Ler Diamond Dust (Novel) – Capítulo 57 Online

↫─Capítulo 04 — Ding
Diferente do quarto de Juhan, que era inesperadamente simples, o quarto de Yuni estava tão abarrotado de todo tipo de coisa que ficava estreito demais para três pessoas se movimentarem ao mesmo tempo. Além disso, uma energia instável pairava no local, graças à atmosfera caracteristicamente bagunçada criada por alguém que estava prestes a partir.
Dizendo para eles pegarem o que precisassem, Yuni convidou Juhan e Yihyun para seu quarto primeiro, antes de começarem a beber de verdade. A maioria das coisas que preenchiam o espaço eram roupas e livros.
Observando as costas de Juhan, que estava absorto em remexer num varal de duas camadas — já meio vazio como se tivesse sido limpo uma vez — e escolhendo roupas ao seu gosto, Yihyun tentou se concentrar na história de Yuni.
– Eles disseram para eu fazer como quisesse. Perguntando quando foi que eu precisei da permissão deles.
Sentada na cama de solteiro, que estava cheia de livros de vários tamanhos, revistas e impressos, Yuni continuou sua história, dando um gole na cerveja após um sorriso amargo.
– E então?
Juhan, que estava lutando para puxar um suéter de tricô de uma caixa embaixo do varal, parou e olhou para trás. Diferente de Juhan, que suspirou como se não acreditasse, Yuni apenas deu de ombros enquanto folheava sem propósito uma revista ao seu alcance.
– Eu disse que não vim para pedir permissão. Que consegui um emprego no exterior e não sabia quando voltaria, mas que senti que deveria pelo menos contar a eles, e foi por isso que vim.
Naquela tarde, ela tinha ido ver sua família. Yihyun ficou bastante surpreso, embora não demonstrasse, ao saber que, embora tivesse feito algumas ligações curtas depois de sair de casa, esta era a primeira vez que eles realmente se encontravam.
Ele sabia que ela tinha saído de casa há pelo menos quatro anos. Ficou surpreso uma vez pelo fato de ela não ter encontrado a família durante todo esse tempo, e surpreso novamente pela decisão dela de romper aquele longo silêncio e procurar a família por conta própria.
A inércia também se aplicava às relações humanas; uma vez criada uma distância, não era fácil reverter essa lacuna. Mas deixar as coisas como estavam e observar de lado não exigia esforço ou resistência. Esse caminho era muito mais fácil. Apesar de ter muitas desculpas para evitar isso, ela escolheu o caminho mais difícil.
– Eu falei para você contar por telefone.
Yuni riu baixinho, olhando para as costas de Juhan, que resmungava tristemente ao pensar na mágoa que ela deve ter sentido.
– Não importa o que meus pais disseram, não é algo que você conta por telefone.
Mesmo que ela estivesse entregando notícias pelas quais eles não tinham curiosidade — ou que pelo menos não eram bem-vindas — por telefone até agora, deve ter havido uma razão própria para ela escolher enfrentá-los pessoalmente desta vez. Se suas escolhas até agora tinham sido conceitos secundários seguindo sua escolha inicial, desta vez era um ponto de virada que marcava uma nova fase em sua vida. Não era apenas uma questão de seu local de residência mudar de nacional para internacional.
Recostando a cabeça para trás como se estivesse cansada e massageando a nuca, Yuni murmurou em direção ao teto.
– Eles mandaram eu voltar para casa, me preparar de novo para o vestibular e entrar numa faculdade de pedagogia. Ainda estão dizendo coisas assim. Eles não têm intenção nenhuma de reconhecer nada que eu conquistei sozinha depois que saí de casa. Eles ainda… acham que eu só estou agindo por desafio ou rebeldia contra eles…
Incapaz de terminar a frase, Yuni balançou a cabeça levemente e fechou a revista que estava folheando com um tapa.
– Eu costumava pensar que era pelo menos para o meu bem. Conseguir um emprego estável e me estabelecer. Pelos padrões dos meus pais, essa é uma boa vida, então eles estavam sendo firmes porque queriam que eu vivesse bem. Mas vendo eles ainda dizerem coisas assim, sem tentar saber nada sobre minha vida atual ou o futuro com que sonho… Eu já não sei mais.
Diante da frustração de Yuni, que tinha sido rejeitada mais uma vez pelas pessoas das quais mais queria aceitação por quem ela é, nem Yihyun nem Juhan puderam oferecer palavras de conforto precipitadamente.
– Mesmo que eu me esforce, mesmo que não seja estável, sou mais feliz assim… Por que eles ficam dizendo que vou me arrepender depois… Mesmo que sejamos pais e filhos ligados por sangue, mesmo que sejamos irmãos nascidos e criados pelos mesmos pais, as condições para a felicidade podem ser diferentes para cada um, não podem? Hã?
Observando o perfil dela enquanto ela esticava as pernas para pressioná-las contra as costas de Juhan, buscando sua concordância, Yihyun desviou sutilmente o rosto da pressão que crescia dentro dele. Então engoliu mecanicamente a cerveja que não tinha conseguido sentir o gosto desde o início. Parecia a única coisa que seu eu impotente podia fazer naquele momento.
– Ora, nós quatro da nossa família temos gostos diferentes para comida, então como algo tão complicado como as condições para a felicidade poderia ser igual?
O cansaço na voz de Yuni ao dizer isso era palpável. Não era tanto fadiga física, mas uma resignação, uma percepção clara de que havia chegado o momento de cortar o fio de apego remanescente que ela estava segurando, por mais tênue que fosse, em algum lugar.
Ela não tinha obtido o resultado que queria, mas pelo menos ela mesma não tinha fugido do problema, nem tinha feito desculpas para justificar sua fuga. Ela havia entrado numa situação que seria inevitavelmente estranha e desconfortável.
A casa onde sua família morava. Yihyun conseguia imaginar naturalmente o quanto ela deve ter hesitado e demorado em frente à porta daquela casa, que deveria ter sido o lugar mais confortável do mundo.
Mesmo quando morava na mesma casa, não tinha sido fácil para ele dizer uma única palavra ao pai. Ele tinha racionalizado sua esquiva com a desculpa de que era inútil, já que não receberia resposta de qualquer maneira. Comparado à dor de falar repetidamente com o pai e receber silêncio em troca, a esquiva era uma coisa muito fácil de se fazer.
Mas Yuni, apesar de antecipar a reação que receberia, não tinha se afastado na porta. Ela tinha feito o que precisava fazer e dito o que precisava dizer. O que aconteceu depois disso não era responsabilidade dela.
Yuni, que estava inclinando a garrafa de cerveja em silêncio, puxou-a rapidamente dos lábios como se tivesse acabado de se lembrar de algo.
– Ah, mas a minha família tem algo em comum.
– …
– Essa teimosia que faz meus pais jogarem as mãos para o alto, perguntando de quem diabos eu puxei — eu provavelmente herdei isso diretamente deles.
Dizendo isso, ela ainda conseguiu esboçar um sorriso. Era um sorriso para bloquear suas emoções complicadas, mas tendo decidido não esperar mais nenhuma compreensão de seus pais, ela também parecia aliviada de certa forma. Ela finalmente tinha confirmado que não havia mais espaço para sentimentos remanescentes. Antes de seguir para o próximo curso de sua vida, ela estava claramente separando as coisas que deixaria para trás daquelas que guardaria com carinho.
Todos estavam seguindo em frente para algum lugar, usando suas próprias escolhas como combustível. Parecia que cada um escolhia por si o que deixar para trás, o que cortar, e até seus erros e arrependimentos.
Yihyun sentia que era o único covarde que nunca tinha enfrentado nada.
Isso era retribuição? O preço por não tentar descobrir o problema, investigá-lo e encontrar uma brecha… por confiar numa ‘paz covarde’ recuando, dando a volta longa e fingindo ignorância em silêncio? O fato de até mesmo seu corpo, a coisa mais tangivelmente reconhecível como sua, ter sido modificado por outro?
Para impedir que seus pensamentos fluíssem numa direção excessivamente sentimental e autodepreciativa, Yihyun bebeu mais cerveja. Agora não era uma situação adequada para pensar em nada.
Levantando-se da cama, Yuni colocou a garrafa de cerveja vazia na pia e pegou uma nova da geladeira. Então cutucou o ombro de Yihyun, que estava parado, encostado na pia, olhando para o nada.
– Por que você está tão quieto hoje?
– …
Não era uma pergunta que ele pudesse responder. *Minha mente está ainda mais bagunçada que seu quarto agora. Me sinto como uma formiga esmagada por um problema tão grande que não consigo nem abarcar tudo de uma vez, incapaz até de gritar.* Ele não podia dizer isso.
Mesmo que tivesse coragem de confessar, ele nem saberia onde nem como começar a história. Era impossível explicar a outros um problema que ele mesmo ainda não tinha reconhecido adequadamente.
Encontrando o olhar preocupado de Yuni, que olhava para ele de baixo para cima, Yihyun mordeu o lábio inferior com força. Yuni estendeu a mão, bagunçou levemente a nuca de Yihyun e deu um sorriso fraco.
– O quê, está triste porque vamos nos separar?
Juhan saltou do lugar, com os olhos brilhando, e apertou o ombro de Yihyun com força.
– Seo Yihyun, então você deveria falar com o presidente. Diz para ele não ir para Nova York.
E levou um tapinha leve na nuca de Yuni.
– Ai, por que me bateu?
– Yihyun-ah, não liga para ele. Você sabe que ele só está falando bobagens.
Observando os dois brigando trivialmente como sempre, Yihyun fez o possível para se concentrar naquele momento, o último que talvez pudessem passar juntos como um trio.
O problema… de que seu corpo estava sendo transformado num Ômega por Lau, parecia a história de outra pessoa, tão distante da realidade quanto um artigo de fofoca na internet. Mas mesmo que não sentisse sua realidade, o choque ainda causava um golpe em seu corpo e mente. Enquanto a casca que envolvia seu interior tremia, tudo era desalojado, caindo, quebrando e se misturando, mas ainda assim, a realidade de que isso estava acontecendo com seu próprio corpo não penetrava.
Então, ele queria empurrar para escanteio um problema sobre o qual não podia fazer nada naquele momento e focar na situação diante dele. Ignorar e encobrir as coisas não era sua especialidade? Mesmo se sua viagem a Nova York com Lau fosse cancelada, Yuni ainda iria para Paris. Yihyun não queria tratar o adeus dela com leviandade.
– Esse cara, a mente dele está completamente em outro lugar.
Ele tentou conjurar algo que parecesse um sorriso para Juhan, que estava agitando uma mão na frente de seu rosto… mas não adiantou. Sua especialidade falhou exatamente no momento em que ele mais precisava dela.
Yihyun esfregou o rosto com a palma da mão várias vezes.
– O que foi? O que há de errado?
Yuni perguntou, puxando cuidadosamente o pulso de Yihyun para baixo. Diante de sua expressão preocupada, Yihyun sentiu uma vontade urgente de confessar aquele choque para alguém, qualquer um. Parecia que só liberando o choque para outro ser e dispersando seu impacto ele poderia impedir que seu próprio corpo e mente se rompessem.
– Na verdade… não estou me sentindo bem…
Uma risada vazia escapou dele ao pensar que, se o que Shushu disse era verdade, dizer que não estava se sentindo bem podia não ser uma mentira completa.
– Você realmente parece pálido. Seus lábios também estão brancos.
Juhan, finalmente parecendo preocupado, examinou cuidadosamente o rosto de Yihyun. Yuni pegou a garrafa de cerveja que Yihyun segurava e a colocou na pia.
– Você deveria ir para casa descansar. Ele não é do tipo que diz estar doente por uma pequena piora no seu estado.
– …
Como Yihyun permanecia imóvel com uma expressão relutante, Yuni bagunçou seu cabelo e falou de forma tranquilizadora.
– Não é como se nunca mais fossemos nos ver. Vamos à casa do presidente na sexta-feira, então podemos nos ver de novo então.
De acordo com o plano, Yihyun e Lau deveriam sair do país no sábado. Por causa disso, todos terminariam mais cedo no Phantom na sexta-feira e jantariam juntos.
*Não é sobre o jantar, a viagem a Nova York pode ser cancelada. Num único momento, tudo foi jogado numa incerteza onde não consigo ver um palmo à frente.*
Engolindo o impulso autodestrutivo de confessar tudo como se jogasse diante dos dois, Yihyun assentiu lentamente. Então pegou a mochila ainda não desfeita que tinha apoiado no canto perto da cama. A bolsa parecia mais pesada do que quando ele a tinha arrumado.
– Obrigado pelo presente.
Virando-se ao toque de uma mão que apertava levemente seu ombro, ele viu Yuni sorrindo com nostalgia. Ela estava falando sobre a lembrança de viagem que ninguém tinha pegado da última vez, que Yihyun tinha trazido hoje.
– Eu só trouxe… O presidente foi quem comprou, então…
– Certo. O presidente me deu…
Murmurando isso, Yuni parecia estar contando as muitas oportunidades e considerações que Lau lhe tinha dado até agora. Só porque o Gerente Han disse que não era uma traição, não colocaria a mente de Yuni em paz instantaneamente. Mas Yihyun estava certo de que Lau não tinha fornecido todas aquelas oportunidades só para prender a mão de obra de Yuni ou Juhan ao Phantom.
Não, agora, ele não podia mais falar como se conhecesse tão bem Lau. Não só isso, mas ele tinha sido agora empurrado para longe, tornando-se um ser distante e nebuloso, pertencente ao mais incognoscível reino do caos e mistério.
Depois de muito tempo convencendo Juhan e Yuni, que se ofereceram para levá-lo para casa de carro, Yihyun finalmente conseguiu sair do officetel. A ideia de que eles pudessem contatar Lau, ou que Lau pudesse contatá-los, passou por sua mente, mas um sentimento de *o-que-tiver-que-ser-será* de abandono próprio cortou decisivamente tais preocupações.
Ele não tinha absolutamente nenhuma margem para restringir suas ações considerando que alguém pudesse se preocupar com ele. Mesmo sem reconhecer adequadamente a situação, uma tênue desobediência em relação a Lau estava florescendo, e quer ele se preocupasse ou não, naquele momento, ele queria pensar apenas em si mesmo.
O ar noturno, com outubro se aproximando, era frio. O vento que corria entre os enormes arranha-céus o fazia encolher os ombros. Mas a ideia de vestir a jaqueta que estava em sua mão nem passou por sua cabeça.
Agora que estava sozinho depois de se separar de Yuni e Juhan, era hora de resolver o problema. Ele precisava reconhecer e compreender adequadamente o que tinha acontecido. Não era uma questão de perspectiva ou atitude passiva perante a vida. Era algo que acontecia com seu corpo físico, então não podia fingir que não sabia.
*Haa…*
Sentado no canteiro de flores alto em frente ao officetel, Yihyun soltou um suspiro carregado de confusão e cobriu o rosto com ambas as mãos. Depois de esfregar o rosto com força suficiente para fazer a pele arder, ele puxou o celular do bolso da calça jeans.
Quem deveria contatar? Não precisava pensar muito; os números salvos em sua pequena lista de contatos eram menos de dez.
Ele olhou fixamente para o nome salvo como ‘Ah Wei’, que antes era ‘Chefe’, e o esfregou com o polegar por um longo tempo. O próprio Yihyun não sabia se era para acariciar a memória representada por aquele nome, ou se queria que ela fosse apagada.
↫────☫────↬
– Yihyun-ssi.
Ele levantou a cabeça ao ouvir a voz urgente o chamando. Inwoo, que tinha estacionado o carro bem no meio-fio, caminhava rapidamente em sua direção, quase correndo. Yihyun se levantou desajeitadamente do canteiro.
– Me desculpe, tão de repente…
– Não, não se preocupe com isso. Está realmente tudo bem.
Inwoo não pressionou Yihyun, que estava de pé olhando para o chão, mordendo o lábio e mexendo na alça da mochila. Ele também não fez suas piadas bobas habituais nem sorriu tolamente. No momento em que Yihyun ligou de repente e perguntou se podia passar a noite, ele já tinha agido de uma maneira muito distante de seu eu habitual. Só isso já deve ter sido suficiente para Inwoo perceber que a situação era incomum.
Mantendo o olhar baixo em direção aos seus pés, Yihyun apertou a alça da mochila.
– Sinto muito mesmo, mas eu… não tenho lugar para ir agora… Não é que eu não queira ficar com meu hyung e minha noona… agora, meus pensamentos estão tão complicados…
– Yihyun-ssi, você não precisa explicar. Vamos apenas ir.
Inwoo interrompeu o divagar de Yihyun, colocando uma mão suavemente em seu ombro.
– …
Mas Yihyun não conseguiu seguir o puxão em seu ombro em direção ao carro e permaneceu parado. Pegando a pequena sacola de compras que Yihyun segurava em sua própria mão, Inwoo soltou um suspiro, um suave *hmm*.
– Eu não… vou contar ao WiKūn.
Só então Yihyun levantou lentamente a cabeça para encontrar os olhos de Inwoo, e desta vez, seguiu o puxão no ombro e começou a andar.
Enquanto dirigia, Inwoo olhava para o banco do passageiro onde Yihyun estava sentado de vez em quando, mas não perguntou nada. Sentindo seu olhar, Yihyun fingiu não notar, lançando um olhar vazio para a paisagem fora da janela do carro e mordendo os lábios secos e rachados. Ele zombou do pensamento, tão típico dele, de que gostaria de poder simplesmente fugir para algum lugar distante onde não precisasse explicar nada a ninguém nem enfrentar o problema.
Como ele tinha dito uma vez numa festa do Phantom, a vista noturna de Seul literalmente se espalhava ampla abaixo da janela do apartamento de Inwoo no 32º andar. Yihyun estava pensando que era uma paisagem com um caráter diferente daquela vista do segundo andar ou do terraço da casa de Lau, mas não querendo recordar nenhum pensamento relacionado a ele, por mais trivial que fosse, ele se encostou bem na janela do chão ao teto e derramou sua admiração pela vista noturna.
– Fico feliz que você goste da vista noturna, mas… você deveria largar sua mochila. Tem algo precioso aí?
Inwoo, que tinha saído da cozinha com dois copos, encontrou os olhos de Yihyun através da janela atrás dele e sorriu de lado. Yihyun sorriu envergonhado, deslizou a mochila do ombro e aceitou o copo que lhe foi oferecido. O copo de Inwoo continha uísque com gelo, mas a porção de Yihyun era leite quente. Exatamente como aquele que Lau lhe tinha trazido naquela noite chuvosa de verão quando seu tio o visitou, depois de colocar Yihyun, tremendo, na banheira.
– Hum, hyung, se não se importa, eu também poderia…
– Ah… não tenho cerveja em casa agora…
– Eu também posso beber uísque.
Yihyun pressionou os lábios, pensando que estava agindo como uma criança que, ao insistir teimosamente que podia fazer tudo o que os adultos faziam, só revelava sua própria imaturidade verde. Ele sentiu um arrependimento tardio ao observar as costas de Inwoo desaparecendo em direção à cozinha com o copo de leite, um sorriso de lado no rosto enquanto bagunçava o cabelo de Yihyun, mas não se preocupou em chamá-lo de volta.
O próprio Yihyun estava tão perplexo com sua própria série de palavras e ações incomuns. Suas atitudes inesperadas, rompendo com a inércia e o controle para surgir imprevisivelmente, lembravam-no de um jogo de *Whac-A-Mole*. Mas ele não sentia motivação para balançar o martelo para pegar as toupeiras que o provocavam, surgindo em lugares diferentes.
Enquanto Yihyun limpava o rosto e virava a cabeça, seu olhar parou nos cavaletes e materiais de arte espalhados bagunçadamente atrás do sofá, no canto onde as duas janelas do chão ao teto se encontravam.
A peça na tela parecia estar mais da metade colorida. Era um afastamento do estilo usual de Inwoo, que normalmente sobrepunha um toque do bizarro sobre um estilo de arte alegre e cartunesco que usava principalmente cores quentes.
Isto era muito mais ousado e direto. E ainda assim, continha uma história mais rica e mais emoção do que o habitual. A intenção usual de diluir o peso de seu mundo interior com piadas espirituosas não estava em lugar nenhum. Como se agora ele estivesse farto da esquiva e evasão disfarçadas de despreocupação, as lutas desesperadas de um homem nu se debatendo na tela cativavam o olhar.
– Leehyun, venha aqui.
Inwoo, de pé em frente à mesa de jantar longa e larga entre o sofá e a cozinha — uma mesa que poderia facilmente acomodar um banquete para dez — ergueu o copo e chamou Yihyun.
– Você estava… trabalhando numa pintura?
– Normalmente sou do tipo que consegue pintar muito bem mesmo se alguém estiver olhando bem ao meu lado, mas a ideia de você assistindo, Leehyun, me deixa estranhamente tímido.
– Eu não sabia que você pintava em casa.
– Não sou alguém que tenha apostado tudo na arte a ponto de precisar de um estúdio separado. Como alguém disse.
Colocando os copos da bandeja que trouxe da cozinha sobre a mesa, Inwoo ergueu apenas os olhos para dar uma olhada em Yihyun e sorriu. Yihyun pensou que sabia a identidade desse ‘alguém’ a quem ele se referia, mas apenas levantou ligeiramente as comissuras dos lábios e não reagiu de outra forma. Ele pegou o copo de uísque com três ou quatro cubos de gelo e sentou-se em frente a Inwoo.
– O toque do seu trabalho parece um pouco… diferente.
– Você é um verdadeiro psíquico quando se trata de arte. Como alguém disse.
Parecia que ele estava repetindo sua menção a Lau um pouco intencionalmente, então desta vez, Yihyun não conseguiu sorrir junto com Inwoo. Ele abaixou o olhar, acariciando o copo em sua mão, e então lentamente deixou o álcool fluir para sua boca como se estivesse bebendo café quente.
– É provavelmente porque você, Leehyun, é honesto, pelo menos na frente de uma pintura, que você é tão bom em reconhecer a sinceridade que o artista derreteu na obra, seja intencionalmente ou inconscientemente. É verdade que, como com literatura ou música, quanto mais você estuda arte, mais você vê, e a amplitude e profundidade da interpretação se alarga e aprofunda de acordo… mas eu acho que a limitação de ver uma pintura apenas como um objeto de análise acadêmica não é algo que possa ser resolvido apenas estudando muito.
Ele ergueu os olhos para olhar para Inwoo. Inwoo, que tinha relaxado a parte superior do corpo e se inclinado frouxamente contra a cadeira, estava esfregando a nuca e sorrindo, como se envergonhado do longo discurso sério que acabara de dar. Talvez sua mudança não se limitasse apenas à sua arte.
Todos estavam seguindo em frente para algum lugar. Enquanto ele tinha medo da mudança, congelado na forma torta que seu acidente e trauma o tinham deixado, as pessoas que tinham feito escolhas diferentes estavam absorvendo até mesmo o choque e a transformação, tomando-os como nutrientes.
Para elas, uma ferida era o próprio caráter. Assim como Lau tinha dito….
Mas uma ferida não podia se tornar caráter sozinha, sem nenhum preço. Era um brilho concedido apenas àqueles que tinham enfrentado suas feridas com sua própria força e passado pelo tempo da dor com seus corpos inteiros, sem desconto.
Quando ele puxou dolorosamente o lábio inferior com os dentes, o gosto do álcool deixado nele persistiu.
– Sou grato que você pense assim de mim, mas….
A força do uísque que Lau costumava beber o lembrava de seus beijos. Naquela mesma manhã, eles tinham compartilhado um beijo profundo antes de ele sair, mas agora parecia tão distante e nebuloso quanto uma memória de uma vida passada.
Yihyun apertou o copo e os dentes no lábio e então olhou fixamente para o gelo no copo e continuou.
– Você não pode chamar alguém que desistiu de pintar… de honesto na frente de uma pintura.
– Você está pintando de novo, não está? Você simplesmente não conseguiu largar completamente. Isso é o que importa.
Assim que Inwoo terminou de falar, Yihyun bebeu toda a sua bebida de uma só vez, definindo-se com uma determinação implacável.
– Felizmente… comecei a pintar de novo. Com a ajuda de outra pessoa.
Como estar preso num labirinto onde você corre com toda a força por inúmeras esquinas apenas para acabar de volta onde começou, Yihyun pensou que não conseguia escapar da conversa que continuava voltando a Lau. Ele sorriu amargamente e se levantou. Então voltou com a sacola de compras que tinha deixado no sofá, colocou-a na mesa de jantar e a empurrou levemente em direção a Inwoo.
– Isso é…
– …
Os olhos de Inwoo, ligeiramente arregalados, perguntavam sobre o conteúdo.
– É um copo Starbucks City. Comprei este em Chicago, e este… em Boston…
As mãos e as palavras de Yihyun de repente diminuíram a velocidade enquanto ele tirava os dois copos um por um para explicar. Ele soltou uma risada baixa e limpou o rosto.
– Eu deveria pelo menos ter embrulhado. Não tenho senso…
– Do que você está falando, você tem ótimo senso, a julgar pelos copos que escolheu. Para um copo Starbucks City, este é bem bonito. Eu não esperava que você conseguisse um de Boston também. Vocês dois não devem ter tido tempo suficiente para passar… só vocês dois. Obrigado. Para ser honesto… eu não esperava realmente nada, já que pensei que você não se lembraria.
Segurando o copo laranja comprado em Boston, Inwoo o girava para um lado e para o outro como se estivesse apreciando-o, um sorriso muito fraco em seus lábios e um olhar pensativo em seu rosto.
Em Boston, quando ele disse que queria comprar um copo como presente para Inwoo e pediu para parar no Starbucks por um momento. A sobrancelha franzida de Lau, com ciúmes explícitos, e seu tom mal-humorado, como o de um menino jovem. E a sensação de seus braços puxando-o por trás, abraçando-o e aproximando sua cintura, e o calor de seu corpo contra suas costas enquanto ele tentava distrair Yihyun de escolher um copo… um único copo diante dele trouxe tudo de volta à vida.
Mas isso também, como o beijo daquela manhã, parecia uma experiência indireta através de um personagem fictício de um filme ou romance, roçando as bordas de seus sentidos sem qualquer adesão real.
Pela reação de Inwoo, pela maneira como sua fala tinha desacelerado inconscientemente na frase ‘só vocês dois’, Yihyun conseguia sentir. Inwoo já devia ter adivinhado que sua ligação repentina hoje estava relacionada a Lau.
Bem, era verdade. Se você tirasse Lau da equação de sua vida nos últimos tempos, o que restaria? Era um problema muito simples que não exigia nenhuma grande dedução.
Agora que tinha sido forçado a parar, olhando para trás, ele via que não só seu dia a dia, mas também assuntos relacionados ao grande projeto de sua vida, estavam todos ligados a Lau.
O fato de que a influência de outra pessoa detinha domínio sobre toda a sua vida.
O fato de que com ele, e sem ele, tudo… desde as necessidades imediatas da vida até a direção distante de sua vida, literalmente tudo, mudava.
Ele poderia chamar isso confiantemente de amor? Não era dependência, uma entrega?
Como o amor de seu pai, que tinha virado as costas ao mundo depois de perder sua mãe, não teria ele estado amando exatamente da maneira que mais temia? Para sacudir um novo medo, como a vibração sutil que um tsunami começando no mar distante causa no sexto sentido de uma pessoa parada na costa, Yihyun engoliu mais álcool.
– Quando eu estava em Boston, havia um Starbucks muito legal perto da casa de Ellen e Marcus. Parecia menos uma cafeteria de franquia e mais um café local único e tradicional…. Ah, hyung, você conhece Ellen e Marcus, por acaso? Provavelmente conhece, certo? Já que vocês são amigos do presidente há muito tempo…. Eles são pessoas realmente maravilhosas, e quando eu visitei, eles…
– Leehyun.
Inclinando o corpo, que estava recostado no encosto da cadeira, para a frente e colocando uma mão grande sobre a mesa com um baque, Inwoo interrompeu o tagarelar atípico de Yihyun.
– Não vou perguntar nada, então você não precisa se forçar a falar. Claro… se você quiser conversar, eu ouvirei a qualquer momento.
– …
O olhar de Yihyun, fixo em Inwoo, desviou-se para o tampo da mesa.
Desde o momento em que tinha selecionado o nome de Inwoo em sua lista de contatos, ele, de fato, pretendia pedir sua ajuda. Ele tinha planejado difundir o impacto do choque nele. Mas estava claro que ele sofreria maiores danos no processo de confirmar os detalhes internos… e porque tinha medo de tornar isso uma conclusão inevitável, ele só estava adiando o momento.
Molhando os lábios com o uísque, que ainda parecia forte com álcool não diluído, Yihyun fixou os olhos não em Inwoo, mas em seu copo e, como se alguém o estivesse controlando, abriu a boca num transe.
– Hoje, o Artista Shushu veio à casa.
– …
– Parecia que ela veio dizer algo ao presidente, mas a agenda dele está cheia até sexta-feira, então ele também estava fora hoje. Eu tinha algum tempo antes de encontrar a noona e o hyung, então esperamos juntos e…
Tentando dizer em voz alta as palavras que tinha ouvido de Shushu, uma risada vazia escapou dele. Ele se sentia como uma criança prestes a contar uma história sem sentido, como se tivesse encontrado um alienígena ou tivesse uma conversa com sua boneca de brinquedo.
Para ele, que tinha vivido sua vida consciente apenas de um mundo feito de Betas, sem nenhuma conexão particular com Alfas ou Ômegas comuns, muito menos com um Alfa Dourado, a ‘capacidade de um fantasma de transformar um Beta em um Ômega’ era, mais do que uma conversa com uma boneca, algo que desafiava o senso comum, mais próximo de uma lenda ou história de fantasma.
Yihyun esfregou o rosto com a mão livre como se quisesse amassá-lo, então apoiou o queixo na mesa.
– Hyung, por acaso você sabe?
Não sabendo como continuar a história, ele mudou de direção e lançou uma pergunta a Inwoo. Yihyun, com o queixo apoiado pesadamente como se sustentasse um corpo em colapso, o olhar baixo, parecia exausto.
– Phantom, fantasma…. A razão pela qual o presidente é tão obcecado por essas palavras.
– …
A boca de Inwoo endureceu e, inversamente, seus olhos oscilaram instáveis. Vendo isso, os olhos de Yihyun se estreitaram. Um pressentimento sinistro, assustador, inacreditável, parecia congelar seu corpo inteiro. Alguém estava chicoteando impiedosamente seu corpo congelado. Sua respiração instantaneamente ficou irregular, o suficiente para fazer seus ombros subirem e descerem, e mesmo depois de engolir seco e molhar os lábios com a língua, sua boca parecia áspera, como se estivesse cheia de areia.
Ele tinha perguntado se sabia, mas era apenas na forma de uma pergunta. Nunca tinha imaginado que receberia uma confirmação em resposta.
– Então… você sabia… das outras coisas também?
A mão segurando o copo e os lábios que estavam verbalizando o pressentimento sinistro tremiam, independentemente de sua vontade.
O rosto de Inwoo, que abriu os lábios como se fosse dizer algo, incapaz de admitir ele mesmo, e imediatamente os fechou como se não fosse dizer uma única palavra relacionada à pergunta, seu olhar caído tragicamente. Isso em si era a resposta.
– Vejo que você provavelmente sabia.
Não foi uma ação calculada. Ele simplesmente não suportava, então para respirar e para viver, ele se levantou do lugar.
Até o lugar que ele tinha procurado, precisando de algum lugar para esconder seu corpo, recuperar o fôlego e se reagrupar, era de fato território inimigo. Parecia que ele estava cercado por pessoas que conheciam o segredo de Lau, tanto que ele se perguntava como tinha conseguido continuar sem saber até agora. A ameaça e a crise estavam na ponta de seus dedos. Bem atrás dos sorrisos de pessoas gentis e amáveis.
Com que facilidade uma vida diária pacífica, um piso de vidro frágil, poderia ser estilhaçada… ele tinha aprendido isso suficientemente com o acidente de sua mãe e tinha sido excessivamente cauteloso quanto a isso… ou assim pensava… mas uma vez que a vida decidia ser travessa, não existia preparo suficiente.
Sem pensar na mochila ou jaqueta, sem nenhum plano do que fazer, simplesmente pela sobrevivência, Yihyun deixou a mesa de jantar e caminhou rápida e bruscamente em direção à porta da frente.
– Leehyun, Leehyun!
No meio do corredor que levava à entrada, Inwoo agarrou o braço de Yihyun com força. O corpo de Yihyun foi girado à força para encarar Inwoo, cujo rosto estava desesperado, mas ele não queria deixar seu coração ser partido por tal coisa. Ele queria se tornar duro, tornar-se cruel. Abaixando o olhar diretamente para algum lugar na altura do peito, Yihyun curvou a cintura. Ele empurrou contra seu estômago.
– Pode parecer uma desculpa, mas eu também só descobri recentemente. Leehyun, por favor… apenas me ouça. Agora, WiKūn e eu… você provavelmente não consegue nem suportar a visão de nós… mas se você realmente odeia, eu serei o único a sair… apenas… não tente sair daqui. Hã? Para onde você está tentando ir, saindo agora?
O aperto de Inwoo enquanto ele tentava puxá-lo para cima por ambos os braços era forte o suficiente para fazer seus braços doerem, mas Yihyun nem conseguia sentir a dor.
Quando ouviu de Shushu que Lau estava transformando seu corpo no de um Ômega com sua própria habilidade especial. Naquela época… houve um choque instintivo, mas ele não conseguiu compreender a realidade disso. Mas a reação de Inwoo, bem diante dele, tinha transformado aquela história, que parecia uma história de fantasma vaga e flutuante, numa realidade acontecendo com seu próprio corpo.
A coisa da qual Yihyun queria escapar era aquela sensação de realidade, mais do que o próprio Inwoo. Yihyun balançou a cabeça como uma pessoa tentando sacudir um enxame de insetos alados que se aproximavam de todos os lados.
– Não… eu sei que não é sua culpa, hyung. Que você não é o culpado. Mas agora, para mim, as coisas que sei na minha cabeça são inúteis…. É como se minha cabeça tivesse parado de funcionar e meus membros estivessem se movendo sozinhos… Eu não consigo controlar! Eu… eu quero lidar com isso com calma também… mas meu corpo…
– Não se culpe. Quem conseguiria ficar calmo numa situação como esta? Isso é que seria estranho.
– O que é estranho, e o que é normal… eu já não sei mais. Isso, essa situação… o Presidente… como… de que maneira eu devo aceitá-lo?
Levantando a cabeça para olhar para Inwoo, Yihyun tinha completamente perdido seu equilíbrio habitual, suas flutuações emocionais geralmente pequenas para sua idade. Com o rosto de um menino jovem aterrorizado em meio ao caos, ele agarrou os braços de Inwoo e os sacudiu, repetindo a pergunta.
– O que… diabos é isso, hyung?
– …
Como um caminhão batendo num táxi que esperava o sinal ficar verde, ouvindo o rádio.
Uma força destrutiva que, sem qualquer aviso, abalroa o lado da vida diária de alguém, destruindo tudo, quebrando o fluxo, arruinando planos… e num instante, transforma o toque de uma pessoa que ele tinha aceitado em seu eu mais íntimo, uma pessoa que ele sentia ser tão próxima quanto ele mesmo, numa coisa não identificável, estranha e assustadora.
Para experimentar um choque dessa magnitude duas vezes numa só vida….
Inwoo, que tinha estado olhando para Yihyun com uma expressão como se tivesse a boca cheia de remédio amargo, apertando os braços de Yihyun com força, puxou-o com força. Ele envolveu seus braços em volta de seus ombros e apertou suas costas, não poupando nenhuma força.
– Você não precisa entender, e não precisa tentar aceitar. Porque você não fez nada errado.
– Então o que… eu devo fazer? O que eu faço?
– …
– Culpá-lo, odiá-lo, exigir responsabilidade… é isso que eu devo fazer?
– Se você quer fazer isso, então faça.
A sensação do ombro da outra pessoa ser ligeiramente mais baixo do que quando ele enfrentava e abraçava Lau era estranha. O calor de seus peitos se tocando e a sensação de suas orelhas e bochechas se sobrepondo, o fato de que não era ele… fez Yihyun recuar.
Mas agora, ele provavelmente não conseguiria sentir a mesma familiaridade e segurança do abraço de Lau também. Provavelmente. Ele estava percebendo isso nos braços de outra pessoa.
Yihyun empurrou lentamente o peito de Inwoo. Os dois braços que o tinham segurado com força, como se para impedi-lo de ir a qualquer lugar, o soltaram com uma facilidade surpreendente, como se a pressão anterior tivesse sido uma mentira.
Yihyun firmou seus passos cambaleantes, deu um passo atrás e afundou contra a parede atrás dele. Para manter pelo menos um mínimo de compostura, ele limpou o rosto com ambas as mãos e baixou a voz, recompondo-se.
– E depois? Depois que eu liberar todas as minhas emoções… devo voltar ao que era, como se nada tivesse acontecido? Ou…
Ou… isso é algo que nunca deveria ser perdoado.
Mordendo o lábio até ficar branco, ele engoliu as palavras que estava prestes a dizer. A aparência genuína que ele tinha mostrado a ela, ou pelo menos o que ela acreditava ser sua verdade, junto com suas palavras de cura e empatia, pareciam mais próximas da realidade do que as mudanças terríveis que Lau tinha causado em seu corpo. Esses sentimentos acumulados ainda tentavam defendê-lo.
– Me desculpe… eu realmente não sei como me desculpar… Não, isso não é mais uma questão de desculpa… Não importa quando eu descobri, eu sou tão maluco quanto ele por ter ficado em silêncio…
Yihyun balançou a cabeça, interrompendo as palavras de Inwoo. Como Inwoo disse, não era uma questão de desculpa. O que era preciso agora para se acalmar também não era uma desculpa.
Yihyun murmurou, mordendo o lábio inferior.
– Não é algo que o hyung precise se desculpar… Eu quero pensar assim, quero dizer isso, mas não sei…
– Até eu, um Alfa, não consigo entender, então para você, que viveu como Beta… é indescritível, não é? Eu concordei com as palavras daquele desgraçado de que você só sentiria um pouco menos de choque se dissesse você mesmo, então fiquei em silêncio… mas se você estava com tanto medo do choque que receberia, aquele desgraçado não deveria ter feito isso em primeiro lugar. Eu sei que não posso estar livre da responsabilidade por isso também, por ter sido influenciado por tal sofisma e permanecido em silêncio.
A voz de Inwoo ficava cada vez mais agitada. Ele recostou as costas na parede oposta a Yihyun, bagunçando seu cabelo elegantemente estilizado e cheio de cera. Apertando e abrindo os punhos repetidamente como antes de tirar sangue, ele olhou com olhos ferozes para seu próprio antebraço, exposto abaixo da camisa social enrolada até os cotovelos.
– Minhas feromonas ficaram selvagens. O instinto de um Alfa, pelo qual eu nunca tinha sido influenciado antes, assumiu o controle de mim… Essa é uma desculpa patética demais saindo da boca de um Alfa Dourado tão grande, quase perfeito, não é? Se você não conseguia resistir às feromonas… se você não conseguia se controlar enquanto olhava e te tocava, enquanto estava ao seu lado… então você deveria ter desistido de estar ao seu lado completamente.
Inwoo, que tinha estado repetidamente apertando e abrindo o punho, parecia estar suprimindo a vontade de acertar algo com ele. As veias em seu antebraço saltavam num azul escuro.
– Ficar olhando e observando o objeto da sua luxúria todos os dias… não é diferente de uma desculpa de que não houve intenção de estupro.
A voz de Inwoo era baixa e quieta, como um sussurro, mas era assustadoramente fria, como metal, não deixando espaço para reconsideração da conclusão a que tinha chegado.
– …
A palavra “estupro” parecia baixar a temperatura do ambiente e de seu corpo em vários graus. Yihyun estremeceu, endurecendo, e olhou diretamente para Inwoo. No entanto, ele estava consumido demais pela raiva por Lau, que não estava presente, para sequer notar Yihyun.
Estritamente falando, nenhuma coerção ou força foi aplicada ao ato sexual em si. No entanto, ele não tinha sido informado sobre as mudanças físicas essenciais que poderiam ocorrer através dele. Embora não fosse estupro no sentido convencional, mesmo enquanto sentia repulsa pela analogia de Inwoo, ele não podia defender prontamente Lau dizendo que era um salto excessivo.
*Era realmente assim? Ele fez algo tão repugnante quanto estupro… ao meu corpo?*
A gravidade daquela palavra parecia um jorro de água fria sobre os pensamentos confusos que giravam em sua mente. Ele precisava estar frio. Ele tinha que afundar, frio e pesado, para ver a verdade por trás da névoa temporária sem distorção. Mas não era fácil.
– Como… você pode transformar um Beta em um Ômega? Como eu…?
O final de sua voz ainda tremia ligeiramente. O olhar de Inwoo, cheio de culpa, encontrou cautelosamente o de Yihyun.
– Através do nó…
– …
– O nó normal não afeta Betas em nada… mas Fantasmas podem fazer um nó especial. Pode causar alguma mudança química inexplicável. Se você continuamente der o nó num Beta nesse estado, eles gradualmente se transformam num Ômega, e isso é chamado de… Transformação, ouvi dizer.
Ele não tinha recebido uma explicação tão detalhada de Shushu. Que Lau era um Alfa Dourado, um ‘Fantasma’ com a habilidade especial de transformar um Beta em um Ômega. Que sempre que se tentava transformar alguém num Ômega, a cor de seus olhos literalmente ficaria turva como a de um fantasma dentro de horas. Isso foi tudo.
Yihyun envolveu seu corpo trêmulo firmemente.
– Então, com todas aquelas sessões de nó…
Uma risada vazia escapou após seu murmúrio, que parecia um monólogo. O fato de que o sexo que ele tinha com Lau, que ele tinha pensado como a comunhão mais íntima, era meramente sua ferramenta para um engano completo, adicionou choque ao choque.
Yihyun balançou a cabeça levemente, como se não quisesse acreditar. Inwoo mais uma vez apertou o ombro de Yihyun com firmeza.
– Vamos ao hospital amanhã. Podemos verificar o quão longe progrediu, e se há possibilidade de viver mais perto de um Beta se pararmos agora… Vamos providenciar um exame VIP, e eu mesmo te examinarei.
Os olhos de Yihyun olharam para Inwoo. Seu olhar estava desfocado, como se perguntando qual seria o sentido disso agora. Inwoo afrouxou o aperto no ombro de Yihyun, que parecia um animal jovem indefeso diante da violência, e o acariciou tão suavemente quanto pôde.
– Claro, se você não estiver pronto, não precisa fazer agora.
– Quanto tempo vai levar para saber os resultados dos exames?
– Devemos ser capazes de confirmar bastante coisa apenas com um ultrassom.
– Será algo que podemos saber pelo desenvolvimento do útero, certo?
– …
A palavra “útero”, que evocava uma sensação de estranheza tão afiada e fria quanto a sensação metálica que ele sentiu da palavra “estupro”, tornou suas palavras mais lentas. Vendo Inwoo, que desviou o olhar com a boca apertada, Yihyun soltou um leve suspiro.
Ele se lembrou das palavras de Lau naquela manhã, pedindo para ficarem juntos e dormirem sem fazer sexo. Lembrando de sua própria pergunta: “Não podemos dormir juntos depois de fazer sexo?”, um sorriso amargo surgiu. Sim, isso não teria sido possível… *Que expressão ele tinha quando olhou para mim então?*
Era pena? Arrependimento? Conflito e tristeza? Quaisquer que fossem as emoções complexas misturadas ali, naquele momento, ele não queria bloquear seus próprios sentimentos para tentar entender os dele.
Yihyun respirou fundo e mordeu o lábio inferior com força.
Ele agora entendia vagamente a razão da pressa de Lau após a primeira inserção e o primeiro nó em Hong Kong, quando ele tinha raspado freneticamente o sêmen de seu corpo como um louco… a razão pela qual ele tinha se desculpado tantas vezes e a razão da ‘limpeza desnecessária’. Sua confusão, incapaz de fazer nada além de tentar limpar o que não podia ser salvo.
– Eu quero. Faça por mim. O nó… faça de novo.
Seus próprios sussurros lascivos, implorando por nó, eram vívidos. Ele soltou o braço que tinha segurado sua própria coxa e esfregou o rosto como se para apagá-lo. Ele achou difícil controlar sua respiração que se acelerava rapidamente. Ele gostaria de poder perder a consciência, como quando enfrentou novamente na sala de estar de Lau, mas seu corpo tolo exigia que ele testemunhasse todo o processo da dor.
Cada momento passado com ele agora parecia diferente. O sexo com ele, onde ele se sentia libertado de normas e moralidade, até uma grande sensação de liberdade, como se tivesse se tornado uma pessoa completamente diferente. A profunda segurança, como se tivessem mostrado a si mesmos seus verdadeiros eus e sido compreendidos, mesmo depois de ter dito palavras tão explícitas que o fariam corar sozinho quando as recordasse mais tarde.
Tudo era uma ilusão. Para ele, o sexo com ele não era só isso. Era um ato com um propósito diferente, ou pelo menos incluindo um propósito diferente.
– Fui eu…
– …
– Eu pedi… para fazer o nó em mim, eu queria… tantas vezes…
– Não é isso. Não é sua culpa!
Inwoo sacudiu o ombro de Yihyun e gritou com voz agitada. Yihyun não tinha dito aquilo como se fosse sua própria culpa, mas ele nem sentiu a necessidade de corrigir o mal-entendido de Inwoo.
– Lau WiKūn é só um filho da puta, você era uma vítima que não sabia de nada. Você não deveria se culpar de forma alguma.
– …
Como no dia em que seu tio o visitou, ele se sentiu como se estivesse encharcado de chuva. Tolamente, ele sentiu falta do calor de Lau, que tinha saltado do carro naquele dia e o abraçado sem fazer perguntas. Estar agora levado a essa frieza… e ainda assim ele queria ser aquecido pelo calor de seu corpo…
Pensando que seu amor era provavelmente dependência e entrega, os olhos de Yihyun se encheram de lágrimas. Quando ele levantou a mão para enxugá-las imediatamente, não querendo agir emocionalmente, a cabeça de Inwoo inclinou-se profundamente.
– …
Sua língua não entrou, mas foi um beijo profundo o suficiente para pressionar seus lábios juntos. Enquanto Yihyun, que tinha congelado, piscava lentamente duas ou três vezes, Inwoo torceu ligeiramente o ângulo de seus lábios, esfregou suavemente a membrana mucosa interna e lentamente se afastou.
– …O que é isso.
Seu corpo rígido como se alguém estivesse segurando uma arma contra sua região lombar, sem se mover, Yihyun perguntou apenas com os lábios. Inwoo, que tinha removido as mãos dos ombros de Yihyun e as estendido em rendição, esfregou a nuca e fez um sorriso estranho.
– Receber um novo choque… fez o choque da Transformação desaparecer, mesmo que por um momento?
Ele tentou agir como se estivesse fazendo uma piada grosseira com seu comportamento leve habitual, mas os olhos de Inwoo tremiam instáveis, e seus lábios tremiam. Diante do olhar de Yihyun, olhando para ele como se exigisse uma resposta adequada, ele logo desistiu da pretensão de ser leviano. Ele exalou pesadamente através dos lábios fechados e olhou para Yihyun como se o perfurasse com olhos que tinham sido fortemente arranhados por algo.
– Eu não posso assistir.
– …
– Eu sei que para você, eu também sou só mais um filho da puta envolvido nisso. Mas pelo menos eu não sou quem mudou seu corpo como aquele desgraçado. Eu recuei pensando que aquele desgraçado realmente queria e te valorizava, mas se não fosse esse o caso…
– Para que servem essas hipóteses?
Como se o beijo de momentos atrás não tivesse significado para ele, junto com a hipótese de Inwoo, a voz de Yihyun não era fria nem quente.
– Eu entendo que você também está muito chocado com isso.
Quando Yihyun tentou concluir assim, Inwoo, com uma carranca, deu um passo à frente.
– Não finja que não sabe assim. Você vai se lembrar, mas fui eu quem mostrou interesse primeiro.
– Sim, eu me lembro. E sei que você teria agido da mesma forma mesmo se não fosse eu que estivesse lá.
– …
A atitude inicial de Inwoo, onde ele flertava no final de cada frase, como se quisesse sair num encontro ou dormir juntos uma vez, foi considerada por Yihyun como meramente o comportamento habitual de um conquistador típico, desprovido de qualquer sentimento genuíno. Yihyun o tinha deixado em paz sem reagir porque ele não tinha ultrapassado a linha decisiva.
Mesmo se houvesse a possibilidade de se desenvolver em emoções mais profundas por trás de sua atitude aparentemente casual, mencionar essa possibilidade agora era sem sentido.
Se o Pai tivesse reagido diferente então, se a Mãe não tivesse sofrido o acidente então, se não tivéssemos mudado de restaurante então, se o motorista do caminhão tivesse feito a inspeção do seu veículo a tempo… que significado teriam tais hipóteses?
– Você também está muito confuso… Vou pensar nisso como um erro momentâneo, só isso.
Os olhos de Inwoo olharam para Yihyun com ressentimento enquanto Yihyun falava com voz cansada, sugerindo que eles encerrassem isso aqui.
– Você nem se sente confuso sobre mim.
– …
– Você consegue lidar comigo com tanta calma.
Yihyun não suportou Inwoo tentando jogar outro problema nele naquele momento particular. Quer seus sentimentos fossem genuínos ou não, ele não tinha forças para suportar nem o peso de mais uma pena.
– Eu, hoje… vou dormir em outro lugar.
A mão de Inwoo, que agarrou o ombro de Yihyun e o virou sem sua jaqueta ou mochila, sem nenhum plano, não era mais cuidadosa, mas firme.
– Não há necessidade disso. Como Yihyun-ssi disse, foi apenas um erro impulsivo sem significado.
– …
– Mas.
– …
– Parece que erros também têm momento certo.
Empurrando Yihyun em direção à sala de estar, apertando seu ombro dolorosamente com força, Inwoo inclinou a cabeça de lado.
– Viver como um covarde que apenas sorri e não tenta nada… é talvez pior do que cometer um erro único na vida que arrisca sua vida…
Inwoo murmurou atrás dele com uma voz amargamente autodepreciativa. Yihyun, que estava sendo empurrado para a sala de estar, virou-se. Inwoo deu tapinhas em seu ombro algumas vezes como se para encorajá-lo e deu um sorriso brincalhão como de costume.
– Nunca vi esse rosto antes, quem é? Um novo amante?
Ele se sobrepôs ao Inwoo de antigamente, que tinha dito isso com interesse curioso quando se conheceram em frente ao Phantom, diante do carro de Lau… Mas havia uma diferença sutil, como duas imagens num jogo de encontrar diferenças.
Inwoo riu baixinho, empurrando suavemente a bochecha de Yihyun com a mão, como se lhe dissesse para não olhar para trás.
– Porque pelo menos… alguma coisa vai acontecer.
A voz atrás dele já não ria mais.
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Entre os muitos livros que Morae possuía, havia um livro do filósofo francês Jacques Derrida.
Ela costumava passar o tempo pegando emprestados vários livros dela, independentemente de gênero ou conteúdo (na época, qualquer livro excelente era meramente uma ferramenta para passar o tempo para Yihyun), mas ele não conseguia lembrar como tinha escolhido aquele livro em particular, que era não polido e cheio de traduções erradas.
Como era um ato mecânico de encher o envelope do tempo com letras, descartá-lo e depois abrir o próximo envelope para enfiar letras, a fluidez das frases ou legibilidade não era um problema para Yihyun na época.
Mesmo dentro daquela tradução pouco amigável, que exigia que ele lesse aos trancos e barrancos e devagar como se lesse um original francês, apesar de estar em sua língua nativa, havia uma frase que ele podia trazer para sua vida.
*‘Aquele que dá um presente não deve esperar receber um valor equivalente em troca, nem deve esperar ser lembrado pelo destinatário. Nem deve mantê-lo como um símbolo de sacrifício pelo outro em sua própria consciência.’*
Na época, Yihyun tinha pensado em Morae e Yihan através dessa passagem.
Os mais velhos na família aceitavam Yihyun, que aparentemente parecia bem, comendo, dormindo, indo à escola e até servindo no exército… vivendo quieto sem causar problemas, como uma criança sem problemas. Mas na realidade, era meramente executar as tarefas dadas mecanicamente.
Quando o calendário de provas era anunciado, ele se preparava diligentemente, mas não por desejo de obter notas altas. Não era porque ele era uma criança profundamente compreensiva que tinha superado tudo ‘felizmente’, como os adultos pensavam, embora não tivesse se rebelado uma vez depois de passar por ‘aquilo’.
Ele estava meramente tornando seu eu interior dormente, para não sentir choque intenso, confusão, ressentimento ou tristeza. Um estado onde os desejos e emoções humanas estavam completamente desidratados, incapaz de rir genuinamente ou ficar genuinamente com raiva, era semelhante a uma morte silenciosa, uma morte passiva.
Era mais difícil do que se pensa não se tornar enterrado na apatia de alguém assim, mesmo mantendo-o por perto. A luz e energia que eles forneciam, permitindo-lhe manter sua vida mesmo num estado de dormência, não podiam brotar do nada.
Mesmo que o Pai tivesse se afastado do mundo junto com ele, o mundo não tinha se afastado completamente dele. Pelo menos Morae e Yihan estavam lá.
Não outra coisa, mas esse era o presente.
Um presente que preenchia perfeitamente as condições de Jacques Derrida para um presente: não esperar receber valor equivalente em troca, nem mesmo esperar que a outra pessoa o reconhecesse.
Ao discutir o conteúdo daquele livro, Morae também mencionou outra definição de Jacques Derrida.
*‘Se alguém fosse perdoar o que é perdoável, o próprio conceito de perdão desapareceria. Perdão é apenas perdoar o que é imperdoável.’*
Enquanto bebia chá de cevada dado pelo presidente, sentado num sofá velho numa oficina de reparos comum enquanto substituía uma peça simples em sua motocicleta, Yihyun tinha pensado em seu pai.
Se eu tivesse possuído a maturidade para perdoar o imperdoável… eu não teria precisado me proteger anestesiando minhas emoções. Eu não conseguia perdoar, nem sabia como perdoar, então tentei me tornar indiferente a isso também.
Para que meus olhos não ficassem vermelhos e se enchessem de lágrimas quando eu olhava para o Pai, para que eu não desperdiçasse minhas emoções vomitando palavras ásperas, para que eu pudesse olhar para o Pai sem qualquer emoção, como se olhasse para uma pia perto da torneira ou uma vassoura no canto do quintal, endurecer a superfície do meu coração era o melhor que Yihyun podia fazer na época.
Dentro do táxi subindo a estrada íngreme que levava ao Phantom, observando a rua de Samcheong-dong à noite, iluminada por luzes quentes, Yihyun estava pensando em Lau desta vez.
O que ele fez era imperdoável?
Como o silêncio do Pai?
Para Yihyun, que tinha vivido num mundo estreito e monótono com quase nenhuma interação com ninguém além de Morae e Yihan depois de terminar o ensino médio, mudando-se para uma vila de pescadores, o Phantom era um novo mundo vibrante de vitalidade, esplendor e imprevisibilidade, onde paixão e respeito pela arte coexistiam.
A sensação que ele tinha experimentado no táxi saindo do Phantom no dia em que ajudou o Gerente Han a preparar uma exposição ainda estava vívida. Uma sensação surreal, como se se ele virasse o carro, o local onde ‘Galeria Phantom’ estava estaria coberto de ervas daninhas. Ou uma sensação de atordoamento, como depois de ter um sonho que parecia real demais.
Naquela época, por trás de seu senso de realidade estranhamente distorcido, Yihyun tinha sentido um ‘desejo’. Ele desejava que o Phantom fosse real, que permanecesse em seu lugar.
Como prova de que mesmo que a luz seja bloqueada para escurecê-la, e a água seja retida para secá-la, a luz inevitavelmente penetrará e a água permeará o coração humano, e o desejo eventualmente crescerá, Yihyun tinha diligentemente cultivado seu desejo a partir de então.
Na noite em que ele hiperventilou por causa de , ele não recusou o toque de Lau quando ele subiu na cama. Ele tinha claramente revelado seu desejo por ele, desejando que ele não compartilhasse beijos, sexo e nós com ninguém além de mim.
E Lau… estava perseguindo seus próprios desejos através de mim. Porque não há garantia de que o objeto do meu desejo me desejará da mesma maneira.
Zombando de si mesmo por ter convidado conceitos como futuro, esperança e superação… enquanto cautelosamente se tornava otimista de que desta vez finalmente daria frutos, dando flores e frutos, Yihyun desviou o olhar pela janela do carro.
A rua, repleta de cafés e lojas modernos, estava vibrante com pessoas aproveitando o breve outono, apesar de ser uma noite de segunda-feira. Enquanto observava atentamente cada rosto das pessoas que ele tinha inconscientemente passado, considerando-as todas Betas, o olhar de Yihyun caiu sobre o prédio do Phantom quando entrou em seu campo de visão. Yihyun apertou suas mãos suadas e vazias com força nas coxas.
↫──{Continua em Diamond Dust Volume 6}──↬
Notas do Glossário
– Close Out: Um termo do surfe. Estado em que o surfe é impossível porque as ondas quebram todas de uma vez em vez de se formarem uma após a outra.
– Ding: Um termo do surfe. A prancha sendo rachada ou danificada.
– Ted W. Jennings, Reading Derrida / Thinking of Paul, traduzido por Park Seong-hoon, Greenbee (2014)
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler Diamond Dust (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Tendo vivido como um beta a vida inteira, Seo Yihyun nunca imaginou que seu caminho se cruzaria com o de um Alfa de elite como Lau Weikun — alguém tão acima do seu mundo que parecia que o destino jamais se daria ao trabalho. Mas, um dia, Weikun capta um aroma impossível pairando no ar: o feromônio doce e viciante de um Ômega… vindo de Yihyun. Mais estranho ainda, é um perfume que apenas ele consegue perceber. À medida que o desejo e o instinto se misturam em obsessão, Yihyun se vê preso entre a descrença e a tentação, vendo seu mundo se transformar em algo que ele nunca julgou possível.