Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) – Capítulo 29 Online

❀ 7 Minutes Of Heaven 8
『Hoje é o dia do jogo de caridade. A partida contra a Danbury High School será realizada no Prescott Family Stadium às 18h. Os ingressos estão à venda no site da escola. Venha assistir ao jogo e ajude a reconstruir a Ala Infantil de Hope Harbor, que foi destruída por um incêndio. Aqueles que não puderem vir também podem fazer uma doação. Confira o site da escola para mais detalhes.』
Durante o horário de entrada, os anúncios escolares fluindo pelos alto-falantes preenchiam os corredores. O corredor ladeado por armários estava movimentado como de costume. Alguns se preparavam para a aula, reunindo livros e apostilas, enquanto outros estavam ocupados arrumando o cabelo ou a maquiagem nos espelhos presos aos seus armários.
[7 dias para o Baile. Já decidiu seu par?]
Antes que ele percebesse, o número no banner pendurado no corredor havia sido reduzido a um único dígito.
Jeong-in tirou as apostilas necessárias de seu armário e as organizou meticulosamente. Seus movimentos não eram diferentes do habitual, mas havia algo de mecânico e vago neles.
Nesse momento, o corredor inteiro subitamente tornou-se barulhento.
Era o som de alguém chegando. Não, dizer que era o som de alguém “fazendo uma entrada” seria mais preciso.
Chase Prescott e sua comitiva, o grupo mais popular da escola, entraram no corredor. Max Schneider, Brian Cole, Alex Martinez e todos os outros.
Chase, que estava no meio do grupo, de repente olhou na direção de Jeong-in. Aqueles olhos, que Jeong-in pensara serem como o Mar Mediterrâneo, estavam frios como geleiras hoje.
Chase deu a Jeong-in um breve olhar, depois desviou o rosto casualmente, como se visse um estranho. E passou direto.
Considerando a discussão que tiveram durante a última aula, não era difícil entender por que ele estava tratando Jeong-in como um fantasma. O que era estranho era o próprio Jeong-in sentir-se desacostumado com aquela indiferença que costumava ser tão familiar.
Jeong-in percebeu tardiamente. Que Chase sempre fora aquele a se aproximar primeiro. Que, no momento em que ele desse as costas, eles voltariam a ser perfeitos estranhos, exatamente como antes. Qualquer que fosse o relacionamento que tivessem, se é que se podia chamar assim, fora sustentado apenas pela boa vontade de Chase.
Eles vinham conversando e passando tempo juntos sempre que se cruzavam ultimamente. Os olhares curiosos das pessoas concentraram-se na atmosfera fria entre os dois, mas logo se dispersaram.
Como sempre, Chase estava ladeado por seus colegas atletas, mas como Chase não reconheceu Jeong-in, eles também não se deram ao trabalho de cumprimentá-lo. No entanto, Alex Martinez virou a cabeça ligeiramente para olhar para Jeong-in.
Sentindo o rastro do perfume de Chase enquanto ele passava, Jeong-in esforçou-se para manter a compostura.
Isso é para o melhor. Estamos apenas voltando ao que era antes.
Mas seus pés não se moviam. Jeong-in ficou parado, vago, em frente ao seu armário, apenas deixando o tempo passar. A música vinda dos alto-falantes e o falatório dos alunos que passavam pelo corredor soavam como um ruído distante e zumbinte.
O corredor tornou-se barulhento novamente logo após os jogadores do time principal desaparecerem.
Desta vez, era Vivian Sinclair.
Olhares próximos ao espanto fixaram-se nela enquanto entrava no corredor. Isso porque hoje era a primeira vez que Vivian vinha à escola usando seu uniforme de líder de torcida.
Normalmente, ela sempre parecia ter saído diretamente de um catálogo de marca de luxo. Nunca repetia uma roupa e sempre vestia peças da temporada mais nova. Além disso, sua maquiagem combinava perfeitamente com seus trajes, e ela possuía uma confiança impecável. Hoje, porém, ela apareceu com o cabelo preso firmemente para trás, vestindo o uniforme de cheerleader e tênis.
Sua presença cortou o corredor como um vento frio. Alguns alunos inconscientemente abriram caminho, e algumas líderes de torcida caminharam em direção a ela como devotas encontrando sua líder espiritual.
Não muito longe dali, Jeong-in conseguia ouvi-la conversando com seu grupo.
— Todos devem saber que temos um treinamento especial começando hoje. Digam especialmente à Hayley, aquela mão-de-vaca. Vamos fazer a rotina Liberty hoje, e se as pernas dela não se abrirem direito, eu mesma as abrirei.
Soava aterrorizante apenas de ouvir. A intensidade de Vivian estava notável hoje. Até as líderes de torcida mantiveram suas bocas bem fechadas, parecendo extremamente disciplinadas.
Vivian examinou os arredores uma vez, depois perguntou a uma de suas companheiras de equipe.
— O Chase? Você o viu?
— Sim, agorinha mesmo. Mas por que “Chase” em vez de “Chay”? Vocês dois brigaram?
— Não sei. Ele está estranho ultimamente. Alguns dias atrás, ele subitamente me disse para nunca mais chamá-lo assim. Ele foi muito enfático sobre isso.
Vivian balançou a cabeça como se estivesse perplexa.
A mão de Jeong-in, que estava reunindo suas notas, parou.
— Prescott! Você está falando sério?
A atmosfera no vestiário estava pesada. Chase, já totalmente vestido com seu uniforme, parecia não ter intenção de ir para o campo. Depois de tentar convencê-lo por um tempo, o treinador finalmente desistiu, chutando um armário antes de sair furioso da sala, respirando pesadamente. Deixado para trás, Chase sentou-se no banco com a cabeça baixa.
Desta vez, Alex se aproximou. Com uma expressão desesperada e ansiosa, ele perguntou ao seu quarterback:
— Press, o que está acontecendo com você? Não está se sentindo bem? Não, por que você está sentado aí depois de se trocar completamente?
Chase respondeu sem se mexer, quase resmungando:
— Não estou no clima para jogar.
— Clima? Desde quando você começou a falar sobre seu clima? Por que está agindo subitamente como um aluno do ensino fundamental passando pela puberdade?
— Deve ser a puberdade, eu acho.
Alex passou a mão bruscamente pelo cabelo, frustrado.
Ele tinha uma ideia muito boa sobre o motivo do comportamento adolescente repentino de seu amigo. Por dias, Chase estivera em uma guerra fria com Jay. De acordo com um amigo que fazia Composição de Inglês com ele, ontem Chase tivera uma discussão acalorada com Jay e até saiu furioso no meio da aula.
Não importava como olhasse, havia apenas uma pessoa que poderia consertar essa situação.
Alex segurou firmemente os ombros de Chase com as duas mãos e disse em uma voz séria, como se acalmasse uma criança:
— Press. Espere, fique bem aqui. Entendeu? Não vá a lugar nenhum.
— …Eu pareço ter algum lugar para ir?
— Bom. É isso.
Alex não perdeu mais tempo e abriu a porta do vestiário.
Ele foi direto para o prédio acadêmico. As pessoas ao redor lançavam olhares diante da cena de um jogador em uniforme completo, com equipamento de proteção, correndo em velocidade máxima pelo corredor.
Ele examinou rapidamente os alunos no corredor, escolhendo os que pareciam mais nerds e perguntando se sabiam onde Jay Lim estava. Com certeza, em sua terceira tentativa, encontrou alguém que sabia o paradeiro de Jay.
— Jay? Se você quer dizer o Jay Lim, ele deve estar na sala do clube de matemática.
— Onde fica isso?
— Prédio de Matemática e Ciências, 4º andar, bem no final…
Os tênis de Alex fizeram um som de rangido enquanto ele girava e deslizava pelo corredor.
Quando chegou, felizmente o orientador ainda não havia vindo, e os membros da Sociedade de Elite da Matemática estavam andando livremente pela sala, conversando.
Crianças que normalmente nunca teriam interagido com ele encararam Alex todas de uma vez. Um jogador de futebol americano do time principal aparecendo na sala do clube de matemática era como um lobo invadindo subitamente uma zona de herbívoros.
Enquanto Alex examinava rapidamente a sala, avistou Jeong-in. Jeong-in o olhava com uma expressão assustada.
Sem hesitação, Alex caminhou em direção a Jeong-in.
— Jay! Venha comigo até o vestiário. O Chase está…
Jeong-in saltou de seu assento antes que Alex pudesse terminar.
— O que há de errado com o Prescott? Ele está machucado?
Os olhos de Jeong-in tremeram ansiosamente.
Nesta situação, com alguém vindo procurá-lo sem fôlego daquela maneira, ele não conseguia imaginar nenhum outro tipo de notícia.
Uma expressão sutil cruzou o rosto de Alex ao ver a reação de Jeong-in.
— Ele não está ferido, mas…
— Então? Ele está doente?
Alex, que ainda recuperava o fôlego, hesitou por um momento. Parecia que algo estava errado com o coração de Chase, mas ele não tinha certeza se deveria responder de forma tão direta.
Mas sua hesitação foi breve. O que quer que acontecesse depois, a prioridade era trazer Jeong-in consigo.
— É, apenas venha comigo. Acho que você precisa vê-lo.
Jeong-in deixou seu assento às pressas, sem fazer mais perguntas.
Seu pensamento racional evaporou instantaneamente. Não havia tempo para se perguntar coisas como: “Se ele está doente, por que me chamar em vez de ir ao hospital?”.
Jeong-in desceu as escadas correndo, pulando dois ou três degraus de cada vez. Seus passos urgentes o levaram do prédio de Engenharia, passando pela piscina externa, até o prédio de Atletismo. O vestiário do time de futebol ficava no primeiro andar daquele prédio.
Ao entrarem no prédio, Alex falou sem fôlego, quase em tom de súplica:
— O Chase tem que estar lá. Olheiros virão para o jogo de hoje. Mesmo que não seja pelo Chase, este é um jogo crucial para caras como o Thompson e eu, que apostamos tudo no futebol. Não podemos colocar um quarterback reserva em um jogo como este!
Havia desespero na voz de Alex. Mas Jeong-in mal ouvia, focado apenas em avançar.
Quando ele escancarou a porta e entrou no vestiário, ainda havia alguns jogadores que não tinham ido para o campo, mantendo suas posições de forma desajeitada. Seus olhares voltaram-se instantaneamente para Jeong-in.
Além deles, Jeong-in pôde ver Chase sentado em um banco, com a cabeça baixa. Ele estava perfeitamente vestido com suas ombreiras e uniforme, mas parecia tão apático como se tivesse acabado de terminar a partida.
Alex conduziu para fora os jogadores que lançavam olhares nervosos para Chase.
— O que vocês ainda estão fazendo aqui? Vamos! Saiam!
Depois que Alex e todos os outros jogadores saíram às pressas, o vestiário, restando apenas Chase e Jeong-in, ficou tão silencioso quanto o vácuo. Chase permaneceu imóvel, de cabeça baixa.
Jeong-in aproximou-se dele lentamente.
— Você está bem? Está machucado em algum lugar?
Chase respondeu sem se mover, ainda com a cabeça baixa. Sua voz ainda carregava ressentimento.
— …Por que você veio? Para alguém como eu, apenas uma casca vazia com um nome.
— …
Na verdade, Jeong-in também vinha se arrependendo, pensando se suas palavras haviam sido duras demais. Ele deu um passo à frente e parou bem diante de Chase.
— Diga-me. Onde dói?
— Aqui.
Chase bateu o punho contra a área perto do estômago, depois apertou e soltou o tecido da camisa sobre o peito.
— Sinto um aperto bem aqui. Não consigo respirar. É tão sufocante que posso enlouquecer.
Jeong-in tinha uma ideia do que poderia ser.
— De onde eu venho, existe uma condição chamada che-han. É como uma sensação de aperto e congestão no estômago. Não existe um termo exato para isso aqui, mas… é semelhante à azia.
Heartburn (azia), em inglês, refere-se a uma sensação de queimação na área do peito causada pelo ácido estomacal.
Chase ficou perdido em pensamentos por um momento. Embora não fosse devido ao ácido estomacal, a expressão estranhamente parecia se encaixar no que ele sentia agora. Parecia que seu coração fora jogado no fogo e estava queimando.
Jeong-in aproximou-se um pouco mais de Chase, que ainda olhava para baixo, e estendeu a mão.
— Espere, deixe-me ver sua mão.
Antes que Chase pudesse responder, Jeong-in pegou sua mão. Então, pressionou firmemente o ponto de acupressão Hegu com o polegar. O ponto entre o polegar e o indicador, ligeiramente afastado de onde os ossos se encontram. Era o ponto que sua mãe costumava pressionar quando Jeong-in tinha indigestão.
O rosto de Chase, revelado sob seus cabelos dourados, era notavelmente bonito mesmo sentindo dor. Jeong-in sentiu seus olhos serem atraídos por ele momentaneamente e rapidamente fixou o olhar na mão de Chase. Seus dedos, as costas da mão, a palma… tudo era intimidantemente grande.
Chase falou em voz baixa:
— Você agiu como se nunca mais quisesse me ver… então por que está me tocando?
A maneira como ele disse “me tocando”, talvez por causa de sua voz baixa e profunda, soou um tanto sugestiva.
— Apenas… porque você disse que estava com dor…
— Não é o meu corpo que dói.
— Mas o Alex Martinez…
Chase percebeu imediatamente. Alex devia ter notado seus sentimentos por Jeong-in. Foi por isso que o trouxe até aqui.
Até aquele cara obtuso sabia o que apenas a pessoa bem na sua frente não percebia.
— Dói por sua causa.
Os movimentos de Jeong-in, enquanto massageava e aplicava pressão na mão grande de Chase, congelaram por um momento. Chase segurou a mão de Jeong-in e a levou até o seu plexo solar.
— Eu também não sei por que estou assim. Quando penso em você… fica apertado aqui. Sinto que vou enlouquecer. Meu estômago queima e parece contraído. Está quente aqui. Como se estivesse pegando fogo.
— …
A expressão de Jeong-in, incapaz de evitar os olhos de Chase, mostrava uma mistura de perplexidade e confusão.
— Sinto como se estivesse perdendo o juízo.
As ondas naquelas íris cor de mar pareciam girar ao seu redor. Como ser gentilmente puxado para as profundezas do oceano.
Chase fez uma expressão piedosa, como se culpasse Jeong-in. Então, encostou a testa contra o peito de Jeong-in repetidamente.
— Você nem sequer ouve o que eu tenho a dizer. Você não acredita em mim.
Chase parecia uma criança fazendo birra. Mas seu comportamento ia além de um simples amuo; ele parecia genuinamente angustiado e com dor.
Como alguém poderia dar as costas a isso? A uma criatura tão adorável.
A mão de Jeong-in moveu-se como se estivesse hipnotizada.
Tum. Tum. Enquanto Chase continuava batendo a cabeça contra o seu peito, Jeong-in colocou gentilmente a mão sobre a cabeça de Chase. Os movimentos de protesto de Chase pararam instantaneamente.
Jeong-in acariciou lentamente o cabelo dourado que se envolvia suavemente em seus dedos.
— Dizem que é um jogo importante. Olheiros estão vindo assistir.
— …Por que eu deveria me importar?
A voz de Chase havia suavizado consideravelmente. O nó em seu plexo solar parecia se desvendar lentamente sob o toque de Jeong-in.
— Seja responsável, Prescott. Isso não é apenas sobre você.
A voz de Jeong-in era calma, mas carregava uma persuasão sutil. Chase abaixou a cabeça por um momento, então resmungou:
— …E se eu for para o jogo?
Jeong-in olhou silenciosamente para o cabelo dourado de Chase que ondulava como um campo de trigo, e para os olhos profundos e límpidos como o Mediterrâneo por baixo. Como alguém poderia nascer com tais traços? Tudo o que ele conseguia dizer era que Chase era bonito. E talvez Jeong-in tivesse uma fraqueza por coisas bonitas.
— Você virá assistir?
— …Sim.
— Sério?
Chase esfregou gentilmente a testa contra as costas da mão de Jeong-in. Ele era como um filhote demonstrando afeto ao seu dono.
— Então apresse-se para o campo. Você disse que é um jogo importante. O quarterback não pode faltar.
Com um estalo suave, Chase beijou as costas da mão de Jeong-in. Seus cílios dourados baixos projetavam sombras em suas bochechas. Foi apenas um beijo na mão, mas pareceu tão íntimo que os batimentos cardíacos de Jeong-in tornaram-se irregulares.
Chase falou baixinho, com os lábios ainda pressionados contra a mão de Jeong-in.
— Você tem que vir. Eu sou o seu golden retriever, lembra?
Jeong-in lembrou-se de como Chase sacudira o cabelo molhado, borrifando gotas de água na praia. Sem perceber, um pequeno sorriso formou-se nos cantos de seus lábios.
— Eu disse que iria.
Quando Jeong-in sorriu, o rosto de Chase finalmente mostrou sinais de alívio.
Jeong-in sempre pensara que Chase parecia maduro. Ele até admirava sua compostura. Mas, agora, Chase parecia um tanto infantil.
Estranhamente, até esse lado dele soava inesperadamente charmoso. O aspecto vulnerável de um homem envolto em músculos que pareciam uma armadura.
— Vá rápido.
Chase não soltava a mão de Jeong-in e demorou muito tempo antes de finalmente se levantar.
Seus níveis de visão se inverteram. Chase, que parecia mais infantil ao olhar para cima, agora olhava para Jeong-in do alto.
— Vou ficar de olho para ver se você vem mesmo. Não subestime o olfato de um golden retriever.
— …Apenas jogue bem, Prescott.
— Só uma vez… me chame de Chay.
Subitamente, Jeong-in recordou o que Vivian dissera em frente aos armários do corredor. Chase dissera a ela para não o chamar mais assim. O que aquilo significava?
Após hesitar brevemente, Jeong-in sussurrou suavemente:
— …Chay.
Naquele momento, como se não conseguisse mais se conter, Chase puxou Jeong-in abruptamente para um abraço. Seus braços fortes envolveram Jeong-in junto com seu calor corporal morno. Jeong-in sentiu como se seu coração pudesse explodir.
Foi exatamente então que a porta do vestiário se escancarou. Alex Martinez, que havia entrado correndo, avistou os dois e rapidamente desviou o olhar.
— Ainda não terminaram de conversar… Oh! Com licença!
Extremamente envergonhado, Jeong-in empurrou Chase com força e fugiu direto para o corredor. Chase só pôde dar um passo atrás com uma expressão atônita e observar Jeong-in partir.
Para a figura de Jeong-in que se retirava apressadamente pelo corredor, Chase gritou bem alto:
— Você tem que vir assistir! Você prometeu, Jay Lim!
— Ugh…
Completamente atordoado e desorientado, Jeong-in nem sequer conseguiu olhar para trás e levantou o dedo médio em protesto. Ele ouviu a risada alegre de Chase ecoando atrás dele.
Quando Jeong-in voltou para a sala do clube, o interior estava tão silencioso que apenas o som de lápis riscando o papel podia ser ouvido. Todos estavam concentrados em suas folhas de problemas, movendo as mãos diligentemente.
Enquanto Jeong-in tomava seu assento com cuidado, Justin, sentado ao lado dele, entregou suavemente uma folha de exercícios que havia recolhido em nome de Jeong-in.
— Obrigado — sussurrou Jeong-in baixinho.
Ao pegar seu lápis, Jeong-in hesitou por um momento. Ele sentia que deveria contar a Justin sobre sua mudança de ideia quanto a ir ao jogo.
— Ei… Justin.
Justamente quando Jeong-in estava prestes a quebrar o silêncio cautelosamente, Justin deslizou seu telefone em direção a ele.
A tela iluminada exibia um ingresso digital. O mascote da águia da Wincrest High School e o mascote do golfinho da Danbury High School estavam gravados em cada extremidade, com um QR code grande e claro no centro.
O olhar de Jeong-in caiu para o texto escrito abaixo.
[2 Ingressos Estudantis]
Justin já havia comprado as entradas para a partida.
Os olhos de Jeong-in tremeram de emoção. Ele abriu a boca como se fosse dizer algo, mas Justin foi mais rápido.
— Eu andei pensando sobre o porquê de eu detestar tanto o Chase Prescott.
Justin olhou fixamente para o nada, como se recordasse o passado.
— Aquele cara tinha tudo o que eu queria, de forma tão fácil. Apenas pelo mérito de ter nascido.
De uma família de um conglomerado massivo, classificada em 7º lugar na indústria financeira americana, cabelos loiros e olhos azuis com um rosto bonito e físico forte, habilidade atlética natural e até a inteligência excepcional para manter notas máximas sem precisar passar muito tempo estudando. Chase Prescott parecia ter tudo.
— Mas ele não parecia se importar com nada disso. Como se fosse algum protagonista cínico de um quadrinho de super-herói… Isso realmente me irritava.
Justin estava revelando pensamentos que mantivera profundamente escondidos, coisas que nunca havia admitido verbalmente. Jeong-in ouviu silenciosamente sua confissão.
— Mas até um cara desses tem coisas que deseja desesperadamente, e coisas que quer, mas não pode ter. Então agora… talvez eu o ache menos irritante? Ele parece um pouco mais como uma pessoa do mundo real.
Jeong-in olhou para o ingresso do jogo que Justin oferecera. De alguma forma, seu coração estava acelerado.
— Nós éramos o “Clube dos Haters do Chase”, mas… — Justin continuou com uma expressão um tanto amarga. — Talvez fôssemos, na verdade, o “Clube dos Admiradores do Chase”.
Jeong-in foi dominado por emoções complexas ao ouvir aquilo. Uma coisa era clara: nenhuma história de seus anos de adolescência estaria completa sem a existência de “Chase Prescott”.
Ele era o protagonista do livro da vergonha que haviam coescrito e o centro de suas memórias mais intensas.
— Eu vou ajudar vocês dois a ficarem juntos e, depois, você precisa pedir para ele nos convidar para aquela famosa festa na piscina da mansão Prescott.
— Justin!
Jeong-in bateu no antebraço de Justin como se dissesse para ele não falar bobagens. Seu rosto estava levemente corado de antecipação, mas ainda misturado com confusão.
O Prescott Family Stadium estava preenchido com a animação de uma noite de sexta-feira. O céu já começara a ganhar um tom azul-marinho, mas as luzes do estádio brilhavam tanto quanto a luz do dia, iluminando as arquibancadas.
Com estudantes, pais e residentes locais reunidos, o estádio inteiro parecia um pequeno festival. O jogo de futebol de sexta-feira à noite, que tinha o propósito significativo de reconstruir uma ala de um hospital infantil perdida em um incêndio, era um evento que unia a escola e a comunidade local.
Pessoas faziam fila na bilheteria tentando conseguir os últimos ingressos disponíveis, e carros com luzes piscantes não paravam de entrar no estacionamento. Vendedores de cachorros-quentes e nachos estavam ocupados anotando pedidos atrás de seus balcões, e o aroma doce de pipoca preenchia o ar fresco da noite.
— Eles devem ter arrecadado muito dinheiro em doações — disse Justin, olhando ao redor das arquibancadas. Como ele notou, estava lotado de gente para onde quer que se olhasse.
No topo, casais de idosos, espectadores assíduos desses jogos, haviam se acomodado com cobertores sobre os joelhos, compartilhando chá que trouxeram em garrafas térmicas.
Abaixo deles, os alunos atuais ocupavam seus espaços. Eles usavam camisetas combinando com o mascote da escola impresso e haviam pintado os rostos com o vermelho-borgonha da instituição, rindo e conversando com vozes animadas. Alguns alunos já estavam ocupados tirando fotos com seus telefones e postando-as nas redes sociais antes mesmo do jogo começar.
— Ah, desculpe — Jeong-in desculpou-se com uma criança em quem esbarrou acidentalmente enquanto encontrava seu assento. A criança, com o rosto pintado com o mascote do time, parecia tão animada que nem se importou.
Em um lado do campo, a banda da escola se preparava. Mãos com luvas brancas moviam-se habilidosamente sobre instrumentos brilhantes. As seções de metais e saxofones estavam afinando seus instrumentos, enquanto a linha de percussão marcava um ritmo leve.
— Prontas! Um, dois, três!
As líderes de torcida, lideradas por sua capitã veterana, podiam ser vistas se aquecendo. A futura capitã Vivian Sinclair estava lá, junto com Madison Wilkes e Hayley Simons.
A apresentação da banda marcial começou com uma batida de tambor intensa. Os mascotes da águia e do golfinho correram para fora, acenando para a multidão. Enquanto os dois mascotes se exibiam em uma rivalidade lúdica, dançando de forma ridícula na frente das arquibancadas, as crianças gritavam alto.
Nesse momento, as luzes principais do estádio diminuíram brevemente, direcionando toda a atenção para o túnel central. Uma voz profunda e majestosa fluiu dos alto-falantes.
— Senhoras e senhores! Agora, por favor, deem as boas-vindas ao nosso time Wincrest!
Quando as luzes voltaram, os jogadores fizeram uma entrada espetacular, atravessando uma faixa. Os atletas, com seus corpos volumosos devido às grandes ombreiras, batiam seus capacetes uns nos outros e trocavam incentivos ao pisarem no campo.
Chase Prescott estava à frente. Seu número 7 refletia nitidamente sob as luzes. Quando ele acenou para a arquibancada, um grito explosivo eclodiu.
Parte da multidão entoava seu nome, enquanto outros se ocupavam em tirar os celulares para capturar sua imagem.
O olhar de Chase, percorrendo as arquibancadas, fixou-se em um ponto. Embora seu rosto estivesse parcialmente escondido pelo capacete, ele estava claramente olhando na direção deles.
Justin cutucou Jeong-in repetidamente com o cotovelo.
— Ele está te vendo! Ele está olhando para você! Aqui! Aqui!
Justin acenou freneticamente com os braços. Ele até apontou para Jeong-in em meio a toda aquela comoção.
O rosto de Jeong-in esquentou. Ele podia dizer, apenas por sentir, que seus olhos haviam encontrado os de Chase. Como se para confirmar isso, Chase acenou na direção deles.
— Um time, um sonho! Wincrest!
A atmosfera intensificou-se quando a equipe de líderes de torcida deu um passo à frente. Elas balançavam pompons dourados cintilantes, cobrindo o campo com movimentos rápidos e precisos. Saltos mortais e acrobacias difíceis seguiram-se, atraindo aplausos de todos os lados.
Agora Jeong-in podia ver qual movimento Vivian havia enfatizado mais cedo. Hayley Simons subiu ao topo de uma pirâmide humana e realizou um movimento quase acrobático, fazendo uma abertura total de pernas no ar.
A banda tocava uma música de marcha vibrante. A seção de metais liderava a melodia com um som explosivamente intenso, enquanto a linha de tambores adicionava leveza com seu ritmo perfeito. Com a música e os gritos das líderes de torcida se misturando, o estádio instantaneamente tornou-se carregado de energia.
Os jogadores iniciaram uma breve reunião no centro. Chase gritava algo enquanto batia os capacetes com seus companheiros de equipe, e os outros jogadores assentiam com expressões determinadas. Pareciam estar trocando instruções táticas. Atrás deles, os treinadores verificavam o equipamento dos atletas uma última vez, ajudando-os a liberar a tensão.
Wheeeeeet!
O som do apito cortou o estádio. Assim que a bola voou alto com o kickoff, os jogadores começaram a correr em velocidade máxima. As arquibancadas explodiram em gritos unificados, e bandeiras vermelhas ondulavam como ondas.
O estádio inteiro parecia se mover como um enorme organismo vivo. Com todos aquecidos pela excitação, Justin balançou a cabeça com nostalgia.
— É por isso que não se pode deixar de amar o ensino médio.
A paixão juvenil e a energia característica da juventude, o sentimento de pertencimento e o vínculo de estarem unidos sob o nome da escola, o romance livre e a juventude.
— Eu sei.
Jeong-in não pôde deixar de concordar com a cabeça. Mas não havia muito tempo para se perder nesses sentimentos.
— Prescott!
Aos gritos das pessoas ao redor, o olhar de Jeong-in naturalmente buscou Chase.
Posicionado logo atrás do center, Chase observava o campo com uma mão no joelho e o corpo abaixado. Seus olhos, visíveis através do capacete, brilhavam intensamente.
— Blue 42! Blue 42! Set! Hut!
Assim que a voz de Chase ressoou pelo campo, o center lançou a bola para trás. Chase recebeu a bola e recuou agilmente, examinando os arredores. Bem na sua frente, Darius Thompson mantinha-se firme.
Darius empurrava os fortes defensores adversários, mantendo com firmeza a parede de proteção de Chase. Quando um linha defensiva adversário avançou para romper a barreira, Darius o parou com uma força esmagadora, protegendo seu quarterback.
Chase deslocou os pés para a direita, buscando uma nova passagem. Demonstrava uma agilidade e um julgamento incríveis.
— Block!
A voz de Chase era resoluta enquanto ele direcionava a jogada. O linebacker Brian Cole bloqueou rapidamente um defensor adversário, abrindo caminho. O jogador rival deslizou pelo chão após um tackle rápido e preciso, e Chase aproveitou a oportunidade para escanear o lado oposto do campo.
O running back Max Schneider corria rapidamente em sua rota pelo lado direito. O olhar de Chase fixou-se precisamente em Max.
Max penetrou habilidosamente entre os defensores, explorando os pontos fracos do oponente. Chase tomou uma decisão rápida e lançou a bola. Ela deixou a ponta de seus dedos, girando bruscamente enquanto cortava o ar.
A bola traçou um arco perfeito e pousou diretamente nos braços de Max. As arquibancadas prenderam a respiração coletivamente, para então explodirem em vivas estrondosos.
Max cruzou o campo com movimentos ágeis. Foi graças a Chase, que dispersou efetivamente os defensores do time adversário e criou espaço para ele.
— Vai, Max! Até o fim!
Jogadores e espectadores atrás do campo gritavam. “Esse é o nosso filho!”, parecia vir dos pais de Max.
Max correu em direção à zona de touchdown, invocando sua última explosão de velocidade. Os defensores adversários o perseguiam de perto, mas ele manteve o foco até o fim, segurando a bola ao cruzar a linha.
— Touchdown! Wincrest!
A voz do locutor sacudiu o estádio.
As arquibancadas se transformaram em um caldeirão de excitação. As líderes de torcida pulavam alto enquanto balançavam seus pompons, e a banda tocou uma melodia de celebração curta e poderosa.
Chase levantou a mão para Max. Embora visivelmente cansado, Max correu até Chase com um sorriso brilhante e lhe deu um high-five enérgico.
Até o apito final, Chase e seu time dominaram o jogo com uma performance esmagadora.
O estádio foi preenchido com gritos extasiados, e naquela noite o time da Wincrest alcançou uma vitória inesquecível. O placar final foi de 35:21. Foi um jogo incrivelmente emocionante que eles controlaram perfeitamente, sem perder a tensão em nenhum momento.
Após a partida, o treinador reuniu os jogadores para uma breve sessão de feedback. Os atletas assentiam ou ouviam silenciosamente os pontos do técnico, preparando-se mentalmente para o próximo desafio.
Com o grito do treinador de — Dispensados! —, os jogadores se dispersaram. Eles se encontraram com familiares que se reuniram perto das arquibancadas ou do campo, tirando fotos comemorativas ou discutindo o jogo. Alguns correram direto para suas namoradas para abraçá-las.
Chase, segurando o capacete na mão, caminhou em direção às arquibancadas, atravessando a multidão sem hesitar. Muitas pessoas davam tapinhas em seus ombros e costas, parabenizando-o pelo bom trabalho.
Finalmente, Chase parou na frente de Jeong-in. Seu cabelo loiro estava encharcado de suor e seu corpo estava coberto de pedaços de grama. Mesmo assim, ele parecia brilhar apenas por sua presença.
— Jay.
Jeong-in sentiu o fôlego fugir com a voz grave chamando seu nome. Seu coração batia forte, como se estivesse batendo bem ao lado de seu ouvido.
Chase olhou para Jeong-in com um olhar profundo e intenso, como se ele fosse a única pessoa no mundo. Por um momento, pareceu que o tempo havia parado ao redor deles.
— Ham-ham.
Como se quisesse anunciar sua presença, Justin limpou a garganta e só então Chase desviou o olhar de Jeong-in para encarar Justin.
— Você está aqui também, Jonathan.
— Jonathan?
Jeong-in inclinou a cabeça com uma expressão confusa.
Justin deu um passo à frente com uma coragem recém-descoberta. Era embaraçoso, mas era hora de falar abertamente.
— Chase Prescott. Já que parece que nos veremos com frequência daqui para frente, vamos nos apresentar adequadamente.
Justin estendeu a mão com confiança e disse com um sorriso largo:
— Meu nome não é Jonathan, Jacob ou Jasper. Eu sou Justin. Justin Wong.
Várias expressões passaram pelo rosto de Chase: surpresa, confusão e, finalmente, alívio.
Com um olhar de descrença, Chase aceitou o aperto de mão.
— Justin. Finalmente.
— Aaarg!
Seria a força física típica de um atleta? Ou Chase teria apertado com mais força de propósito?
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) Yaoi Mangá Online
Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven