Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 77 Online

↫─Capítulo 77
A criatura que se aproximou cambaleando subitamente abriu bem a boca e mordeu o ombro da mulher. O sangue jorrou, e a mulher soltou um grito de furar os tímpanos.
Todos congelaram simultaneamente. Alguns engoliram em seco, enquanto outros tropeçaram para trás e até caíram.
Ninguém veio salvar a mulher. Eles apenas assistiam, ou melhor, presenciavam enquanto ela era devorada, com seus olhos brilhando maliciosamente. Pouco a pouco, a mulher foi comida até que a parte superior de seu corpo desaparecesse em um instante. Pedaços de carne que passavam pela garganta da criatura vazavam de seu estômago oco, pingando no chão.
Tendo terminado sua refeição, a criatura ergueu a cabeça, procurando por sua próxima presa. Seus olhos manchados de sangue brilhavam de forma opaca. Naquele momento, a porta rangeu ao abrir novamente.
Era outro Devorador. Não, um homem. Para ser preciso, um homem cujo pescoço havia sido semimordido e que logo se transformaria em um Devorador. Seguindo-o, mais Devoradores entraram em massa.
— Merda… acho que não vou morrer sozinho… — o homem murmurou. Assim que essas palavras deixaram seus lábios, o Devorador que o seguia esmagou seu crânio com uma mordida.
Os Devoradores continuavam inundando o local. Eles continuavam a entrar, impedindo que a porta se fechasse.
Os Devoradores que apareciam tinham todos uma aparência miserável. Estavam mortos há bastante tempo, com a pele flácida, expelindo pus e exalando um cheiro de podridão. Seus músculos decompostos os tornavam lentos e instáveis, mas seus dentes ainda eram afiados.
Os fiéis ao redor tentaram fugir, mas os Devoradores bloqueavam a porta, não deixando saída. A horda crescia cada vez mais, passando de dezenas a centenas em pouco tempo, criando a ilusão de uma maré vermelha, graças aos seus corpos e orelhas encharcados de sangue.
Aquela maré engolfou rapidamente a igreja, como mofo se espalhando ou um fogo ardente. Os gritos multiplicaram-se dez vezes. O chão, antes imaculado, estava agora encharcado de sangue, a ponto de alguns fiéis em fuga escorregarem e caírem.
— De onde… de onde vieram todos esses Devoradores ? — o homem que estivera apontando a arma para Shinu murmurou em descrença. Shinu respondeu gentilmente.
— Você gostaria que eu te contasse?
— …O quê?
Enquanto o homem virava a cabeça em direção a Shinu, Shinu golpeou rapidamente as costas da mão do homem. O golpe súbito fez com que o aperto do homem na arma afrouxasse. Aproveitando a oportunidade, Shinu agarrou o cano e puxou-o para si. Com a outra mão, ele golpeou bruscamente o carregador de baixo para cima.
Crack — a coronha da arma chocou-se diretamente contra a mandíbula do homem.
— Ugh…
O impacto fez o homem cambalear, segurando a mandíbula enquanto recuava. Àquela altura, a arma não estava mais em suas mãos.
Shinu mirou a arma na cabeça do homem e, com um sorriso astuto, disse: — Eu venho da terra da fantasia.
Com isso, bang! o tiro ecoou.
Uma hora antes.
— Use-me como isca.
Com a sugestão do homem de óculos, Shinu teve uma epifania. Sim, isca. Eles precisavam de iscas para capturar a atenção de todos — algo tão perturbador que ninguém pudesse impedi-los de fazer o que fosse necessário.
O homem de óculos sozinho poderia atrair alguma atenção, mas não seria o suficiente para prender o olhar de milhares de fiéis. Eles precisavam de mais iscas, como o homem de óculos. Em outras palavras, precisavam de Devoradores .
Isso não era difícil de organizar. Afinal, neste mundo, especialmente nesta cidade, os Devoradores superavam os humanos em número.
Meio dia antes, quando Shinu estava fazendo várias perguntas a Jeongmun, ele também indagou sobre o paradeiro de outros Devoradores .
— Onde estão os outros Devoradores ? Já que vocês os reverenciam como mártires, não os teriam matado, certo?
A resposta de Jeongmun foi inesperada.
— Eles estão no parque de diversões.
— …No parque de diversões?
— Sim. Não podíamos matá-los porque são praticamente deuses, mas também não podíamos simplesmente deixá-los soltos nas ruas, ou as pessoas seriam comidas. Então, deixamos alguns aqui na vila folclórica e atraímos o resto para o parque de diversões barulhento e chamativo.
Aquela conversa havia se alojado firmemente na mente de Shinu. Ele rapidamente examinou a vista da cidade de Yongin pela janela da torre. Ao longe, avistou uma roda-gigante enorme, do tamanho de uma unha da sua perspectiva. Entre as árvores, ele também conseguiu distinguir uma montanha-russa projetando-se para fora.
Havia um parque de diversões famoso em Yongin, um lugar massivo e fantástico. Segundo Jeongmun, estava infestado de Devoradores . Se Shinu conseguisse atraí-los para a igreja, seria fácil lidar com os fiéis.
Vinte armas pelas quais o Pastor Sung pagou caro? Mil Devoradores invadindo tornariam isso inútil. A igreja seria afogada em sangue em um instante. Em meio ao caos, Shinu poderia resgatar Hyesung e escapar.
O problema era como levar todos aqueles Devoradores para a igreja.
Shinu examinou a área ao redor da torre e avistou um prédio pálido do outro lado da rua da igreja. Na frente dele, havia três carros brancos e azuis estacionados ordenadamente.
Ele caminhou rapidamente até o mapa estendido na mesa e encontrou o nome do prédio. Os que estavam ao redor olharam para Shinu em confusão enquanto ele examinava o mapa intensamente.
— O que você está procurando? — perguntou Han Taebaek . Assim que a pergunta deixou seus lábios, o dedo de Shinu parou em um ponto.
[Delegacia de Polícia do Distrito de Sujigu]
Um leve sorriso apareceu nos lábios de Shinu enquanto ele chamava.
— Han Taebaek .
— Sim?
— Você conhece a história do Flautista de Hamelin?
— …Até crianças ricas leem contos de fadas — respondeu Han Taebaek , torcendo levemente os lábios.
— Sério?
— Sim. Aquela em que um cara com uma flauta conduz um bando de ratos para um lago depois que uma cidade é invadida por eles.
— Exatamente, essa história.
Shinu riu baixo, dando um tapinha no braço de Han Taebaek . Então, ele se virou para encarar os outros. Após um breve momento de contato visual, Shinu começou a explicar seu plano — a estratégia do “Flautista”.
O interior da delegacia de polícia estava estranhamente silencioso, mas longe de ser seguro. Muitas pessoas claramente haviam passado por ali buscando proteção, pois o lugar estava em frangalhos. Papéis e computadores estavam espalhados pelo chão, enquanto o sangue seco manchava as paredes e o piso de um vermelho profundo.
Shinu bateu em uma mesa com a parte de trás de um machado. Os outros, segurando suas armas prontos, permaneciam em alerta máximo.
Segundos se passaram, depois um minuto, mas não houve movimento. Parecia que não havia Devoradores por perto ou, se houvesse, não estavam em condições de perseguir o barulho.
Todos se espalharam, revistando o local. Eles precisavam encontrar as chaves dos carros — especificamente, as chaves das viaturas policiais.
Não foi difícil. Debaixo de uma mesa, encontraram o corpo de um policial sem cabeça. Após vasculharem seus bolsos, encontraram o que precisavam. No entanto, havia apenas um conjunto de chaves, apesar dos três carros estacionados lá fora.
Shinu suspirou de decepção. Naquele momento, Hyein aproximou-se carregando um alto-falante grande. Era um alto-falante de aparência estranha, com uma boca preta parecida com um megafone e um dispositivo quadrado acoplado a ele.
Era outra peça de equipamento policial. Ao pressionar um botão, poderia ser usado tanto como microfone quanto para ativar uma sirene.
O rosto de Shinu iluminou-se. Ele instintivamente estendeu a mão para bagunçar o cabelo de Hyein, então, percebendo o que fizera, retirou rapidamente a mão e agradeceu. Hyein sorriu levemente.
Han Taebaek observou os dois com uma expressão irritada.
Shinu era estranho. Apesar de ser estoico na maior parte do tempo, sempre que elogiava alguém, sua mão instintivamente se estendia. Quando tive a ideia da explosão vulcânica lá na loja de pneus, ele me elogiou esfregando minha bochecha.
Por causa disso, pensei que ele estivesse acostumado com afeto físico, mas sempre que eu tentava tocá-lo, ele enrijecia e recuava. Hoje em dia, ele está acostumado com o meu toque, mas antes, ele pulava até com o menor contato.
Como eu deveria dizer? Shinu parece saber como dar amor, mas não sabe como recebê-lo.
Han Taebaek estava perdido em pensamentos, encarando Shinu, quando de repente Shinu agarrou seu pulso.
— Vamos, Han Taebaek .
Han Taebaek permitiu-se ser puxado sem resistência.
O grupo de seis dividiu-se em dois. O homem de óculos voltou para o deck de observação, apenas para o caso de as coisas mudarem enquanto preparavam o plano. Se ele se transformasse em um Devorador dentro do carro, eles ficariam presos com ele.
Han Taebaek e Shinu entraram na viatura policial. Hyemin, Hyein, o homem barrigudo e o estudante entraram na van com o alto-falante.
Logo, ambos os veículos estavam na estrada, indo para o parque de diversões.
Quanto mais se aproximavam do parque de diversões, mais Devoradores encontravam. Eles nem haviam saído da cidade, mas as estradas já estavam repletas de Devoradores errantes. Por sorte, não estavam em bandos, então não eram tão ameaçadores, mas a tensão permanecia alta. Cada músculo do corpo de Shinu estava tenso, suas costelas doendo pelo esforço.
Shinu desdobrou o mapa, tentando descobrir a rota para o parque de diversões. Han Taebaek olhou para o mapa pelo canto do olho, um leve sorriso brincando no canto dos lábios. Sem aviso, ele subitamente girou o volante para a direita.
A curva fechada fez o corpo de Shinu inclinar-se violentamente. Com uma mão segurando o volante, Han Taebaek pressionou gentilmente o corpo de Shinu com o outro braço para estabilizá-lo. Enquanto fazia isso, ele verificou o espelho lateral, observando a van que os seguia. A van pareceu diminuir a velocidade por um momento, mas logo depois, virou e continuou seguindo-os.
— Para onde você está indo? — Shinu perguntou, franzindo as sobrancelhas. Era uma pergunta razoável, dado que a estrada à frente terminava abruptamente. Havia um breve trecho de caminho não pavimentado, seguido por uma floresta. Uma floresta densa com árvores imensas que alcançavam o céu, agora envolta em escuridão conforme o sol se punha. A atmosfera sinistra era perturbadora.
— Apenas espere — respondeu Han Taebaek , sorrindo. Ao contrário de Shinu, que estava cheio de preocupação, o rosto de Han Taebaek estava iluminado de diversão; um sorriso brincalhão espalhou-se por sua face.
A verdade é que ele estava animado para dirigir a viatura policial desde que a conseguiram. Afinal, aquilo não era algo que mesmo o bilionário mais rico pudesse experimentar facilmente. Ele até mencionara que queria tentar dirigir um caminhão de bombeiros algum dia.
As sobrancelhas de Shinu ergueram-se em descrença. Ele entendia a empolgação, mas havia hora e lugar para tudo.
Exatamente quando Shinu estava prestes a dizer algo, o carro guinou descontroladamente. Ele atravessou buracos grandes e pequenos cheios de folhas, subindo e descendo, e então desviou bruscamente para evitar uma árvore grande. A viagem era caótica, para dizer o mínimo.
Galhos e folhas batiam contra o para-brisa, estalando e quebrando. Ocasionalmente, eles atropelavam alguns Devoradores que aparentemente surgiam do nada, espalhando sangue por todas as janelas. Folhas secas grudavam na sujeira sangrenta.
Os olhos de Han Taebaek moviam-se de um lado para o outro, sua expressão subitamente séria. Seus lábios bem cerrados e olhos arregalados refletiam um foco intenso.
Shinu soltou um suspiro. Han Taebaek era louco, mas não inconsequente. Ainda assim, ele não conseguia descobrir o que se passava na mente dele agora. Ele virou-se para verificar a van que os perseguia.
Através das janelas sujas, viu o motorista barrigudo com o rosto vermelho, tentando furiosamente acompanhá-los. Quando seus olhos se encontraram, Shinu deu um leve aceno. O motorista forçou um sorriso em resposta.
Shinu voltou seu olhar para a estrada à frente. Mas então…
— Hein…?
A floresta densa e escura havia desaparecido, substituída por um campo infinito e árido. Extensões de grama estendiam-se até onde a vista alcançava, o caminho serpenteando suavemente, com manchas de terra visíveis aqui e ali.
Era um campo de golfe.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive