Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 03 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 03

Enquanto eu debatia internamente se deveria ou não usar o perfume que recebi de presente de aniversário, decidi silenciosamente abrir mão dele. Do lado de fora da porta, dava para ouvir o barulho das malas se movendo. Era desconfortável ficar trancado no quarto, então abri a porta silenciosamente e saí.
—Você está pronto?
Quando entrei na sala, vi a bagagem perto da porta da frente. Eram poucas caixas com um cobertor, roupas de inverno e algumas coisas pessoais. Um volume nem grande demais, nem pequeno demais. O suficiente para não chamar atenção — mas impossível de ignorar.
Quando aqueles objetos aparentemente comuns ficaram alinhados junto à entrada, foi como se a realidade finalmente se organizasse diante de mim. Eu estava mesmo indo embora. O coração, que eu achava já ter se acalmado, voltou a bater forte, como se fosse saltar pela clavícula.
— Tem mais alguma coisa que você precise levar? Será que não esqueceu de nada?
— Não. Não tem mais nada.
— Bem… se você tiver esquecido algo, posso te mandar depois. Então vamos colocar tudo no porta-malas e dar um oi para o pessoal da casa ao lado antes de ir?
Assenti em silêncio. Meu pai esfregou as palmas das mãos e inclinou a cabeça como se se perguntasse qual parte da caixa iria pegar.
—Estou entrando.
Uma voz baixa veio da porta da frente, que havia ficado aberta para a passagem das malas. Era minha tia.
Meu pai ergueu a cabeça e cumprimentou os vizinhos.
— Você veio? Nós podíamos ter ido buscar. O que você trouxe?
— Quando ouvi que o Cheongmyeong estava indo embora, não consegui ficar parado.
Meu tio sorriu. Em suas mãos havia uma grande caixa térmica.
Minha mãe, que estava ocupada na cozinha, correu apressada ao encontro da visita.
— Podíamos ter ido buscar isso!
Ela repetiu a mesma coisa que meu pai, mas ainda assim não o impediu de entrar.
— Deve estar pesado.
Meu tio suspirou aliviado ao colocar o cooler sobre a bagagem que ainda precisava ser levada.
— Eu quis fazer alguns acompanhamentos para dividir com o Chaehun. Legumes variados, kimchi, porco refogado… acabei exagerando e ficou pesado.
O novo hobby do meu tio, que havia se aposentado há alguns meses, era ler livros de receitas e cozinhar. O problema era que suas mãos grandes nem sempre ajudavam no controle dos detalhes mais delicados.
— Eu te disse para não exagerar… Quantas pessoas vão comer isso?
— Eles podem dividir com o Chaehun e ficar com metade.
— Se não estragar tudo antes disso.
Enquanto minha tia o repreendia, uma risada leve — meio “haha” contido — se misturava ao som da mudança em andamento. Minha mãe parou o preparo da comida para conferir os muitos acompanhamentos que meu tio trouxe.
Ela limpou as mãos ainda úmidas no avental e disse:
— Entrem. Querem um café?
—Vou estar ocupada hoje, mas venho te visitar depois. Vim só para trazer os acompanhamentos.
Minha tia sorriu e acenou com as mãos, ela me encontrou parado desajeitadamente ao lado da porta da frente e imediatamente veio até mim e bagunçou meu cabelo.
—Nosso Cheongmyeong vai para a universidade. Quando você cresceu assim? Hã?
Abaixei um pouco os joelhos para ajudar minha tia a bagunçar meu cabelo. Em algum momento, fiz contato visual com minha ela, que teve que olhar para cima. Ela sorriu amplamente e ajeitou meu cabelo bagunçado.
— Por favor, cuide do Saheon. Ele está ficando mais velho, mas continua agindo como uma criança. Será que ele limpou a casa? Eu disse para ele comer bem e manter o lugar arrumado, já que vocês vão moram juntos.
— Ele vai cuidar bem, afinal vão morar juntos, ah é claro, temos que pagar pela comida, né, filho?
Meu pai me deu um tapinha no ombro e riu alto. Respondi com algo entre um sim e um não, numa voz baixa e arrastada, sem muita força.
— Vocês já estão indo? Eu ajudo com a bagagem.
— Não. O que é isso? É pouca coisa, a gente dá conta.
Mesmo discutindo sobre quem carregaria as malas, acabamos descendo todos juntos até o estacionamento subterrâneo.
Quando descemos no elevador estreito até o estacionamento subterrâneo, vi um carro estacionado perto da porta. Meu pai abriu o porta-malas e começou a guardar as caixas e malas que nós trouxemos.
Depois de carregar as caixas com roupas de inverno, as malas e o cooler cheio de comida, o porta-malas ficou bem organizado. Meu pai, olhando ao redor do chão conferindo se nada tinha sido esquecido, fechou-o com força. O som ecoou alto pelo estacionamento subterrâneo.
— Obrigado pela ajuda. Com vocês aqui, conseguimos terminar tudo de uma vez.
— Imagina, Cheongmyeong está indo embora… isso é o mínimo que podemos fazer.
Minha tia acariciou meu cabelo e ele ficou todo desalinhado novamente. Inconscientemente, abaixei os joelhos para facilitar que ela acariciasse minha cabeça, fazendo minha tia e meu tio caírem na risada ao mesmo tempo..
— Você deve estar se sentindo estranho.
A mão que antes parecia afagar um filhote agora se movia com mais leveza. Depois de um último toque, minha tia retirou a mão.
— Faz tempo que Chaehun e Saheon se mudaram, mas agora que o Cheongmyeong vai também, o 12º andar vai ficar tão silencioso.
— É mesmo? Parece que criei todos eles, então sinto que finalmente vou descansar.
Embora meu pai tenha dito isso, havia uma expressão agridoce no rosto dele. Meus pais e os meus tios ficaram em silêncio por um momento, como se estivessem perdidos em pensamentos. Ter se mudado para esse lugar desconhecido e testemunhado o filho mais novo entre eles se tornar independente deve ter despertado sentimentos complexos. Minha mãe bateu palmas para aliviar o clima e chamou a atenção de todos.
—Olha só a minha cabeça… O Capitão Kwon, o avião dele não chega às 11h30? Acho que vocês não vão conseguir chegar a tempo ao Aeroporto de Incheon se não saírem agora.
—Ah, claro. Vocês precisam ir imediatamente. E, obrigada por ir buscar o Saheon no aeroporto. Vocês poderiam simplesmente ter ido direto para a casa dele.
—Ei, imagina. Como eu poderia entrar sozinho numa casa vazia? Além disso, o capitão deve estar cansado da viagem, então achei melhor irmos buscá-lo juntos. Cheongmyeong, quando terminarem de colocar as malas, vamos sair.
A despedida, que parecia finalmente ter terminado, começou de novo quando meu tio puxou a carteira e tentou me enfiar uma mesada nas mãos.
No fim, quem venceu foi meu tio. Ele e minha tia, colocaram uma nota enrolada de 10.000 won no meu bolso, cortaram qualquer resposta porque estávamos atrasados para o voo.
Depois da disputa pelo dinheiro, abracei minha mãe, minha tia e meu tio, um por um. Não era uma despedida definitiva, mas ninguém parecia disposto a tratar aquilo com naturalidade. Meu pai andava de um lado para o outro, inquieto, como se ficasse parado significasse aceitar a partida.
Os três continuaram acenando até que meu pai e eu entramos no carro e saímos do estacionamento. Enquanto eu olhava as figuras deles no retrovisor, pela janela também acenei repetidamente com a mão e assenti com a cabeça.
O carro saiu devagar pela rua em frente ao prédio, quase relutante, e só ganhou velocidade ao entrar na via principal. Lá dentro, o silêncio foi tomando conta, quebrado apenas pelo movimento do trânsito. Foi então que meu pai, aproveitando o sinal vermelho, finalmente definiu o destino no GPS: Aeroporto de Incheon.
Uma voz mecânica do GPS anunciava o horário esperado de chegada. De repente, uma sensação da realidade que eu havia esquecido por um tempo me inundou novamente. Senti como se meu coração estivesse pulando do peito.
O carro virou à esquerda no cruzamento e logo entrou na estrada. Meu pai, que acelerou na estrada principal, ligou o rádio. O som suave da música se misturava ao silêncio.
Olhei sem muito foco para a rua familiar passando do lado de fora. Talvez por ser uma manhã de dia útil, as vias estavam tranquilas, quase preguiçosas, sem aquele caos habitual.
Eu estava nervoso. As mãos apoiadas nos dois joelhos não paravam quietas, como se não conseguissem decidir onde ficar. Pelo retrovisor, meu pai me observou.
—Você já descobriu como ir do apartamento até a faculdade?
—Ah… ônibus 3300.
Ele assentiu devagar, como se aquilo fosse simples demais para merecer preocupação.
—Você ainda tem tempo antes do início das aulas, então aproveite para olhar bem a região com seu hyung. Entenda a geografia ao redor. Ajude em casa também, faça bem as tarefas. E… você cozinha bem, então vocês dois vão comer direitinho.
Assenti sem responder aos pedidos repetidos. Depois de ver minha reação no retrovisor, meu pai ergueu os cantos dos lábios e sorriu de forma brincalhona.
—Faz tempo que você não vê o Saheon, né? Já se passaram três anos?
—Sim.
Hesitante me calei. Meu pai continuou, segurando suavemente o volante.
—Pensando bem, era estranho. Embora eu já tivesse encontrado Saheon várias vezes, Cheongmyeong nunca conseguia vê-lo. Sempre acontecia alguma coisa toda vez que ele voltava para a Coreia.
Sorri de forma constrangida. O motivo desses desencontros continuarem acontecendo foi porque eu os criei, mas meu pai continuava falando como se não visse minha expressão.
—Quando você era criança, dizia que ia se casar com Saheon. Você se lembra disso?
—Não me lembro.
Respondi rápido, tentando encerrar o assunto. Por um instante, pensei que tivesse demonstrado desconforto demais, mas meu pai não pareceu notar nada estranho.
—Não lembra? Você dizia todos os dias, desde o jardim de infância, que se casaria com seu hyung. Naquela época era fofo… mas agora você já está indo para a faculdade…
Meu pai mergulhou nas próprias lembranças enquanto falava. Sentimental como sempre, talvez por ser professor de coreano, continuou dirigindo em silêncio, os lábios levemente franzidos.
Claro que era mentira. Eu me lembrava de tudo. Mas, naquele momento, tive sorte por ele não perceber isso.

***

 

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz

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Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar

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