Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 191 Online

Já fazia algum tempo desde que a Arquiduquesa Erzet havia desaparecido dos olhos do público. Como ela nunca fora particularmente fã de compromissos sociais ou assuntos externos, poucos notaram imediatamente sua ausência. Mas, à medida que os dias se passavam, uma crescente inquietação começou a se espalhar entre aqueles mais observadores. Em um mundo de fofocas e intrigas, nenhum segredo permanece assim para sempre.
— …
Diego estava no porto, com a testa franzida enquanto encarava o mar sem limites. Gaivotas gritavam sobre as docas movimentadas, um ruído constante que se misturava à agitação da cidade. Fileiras de lojas com placas ilustradas vibrantes alinhavam as ruas. O porto de Neapol, uma grandiosa cidade do sul e sua própria terra natal, era um caldeirão de línguas e culturas. Muitos que passavam por ali não falavam a língua imperial, então imagens serviam como seu único guia.
Diego mexia distraidamente nos inúmeros piercings que adornavam seus lóbulos. Vestido com uma túnica simples sem mangas que revelava a arte escura de suas tatuagens, ele estava agachado no chão, com um cigarro pendendo dos lábios. Parecia exatamente um homem do porto, um malandro desagradável que se misturava perfeitamente à multidão. Suspirou, e uma longa baforada de fumaça escapou de seus lábios. Por ordem de Cesare, ele vinha procurando mercenários estrangeiros, homens sem passado relevante e com talento para a violência, que Cesare pudesse usar e descartar como bem entendesse. Também fora encarregado de interrogar um nobre que havia fugido para o sul. O homem cedeu quase imediatamente, uma criança mimada sem estômago para a dor, e revelou seus segredos sem esforço.
E, no entanto, apesar de ter cumprido todas as tarefas, Diego não sentia nenhum alívio. Seu coração estava tão pesado como uma pedra no peito, sua respiração comprimida. Ele ouvira que Eileen, a quem encontraram na taverna de Fiore, agora estava confinada na residência do Arquiduque, com os tornozelos acorrentados. A notícia o encheu de um presságio sombrio, uma certeza de que algo terrível estava por vir.
Lotan, Michelle e Senon, na capital, estavam fazendo o possível para convencer o Arquiduque, mas Diego sabia que seria um esforço inútil. Ele sentia que os cavaleiros deviam compartilhar sua apreensão. O homem encarou o mar, tragando o cigarro. Já havia fumado vários, as bitucas espalhadas aos seus pés, mas sua mente estava confusa demais para parar.
Isso está mesmo certo? Aprisioná-la como uma criminosa comum… uma sensação de profundo mal-estar se instalou nele, ainda mais pesada por saber por que a garota havia saído da residência em primeiro lugar. E agora, cada vez mais pessoas começavam a se perguntar sobre o paradeiro da Arquiduquesa. Eles não poderiam mantê-la escondida para sempre. Mas não importava o quanto ele ou os outros tentassem persuadir Cesare, o Arquiduque não cedia.
(Elisa: Com o caos estando por vir, foi o único jeito de manter a Eileen fujona em casa, como se o Cesare não tivesse tanto que se preocupar em fazer.)
— Droga… — ele resmungou, apagando o cigarro e pegando outro.
— Senhor Diego, — uma voz o chamou. Um subordinado, um homem que ele havia trazido da capital, correu em sua direção.
— O que foi? — Perguntou Diego, com voz casual. Mas sua expressão indiferente se transtornou quando o homem entregou seu relatório.
— O senhor precisa voltar à capital imediatamente.
— …O quê?
Diego colocou-se de pé num salto. Seu subordinado olhou para ele, com a voz trêmula ao transmitir a notícia da capital.
— A Arquiduquesa foi acusada.
Um peso terrível pressionava seu corpo, como se ela inteira fosse feita de chumbo. Mesmo depois de Cesare trazer remédios de seu laboratório e administrá-los pessoalmente, uma dor aguda permanecia em seus membros moles. Sua mente estava mais exausta que seu corpo.
Eileen, que estava deitada encarando o teto, lentamente se sentou e puxou o cobertor. A algema prateada em seu tornozelo se destacava contra o branco do lençol. Desde que fora capturada na taverna, ela perdera completamente a noção do tempo. Não conseguia sequer dizer que dia era, e contar a passagem entre noite e dia era inútil, já que frequentemente dormia e acordava sem aviso.
Por quanto tempo ficarei assim? Temia ficar presa ali até que o tempo de Cesare se esgotasse. Perguntou várias vezes quanto tempo o homem ainda tinha, mas nunca recebera resposta. Isso era, na verdade, o que Cesare queria: que Eileen simplesmente assistisse ao fim de sua vida, sem fazer nada, apenas quieta e obediente. Mas Eileen não desistiria. Não podia. Se Cesare estava determinado a não deixá-la ir, então ela estaria disposta a fazer qualquer coisa.
Assim que uma nova onda de determinação endureceu seu coração, a porta do quarto se abriu. Apenas uma pessoa naquela residência podia entrar sem bater. O homem alto, de uniforme, segurava um vaso de flores nos braços — um pequeno vaso de papoulas vermelhas que ela vinha cultivando no laboratório.
— Está acordada.
Cesare atravessou o quarto a passos largos e se aproximou da cama. Ele colocou as papoulas no parapeito da janela e tirou as luvas de couro. Em seguida, com um gesto habitual, verificou o tornozelo dela. Embora tivesse forrado o interior da algema, sempre verificava se sua pele estava irritada ou machucada. Sabia que ele o tinha afrouxado enquanto ela dormia, mas como só acontecia quando estava adormecida, não podia ter certeza.
Eileen olhou para o homem. Cesare encontrou seu olhar sem mudar a expressão, como se nada estivesse errado. Como se aqueles fossem os dias mais tranquilos que já haviam vivido.
— A algema… — ela disse, em voz baixa. Limpou a garganta para tirar a aspereza e pediu novamente: — Por favor, tire isso.
Ela falou com clareza, mas Cesare apenas riu como se fosse uma piada ridícula. Ele se inclinou e beijou sua testa.
— Você precisa ser obediente, Eileen.
O som suave de seus lábios pressionando sua pele e depois se afastando era uma sensação estranha, quase cócegas. Ele moveu os lábios para os olhos dela e sussurrou:
— Finalmente você parou de chorar.
— …
Eileen sentiu a familiar ardência das lágrimas, mas as conteve. Em vez disso, suplicou novamente.
— Se não vai tirar, pelo menos me diga quanto tempo você ainda tem.
Seu apelo era um som desesperado, engolido pelo silêncio do quarto. Cesare apenas acariciou seu cabelo e mudou de assunto.
— As flores vão murchar depressa sem seus cuidados. Você deveria cuidar delas.
Assim que Eileen abriu os lábios para falar novamente, uma batida soou na porta. A mão de Cesare parou.
— Vossa Graça, sou eu, Senon. Tenho um assunto urgente a relatar.
Desde seu confinamento, ninguém da residência do Arquiduque tinha permissão para entrar no quarto. O assunto devia ser realmente urgente para Senon ter vindo, sabendo que Cesare havia proibido.
Cesare ajeitou a camisola dela e cobriu seus ombros com um cobertor antes de ir até a porta. Quando a abriu, Senon estava com uma postura rígida, fazendo uma saudação precisa. Seus olhos se voltaram rapidamente para Eileen atrás de Cesare. Eileen olhava para o homem que não via há muito tempo, com os olhos arregalados de choque. Mas seus olhares não se mantiveram por muito tempo, pois Cesare inclinou a cabeça, chamando a atenção de Senon de volta para si.
— O que foi?
Senon engoliu em seco e começou.
— O Duque Farbellini apresentou uma acusação contra o Arquiducado Erzet. A acusação é de que a Arquiduquesa fabricou ópio.
Ao ouvir aquelas palavras, Eileen sentiu como se tivesse parado de respirar. Ela sabia que a questão do ópio eventualmente viria à tona. Também sabia que Senon vinha se preparando para isso em detalhes. Mas nunca esperou que o segredo que pretendia revelar ao tornar público Morpheu fosse exposto pelo Duque Farbellini.
Diferente da paralisada Eileen, Cesare não demonstrou qualquer agitação. Simplesmente deu uma ordem, como se tivesse previsto tudo aquilo desde o início.
— Eu participarei do julgamento. Prossiga como planejado.
— Sim, Vossa Graça.
Senon estava prestes a recuar quando Eileen apressadamente saiu da cama.
— Não! — ela gritou.
Ela tropeçou, as pernas presas pelas correntes, mas conseguiu se levantar e apoiar os pés no chão.
— Eu mesma devo comparecer ao julgamento.
Os olhares de Senon e Cesare recaíram sobre ela ao mesmo tempo. Seu coração batia descompassado, como um tambor frenético. Ela pressionou a mão contra o peito e disse:
— Por favor, permita que eu compareça ao julgamento como a farmacêutica que criou Morpheu.
Continua …
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui