Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 121 Online

Capítulo 121
35.
Dois dias atrás.
Após receber aquele baque monumental e retornar para o seu quarto, Bliss permaneceu em estado de choque, sem conseguir raciocinar direito por um bom tempo. Conforme as horas se passavam e sua mente começava a processar os fatos lentamente, ele finalmente se deu conta da gravidade da situação. Naquele momento, só existia uma única pessoa com quem Bliss poderia entrar em contato.
— Larien, atenda logo esse telefone!
Ele discou imediatamente, mas ela não atendeu. É claro que Bliss não era do tipo que desistiria por tão pouco. Ele insistiu obstinadamente, retornando a ligação que caía na caixa postal por nada menos que 12 vezes seguidas. Finalmente, na 13ª tentativa, ele alcançou seu objetivo.
― Sim, Bliss. Sou eu.
— Larieeeen!
No instante em que ouviu a voz exausta da irmã, Bliss desabou em prantos novamente, despejando nos mínimos detalhes toda a humilhação que havia acabado de sofrer.
— Que ódio! Que óóódio!
Bliss chorava aos prantos deitado de bruços na cama enquanto desabafava:
— Haaah… Larien, eu estou com tanto, tanto ódio que sinto que vou morrer…
Diante dos soluços compulsivos do irmão caçula, Larien respondia com total desdém: “Sim, sim, claro”. Ela já se preparava para perguntar quando, afinal, ele pretendia ir embora daquele lugar, mas Bliss a interrompeu, declarando com um tom de voz completamente diferente do habitual:
— Eu vou me vingar dele exatamente da mesma maneira.
― Oh.
Aquele Bliss que até segundos atrás apenas soluçava e chorava, agora continuava o desabafo destilando puro veneno, enquanto rangia os dentes com força:
— Como ele tem a firme convicção de que eu sou apaixonado por ele, desta vez serei eu quem vai dizer com todas as letras. Eu vou falar: “Eu jamais gostaria de alguém como você!”.
Ele levantou-se num salto e apontou o dedo rigidamente para o vento, como se Cassian estivesse bem ali diante de seus olhos, mas o único som que ecoou de volta no quarto foi o de seu próprio nariz fungando.
― E então, o que você pretende fazer agora?
Ao ouvir o questionamento de Larien, Bliss soltou um “Hum…” pensativo antes de responder:
— Para começar, pretendo fazer greve de fome e me recusar a sair da cama. Se eu fingir que fiquei chocado a esse ponto, aquele idiota com certeza vai entrar em pânico.
“Se ele não gosta de você, duvido muito que vá ficar chocado. Provavelmente não vai estar nem aí”, pensou Larien. No entanto, ela sabia que não adiantaria nada verbalizar aquilo, pois o aviso entraria por um ouvido e sairia pelo outro de um Bliss tomado pelo fogo da indignação. Embora a estratégia de vingança de Bliss já estivesse fadada ao fracasso pelo simples fato de o Conde Heringer ter declarado abertamente que não gostava dele…
“Se o papai descobrir isso mais tarde, ele com certeza vai tentar matar o Conde Heringer.”
Só de imaginar esse cenário, a situação tornou-se imensamente divertida. Larien, que até então estava deitada de forma indolente enquanto acariciava os seios da garçonete que havia seduzido em um café dias atrás, sentou-se na cama num sobressalto e incentivou o irmão:
― É uma excelente ideia. Só não se esqueça de agir como se estivesse completamente sem forças quando estiver na presença dele.
— Mas é claro. Amanhã de manhã eu pretendo ir tomar o café só para manter as aparências, mas, a partir do dia seguinte, não planejo dar um único passo para fora deste quarto.
― Ótimo, maravilhoso.
A essa altura, Bliss já havia secado as lágrimas. Observando o irmão caçula arder em determinação para se vingar de Cassian, colocando suas adoráveis células cerebrais para trabalhar a todo vapor, Larien acrescentou:
― Chore mais um pouco. Se você parar de chorar agora, seu rosto vai estar completamente normal amanhã de manhã.
