Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 04 Online

↫─Capítulo 04
A primeira lembrança da minha vida era justamente a que eu dizia não lembrar: eu me declarando e afirmando que me casaria com Saheon, exatamente como meu pai havia contado.
Não me lembro exatamente quando comecei a gostar do meu hyung, mas sabia que essa minha história de amor não correspondido vinha de muito tempo atrás. Em minhas lembranças vagas da infância, acho que me agarrei à barra da roupa de Saheon e disse isso na frente dos adultos.
— Cheongmyeong vai se casar com o hyung Saheon.
Eu devia ter por volta de quatro anos. A pronúncia de uma criança dessa idade era horrível, então provavelmente não saiu tão claro quanto me lembro agora. Deve ter soado mais como: “O Ceongmeon vai cazá com o Hyung Taon” Mesmo assim, todos caíram na gargalhada: meus pais, que tinham vindo me buscar; meu tio, que acabara de voltar do trabalho; minha tia, que estava preparando o jantar; até Chaehun, que ajudava com a comida caiu na risada.
Quando eu era criança, ficava emburrado com os adultos que riam da minha declaração séria. Eu estufava as bochechas e olhava para eles, mas as risadas só aumentavam.
Depois de um tempo, minha tia, ainda incapaz de conter o riso, perguntou gentilmente:
—E então? Cheongmyeong vai se casar com o hyung dele?
O tom divertido na voz dela deixava claro que estava me provocando. Apertei com mais força a barra das roupas de Saheon e balancei a cabeça vigorosamente. As risadas ficaram ainda mais altas. Chaehun, que ajudava minha tia a colocar os acompanhamentos na mesa, perguntou com um ar de desapontamento:
— Por que você não quer se casar comigo, Mungmung? O hyung está triste.
— Porque você é feio hyung.
Saheon respondeu com toda a confiança do mundo e me ergueu, segurando pelos meus braços até seu colo. Num instante, meu campo de visão mudou, e pude enxergar com mais clareza os rostos dos adultos ao redor. Todos estavam sorrindo.
Com um sorriso triunfante, Saheon se inclinou e depositou um beijo suave na minha bochecha.
—Até o Mungmung sabe que sou bonito.
—Esse cara…Sim, você é bonito.
Chaehun balançou a cabeça como se estivesse atônito e ordenou que ele trouxesse um pouco de água. Saheon me segurou em um braço e, habilmente, pegou um copo e despejou água do purificador.
O motivo de eu ter começado, de forma tão repentina, a falar em me casar com Saheon provavelmente foi por ter ouvido outras crianças no parquinho dizendo que iriam se casar com seus irmãos ou irmãs mais velhos. E, quando eu era pequeno, Saheon nunca rejeitou essas declarações. Pelo contrário, acho que ele até ficava um pouco satisfeito com elas.
Para não atrapalhar Saheon enquanto ele levava copos de água para a mesa, eu me agarrava ao seu pescoço com meus bracinhos curtos. E, sempre que ele pousava um copo, eu aproveitava para dar um beijo em sua bochecha. Apesar de ser bem mais velho, ele sempre tratava o irmão mais novo com muito carinho.
Depois de colocar todos os copos na mesa, Saheon percebeu que eu continuava encarando seu rosto. Então me puxou para um abraço tão apertado que quase fiquei sem ar, enquanto eu chutava o ar com os pés tentando me soltar.
—Você é tão fofo que estou morrendo.
Uma risada cristalina escapou naturalmente enquanto meu corpo balançava de leve para cima e para baixo. Enquanto Saheon continuava a beijar minhas bochechas, estendi a mão e cobri seus lábios. Ele fez um som brincalhão que deu cócegas nas minhas palmas das mãos.
—Cheongmyeong, precisamos ir para casa agora.
Disse minha mãe que tinha vindo direto para a casa dos vizinhos assim que saiu do trabalho, mas eu fingi não ouvir e abracei Saheon com força. Ele respondeu brincando:
—Não, tia. Mungmung disse que vai se casar comigo, então vai ter que morar aqui a partir de hoje.
—Lee Cheongmyeong, você vai mesmo morar com seu hyung? A mamãe vai embora? Você vai morar aqui para sempre?
Eu não consegui responder.
—Meu Deus, essa criança! —minha mãe exclamou, reagindo de forma um tanto exagerada.
Saheon apenas sorriu com gentileza e afagou meus cabelos. Enquanto minha tia terminava de picar as cebolinhas e as colocava no ensopado, ela lavou as mãos e foi ajudar minha mãe, claramente se divertindo com a situação.
—Se o Cheongmyeong continuar morando aqui, não vai poder ver a mamãe nem o papai. Mesmo assim está tudo bem?
Para uma criança de quatro anos, o maior medo era imaginar os pais desaparecendo. Eu gostava dos meus pais, mas também gostava de Saheon. Sem saber o que fazer, fiquei inquieto, balançando as pernas no ar.
Ao perceberem minha hesitação e os olhos cheios de preocupação, os adultos voltaram a rir. Então meu pai perguntou em tom brincalhão:
— É isso mesmo? Cheongmyeong vai morar com o hyung? Então o papai vai embora.
— Uuuh… Uuuh…
Meus pais realmente se viraram para ir embora. Olhei para Saheon com os olhos já marejados de lágrimas. Ele parou de me provocar e sussurrou no meu ouvido. Não, naquela época achei que estivesse sussurrando, mas olhando agora, parecia mais que ele estava entrando na brincadeira dos meus pais.
— Hoje, se você der um beijo no hyung antes de ir, eu me caso com você quando nos encontrarmos de novo.
—… Sério?
—Sério. Afinal, quando duas pessoas se beijam, elas se casam.
Então me lembrei de que já tinha beijado minha mãe, meu pai, minha tia, meu tio, outros parentes, minha avó e até Chaehun, e comecei a me preocupar se aquilo realmente era aceitavel. Mas esse pensamento logo se perdeu, pois casar com Saheon era mais importante.
Percebendo minha expressão séria, Saheon desta vez se inclinou e sussurrou tão baixinho que apenas eu pude ouvir.
—Podemos nos encontrar de novo amanhã. Certo?
Balancei a cabeça para que ele visse meu sim. Saheon me colocou no chão, e meus pais, que certamente não tinham intenção de me deixar na casa ao lado, rapidamente me acolheram.
Escondido atrás dos meus pais, que agradeciam por cuidarem de mim naquele dia, olhei para a família de Saheon. Chaehun e Sa-heon se despediram acenando com as mãos em silêncio.
De repente, não consegui parar de pensar que, se não o beijasse antes de ir embora, não poderia me casar com ele. Saheon abriu um sorriso, levou o indicador e o dedo médio aos lábios e soprou um beijo na minha direção. Como uma criança de quatro anos que ainda não tinha coordenação para fazer movimentos delicados com as mãos, tentei imitar o gesto de Saheon. Fiz um biquinho desajeitado, parecendo um peixinho, e acabei sendo alvo de mais provocações do meu pai e da minha tia.
***
Encostei a cabeça na janela, olhando para a estrada onde o oceano começava a aparecer à distância. Minhas bochechas começaram a esquentar.
Claro, eu não achava que uma criança de quatro anos gostasse do hyung da casa ao lado de forma romântica. Mas era Kwon Saheon. Eu sabia muito bem que, mais cedo ou mais tarde, acabaria me apaixonando pelo homem mais perfeito do mundo.
Os sentimentos que haviam sido plantados como uma semente, começando com um carinho especial, em algum momento se transformaram em amor. E, mesmo depois de ter sido rejeitado ao confessar meus sentimentos, essa emoção continuou crescendo até eu completar meus vinte anos.
“…Eu estraguei tudo.”
Morar com Saheon, algo que começou meio por vontade própria e meio contra a minha vontade, parecia mais uma decisão imprudente. Era o resultado do conflito entre saber que a situação seria constrangedora e o desejo profundamente enraizado no meu coração de ver Saheon mais uma vez.
Afundado em preocupações como se eu estivesse me afogando em lama negra, fechei o punho da mão que estava escondida atrás do banco do passageiro. Minhas palmas estavam molhadas de suor frio. A música misturada com o som melancólico da chuva parecia uma metáfora sinistra que prenunciava meu futuro.
Embora fosse feriado, era uma manhã de dia útil, então, graças ao trânsito livre, chegamos ao aeroporto mais cedo do que o esperado. Depois de estacionar o carro, atravessei a faixa de pedestres e entrei no terminal, que estava lotado de pessoas aguardando a chegada de familiares e amigos.
Meu pai conferiu o número do voo do avião que Saheon estava pilotando no grande painel eletrônico. Enquanto traçava o ar com o dedo indicador, o movimento para baixo parou no meio. Havia um aviso de que um avião havia chegado de Nova York. Meu pai acrescentou suas palavras com um assobio baixo, como se estivesse feliz.
—Que bom que chegou rápido.
Mas só porque o avião havia chegado, não significava que Saheon sairia imediatamente. Meu pai e eu sentamos no banco atrás da cerca separadora, e toda vez que um homem fardado saía, ele levantava a até a metade e sentava de volta.
Depois de uns 30 minutos disso, meu pai pareceu entediado e sumiu em algum lugar. Um pouco depois, ele voltou com dois pães de feijão vermelho na mão.
Pão de feijão vermelho? Fiquei surpreso. Onde ele tinha conseguido encontrar uma coisa dessas? Como se não tivesse percebido meu olhar incrédulo, meu pai arrancou um pedaço e o ofereceu para mim. Mas eu recusei. Não estava com vontade de comer.
Meu hyung só apareceu quando os dois pãezinhos tinham sumido. Comecei a adivinhar o ponto de partida dos passageiros com base nas roupas usadas pelas pessoas que passavam pelo portao. Essa pessoa é do Sudeste Asiático porque usa roupas de verão, é claramente estrangeiro, mas sua nacionalidade é desconhecida. Aquele estrangeiro parece ser de Nova York, mas não faço ideia de qual seja a nacionalidade dele.
Enquanto eu observava as portas automáticas se abrindo e fechando sem parar, meu pescoço e meus ombros, já rígidos, começaram a doer. Então, de repente, me levantei de um salto.
—Quando Saheon vai aparecer…?
Ao mesmo tempo, meu pai murmurava como se estivesse cansado. Mas com a boca levemente aberta, olhei para a pessoa que, mesmo de longe, claramente era meu hyung.
Pessoas vestidas com o mesmo uniforme que o hyung saíram primeiro, seguidas pelos comissários de bordo conversando, mas naquele momento, aos meus olhos, todas as pessoas ao redor dele foram automaticamente apagadas. Saheon, sorrindo feliz e assentindo repetidamente, se aproximava lentamente, arrastando uma mala com suas mãos grandes.
Era como se o tempo tivesse parado e nenhum som pudesse ser ouvido em meus ouvidos. Quase senti como se eu e meu hyung estivéssemos sozinhos nesse aeroporto enorme.
Ele é uma cabeça mais alto que as outras pessoas, um maxilar forte que cai sob um quepe de piloto inclinado, cabelo bem penteado, um rosto que sempre achei lindo. Os ombros largos transmitiam uma masculinidade natural, e seu corpo sólido, sem um traço sequer de gordura sob o uniforme, combinava perfeitamente com a aura impecável e disciplinada de alguém que vivera por muito tempo sob regras rígidas.
Enquanto conversava com o colega dele, o olhar de Saheon, que olhava ao redor como se procurasse alguém, se voltou para mim. No momento em que achei que nossos olhares se encontraram, meu hyung estreitou os olhos, sorriu e acenou para mim.
Se o ambiente estivesse calmo, certamente seria possível ouvir meu coração disparado. Por um instante, meu coração errou a batida. Mas logo voltou a disparar com ainda mais força, como se estivesse tentando compensar o erro que havia cometido.
Fiquei encarando o hyung, esquecendo até de respirar. Com aquele sorriso brilhante e característico, digno de um modelo de companhia aérea, ele olhou para mim e moveu os lábios em silêncio, dizendo: “Olá.”
A sombra projetada pelo quepe deixava parte de seu rosto mais escura. Até o fato da sombra escurecer sua testa branca fez meu peito doer.
“Ah… O hyung continuava absurdamente bonito.”
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz
Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar