Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 120 Online

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— Mas que grandes bobagens você está dizendo…
Cassian soltou uma breve risada incrédula e balançou a cabeça negativamente. No entanto, Penelope não deixou passar batido o milimétrico instante de hesitação que houve entre as palavras dele. E aquilo foi o suficiente para transformar sua suspeita em certeza absoluta.
— Não, Conde. O senhor está apaixonado pelo Bliss. Não tente enganar os meus olhos. Eu não cheguei a esta idade em vão.
Ao ver a governanta idosa erguer o queixo com imponência, Cassian não pôde fazer outra coisa senão ficar atônito.
— Eu não gosto daquele pirralho. Só o mantive ao meu lado porque precisava dele.
Ao ouvir aquela resposta cortante e fria, Penelope franziu o rosto e soltou um suspiro pesado.
— De verdade, Conde, o senhor também consegue ser incrivelmente teimoso…
— Não é teimosia. É a pura verdade.
— Sim, é claro que é.
Diante daquelas negações repetidas, Penelope respondeu com evidente indiferença. Durante um momento, ela pensou em como fazer aquele nobre testarudo confessar seus verdadeiros sentimentos, mas sabia muito bem que não seria uma tarefa nada fácil. Assim como também não seria fácil convencê-lo a ir até o quarto de Bliss para consolá-lo.
Por fim, ela decidiu dar um passo atrás e decretou:
— O senhor vai se arrepender. Sem falta.
Deixando para trás aquelas palavras que soavam quase como uma maldição, ela retirou-se da sala de café da manhã. Cassian permaneceu sentado sozinho no recinto, bebericando seu chá preto enquanto desviava o olhar de soslaio para o assento vazio de Bliss. Pelo visto, desde o dia anterior o garoto não vinha sequer se alimentando adequadamente, então, em certo modo, dava para compreender o porquê de Penelope estar tão desesperada.
Uf.
Cassian pressionou os olhos com força enquanto soltava um suspiro profundo.
Naturalmente, ele já estava há vários dias sem conseguir dormir um único momento que fosse. Tinha pensado que, ao retornar ao castelo, finalmente conseguiria descansar tranquilo, mas, em vez disso, havia se deparado com uma situação tão absurda como aquela.
“Mesmo assim, ele já deve estar chegando ao seu limite.”
“…Tem que ser isso.”
Pensando daquela forma, Cassian cobriu os olhos com uma das mãos. Então, como se fosse uma alucinação auditiva, as palavras de Penelope voltaram a ecoar em sua mente:
“Conde, o senhor está apaixonado pelo Bliss.”
— Não, não é nada disso.
Cassian murmurou em voz alta. Algo daquela natureza jamais poderia ser verdade.
Aquele pirralho simplesmente era jovem demais e não conhecia nada do mundo. Além do mais, se Ashley Miller chegasse a tomar conhecimento da atual situação, não se sabia o que poderia acontecer. Sim, o correto era que Bliss retornasse o quanto antes. Por isso, não havia a menor necessidade de ele ir pessoalmente até lá para consolá-lo.
“…Porque eu realmente não gosto daquele moleque.”
E, mesmo pensando assim, ele de fato não gostava.
Já tarde da noite, Cassian caminhava silenciosamente pelo corredor escuro do castelo. Parecia que todos os empregados já haviam recolhido para dormir, pois não se percebia o menor indício de presença humana nos arredores.
E só existia um único motivo para ele estar caminhando pelo seu próprio castelo procurando não emitir o menor ruído com os passos.
Porque ele estava se dirigindo ao quarto de Bliss.
Cassian, que havia retornado bastante tarde devido aos compromissos que ocuparam todo o seu dia, mal desceu do automóvel e foi direto ao encontro da primeira governanta que o avistou.
— E aquele moleque? Como ele está?
Ocultando o real significado de “Ele ao menos comeu alguma coisa?”, formulou a pergunta, e Penelope assentiu com a cabeça:
— Sim, ele tomou um pouco de sopa…
— Sopa? Só isso?
Na voz de Cassian, misturaram-se a perplexidade e a irritação.
Penelope respondeu com uma expressão desconfortável:
— Até mesmo para fazê-lo tomar isso foi difícil. Ele bateu o pé dizendo que não queria comer e mal conseguimos convencê-lo a engolir algumas colheradas. E-er… Conde, já que estamos tocando nesse assunto… O senhor não acha melhor chamarmos o médico da família amanhã cedo? Estou muito preocupada com o estado de saúde do Bliss.
“Chamar o médico da família? Mas que tipo de bobagem é essa?”
Cassian esteve a ponto de soltar uma exclamação de incredulidade sem perceber.
“Penelope, esta é uma situação para chamar uma ambulância e levá-lo para a emergência de imediato! Você tem ideia de quantos dias e horas esse moleque está deitado sem colocar os pés para fora da cama, rejeitando não apenas os doces, mas as refeições principais? Isso é muito mais grave do que parece. Ele precisa de um check-up completo!”
“Um problema realmente sério poderia ter surgido…!”
De repente, a imagem do pequeno Bliss perdendo os sentidos e ofegante ressurgiu diante de seus olhos e, antes que se desse conta, ele já subia os degraus da entrada quase correndo.
— Conde! Conde?!
A voz sobressaltada de Penelope fez com que Cassian, que estava a ponto de sair disparado, parasse abruptamente no lugar. Só então ele recuperou a razão e permaneceu imóvel, cobrindo o rosto com uma das mãos.
“Controle-se, Cassian Strickland. Que tipo de absurdos você está pensando?”
Ao se dar conta do teor de seus pensamentos de meros segundos atrás, ele se sentiu patético ao extremo.
“Não se deixe influenciar pela Penelope. Foram apenas dois dias.”
“Ele simplesmente está ressentido e a poeira está demorando mais do que o habitual para baixar. Sim, amanhã. Amanhã com certeza ele estará bem.”
— Ahem.
Cassian pigarreou e virou-se. Enquanto caminhava em direção aos seus aposentos, instruiu a governanta que o acompanhava logo atrás:
— Chame o médico da família logo cedo amanhã para que ele faça uma revisão no estado dele. Não deve ser nada grave, mas faça isso mesmo assim.
— Sim, senhor. Entendido.
A voz de Penelope ganhou um tom mais animado, como se ao menos ela tivesse ficado um pouco mais aliviada.
Aquilo havia acontecido poucas horas atrás.
E agora, lá estava Cassian, caminhando pelos corredores daquele castelo absurdamente gigantesco, cruzando a ala onde ficavam os aposentos dos funcionários.
“Vou apenas checar se ele está bem.”
Embora tentasse justificar a ação em sua mente, ele não saberia explicar o motivo de estar carregando em uma das mãos alguns doces embalados em porções individuais de tamanho ideal para uma bocada.
Em todo caso, o pretexto era um só.
Porque Bliss era o filho caçula da família Miller. Se algo de errado acontecesse a ele, Ashley Miller despejaria sua fúria contra Cassian, e ele simplesmente estava fazendo o possível para evitar que tamanha desgraça batesse à sua porta…
— Sim, é só por isso.
Foi no exato instante em que ele murmurou aquilo em voz baixa.
No meio do silêncio sepulcral, ecoou um ruído estrepitoso, como se alguém estivesse abrindo uma porta com pressa.
Cassian escondeu-se rapidamente atrás de uma parede, mas, no segundo seguinte, franziu o cenho.
“Espere um momento. Por que eu estou me escondendo?”
“Este castelo é meu.”
De qualquer forma, certamente seria algum funcionário. Por isso, não fazia o menor sentido o dono da propriedade, o próprio Cassian, estar se esgueirando daquela maneira.
Mesmo racionalizando a situação, seus pés não se moveram com facilidade para a frente. Em vez disso, ele apenas esticou o olhar de relance para checar quem era o responsável por aquele barulho.
“…Aquele ali é?”
Cassian observou fixamente a silhueta que se desenhava sob a iluminação difusa do corredor, estreitando os olhos. Não havia margem para dúvidas. Por mais escuro que estivesse o ambiente, era impossível não reconhecer aquela figura. O brilhante cabelo platinado, a fisionomia magra e esguia, até mesmo o modo leve e característico com que caminhava.
“Bliss?”
Cassian piscou os olhos, pego de surpresa por aquela situação totalmente inesperada. Por mais que olhasse repetidas vezes, era o Bliss. Afinal de contas, não poderia existir no mundo inteiro outra silhueta de costas tão adorável quanto aquela.
“Aonde ele pensa que vai?”
Após confirmar que o garoto de fato havia saído de seus aposentos e agora avançava pelo corredor, ele perdeu-se em uma breve reflexão. Na realidade, nem sequer era necessário ver o destino final para adivinhar o que ele pretendia. Provavelmente estava a caminho da cozinha para surrupiar algo para comer.
“Ter vindo até aqui me faz parecer um ridículo.”
Ele soltou uma risada anasalada de pura descrença enquanto encarava os doces que segurava na mão. Era patético ter terminado consumido por preocupações infundadas por culpa do alvoroço criado por Penelope. Talvez já estivesse na hora de dar meia-volta e retornar para o seu quarto…
“Amanhã ele estará sentado bem na minha frente à mesa do café.”
No exato momento em que estava prestes a girar nos calcanhares movido por esse pensamento, ele parou, de repente. Havia algo ali que não se encaixava. Voltou a fixar os olhos nas costas de Bliss e, de imediato, franziu o cenho.
“Aquele não é o caminho que leva à cozinha.”
Pelo contrário, Bliss estava se dirigindo rumo à saída exterior do castelo.
“Mas que diabos?”
“Por acaso o Sam plantou árvores frutíferas no jardim?”
Mesmo que tentasse forçar essa hipótese, continuava sendo difícil de engolir. Ele iria se dar ao trabalho de sair ao jardim para colher frutas no meio da noite, deixando a cozinha de lado?
Como ele próprio sabia que aquela linha de raciocínio roçava o absurdo, deixou escapar um som abafado que subiu do fundo de sua garganta.
“Não importa. Volte.”
A voz da razão ecoou em sua mente.
Mesmo que Bliss saísse àquela hora da noite, ele não conseguiria ir muito longe. Talvez quisesse apenas dar uma caminhada pelo jardim. E, mesmo que não fosse o caso, o que ele tinha a ver com isso? Não era da sua conta.
“Mas ele passou dias sem comer nada. Como a Penelope alertou, ele pode acabar desmaiando.”
Diante daquela nova voz que brotou de algum canto de seu íntimo, Cassian concordou de imediato.
“Sim. Enquanto esse pirralho estiver sob o meu teto, ele é praticamente minha responsabilidade. Então, no mínimo, eu deveria averiguar o que ele está tentando aprontar.”
Assentindo para si mesmo, ele começou a caminhar em silêncio, no encalço da direção que Bliss havia tomado.
Ao cruzar os limites do castelo para o exterior, uma rajada de vento fria e desoladora açoitou todo o seu corpo.
“Aquele moleque. Está vestindo roupas tão leves e mesmo assim fica deambulando por aí afora.”
Ele estalou a língua por entre os dentes em sinal de desaprovação e apressou o passo para esquadrinhar os arredores. Localizar Bliss não seria uma tarefa complexa. Não havia decorrido tanto tempo desde o momento em que ele cruzara a porta…
— Ah.
Em pouco tempo, Cassian localizou a silhueta de costas de Bliss.
Ao notar que o garoto olhava rapidamente ao redor como se vigiasse os lados, Cassian ocultou-se às pressas atrás do tronco de uma árvore. Logo em seguida, espiou com cautela pondo a cabeça de lado.
Quando viu Bliss começar a correr a toda velocidade, ele apressou-se em segui-lo de perto.
“Onde diabos ele está indo?”
O destino não ficava muito distante dali.
E, junto com a proximidade do local, Cassian logo desvendou a real razão que levara Bliss a esgueirar-se para fora do castelo em plena calada da noite.
— Aqui! Aqui!
Bliss acenava com um dos braços com energia enquanto corria em uma direção específica.
E então, de maneira abrupta, a figura de um homem materializou-se bem diante dele.
Cassian sobressaltou-se com o surgimento daquele intruso inesperado, mas o verdadeiro choque veio logo em seguida.
Sem o menor aviso, Bliss lançou-se em direção ao homem e o envolveu em um abraço apertado de uma vez só.
O quê?
Mas o que diabos está acontecendo aqui bem diante dos meus olhos?
Cassian permaneceu estático no lugar, limitando-se a piscar os olhos, completamente atônito.
O vento gélido da noite açoitou suas costas e passou direto, deixando em seu corpo uma sensação congelante.
Continua…
•Raws, Revisão & Tradução: Othello
Ler Deflower Me If You Can (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.