Ler Diamond Dust (Novel) – Capítulo 58 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 01 — Pull Out

Em frente à entrada que levava ao prédio, uma placa anunciando que o horário de visitas havia encerrado estava ao lado de uma barricada, mas o pesado portão principal, embora fechado, não estava trancado. A porta parecia mais pesada do que ele se lembrava; Yihyun a empurrou com quase todo o corpo e deu um passo para dentro.

O interior ainda mantinha um tom de branco morbidamente uniforme. Ele parou por um momento no saguão de entrada, observando lentamente a escadaria curva de marfim e o teto alto. Com todos já fora pelo dia e apenas Lau restando no escritório, todas as outras luzes estavam apagadas. Apenas o lustre de design estrutural pendurado no teto do saguão lançava uma luz pálida sobre a cabeça de Yihyun.

A Phantom, que antes era como o castelo de um nobre rico, sempre fervilhando com convidados elegantemente vestidos, agora parecia uma casa desolada e abandonada, com rumores de ser assombrada, apegando-se a um passado outrora glorioso. Mas isso era apenas uma projeção de seus próprios sentimentos; na realidade, nada havia mudado. Ele não havia decidido suprimir reações sentimentais o máximo possível? Apertando a alça da mochila no ombro, Yihyun respirou fundo e caminhou em direção ao escritório.

— ……

Lau, a quem ele não via há dois dias desde que se despediram ontem de manhã, estava de pé atrás de sua mesa no fundo da sala, ao telefone. Ele se virou ao notar a presença de Yihyun, sorriu e acenou com o papel A4 que tinha na mão. Ele estava tão inalterado que chegava a ser desanimador.

Sozinho no escritório, ele estava vestido confortavelmente, com o nó da gravata frouxo e as mangas da camisa dobradas abaixo dos cotovelos. Yihyun manteve os olhos fixos nele enquanto caminhava lentamente em direção à grande mesa de conferência logo na entrada.

Se ele se aproximasse dele agora, fingindo não saber de nada, Lau provavelmente estenderia a mão, envolveria seus ombros com um braço e o beijaria, exatamente como fizera ontem de manhã. Ele quase certamente o faria.

Desde o momento em que ouviu a história de Shushu pela primeira vez até este exato instante… ele sentira essa tentação inúmeras vezes. A tentação de fingir que não ouvira nada, de simplesmente se entregar ao julgamento de Lau e permanecer em silêncio. De se anular daquela forma, ignorar seu segredo e escolher o futuro de falsa esperança que havia sido traçado para ele….

Mas um impulso distorcido de desmantelá-lo da maneira mais brutal, de expor viciosamente sua hipocrisia, vinha logo em seguida, fervendo e atormentando Yihyun. Os dois impulsos diferentes ainda ronavam ferozmente um para o outro, mesmo naquele momento.

Engolindo em seco, Yihyun colocou sua mochila, que estava esticada em sua capacidade máxima, sobre uma cadeira. Lau, largando o papel que segurava e pegando outro, parecia estar discutindo a disposição de cada obra de arte para a exposição conjunta no final do ano com a pessoa ao telefone. A conversa não parecia estar indo bem; ele jogou o papel recém-pego como se o estivesse arremessando, depois coçou a testa e colocou a mão no quadril.

Com tantas coisas para finalizar, o motivo de ele estar pessoalmente envolvido em assuntos que geralmente eram tratados por Yuni era provavelmente porque ele queria dar o seu melhor pela sua Phantom até o fim.

Não era que seu afeto pela atual Phantom tivesse diminuído, nem que suas convicções sobre sua gestão tivessem mudado. E certamente não era que ele tivesse alterado naturalmente seu curso por um propósito maior, como ele próprio havia explicado.

— Você chegou?

Tendo terminado a ligação, Lau sorriu enquanto olhava para ele. Sentindo uma onda de crueldade, um desejo de despedaçar aquele sorriso indefeso em um instante, Yihyun forçou uma expressão curta, parecida com um sorriso.

— Faz um tempo que você não vem à Phantom, não é?

Com as pálpebras fundas e o branco dos olhos injetado, Lau caminhou entre as mesas em direção a ele.

— Você quis dar uma passada aqui uma última vez antes de partir?

Yihyun não estava confiante de que conseguiria responder com naturalidade ao beijo rápido e ao contato físico que Lau ofereceria como de costume. Em vez de responder à pergunta, ele caminhou até a janela e lhe ofereceu café. Lau pediu um café forte, depois demonstrou interesse na mochila que Yihyun havia tirado, segurando a alça e puxando-a algumas vezes como se estivesse testando o peso.

— O que você embalou tanto assim? Você parece alguém que está viajando há dias.

Ele ainda acreditava que Yihyun tivera uma festa de despedida barulhenta na casa de Yuni e Juhan ontem à noite. Ele devia estar assumindo que Yihyun passara um dia relaxante na casa deles depois que saíram para trabalhar, e depois se reunira com eles novamente após o expediente, e por isso estava tão atrasado.

Mas Yihyun acabara de vir da casa de Lau, não do apartamento de Yuni ou Juhan.

Não alguém que esteve em uma viagem, mas alguém que está prestes a partir para uma. Parado em frente à máquina de café, Yihyun mordeu o lábio para suprimir a vontade de zombar de sua conversa cotidiana e alheia. Ele pensara que vê-lo pessoalmente acalmaria suas emoções em uma direção… mas a batalha dentro dele ainda rugia.

Retornando à mesa com duas canecas, ele entregou uma a Lau. E ao trazer um assunto que despertaria seu interesse, ele mais uma vez evitou qualquer contato físico.

— Não é isso. Eu passei no estúdio… minha casa, no caminho para cá.

— ……

Como pretendido, a mão de Lau parou enquanto ele pegava a caneca. Como se não fosse nada demais, Yihyun levou a caneca aos lábios e falou em um tom monocórdico.

— Vou ver meu pai.

— Agora?

— Sim.

Ele encarou Yihyun por um longo tempo com um olhar aguçado e perspicaz, tentando ler seus pensamentos internos. Seu olhar inquisidor, que antes parecia ser baseado em uma preocupação afetuosa, agora parecia… sufocante, como uma restrição e um grilhão.

— Ir embora sem vê-lo pessoalmente… você não se sentiria bem com isso, suponho.

Lau disse, balançando a cabeça lentamente em concordância.

Exatamente como Yuni fora ver sua família. Ele provavelmente concluíra que Yihyun decidira visitar o pai para resolver parte de sua bagagem pesada antes de partir para um lugar distante.

Mas o motivo pelo qual ele decidira ver o pai não era nem tão voluntário nem tão construtivo quanto o caso de Yuni, desdenhou Yihyun interiormente.

— Sr. Im… você não precisa se preocupar muito. Ele parece ter se acalmado desde que o filho mais velho e a esposa tiveram a primeira neta, há cerca de um mês.

Lau parou por um momento, tomou um gole de café e acrescentou, como se falasse consigo mesmo.

— Talvez tornar-se avô tenha mudado um pouco a perspectiva dele sobre o mundo.

Colocando a caneca fumegante sobre a mesa, Lau virou a cabeça. Seu olhar, observando Yihyun que estava a três ou quatro passos de distância, do outro lado da mesa, brilhou intensamente. Ele devia ter notado a diferença sutil na distância habitual entre eles e estava se perguntando sobre isso.

Justo quando Yihyun ia levar a caneca aos lábios, Lau encurtou a distância em um único passo.

— Hm.

Parado não na frente dele, mas ao lado do ombro direito de Yihyun, ele soltou um som como se estivesse levantando algo pesado com esforço e envolveu o corpo de Yihyun com os braços. Ele entrelaçou as mãos sobre o bíceps esquerdo de Yihyun, apertou e beijou sua têmpora. Durante todo o tempo, o olhar de Yihyun permaneceu fixo na caneca em sua mão.

— ……Você vai ficar bem?

— Com o quê.

— Voltar lá sozinho. E… encarar seu pai.

— ……

Inclinando o queixo, Yihyun olhou para o rosto dele. Lau abaixou a cabeça para encontrar seus olhos, com uma expressão preocupada. Yihyun tentou sentir a mesma confiança e intimidade de antes. Mas esse esforço logo se transformou em hostilidade, um desejo de esfaqueá-lo, de abrir um buraco nele e arrastar seu segredo sombrio para a luz.

— Devo te levar? Poderíamos ver o mar enquanto estamos lá.

Ele mofou e balançou a cabeça, descartando as palavras dele como uma piada.

— Por que não? Não é uma boa ideia? Se você pensar nisso como uma viagem curta e impulsiva juntos….

Lau virou Yihyun pelos ombros para encará-lo. Segurando a caneca desajeitadamente, Yihyun baixou o olhar para algum lugar na altura do peito de Lau. Os braços de Lau envolveram sua cintura, tão naturalmente como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Na província de Gangwon, perto de Inje, minha mãe tem um estúdio que usa às vezes. O proprietário anterior o construiu como uma casa de férias, então a vista da janela é tranquila, tem uma lareira, é bem aconchegante. Poderíamos sair agora, dirigir sem pressa… dormir algumas horas lá… ver o nascer do sol juntos em Donghae….

— Você tem muito trabalho a fazer aqui.

Ele interrompeu a voz lânguida e sussurrante que beijava sua têmpora, bochecha e o canto de seus lábios sucessivamente. Ele tentou evitar, mas não conseguiu apagar completamente a frieza de sua voz. Parecia que seria apenas uma questão de tempo até Lau perceber.

Lau soltou um suspiro leve e pressionou sua testa contra a de Yihyun.

— Ah… eu realmente tenho muito trabalho. A H&W está me pressionando para marcar logo uma data para a exposição de Pettibone, então acho que terei que ir a Hong Kong em breve. Mesmo quando chegar a Nova York, terei que me concentrar em lidar com isso antes de abrir a filial da Phantom.

Yihyun sentiu uma sensação de desespero pelo fato de que o hálito de Lau, seus sussurros de reclamação, não pareciam mais doces, e ele o ressentia por ter destruído isso.

— Então, você não precisa ter tanta pressa.

— ……O que… você quer dizer?

Uma leve rigidez áspera pôde ser ouvida na voz de Lau enquanto ele perguntava.

— Não há razão para você correr para Nova York, não, para sair de Seul, a ponto de se sobrecarregar dessa maneira.

Os braços dele caíram da cintura de Yihyun.

Seus olhos, inclinando a cabeça para estudar a expressão de Yihyun, continham suspeita sobre seu comportamento incomum, mas ainda era algo mais próximo da preocupação. Ele parecia ter concluído que Yihyun estava sentindo uma tensão e confusão severas antes de encontrar o pai, em vez de suspeitar que ele pudesse ter descoberto sobre a mudança.

— Aconteceu alguma coisa?

Sua voz era cautelosa enquanto perguntava, acariciando lentamente a ponta do ombro de Yihyun. O toque de seus dedos e o ponto de interrogação ao final de suas palavras eram tão meticulosos quanto o Lau que Yihyun conhecia. Tudo o que ele direcionava a ele era tão carregado de sinceridade que era difícil acreditar que aquilo não fosse tudo o que havia nele.

Incapaz de encontrar seus olhos, Yihyun estivera pressionando os lábios com força. Ele acariciou a superfície quente da caneca com o polegar antes de abrir a boca.

— A filial de Nova York, é por minha causa, não é?

Como não olhou para cima, ele não pôde ver que tipo de expressão Lau estava fazendo. Yihyun olhou para o pulso firme conectado à mão em seu ombro. Seu corpo, que ele havia acariciado e mimado como se fosse parte de si mesmo até pouco tempo atrás, agora existia com um significado completamente diferente.

— Quando todos que te conhecem há muito tempo acharam estranho e ficaram chocados e preocupados, eu deveria ter pensado sobre isso pelo menos mais uma vez…. Acho que eu… só queria acreditar também.

Só porque haviam confortado a solidão interior um do outro, que nunca haviam compartilhado com mais ninguém, não significava que sabiam tudo um sobre o outro. Ele talvez tivesse ignorado com muita facilidade as reações daqueles que estiveram ao lado dele por mais tempo. Um motivo egoísta — querer ver o que queria ver e acreditar no que queria acreditar — o cegara.

— Que por minha causa, você estava ignorando as convicções que te sustentavam e, por causa disso, estava causando preocupação naqueles ao seu redor, perdendo a confiança deles… e fazendo uma escolha que te distanciava de si mesmo….

Para suprimir suas emoções crescentes, Yihyun respirou fundo.

— Eu devo ter ficado com medo de encarar o fato de que… estarmos juntos estava te deixando doente.

A mão em seu ombro agora o agarrava com firmeza, com força.

— Sou grato por todos pensarem que tenho vivido uma vida de ascetismo por algum grande objetivo moral… e embora eu não possa dizer que não tinha minhas próprias convicções, no final, negócios são negócios para mim. Eu já expliquei que apenas aconteceu de eu me dar bem com algumas pessoas que conheci em Chicago, e julguei ser uma oportunidade adequada para abrir uma filial.

Era uma lógica plausível, mas para Yihyun agora, suas falhas eram visíveis. Ele não tinha medo de sujar as mãos com questões ditas materialistas para garantir que as obras de seus artistas recebessem o reconhecimento que mereciam, mas isso era completamente diferente de ele usar a arte como um meio para os negócios.

Yihyun levantou a cabeça.

— Se não é por minha causa, então você irá para Nova York sozinho, certo?

O rosto de Lau endureceu ferozmente. Então, como se para afastar um presságio sombrio, ele balançou a cabeça e suavizou sua expressão. Movendo a mão do ombro de Yihyun para seu pescoço, depois para sua bochecha, ele o acariciou enquanto escaneava lentamente seu rosto.

— O que foi? Você ouviu algo em algum lugar? Alguém te disse alguma coisa? Hein?

Ele queria acreditar que apenas os olhos que guardavam seu reflexo e o toque familiar e gentil eram sua verdade. Ele queria fechar os olhos e ouvidos para qualquer outra verdade.

Mas ao mesmo tempo, um sentimento de traição surgiu em direção ao homem que construíra confiança suficiente para fazê-lo querer acreditar nele mesmo após ver com seus próprios olhos que seu corpo havia mudado, e que estivera nutrindo outra verdade além daquela parede alta e espessa.

Yihyun balançou a cabeça, dizendo que não era isso, e baixou os olhos. Ele mordeu o lábio. O café na caneca estava tremendo. Quando ele ergueu a cabeça para encarar Lau, como se tivesse tomado uma decisão firme, os olhos de Yihyun brilhavam.

— Estou pensando em considerar a oferta da ‘The Hands’.

Os olhos de Lau se estreitaram. Suas íris azuis se estilhaçaram em um tom cinzento, e sua bochecha tremeu brevemente.

— O que isso significa?

Era uma pergunta que parecia querer acreditar que havia outro significado oculto além do literal nas palavras que acabara de ouvir.

Yihyun ignorou sua ansiedade e virou os ombros completamente em direção à mesa. Com o movimento resoluto, a mão de Lau, que estivera envolta no pescoço e no ombro de Yihyun, caiu inerte no ar.

Colocando a caneca na mesa, Yihyun agarrou o encosto da cadeira com as duas mãos. Conforme Lau se aproximava, ele podia sentir sua agitação e excitação. Uma mão grande agarrou o ombro de Yihyun e o virou à força para encará-lo.

— Não, você não pode fazer isso. Você não esqueceu que assinou um contrato de exclusividade que incluía um bônus de assinatura de 100 milhões de won, esqueceu?

— Mesmo sem esse dinheiro… todas as muitas coisas que recebi de você até agora… como eu poderia esquecer.

Aparte desta situação, aquelas palavras eram sinceras. Ele não estava considerando a ‘The Hands’ para puni-lo. Era apenas o que deveria ter sido feito desde o início.

Yuni estava certa. Se eles estivessem em um relacionamento sério, se realmente confiassem um no outro, ele deveria ter discutido com ele quando recebeu a oferta da ‘The Hands’.

Mas, no fundo, ele tivera medo de que Lau dissesse para ele ir. Mesmo que decidisse não ir, ele se preocupava que Lau se sentisse culpado por isso. Tentar enterrar uma oportunidade que conquistara com suas próprias forças apenas para ficar ao lado dele estava errado desde o começo.

Yihyun sentiu o suspiro pesado de Lau em sua testa. Em uma voz que era forçada a ser gentil, carregada de tensão, ele sacudiu os ombros de Yihyun.

— Isso foi apenas algo que eu disse por pânico, eu não pretendo realmente te impedir de ir usando esses 100 milhões de won contra você. Você sabe disso.

— Olhando para trás… eu recebi, e estou recebendo, tanta coisa. A ponto de eu ficar surpreso com o quão sem vergonha eu tenho sido…. A pessoa que sou agora foi toda moldada por você, Diretor. Da vida que levo, o que visto, como e onde durmo… até voltar a desenhar e encontrar conforto para o meu passado… eu estava me apoiando em você para tudo.

Pelo motivo de estar em uma situação especial onde poderia ser perseguido por uma pessoa perigosa, pelo motivo de ser jovem e não ter habilidades sociais, pelo motivo de Lau dizer que estava tudo bem e que não era um fardo… ele aceitara todas as suas ofertas com muita facilidade. Ele hesitara, mas no fim, fora ele quem decidira aceitar sua gentileza após sua persuasão.

Após outro longo suspiro, Lau colocou as mãos nos quadris e parou por um momento.

— Apoiar-se em seu amante, ser confortado e receber ajuda. O que há de tão errado nisso? É o mesmo para mim. Eu fui confortado porque tive você, e se pude te dar algo… essa é a minha felicidade. Isso é errado?

— Eu não recebi apenas ajuda. É… amor, depender de outra pessoa até para os direitos e responsabilidades mais básicos para si mesmo?

— ……

Os olhos de Lau vacilaram com ansiedade, escaneando o rosto de Yihyun como se procurassem o motivo de sua confusão repentina. Então ele se aproximou, acariciando o braço de Yihyun e implorando em voz baixa.

— Você não disse que não iria? Hein? Que ficaria ao meu lado?

Eu disse. Quando eu não sabia que você estava me transformando em um Ômega.

Yihyun imaginou despedaçar o mundo dele em um instante com apenas algumas palavras curtas. A intensidade disso, que fazia seu corpo tremer só de pensar, era tão avassaladora que ele não conseguia dizer se sua verdadeira natureza era raiva ou excitação.

Eu não pretendia mencionar a Mudança hoje. Meu plano era ir para Donghae primeiro, colocar distância física e tempo entre nós, e organizar calmamente meus sentimentos e posição. Eu não tive escolha a não ser vir aqui porque achei que ele não entenderia a história de ir ver o Pai a menos que conversássemos cara a cara, mas talvez fosse impossível manter toda a confusão submersa enquanto nos encaramos.

— Quantas vezes nós demos o nó?

— ……

Com a mudança repentina de assunto, Lau franziu as sobrancelhas e a testa.

— Dez vezes? Vinte vezes? Nós até fizemos isso duas ou três vezes em uma noite, então… talvez 50, não, 70 vezes?

Enquanto olhava diretamente nos olhos de Lau e umedecia seus lábios secos com a língua vermelha, Yihyun cerrou uma pedra na mão, pronto para golpear e fazê-lo sangrar.

— Ontem, eu estive na casa do Inwoo hyung.

— ……

Lau recuou. No final da noite, ele balançou a cabeça lentamente como se para negar a realidade diante de si, esfregando amplamente sua linha de mandíbula que escurecia.

— Hoje, eu fui ao hospital com o hyung.

Observando-o congelar, incapaz de proferir uma palavra, Yihyun sentiu o desejo vingativo de destruí-lo e infligir dor violentamente sobrepujar o impulso de defendê-lo e acreditar nele.

— ……Eu estou grávido.

Os olhos de Lau se arregalaram, seus lábios se abriram e ele tropeçou para frente, incapaz de sequer emitir um som. Como se estivesse zombando dele, os lábios de Yihyun se torceram e ele soltou uma risada fria.

— Você… realmente queria essa situação?

Observando Lau parar com uma expressão estranha, sem saber se estava aliviado ou decepcionado com a notícia de que não era uma gravidez, Yihyun entortou a boca.

— Você sonhou com o dia em que teria um filho através de mim algum dia?

— Então é por isso que você… tentou me transformar em um Ômega?

— Eu não preciso de um filho. Eu nunca nem pensei tão longe!

Lau gritou desesperadamente. Após seu protesto, ele olhou para os olhos avermelhados e arregalados de Yihyun que o encaravam, então baixou o olhar. Como se não pudesse acreditar no que fizera, ele lambeu os lábios e passou as mãos pelo rosto bruscamente várias vezes. Após engolir em seco, ele fechou os olhos com força, depois olhou para Yihyun novamente.

— Seo Yihyun.

— ……

A mão que se estendia para o ombro de Yihyun hesitou no ar.

— Yihyun-ah.

Sua voz era como a de alguém parado sob um céu que desaba. Como na vez em que Yihyun o ouviu dizer que o amava pela primeira vez.

Yihyun esquivou-se de sua mão que se aproximava e deu as costas.

— Por favor… não me chame assim.

Para afastar a pressão úmida que se acumulava em seus olhos, Yihyun lançou um olhar severo e contornou a mesa a passos largos, virando-se para encarar Lau de longe.

— Disseram que está 50 por cento concluído.

— Não… não pode ter progredido tanto assim já. No máximo, está em torno de 35 por cento…

— 35 por cento, 50 por cento… qual é a diferença!

Desde o acidente de sua mãe, ou talvez até antes disso, desde que tivera idade suficiente para ter algum bom senso, esta era a primeira vez que ele lançava emoções tão sem filtro sobre alguém. Ele se sentiu tonto de tanto gritar. Yihyun passou os dedos pelo seu cabelo que crescia.

— Agora mesmo, eu não sou nada. Nem um Beta, nem um Ômega… apenas…

Ele engoliu em seco com dificuldade, depois continuou com um esforço ainda maior.

— Um monstro.

Assim como alguém não registra conscientemente a existência do céu, da terra, do ar e da luz solar a todo momento, ele não considerara particularmente o gênero. Para Yihyun, o gênero era uma daquelas verdades fixas e inquestionáveis, como montanhas ou rios. Embora houvesse casos raros de pessoas se manifestando como Alphas ou Ômegas após se tornarem adultas, ele descartara isso como algo não relacionado a ele e nunca sequer considerara a possibilidade.

Ele imaginara brevemente como seria o relacionamento deles se ele fosse um Ômega, capaz de se comunicar com ele através de feromônios e engravidar. Mas isso era… um cenário hipotético desenhado vagamente, plenamente consciente de que era impossível, não um anseio para se tornar um Ômega. Mesmo que ele quisesse, não teria sido desta forma.

Pode-se ignorar a corrupção interior indefinidamente, mas ninguém ignora a dor física ou a doença. Até uma única gota de sangue de um corte de papel no dedo provoca dor, e aplica-se remédio e um curativo.

Mesmo alguém que não possui nada socialmente, ainda possui inegavelmente seu próprio corpo. A ansiedade que um ser humano sente quando a identidade e a propriedade de tal corpo se tornam obscuras não é apenas um tremor superficial.

— Ninguém pensa isso. E se pensarem, não dirão na sua frente. Eu não permitirei.

Lau disse, inclinando-se mais perto da mesa, sua voz transmitindo uma clara intenção de agir conforme suas palavras, não apenas dizê-las. No entanto, Yihyun não conseguia sentir nenhuma emoção vinda disso. Ele soltou uma risada vazia, olhando para Lau, que o transformara assim, com uma expressão de descrença.

— Eu não me importo com as outras pessoas. Porque eu passei a me sentir assim sobre mim mesmo.

Lau fechou os olhos, unindo as mãos como se em oração, cobrindo o nariz e os lábios. Ele puxou a pele para baixo, arrastando as mãos, e franziu a testa como se buscasse palavras. Mas Yihyun falou primeiro.

— Você achou que vir para Nova York para conversar mudaria o resultado?

Sua voz tremia levemente, tentando suprimir suas emoções.

— Afastar aqueles ao meu redor, transformar a Phantom de uma forma que você não queria… e então partir para um lugar onde eu não conheceria uma única pessoa para desabafar…

— ……

— Você achou que eu não teria escolha a não ser aceitar isso… aceitar você… esse era o seu cálculo?

Lau, mordendo o lábio inferior como se suportasse uma dor, olhou para Yihyun por cima da mesa. Em vez de se aproximar, ele se inclinou para frente como se para empurrar a mesa e balançou a cabeça.

— Não é isso. Eu queria que fosse a prova de que apostei minha vida em você…

— Como pode ver você arruinando tudo o que protegeu por minha causa ser uma prova do seu amor?

— ……

Trabalhar brilhantemente na cena artística de Nova York com o apoio de uma galeria forte era um ambiente que qualquer pintor que visasse o ‘sucesso’ aspiraria. Yihyun se perguntara cautelosamente várias vezes se Lau fizera sacrifícios irracionais e mudara sua direção de gestão para lhe proporcionar tal ambiente, e ele até tivera coragem de perguntar diretamente.

Mesmo sua resposta de que não era o caso não o deixara totalmente tranquilo, talvez porque a fonte de sua ansiedade viesse de algo mais profundo. Na época, ele não sabia sobre o segredo, então não conseguia supor qualquer outro motivo.

Ele deveria ter cavado mais fundo? Em vez de aceitar sua explicação, deveria ter pressionado até que as dúvidas fossem completamente dissipadas?

Mesmo que tivesse aprendido a verdade daquela forma, nada teria mudado em relação a agora; apenas o momento teria sido um pouco antes. Apesar disso, ele não conseguia parar de se fazer repetidamente essas perguntas hipotéticas inúteis.

Ele balançou a cabeça vigorosamente, tentando expelir o veneno que preenchia o âmago de seu corpo. Ele lentamente encontrou o olhar de Lau, que, como Shushu dissera, nunca havia experimentado o fracasso e não faria julgamentos tolos que pudessem se tornar sementes de arrependimento.

— Por que você fez isso?

A voz de Yihyun era baixa e rouca.

— Você não gostava de mim porque eu era um Beta? Eu era insuficiente?

— Absolutamente não.

A resposta imediata veio em seguida. Lau, que parecia ter a resposta para todos os problemas, que parecia capaz de resolver qualquer coisa, agora não oferecia nenhuma defesa ativa para si mesmo, apenas respondendo às perguntas de Yihyun com o mínimo de negação e afirmação.

— Alpha, Ômega, Beta… ou até mesmo alguma existência desconhecida, não importa. Não foi porque eu achasse que você era insuficiente como é, ou porque desejasse que você fosse outra coisa.

— Então por quê?

A resposta de Lau a esta pergunta parecia a única esperança de levar a situação a um lugar melhor, e a voz de Yihyun agora continha um apelo em vez de uma acusação.

Apoiando-se na mesa, traçando sua borda, Yihyun se aproximou de Lau. Como amantes que acabaram de começar seu relacionamento e ainda são desajeitados com o contato físico, suas mãos hesitantes roçaram o abdômen e a área do peito de Lau antes de recuar, repetindo o movimento.

— Diga alguma coisa. Diga-me que houve uma razão… que você não pôde evitar… que você teve que…

Ele esperava que houvesse uma razão que ele não pudesse deixar de aceitar. Ele esperava que houvesse uma razão escondida em algum lugar que fizesse toda a sua confusão, raiva e tristeza diminuírem, permitindo que ele amasse Lau novamente.

Quando os lábios de Lau, que se abriram como se para dizer algo, fecharam-se firmemente de novo, Yihyun agarrou a área da cintura de sua camisa.

— Você estava tentando parar… mas eu, que estava tão ansioso, continuei implorando pelo nó, então você não teve escolha… que eu te seduzi! Pelo menos tente me dar alguma autojustificativa lixo!

Lau, que fora passivamente balançado pelos puxões de Yihyun, agarrou os braços de Yihyun como se para abraçá-lo. Seus olhos sem foco não mostravam vontade.

Como durante o primeiro nó deles, como quando estiveram juntos após a batida de carro, seus olhos estavam cheios de uma tristeza clara, tão profunda que era impossível medir sua profundidade, como se o fundo pudesse ser visto através deles. Seus olhos, avermelhados nas bordas, encaravam um ponto no ar, e ele balançava ligeiramente para frente ocasionalmente, parecendo embriagado.

Lau respirou fundo, estufando o peito e os ombros, mas não foi uma respiração completa. Seus olhos nebulosos piscaram lentamente, procurando os de Yihyun. Por hábito, ele olhou para baixo, traçando cada característica e marca no rosto de Yihyun onde ele o beijara inúmeras vezes. Seus lábios, secos e rachados pelo cansaço, abriram-se várias vezes novamente, tentando falar.

— ……Eu te amo.

Foi uma única frase sussurrada tão suavemente que foi como um suspiro, em uma voz como metal raspado por um prego enferrujado. Parecia que ele havia arrancado a única verdade que restava dentro dele de seu coração e a oferecido, desprovida de qualquer exagero ou apelo sentimental.

Yihyun olhou para Lau por um longo tempo com olhos que não continham ressentimento ou confusão, mas uma ternura e preocupação afetuosa de antes. Então, ele balançou a cabeça lentamente.

— Isso… não é uma resposta para a minha pergunta.

Yihyun empurrou o peito de Lau fracamente e se virou, seus passos vacilando ligeiramente. Do braço até o cotovelo, do pulso até as pontas dos dedos… Lau, que não soltara Yihyun até o fim, finalmente perdeu o contato conforme Yihyun aumentava a distância.

Lau deixou suas mãos vazias penduradas desajeitadamente no ar, depois colocou sua mochila no ombro e seguiu os movimentos de Yihyun com os olhos enquanto ele caminhava em direção à porta.

Seus dentes regulares, que estiveram roendo a pele áspera de seus lábios, soltaram-nos no momento em que a mão de Yihyun alcançou a maçaneta. Empurrando para trás a franja que crescera o suficiente para cutucar seus olhos, Lau limpou a garganta.

— Lembre-se que você tem planos de jantar com o pessoal da Phantom na noite de sexta-feira. Certifique-se de voltar a tempo.

Sua voz, tentando descartar o confronto intenso de momentos atrás como uma briga comum de amantes que se curaria em poucos dias, foi recebida por Yihyun, que abrira a porta pela metade, virando-se para trás.

Lau, despojado do glamour de seus primeiros dias e das defesas aparentemente intransponíveis que possuía antes, parecia um ator desconhecido deixado sozinho em um camarim com a maquiagem borrada de suor. Mesmo que ele fosse a mesma pessoa, ninguém acreditaria.

Ele empurrou o cabelo para trás novamente e disse:

— Não se esqueça de manter seu telefone ligado.

— ……

— ……Estou preocupado.

Ele acrescentou hesitantemente, sem convicção, e Yihyun, olhando para ele, desviou o olhar e saiu pela porta. Tudo o que restou no espaço que Yihyun desocupara foi uma xícara de café frio, mal tocada.

☫ Um Grande Equívoco ☫

O cigarro, colocado no cinzeiro após algumas tragadas, queimava sozinho, liberando fumaça sem que ninguém a inalasse.

Inwoo, observando a cinza cinzenta cada vez mais longa dobrar o pescoço e cair no cinzeiro sob o seu próprio peso, levou lentamente o copo em sua mão aos lábios, engoliu o líquido âmbar e franziu a testa.

O cigarro, que ele fumava pela primeira vez, não era tão forte quanto esperava, então ele não tossiu deselegantemente, mas não era atraente o suficiente para entender por que muitos fumantes falham repetidamente em parar. A fumaça que preenchia sua boca não tinha nada do aroma agradável do uísque e, conforme descia pela garganta, parecia engolir fumaça de veneno queimado.

No entanto, observar o corpo branco, longo e seco queimar lentamente e emitir fumaça não era desagradável. Se não trazia paz de espírito, era uma maneira decente de matar o tempo sem pensar em nada.

Quando o cigarro queimou cerca de metade, Inwoo checou a hora. Fazia cerca de cinco minutos que ele autorizara a entrada de um veículo através da cabine do estacionamento há pouco. Ele se perguntou se era assim que um Bestiarius, um ex-corredor da morte lançado em uma arena circular sem qualquer treinamento, se sentia esperando pelo ataque de uma fera faminta que devoraria sua carne. Ele riu baixo, sacudindo os ombros diante de sua própria metáfora grandiosa.

Justo quando ia levantar o copo novamente, um som como batidas fortes e intermitentes ecoou pelo longo corredor. Inwoo parou por um momento e deu outro gole. Ele só largou o copo e se levantou depois que os impactos se tornaram mais próximos e violentos, como se tentassem derrubar a porta.

Empurrando a porta para fora, Lau, que jogara casualmente um longo sobretudo preto que chegava abaixo dos joelhos, baixou frouxamente o punho que estava prestes a erguer novamente.

— Onde está a campainha?

Sem responder, ele empurrou bruscamente o ombro de Inwoo e entrou na casa, com um forte cheiro de álcool emanando dele.

— Você não… dirigiu até aqui sozinho, dirigiu?

Ele caminhou rapidamente pelo corredor, depois virou-se, com o canto da boca se curvando como se achasse a preocupação ridícula. Ele girou e entrou na sala de estar, então soltou um bufo ao ver a fumaça subindo da mesa de centro. Ele pegou o cigarro, queimado quase até o filtro, e inalou profundamente, com a bochecha encovada, então cuspiu rapidamente suas palavras junto com a fumaça.

— Qual é a condição?

— Que condição?

— Seo Yihyun. O corpo de Seo Yihyun.

Uma resposta nervosa/irritada veio de volta, como se perguntasse o que mais poderia ser. Lau, virando-se para Inwoo, estava com o rosto corado e desgrenhado pela impaciência e pelo álcool. Por um momento, faíscas voaram, então ele limpou o rosto e limpou a garganta.

— Você disse que o examinou. Como está o corpo dele? Ele está bem, certo?

Lau, que dera outra tragada no cigarro e agora o esmagava no cinzeiro, parecia ter medo de ouvir a resposta à sua própria pergunta, evitando o olhar de Inwoo.

— Tudo está normal. A posição do útero está estável, e a espessura e o comprimento da Estrada Ômega que se conecta ao útero são ideais.

Lau franziu a testa, voltando-se para Inwoo. Sua franja desgrenhada caía sobre os olhos enquanto ele inclinava a cabeça para frente.

— Quem se importa com isso? Estou perguntando se há alguma anormalidade em qualquer outra parte. Ele está… completamente saudável?

— Se você não tivesse submetido ele à Mudança, não teria que se preocupar com isso, teria?

— ……

Vendo o rosto de Lau, com o cenho ainda mais franzido e os olhos arregalados, Inwoo suspirou.

— Ele está perfeitamente saudável. Os ovários ainda não se desenvolveram totalmente, então o útero como um todo está cerca de metade concluído, mas os feromônios gerais de Ômega são extremamente fracos. Não o suficiente para exigir supressores ainda. Embora eu não possa dizer nada sobre os feromônios especiais que só reagem a você.

Só então Lau relaxou um pouco a tensão nos ombros, mas a aura áspera e instável que ele exalava não diminuiu.

Ainda vestindo o casaco, ele pegou o maço de cigarros sobre a mesa e acendeu um novo. Ele exalou a primeira lufada de fumaça, tragada com movimentos apressados, e murmurou.

— Seria a “Zona Triangular”, não o útero.

— Você teve educação sexual apenas com o Minton?

— Se você é um Alpha e um médico, use esses termos separadamente na vida cotidiana. Não aja como esses moleques Alpha ignorantes que são indiferentes a outros gêneros além de si mesmos.

Com a mesa de centro entre eles, Inwoo caminhou para o lado oposto e cruzou os braços sobre o peito, carrancudo.

— Você está em posição de dar sermão nos outros desse jeito agora?

Erguendo o queixo e inclinando a cabeça para trás, Lau exalou uma longa coluna de fumaça e respondeu.

— O que há sobre o qual eu não possa lhe dar um sermão?

Diante de Inwoo, que estalou a língua, uma silhueta larga e escura vestindo um casaco aproximou-se.

— Por que você contou a ele?

— ……

— Eu te disse que ouvir diretamente de mim… era uma maneira de diminuir o choque, mesmo que fosse um pouco. Por que você contou a ele?

Embora não tivesse aumentado o tom de voz, a raiva que transparecia em seu tom reprimido dizia muito sobre a intensidade de seu furor. Todo o seu corpo estava tenso. Seus olhos azul-acinzentados pareciam soltar faíscas, com um tom mais azulado do que o normal. Ele deu mais um passo à frente, torcendo os lábios bruscamente em um deboche.

— Para aliviar sua culpa, você contou a verdade a ele, o levou ao hospital… e deixou o garoto, que estava tremendo de medo… enfrentar tudo sozinho, passar pelo exame…. Era assim que você queria continuar sendo uma boa pessoa para Seo Yihyun?

— Incomoda você que o Yihyun tenha passado pelo exame sozinho? Agora? Quem foi que deu aquele medo a ele!

— Você deveria ter me contado, pelo menos antes de levá-lo ao hospital!

O dedo indicador de Lau cutucou o peito de Inwoo, e Inwoo afastou a mão dele com força, projetando o queixo para frente e avançando sobre ele.

— E se eu tivesse te contado? Você acha que o Yihyun iria querer ir ao hospital segurando a sua mão?

— ……

Lau lambeu os cantos dos lábios com a ponta da língua, seu olhar oscilando entre os olhos de Inwoo. Seus olhos injetados ainda ardiam, mas ele parecia abalado, permanecendo em silêncio por um momento. Dando as costas para Inwoo, ele deu uma tragada no cigarro e sacudiu a cinza. Mirada de qualquer jeito, a maior parte da cinza cinzenta errou o cinzeiro e se espalhou pela mesa.

Inwoo parou atrás de Lau e sussurrou zombeteiramente em seu ouvido.

— Yihyun, foi realmente doloroso de assistir. Eu queria fazer algo por ele de alguma forma.

Provocado pelo tom deliberadamente alegre de Inwoo, feito para tripudiar, Lau se virou e franziu o cenho. Os olhos de Inwoo, ao encontrarem os dele, brilhavam com loucura. Ele torceu os lábios friamente e forçou uma risada.

— Ele não te contou sobre o nosso beijo, não é?

— ……

Os músculos da mandíbula de Lau se contraíram fortemente e tremeram, e a carne abaixo de seus olhos teve um espasmo. Ele inconscientemente cerrou o punho, com o cigarro sendo esmagado dentro dele, mas não sentiu o calor ao soltá-lo, jogando-o fora e avançando sobre Inwoo, agarrando-o pelo pescoço. O rosto de Inwoo instantaneamente ficou vermelho, e ele olhou diretamente para Lau com olhos injetados, tentando afastar as mãos de Lau com as suas.

Ele não estava se contendo nem um pouco. Somente quando Inwoo começou a arfar, usando o nariz e a boca, Lau finalmente o jogou no sofá como se o descartasse. Seus ombros subiam e desciam, seus punhos cerrados como se estivesse pronto para atacar novamente e desferir uma violência implacável.

— Alguém como você… e eu ainda deveria te chamar de amigo….

— Digo o mesmo!

Inwoo levantou-se num salto e empurrou o rosto bem na frente do de Lau.

— Não vou negar que você se aproximou dele casualmente, sem pensar muito, como costuma fazer. Mas quem sabe. Talvez você tivesse se tornado sério se não achasse que ele estava demonstrando interesse. Não, não teria sido mais difícil para você, observar alguém assim… constantemente, sem se tornar sério? Você não é o único com olhos.

— ……

Inwoo desabafou em um tom exaltado sobre Seo Yihyun, da forma como o via. Ele falou da sinceridade pura de Yihyun, de tentar passar por todas as sensações da vida dolorosamente, sem qualquer fingimento.

Ele confessou que para pessoas como ele e Lau, que cresceram em ambientes onde a maioria das coisas já era providenciada, e que viviam como se tivessem o luxo de não precisarem ser desesperados ou desmoronar, aquele tipo de atitude era particularmente cativante.

— Diante de alguém que se revela de forma tão honesta, sem uma única camada de fingimento ou defesa, senti que eu também poderia ser honesto. Porque mesmo que eu fosse honesto, Seo Yihyun é alguém que ouviria sem zombar de mim.

Lau, que estivera ouvindo Inwoo com os ombros subindo e descendo silenciosamente, virou-se como se fosse fugir. Enquanto Lau se abaixava para pegar um copo de álcool na mesa, Inwoo o virou de volta bruscamente.

— Mas foi você! Você, que nunca tinha se abalado ou demonstrado obsessão por ninguém, parecia estar se desmoronando, sendo atraído! Eu observei com prazer enquanto você perdia o controle!

Lau enfiou as mãos nos bolsos de seu sobretudo. Ele baixou o queixo e bufou, olhando para Inwoo.

— Então, você está dizendo que está cedendo Seo Yihyun para mim? Que se você o tivesse perseguido seriamente, Seo Yihyun teria escolhido você?

— Isso é algo que não se pode saber.

— ……

— E agora, com você tendo deixado as coisas desse jeito, é ainda mais impossível saber.

Inwoo ergueu as sobrancelhas e deu um sorriso astuto. Lau apertou os olhos como se estivesse sob uma luz solar intensa.

— Você provavelmente veio atrás de mim para descarregar sua raiva, mas quando chegou aqui, o Yihyun já sabia.

Os olhos de Lau se estreitaram ainda mais.

— Ele disse que ouviu do Shushu.

Desta vez, seus olhos se arregalaram novamente, e seus ombros curvados se endireitaram.

— É claro, Shushu pensou que você e o Yihyun estavam procedendo com a Mudança juntos, com consentimento mútuo.

O rosto de Lau endureceu, e ele gaguejou as palavras de Inwoo antes de se virar sem hesitação e atravessar a sala de estar em direção ao corredor.

— Onde você pensa que vai?

Inwoo, seguindo logo atrás, o virou com força bruta, e Lau sacudiu o braço, soltando-se instantaneamente de seu aperto. Implacável, Inwoo agora bloqueava completamente o caminho dele.

— Agora que você sabe que não fui eu, vai lá esganar o Shushu?

— Não há nada que eu não faria.

— Cai na real, Lau WiKūn. Não importa o que você diga a quem agora. Mesmo que você me bata até a morte e espanque o Shushu… no final, foi você quem fez o Yihyun se afastar!

— ……

— Alguns Alphas que ignoram qualquer gênero além do seu próprio? Você acha que tem o direito de criticar esses Alphas? Pense no que você fez com o corpo da pessoa que ama, arrastado por esses feromônios!

Bastardo louco.

Enquanto Inwoo cuspia cada palavra como uma maldição, o rosto dele, por um momento, ficou desprovido de qualquer traço de amizade ou qualquer outra coisa, preenchido apenas por um desprezo frio, distante e vil, gelando a nuca de Inwoo.

Talvez naquele gelo, Lau tenha sentido o julgamento objetivo do mundo sobre suas ações. Parado ali por um momento, com as mãos pendendo frouxamente como se estivesse sem palavras, ele moveu apenas os lábios, mantendo o olhar desgrenhado, e forçou um sorriso estranho.

— Você parece estar sob uma grande ilusão, Choi Inwoo.

— ……

— Até agora, você teve apenas a sorte de manter sua dignidade sem se tornar um Golden. Você nem precisa ir tão longe quanto a intensidade dos feromônios que me atraíram para o Seo Yihyun. Mesmo apenas sendo exposto aos feromônios de um Ômega Golden que decidiu liberá-los, você será reduzido a um brinquedo que a outra pessoa pode controlar com um único dedo. Uma mera máquina de ejaculação, apenas um pau pulsante, implorando no chão para ser penetrado e ejacular… tendo perdido sua dignidade e vontade como ser humano.

Seu discurso foi fluido, como se ele o tivesse preparado com antecedência. Com ênfase em cada palavra, dando-lhes um contorno claro, o rubor do álcool havia desaparecido completamente de seu rosto. Agora, ele parecia quase pálido. Apenas a intensidade injetada em seus olhos e um brilho estranho falavam de sua excitação.

O rosto de Lau tremeu enquanto ele se aproximava de Inwoo.

— Pode haver quem pense que ser um Alpha é algum grande posto, e que feromônios são como superpoderes, mas essa é a verdadeira natureza de um Alpha dominado por feromônios. Você não é diferente.

Sem revelar seus pensamentos mais profundos, a distância que haviam mantido por tanto tempo, onde estavam sozinhos dentro de seus próprios limites, sem permitir nem buscar acesso, estava colapsando completamente. Eles estavam invadindo um ao outro com as palavras mais cruéis que poderiam causar danos.

— Sim, talvez você esteja certo.

Inwoo, encarando Lau com uma expressão atordoada, como se tivesse sido atingido, passou a mão pelo rosto e baixou o olhar.

— Por sorte, e por evitar habilmente situações excessivamente perigosas, não fui severamente afetado por feromônios até agora. Não, essa é a verdade. Eu só lidei com parceiros contra os quais eu podia me defender e que podia manejar… usei feromônios moderadamente para diversão sexual… e nunca considerei profundamente o que significa ser um Alpha ou um Ômega.

O olhar de Inwoo, que se suavizara ao recordar seus arrependimentos passados, endureceu novamente ao encontrar o de Lau.

— Mas graças a você, eu recobrei o juízo.

— ……

— Mesmo vendo você viver reprimindo seus feromônios como um monge, o senso de cautela em relação aos feromônios não ressoava realmente em mim. De uma forma diferente, feromônios são um presente do céu, então por que ele agiria de forma tão contida? Mas vendo você arruinar sua vida, dominado por feromônios, eu entendi de verdade.

Desta vez, Inwoo deu um passo em direção a Lau e cutucou seu peito. Seus lábios zombeteiros estavam cheios de veneno.

— E então? Você se ajoelhou e implorou? Você não sabe, mas seus feromônios poderosos quebraram as defesas do Alpha Golden e me enfeitiçaram, me tornando incapaz de resistir. Foi um erro nascido de um amor avassalador. O grande Lau WiKūn ofereceu desculpas tão patéticas assim? Hein?

Enquanto Inwoo cutucava provocativamente seu peito, Lau, que estivera aceitando passivamente enquanto recuava, de repente mostrou um brilho assassino nos olhos e afastou os dedos de Inwoo com um tapa.

— Você não deu com a língua nos dentes para o Seo Yihyun sobre isso, deu?

— Que história?

— Que o Seo Yihyun também tem feromônios.

A voz de Lau baixou enquanto ele rangia os dentes, e Inwoo, olhando diretamente em seu rosto, deu de ombros e estalou a língua.

— Lau WiKūn, o que você está fazendo? Achando que está protegendo o Yihyun ao não contar isso a ele? Que diferença faz agora, omitir apenas essa única coisa?

— Então, que diferença essa única coisa pode fazer agora?

— Pelo menos poderia reduzir um pouco o choque e a dor que ele sente com o pensamento de que você deliberadamente o Mudou para satisfazer seus desejos pessoais.

— ……

Lau tinha muito a dizer, mas fechou a boca. Então, evitando o olhar de Inwoo, virou a cabeça.

Se Yihyun soubesse sobre seus próprios feromônios misteriosos, que só afetavam Lau, ele poderia ficar ainda mais confuso temporariamente. Além disso, Inwoo não acreditava que isso justificaria uma Mudança que não fosse consensual.

No entanto, se a maior dor de Yihyun era, em última análise, o peso do pecado cometido pela pessoa que amava, então aquele parecia ser o único analgésico, por menor que fosse, que poderia aliviá-lo por ora.

Deixando todo o resto de lado, Inwoo balançou a cabeça diante do silêncio obstinado de Lau em relação aos feromônios de Yihyun, que poderiam ser sua única esperança (por mais ínfima que fosse, era melhor que nada).

Ele não queria admitir, mas conhecia Yihyun bem demais. Ele queria proteger Yihyun, que poderia tentar compartilhar a responsabilidade por essa Mudança.

Independentemente do certo ou errado da Mudança em si, ele não conseguia zombar dessa escolha dele agora. Se seus sentimentos por Yihyun eram tão fortes, por que ele não tomara uma decisão racional desde o início? O impulso de retrucar com as mesmas provocações havia desaparecido. Como um fogo que ardera brilhantemente e agora estava reduzido a brasas.

— Você já arruinou as coisas o suficiente, então deixe isso pra lá agora. Este é um assunto entre as partes envolvidas, e se você interferir e causar mais caos… você só vai confundi-lo ainda mais.

Após um longo silêncio, Lau falou em uma voz contida e deu as costas. Seguindo-o em direção à entrada, Inwoo hesitou e disse:

— Não vá atrás do Shushu.

— Não se preocupe. Eu não vou matá-lo.

Lau respondeu indiferente sem olhar para trás, e Inwoo virou o ombro.

— Você não está pensando direito agora. Perder o Yihyun não é o suficiente? Quer perder todos os seus amigos também? Pelo menos aguente por hoje. Esfrie a cabeça.

Preocupado que ele não respondesse, Inwoo apertou o aperto em seu ombro e forçou um sorriso vil.

— Se você perdeu Seo Yihyun, então todo o resto não tem sentido, certamente Lau WiKūn não vai soltar esse tipo de bobagem?

— Quem disse que eu perdi? Que eu perdi o Seo Yihyun.

Dizendo isso com o rosto inexpressivo, Lau soltou a mão de Inwoo e saiu pela entrada sem demora. Apesar das palavras, sua voz carecia de qualquer convicção ou confiança, soando oca como uma concha despojada de seu conteúdo.

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↫─☫ Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

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Sinopse:
Tendo vivido como um beta a vida inteira, Seo Yihyun nunca imaginou que seu caminho se cruzaria com o de um Alfa de elite como Lau Weikun — alguém tão acima do seu mundo que parecia que o destino jamais se daria ao trabalho. Mas, um dia, Weikun capta um aroma impossível pairando no ar: o feromônio doce e viciante de um Ômega… vindo de Yihyun. Mais estranho ainda, é um perfume que apenas ele consegue perceber. À medida que o desejo e o instinto se misturam em obsessão, Yihyun se vê preso entre a descrença e a tentação, vendo seu mundo se transformar em algo que ele nunca julgou possível.

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