Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 02 Online


Modo Claro

 Capítulo 2

O pequeno prédio de cinco andares era antigo. “Caindo aos pedaços” seria uma descrição apropriada, mas a estrutura resistente havia resistido a mais de um século de invernos rigorosos na Rússia. As janelas podiam ranger e gemer em protesto a cada rajada de vento, mas, ano após ano, ainda se mantinham firmes.

Uma senhora idosa era a proprietária do imóvel, administrando um café no primeiro andar e alugando quartos nos demais. Ela havia usado suas economias de uma vida inteira para comprar o velho prédio, e o tratava como se fosse seu filho, sussurrando palavras de encorajamento para as janelas e dando tapinhas nos peitoris quando eles reclamavam do clima.

— Aguente firme, meu velho amigo. Você ainda tem mais cem anos pela frente.

Observando sua senhoria murmurar para o prédio envelhecido mais uma vez, Won esboçou um sorriso irônico.

— Ela existe há um pouco mais de tempo que você, sabia, dona Ivana — comentou.

A senhoria se virou e lançou a Won um olhar impassível ao perceber o sorriso provocador dele.

— E vai continuar existindo por muito mais tempo que você, rapazinho.

O sorriso de Won apenas se alargou, e ele se aproximou da senhora para depositar um beijo nos cabelos grisalhos dela.

— Desculpe o atraso. Aconteceu algo interessante hoje?

A velha bufou.

— Nada. O jantar está quase pronto. Vá se lavar.

Assentindo com a cabeça, Won seguiu até a porta nos fundos da cozinha que levava à escada de incêndio. A escada de incêndio era outro ponto onde o prédio mostrava sua idade. Mesmo para Won e suas pernas excepcionalmente longas, o ângulo íngreme dos degraus centenários era um desafio – quem dirá para a senhora Ivana e sua artrite. Felizmente, a idosa tinha um quarto no primeiro andar, atrás do café, enquanto Won morava no andar acima do dela.

Ele subiu rapidamente até o segundo andar, com a escada rangendo e fazendo seu nível de adrenalina subir, como sempre acontecia. Originalmente, ele morava no quinto andar, mas dona Ivana havia sofrido uma queda feia no inverno anterior, e ele trocou para um quarto mais próximo dela. Também passou a entrar pelo café para vê-la e avisar que havia chegado, em vez de usar a porta lateral que dava acesso às escadas comuns do prédio. Felizmente, desde então, a saúde da senhora Ivana tinha se mantido estável.

Ao chegar em seu quarto, Won trocou o terno por um suéter velho e um jeans surrado, examinando rapidamente o terno antes de pendurá-lo cuidadosamente no armário. Ele só tinha dois ternos, e não podia se dar ao luxo de substituí-los.

De volta ao andar de baixo, Won retornou para junto de dona Ivana.

— Posso ajudar com alguma coisa?

Os olhos da velha se ergueram para ele por um momento e depois voltaram a encarar a superfície da mesa.

— Pode pôr a mesa. E não esqueça de limpá-la primeiro.

Won pegou prontamente o pano úmido que Ivana lhe estendeu. Ele alugava o quarto com ela desde que chegou à Rússia e ajudava no café sempre que conseguia um tempo durante a faculdade de Direito. Tarefas banais como limpar mesas já se tornaram quase automáticas a essa altura, e ele ainda dava uma mão quando podia.

Demorou um tempo para a ríspida Ivana se afeiçoar a ele, mas eventualmente ela começou a dividir refeições e fazer pequenos favores para ele. Então, Won sabia que, por trás de toda a rabugice e implicância, Ivana realmente se importava com ele; ela o via como o neto que nunca teve, e Won a tratava como trataria sua avó de verdade. Os dois comiam juntos pelo menos duas vezes ao dia – três, quando Won conseguia.

Ele observou enquanto dona Ivana colocava uma panela grande sobre a mesa, com suas mãos enrugadas e ásperas.

— Shpik hoje? Parece ótimo.

Shpik era uma especialidade de Ivana e bem tradicional na Rússia, feito com pedaços de gordura de porco curada no sal, geralmente temperada com alho e pimenta. O prato aparecia na mesa pelo menos uma vez por semana.

A comida de Ivana era muito boa. Não que Won fosse reclamar se não fosse; ele nunca foi exigente com comida. Mas fazia questão de mostrar sua gratidão, sempre elogiando os pratos e limpando o prato em todas as refeições, em parte porque se importava muito com ela, mas também porque era uma pessoa gentil.

Como esperado, a única resposta de Ivana ao elogio de Won naquele dia foi colocar uma cesta de pão sobre a mesa e se sentar à sua frente, fechando os olhos e unindo as mãos. Won imediatamente a acompanhou.

— Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje…

Como muitos russos, Ivana seguia os ensinamentos da Igreja Ortodoxa. Won não tinha nenhuma inclinação religiosa específica e provavelmente se identificaria como ateu, se fosse pressionado. Mas ele jamais causaria sofrimento a uma senhora idosa que só queria fazer uma prece antes de comer. Não lhe custava nada respeitar as crenças dela.

Terminada a oração, Ivana começou a servir a comida.

— Como foi hoje? — perguntou ela.

A maioria dos casos que Won assumia envolvia pessoas sem muitos recursos para se defender – seja por falta de dinheiro ou de influência, muitas vezes ambos. Perder no tribunal era especialmente amargo por esse motivo, mas ele também não esperava muito além da gratidão quando ganhavam. Seu trabalho frequentemente acabava sendo pro bono, já que seus clientes não tinham como pagar. E hoje não foi diferente.

— Foi bem. Foi só a consulta inicial, mas acho que temos um bom caso para ela.

— Que bom.

— Ela não vai poder pagar muito, mas tudo bem.

Os olhos da velha brilharam.

— Claro que está tudo bem. Um homem que exerce a advocacia não deve fazê-lo por dinheiro.

“A vida das pessoas está em jogo.” Won já ouvira essa frase tantas vezes que sabia exatamente a próxima linha. Era exatamente o que Ivana dissera quando descobriu que ele era estudante de Direito, e isso nunca mudou.

Pegando uma segunda fatia de pão, Won apenas lhe deu um sorriso gentil.

Ivana empurrou silenciosamente uma tigela de salada de batata na direção dele ao vê-lo morder uma fatia de pão seco.

— Nikolai estava procurando você hoje.

Nikolai era o homem de meia-idade que morava no terceiro andar. Ele comandava uma pequena fábrica com a esposa; mas, recentemente, surgiram documentos alegando que ele não era o verdadeiro proprietário, e ele procurou Won em busca de ajuda.

— Vou subir até lá depois do jantar — disse ele com um aceno simples.

Ivana colocou um pouco da salada de batata em seu próprio prato. Após algumas mordidas e um silêncio pensativo, comentou:

— Esse caso não será fácil.

Em vez de responder, Won pegou mais um pedaço de shpik. Ele não queria preocupá-la.

Mas não se engana a intuição de uma senhora de oitenta anos, e Won sabia que não podia evitar o assunto para sempre.

— Amanhã vou até o escritório do conselheiro Zhdanov — disse. — Falar com ele pessoalmente.

Ivana desviou o olhar, comendo mais um pouco da salada em silêncio. Sentindo que ela estava prestes a começar a fazer perguntas, Won a interrompeu:

— Quer que eu prepare um chá? Ou vai ser Vodka hoje?

A velha o encarou em silêncio após a óbvia tentativa de mudar de assunto.

— Vodka hoje, acho — respondeu finalmente.

Levando consigo a louça usada, Won foi até a cozinha e trocou os pratos sujos por uma garrafa de Vodka meio cheia. Ao voltar, serviu um copo para Ivana e depositou outro beijo no topo da cabeça dela.

— Vou conversar com o senhor Kuznetsov. Desculpa não poder ajudar a limpar hoje.

Ivana apenas fez um gesto com a mão.

— Não se preocupe com isso. Você já fez o bastante por hoje.

Won lhe lançou um sorriso carinhoso e se dirigiu à escada de incêndio.

— Ei — chamou a velha bem quando ele abriu a porta. Ele se virou.

— Nada de fumar — disse ela, com um olhar severo.

Won congelou, e Ivana ergueu uma sobrancelha com imponência. Ele deu um sorriso sem graça e tirou do bolso uma caixa de cigarros amassada, pegando um fósforo da caixinha sobre o fogão e segurando-o entre os lábios em vez disso.

A boca de Ivana se curvou num sorriso irônico enquanto o observava sair. Balançando a cabeça, ela começou a limpar a mesa.

✦ ✦ ✦

O som ameaçador de passos pesados vinha à frente, pontuado por ofegantes suspiros de desespero conforme se aproximavam.

Ao redor, estendiam-se intermináveis fileiras de tijolos vermelhos, interrompidas apenas por becos minúsculos que perfuravam as linhas dos prédios — um labirinto de pedra deteriorada e sombras projetadas.

Não havia escapatória, ele já sabia disso, mas uma parte do seu subconsciente não permitia que parasse. O homem forçou mais uma lufada de ar para dentro dos pulmões e obrigou seu corpo exausto a se erguer de novo, uma consciência súbita inundando seu cérebro. Um último ato antes das convulsões da morte.

O beco escuro explodiu em som, e o homem fugiu pela rua estreita. A primeira bala passou assobiando por ele em sua corrida desesperada por segurança. O barulho terrível estava logo atrás, tornando-se impossivelmente alto.

Os últimos ecos distantes da confusão morreram antes de alcançar o final do beco.

No meio do silêncio além das ruas sinuosas, estava um carro preto, com os vidros fortemente escurecidos. O homem no banco de trás inspirou o cheiro familiar de couro e recostou-se em seu assento. Com calma, levou à boca um charuto meio fumado e aproveitou o aroma, a brasa ganhando um brilho quente enquanto ele inalava.

O charuto queimava lentamente, as camadas de cinza cedendo à gravidade. Pouco antes que fosse tarde demais, o homem se mexeu, movendo uma mão impassível sobre o cinzeiro, dando um leve toque no charuto. O charuto voltou para seu lugar entre os lábios do homem exatamente quando duas batidas firmes soaram na janela escurecida. O homem deu outra tragada.

A porta se abriu e outro homem entrou no banco de trás.

— Está feito.

O homem com o charuto não se moveu nem falou. A única indicação de que tinha ouvido o segundo homem foi um olhar oblíquo e penetrante, olhos cinza-prateados brilhando de forma assustadora na escuridão.

Silêncio.

Urikh fechou a boca de imediato, percebendo que estava desperdiçando o tempo do Czar, e esperou ansiosamente por uma resposta.

Caesar Aleksandrovich Sergeyev.

Filho único e herdeiro da família criminosa Sergeyev, ele havia sido preparado durante toda a vida para herdar uma das maiores organizações criminosas da Rússia. Como não seria, com um nome como Caesar? Embora o uso de seu nome de batismo fosse raro. A maioria apenas o chamava de Czar, a variante russa do termo imperador.

E, de fato, ele era o Imperador do Submundo. Comandava o Sindicato Sergeyev em tudo, exceto no nome – pelo menos até que seu pai, Sasha, finalmente se afastasse e Caesar assumisse oficialmente.

O homem também era tão enigmático quanto o mais profundo dos mistérios. Imperturbável em suas maneiras e em sua fala, Urikh jamais esperava conseguir adivinhar o que Caesar estava pensando, apesar de ser um dos seus confidentes mais próximos – algo que atribuía à rígida criação de Caesar.

Caesar deu uma tragada profunda em seu charuto e soltou uma nuvem preguiçosa de fumaça, ainda completamente em silêncio e olhando para a frente.

Urikh estudava seu perfil, desejando ter alguma pista do que Caesar estava pensando, mas tudo o que podia fazer era esperar até que o Czar se dignasse a dar uma resposta.

“Deveríamos tê-lo deixado vivo? Não, trair a irmandade é imperdoável. Mas… não, se ele quisesse fazer outra coisa com o dedo-duro, teria dito. Por que ele não diz nada?”

Caesar tragava o charuto, saboreando o gosto da fumaça, indiferente à ansiedade de Urikh.

Um silêncio opressivo preenchia o banco de trás do carro. Só foi quebrado quando o último pedaço do charuto se consumiu e Caesar disse:

— Nada de bom vem de conversa inútil.

Urikh teve que conter um arrepio. O comentário parecia atingir diretamente suas inseguranças anteriores e, ao mesmo tempo, fazia alusão a delatores. Ele assentiu levemente, indicando que compreendia.

Caesar largou a bituca do charuto no cinzeiro e bateu na janela ao lado para sinalizar ao motorista. Quase imediatamente, a porta da frente se abriu e o motorista entrou. Quando o carro deu partida, uma divisória espessa se ergueu para separar os bancos da frente e de trás.

Assim que a privacidade foi garantida, Caesar perguntou:

— O problema de Zhdanov foi resolvido?

Sua voz baixa mal era audível, o tom indecifrável, mas Urikh respondeu imediatamente:

— Em breve. Surgiram alguns pequenos contratempos, mas nada que não

esperássemos. Não vai demorar.

— Já demorou demais.

— Desculpe, — disse Urikh nervoso. — Houve algumas… complicações imprevistas atrapalhando nosso progresso. O homem, Kuznetsov, parece achar que pode ganhar tempo, mas nós…

— Que complicações imprevistas? — exigiu Caesar.

Urikh empalideceu.

— O advogado, — forçou-se a dizer.

O carro passou sob um poste de luz. O cabelo branco-platinado de Caesar brilhou de maneira sobrenatural, enquanto sombras profundas acentuavam ainda mais sua expressão carregada.

— Que advogado?

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

Ler Roses And Champagne (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.

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