Ler Kiss The Stranger (Novel) – Capítulo 17 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 17

Não consegui responder àquela visita inesperada por um bom tempo. A última vez que vi Salman foi antes de eu partir para o oásis, no funeral da minha mãe. Mesmo depois de tanto tempo, eu o reconheceria à primeira vista, pois o rosto do homem que ele se tornou era a cara do meu tio.
— Ei, Salman?
Ainda hesitante, quando o chamei pelo nome, Salman me respondeu com desdém:
— Parece que o seu cérebro não pifou de vez mesmo você sendo um ômega, já que está me reconhecendo.
Por um momento, quase olhei ao redor da cabana sem perceber.
“Será que ele ouviu falar do Camar? Mesmo que tivesse, ele não saberia o que é um ômega… Porque Camar perdeu a memória. Ou será que meu primo queria perguntar se ele sabia?”
Tive todo tipo de pensamento na cabeça, mas o mais urgente era despachar o homem à minha frente. Respirei fundo e abri a boca:
— Como você chegou aqui…? Aconteceu alguma coisa com o meu tio?
Eu estava preocupado no fundo do coração, mas, ao ver a postura despreocupada de Salman, deduzi que não fosse nada grave. Mais uma vez, Salman não respondeu diretamente.
— Que cara é essa? É sempre a mesma coisa. Ei, sua vida deve ser muito dura. Viver aqui sozinho por quase sete anos.
Eu não tinha o que dizer, então apenas abaixei a cabeça. Não conseguia entender por que ele havia aparecido do nada para dizer aquilo, mas tudo bem. Eu só queria que ele desaparecesse rapidamente.
— Então… O motivo de eu ter vindo aqui…
Ele falou devagar e, em vez de completar a frase, olhou ao redor. Primeiro ele inspecionou o oásis, onde não havia lugar para esconder nada, e depois deu a volta na cabana. Eu não sabia o que diabos ele estava procurando, o que me deixou ansioso. De repente, Salman entrou na cabana.
— …Ah!
Gritei involuntariamente e o segui. Salman, que entrou primeiro, olhou ao redor da cabana estreita e acariciou o queixo, franzindo a testa.
Frustrado e sem saber o que diabos ele estava vasculhando, posicionei-me propositalmente do outro lado e falei com ele para desviar sua atenção debaixo da cama.
— Ei, o que foi? Acho que você está procurando alguma coisa.
Ele fez uma careta diante das minhas palavras e, de repente, deu um passo na minha direção. Sem perceber, recuei um passo, e Salman disse com uma expressão insatisfeita:
— Disseram que um turista passou por aqui. Foi o que Gurab disse.
— Ah… Ah. Uma vez.
Enquanto eu assentia vigorosamente, ele me encarava com insistência, como se tentasse confirmar se era mentira ou não. Meu coração batia forte no peito, mas, de repente, Salman endireitou as costas e continuou a falar:
— Bem, não há espaço para esconder nada aqui, então não sei por que meu pai está tão sensível. Fiquei muito irritado de ter que vir até aqui só porque ele estava com medo de que você pudesse ter entrado em contato com alguém e descobrissem a sua existência.
— Ah.
Foi então que entendi por que Salman estava ali. Meu coração ficou pesado com a ideia de causar problemas para o meu tio e, naturalmente, abaixei a cabeça.
— Sinto muito…
— Claro que sente muito. Você tem noção do quanto isso me irrita? Ter que vir até esse covil de mendigos só para checar você. Que merda.
Ele grunhiu e bateu na louça que havia sido cuidadosamente empilhada na mesa. Panelas e tigelas caíram no chão com um barulho estridente.
Inclinei-me rapidamente para juntá-las, enquanto ele estalava a língua acima da minha cabeça, me observando recolher os pratos espalhados.
— De qualquer forma, você é muito descuidado. Ei, por que você vive assim? Se fosse eu, já teria me enforcado.
Limpei e juntei as tigelas em silêncio. Ele ficou calado por um momento e depois perguntou novamente:
— Você é surdo? Ah? Ei, não precisa fingir que não ouve quando as pessoas falam com você. Bem, vivendo isolado desse jeito, você deve ter virado um idiota mesmo. Você já não era meio louco? Né?
— …
Ainda assim, não respondi. Ouvi Salman cuspir um pequeno palavrão. Quando eu, silenciosamente, alcancei a última tigela, ele de repente levantou o pé e pisou em cima dela, esmagando a minha mão.
— …Ah!
Sem perceber, um grito escapou da minha garganta. Então Salman disse, com um tom de satisfação, enquanto pressionava o pé contra a minha mão machucada:
— Agora você reage. Lixos inferiores como você precisam apanhar assim para recobrarem a consciência. E aí, como vai? Sua cabeça está girando?
— Ah?
Eu não conseguia nem responder, apenas segurava as costas da minha mão. A pele, que já era áspera e cheia de cicatrizes, esfolou e rasgou rapidamente, e o sangue jorrou.
Mas, quando meus olhos ficaram turvos pela dor, cruzei o olhar com o homem escondido debaixo da cama. Naquele momento, minha mente entrou em pânico.
“Não.”
Gesticulei apressadamente com a boca. Parecia que Camar saltaria dali a qualquer instante. Balancei a cabeça. “Não, por favor. Por favor, não saia. Você prometeu, por favor.”
Camar estava com os dentes trincados. Quando notei que seus olhos, normalmente roxo-escuros, tinham ganhado um brilho dourado, de repente senti um cheiro doce e desconhecido no ar.
— …Oh?
Salman, que me xingava até então, parou. Ficou claro que ele também havia sentido o cheiro. Confuso, ele olhou ao redor e depois voltou o olhar para mim.
— O que há de errado com você? Que cheiro é esse? Seu bastardo nojento, você está no cio agora?
— O quê?
Salman imediatamente ficou furioso e gritou comigo. Eu não conseguia negar nem dizer nada, então apenas o encarei. Salman cuspiu no chão e gritou enojado:
— É óbvio, ômegas imundos como você são astutos. Vai querer se atirar pra cima de mim? Acha que eu quero esse corpo sujo? Se não fosse pelo meu pai, você estaria morto nas minhas mãos!
Com essas palavras, Salman tirou o pé da minha mão e me chutou na cabeça. Eu não consegui nem gritar antes de cair no chão. Minha boca tinha gosto de sangue. Lágrimas encheram meus olhos e ficou difícil respirar; cobri a boca enquanto o som dos passos dele se distanciava.
Assim que Salman saiu da cabana, ergui a cabeça e abri os olhos com espanto. Camar estava correndo atrás dele.
“Não!”
Agarrei a perna de Camar em um sobressalto. Ele, que quase caiu pela interrupção, cambaleou até parar e olhou para mim. Eu balancei a cabeça vigorosamente. “Não vá, acabou agora. Acabou.”
Camar rangeu os dentes e tentou sair da cabana novamente. Mas eu me agarrei às pernas dele com todas as minhas forças e não soltei.
— Me solta, deixa eu ir! Aquele desgraçado já foi!
Finalmente, incapaz de suportar, Camar gritou. Ele hesitou, mas, felizmente, àquela altura o carro de Salman já havia partido. Camar me soltou, correu para fora, mas o barulho do motor já havia desaparecido à distância. Como esperado, depois de algum tempo, ele voltou com passos pesados e furiosos.
— Por que você me impediu? Se eu o tivesse pego antes dele fugir, eu o teria matado!
Vendo-o louco de raiva, tentei responder calmamente:
— Você não pode matar pessoas.
— Um lixo como ele não faria falta!
— Não, não faça isso.
Eu o repreendi novamente. Infelizmente, isso deixou Camar ainda mais irritado. Ele me encarou e gritou asperamente:
— Se você não tivesse me segurado, eu teria quebrado o pescoço dele imediatamente. Por que você age assim? Olha para você, estava sangrando, ele pisou na sua mão e te chutou, e eu tive que ficar só assistindo. Você sabe como eu me sinto?
Seus olhos brilharam em um tom dourado contínuo. Até aquele cheiro doce havia se tornado várias vezes mais forte e denso. Abri a boca com dificuldade, sentindo meu coração bater forte e minha mente entorpecida por causa daqueles feromônios.
— Mas… se Salman morrer ou se machucar, o meu tio vai chorar… É o meu tio quem cuida de mim.
Eu mal consegui formular a justificativa, mas Camar, longe de concordar, ficou ainda mais incrédulo e colérico.
— Ele cuida de você?! Caia na real, ele te abandonou! Abandonado e negligenciado, vivendo aqui sozinho há sete anos? Viver isolado com aquele gato magro e receber comida de um golpista uma vez por mês é tudo o que você tem; isso é cuidar de você? Acorda! Se você realmente pensa assim, você é tão louco quanto aquele bastardo disse que você era!
Eu sempre pensei que ele cuidava de mim, mas, por algum motivo, não consegui argumentar desta vez. Talvez por causa da fúria incontrolável que Camar exalava.
Então, isso era tudo o que me restou dizer:
— Você está falando demais.
— A sua situação é milhares de vezes pior do que as minhas palavras!
Camar bagunçou o próprio cabelo volumoso. Ele estava frustrado e não sabia o que fazer. Finalmente, vendo-o andar de um lado para o outro na cabana estreita, apressei-me em falar, pensando que precisava acalmá-lo de alguma forma.
— Está tudo bem. Fica calmo… Eu vou continuar aqui de qualquer maneira, e você vai embora.
Com essas últimas palavras, ele parou de se mover abruptamente. O rosto que se virou para mim endureceu de forma assustadora.
— …O quê?
Ao contrário de antes, a voz de Camar soou perigosamente baixa. Percebi tarde que havia cometido um erro, mas o estrago já estava feito. Camar se aproximou e perguntou:
— Diga-me, o que você acabou de dizer? Eu ouvi errado?
Talvez eu não devesse ter dito. Mas percebi que não poderia me esconder da verdade para sempre.
— Você vai embora. Eu vou ficar aqui. É um fato que não vai mudar.
Minha voz saiu fraca, mas traçou um limite claro. A essa altura, eu precisava acordar daquela doce fantasia. Graças a Salman, eu acordei. Esta vida feliz não poderia durar para sempre. Eu tinha que acordar do sonho e enxergar a realidade com clareza. E foi o que fiz.
O que eu acabei de dizer era a realidade mais óbvia do mundo. Mesmo que Camar não quisesse aceitar.
Mais uma vez, ele me olhou com o rosto pálido e transtornado. Fiquei calado enquanto o observava; sua expressão de total descrença era evidente.
— …Você quer me deixar ir embora assim?
Diante daquela pergunta sussurrada, respondi a mais pura verdade:
— Eu não quero que a gente se separe… Se você for embora, eu vou chorar muito.
— Então o que você quer dizer com isso agora?
Camar exigiu novamente, lutando para reprimir a raiva.
Mordi o lábio e sussurrei, num fio de voz:
— É que… o meu destino já está decidido.
— Você…!
Camar rosnou. Em um instante, seus olhos brilharam intensamente em dourado e uma torrente esmagadora de feromônios transbordou do corpo dele. Aquilo imediatamente tirou o meu fôlego.
Ah!
Minha visão ficou turva e minha mente deu um apagão. O sangue ferveu por todo o meu corpo e meu pulso martelava acelerado. Minha pele formigava e queimava de febre. Eu não consegui me manter de pé porque meus joelhos perderam completamente a força, então desabei no chão.
— Yohan? — Camar exclamou, assustado.
Ele se aproximou rapidamente, mas minha condição só piorava. Um pensamento despontou no fundo da minha consciência que afundava vagamente:
“O cio chegou. Bem agora, num momento como este.”
ai esse começo com o Camar é tão doloroso, pq ele é um seme perfeito, ele ama tanto o Yohan, entao quando ele volta a ser Asgyle, é tão doloroso, pqp cruel dms, todas as coisas que ele faz com o Yohan, e tudo o que o Yohan suporta, pq no fim ele amava muito o Camar mas é um luto eterno pq o Camar de fato nunca existiu e ele mesmo percebe isso tarde demais, não há mais Camar, a única pessoa que amou ele, apenas o herdeiro Asgyle, e por isso o Yohan depois rejeita os sentimentos do Asgyle

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Kiss The Stranger (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…

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