— Ah, é verdade. Não pode ficar normal. Toma essa, toma essa!
Ao ouvir o som estrepitoso de Bliss desferindo golpes contra os próprios olhos com os punhos, Larien apressou-se em contê-lo:
― Não faça isso, Bliss! Se você ficar com os olhos roxos, ele vai perceber a farsa na hora.
— Ah, tem razão.
Abaixando as mãos às pressas, Bliss ouviu o novo conselho que Larien passou a ditar:
― Em vez disso, pense em coisas tristes. Deixe-me ver… tente imaginar que o papai e o dadddy morreram.
— O quê?! Não!
Acompanhado de um grito horrorizado, um rio de lágrimas brotou instantaneamente dos olhos de Bliss. “Isso, continue assim”, incentivou Larien antes de prosseguir com a tortura psicológica:
― Imagine o papai e o dadddy deitados em um caixão. E o Nathaniel logo atrás deles. Depois, todos nós em fila, e você por último. Afinal, você é o caçula.
— Haaah… haaaah…
― Cubra o caixão do papai com a bandeira americana. O dadddy também… bem, já que é uma imaginação, vamos cobrir o dele também. E agora eles estão sendo enterrados… bem devagar, bem devagar…
— Papaaa! Dadddyyy!
Do lado de fora do quarto, Penelope segurava um prato de doces quando ouviu aquele choro escandaloso vindo de dentro do aposento. Ela empalideceu no mesmo instante diante dos lamentos devastadores e pensou consigo mesma:
“Meu Deus, Bliss… Estar com o coração partido a esse ponto! Coitadinho, que enorme sofrimento!”
Mesmo imaginando que ele talvez não a escutasse devido ao barulho, ela deu leves batidas na porta: toc, toc.
— Bliss, eu trouxe alguns doces, tente comer um pouco. Vou deixá-los aqui na porta. …Não chore tanto, e se precisar de qualquer coisa, basta me chamar.
Ela apurou os ouvidos após dar o recado, mas o único som que continuava a ecoar era o do choro inconsolável. Soltando um suspiro profundo e carregado de angústia, ela retirou-se dali, com o coração transbordando ressentimento contra o patrão.
“Como ele pôde ferir de forma tão cruel uma criança tão pequena e frágil? Eu jamais imaginei que o Conde pudesse ser um homem tão desalmado.”
Penelope firmou o compromisso interno de que protestaria energicamente contra Cassian pelo ocorrido daquele dia. Enquanto isso, do lado de dentro, o teatro dramático entre Bliss e Larien continuava de vento em popa.
— Para começar, a reação dele não foi nada má.
Croc. Bliss comentou enquanto mastigava um biscoito. Conforme o roteiro planejado, ele havia recusado o café da manhã e retornado ao quarto. Uma vez trancado, ele tratou de desenterrar seu estoque secreto de lanches e bebidas antes de ligar para Larien. A irmã, que estava esperando ansiosamente por aquele exato momento, perguntou com a voz carregada de expectativa: “Sério?”
― Conte-me tudo o que aconteceu, com todos os detalhes.
Larien ouviu atentamente cada detalhe minucioso que Bliss cochichava ao telefone. Após absorver a fofoca, soltou um “Hum…” intrigado e comentou:
― Nada mal. E o que você planeja fazer amanhã?
— Não pretendo colocar os pés para fora daqui. Vou bater o pé e resistir até que aquele idiota venha pessoalmente ao meu quarto me procurar.
― Ora, ora.
Larien soltou um elogio genuíno de admiração. Para os padrões de Bliss, aquela era uma estratégia surpreendentemente astuta. Afinal, Cassian Strickland devia ter o mínimo de cérebro e saberia que não poderia deixar o filho caçula da família Miller morrer de fome por tempo indeterminado sob o seu teto. No entanto, havia um pequeno empecilho:
― Você tem mantimentos suficientes aí?
Diante do questionamento de Larien, Bliss tratou de checar rapidamente o local onde havia escondido suas provisões.
— Hum… Se eu racionar bem, dá para aguentar uns dois dias.
― Isso não vai ser o suficiente.
Além do mais, se ele ficasse se alimentando apenas de doces e biscoitos, seu corpo certamente cobraria o preço e ele ficaria exausto em um piscar de olhos. Por outro lado, se tentasse assaltar a cozinha do castelo, seria descoberto imediatamente. Sendo assim, a única alternativa era…
― Vamos fazer o seguinte.
Bliss apurou os ouvidos para escutar a ideia de Larien. E, pouco tempo depois, ele fez mais uma ligação para um destino diferente.
E, trazendo a situação para o presente.
— Mas o que diabos significa tudo isso?
O chefe da equipe de segurança questionou, sussurrando com o rosto completamente vermelho enquanto tentava recuperar o fôlego. Ele havia cumprido as ordens de Larien e vindo até ali, mas não conseguia entender patavina do que estava acontecendo naquele cenário. Bliss, que havia se lançado em direção ao homem tomado pela alegria de vê-lo, pressionou o indicador contra os lábios e soltou um chiado baixo, pedindo silêncio:
— Fique quieto! O que faremos se nos descobrirem?!
— Não, o que eu quero saber é que palhaçada é essa…
O chefe da segurança interrompeu a própria fala e soltou um suspiro pesado de pura frustração. Graças aos anos de experiência acumulados nas forças especiais, esgueirar-se até ali sem ser detectado não havia sido um desafio, mas a situação em si era totalmente incompreensível.
— Por acaso o Conde Heringer está te deixando passar fome? Por que me fez trazer uma coisa dessas?
O segurança resmungou enquanto retirava de dentro do traje algumas barras de cereal proteicas. Eram lanches muito populares no meio militar por terem um ótimo sabor e serem ricos em calorias.
— Uma dessas por dia é mais do que suficiente. Com essa quantidade aqui, você consegue aguentar firme por uns dez dias.
— Perfeito, maravilhoso!
Bliss abriu um sorriso satisfeito e guardou os mantimentos às pressas nos bolsos da calça. Quanto à água, bastaria reabastecer suas garrafas de madrugada. Com aquilo, os preparativos para a sua resistência estavam mais do que concluídos!
— Muito obrigado, de verdade.
Quando Bliss fez menção de envolvê-lo em mais um abraço apertado para despejar seus agradecimentos repetidas vezes, o chefe da segurança tratou de afastá-lo com as mãos e questionou:
— Esqueça os agradecimentos. Mais importante do que isso: o que aconteceu com a Larien? Por que ela sumiu e não atende minhas ligações? Você repassou o meu recado dizendo que eu estava esperando por ela?
Diante do tom de voz nitidamente irritado do homem, Bliss sobressaltou-se ao lembrar do detalhe e afastou-se rapidamente:
— Ah, sim! Claro, com certeza! Afinal, foi a própria Larien quem me orientou a entrar em contato com o chefe da segurança!
— É mesmo? A Larien disse isso?
O semblante do homem iluminou-se em alegria por um breve instante, mas logo em seguida ele voltou a franzir o cenho, desconfiado:
— Mas então por que ela mesma não entrou em contato comigo diretamente? Duvido muito que ela tenha esquecido o meu número.
Encarando aquela feição carregada de suspeitas, Bliss apressou-se em inventar uma desculpa:
— É claro que ela não esqueceu. Ela me garantiu que vai te ligar em breve. É que… ela está extremamente ocupada no momento…
Ele colocou o cérebro para funcionar em alta velocidade e emendou:
— Para você ter uma ideia, ela demorou uma eternidade para atender até as minhas ligações. Quando eu mencionei o chefe da segurança, ela se desculpou profundamente e pediu para você esperar mais um pouquinho, pois ela entrará em contato assim que puder!
• Continua…
• Raws, Tradução e Revisão: Othello&Belladonna
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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.