Ler Kiss The Stranger (Novel) – Capítulo 16 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 16

A luz lânguida da tarde entrava pela janela e preenchia a cabana. A imagem do gato dormindo era a mesma de sempre, assim como a minha figura curvada sobre a bancada de trabalho passando o fio, e até mesmo a de Camar, grudado em minhas costas.
Era assim logo que terminávamos de comer. Camar me abraçava assim que a limpeza terminava e, por fim, me perseguia até a bancada e ficava colado a mim. Mesmo que eu tentasse afastá-lo, ele tendia a se aproximar de novo depois de um tempo, então eu apenas o deixava em paz e me sentava ali, como se fosse algo normal.
Ah, de novo.
Embora acontecesse o tempo todo, eu não estava acostumado à situação de me sentar entre as pernas abertas de Camar, encostado em seu peito e muito próximo a ele. Desta vez também, eu o repreendi quando quase parei de trabalhar por causa da mão de Camar, que brincava em minha cintura.
— Você prometeu não me tocar enquanto eu estivesse trabalhando.
— Minha mão escorregou.
Eu já tinha ouvido essa desculpa inúmeras vezes. Camar mentia casualmente com uma expressão natural. Ficava claro que a mão se movia com intenções nítidas, mas ele fingia que não. Como não havia provas, não restava margem para mais comentários.
Novamente, suspirei e foquei no trabalho.
Senti a respiração de Camar na nuca. Enquanto minhas costas tremiam com calafrios, Camar agarrou minha cintura e me puxou, como se estivesse esperando por isso. No fim, não consegui vencer; sorri amargamente, estiquei as mãos para trás e acariciei seu cabelo. Camar, que parecia ter se acalmado por um momento, mordeu meu pescoço. Desta vez, eu o repreendi um pouco mais seriamente.
— Pare. Se continuar assim, o trabalho vai atrasar e terei que passar a noite em claro.
Então Camar gentilmente roçou os dentes na minha pele e descansou a testa no meu ombro.
Tive que me esforçar para não sentir pena. Se eu fraquejasse aqui, seríamos levados pela luxúria novamente. Agora, eu precisava aguentar até o ponto em que realmente não tivesse tempo nem para dormir. Enquanto eu lutava para ignorá-lo e focar no trabalho, Camar ficou estranhamente quieto. Sorri suavemente, pensando que ele parecia um cachorro grande e bem treinado, esperando eu terminar meu trabalho sem mover um único dedo.
— Ah!
De repente, Rikal pulou entre minhas pernas, e eu exclamei de susto. Camar, que me segurava pela cintura, sentiu o sobressalto. Com a mão que não segurava a agulha, acariciei distraidamente a cabeça e o queixo de Rikal.
— Está entediado, Rikal?
Sorri ao observar a figura relaxada do gato, que fechava os olhos soltando um ronrom baixinho.
— Você gosta mesmo de gatos — Camar disse de repente atrás de mim. Sem perceber, respondi sem pensar:
— Hein? Ah… e você? Já teve algum?
— Eu gosto de cachorros, mas não tive a chance de ter um.
Enquanto ele ponderava seus pensamentos, continuou:
— Se eu fosse um gato, quem você preferiria: eu ou o Rikal?
— O quê? O que você quer dizer com isso…?
— Você é humano — eu disse, rindo, mas de repente Camar mudou de postura. Ele colocou as mãos no chão, ergueu os joelhos e perguntou de novo:
— Hein? Diga-me.
Piscando de embaraço diante do comportamento inusitado, ele se aproximou mais e soltou um som:
— Miau.
Minha mão, que coçava o queixo do gato, parou no ato. Não parou por aí. Camar deitou-se na minha frente, ficando rígido. Era algo que Rikal fazia sempre, mas eu não sabia que Camar faria o mesmo. A maneira como ele me olhava em antecipação não era muito diferente da de um gato, mas havia uma diferença crucial além de ser humano.
Ele era grande demais para ser um gato.
Parecia um leopardo, um jaguar ou um tigre ainda maior. Aqueles olhos incomumente brilhantes me encarando eram assim. Não seriam aqueles os olhos de uma fera procurando a presa?
Em um instante, senti um calafrio na espinha. Independentemente dos meus sentimentos, Camar continuou a me encarar e esperar. Parecia que ele não ficaria quieto a menos que eu o tratasse como tratava Rikal.
Finalmente, baixei a agulha, levantei Rikal também, coloquei-o de lado e engatinhei até Camar. Ele estava deitado com os braços e pernas dobrados como um felino, com a cabeça baixa, esperando por mim.
O ambiente estava infinitamente silencioso. Parei de me mover e olhei para o rosto de Camar. Se fosse o Rikal, eu teria coçado o queixo e acariciado o topo da cabeça sem hesitação. Então Rikal faria um som agradável e fecharia os olhos. Como se estivesse possuído, levantei a mão e a levei ao queixo de Camar.
Ele agarrou meu cabelo e me puxou gentilmente para perto; eu fechei os olhos.
Nossos lábios se tocaram suavemente e depois se aprofundaram. Cuidadosamente, ele pediu passagem com a língua, e eu abri a boca, aceitando-o. Enquanto misturávamos saliva e nos beijávamos, o pensamento sobre o trabalho desapareceu completamente da minha mente. Não sobrou nada.
Encantado pelo beijo, Camar moveu a mão que segurava minha cabeça e acariciou minha nuca. Enquanto eu estremecia, senti um sorriso nos lábios dele contra os meus. Meu rosto esquentou, mas não parei o beijo.
Pelo contrário, quando esfreguei minha língua contra a dele com ousadia, a mão de Camar deslizou para dentro da minha camisa e acariciou suavemente meu ombro. A roupa saiu naturalmente, e Camar, que deslizou o braço pela minha pele exposta, segurou meu pulso.
— …Yohan.
Um sussurro foi ouvido entre os lábios entreabertos. Olhando para baixo com o olhar turvo, ele abriu a boca:
— Eu te amo.
Por um momento, não processei o que ele disse. Camar falou novamente para mim, que apenas piscava e o encarava:
— Eu te amo. Quero ficar com você… para sempre.
Sua voz me atingiu com calor. Além da consciência cada vez mais clara, Camar disse:
— Vamos embora daqui juntos, Yohan.
Fiquei completamente chocado com aquelas palavras. Olhando-me com os olhos arregalados, Camar percebeu que algo estava estranho.
— Yohan, por quê?… Eu disse algo estranho?
A última pergunta mostrava um traço de nervosismo. Mas eu não tinha o que dizer. Abri a boca, mas o som não saía; eu apenas balbuciava. Só consegui falar depois de me recompor minimamente.
— …Trabalho.
Ouvindo a própria voz soar estranha, forcei-me a continuar:
— Está tarde. Tenho que terminar meu trabalho.
Sem esperar pela reação de Camar, virei-me. Sentei-me rapidamente diante da bancada, peguei a agulha e comecei a tecer. Ele não disse mais nada, mas o olhar aguçado que ele me lançava era forte o suficiente para fazer minha pele formigar.
Camar certamente acharia que eu era estranho. Era antinatural demais agir assim. Mas o que mais eu poderia dizer?
Eu não posso partir. Tenho que me esconder aqui pelo resto da vida. Meu tio disse que me ligaria quando as coisas melhorassem. Mas quando? Quanto tempo mais eu teria que esperar?
Isso não vai acontecer. Vou morrer aqui sozinho. Partir nunca será uma opção.
Porque eu sou um Ômega. Se Camar quiser ir embora deste lugar, eu o deixarei ir de bom grado. Tenho que trabalhar duro para fazer as tapeçarias e comprar um camelo para ele. Preciso fazer todos os preparativos para que Camar possa partir. E eu ficarei sozinho novamente. Meus olhos subitamente arderam, mas não pude secá-los.
Sentindo o olhar de Camar ainda sobre mim, segurei as lágrimas a todo custo.
***
Com o passar dos dias, nada mudou muito externamente. Eu trabalhava o dia todo, preparava as refeições nas horas certas, e Camar passava o tempo me ajudando, colhendo frutas e vigiando os arredores.
Felizmente, ele não disse que me amava depois daquele dia. Achei que tive sorte e fingi não saber. Como antes, Camar me beijava de vez em quando e me abraçava para dormir. Aceitei tudo sem rejeitar ou discutir. Camar partiria deste lugar cedo ou tarde. Então, eu sentiria falta de tudo isso. Pensando assim, o beijo e a temperatura do corpo dele tornaram-se tão desesperadores que eu não conseguia imaginar rejeitá-lo. E assim o tempo passou.
Naquele dia, acordei sentindo minhas pálpebras mais pesadas que o normal. Assim que me movi e me virei levemente, Camar me abraçou. Prendi a respiração e fiquei deitado por um tempo. Meu corpo parecia pesado, difícil de levantar. “Deveríamos descansar hoje?”, pensei vagamente.
Camar beijou meu pescoço e ombro. Repetir o movimento de tocar e soltar os lábios era comum todas as manhãs, mas desta vez foi um pouco diferente. Cada vez que os lábios dele se afastavam, o lugar que tocavam ardia como se estivesse pegando fogo.
Estranho. Pensei, sem entender.
Virei a cabeça lentamente. Camar, que havia beijado minha nuca, ergueu os olhos. Nossos olhares se encontraram e ele inclinou a cabeça.
Nossas respirações se cruzaram e nossos lábios se entreabriram. Justo quando estávamos prestes a nos beijar, ouvi um som desconhecido. Camar e eu paramos de nos mover ao mesmo tempo e ouvimos em silêncio. A identidade do som que se aproximava gradualmente era clara. Era o som do motor de um carro.
— Quem…? — murmurei sem saber.
Ainda faltavam muitos dias para Gurab chegar. Ninguém vinha aqui, então quem diabos era?
Tropecei ao tentar me levantar às pressas com um pressentimento sinistro. Assim que fiquei tonto, Camar me segurou.
— Você está bem?
Recobrei os sentidos ao ouvir a voz preocupada.
— Sim — assenti, soltei-me de seus braços e coloquei os pés no chão. Ao cambalear até a janela, vi um carro correndo sobre a colina.
…?
A princípio, foi difícil ver com clareza. O homem sentado no banco do motorista parecia familiar, mas ao mesmo tempo estranho. Mas quando olhei na direção do carro vindo direto para cá, ficou claro que algo estava errado.
— Camar, acorde.
Eu o apressei para sair da cama e apontei para baixo dela.
— Entre aqui. Você não deve sair até que eu mande. Entendeu? Pode me prometer?
Camar franziu a testa e não mostrou sinais de que ia se mexer. Eu estava desesperado e tentei empurrá-lo pelas costas, mas ele não se moveu.
— Camar, por favor! — clamei entre lágrimas. Ele hesitou, mas finalmente murmurou algo baixo e se abaixou sob a cama.
Apressei-me em recolher todos os panos que tinha, espalhei-os sobre a cama e os pendurei de modo que Camar não pudesse ser visto. Depois de confirmar uma última vez, inclinei-me e olhei para ele através do pano pendurado, e insisti:
— Nunca saia. Prometa.
— …Tudo bem.
Assenti para Camar, que respondeu relutantemente, e então rapidamente endireitei as costas e olhei ao redor mais uma vez. O som do motor vinha de muito perto.
Quem diabos…?
Ao sair ansiosamente da cabana, vi o carro parando não muito longe. Assim que a porta do motorista se abriu e vi o rosto do homem que descia, entendi o motivo da tontura e da estranheza que senti.
— Ora, você ainda está vivo.
Fiquei parado, olhando para o homem que se aproximava com um sorriso. Era o filho do meu tio, meu primo Salman.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

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Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…

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