Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 81 Online

↫─Capítulo 81
— Sim, pai.
Ele colocou a arma sobre a mesa e, após examinar a estátua de Jesus, encontrou uma corda grossa em algum lugar. Em seguida, amarrou firmemente os membros da estátua, como se tentasse prendê-la ao próprio corpo.
O Pastor Sung desabou no sofá e começou a resmungar coisas como não danificar a estátua, como um dos braços dela valia mais do que todo o corpo de Yeongik e outras observações vulgares que pareciam totalmente indignas de um pai falando com um filho.
Os olhos de Shinu tornaram-se frios e duros. O rosto de um homem de meia-idade rude, com maçãs do rosto proeminentes, pareceu se sobrepor ao rosto do Pastor Sung. Era como se alguém estivesse apertando seu coração com uma pressão imensa. Enquanto ele contraía os olhos, o Pastor Sung perguntou bruscamente:
— O que esses desgraçados estão fazendo?
Shinu engoliu um suspiro, pensando que o Pastor Sung havia notado sua presença. Justo quando estava prestes a escancarar a porta e confrontá-los, Yeongik perguntou de volta:
— O quê?
— Aqueles desgraçados. Os que transformaram o culto de hoje em uma bagunça. O que eles estão fazendo?
— Ah… São os sacrifícios que tínhamos confinado na vila folclórica.
— Então por que eles estão aqui?
— …Sinto muito.
Yeongik curvou-se profundamente em um pedido de desculpas. Não foi apenas um mero aceno; ele se inclinou tanto que parecia estar quase dobrando ao meio, uma demonstração de humildade excessiva entre pai e filho.
Apesar disso, o rosto franzido do Pastor Sung não mostrou sinais de suavização. Ele atirou a Bíblia que estava sobre a mesa em Yeongik, e ela o atingiu com força na lateral da cabeça. O cabelo desalinhado de Yeongik ficou instantaneamente bagunçado. O Pastor Sung continuou a repreendê-lo com vulgaridades, apontando o dedo e gritando:
— Não consegue nem gerenciar um único sacrifício direito e faz uma bagunça dessas!
— ……
— Apenas mais um bastardo inútil que não consegue fazer nada certo. É por isso que as pessoas se importam com seu histórico, de onde você veio.
— ……
— Por que está parado aí feito um tonto? Mova-se!
Ao comando do Pastor Sung, Yeongik começou a reembalar a estátua de Jesus. Shinu observou os dois alternadamente. Claramente, não eram pai e filho, como evidenciado por seus sobrenomes diferentes — Sung e Park. O pensamento de que um homem tão louco teria passado o sobrenome da esposa para o filho era implausível.
Enquanto Shinu observava, passando suavemente a língua pela bochecha, Yeongik perguntou:
— Para onde vamos agora?
— Para Mokpo.
— Estamos deixando Yongin? Esta cidade é protegida por Deus…
— Ei! Droga, esse seu Deus. Deus isso, Deus aquilo. Não importa! Eu sou Deus, eu sou! Se eu digo que vou embora, quem vai proteger o quê!
— ……
— Eu estava planejando sair de qualquer maneira. Ainda assim, ainda assim… Ah… É uma cidade que fiz com minhas próprias mãos… Eu não deveria ter ouvido o Diretor Hwang…
O Pastor Sung olhou para o teto com uma expressão de desespero, então golpeou o sofá com raiva com os punhos. Mas seus punhos velhos e fracos não conseguiram atingir com muita força e apenas ricochetearam.
Yeongik olhou para o Pastor Sung com olhares furtivos e perguntou sutilmente:
— Apenas o pai e eu vamos?
— É claro.
— E quanto ao Yeongmin…
— Aquele idiota ainda está vivo?
O Pastor Sung ergueu as sobrancelhas em uma surpresa genuína.
— ……
Yeongik manteve a boca firmemente fechada.
Shinu repetiu o nome Yeongmin silenciosamente. Era o homem que Shinu havia encontrado no canteiro de obras. Yeongmin era o irmão gêmeo de Yeongik com o mesmo rosto, um homem vestido com luxo, que havia falado de forma carinhosa e afetuosa com Yeongik. Ao contrário de Yeongik, que vivia perto do Pastor Sung sob o título de filho, Yeongmin não havia recebido nada.
Shinu tinha uma compreensão superficial do relacionamento deles. Naquele momento, embora Yeongik o tivesse atropelado com um carro, Shinu sentiu uma pontada de simpatia por ele. No entanto, foi passageiro. Considerando os reféns que Yeongik havia confinado na vila folclórica e os sacrifícios que ele havia alimentado para a divindade gulosa, ele era tanto vítima quanto agressor, em última análise, um pecador imperdoável.
Com o rosto sombrio, Yeongik carregou a estátua de Jesus para frente. Atrás dele, ele arrastava uma bolsa do tamanho de seu corpo e, na frente, carregava a estátua como se fosse um servo seguindo um nobre.
— Vamos. Isso deve ser o suficiente.
O Pastor Sung levantou-se do sofá. Yeongik estendeu a mão para a arma sobre a mesa. Naquele momento, Shinu invadiu a sala e disparou um tiro antes mesmo de Yeongik e o Pastor Sung conseguirem se virar.
— Ahh!
A bala voou rapidamente e perfurou o pulso de Yeongik. A bala rotativa fez com que metade de seu pulso fosse explodida. Sua mão ficou pendurada debilmente, sustentada apenas por algumas veias e músculos. A visão dela balançando para frente e para trás era medonha. Taebaek virou a cabeça, fazendo uma careta enquanto seus lábios se contraíam.
Yeongik agarrou a mão ferida com a outra mão, encolhendo-se de dor.
— O que, o que está acontecendo?
— ……
— Que diabos vocês pensam que estão fazendo aqui…
O Pastor Sung, rangendo os dentes de raiva, estendeu a mão para a arma. Shinu disparou novamente, fazendo metade da orelha do Pastor Sung desaparecer.
— Argh!
O Pastor Sung agarrou a orelha e caiu para trás. Shinu avançou em direção a eles com passos determinados, mirando sua arma. Enquanto isso, Taebaek pegou rapidamente a arma que estava sobre a mesa.
— Levantem-se.
Shinu ordenou ao Pastor Sung e a Yeongik.
— Seus tolos malditos! Como ousam vir a um lugar onde Deus está…
O rosto do Pastor Sung ficou vermelho enquanto ele gritava como um trovão. No entanto, Shinu não vacilou. Em vez disso, antes que o Pastor Sung pudesse terminar de falar, Shinu esmagou a coronha de sua arma na boca dele.
Era um rosto que estivera particularmente irritante desde cedo. Uma boca que enganava as pessoas, sujava o divino com palavras tolas e, por fim, levava todos à morte.
Embora não tivesse o direito de punir ninguém, considerando o quanto ele, Taebaek, Hyemin, Hyesung e Hyein haviam passado, e lembrando-se do falecido Polt e das inúmeras pessoas executadas e penduradas na ponte, ele sentiu que era justificado fazer pelo menos isso.
— Ugh!
O Pastor Sung borbulhou em agonia enquanto inclinava a cabeça para trás. Ele cobriu a boca, e o sangue escorreu entre seus dedos.
— Pai!
Yeongik gritou enquanto abraçava o Pastor Sung. Embora tivesse levado apenas um golpe, ele parecia que o mundo estava acabando. A estátua de Jesus pendurada em seu corpo pressionou o rosto do Pastor Sung. O Pastor Sung arquejou e empurrou Yeongik bruscamente. Ele então removeu lentamente a mão, revelando dois pedaços brancos na palma manchada de sangue. Eram dentes.
O Pastor Sung tremeu, sentindo os dentes quebrados com a língua. Seus dois dentes da frente estavam estraçalhados. A sensação do vento entrando em sua boca, apesar de tentar mantê-la fechada, era uma estranheza insuportável.
— Pff…
Taebaek, vendo a aparência tola de Yeongik, caiu na risada. Hyein também deu uma risadinha. Shinu não interrompeu a zombaria deles. Ele estava mais do que disposto a quebrar os dentes de baixo se eles continuassem a falar de forma imprudente.
Yeongik encarou Shinu com todas as suas forças. Se o seu olhar tivesse qualquer poder físico, poderia ter perfurado a testa de Shinu.
No entanto, Shinu permaneceu inexpressivo, inafetado pelo olhar assassino. Seus dias de sobrevivência haviam sido longe de belos para se intimidar por mero ódio nos olhos de alguém. Ele apontou a arma para o sofá.
— Levantem-se e sentem-se.
— ……
— Se não se levantarem, vou atirar nos seus tornozelos agora.
Shinu apontou a arma para os tornozelos do Pastor Sung. Ao cair, os tornozelos nus do Pastor Sung ficaram expostos sob a túnica retorcida. O cano morno da arma tocou sua pele nua, ainda irradiando calor. A dor ardente fez o Pastor Sung gritar novamente. Suas pernas se agitaram.
Os lábios de Shinu se contraíram em desgosto. Depois de matar tantas pessoas, era bastante enfurecedor ver alguém choramingando por uma queimadura leve.
— Levantem-se, rápido.
Shinu rosnou. Esses idiotas eram surdos? Quantas vezes ele teria que se repetir? Ele jurou espancá-los completamente se o ignorassem novamente.
Vendo a expressão perigosa de Shinu, Yeongik ajudou o Pastor Sung a se sentar no sofá. Era uma cena e tanto, ajudando o Pastor Sung, que havia sofrido ferimentos leves pouco antes de ele mesmo perder o pulso, a se sentar.
O sangue jorrava da mão de Yeongik, manchando de vermelho a túnica branca do Pastor Sung. Taebaek olhou para o sangue que caía e notou a ferida no tornozelo do Pastor Sung. Era uma ferida que parecia característica de alguém que não viveu como um aristocrata a vida toda.
Taebaek aproximou-se com passos longos e levantou a túnica do Pastor Sung com a arma. Shinu viu uma cicatriz no tornozelo oposto à queimadura. A pele estava encaroçada como se tivesse sido pressionada por algo por muito tempo, com marcas que pareciam arranhões por perto. Parecia que ele estivera usando algemas ou talvez até uma tornozeleira eletrônica…
— Ah…
Taebaek suspirou levemente, depois franziu o cenho em desgosto. Seus olhos castanhos estavam cheios de repulsa.
— O que houve, Taebaek?
Shinu perguntou, observando-o.
— Isso… é uma tornozeleira eletrônica, não é?
Taebaek cutucou o tornozelo do Pastor Sung com o cano de sua arma, e a cor do rosto do pastor, que havia ficado vermelho de dor, subitamente drenou para o branco.
— Não, não. Isso é…
— Uau… esse cara é um lixo em todos os sentidos.
Taebaek desdenhou cinicamente.
O Pastor Sung era um homem de poder. De acordo com os fiéis que haviam conhecido, as palavras do Pastor Sung podiam construir mercados, escavar terras e erguer edifícios. Para uma pessoa tão formidável estar usando uma tornozeleira eletrônica, significava que ele havia cometido pecados tão graves que nem dinheiro nem poder poderiam absolvê-lo. Depois que o vírus MB se espalhou, ele provavelmente pensou que o mundo o estava ajudando e então removeu a tornozeleira.
É claro que um homem que mata pessoas em massa não teria deixado sua parte inferior intocada. O fato de ele ainda conseguir ter uma ereção na sua idade era ao mesmo tempo fascinante e nojento.
Taebaek, empoleirado na mesa, encarou intensamente o Pastor Sung encolhido no sofá. Com um sorriso de escárnio, ele disse:
— Você é um pervertido, velho?
— O que, o quê?
— Algum tipo de abusador, estuprador, criminoso sexual?
— Você, você… como ousa falar comigo desse jeito…
— Você dizia coisas como: “Deus falou! Despaquem-se diante de mim! Deus exige isso! Devoção do seu corpo!”?
Taebaek imitou exageradamente o Pastor Sung, estendendo as mãos para o céu exatamente como tinha visto no culto.
— Bem, você deve não ter charme masculino nenhum, então nunca chegaria nem a tocar na mão de uma mulher se não fizesse isso, certo? Mas o seu pau ainda sobe? Você deu conta disso?
Taebaek cutucou a parte inferior do corpo do Pastor Sung com a arma. A textura macia o fez fazer uma careta e retrair o queixo. A zombaria flagrante deixou o rosto do Pastor Sung vermelho brilhante.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive