhança nova e densamente povoada. Depois de passarmos por uma área cheia de complexos de apartamentos recém-construídos, chegamos a um cruzamento movimentado, repleto de restaurantes e lojas.
Tentei guardar com cuidado a geografia do lugar na memória, já que parecia que todos os estabelecimentos da região ficavam concentrados naquela direção
Enquanto percorremos a avenida reta, que dava uma sensação ambígua de trânsito e fluidez ao mesmo tempo, avistei o prédio da companhia aérea onde Saheon trabalhava. Lembrei-me de ele ter dito que eu precisava chegar até às duas horas, mas senti uma leve preocupação de que, depois de me deixar na faculdade, ele ficasse com um tempo ocioso incômodo antes do seu horário.
No entanto, à medida que avançávamos além da distância que eu aguentaria caminhar, o meu interesse pelo lado de fora foi sumindo gradualmente. A tensão que eu tinha esquecido por um tempo começou a aumentar de novo. O trajeto agradável e o cinto de segurança que me prendia ao banco traziam um conforto para o corpo, mas aquela sensação de ansiedade que eu havia ignorado temporariamente não desaparecia.
Fiquei remexendo as mãos e, por hábito, pressionei os dedos contra os cantos dos olhos cansados, incapaz de sossegar. Senti o olhar do Hyung sobre mim, percebendo o quanto eu parecia distraído. Quando passei a língua pelos lábios secos para umedecê-los, ele soltou uma risadinha.
— Está nervoso?
— …Um pouco?
Contive meus gestos inquietos e fechei o punho. Saheon começou a falar, parecendo tentar aliviar a minha tensão:
— Só tente interagir com o pessoal da faculdade o bastante para não ter que almoçar sozinho. Como você não vai morar no alojamento, não precisa se pressionar tanto. Colegas de classe são diferentes de amigos de verdade, então relaxa.
— É… tem razão.
— Contanto que você vá aos eventos que te convidarem, não vai ficar isolado. Está tudo bem… mas talvez seja melhor não abrir isso aí!
A voz de Saheon, que vinha me acalmando com a serenidade de alguém mais velho, de repente ficou urgente. Eu tinha tentado controlar minhas mãos inquietas fechando o punho, mas falhei e acabei mexendo no porta-luvas do banco do passageiro.
Levei um susto e puxei a mão de volta. Ao fechar o compartimento que tinha aberto de leve, ouvi algo comprido e redondo rolando lá dentro, junto com um objeto mais pesado. Parecia um item cilíndrico se movendo, seguido pelo ruído abafado de várias embalagens que estavam guardadas ali.
Sentindo-me um pouco culpado, levantei as duas mãos até a altura dos ombros para mostrar que não ia mais tocar em nada. Saheon, que tinha ficado um tanto desconcertado por um instante, confirmou com os olhos que o porta-luvas estava completamente fechado e sorriu, quase por hábito.
— Quer um doce?
O tom dele era suave, como se estivesse acalmando uma criança, mas logo percebi o leve constrangimento ali. O Hyung estendeu a mão direita e abriu o cinzeiro do carro. Só que, em vez de bitucas e cinzas de cigarro, o espaço estava cheio de doces embalados individualmente.
Com pressa, ele revirou a gavetinha de doces e me entregou uma bala roxa. Quando levei delicadamente à boca, o sabor sutil de uva se espalhou, mas meus olhos ainda estavam fixos no porta-luvas.
O que ele estava escondendo ali? Pelo som e pelo peso, eu só conseguia imaginar que fosse um frasco de loção ou um aerossol. Mas isso sozinho não seria motivo para pânico; devia ter algo bem mais comprometedor ali dentro. Aceitei o doce e fiquei rolando a balinha na boca, agora em silêncio, enquanto minha mente corria tentando adivinhar o conteúdo do compartimento.
Enquanto eu reunia toda a minha imaginação em busca de um objeto plausível, o carro começou a entrar na área universitária. Exatamente como Saheon tinha dito, não demorou quase nada para chegarmos aos prédios da faculdade.
Comecei a avistar ao longe o portão principal, um lugar que eu já tinha visitado com colegas nos meus tempos de escola. Aos poucos, as especulações bobas foram sumindo, substituídas por um nó de tensão que voltou a apertar minha garganta.
Grupos de jovens, que pareciam ter a minha idade, lotavam as calçadas vestindo roupas super bem combinadas. Olhei para minhas roupas completamente pretas.
Um moletom preto com o logo de uma marca esportiva, calça preta simples, uma bolsa preta e um casaco longo acolchoado, também preto, que cobria tudo. Era um estilo que me lembrava o jargão habitual dos meus pais, que são professores: “Você por acaso é uma criança das trevas?”
Olhando para as minhas roupas, alguém facilmente me confundiria com um veterano de volta da licença militar em vez de um calouro. Senti um desânimo ao lembrar que os looks monocromáticos que eu tinha trazido na mala eram todos parecidos com o que eu estava vestindo agora.
Saheon parou em um semáforo movimentado em frente à porta da universidade e olhou ao redor para ver onde poderia estacionar. Havia uma vaga onde um táxi havia parado alguns momentos antes. Meu hyung virou o volante com agilidade e espremeu o carro naquele espaço apertado.
Notei uma placa de aviso logo abaixo da câmera de monitoramento de trânsito, alertando que parar por mais de cinco minutos geraria multa. Desafivelei o cinto de segurança e segurei firme a alça grossa da mochila. As veias azuis nas costas da minha mão ficaram brancas pela força.
— Já vou indo.
— Sim, divirta-se. Não beba demais!
Saheon me entregou mais algumas balas. Quando estiquei a mão para pegar os doces coloridos, minha unha roçou de leve na palma da mão dele. Consegui sentir o calor da sua pele através do toque sutil ali nos dedos.
Com esse breve contato, foi como se a temperatura de Saheon tivesse sido transferida para mim. Enfiei as balas no bolso da calça e abri a boca para falar:
— Por que eu beberia logo no primeiro dia? A festa de boas-vindas é só na sexta-feira.
Saheon soltou um som de concordância, mas sua expressão parecia dizer: “Ah, é mesmo?”. Era um jeito que sugeria que, na verdade, eu é que estava errado. Decidi mudar de assunto e me despedi com calma:
— Hyung, bom trabalho para você também. Daqui a quantos dias você volta?
— Não vai demorar. É um quick turn, então devo chegar por volta da madrugada no horário da Coreia… Acho que vai ser por volta das três da manhã daqui. Pode ser que atrase um pouco.
Eu não entendia muito bem os termos técnicos que Saheon usava, mas deduzi que ele estaria de volta amanhã de manhã. Balancei a cabeça positivamente com vigor. Saheon soltou uma risadinha contida.
— Fique à vontade para dormir na minha cama. Vai demorar um tempo até a sua ser entregue.
Saheon não tinha me deixado comprar a cama mais barata que encontrei. Ele havia encomendado por impulso uma cama enorme, insistindo no quanto uma boa noite de sono era importante. Quase desmaiei quando vi o preço começando com o número 8.
Lembrei-me daquele valor astronômico e assenti meio sem jeito, e só então me deu um estalo de que Saheon voltaria na madrugada seguinte.
— Hyung, hum…
“Então… nós vamos dormir juntos?” Os pensamentos promíscuos dentro de mim fizeram minha boca se fechar imediatamente. Se eu fingisse que não sabia de nada e simplesmente deixasse passar, será que acordaria com Saheon dormindo bem ao meu lado?
Saheon podia dormir no sofá, ou podia dormir desconfortavelmente no meu quarto só com um cobertor, então, se eu quisesse ser compreensivo com o cansaço dele, deveria sem dúvidas esclarecer aquilo de uma vez, mas meu coração batia ansioso, disparando com suposições incertas.
Olhei para Saheon. Ele estava esperando que eu continuasse, curioso com o que eu ia dizer. De repente, uma onda de culpa me atingiu. Como eu podia ter pensamentos tão ousados logo na frente dele? Eu mal conseguia encarar seu olhar.
— …E se eu acabar ficando isolado?
Uma resposta totalmente inesperada acabou escapando da minha boca. Foi o que me veio à mente enquanto eu tentava desesperadamente encontrar um assunto que não tivesse nada a ver com aquilo. Saheon soltou uma risada abafada e respondeu num tom descontraído:
— Você com certeza vai fazer pelo menos um amigo. Só se misture com o pessoal e vá com o fluxo, como todo mundo faz.
Agora que eu tinha falado em voz alta, pareceu uma pergunta um tanto chorona. Senti minhas orelhas queimarem de vergonha e mudei um pouco o foco da minha preocupação.
— E se, tipo… e se os veteranos me forçarem a beber? Sabe, aquelas misturas pesadas, tipo *bomb shots?
*NT: Refere-se ao poktan-ju(bebida bomba), uma mistura popular na Coreia feita com uma dose de soju ou uísque dentro de um copo de cerveja.
— Quem é que faz isso hoje em dia? Se você disser que não aguenta beber, eles só vão te mandar tomar Coca-Cola.
— E se for algo que eu não queira beber, mas todo mundo for obrigado a beber?
— É só fingir que está bebendo e escapar quando ninguém estiver prestando atenção.
Engoli em seco, sentindo minha garganta se mover com força. Torcendo para que a pergunta que surgiu de repente na minha mente soasse normal.
— E se… eles me chamarem para um encontro às cegas?
Os cantos da boca do Hyung, que vinha respondendo a cada uma das minhas dúvidas passo a passo, curvaram-se em um leve sorriso. Meu coração disparou. Eu achei que conseguiria disfarçar aquela pergunta aleatória e sem jeito sem que ele percebesse, mas Saheon parecia ter pescado as minhas intenções por completo.
Meu rosto esquentou. Saheon cruzou os braços, apoiando-os contra o volante. As palavras que se seguiram pareciam que eu estava sendo repreendido.
—Você vai fazer isso?
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz
Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar