Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) – Capítulo 44 Online

❀ 7 Minutes Of Heaven 1
Adeus, Windcrest
O tempo voou rápido e muitas coisas mudaram.
O vídeo de transformação de Jeong-in viralizou, criando um impacto muito maior do que o esperado. O canal no YouTube e as redes sociais de Vivian Sinclair explodiram em popularidade. Seu número de seguidores ultrapassou facilmente um milhão e cresceu exponencialmente, com várias marcas correndo para oferecer colaborações e patrocínios. Ela não era mais apenas uma figura popular local, mas havia se tornado a megainfluenciadora que sempre desejou ser.
Madison Wilkes, que aguardou ansiosamente os resultados após ficar na lista de espera, foi finalmente aceita na Universidade de Syracuse, como desejava. Ela gravou o momento em que recebeu o e-mail de aceitação e postou um vídeo gritando de alegria com Vivian nas redes sociais. Jeong-in curtiu o post dela secretamente.
Darius Thompson e Alex Martinez receberam bolsas de estudo de futebol americano para frequentar a USC. Darius deu a Jeong-in uma caneta-tinteiro bastante cara com uma mensagem de gratidão curta, mas sincera, escrita com uma caligrafia rústica, dizendo que, sem Jeong-in, ele poderia ter reprovado em matemática e teria que passar mais um ano na escola.
Brian Cole foi para a Universidade de Miami. Ele manteve segredo sobre sua escolha de faculdade até o fim, mas parecia que queria ficar bem longe de casa. Aqueles que sabiam sobre o processo de divórcio conturbado de seus pais entenderam sua escolha.
Nem todos foram para a faculdade. Max Schneider decidiu não frequentar a universidade e, em vez disso, aprender diretamente com seu pai, que administrava uma oficina mecânica.
Os membros da Sociedade de Elite da Matemática, que compartilhavam o amor pelos números, também seguiram caminhos diferentes. Justin foi aceito no MIT, Rajesh na Caltech, e a maioria dos outros foi para escolas de prestígio em STEM, como Berkeley e Georgia Tech.
O dia da formatura por acaso caiu no aniversário de Jeong-in.
Em uma manhã de junho com sol morno. O céu estava límpido e uma brisa fresca de verão soprava suavemente pelo gramado. O ar estava cheio do perfume de rosas desabrochando e da excitação da formatura.
Os alunos formandos se reuniram em frente ao palco montado no campo, vestindo becas pretas. As borlas douradas em seus capelos balançavam suavemente com a brisa. Eles tiravam fotos em pequenos grupos, e alguns já estavam com os olhos avermelhados.
Jeong-in sentou-se na primeira fila ao lado de Chase. Ao contrário dos outros, ele tinha uma faixa vermelha sobre o ombro.
Jeong-in havia sido selecionado como o orador da turma (valedictorian) deste ano. Esta honra era concedida ao aluno com o maior desempenho acadêmico da turma de formandos. Embora suas notas não tivessem atingido as expectativas no ensino fundamental devido ao seu inglês limitado, este ano ele alcançou o GPA mais alto de Windcrest.
— Por favor, todos ocupem seus lugares. A cerimônia de formatura começará em breve!
Seguindo as instruções do locutor, os alunos começaram a se sentar um a um.
Após o discurso trivial do diretor, vários prêmios especiais e bolsas de estudo foram apresentados. Aplausos explodiam cada vez que um destinatário subia ao palco, e alguns limpavam lágrimas de emoção.
Finalmente, a vez de Jeong-in se aproximou. O locutor pegou o microfone novamente e apresentou o orador da turma deste ano.
— Agora, ouviremos o orador da turma de 20** da Windcrest High School, Jay Lim.
Jeong-in respirou fundo por um instante, como se para acalmar os nervos, e então se levantou lentamente. Aplausos eclodiram ao seu redor, e Chase o viu partir com um sorriso gentil. Seus olhos estavam cheios de orgulho e incentivo enquanto olhava para Jeong-in.
Parado no pódio, Jeong-in olhou para o campo. Os alunos formandos sentavam-se nas cadeiras à frente e, atrás deles, estavam familiares e amigos que vieram para celebrar. Entre o público, ele também pôde avistar Suzy.
Controlando as emoções avassaladoras que surgiam em seu coração, Jeong-in começou a falar ao microfone.
— Olá. Eu sou o orador da turma deste ano, Jay Lim.
Outra rodada de aplausos seguiu-se à breve saudação. Jeong-in respirou um pouco e começou sua história.
— Tentei encontrar a palavra certa para descrever minha experiência no ensino médio nos últimos quatro anos. Mas não importa o quanto eu pensasse sobre isso, não consegui encontrar uma palavra que se encaixasse perfeitamente. Nada parecia apropriado.
Jeong-in olhou para o público e continuou calmamente.
— Houve dias em que tive raiva e dias em que tive medo. Houve muitos momentos em que me culpei por não ser forte o suficiente, e dias em que apenas passar por cada dia era esmagador.
A voz de Jeong-in fluía suavemente pelo gramado.
Os anos de adolescência de Jeong-in como um imigrante que chegou em uma idade relativamente tardia não haviam sido fáceis. O idioma, a cultura, os olhares das pessoas — tudo era estranho e pesado. Jeong-in sempre sentia que estava ficando para trás e, às vezes, isso lhe causava uma ansiedade insuportável.
— O que eu fazia quando as coisas estavam difíceis era, constrangedoramente, odiar os outros. O grupo popular, as pessoas descoladas, bonitas e estilosas. Era simplesmente mais fácil ignorá-los e odiá-los. Embora seja tarde, ofereço minhas mais profundas desculpas, Vivian Sinclair.
Risadas explodiram pelo campo. Vivian, sentada em algum lugar no meio, também soltou uma risadinha.
Embora ele tenha dito isso como uma piada, tudo o que Jeong-in estava dizendo era verdade. Por esses motivos, ele havia formado o Clube do Ódio ao Chase com Justin e criado o livro de queixas deles.
— Mas então, apareceu alguém que destruiu meus preconceitos e minha arrogância. E percebi que cada um tem suas próprias circunstâncias.
Todos carregavam seu próprio peso.
Atletas, líderes de torcida — cada um tinha suas próprias dificuldades, e até mesmo o aparentemente perfeito Chase Prescott tinha suas próprias falhas e preocupações.
— Todos nós entendemos mal e somos mal compreendidos pelos outros. Mas com apenas um pouco de compreensão, você pode criar conexões incríveis. Se tiver sorte, pode até encontrar um amigo para a vida toda…
O olhar de Jeong-in voltou-se naturalmente para Justin. Quando seus olhos se encontraram, Justin sorriu e fez um sinal de positivo.
— Ou pode até encontrar um amor. Acreditem em mim. Eu experimentei de tudo.
Desta vez, Jeong-in olhou para Chase. Assobios ecoaram da multidão.
— Lim! Prescott! Casem-se!
A voz travessa de Max causou outra onda de risadas entre os alunos.
— Agora estamos prontos para entrar em um mundo maior.
Ao dizer isso, Jeong-in olhou para os rostos dos formandos abaixo do pódio. Expressões que misturavam antecipação, excitação e um toque de medo eram visíveis.
— Viveremos momentos incrivelmente felizes e momentos de fundo do poço. Só há uma coisa que precisamos fazer daqui para frente.
Jeong-in fez uma pausa deliberada. O campo estava quieto, e todos esperavam por suas próximas palavras.
Jeong-in falou com voz clara:
— Mesmo se cairmos, nós nos levantamos. E continuamos caminhando. Então, vamos caminhar juntos. Turma de 20** da Windcrest! Parabéns pela formatura!
Aplausos eclodiram. O som das palmas cresceu e, eventualmente, transformou-se em vivas estrondosos.
Finalmente, seguiu-se a cerimônia de entrega dos diplomas.
— Jeong-in. Jay Lim.
Quando Jeong-in, ao ser chamado, subiu ao pódio, o diretor Ethan Smith lhe entregou o diploma com um sorriso gentil. Ele também havia escrito uma carta de recomendação elogiando a perseverança, a ambição, a curiosidade intelectual e o espírito competitivo de Jeong-in.
— Parabéns.
O diretor Smith estendeu a mão e moveu a borla no capelo de Jeong-in da direita para a esquerda. Mover a borla, que ficava posicionada à direita antes da formatura, para a esquerda era uma tradição das cerimônias de formatura das escolas americanas.
— Formandos! Parabéns a todos vocês!
Os alunos vibraram e jogaram seus capelos para o alto. Uma onda de chapéus pretos voou em direção ao céu azul.
E assim, a cerimônia de formatura terminou em uma atmosfera calorosa e emocionante.
Os alunos se dispersaram em direção às suas famílias, e uma cena de risos e lágrimas misturados se desenrolou. Entre os alunos abraçando seus pais enquanto seguravam as pastas de seus diplomas, Justin podia ser visto nos braços de seus pais.
Olhando para aquela cena, Jeong-in virou a cabeça lentamente. Quando seus olhos se encontraram, Chase sorriu.
Hoje, os pais de Chase não vieram. Ele havia dito que seu pai estava em Nova York e sua mãe na Suíça para a Art Basel. Chase parecia não se importar, o que, na verdade, fazia o coração de Jeong-in doer ainda mais.
Jeong-in segurou suavemente a mão de Chase. Chase olhou para baixo surpreso por um momento, depois envolveu lentamente a mão de Jeong-in com a sua.
Sem soltarem as mãos, Jeong-in caminhou até Suzy. Suzy cumprimentou os dois com um sorriso caloroso. Ela abraçou primeiro Jeong-in, depois Chase. As três sombras projetavam-se lado a lado no gramado.
Após a formatura, a maioria dos alunos costumava jantar em restaurantes com os pais ou realizar pequenas festas de celebração em casa com a família. Alguns também faziam festas de formatura com os amigos.
Chase perguntou cuidadosamente a Suzy:
— Teria problema se eu pegasse seu filho “emprestado” hoje?
Seu tom era levemente brincalhão, mas seus olhos estavam sérios.
Suzy soltou uma risadinha. Então, após olhar alternadamente para Jeong-in e Chase por um momento, ela assentiu levemente.
— Vá em frente.
Mas então, ela olhou para os dois com um olhar mais sério.
— Estou tão orgulhosa de vocês dois. Vocês se saíram maravilhosamente bem.
Sua voz estava carregada de uma emoção profunda. Ela se lembrava de Jeong-in quando imigraram pela primeira vez. O jovem Jeong-in tentando se adaptar em uma língua e ambiente estranhos. A memória daquele garoto que gastava seu dicionário de inglês todas as noites e que agora vestia orgulhosamente sua beca de formatura, fazendo um discurso como orador da turma.
Suzy limpou as lágrimas que se acumularam nos cantos dos olhos, e Jeong-in a abraçou com força. No abraço do agora crescido Jeong-in, Suzy exalou lentamente. A luz do sol pousando em seus ombros envolvia os dois gentilmente.
— Estou orgulhosa de você, meu filho. Tenha o melhor dos aniversários.
Após se despedirem de Suzy, Jeong-in e Chase caminharam em direção ao prédio para devolver seus capelos e becas. Perto da área de devolução, os formandos já haviam se reunido, cada um ocupado registrando seus momentos finais.
Vivian e Madison também estavam lá. Elas posavam com as becas abertas, exibindo os belos vestidos que usavam por baixo. Parecia que pretendiam tirar o máximo de fotos possível antes de devolver as vestes.
Madison avistou os dois e acenou alegremente.
— Jay! Chase!
Vivian fingiu não notar e desviou o olhar. Mas ela não conseguia esconder o fato de que estava ciente da presença deles, lançando olhares de soslaio.
— Querem tirar fotos juntos antes de devolver as becas?
— Claro.
Jeong-in, que respondeu sem hesitar, puxou a mão de Chase. Justo quando estavam indo para trás de Vivian e Madison, um som barulhento foi ouvido de longe.
— Ei! Parados aí!
— Estão tirando fotos sem a gente?
Com vozes familiares, figuras grandes aproximaram-se correndo. Eram os jogadores do time principal de futebol americano: Darius Thompson, Brian Cole, Alex Martinez e Max Schneider. Uma energia atlética única emanava de seus ombros robustos, visíveis por cima das becas de formatura.
Como se não quisessem perder a oportunidade de estar na foto, aproximaram-se com passos largos e posicionaram-se em ambos os lados dos quatro que estavam posando.
— Uma selfie não vai funcionar. Não vamos caber todos no enquadramento.
Enquanto Vivian estalava os dedos, seu empresário, que aguardava, aproximou-se e ergueu a câmera.
Naquele momento, Chase notou Justin ao longe, olhando para eles com inveja. Justin estava mexendo na bainha de sua beca, parado com uma expressão sem jeito. Chase colocou os dedos na boca e assobiou.
— Ei! Just! Venha aqui, vamos tirar uma foto juntos!
Justin hesitou, mas não recusou, aproximando-se sutilmente. Quando ele entrou cautelosamente no grupo, Max Schneider naturalmente estendeu o punho. Justin o cumprimentou com um leve toque de punhos. Era uma amizade formada à base de dumplings.
O empresário de Vivian segurou a câmera, ajustando a composição, e disse:
— Ok, vou tirar a foto. Quando eu contar até três, digam “Windcrest”.
Todos naturalmente fizeram uma pose.
Vivian e Madison se ajoelharam e se inclinaram levemente. Justin, em pé ao lado delas, parecia muito nervoso, mas fez um sinal de “V” com os dedos e sorriu. Sua expressão carregava um pouco de constrangimento misturado a uma excitação estranha. Talvez fosse pelo pressentimento de que aquela foto ao lado de Vivian Sinclair continuaria sendo uma lembrança preciosa por muito tempo.
Darius e Max faziam poses brincalhonas, enquanto Brian sorria com confiança. Madison fez um coração com os dedos e sorriu de forma fofa.
Chase colocou o braço sobre o ombro de Jeong-in, e Jeong-in inclinou-se levemente contra o braço dele, com um sorriso radiante no rosto.
— Tudo bem, tirando a foto! Um, dois, três.
Naquele momento, todos gritaram em uníssono:
— Windcrest!
22. Marca de amor
Os raios de sol pintavam o céu com um tom alaranjado quente enquanto Jeong-in e Chase se dirigiam ao estacionamento após tirarem as fotos e devolverem suas becas e capelos.
O estacionamento já estava lotado de gente. O som de alunos e famílias trocando despedidas finais criava um sentimento peculiar de nostalgia no ar.
Chase sentou-se naturalmente no banco do motorista e lançou um olhar para Jeong-in, que se acomodou no banco do passageiro. Ele havia colocado sua costumeira mochila preta sobre os joelhos.
Embora Jeong-in geralmente carregasse um livro ou caderno de exercícios consigo, hoje sua bolsa parecia estranhamente pesada. Chase se perguntou o que ele teria guardado com tanto afinco, já que o semestre já havia terminado. Dando a partida no motor, ele perguntou casualmente:
— Por que a mochila?
— Por nada.
Jeong-in abraçou a mochila com força e voltou o olhar para a janela. Embora falasse como se não fosse nada, havia um leve tremor em sua voz sugerindo que estava escondendo algo.
Chase segurou o volante e começou a dirigir enquanto perguntava:
— O que tem de tão precioso aí dentro? Seu livro da vergonha?
Jeong-in estremeceu e encarou Chase antes de abrir um sorriso. Suas palavras o lembraram subitamente de um dia no passado, o dia em que descobriu que Chase tinha seu livro de queixas. Como ele havia tremido de medo naquele dia.
Observando os arredores, Jeong-in percebeu tardiamente que o carro de Chase estava indo em direção à Bradshaw Street em vez da Palm Grove Drive. Aquela não era a direção habitual deles.
— Para onde estamos indo, a propósito?
— Para minha casa.
Jeong-in não havia visitado a casa de Chase muitas vezes.
Primeiro, o próprio Chase não gostava particularmente de seu próprio lar, e Jeong-in também achava o lugar um tanto desconfortável.
Naquele lugar excessivamente luxuoso, ele sentia que não podia relaxar casualmente ou simplesmente se reclinar e descansar. O espaço, onde nem um único móvel ou decoração era colocado sem cuidado, parecia limpo ao ponto de ser frio e seco. Era tão perfeito que parecia mais um showroom do que um espaço de convivência.
Além disso, a casa tinha muitos funcionários, desde o mordomo que gerenciava a mansão até o chef pessoal, o jardineiro e as governantas. Embora Chase insistisse que estava tudo bem, Jeong-in sentia que teria que estar sempre consciente dos olhares das pessoas, mesmo dentro de casa.
O lugar onde os dois costumavam ficar grudados como chiclete era na pequena cama de solteiro de Jeong-in, em seu quarto modesto.
Sem uma única reclamação sobre a estreiteza, Chase se encolhia e ficava deitado na pequena cama de Jeong-in por horas. Ele dizia que gostava de como o quarto, que cheirava a Jeong-in, parecia abraçá-lo. Por isso, Jeong-in achou estranho que Chase estivesse sugerindo irem para a casa dele agora.
Logo, o conversível prata, que vinha dirigindo pela Bellevue Boulevard, entrou na Crestview Drive.
O cenário que passava pela janela já estava tingido pelo pôr do sol. O céu ardia com uma luz laranja suave, e as palmeiras balançavam sob ele. O mar distante brilhava sob a luz da tarde. O vermelho que se espalhava sobre as ondas parecia infiltrar-se na areia da praia.
O carro de Chase contornou a última curva da Crestview Drive e parou em frente ao portão da mansão. O portão de ferro preto abriu-se automaticamente, revelando uma entrada de garagem perfeitamente organizada. Árvores de jardim cresciam densas em ambos os lados, e as luzes externas começavam a se acender aqui e ali.
Ao entrar no prédio principal, o mordomo, que eles já haviam encontrado várias vezes, os cumprimentou. Chase, que o havia avisado para não se aproximar da casa de hóspedes, caminhou com passos decididos. Os dois passaram pelo corredor familiar do prédio principal, pela piscina espaçosa e seguiram em direção à casa de hóspedes.
A sala de estar da casa de hóspedes, que tinha um toque um pouco mais habitado do que o prédio principal, possuía sofás macios. Justo quando Jeong-in estava prestes a se sentar em um deles, Chase o chamou.
— Deixe a mochila aí e venha aqui, Jeong-in.
Hesitando enquanto abraçava a mochila como se ela contivesse um tesouro, Jeong-in a colocou gentilmente no sofá e aproximou-se de Chase.
Chase parou atrás de Jeong-in. E, sem qualquer aviso, ergueu uma mão e cobriu os olhos dele.
— Não abra os olhos.
Chase guiou Jeong-in cuidadosamente para algum lugar. Parecia aquela noite em que foram ver a vista noturna após a competição de matemática.
A sensação sob os pés de Jeong-in mudou. A princípio, era um piso de mármore sólido, mas de repente pareceu macio e felpudo.
— Tudo bem, abra os olhos.
Chase removeu a mão que cobria os olhos de Jeong-in. Quando ele finalmente os abriu, o rosto de Jeong-in se encheu de surpresa e emoção.
Um cinema particular para dois fora montado no meio do gramado.
Um grande tecido branco pendurado entre dois largos postes de madeira balançava suavemente ao vento e, à frente dele, havia um tapete de piquenique espaçoso. Várias almofadas e um cobertor grosso foram colocados sobre o tapete, tornando-o aconchegante à primeira vista.
E, além da tela deste cinema, havia uma vista aberta para o mar. O brilho da tarde desaparecia gradualmente, e o céu avermelhado se espalhava sobre o oceano. Uma brisa marinha suave bagunçou levemente o cabelo de Jeong-in ao passar.
Jeong-in ajeitou o cabelo com os dedos enquanto saboreava a cena romântica diante de si. Este era outro mundo criado por Chase. Apenas para os dois.
Ele olhou lentamente ao redor da cena e depois voltou-se para Chase, que estava ao seu lado. Chase ainda exibia um sorriso gentil.
— Você gostou?
A voz de Chase ressoou profundamente. Jeong-in assentiu em silêncio. Ele mais do que gostou; seu coração estava transbordando.
— Espere aqui por um momento. Vamos jantar primeiro.
— Jantar?
Jeong-in piscou diante da declaração inesperada. Mas Chase apenas assentiu significativamente, como se tivesse algo preparado.
Enquanto Chase se dirigia à casa de hóspedes, Jeong-in pisou cuidadosamente no tapete de piquenique. Quando ele se inclinou levemente contra a almofada bean bag colocada no tapete, ela envolveu seu corpo suavemente. Era muito mais confortável do que o esperado.
Jeong-in fechou os olhos silenciosamente.
Uma brisa fresca roçou sua pele. À medida que a noite avançava, o ar ficava um pouco mais frio, mas não de forma desconfortável. Cantos de pássaros podiam ser ouvidos de algum lugar. As ondas da piscina perto da casa de hóspedes faziam um som suave.
Quantos minutos haviam se passado? Com um ruído vindo de trás, Chase apareceu. Em uma mão, ele segurava duas taças e, na outra, carregava um grande balde de gelo.
— Vamos começar com um aperitivo.
Ele tirou uma garrafa do balde de gelo. Uma garrafa verde cintilante. Embora não tivesse olhado o rótulo, claramente parecia um champanhe caro. Chase habilmente abriu a garrafa e encheu a taça de Jeong-in primeiro.
O líquido dourado girou e ondulou. Bolhas finas subiram suavemente na taça.
Chase encheu sua própria taça também e a ergueu levemente.
— Feliz aniversário.
As duas taças se encontraram com um som límpido e bonito. Jeong-in encostou os lábios na borda do cristal fino e tomou um gole lento.
A princípio, a efervescência leve fez cócegas na ponta de sua língua. Mas logo, uma acidez agradável foi sentida. O aroma de uva espalhou-se suavemente, com um toque de fruta como maçã ou pera. Tinha um sabor limpo, porém profundo. Jeong-in segurou a taça, saboreando momentaneamente o gosto residual em sua boca.
— Está delicioso.
— Sério? Fico feliz.
Uma alegria e surpresa inesperadas espalharam-se pelo rosto de Jeong-in. Talvez ele fosse bom com álcool, afinal. Ele poderia até passar a gostar disso mais tarde.
Chase pousou a taça e levantou-se. Ele voltou para dentro da casa de hóspedes e reapareceu alguns minutos depois, desta vez carregando uma bandeja grande com alças em ambos os lados.
Na bandeja, havia um mac and cheese fumegante. O queijo brilhava, derretido e úmido, com uma cobertura levemente dourada sobre a superfície.
Os olhos de Jeong-in se arregalaram enquanto ele perguntava:
— Foi você quem fez isso?
— Bem, não exatamente… mas eu mesmo esquentei.
Jeong-in caiu na gargalhada. Chase estendeu o garfo em direção a Jeong-in com orgulho enquanto acrescentava:
— Olhe aqui, eu mesmo polvilhei a salsa. Está vendo esse formato de coração perfeito? Qualidade de estrela Michelin, não é?
— De jeito nenhum.
Chase encarou intensamente Jeong-in, que sorria abertamente com os olhos semicerrados, e então falou em um tom mais sério:
— No seu próximo aniversário, eu vou te fazer uma refeição caseira de verdade.
Para Jeong-in, aquelas palavras soaram como uma confissão de que eles passariam o próximo aniversário juntos também.
Jeong-in pegou um garfo e deu uma grande mordida no mac and cheese que Chase alegava ter aquecido sozinho. A massa quente e o queijo derretido preencheram sua boca. O molho cremoso era saboroso, com um sabor profundo, e cada mordida na cobertura crocante trazia uma leve nota de nozes. O gosto, quente e rico, parecia muito mais impressionante do que qualquer coisa comprada pronta.
Chase abriu a boca como se pedisse para ser alimentado. Quando Jeong-in pegou um pouco de massa e queijo com o garfo e ofereceu a ele, ele comeu com uma expressão extremamente satisfeita.
Após terminarem a tigela, Chase voltou à casa de hóspedes e retornou com pipoca que cheirava fortemente a manteiga. Então, usou o controle remoto para iniciar um filme.
A luz jorrou do projetor montado atrás do tapete de piquenique, projetando uma imagem nítida em preto e branco no grande tecido branco.
Jeong-in perguntou enquanto mastigava:
— A propósito, qual é o título do filme?
— Night and the City.
— Nunca ouvi falar.
— Na verdade, eu também não. Perguntei à Siri. Disse que precisava da recomendação de um filme em preto e branco que parecesse impressionante para assistir com meu namorado.
Jeong-in caiu no riso com a honestidade dele.
O filme começou com as ruas escuras e úmidas de Londres à noite, o piscar instável dos postes de luz e um homem fugindo freneticamente de algum lugar. Enquanto Jeong-in assistia ao filme, ocasionalmente levando pipoca à boca, avistou um rosto familiar na tela.
— Oh? Aquela é Gene Tierney.
— Você a conhece?
O rosto com um sorriso elegante tingido por uma frieza sutil não era estranho. Gene Tierney era uma atriz belíssima, mas que possuía uma aura inacessível. Jeong-in certa vez dissera a Justin que a mãe de Chase se parecia com Gene Tierney ao descrever sua aparência.
— Ela não se parece com a sua mãe? Na verdade, eu já a conheci, a sua mãe.
Jeong-in contou a Chase sobre a primeira vez que encontrou Lillian. No dia de um evento de caridade, Jeong-in a ajudara a se equilibrar enquanto ela cambaleava embriagada e a escoltara até o escritório.
A expressão de Chase escureceu gradualmente enquanto ouvia a história.
— …Minha mãe tem problemas.
Lillian já sofrera de uma dependência severa de álcool. Tinha melhorado um pouco agora, mas no passado fora tão sério que ela não conseguia funcionar na vida diária e chegara a ser internada em um centro de reabilitação no Arizona. É claro que, publicamente, diziam que ela tinha ido viajar pela Europa.
— Ainda assim, minha mãe é melhor que meu pai. Pelo menos ela não me vê como uma ferramenta.
Jeong-in olhou silenciosamente para Chase.
Assim como estava escrito no contrato no guardanapo do Sallis Diner, Chase não guardava segredos de Jeong-in. Ele sabia o que tinha acontecido entre Chase e seu pai. Também sentia vagamente que o pai de Chase sabia sobre ele e que, algum dia, teria que enfrentá-lo.
Chase tinha tudo, mas muitas vezes olhava para ele com os olhos do homem mais pobre do mundo. Jeong-in queria abraçar esse Chase e as feridas das quais ele nunca falava. E se algum dia tivesse que lutar por sua felicidade, fosse contra o pai dele, o presidente ou o papa, Jeong-in não tinha a menor intenção de perder.
— Uau, esse conteúdo foi mais pesado do que eu esperava.
O filme era sobre um vigarista que perseguia ilusões, perdia o amor e era levado ao limite. A história terminava com seu corpo assassinado sendo jogado no rio.
Durante todo o filme, Chase esteve brincando distraidamente com a mão e o pulso de Jeong-in.
— Eu ainda assim gostei.
As grandes letras “The End” apareceram na tela e, logo, o projetor se desligou. Quando a luz desapareceu da tela, tudo escureceu imediatamente. O pôr do sol já havia desvanecido e o céu estava tingido de um azul-marinho profundo.
Jeong-in espreguiçou os braços levemente. Naquele momento, sentiu uma sensação estranha em seu pulso. Olhando instintivamente para baixo devido ao toque metálico frio, ele viu seu pulso.
Havia uma pulseira intrincadamente trabalhada. No centro, pendia um pingente com o símbolo do infinito, simbolizando a eternidade, e a corrente da pulseira era densamente conectada com pequenas contas de ônix preto.
— Oh? Isso é…
— Feliz aniversário, Jeong-in.
Chase sussurrou os parabéns mais uma vez.
Ele abraçou Jeong-in totalmente e o beijou profundamente. Mordeu gentilmente seus lábios pequenos, depois os sugou suavemente, ocasionalmente roçando a membrana sensível dentro de seus lábios com os dentes.
Suas respirações quentes se misturaram. Quando os lábios de Jeong-in se abriram um pouco, Chase deslizou suavemente a língua para dentro. As duas línguas se encontrando naquele espaço estreito se entrelaçaram gentilmente, depois se separaram, repetidamente. Os lábios pressionados finalmente se afastaram com um som úmido após um longo tempo.
Jeong-in parou Chase quando ele inclinou a cabeça para o lado oposto e se aproximou novamente após se afastar brevemente.
— Ei, Chase.
— Sim. — Chase respondeu suavemente e inclinou-se novamente. Mas Jeong-in moveu o corpo um pouco para trás, evitando seus lábios.
— Você poderia pegar minha mochila para mim?
Com as palavras de Jeong-in, Chase deu-lhe mais um beijo rápido, como se estivesse relutante, e então levantou-se a contragosto. Quando voltou pouco depois, estava segurando a mochila de Jeong-in.
Jeong-in pegou a mochila com tanto cuidado como se contivesse explosivos. Então, a estendeu para Chase.
— Abra.
— Hein? — Chase inclinou a cabeça, curioso. — Por quê? Você é quem faz aniversário. Tem um presente para mim aqui dentro?
Jeong-in não respondeu.
Chase lançou um olhar para Jeong-in antes de olhar para a mochila. Ele deu de ombros e abriu o zíper casualmente.
Após olhar brevemente para dentro da mochila aberta, ele fechou o zíper às pressas. Então, virou a cabeça de um lado para o outro, verificando os arredores. Seu rosto, pálido, era uma visão e tanto. Sua expressão mostrava que ele não conseguia acreditar no que acabara de ver.
Chase abriu a mochila mais uma vez para espiar o interior, como se não pudesse confiar nos próprios olhos mesmo após vê-lo diretamente.
Dentro da mochila de Jeong-in havia um monte de vários lubrificantes, cremes e preservativos com frases publicitárias embaraçosamente explícitas. Os preservativos pareciam vir em todos os tamanhos e tipos, como se ele estivesse planejando gravar um vídeo de resenha.
Chase estendeu a mão distraidamente e pegou um recipiente de plástico cheio de líquido transparente. A embalagem tinha um slogan confiante escrito em letras grandes.
— “A escolha definitiva para uma noite de êxtase”…?
— Eu não sabia do que precisaríamos, então comprei um de cada tipo. Gastei semanas da minha mesada.
— Jeong-in… isso é… tão repentino…
Chase encarou Jeong-in com uma expressão atordoada, segurando a caixa de lubrificante em uma mão. Jeong-in baixou os olhos ligeiramente, como se estivesse prestes a dizer algo sugestivo e ousado.
— Sabe de uma coisa? Agora eu já posso votar na eleição presidencial.
Thud, o lubrificante que Chase segurava caiu no chão. Chase falou como se estivesse em transe:
— …Meu Deus, essa é a coisa mais sexy que eu já ouvi.
Jeong-in aproximou-se de Chase sobre as mãos e os joelhos, como um gato. Então, empurrou os ombros de Chase. Chase, perdendo o equilíbrio e inclinando-se para trás, apoiou-se com um cotovelo no chão.
Jeong-in continuou, olhando para Chase como se estivesse prestes a dizer algo incrivelmente provocativo:
— Agora eu posso ser processado como um adulto sob a lei criminal.
— Você está tentando me enlouquecer? Pare agora mesmo, Jeong-in.
Tornando-se mais audacioso, Jeong-in montou nas coxas de Chase.
— Eu posso me casar legalmente sem o consentimento dos meus pais.
Chase encarou Jeong-in, paralisado como uma estátua. De repente, os ombros de Jeong-in estremeceram levemente. Embora Chase estivesse completamente imóvel, algo se movia debaixo dele. Jeong-in sentiu a dureza inconfundível sob seu corpo. Era como estar sentado sobre o Kraken, o lendário monstro marinho dos filmes de ficção científica.
Ele já havia sentido aquilo contra seu corpo algumas vezes antes, quando estavam se beijando na cama, mas estivera em negação. A mesma coisa que o fizera confundir Chase com um contrabandista de baguetes.
Embora estivesse se preparando mentalmente, pensando que não seria algo comum, ele não conseguia evitar a ansiedade. Mas ele ainda tinha mais algumas falas preparadas.
— Eu posso assinar contratos de aluguel e declarar meus próprios impostos sozinho…
— Ah, pare, Jeong-in. Eu não aguento mais.
Chase levantou-se subitamente, ainda segurando Jeong-in, que estava sentado sobre ele. Assustado por ser erguido no ar tão rapidamente, Jeong-in envolveu o pescoço dele reflexivamente com os braços.
Carregando Jeong-in sem esforço, Chase moveu-se sem hesitação. Ele se dirigiu ao seu quarto, onde uma cama grande estava posicionada.
A mão de Chase apoiou cuidadosamente a nuca de Jeong-in. Sua mão grande o amparou desde o pescoço até a parte de trás da cabeça, como se estivesse deitando um bebê. Logo, o colchão moderadamente macio tocou as costas de Jeong-in, junto com a sensação fresca do linho.
Chase, que se apoiava com os braços e joelhos ao redor do corpo de Jeong-in, inseriu um joelho entre as coxas dele e as afastou para criar espaço. Então, posicionou-se entre suas pernas abertas.
As coxas de Jeong-in se separaram, e as de Chase tocaram a parte interna delas. Comparadas às coxas substanciais de Chase, as de Jeong-in pareciam antebraços.
À medida que Chase se aproximava, a parte inferior de seus corpos se pressionava. Chase usava uma camisa e jeans pretos. Mesmo através do tecido grosso e rígido de suas calças, Jeong-in podia sentir claramente algo pesado pressionando sua virilha.
O olhar de Chase repousou nos fios finos na borda da testa de Jeong-in. Mechas finas de cabelo estavam grudadas em sua testa levemente brilhante, úmida de suor nervoso.
— Você está com calor?
— Não… apenas nervoso.
Chase sorriu como se o achasse fofo e alisou seu cabelo.
— Vai ficar tudo bem.
Chase tentou tranquilizar Jeong-in com um sorriso, mas não surtiu muito efeito.
Jeong-in ainda não conhecia as preferências sexuais deste homem com quem namorava há mais de um ano. Ele seria gentil ou bruto? Ele ouvira dizer que algumas pessoas de repente sufocam, xingam ou batem em seus parceiros; certamente ele não tinha esse tipo de desejo sexual incomum?
— Jeong-in, foque.
Chase tocou a testa de Jeong-in com o dedo indicador, parecendo divertido por ele estar perdido em pensamentos mesmo naquela situação. Então, acariciando suavemente sua bochecha, deixou um aviso doce:
— Logo você não conseguirá pensar em mais nada.
Chase, prendendo o corpo de Jeong-in entre seus braços como se fossem amarras, baixou a cabeça novamente. Então, como se estivesse saboreando um sorvete, mordeu gentilmente os lábios de Jeong-in e os sugou suavemente.
Beijá-lo era sempre inebriante. Ao assistir a programas de TV ou filmes estrangeiros, os beijos deles pareciam, de alguma forma, mais eróticos. Não apenas pressionar os lábios, mas saborear um ao outro como uma comida deliciosa; era desconhecido, mas estranhamente atraente.
Jeong-in estava vivenciando tais beijos em primeira mão e avançando para o próximo estágio.
— Mmm…
Um gemido misturado com sons nasais escapou dele. Jeong-in parecia completamente inconsciente de que fazia tais sons toda vez que se beijavam. Achando isso adorável, Chase sorriu, esticando os cantos dos lábios. Então, mordeu gentilmente o lábio inferior dele e empurrou a língua pela brecha.
Como se tentasse derreter um cubo de gelo em sua boca, a língua de Chase rolou ao redor da de Jeong-in. Mmm, outro gemido de arrepio soou.
Sua língua afetuosa e curiosa explorava cada canto da boca de Jeong-in. Embora se beijassem diariamente, cada vez parecia nova enquanto ele explorava com a língua o limite entre os dentes e a gengiva, a membrana interna da bochecha, a área perto do freio sob a língua.
Então ele estimulou a língua de Jeong-in, encorajando-a a se mover. Quando Jeong-in esfregava gentilmente sua língua contra a de Chase, este ficava excitado e a sugava com firmeza, como se tentasse extrair cada gota de umidade.
Sons úmidos ecoavam cada vez que Chase inclinava a cabeça. A sensação das línguas sendo apertadas e pressionadas uma contra a outra enviava ondas de formigamento entre as coxas de Jeong-in.
Seus lábios se separaram com uma viscosidade persistente. A uma distância onde seus narizes quase se tocavam, eles se olharam, ambos com a respiração pesada. Seus hálitos úmidos se entrelaçavam entre seus rostos.
— Haah… está quente.
Sentindo o calor do corpo subir, Chase sentou-se. Então, começou a tirar a camisa.
Os lábios de Jeong-in ficaram secos. A visão de Chase sentado entre suas pernas afastadas, encarando-o como uma presa enquanto se despiria, era incrivelmente sensual. Apesar de ser junho na Califórnia, sem motivo para sentir frio, um calafrio percorreu sua espinha.
A cada botão que seus dedos longos desabotoavam, seu peito e abdômen suavemente tonificados eram gradualmente revelados. Depois de desfazê-los todos, ele deixou a camisa cair no chão ao lado da cama, como se a descartasse.
O corpo de Chase era perfeito. Seus ombros largos, estendendo-se de músculos trapézios bem definidos, eram retos e angulares, fazendo seu físico se destacar mesmo quando usava apenas uma camiseta fina.
Os músculos oblíquos ao longo de suas laterais, estendendo-se de seu peito bem desenvolvido seguindo a caixa torácica, eram finamente separados como as guelras de um tubarão. Cada vez que ele se movia, esses músculos ondulavam.
Abaixo, seus músculos abdominais claramente definidos projetavam sombras profundas, e a linha em “V” que se estendia do abdômen até a pelve era tão perfeita quanto se tivesse sido esculpida. Entre elas, padrões de veias eram claramente visíveis, estendendo-se em direção à sua área íntima, criando uma atmosfera sensual.
O criador deve ter tido um cuidado extra ao formá-lo. O coração de Jeong-in batia forte diante da força e energia naturais que emanavam daquele corpo.
Chase suspirou profundamente como se finalmente pudesse respirar, então estendeu a mão para Jeong-in.
Durante o ano que passaram juntos, suas mãos, que haviam sido afastadas várias vezes ao tentarem deslizar por baixo da camiseta de Jeong-in, agora eram muito cuidadosas e cautelosas.
Como quem acaricia um gato que pode mostrar as garras a qualquer momento, Chase estendeu a mão sem pressa. Sua mão, tremendo de excitação extrema, puxou gentilmente a malha fina de Jeong-in e a camiseta por baixo em um único movimento.
Sentindo o frio quando sua pele nua foi exposta ao ar, Jeong-in encolheu os ombros. Isso fez com que suas clavículas se destacassem mais proeminentemente — um ponto que Chase sempre quis provar.
O corpo nu de Jeong-in era algo que Chase só tinha visto em seus banhos desnecessariamente longos, ou quando estava sozinho na cama, impulsionando-se para um clímax vazio.
Em sua imaginação, Jeong-in se contorceria em êxtase, soltando gemidos semelhantes a gritos e agarrando-se a ele. Jeong-in nem conseguia imaginar o quão proibidas aquelas cenas haviam sido.
Os olhos de Chase vagaram pelo corpo de Jeong-in. Seu olhar parecia um líquido pegajoso.
— Ah, não olhe!
Jeong-in abraçou a si mesmo, tentando cobrir o peito e o estômago. Seu corpo era plano e magro em todos os lugares. Jeong-in nunca teve confiança em sua aparência, especialmente ali, onde a pele bronzeada e os músculos desenvolvidos eram considerados virtudes.
Chase acariciou suavemente os ombros curvados de Jeong-in. A pele que tocava sua mão era tão macia quanto se tivesse sido polvilhada com açúcar de confeiteiro.
— Mova as mãos. Hmm? Eu esperei por mais de um ano.
Chase acariciou os ombros de Jeong-in e a parte externa de seus braços, conseguindo a duras penas convencê-lo a baixar as mãos que cobriam o corpo.
O corpo de um branco leitoso de Jeong-in, como se esculpido pelo luar, surgiu em plena vista. Cada parte visível era clara e alva, como se nunca tivesse sido tocada pela luz do sol. Tanto sua cor quanto o brilho de sua pele lembravam porcelana. Ele parecia tão delicado, como se não devesse ser tocado sem cuidado.
Os picos em ambos os lados de seu peito, com veias azuladas tênues visíveis por baixo, eram como gotas de tinta rosa clara caindo uma a uma. E no centro daquelas aréolas que lembravam pétalas de flores, erguiam-se mamilos pequenos e reservados.
— Tão lindo. — Chase murmurou em voz baixa, com uma expressão arrebatada.
Era um corpo que ele vira, mas não ousara tocar todo esse tempo. Os momentos difíceis de suprimir o desejo e manter os limites passaram por sua mente. De fato, todos os esforços difíceis são recompensados, pensou Chase, olhando para o corpo de Jeong-in confinado em seus braços. Agora Jeong-in estava sob ele. Não mais apenas em sua imaginação.
Respirações pesadas escapavam pelos lábios ressecados de Chase. Seu coração batia rapidamente e todos os vasos sanguíneos de seu corpo pulsavam quentes. Esta noite seria, com certeza, a melhor de sua vida. Essa antecipação subia gradualmente por baixo de sua pele e envolvia todo o seu ser.
— Realmente lindo.
Os olhos de Jeong-in tremeram. Seu rosto avermelhou-se imediatamente e ele virou a cabeça bruscamente, evitando o olhar de Chase.
— N-não minta! Eu sei que sou magro!
Embora o pensamento de Jeong-in tenha se tornado bastante flexível durante seu tempo com Chase, ele ainda achava difícil aceitar naturalmente elogios sobre sua aparência.
Chase inclinou a cabeça lentamente e olhou nos olhos de Jeong-in. Não havia a menor hesitação em seu olhar.
— Hah… quando você vai aprender a aceitar os elogios do seu namorado?
Os dedos indicadores de Chase tocaram suavemente os mamilos de Jeong-in. Ele os acariciou para baixo, como se estivesse arranhando, e circulou as pontas. As protuberâncias sensíveis foram dobradas e pressionadas de várias maneiras.
— Ahh…
Um som sensual escapou apenas por ter o peito tocado. Jeong-in surpreendeu-se consigo mesmo. Estava além de envergonhado, quase espantado. Ele tinha certeza de que nunca sentira nada de especial quando se tocava. Seria por causa da excitação psicológica?
Chase envolveu a caixa torácica de Jeong-in com as duas mãos, como se medisse o tamanho de seu tronco. Sua estrutura óssea cabia perfeitamente em suas palmas.
Um corpo tão magro poderia parecer ossudo e sem atrativos, mas o de Jeong-in não era assim. Sua estrutura era esguia, porém bem equilibrada, e as linhas suaves, sem partes protuberantes, conferiam-lhe um aspecto esbelto e delicado.
As mãos de Chase deslizaram lentamente para baixo, acariciando os flancos de Jeong-in. Ele traçou os contornos dos ossos proeminentes do quadril com ambos os polegares.
— Seu corpo… é realmente lindo.
Uma sutil perplexidade cruzou a expressão de Chase. Ele olhou para baixo, para aquele corpo que parecia mais delicado do que imaginara. Havia uma sensação de precariedade, como se Jeong-in pudesse se quebrar se fosse apertado com muita força. Mas essa inquietude, na verdade, estimulava ainda mais seu desejo.
— Hah… o que eu faço? Estou excitado demais.
Acalme-se. Acalme-se. Chase repetia para si mesmo inúmeras vezes. Mas seu corpo não obedecia. Seus músculos inchavam tensos como os de uma fera diante da presa.
O calor fervendo sob sua pele continuava a instigá-lo. Mas ele se suprimia desesperadamente, acalmando a fera interior. Ele não podia ser governado apenas pelo instinto.
Jeong-in tinha uma personalidade sensível e cautelosa. Era óbvio que personalidades assim acham mais difícil derrubar muros e ser honestas com seus instintos. Se ele se aproximasse de forma minimamente brusca, Jeong-in claramente se retrairia e fecharia o coração.
Se ele estivesse com vergonha, Chase deveria elogiá-lo. Ele precisava ajudá-lo a sentir o máximo possível para relaxar a tensão. Tinha que ser gentil e afetuoso para que ele não ficasse assustado. Precisava ser atento para que o corpo dele não se machucasse. Não deveria agir de forma egoísta, perdendo-se apenas em suas próprias sensações. Se Jeong-in se sentisse desconfortável, ele precisaria diminuir o ritmo ou parar a qualquer momento.
Chase continuava revisando mentalmente a seção de “consideração pelo parceiro” que aprendera na educação sexual, como se fosse um garoto experimentando o sexo pela primeira vez.
Esta noite era a primeira vez que teriam relações. Era também a primeira experiência sexual da vida de Jeong-in. Não poderia ser apenas um sexo comum.
Na verdade, era uma primeira vez para Chase também. Não o ato de liberar o desejo sexual, mas o ato de compartilhar o amor.
— Hah… Jeong-in.
Os lábios deles se encontraram novamente. Os lábios de Chase, que exploraram minuciosamente a boca de Jeong-in, moveram-se para baixo ao longo da linha suave de seu maxilar. A ponta de seu nariz firme e afilado traçou sua pele delicada. O pulso de Jeong-in batia rapidamente sob os lábios de Chase.
Chase enterrou o rosto no pescoço de Jeong-in e respirou fundo. O aroma sutil e doce de sabonete penetrou profundamente em seus pulmões. Aquela fragrância, que só podia ser detectada fracamente ao encostar o nariz bem perto, sempre o fazia salivar.
— Eu sempre quis te devorar. Toda vez que sinto seu cheiro.
Jeong-in agarrou o lençol da cama com uma mão.
Em francês, espanhol e até japonês, por que tantas línguas comparam o desejo sexual ao apetite? Será porque o desejo sexual é um instinto tão primitivo? Tais pensamentos cruzaram brevemente a mente de Jeong-in, mas ele não tinha forças para levá-los adiante.
Será que ele tinha uma zona erógena no pescoço? Uma sensação muito mais intensa do que esperava surgiu. Parecia que chamas corriam pelo local onde os lábios de Chase tocaram.
A nuca é a parte mais delicada e vulnerável do corpo humano. Uma passagem estreita por onde fluem a respiração, a comida e o sangue. A sensação de entregar uma parte que instintivamente deveria ser protegida era estranha. Parecia permitir a Chase acesso a tudo o que ele era.
— Hah… posso deixar marcas?
Os olhos azuis de Chase, começando a ser tingidos pelo êxtase, tinham pupilas dilatadas que pareciam quase pretas. Aqueles olhos, geralmente límpidos e transparentes, agora pareciam tão escuros e profundos quanto um abismo.
Olhar sem filtros, voz baixa, respiração áspera. Sentindo suas mãos escaldantes amassarem sua cintura, Jeong-in percebeu: Ele está assim tão excitado por minha causa. Com essa consciência, sentiu sua própria mente ficando nublada.
Assentindo como se estivesse em transe, Jeong-in recuperou tardiamente um fio de razão.
— Hm, não onde… apareça…
— Ufa… entendido.
Olhos escuros como poços olharam para Jeong-in. Chase lambeu os lábios como se saboreasse um gosto. Então, seu pomo de Adão moveu-se visivelmente enquanto ele engolia em seco e baixava a cabeça.
O hálito quente e o calor derramaram-se sobre seu pescoço. Chase pressionou os lábios contra o pescoço longo de Jeong-in, brincando com ele antes de dar uma grande “mordida” na área que liga o pescoço ao ombro.
Seu ombro magro estremeceu e se encolheu.
— Ah…!
Chase sugou, mordeu e arranhou com os dentes ao redor da área do ombro e da clavícula de Jeong-in. Ele parecia determinado a marcar com seus lábios cada parte que seria coberta por uma camiseta.
Um calafrio percorreu a espinha de Jeong-in diante da sensação fantasmagórica de ser devorado por uma grande fera. Chase, lançando um olhar para cima para verificar a reação de Jeong-in, moveu-se para baixo.
Logo, um de seus mamilos, ereto pela tensão, foi levado à boca.
— Hmph…
A mucosa quente envolveu a pele sensível de Jeong-in. A ponta áspera da língua de Chase tocava e circulava seu mamilo. Ele até levou a carne ao redor da aréola à boca e mordiscou suavemente com os dentes. Então sugou como um bebê amamentando. O som da sucção era explícito.
— Hnn, mmm… ah…
Parecia que cada nervo de seu corpo estava concentrado no mamilo que Chase segurava na boca.
Chase brincava com o mamilo de Jeong-in de forma travessa. Tendo abarcado a aréola totalmente em sua boca, ele se afastava, fazendo com que a pele esticada se soltasse com um estalo úmido.
— Ahh… não, hah, faça isso…
Jeong-in estivera ansioso: será que Chase encontraria interesse nele, já que lhe faltavam mamilos volumosos ou carne farta ao redor?
Mas agora Chase deliciava-se no peito de Jeong-in com o que só poderia ser descrito como obsessão. Mesmo enquanto sugava um mamilo, continuava lançando olhares para o outro e, achando aquilo insuficiente, posicionava o mamilo livre entre os dedos e o esfregava gentilmente; a visão era nada menos que voraz.
— Ahh… Chase…!
Enquanto ele torcia o corpo com força para escapar, Chase persistia, seguindo-o e agarrando-se a ele novamente. Eventualmente, ele segurou o tronco de Jeong-in com as duas mãos para mantê-lo no lugar enquanto o sugava freneticamente.
Jeong-in ofegava enquanto empurrava, batia e abraçava aqueles ombros sólidos e largos. Seu abdômen se contraiu e sons de soluço escaparam dele.
— Ah… hng, i-isso é estranho…
— Hah, vamos tornar isso ainda mais estranho.
Chase estava sugando seu peito, mas Jeong-in sentia formigamentos que partiam do vão das coxas até o baixo ventre. Era como se suas entranhas estivessem virando do avesso, uma sensação de vertigem, como olhar para baixo de uma altura colossal.
O corpo de Jeong-in, sem qualquer imunidade a esse tipo de estimulação, estava extremamente sensível. Logo, uma sensação elétrica correu para a ponta de seu pau. Uma sensação semelhante a uma urgência extrema de urinar; parecia que ele cometeria um “erro” se houvesse o menor atrito naquela área.
— Ngh, n-não! Chase, eu vou… E-eu vou gozar! Para…!
Chase removeu os lábios rapidamente e olhou para baixo. Entre as pernas de Jeong-in, cobertas pelas calças sociais, havia um volume visível.
— Ha…
Normalmente, Jeong-in parecia completamente desinteressado em qualquer coisa sexual além de beijos. Chase uma vez perguntara com que frequência ele fazia isso sozinho e se pensava nele enquanto o fazia, apenas para receber um olhar tão chocado que se sentiu um pervertido intolerável.
Vendo reações tão honestas de Jeong-in agora, Chase sentiu uma alegria próxima à elação. Ele começou a desabotoar a frente das calças de Jeong-in como um cão farejando comida escondida. Ele até tinha uma desculpa plausível:
— Deixe-me tirar isso. Não queremos que suas roupas fiquem sujas, certo?
Jeong-in assentiu com urgência. Seus olhos ficaram úmidos com o prazer inevitável. Ainda assim, estranhamente, uma sensação de alívio espalhou-se pelo seu coração. Era porque ele tinha a confiança de que Chase nunca o forçaria em nenhuma situação.
— Se eu disser para parar, você para…?
— Claro. Mas… — Chase respondeu com uma voz baixa e profunda. Ele continuou falando enquanto beijava a bochecha e a têmpora de Jeong-in. — Eu vou dar o meu melhor para garantir que isso não aconteça.
Chase enganchou os dedos no cós das calças de Jeong-in e as puxou para baixo. O tecido áspero roçou a parte externa de suas coxas enquanto descia.
A sensação de frescor trouxe subitamente um senso de realidade. O medo tomou precedência ao pensar que Chase logo veria seu pau, algo que ele nunca mostrara a ninguém. Jeong-in baixou as mãos para se cobrir por cima da cueca.
— Hmm, Chase, s-só um momento…
— Está tudo bem.
Chase segurou cuidadosamente ambos os pulsos de Jeong-in e os afastou lentamente. A cueca exposta de Jeong-in revelava os contornos do seu pau. Uma mancha redonda, levemente mais escura, era visível abaixo do cós. Jeong-in fechou os olhos com força, tomado pela vergonha.
— Você está molhado aqui.
Chase acariciou gentilmente aquela mancha com o polegar sobre o tecido. Ele massageou suavemente as coxas de Jeong-in enquanto elas se tensionavam, tentando se fechar.
— Estou tão feliz.
Um sorriso tênue espalhou-se pelo rosto de Chase, e seus olhos azuis se estreitaram, como se ele estivesse genuinamente radiante.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) Yaoi Mangá Online
Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven