Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 11 Online

↫─Capítulo 11
As palavras de Saheon soavam como como um guardião que me viu crescer, ou apenas parecia curioso, mas havia algo estranho nessas palavras que eu não conseguia entender.
O tofu, que não era muito firme, esfarelou devido ao seu manuseio um pouco brusco dos hashis. Observei em silêncio enquanto Saheon tentava cortá-lo.
Saheon pressionou a superfície avermelhada do tofu, agindo como se não soubesse direito o que estava fazendo. A camada vermelha rachou, revelando o interior que ainda estava bem branco.
De repente, os hashis dele, que antes cutucavam o tofu macio, pararam. As suas sobrancelhas se franziram. Meu hyung, que havia perdido o sorriso, assumiu um jeito perigoso e afiado, difícil de se aproximar.
Sem perceber, meus lábios pareceram travar. Saheon ergueu o olhar e encarou meus olhos. Aquela energia estranha que tomava conta de suas pupilas há um segundo se desfez, dando lugar a um sorriso descontraído.
— Vamos lá, meu bebê Mungmung. Abre a boca, vai. Aaah.
Era um tom brincalhão novamente. Meu coração batia forte com as palavras gentis que vieram sem aviso. Em vez de demonstrar o quanto tinha ficado abalado com aquele comentário inesperado, forcei uma expressão de puro choque como uma máscara.
O impacto da frase, que incluía um título carinhoso que poderia ser usado entre namorados misturado a um apelido de infância, foi enorme. Meu rosto deve ter ficado vermelho. Mal consegui forçar uma expressão irritada, tentando demonstrar que aquela reação era puramente por raiva e vergonha.
— Quem você está chamando assim?
— Você.
Não havia seriedade alguma no tom dele. O jeito generoso com que ele mimava o meu mau humor só fez minha voz subir, frustrada.
— Estou falando sério, não me chame assim.
— É mesmo?
— Para com isso.
— É porque para o Hyung, Mungmung ainda é como uma criança.
Saheon me confortou com mansidão. Abri os olhos com indignação, mas bastou ele erguer uma sobrancelha para eu murchar rapidamente. Uma desculpa murmurada escapou entre meus lábios.
—Eu não sou …
Saheon fingiu que não ouviu. Comecei a listar mentalmente tudo o que os adultos podiam fazer: a vida universitária, beber com o meu pai, tirar a carteira de motorista… e mesmo assim eu ainda era tratado como criança. Eu não tinha uma aparência particularmente infantil, então estava claro que o Saheon me tratava como um irmão mais novo puramente por ter me visto crescer. Pela primeira vez em 20 anos, quase me arrependo de viver como o irmão mais novo da casa ao lado.
O tofu cozido se aproximou da minha boca. Era o maior pedaço que havia restado daqueles que o Saheon tinha fatiado como se fosse sashimi. A ponta do jeotgarak tocou de leve e de forma brincalhona o meu lábio inferior.
—Abra a boca.
Senti pequenos e macios fragmentos de comida roçando nos meus lábios. Saheon me encarou, estreitou os olhos e sorriu. Palavras preguiçosas vieram em seguida:
— Você tem que comer, Cheongmyeong.
Abri meus lábios relutantes e deixei que os jeotgarak do Saheon guiassem a comida para dentro da minha boca. O guisado de tofu parecia firme, mas desmanchou facilmente quando o pressionei com a língua. Mastiguei o alimento que havia entrado na minha boca sem conseguir desfazer a minha expressão emburrada.
— Está gostoso?
— Sim.
A resposta saiu firme. Quando falei, cobri a boca com a mão por um momento, ao ver que ele não tinha a intenção de estender a conversa, abaixei a mão e continuei mastigando.
O olhar de Saheon parecia checar se eu estava comendo bem. Ele observou em silêncio meus lábios e minhas bochechas, e então terminou sua refeição, levando à boca o restante do arroz puro que sobrava na tigela, sem nenhum acompanhamento. Por conta daquele fim abrupto da refeição dele, apressei minha própria refeição.
—Coma devagar.
Não havia como eu comer devagar quando havia alguém na minha frente que já tinha terminado de comer. Enfiei o restante do arroz puro na boca, exatamente como o Saheon tinha feito. Talvez por ter empurrado um terço da tigela de uma vez só, parecia que os grãos estavam se acumulando na minha garganta. O Hyung soltou uma risadinha abafada.
— Com uma boca pequenininha dessas, como você faz para caber tanto arroz?
Embora eu tenha tentado responder, minhas bochechas estavam tão cheias que não consegui falar nada. Dava para saber, mesmo sem me olhar no espelho, que eu devia estar parecendo um hamster entupindo a boca com sementes de girassol ou um esquilo estocando nozes.
Além disso, como era só arroz sem acompanhamentos, minha boca ficou seca. Por mais que eu mastigasse, a comida não parecia diminuir. Enquanto eu estava de boca cheia, Saheon pegou as tigelas vazias e as colocou na pia.
Puxei a cadeira para trás e me virei para Saheon, que estava parado em frente à pia. Meu Hyung parecia saber o que eu ia dizer e bloqueou a conversa antes mesmo que eu começasse.
— Nem pense em encostar em nada.
Ao vê-lo puxar as luvas de borracha, ficou claro que ele pretendia lavar a louça. Decidi então fechar as tampas dos potes de acompanhamentos. Mas as palavras dele me pararam de novo.
— Nem pense em tirar sua bunda da cadeira.
— Então o que eu faço?
Finalmente, engoli um enorme pedaço de arroz e perguntei com voz um pouco rouca. O Hyung, que ainda segurava as luvas de borracha, pegou um copo de água do purificador e me entregou. Graças à bancada em ilha que conectava a pia e a mesa de jantar, a cintura dele ficou bem na altura dos meus olhos.
— Só fica aí parado.
— Mas…
— Então você pode ser meu companheiro de conversa enquanto eu lavo a louça.
Com uma tarefa finalmente designada a mim, engoli minhas reclamações. Enquanto organizava os potes de acompanhamentos para colocar na geladeira, Saheon soltou uma risadinha abafada ao ver os alimentos que já estavam separados lá dentro.
— Posso só entregar isso para o Kwon Chae-hun do jeito que está?
— Sim.
— Não estava faltando pote?
— Coube tudo perfeitamente, então não teve problema.
— Bom trabalho, Mungmung.
Logo o som da água escorrendo na pia de metal pôde ser ouvido. Sentei-me com o corpo meio virado, observando o Saheon.
Talvez por ser alto, a pia parecia baixa demais e desconfortável para ele lavar a louça. Minhas costas doíam quando eu ajudava meus pais ou minha tia a lavar a louça, mas meu hyung, que era mais alto que eu, parecia estar numa situação ainda pior.
Ele estava movendo as mãos muito devagar. Primeiro de tudo, não havia muita louça, então se fosse eu, poderia ter terminado em 3 minutos. No entanto, Saheon só cantarolava uma melodia baixinha de vez em quando.
Refresquei minha garganta seca com a água fresca. Eu cozinho e meu irmão limpa. Talvez por influência das mídias que consumi por tanto tempo, minha imaginação estava fértil demais.
“Recém-casados”. Mais uma vez, uma fala totalmente sem contexto flutuou na minha mente. A essa altura, eu sentia que deveria fazer um teste para ver se tinha algum tipo de vício em me iludir. Para espantar o pensamento enquanto minhas bochechas esquentaram sozinhas, fiz uma pergunta para puxar assunto com o Saheon:
— Quando você vai trabalhar, Hyung?
— Hum… Amanhã é minha folga e o dia seguinte é um feriado compensatório que não consegui tirar antes, então só volto ao trabalho no dia quatro. Que é o dia em que o Cheongmyeong começa as aulas.
Engoli a água que Saheon havia me dado. Senti como se algo denso que estava preso na minha garganta estivesse finalmente se soltando. O som da esponja ensaboada esfregando as louças preencheu o silêncio da nossa conversa.
— Como é o seu primeiro dia, quer que o Hyung te dê uma carona? Se for uma aula de manhã, dá tempo de sobra.
— Hã?
Respondi, incapaz de esconder minha surpresa. A mão que segurava o copo naturalmente ganhou força.
— Eu só preciso estar na sede às duas da tarde. Acho que vai dar tempo de sobra, e se você se confundir sobre qual ônibus pegar? Seria bom conferir isso enquanto vai comigo. Você ainda não sabe quanto tempo leva para chegar lá de ônibus ou de carro.
Imaginei-me sozinho no carro com o Saheon. Ele estaria dirigindo rumo ao trabalho, e eu estaria no banco do passageiro a caminho da faculdade. O pensamento de que eu realmente precisava de um tratamento para parar de me iludir flutuou na minha mente outra vez.
— Está tudo bem, Hyung. Vai ser um incômodo para você. Eu sei que é só pegar o ônibus 3300 no ponto que fica logo ali na frente…
Ao contrário do que o meu coração queria, minha boca só conseguia produzir respostas educadas. Na minha cabeça, eu também já estava imaginando a cena de ir de carro buscar o Hyung no meu dia de folga ou após o expediente dele.
Claro, seria bom estar com meu hyung, mas sentia que, se aceitasse de primeira, estaria deixando meus sentimentos escancarados demais. Segurei a voz trêmula que implorava internamente para ele insistir só mais uma vez.
— Vai ser bom para checar o caminho na ida e ver quanto tempo leva de ônibus na volta. E se você se atrasar logo no primeiro dia e ficar marcado pelo professor? Só aceita, o Hyung te dá uma carona.
Felizmente, ele insistiu. Fingi uma expressão de quem estava sem graça, mas assenti com a cabeça como se não tivesse escolha senão ceder. Ouviu-se um som de pratos batendo uns nos outros.
De repente lembrei que precisava ir ao supermercado comprar algo, mas desisti imediatamente. Foi porque achei que o momento de olhar para as costas de Saheon e conversar com ele seria mais precioso. Continuei a conversa com uma voz o mais próxima possível do normal.
— Para onde você vai na segunda-feira quando for trabalhar? E quando você volta?
— No dia quatro, às duas da tarde… Vou fazer um Quick Turn* para Ho Chi Minh. Fico um dia e meio de folga, depois, a partir da madrugada, vou cobrir alguns voos domésticos saindo de Gimpo. Tiro mais um dia de folga e, à noite, embarco para Bangkok.
*NT: Quick Turn é um termo da aviação para voos de ida e volta imediatos.
Embora eu não conseguisse entender metade do que Saheon dizia, fingi ouvir fazendo uns murmúrios de concordância, parecendo prestar atenção. Enquanto repassava lentamente sua escala de voos, ele perguntou:
— Quando é a sua primeira aula de verdade?
— Na sexta-feira da semana em que as aulas começam.
— Não responda assim vagamente seu Hyung. Que dia do mês cai?
— Hum… Dia nove? Acho que é dia nove.
Dobrei os dedos para contar os dias. Não tinha certeza absoluta, mas parecia que a data estava mais ou menos certa. O Hyung, que havia arqueado levemente as sobrancelhas com uma expressão pensativa, comentou:
— É melhor o Cheongmyeong beber com moderação. O Hyung vai estar em Bangkok nesse dia, então, se você encher a cara, não vou conseguir ir te buscar.
Havia um tom de riso em suas últimas palavras. Fiquei momentaneamente zonzo com o fato de ele achar tão natural a ideia de ir me buscar, e me apressei em acrescentar:
— Eu vou ficar bem. Eu aguento bem a bebida.
— Sei.
Não havia sinceridade na sua resposta sarcástica. Tratei de explicar o motivo com base na realidade, e não na minha suposta resistência ao álcool, já que ele não acreditaria nisso mesmo.
— Eu não conheço ninguém da minha turma, então, se eu for embora no meio da aula, ninguém vai nem notar. Vai ser tranquilo.
— Quando entra na faculdade, todo mundo faz amigos novos. O Hyung também fez.
— Não… É que eu não fui à festa de recepção dos calouros e nem à orientação. Eu realmente não conheço ninguém.
O Hyung, que se esfregava lentamente a louça, parou por um momento. Saheon me olhou com uma expressão incomumente surpresa.
— Você não foi? Por quê?
— É… Uma vez não deu para ir porque peguei uma gripe forte, e na outra não consegui porque um parente faleceu e tive que ir ao funeral.
Não era que eu não quisesse ir, eu não pude ir por causa das circunstâncias, mas ver o hyung tão surpreso me fez sentir que tinha cometido um grande erro. Ele pareceu esquecer completamente a louça e perguntou num tom urgente:
— Mas você está no grupo de conversas da turma, não está? Porque não se apresentou lá?
— Quando eu entrei, as apresentações já tinham acabado, aí achei que ia ficar um clima meio estranho se eu fizesse isso do nada.
Saheon pareceu perder as palavras por um momento, semicerrando os lábios. Com uma expressão genuinamente preocupada, ele perguntou sério:
— Pelo menos o nome do coordenador do seu curso você sabe?
— Eu sabia, mas esqueci…
—E quanto às informações dos livros didáticos?
—Estavam fixadas no chat da turma.
—Como você se inscreveu nas aulas?
— Dei um jeito sozinho… Mas consegui vaga em todas as obrigatórias e até em algumas optativas.
Sendo filho de professores, eu já estava acostumado a me sentir como se estivesse levando uma bronca de um tutor, mas nunca imaginei que experimentaria essa mesma sensação vinda do Saheon.
— Você sabe quantas pessoas tem na sua turma?
— Trinta.
— Uau…
Saheon exclamou como se estivesse me dando os parabéns por ter me tornado, com tanto sucesso, um completo excluído. Fiquei morrendo de vergonha, mesmo sabendo que a situação não pedia aquilo.
À medida que o espanto dele diminuiu, o barulho da água voltou a preencher o ambiente. O Hyung continuou lavando a louça, fazendo as tigelas tilintar. Seus lábios estavam entreabertos, como se ele estivesse projetando em sua mente uma vida universitária solitária para mim. De repente, uma pontada de ansiedade começou a me corroer.
— Mas eu ainda consegui me matricular em todas as matérias. Ah, e eu escolhi umas optativas bem populares.
Minha voz soou como se estivesse tentando me justificar. Era quase como se eu estivesse afirmando para mim mesmo que tudo ficaria bem. Saheon continuava me encarando com aquela expressão incrédula. Soltei uma explicação desesperada:
— O nome da matéria é “Gatos e Física”. Não parece fofo?
Dessa vez, Saheon pareceu ter ficado genuinamente sem palavras. O fato de que o tal “gato” na verdade era o *Gato de Schrödinger foi algo que eu só viria a descobrir muito tempo depois.
*NT: O Gato de Schrödinger é um famoso paradoxo da física quântica. Nele, um gato hipotético dentro de uma caixa fechada estaria simultaneamente “vivo e morto” até que alguém abrisse a caixa para verificar. A piada reside no fato de Cheongmyeong ter escolhido a matéria achando que seria algo fofo sobre gatos, quando na verdade é uma disciplina de física complexa.
***
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz
Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar