Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) – Capítulo 30 Online

❀ 7 Minutes Of Heaven 9
Assim que sua mão foi agarrada, Justin contorceu o corpo e gritou. A julgar pelo sorriso astuto de Chase enquanto se recusava a soltá-lo, parecia deliberado.
Justin, tendo mal sobrevivido ao aperto de mão, sacudiu sua mão dolorida vigorosamente. Chase lançou um olhar suspeito para ele e perguntou:
— Então, quem era aquele cara bonitão com o abdômen trincado que você mencionou?
Jeong-in cerrou os olhos e interrompeu a conversa que parecia excluir apenas a ele.
— Cara bonitão com abdômen trincado? Sobre o que vocês dois estão falando?
— O cara cujo hobby é o parkour e que também compete no Decatlo Acadêmico. Aquele que frequenta a Midtown High.
Jeong-in não sabia quem era Jonathan, mas percebeu imediatamente de quem Chase estava falando.
— Midtown High… Ah, você está falando do Peter Parker?
A testa de Chase franziu profundamente. Uma sobrancelha se ergueu em desaprovação.
— Quem é esse tal de Peter?
Jeong-in caiu na gargalhada diante daquela voz séria e tingida de ciúme.
— Peter Parker. O Homem-Aranha.
— Ah…
Chase soltou o que pareceu uma risada oca de exasperação. Uma sensação de vazio o atingiu; o personagem de quem ele sentira tanto ciúme e por quem havia procurado era apenas o protagonista de uma história em quadrinhos.
Assim que a percepção de ter sido enganado o atingiu, outro pensamento cruzou a mente de Chase.
— Espere… Foi você? Quem coescreveu aquele Livro Vermelho?
— Hic!
Assustado, Justin começou a soluçar.
— Li-li-li-livro da vergonha, hic, eu nunca escrevi nada parecido.
— Livro da vergonha? Tem até um título? Ah, então era isso que aqueles caracteres chineses significavam. Eu sabia que o Jay não tinha escrito aquilo sozinho. Havia duas caligrafias diferentes.
— Hic!
Aquele soluço era praticamente uma confissão. Jeong-in estava ao lado dele, mexendo nas mãos, sem saber o que fazer.
Encarando os dois nerds que não conseguiam nem contar uma mentira simples com naturalidade, Chase levou a mão à testa e soltou uma risada resignada.
— Eu imaginei… Não parecia que o Jay escreveria algo como a teoria do órgão vestigial. Com certeza, havia um coautor.
Desta vez, Chase estendeu a mão para Justin, oferecendo um aperto de mão.
— Sou Chase Prescott, um leitor ávido do livro da vergonha. Fiquei profundamente impressionado.
Justin olhou nervosamente para o rosto de Chase. Ele não estava zangado nem sendo sarcástico. Pelo contrário, ele tinha a expressão de um fã conhecendo o autor de um livro que realmente gostou. Isso deu coragem a Justin.
— Então… eu poderia perguntar qual parte mais ressoou com você?
— Justin!
Jeong-in cutucou urgentemente a lateral de Justin. Justin deu de ombros como quem diz “que mal tem agora?”, e Chase soltou uma risada curta antes de responder à pergunta de Justin.
— Houve tantas passagens impressionantes que é difícil apontar todas. Vamos deixar a reunião do clube do livro para outra hora. Posso pegar o Jay emprestado por hoje?
— Tudo bem. Eu permito.
Jeong-in expirou bruscamente pelo nariz, incrédulo com a conversa que os dois estavam tendo sem envolvê-lo, sendo que ele era a pessoa em questão. Mas Chase não deu importância, segurando o pulso de Jeong-in e conduzindo-o para debaixo das arquibancadas.
Sendo arrastado em confusão, Jeong-in acenou tchau para Justin com a mão livre, e Justin acenou de volta com uma expressão satisfeita.
— Onde estamos indo?
Jeong-in perguntou, recuperando o fôlego. Mas Chase caminhou sem dizer uma palavra. Devido à diferença de altura, Jeong-in tinha que dar três passos quase correndo para cada duas passadas de Chase.
A mão de Chase, que estava em volta do pulso de Jeong-in, desceu levemente e segurou a mão dele. Talvez porque o jogo tivesse acabado de terminar, sua mão estava ardendo de quente. Jeong-in conseguia sentir a pulsação do coração como se estivesse batendo contra a palma de sua mão.
— Você foi incrível, Chase!
— Prescott, você foi fantástico hoje!
Quase todos por quem passavam no corredor ofereciam parabéns a Chase. No entanto, ninguém parecia achar estranho que os dois estivessem andando de mãos dadas. Os preconceitos criados pelo nome Chase Prescott naturalmente os protegiam. Jeong-in não tinha certeza se deveria se sentir amargurado com essa situação ou ser grato por ela.
— Jay!
Uma voz brilhante chamou por trás. Ao se virarem, viram Madison Wilkes se aproximando com um sorriso radiante, vestida com seu uniforme de líder de torcida. Ela não fez questão de esconder o deleite ao ver Jeong-in.
— Você também veio assistir ao jogo?
Ao tom surpreso de Madison, Jeong-in respondeu sem jeito: — Sim — enquanto mexia na parte de trás do cabelo. O rosto de Madison mostrava expectativa.
— Você deve ter me visto. Como eu fui?
— Você foi ótima. Mas aquele mortal para trás pareceu um pouco perigoso.
— Isso não é nada demais.
Madison sorriu com confiança, erguendo o queixo.
— Como está o seu joelho? Você não está se esforçando demais?
Jeong-in perguntou, lembrando-se de que ela havia passado por uma cirurgia. Naquele momento, o aperto de Chase na mão de Jeong-in apertou visivelmente. Jeong-in olhou para as mãos deles, mas ignorou, achando que era sua imaginação, e voltou sua atenção para Madison.
— Desse jeito está tudo bem. Você acha que eu sou tão frágil assim? Apesar das aparências, sou a principal flyer de Wincrest.
Embora estivesse se gabando, Madison parecia genuinamente tocada pela preocupação dele.
— Madison, você não precisa ir? Acho que a equipe de torcida está se reunindo.
Chase interveio, como se fosse incapaz de se conter. Seu tom pretendia ser amigável, mas havia uma nuance sutilmente afiada misturada ali.
— Sério? Eu apenas direi a eles que fui ao banheiro ou algo assim.
Infelizmente, Madison não pareceu captar essa nuance e respondeu com indiferença. Então, ela continuou falando com Jeong-in.
— Você comeu o chocolate?
— Sim. Estava muito delicioso. E obrigado pelo armário.
— Não foi nada. A gente se vê por aí.
Aparentemente satisfeita com a resposta de Jeong-in, Madison acenou em despedida com um rosto contente e passou por eles.
Chase franziu a testa e disparou perguntas impacientemente.
— Chocolate? Que chocolate? Que armário? O que é tudo isso?
Jeong-in respondeu a cada pergunta com uma expressão calma.
— Alguns dias atrás, cheguei à escola e encontrei meu armário decorado. Tinha até um cartão postal dentro. Eu não sabia quem tinha feito, mas foi a Madison. Eu também recebi flores e chocolate.
Jeong-in sorriu gentilmente, como se estivesse lembrando de quando verificou seu armário pela primeira vez. Em contraste, o rosto de Chase se contorceu como se ele tivesse acabado de beber leite estragado.
Ele se lembrou de Max dizendo que Madison havia convidado Jeong-in para o baile. Ele achou que era apenas um convite casual, mas parecia mais sério do que esperava.
— Isso é… bem romântico.
Chase ficou sem palavras. Sua própria confissão desajeitada voltou para assombrá-lo, dando-lhe um tapa na nuca mais uma vez.
“Se precisamos namorar para eu conversar e rir com você como antes, então tudo bem. Vamos namorar.”
Que tipo de idiota convida alguém para sair assim? Jeong-in merecia ouvir algo mais bonito, caloroso e romântico. Ele havia abotoado o primeiro botão de forma completamente errada. O pensamento de que aquela declaração permaneceria na memória de Jeong-in pelo resto da vida como sua primeira proposta o encheu de profunda frustração.
— Então… o que a Madison disse?
— Ela me convidou para ir ao baile com ela.
A garganta de Chase secou.
— E? O que você disse?
— Eu não posso ir de qualquer maneira. Tenho uma competição de matemática naquele dia.
— Sério?
No momento em que ouviu que Jeong-in não poderia ir, um sorriso brilhante surgiu no rosto de Chase.
— Por que você está sorrindo?
— Eu?
— Você está sorrindo.
— Não, não estou.
— Olhe no espelho, Prescott.
— Chay.
— …
Ainda desconfortável com esse apelido, Jeong-in fechou a boca firmemente. Ainda parecia soar estranho para ele.
— Eu disse para a Vivian não me chamar mais assim. Se você quiser, direi à minha mãe para não usar também. Para que apenas você possa me chamar assim.
Jeong-in olhou para Chase com incredulidade. Enquanto aqueles olhos escuros levemente voltados para cima o observavam, Chase sentiu uma sensação inexplicável de formigamento e socou repetidamente a própria coxa com o punho.
Jeong-in não respondeu imediatamente, e Chase continuou a persuadi-lo como um vendedor persistente.
— Jay e Chay. Eles combinam bem, como dois feijões em uma vagem.
Finalmente, uma voz pequena escapou por entre os lábios de Jeong-in.
— …Chay.
— Sim!
A voz de Chase ecoou pelo corredor. Observando-o comemorar apenas por ser chamado pelo nome, Jeong-in não pôde evitar e caiu na gargalhada.
Com uma expressão visivelmente mais leve, Chase segurou a mão de Jeong-in novamente. Desta vez, não houve hesitação nem pressa.
O vestiário para onde ele foi levado estava extremamente barulhento. No ar misturado com o cheiro de suor, grama e terra, os jogadores ainda gritavam ocasionalmente e trocavam “high-fives”, aparentemente ainda não recuperados da excitação.
Corpos nus eram visíveis aqui e ali. Chase sentou Jeong-in no banco em frente ao seu armário, percebendo que Jeong-in não sabia para onde olhar.
— E-eu vou esperar lá fora.
Enquanto Jeong-in tentava se levantar, Chase pressionou seus ombros para baixo.
— Não. O que eu faria se você fugisse?
Chase observou Jeong-in, que olhava para os próprios pés, envergonhado, enquanto segurava a bainha de sua camisa e a puxava lentamente para cima. Após tirar a camisa, ele dobrou os braços para trás para desabotoar as ombreiras. As proteções caíram.
Jeong-in ergueu brevemente a cabeça e viu as costas de Chase. As curvas de seus músculos dorsais eram visíveis através da fina camisa de compressão. Suas costas em formato de triângulo invertido eram largas e volumosas de músculos. O cabelo loiro, úmido de suor, grudava na nuca.
Chase, tendo removido até a camisa de compressão, respirava pesadamente enquanto abria o cós da calça. Jeong-in baixou rapidamente o olhar para o chão.
Enquanto ele encarava fixamente o padrão gravado no piso de linóleo, um objeto de plástico preto, triangular e alongado, caiu na frente dos tênis de lona de Jeong-in.
— Ops… Você poderia pegar isso para mim?
A concha preta com “XL” escrito nela era, sem dúvida, o que todos pensariam que era. Uma coquilha atlética, também chamada de protetor de virilha. O olhar confuso de Jeong-in fixou-se naquele plástico preto.
Por que o tamanho está escrito aqui? Que vergonha.
Não querendo parecer excessivamente sensível, Jeong-in usou o polegar e o indicador como pinças para pegar o objeto. O calor morno contra seus dedos o fez se sentir ainda mais estranho, e ele o jogou de volta com um — Argh, aqui! —.
A risada baixa de Chase pôde ser ouvida. Parecia certo que ele tinha feito aquele gesto de propósito para provocar Jeong-in, embora ele mesmo pudesse ter pego.
— Vou tomar banho. Espere só um momento.
Mesmo diante daquele gesto simples de apertar levemente seu ombro, Jeong-in endureceu de surpresa.
Mesmo depois que Chase desapareceu no chuveiro, Jeong-in ainda não conseguia levantar a cabeça e continuava encarando o chão. Seu pescoço estava ficando dolorosamente rígido por ficar curvado por tanto tempo.
Ao levantar brevemente a cabeça para alongar o pescoço, ele viu Chase se aproximando do banho. Seu corpo grande preenchia toda a visão. Ele tinha apenas uma toalha branca enrolada na parte inferior do corpo.
Vendo Jeong-in abaixar a cabeça rapidamente de novo, Chase disse com decepção:
— Você não vai olhar. Esta era a sua chance de apagar aquela infâmia escrita no caderno.
Sem esquecer de provocar Jeong-in mais uma vez, Chase trocou de roupa vagarosamente. O som do tecido roçando na pele podia ser ouvido.
Uma fragrância única se espalhou ao redor deles, uma mistura de sabonete fresco, desodorante atalcado e um toque de perfume amadeirado da pele.
Jeong-in inconscientemente inalou aquele aroma e fechou os olhos. Era o cheiro característico de Chase, juvenil mas másculo.
— Estou pronto.
Chase parecia seu eu habitual. Camiseta, jeans e sua jaqueta “varsity” de sempre. Mas, talvez por causa de seu físico excelente, ele não parecia comum. Com cabelos loiros e olhos azuis mediterrâneos, ele não precisava de outros acessórios.
— Vamos.
Chase estendeu a mão e, após uma breve hesitação, Jeong-in a segurou e se levantou.
Assim que pisaram no corredor, Chase casualmente colocou o braço em volta da cintura de Jeong-in. Sua mão grande envolveu a lateral e a cintura de Jeong-in. Suas ações eram extremamente naturais e desinibidas. Tendo tomado sua decisão, ele não hesitou. Ele não se importava com quem pudesse ver ou o que pudessem dizer.
Mas com Jeong-in era diferente. Ao toque da mão de outra pessoa em uma parte dele que ninguém, exceto sua mãe, havia tocado durante abraços ocasionais, Jeong-in deu um pulo de surpresa e afastou a mão de Chase. Então, ele olhou freneticamente ao redor.
Foi uma reação um pouco exagerada para o que fora apenas um contato físico leve. Chase deu de ombros de forma um tanto sem jeito.
Naquela época, Chase não sabia que aquilo era apenas o começo do que ele experimentaria dali para frente.
Chase conduziu Jeong-in até o estacionamento. Ele estendeu a mão para abrir a porta do passageiro, mas o movimento de Jeong-in para impedi-lo foi ainda mais rápido.
— Eu não preciso que abram portas para mim.
A voz de Jeong-in estava calma, mas parecia haver uma sutil ponta de hostilidade escondida naquela frase curta.
A palavra “Eu” ecoou em seus ouvidos por um tempo estranhamente longo. Soava como se ele estivesse tentando se distinguir de outros que já haviam se sentado naquele assento antes.
Chase sentiu-se um pouco injustiçado, já que Jeong-in era tão especial que ele nem sabia o que fazer, mas não queria ficar escolhendo palavras no primeiro encontro deles.
Ele estava na metade do caminho para o banco do motorista quando parou de se mover de repente.
— O que houve?
Jeong-in olhou para ele com um rosto confuso. Chase estava saindo do assento do motorista, puxando as duas pernas de volta para fora do carro.
— Desculpe, acho que esqueci uma coisa. Poderia esperar um momento?
Após responder com um — Tudo bem —, Jeong-in vasculhou casualmente sua mochila. Então, ele tirou um livro e o abriu sobre o colo. A capa do livro tinha um adesivo da biblioteca da escola e os cantos estavam gastos e desfiados, provando os anos em que foi manuseado por pessoas.
Como se não quisesse desperdiçar nem um breve momento de espera, as pontas de seus dedos brancos virando as páginas eram precisas e cuidadosas.
Um sorriso gentil se formou nos lábios de Chase diante daquela cena, tão característica de Jeong-in.
Chase caminhou rapidamente para dentro do prédio da escola. Depois de passar fileira após fileira de armários ao longo do corredor, o lugar onde ele parou não foi outro senão em frente ao armário de Jeong-in.
De fato, alguém havia decorado o armário de Jeong-in, antes vazio, com cartões-postais e adesivos. Entre eles, a mensagem escrita em um cartão-postal chamou especialmente sua atenção.
“Inteligência é a verdadeira sensualidade”
As sobrancelhas de Chase se franziram gradualmente ao ver aquele cartão preso com um adesivo em formato de coração. Ele também concordava com a afirmação. Mas agora, a sensualidade de Jeong-in deveria ser conhecida apenas por ele. Não era mais da conta da Madison.
Depois de encarar aquela mensagem por um longo tempo, ele finalmente estendeu a mão e arrancou o cartão-postal.
O cartão foi instantaneamente amassado em sua mão. Caminhando pelo corredor com o rosto inexpressivo, ele balançou o braço casualmente em frente a uma lata de lixo. O papel, transformado em uma bolinha, deixou sua mão e caiu com precisão dentro do lixo.
Só então ele sentiu como se algo emaranhado em algum lugar de seu peito tivesse se soltado um pouco.
❀ ❀ ❀
Assim que o carro de Chase começou a acelerar pela Bellevue Avenue, Jeong-in perguntou enquanto segurava o cabelo que voava com o vento:
— Para onde estamos indo?
Era tão bom assim estar unido pela palavra “nós”? O sorriso de Chase se aprofundou com a palavra vinda de Jeong-in, que sempre usava “você” ou “eu” como sujeito.
— Estou com fome. Vamos jantar.
Jeong-in assentiu, como se achasse que fazia sentido, considerando toda a movimentação durante o jogo.
Logo depois, eles chegaram a uma lanchonete com um letreiro familiar que já haviam visitado antes. O letreiro de neon rústico onde se lia “Sally’s Diner” iluminava os arredores com um brilho difuso.
O som límpido de um sino tocou quando abriram a porta. O lugar estava muito mais cheio do que da última vez. O assento na janela onde haviam se sentado antes já estava ocupado, e apenas uma mesa no canto mais afastado estava silenciosamente vazia.
— Vamos sentar ali.
Jeong-in seguiu a sugestão de Chase e passou pelas mesas lotadas. Justo naquele momento, alguém parou Chase.
— Oh? Você não é o quarterback de Wincrest? O jogo de hoje foi ótimo!
Ao lado do homem que cumprimentou Chase calorosamente, estava sentada uma família em uma atmosfera alegre. A julgar pela pintura facial ainda visível no rosto de uma criança, todos deviam ter vindo da partida.
— Aquele recuo antes de lançar foi uma escolha primorosa! Deixe-me pagar a refeição da sua mesa!
— Não, está tudo bem.
— Então, pelo menos, deixe-me pagar as bebidas!
Chase recusou educadamente com um sorriso. Encorajamentos e elogios surgiram de outra mesa que havia ouvido a conversa por acaso.
Jeong-in sentou-se logo após Chase, com uma expressão atordoada, como se tivesse se tornado o empresário de uma celebridade.
Não muito tempo depois, uma garçonete se aproximou e Chase fez um pedido tremendo novamente.
— Dois cheeseburgers, uma porção de batatas fritas — no tamanho maior. Um milkshake de chocolate e um de baunilha. Ah, e waffles e torta de maçã também. As sobremesas são à parte.
Jeong-in sorriu ao vê-lo fazer o pedido. Desta vez, não houve necessidade de perguntar quem mais viria. Ele já sabia o quanto Chase era capaz de comer.
Depois de terminar seu pedido, Chase ergueu levemente o queixo, como se fosse a vez de Jeong-in.
— Eu vou querer um sanduíche de queijo quente e chá gelado, por favor.
— Isso é o suficiente para o jantar? Você é leve como uma pluma porque come tão pouco.
Quando Jeong-in franziu levemente a testa, Chase mudou rapidamente de postura.
— Tudo bem. Eu não vou dizer coisas desse tipo.
Após a garçonete sair, Jeong-in olhou inadvertidamente pela loja e algo em um dos cantos chamou sua atenção.
— Oh? Aquilo é…
— Uma jukebox antiga.
Jeong-in levantou-se de seu assento como se fosse atraído por ela e aproximou-se da máquina.
A máquina de cor menta desbotada era coberta por um vidro, e a parte inferior exibia uma lista densa de canções antigas.
Jeong-in pressionou o rosto rente ao vidro e espiou o interior. Discos de vinil com etiquetas de papel desbotadas estavam alinhados como se dormissem pacificamente.
— Não acredito que isso ainda exista.
Chase, que havia se aproximado sem que Jeong-in percebesse, parou atrás dele com as mãos em ambos os lados da jukebox. Jeong-in viu-se preso entre os braços de Chase.
— …Você precisa ficar parado aí?
Chase fingiu não ouvir as palavras de Jeong-in e inclinou a cabeça mais para perto. Sua bochecha roçou a orelha de Jeong-in. Seu peito estava pressionado firmemente contra as costas de Jeong-in.
— Devo perguntar se funciona?
Chase falou bem ao lado do ouvido de Jeong-in. Sua voz baixa e suave parecia envolver seu pescoço como veludo e infiltrar-se em seu ouvido.
Com o rosto corado, Jeong-in assentiu. Chase acariciou suavemente a cabeça de Jeong-in, aparentemente achando fofo o fato de ele ter respondido como uma criança, apenas com um aceno.
Enquanto Chase ia até o balcão, Jeong-in recuperou o fôlego. Seu coração estava disparado loucamente e ele sentia que não conseguia respirar. Apesar de ter ouvido que o espaço pessoal era valorizado na cultura deste país, isso não parecia se aplicar a Chase.
Jeong-in olhou novamente para a jukebox. O cromo que não havia perdido o brilho e o vidro arredondado capturavam perfeitamente a sensibilidade analógica. Poderia ser apenas um item retrô de decoração que não funcionava.
Pouco depois, Chase voltou. As pequenas moedas em sua mão tilintaram levemente.
— Que música você gostaria de ouvir?
— Funciona?
Jeong-in percorreu as etiquetas amareladas com os olhos brilhando de excitação. Ele examinou cada título um por um, mas não reconheceu nenhuma música. Bem, ele mal conhecia as músicas atuais, quanto mais as antigas.
Chase sugeriu ao hesitante Jeong-in:
— Você já ouviu esta, “Sugar Coated Melody” de Frankie Halloway?
— O título soa familiar, mas não sei que música é.
— Então vamos ouvi-la.
Como se quisesse que Jeong-in vivenciasse este momento, Chase entregou-lhe a moeda.
Quando Jeong-in inseriu a moeda na fenda, a jukebox se iluminou. O botão “Select” brilhou em verde, e Jeong-in pressionou uma combinação de botões de letras e números.
Como se estivesse despertando de um sono, sons de cliques vieram de dentro da máquina enquanto um braço robótico procurava lentamente pelo disco. Após um som rangente, um disco preto foi colocado no prato. Um suave ruído estático característico do analógico espalhou-se assim que a agulha tocou o disco.
No momento seguinte, uma melodia ao mesmo tempo familiar e estranha preencheu o espaço através dos velhos alto-falantes.
“Oh, like honey on my lips, my sweet darling”
— Ah! Esta música!
Era uma música que ele conhecia, mesmo que não conseguisse conectá-la ao título. A mesmíssima canção que ele ouvira inúmeras vezes em várias mídias, incluindo a TV, começando com versos sobre estar intoxicado por lábios doces. Era a melodia que tocava ao fundo de cada cena onde um homem e uma mulher se aproximavam íntima, porém ternamente.
Chase olhou para a mão de Jeong-in apoiada na jukebox. Era uma mão pálida e delicada. Ele ergueu a mão lentamente e a sobrepôs à de Jeong-in. Jeong-in tremeu ligeiramente.
Chase também estremeceu um pouco. O toque suave e o calor sutil da pequena mão presa em sua palma faziam ondas ondularem dentro de seu peito.
Uma corrente estranha criada pela música que fluía envolveu o espaço entre eles. As letras implorando por amor, até mesmo o pequeno ruído característico dos discos antigos da jukebox arcaica, criavam uma atmosfera um tanto terna.
No entanto, essa atmosfera não durou muito. Jeong-in, que parecia desconfortável com esse tipo de contato físico desconhecido, finalmente puxou a mão.
— Hum, a comida já deve estar saindo. Vamos.
Jeong-in passou por baixo do braço de Chase, encolhendo os ombros e apressando-se de volta para a mesa. Chase foi deixado sozinho, perplexo.
A música ainda tocava na jukebox, que estava mergulhada no romance do passado.
“Hold me one more time. I need your love”
Quando foram ao balcão após terminarem a refeição, descobriram que alguém já havia pago por toda a mesa deles.
Teria sido aquele homem que cumprimentara Chase? Jeong-in sentiu uma nova apreciação pelo que significava viver como uma celebridade. Mas Chase parecia acostumado a tais gestos, apenas dando de ombros levemente e conduzindo Jeong-in ao estacionamento.
De volta ao carro, Jeong-in inclinou a cabeça para trás para olhar o céu totalmente exposto através da capota conversível. As estrelas preenchiam densamente o céu, brilhando como se estivessem prestes a desabar.
— Uau, a Estrela do Norte. Está tão brilhante hoje.
O olhar de Jeong-in estava direcionado para a Estrela do Norte, que estava excepcionalmente brilhante naquela noite. Mas quando Chase olhou, ele não estava olhando para o céu, mas para Jeong-in.
Chase diminuiu a velocidade do carro, esperando que aquele momento durasse pelo menos mais um pouco.
— Você sabia de uma coisa?
Jeong-in falou suavemente, ainda encarando o céu com a cabeça inclinada para trás.
— Daqui a mil anos, a Estrela do Norte não apontará mais exatamente para o norte.
A voz de Jeong-in estava límpida e calma como de costume, mas havia algo terno e melancólico transparecendo.
— É o que acontece quando você calcula o movimento do eixo de rotação da Terra.
Mas, no momento, Chase não se importava com a inclinação de eixos rotacionais. O que importava para ele era Jeong-in. Esse momento, com Jeong-in tagarelando confortavelmente, era tudo para ele.
— Parece que nada permanece verdadeiramente imutável.
Ouvindo as palavras contínuas de Jeong-in, Chase sentiu as batidas pesadas de seu coração reverberando por todo o corpo. Ele não se importava com o quanto o mundo mudasse. Um desejo egoísta subitamente invadiu seu coração: o de que esse momento com Jeong-in pudesse durar para sempre.
Ele nunca conhecera ninguém assim antes.
Tanto em aparência quanto em intelecto, Jeong-in o surpreendia constantemente.
Alguém que o fazia se sentir mais confortável do que qualquer outra pessoa, mas que às vezes, como agora, fazia seu coração palpitar loucamente. Como uma única pessoa podia fazer tudo isso?
De onde diabos alguém assim tinha surgido? Como uma pessoa dessas poderia existir?
Apenas pensar nisso fazia seu peito parecer tão cheio que ele mal conseguia respirar.
Apesar de seu desejo de que o tempo parasse, seu carro já havia virado na Willow Street e parado em frente a uma casa aconchegante de dois andares com luz escapando pelas janelas.
Como se não tivesse intenção de ir embora imediatamente, Chase desligou o motor completamente. Quando os faróis se apagaram, a escuridão envolveu o carro. Apenas um poste de luz distante brilhava fracamente, enquanto dentro do carro, o silêncio e uma escuridão suave fluíam.
Chase virou-se para Jeong-in. Sua mão esquerda ainda estava no volante, sua mão direita apoiada no encosto de cabeça do banco do passageiro. E ele capturou silenciosamente o rosto de Jeong-in em seus olhos.
Seu rosto pequeno, sem ângulos agudos, era tão delicado e bonito como se Deus o tivesse moldado com um cuidado especial.
Erguendo ligeiramente os cantos dos lábios, Chase disse em voz baixa e suave:
— Você está em apuros agora. O que vai fazer? Você vai ser incrivelmente feliz daqui para frente.
Foi um comentário levemente brincalhão, mas com uma sinceridade clara.
Jeong-in piscou os olhos bem abertos, como se perguntasse o que aquilo significava. Suas pupilas escuras, estranhamente grandes, eram tão nítidas como se tivessem sido desenhadas.
Quando será que esses óculos dele vão ser consertados? Não posso deixar que todos vejam esse rosto. Ao ter tais pensamentos, Chase percebeu que era uma pessoa bastante possessiva.
— Vou realmente tratar você bem.
A mão de Chase envolveu a bochecha de Jeong-in. Era um toque quente, gentil e extremamente cuidadoso.
Virando o rosto de Jeong-in levemente em sua direção, Chase inclinou-se devagar.
Seu olhar deslizou dos olhos de Jeong-in para um pouco mais abaixo. Os lábios de Jeong-in brilhavam suavemente mesmo na escuridão.
A mão grande de Chase, cobrindo a bochecha de Jeong-in, era grande o suficiente para cobrir também sua orelha. As pontas de seus dedos, enterradas entre os cabelos pretos, pressionaram levemente.
Olhando para ele agora, Jeong-in tinha não apenas um rosto pequeno, mas uma cabeça pequena no geral. Era incrível pensar que aquele cérebro inteligente estava lá dentro. Que ele podia pensar, falar, calcular e tomar decisões. Agora, tudo parecia misterioso.
Chase baixou os olhos e inclinou a cabeça cuidadosamente para evitar que seus narizes batessem. Foi justo quando podiam sentir a respiração um do outro.
— Espere.
A palma da mão de Jeong-in inseriu-se abruptamente entre eles. Chase abriu os olhos e encontrou imediatamente aquelas pupilas que pareciam vidro.
Como quem ergue um escudo, Jeong-in havia levado as costas da mão aos lábios e piscava com os olhos bem abertos.
— O-o que você está tentando fazer agora?
Jeong-in perguntou, com a voz abafada contra as costas da mão. Chase congelou, incapaz de avançar ou recuar.
— Obviamente…
— Você estava tentando… me beijar?
— …Talvez?
— Por quê?
Como se o tempo tivesse parado, ambos congelaram no lugar. Jeong-in pressionou a cabeça firmemente contra o encosto de cabeça e disse:
— N-nós nem estamos namorando oficialmente ainda.
— …Não estamos?
Chase fez uma expressão deliberadamente confusa. Sua reação deixou Jeong-in ainda mais atordoado.
— Você nunca disse nada do tipo!
— Eu tenho que dizer em voz alta?
Na Coreia, as pessoas estabelecem relacionamentos românticos oficialmente ao dizerem explicitamente que estão “namorando”, e até comemoram o primeiro dia como o “dia um”.
Em contraste, embora os americanos frequentemente celebrem vários marcos, como o primeiro encontro e o primeiro beijo, é raro definir uma data exata de início para um relacionamento e contar a partir dali.
Mas Jeong-in não conhecia a cultura deles. Até agora, ele não precisara saber.
— Então como se sabe se duas pessoas estão namorando?
Jeong-in perguntou, ainda mantendo a mão contra os lábios.
— Se você precisa de algum tipo de declaração, devo fazer agora? Eu, Chase Alexander Prescott, aceito a ti, Jay Lim, como meu amado…
— Não! Não foi isso que eu quis dizer…
Jeong-in apressou-se em interromper Chase. Ele sentia que algo estava saindo seriamente dos trilhos.
— …
— …
O silêncio pairou entre eles por um momento.
Do ponto de vista de Chase, Jeong-in parecia propenso à ansiedade. Ele preferia estar preparado em vez de relaxado, e favorecia a clareza em vez da ambiguidade. Se fosse esse o caso, Chase precisava ser claro por ele.
— Eu gosto muito de você, Jay Lim. Quero chamar você de Jeong-in o mais rápido possível.
Tinham lhe dito que o nome “Jeong-in” significava “Amado”. Talvez por isso ele hesitasse em usá-lo casualmente. Chase andava pensando que, se ele e Jeong-in se tornassem amantes de verdade, ele gostaria de chamá-lo por esse nome.
— Então, Jay. Você quer ser meu namorado?
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) Yaoi Mangá Online
Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven