Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 192 Online

Eileen sabia que era culpada por tudo aquilo. O fardo do pecado, nascido de seu desejo obstinado de ajudar Cesare, agora estava prestes a dar frutos. Ela tinha certeza de que, se Morpheu fosse liberado no mundo, traria um imenso bem ao império. O julgamento era apenas um passo necessário para concretizar isso. Desde o momento em que decidiu continuar sua pesquisa como Arquiduquesa Erzet, já estava preparada para este dia.
Senon também havia sido um grande apoiador de sua escolha. Ele trabalhou incansavelmente, reunindo cada pedaço de dado que garantiria a vitória dela no tribunal. O plano deles não era apenas escapar da punição por meio do perdão do arquiduque, mas vencer de forma definitiva e fazer com que Morpheu fosse oficialmente reconhecido como um medicamento legítimo.
E, no entanto, Cesare agora ameaçava destruir toda a sua preparação cuidadosa, tudo porque não queria que ela deixasse os limites da mansão. Transferir seu pecado para outra pessoa, e especialmente para o próprio Cesare, era simplesmente impensável. Ninguém sabia mais sobre Morpheu do que ela. Além disso, era absurdo pensar que ela, uma mulher adulta e não uma menor, não deveria comparecer ao tribunal.
Mas o bom senso não tinha lugar no mundo dos desejos de Cesare. Ele sabia tudo o que Eileen pensava. Estava ciente da gravidade política da situação, e ainda assim queria mantê-la confinada em sua residência.
— Não, — Cesare disse, um sorriso leve e fugaz em seus lábios. Ele atravessou a curta distância até a cama e levantou Eileen em seus braços. A corrente de prata sacudiu atrás deles enquanto ele a sentou novamente e ajustava o cobertor desarrumado firmemente ao seu redor. — O ar está frio, onde você está tentando ir? — repreendeu ele docemente, como se estivesse preocupado que ela pudesse pegar um resfriado.
— Cesare… — ela implorou, sua voz mal sussurrando.
Ele não respondeu. Diante de sua recusa, o olhar de Eileen involuntariamente se desviou para Senon. Ela o encarou, esperando desesperadamente por um aliado, por alguém que desse força às suas palavras.
— …
Quando seus olhos se encontraram, os de Senon se arregalaram, e ele mordeu o lábio inferior. Seus olhos brilhavam, transmitindo uma profunda tristeza. Neles, Eileen viu a si mesma como ele a via, e uma onda de humilhação a invadiu. Seu estado atual não é uma visão agradável. Toda a sua compostura e confiança de instantes atrás desmoronaram, e ela inclinou a cabeça, envergonhada.
Foi então que Senon, que estava prestes a recuar, abriu a boca:
— Vossa Graça.
O olhar de Cesare recaiu sobre ele, uma pergunta silenciosa em seus olhos carmesins. Senon tremeu levemente, mas continuou:
— Eu também… acredito que seja correto que a Arquiduquesa compareça ao julgamento pessoalmente, como ré.
Embora sua voz estivesse trêmula, Senon expressou sua opinião com clareza. Ele ficou imóvel, a tensão palpável, após falar. Eileen ergueu os olhos do chão para ele, arregalados de surpresa. Ela esperava por sua ajuda, mas nunca realmente acreditou que a teria. Afinal, ele era o cavaleiro de Cesare. Pensou que o homem apenas seguiria a vontade de seu senhor e a impediria de ir ao tribunal. Mas ali estava ele, tomando o lado dela e se rebelando contra a ordem de Cesare.
Os olhos carmesins de Cesare fitaram Senon, profundos e indiferentes. Ele fez uma
breve observação ao homem, que suava de medo frio.
— Eu não pedi sua opinião.
Sua voz era calma, não particularmente cruel, mas Senon tremeu como se tivesse sido açoitado. Eileen sentiu uma tensão profunda crescer em seu peito, seus dedos apertando o cobertor.
— Peço desculpas. Mas, como Vossa Graça sabe, tenho me preparado para o julgamento partindo do princípio de que a Arquiduquesa compareceria pessoalmente. Portanto, para uma vitória perfeita…
— Senon.
— …Sim, Vossa Graça.
Senon respondeu, com os pés firmemente plantados no chão. Cesare perguntou ao seu cavaleiro, que lutava com todas as suas forças para manter sua posição:
— Você quer deixar Eileen ir?
Senon não podia ignorar a frieza na pergunta. Sabia que era um aviso, ainda assim manteve-se firme e respondeu:
— Eu… apenas desejo que a Arquiduquesa desfrute plenamente da glória de criar um medicamento que será lembrado na história.
Os olhos de Cesare se estreitaram levemente. O rosto de Senon estava pálido enquanto respirava com dificuldade. Quando ele não recuou, um sorriso fugaz tocou os lábios de Cesare:
— Eu não sei quando você se tornou cavaleiro da Arquiduquesa.
— Peço desculpas. Minha lealdade é apenas ao Arquiduque Erzet…
— Pode se retirar.
Desta vez, nem mesmo Senon conseguiu manter sua posição. Ele fez uma saudação rígida e saiu imediatamente do quarto.
Eileen o seguiu com os olhos. Queria agradecê-lo, nem que fosse apenas com o movimento dos lábios, mas Senon não olhou para ela ao sair. A porta se fechou atrás dele com um som abafado. Cesare, que havia ficado encarando a porta fechada por um momento, voltou seus olhos para Eileen. Ela sustentou seu olhar, que parecia conter apenas ela.
Sua mente estava tão emaranhada quanto um novelo de linha. Aquilo era mais do que apenas comparecer ao julgamento. Havia outro significado inerente a esse julgamento, que dizia respeito à própria relação entre o Imperador e o Arquiducado Erzet. Já se previa que o Duque Farbellini teria informações sobre Morpheu. Senon havia explicado isso a Eileen, acrescentando:
“Mas o Duque jamais tocará em Morpheu de forma imprudente.”
Existia uma razão simples para sua certeza: Leone, o irmão gêmeo de Cesare, era o Imperador de Traon. O Duque Parbellini, que havia conquistado o favor do Imperador por meio do casamento, não poderia atacar Cesare levianamente. Mas agora, o Duque Farbellini havia acusado o Arquiducado Erzet. Aquilo era uma declaração aberta de guerra de Leone contra seu irmão gêmeo, o homem que o havia feito imperador. Por isso que era ainda mais necessário vencer esse julgamento de forma impecável, garantindo que o nome de Erzet não fosse manchado e emergisse com uma vitória esmagadora.
Como aquilo chegou a esse ponto? Eles eram irmãos tão afetuosos. Eileen, que havia testemunhado o profundo carinho de Leone por Cesare, estava confusa com a reviravolta repentina. Ela olhou para Cesare, tentando organizar seus pensamentos confusos. Diferente de Eileen, que agora especulava sobre a traição de Leone, Cesare estava calmo, como se já soubesse que isso aconteceria.
— Sua Majestade… — ela começou, sua voz hesitante.
Cesare acariciou lentamente seu cabelo.
— Parece que já não tenho mais utilidade, — ele sussurrou, descartando o assunto grave como se não fosse nada. Para ele, a presença dela era mais importante do que a traição de Leone. — Fique aqui, meu amor.
Ela segurou silenciosamente a mão que acariciava seus cabelos.
— Cesare.
— …
— Por favor, me deixe ir.
Uma risada curta e amarga escapou dele. Cesare acariciou o pescoço dela e sussurrou:
— E se eu não deixar?
Eileen sentiu um arrepio percorrer sua espinha com seu toque, como se os pelos finos de seu pescoço estivessem eriçando. Ela sabia. Tinha certeza que aquela oportunidade havia sido criada à força por Senon. O motivo de ele ter vindo ao quarto para relatar era informá-la da situação do lado de fora. Não haveria mais oportunidades no futuro. Aquela era sua última chance de escapar de sua gaiola dourada.
— Por favor… eu imploro. Se você me permitir comparecer ao julgamento…
Eileen recordou as palavras que Cesare lhe dissera há muito tempo: “Eu disse para você não fechar os olhos quando mente, Eileen.” Lembrando-se da voz que a conhecia até mesmo em seus hábitos, ela olhou firmemente em seus olhos carmesins. E pronunciou as palavras que o homem provavelmente esperava.
— Eu farei o que você quiser, Cesare.
Continua:
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui