Ler My Perfect Omega (Novel) – Capítulo 4.2 Online

ꕥ Capítulo 4.2 – Um Passo Atrás para Dar Dois Passos à Frente
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Owen estava tentando confortá-lo, mas isso só fazia Nick se sentir pior.
— Sinto muito mesmo.
— Foi um acidente para nós dois.
— Não, vamos ser claros. Não sei por que você está tentando misturar as coisas, mas não faça isso, Owen. Eu estava errado.
— …
— Eu estava errado e, se tiver que encontrar um motivo, você estava se defendendo. Naquela época e agora.
— …
— Então, o que aconteceu com o seu primo?
Ele precisava ouvir o resto da história sobre o incidente inicial.
— Felizmente, ele acordou do coma e ouvi dizer que não houve efeitos duradouros.
— Isso é bom. E quanto a você?
— Eu…? O que você está perguntando?
— Estou perguntando se você ficou bem depois disso.
— Oh. Eu… com o Locke, quero dizer, separadamente, passamos por todos os testes imagináveis em nossos respectivos centros de alfa e ômega.
— O que eles disseram?
— Disseram que não havia nada de errado. … É enlouquecedor. Não conseguiram encontrar nada de errado. Eu estava meio temendo e meio esperando que encontrassem algo.
— Esperando?
— Sim, esperando. Esperando que apontassem o que havia de errado comigo.
— …
Nick entendia e, ao mesmo tempo, não entendia. Percebendo sua confusão, Owen continuou.
— Se houvesse algo errado comigo, poderia ser consertado. Eles poderiam remover o excesso, suplementar a deficiência. Você já ouviu falar de CRISPR?
— As tesouras genéticas?
Quando a edição de genes tornou-se possível, controvérsias sobre direitos humanos se seguiram. A sociedade estivera em polvorosa por um tempo. Houve inúmeras discussões e debates em painéis. Nick podia não saber os detalhes, mas conhecia o termo.
CRISPR-Cas9 era uma tecnologia de edição de genes. Era chamada de tesoura porque podia cortar com precisão seções problemáticas dos aproximadamente 20.000 genes do genoma humano.
— Sim, é assim que se chama. Se houvesse uma mutação nos meus genes, eles poderiam cortá-la e substituí-la por um gene normal, e eu estaria curado.
— Eu não sabia que era legal para adultos.
O último que Nick ouvira era que a edição de genes só era legal para fetos com doenças genéticas.
— Você pode ir para um estado onde seja legal. E se eles encontrassem algo errado, eu poderia receber tratamento. … Eu teria me sentido melhor se tivessem.
Agora ele entendia. Mesmo que não concordasse.
— Talvez você seja apenas… diferente.
— Nick, isso não é apenas “diferente”. Você correu perigo agora pouco.
A mão de Owen tocou sua bochecha, seus olhos cheios de preocupação enquanto examinava Nick em busca de ferimentos.
— O resultado de todos esses testes pode ser resumido em uma frase: eu sou apenas um ômega monstruoso.
Várias das palavras que Owen usou irritaram Nick. Sua testa franziu em desaprovação.
— Bem, para mim, parece que você tem traços superiores. Se ter habilidades um pouco mais fortes faz de você um monstro, então eu também deveria ser chamado de um.
Owen levantou a cabeça bruscamente diante das palavras ranzinzas de Nick.
— Por que… você?
Olhando novamente, Nick viu não apenas curiosidade, mas um lampejo de esperança, como se Owen tivesse encontrado uma alma gêmea.
— … Eu nunca contei isso a ninguém antes. Tenho medo de parecer narcisista.
— Eu não vou achar.
Como se temesse que Nick parasse, Owen ofereceu uma promessa apressada de não julgar.
— Acuidade sensorial. É como eu chamo. Soa um pouco grandioso, mas chamo de habilidade porque é muito mais preciso do que o sentido vago que as pessoas chamam de sexto sentido. Usei isso nos SEALs, e salvou a minha vida e a dos meus companheiros muitas vezes.
— Seus… companheiros sabiam da sua habilidade?
— Não. Eles não sabem. Eles me acham… estranho, mas finjo que não percebo. Não há como provar, a menos que eu demonstre, e não estou particularmente interessado em ser um rato de laboratório.
Owen assentiu em compreensão. Ele parecia acreditar em Nick, embora sua afirmação pudesse soar como vanglória. Mas a esperança em seus olhos desapareceu novamente.
— … A sua não parece perigosa. Eu ataco alfas.
— Você se defendeu, não atacou. Há uma diferença.
— O resultado foi que fiz você se sentir atacado. Você não pode negar isso, pode?
— …
A pergunta direta silenciou Nick momentaneamente. Ele se sentira atacado, por mais breve que fosse.
— Então eu sou o único monstro.
— Eu… eu discordo desse termo. Não senti nada… anormal em você. … Fiquei surpreso, sim.
— Obrigado por dizer isso. Mas se você estivesse lá naquele dia, não teria tanta certeza.
— Owen, não é possível que houvesse outro motivo para seu primo ter desmaiado naquele dia?
Ele tinha que começar com a pergunta mais fundamental. Talvez não fosse o que parecia. Essas coisas aconteciam.
Owen balançou a cabeça lentamente, já tendo considerado essa possibilidade antes.
— Me disseram que as ondas cerebrais dele eram semelhantes às de alguém que experimentou um choque de feromônios.
— …
O choque de feromônios era frequentemente associado a crimes graves, como marcação forçada ou tentativa de estupro.
— Locke e eu éramos os únicos no sótão naquele dia. Todos os outros estavam lá embaixo. Meus níveis de feromônios estavam excepcionalmente altos, está nos registros. E o Locke… as ondas cerebrais dele mostravam sinais de um ataque de feromônios.
— Mesmo assim, se todos os outros estavam lá embaixo, não é possível que ninguém saiba exatamente o que aconteceu?
— Sim… meus pais disseram isso. Eles não sabiam o que aconteceu. Disseram que foi apenas um acidente.
Owen assentiu, como se ele também tivesse aceitado aquela explicação.
— Mas Nick, depois daquele acidente, os adultos foram muito cuidadosos para não me deixar sozinho com nenhum dos meus outros primos.
Adultos podiam pensar que podiam esconder as coisas, mas as crianças eram perceptivas. Elas sabiam, mesmo que ficassem quietas. O pensamento de Owen, isolado daquela forma, fez o sangue de Nick ferver.
— Isso é injusto.
— Eles estavam protegendo os filhos deles.
— A evidência contra você é frágil. Aconteceu mais alguma coisa depois daquele dia? Além de ontem à noite, quero dizer.
— …
Owen ficou em silêncio por um momento, não vasculhando sua memória, mas pesando suas palavras.
— Não. Depois disso, tomei supressores todos os dias. Nunca pulei uma única dose. E não me coloquei em situações em que ficaria exposto aos feromônios de um alfa até ter controle total. Na verdade… nunca fui tão… íntimo de um alfa dominante como você. Talvez seja por isso.
— …
A informação de que Owen só havia namorado alfas recessivos encaixou-se.
— Pensando bem agora… talvez algo em mim simplesmente não seja compatível com alfas.
— Eu discordo.
Nick olhou para Owen, que baixara a cabeça. Ele ouvira toda a história e chegara a uma conclusão.
— Acho que somos muito compatíveis. Você tem traços superiores, e eu também. Cometi um erro grave ontem à noite, e você reagiu, retaliando brevemente. Estou refletindo sobre minhas ações e pedindo seu perdão. Simples assim.
— … Nick?
— Fico feliz por estarmos aprendendo um sobre o outro desta forma. Agora tudo o que resta é você aceitar meu pedido de desculpas. Não posso te forçar, mas como um apelo final, juro que nunca repetirei aquele erro.
— … Você não está… incomodado com nada disso? Você está mesmo bem?
— Se você me perdoar.
Owen, parecendo perplexo, deu um pequeno aceno positivo. Um sorriso floresceu no rosto de Nick.
— Você pode ir para um hotel se quiser.
O sorriso desapareceu.
— Você está me expulsando?
— Não, não é isso… Só achei que você pudesse estar desconfortável.
— Não estou desconfortável.
— … Você não está… ansioso?
— Com o quê?
— Por… estar comigo de novo. Dormir nesta… cama.
— …
Owen Rose carecia de confiança das formas mais estranhas. Nick achou que poderia ter vislumbrado uma pista do porquê esta noite, mas não era o suficiente.
Aquele era um enigma para outro momento. Agora, ele precisava garantir que Owen não remoesse as lembranças ruins, se Owen permitisse.
— A menos que você me peça para sair, pretendo passar o resto da noite aqui. … Você… ficará bem?
— Com o quê?
Em vez de responder, Nick puxou o cobertor dos ombros de Owen.
— Ah…
Felizmente, Owen não resistiu. Nick baixou a cabeça cuidadosamente, parando pouco antes dos lábios de Owen. Ele prendeu a respiração, inclinando a cabeça, e Owen entreabriu os lábios em aceitação. Quando um braço deslizou pelo pescoço de Nick, ele finalmente expirou.
— Posso… liberar um pouco de feromônio? Nunca farei aquilo de novo. Você pode me matar se eu fizer, Owen.
Nick sussurrou a pergunta, a promessa, contra os lábios de Owen. Os lábios de Owen curvaram-se em um sorriso.
— Foi um mal-entendido. Eu não desgosto dos seus feromônios.
Contra os lábios dele, Owen murmurou, quase como uma absolvição: — Na verdade, eu ia te pedir para me deixar sentir o seu cheiro primeiro quando chegássemos em casa. Hoje foi um dia longo.
Suprimindo uma onda de simpatia pelo dia longo de Owen, e o desejo de assassinar seu “eu” do passado por manchar o relacionamento nascente deles, Nick liberou seus feromônios lenta e cuidadosamente.
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Owen se movia com tanta graça. Seu caminhar, a forma como levantava um copo d’água, até a maneira como colocava a palma da mão no… maldito armário, ou cofre, ou o que quer que fosse, era totalmente elegante.
— O que acontece se você não tomar esses comprimidos?
O copo parou logo acima dos lábios de Owen. Ele hesitou apenas brevemente antes de incliná-lo e engolir os comprimidos com um gole de água.
— Estes são suplementos de saúde.
Ele evitou a pergunta, deslizando a bandeja de frascos de comprimidos de volta para o armário e fechando a porta.
— A maioria deles é. Mas você tem supressores aí também.
Se o que Owen dissera ontem à noite fosse verdade, eles estariam lá.
— Nick, eu trabalho em um lugar repleto de alfas que não param por nada para conseguir o que querem. Supressores são… convenientes, para nós dois.
Owen ofereceu uma resposta leve e voltou ao seu lugar em frente a Nick.
— Owen, você está tentando negar sua identidade como ômega?
— O quê? Não. Não, de forma alguma.
Ele negou sem hesitação.
— Então, e quanto à marcação?
— O quê?
O sorriso leve que brincava nos lábios de Owen desapareceu.
— Se você está tomando supressores para se livrar da influência dos feromônios, não existe uma forma mais segura e natural? A marcação.
— …
— Comigo, obviamente.
— …
Agora Owen estava realmente sem palavras. Nick estendeu a mão sobre a mesa e pegou a dele.
— Nick, eu…
A mão de Owen estremeceu em seu aperto, tentando se afastar, mas armadilhas foram feitas para disparar quando a presa tenta escapar. Nick apertou o aperto.
— Eu… eu não posso. Não agora. Você viu. Eu não sou normal. Eu reajo exageradamente aos feromônios de alfa. … Eu machuquei alguém.
A mão de Owen estremeceu novamente. Nick segurou com mais força.
— Owen, não se iluda. Eu estava errado. Eu perdi o controle primeiro, e você se defendeu. Foi legítima defesa.
— Mesmo se foi legítima defesa, foi excessivo. E mais importante, não foi intencional. Nick, você não vê o problema? Eu não consigo controlar.
Aquele medo, a falta de controle, era claramente a maior preocupação de Owen. Ele falava mal acima de um sussurro.
— Owen, eu conheci muita gente louca no meu ramo de trabalho. Não senti nenhuma loucura vindo de você ontem à noite. Você não estava fora de controle.
— …
O conflito entre o que ele queria acreditar e o que temia estava evidente no rosto de Owen. Ele pareceu murchar, os ombros caindo.
— As ondas cerebrais do Locke mostraram sinais de um ataque de feromônios. A marcação exige exposição a altos níveis de feromônios. Como podemos ter certeza de que a mesma coisa não acontecerá?
— Owen, aquilo foi um ataque e uma defesa. O que nós faríamos, a marcação, é uma promessa, gravada em nosso próprio ser, de que teremos apenas um ao outro pelo resto de nossas vidas. É um insulto até mesmo comparar as duas coisas.
A voz de Nick baixou ainda mais.
— …
— Eu aceitaria de bom grado os seus feromônios. Você está… relutante em ser marcado por mim?
— Você sabe que não é isso, Nick.
— Por que não tentar? Acho que daria muito certo.
— Você é corajoso.
Os ombros de Owen ainda estavam caídos, mas sua expressão não era totalmente sem esperança. Ele parou de tentar puxar a mão. Nick afrouxou o aperto em resposta.
— Supressores não são a solução.
— Eu sei. Eu achei que a marcação fosse. Mas agora… não tenho tanta certeza.
— …
Desta vez, Nick soltou a mão de Owen. Em vez de recuar, porém, a mão de Owen moveu-se para a bochecha de Nick.
— Não entenda mal, Nick. Não é que eu não te queira. Sou eu. Eu preciso de… mais certeza. Confiança de que posso me controlar. Você entende?
— Eu entendo. Então vamos tentar. Eu serei cuidadoso. Não farei você se sentir atacado.
Owen não respondeu, mas ofereceu um pequeno sorriso amargo.
A marcação exigia que ambas as partes liberassem quantidades avassaladoras de feromônios. Owen tinha medo de como reagiria à inundação dos feromônios de Nick.
Nick queria estrangular seu “eu” do passado.
— Só me dê um pouco mais de tempo, Nick.
Nick tirou a mão de Owen de sua bochecha e a segurou novamente.
— Tudo bem. Eu vou esperar. Só me prometa uma coisa.
— O quê?
— Prometa-me que serei eu quem fará a marca com você. Eu esperarei até você… recuperar sua confiança.
— Tudo bem.
A resposta veio prontamente. A expressão de Owen recuperou um pouco de sua elegância, depois franziu-se ligeiramente.
— Por quê?
— Há algo… estranho na forma como você negocia, Nick. Você é quem faz as exigências, e eu sou quem sempre concorda, mas, no fim, é como se você estivesse me fazendo um favor.
— Sou bom no que faço.
— Ou apenas desavergonhado?
— Esse é um componente necessário para ganhar vantagem. Vejo que você ainda não aprendeu isso.
Owen levantou-se de seu assento, deixando para trás um sorriso elegante.
— Estou pensando em quatro filhos. O que você acha?
— …!
Para Nick, a promessa de marcação era tão boa quanto um pedido de casamento. Ele simplesmente passara para o próximo passo natural, mas a expressão de Owen era estranha. Parecia quase descrença. O sobretudo drapeado sobre o braço elegante de Owen girou enquanto ele se virava bruscamente.
— Nick, alguém já te disse que você se adianta às coisas?
— Como você soube? Minha equipe costumava me dizer isso o tempo todo.
Eles gritavam atrás dele, mandando que esperasse porque não conseguiam se mover tão rápido quanto ele. Mas como Owen sabia disso? Antes que Nick pudesse perguntar, Owen soltou um suspiro curto e se afastou.
— Jimmy.
Nick levantou a mão em saudação ao motorista dele, que saíra do carro para abrir a porta. Jimmy retribuiu com um aceno curto. Owen Rose, o epítome do distanciamento elegante, entrou no Rolls-Royce sem olhar para trás.
Quem ousara infligir tais feridas em seu adorável, elegante, reservado e totalmente cativante ômega?
— …
Ele conhecia um. Ele estivera estrangulando-o mentalmente repetidas vezes desde ontem à noite.
Nick encostou-se em um pilar, observando o Rolls-Royce se afastar. Ele olhou brevemente para o prédio do outro lado da rua, depois voltou o foco para o carro que partia. Há vários dias, alguém o observava de uma janela do outro lado da rua, em horários que coincidiam com sua partida para o trabalho. Nick não sentira hostilidade, então apenas registrara o fato.
Assim que o carro de Owen sumiu de vista, Nick revisitou as sensações que experimentara na noite anterior, tentando analisá-las.
Owen fora tão sensível à palavra “ataque” que Nick não insistiu no assunto, mas ele tinha certeza de que houvera um atacante. Um poderoso. Ele não contara isso a Owen, mas, com base na força do ataque, suspeitava que Owen fora quem enviara seu primo Locke para o hospital.
Mas, como dissera a Owen, o que eles queriam fazer, a marcação, era inteiramente diferente daquele incidente de infância. Nada daria errado se eles se marcassem. Nick apostaria tudo o que tinha nisso. Owen, no entanto, ainda não conseguia enxergar. Seu trauma o estava cegando.
O erro da noite passada sem dúvida piorara as coisas, mas a ferida não fora infligida da noite para o dia.
Quem fora? Além dele mesmo, quem fizera as feridas de Owen apodrecerem tão profundamente?
Os lábios de Nick se apertaram em uma linha fina.
O carro de Owen desapareceu de vista. O tráfego sem sentido fluía. Nick fechou a porta e entrou, caminhando decididamente até a cozinha e pegando seu telefone.
— Opa, Chefe. Tudo certo por aqui. E com você? Bom dia para você também?
A saudação alegre de John veio no momento em que ele viu o nome de Nick.
— E sobre o que pedi para você investigar?
— Verifiquei. Nada além de supressores. Pelo menos nada oficialmente prescrito por qualquer hospital ou centro médico registrado na cidade de Nova York.
— Tem certeza de que verificou minuciosamente?
— Mais rápido e seguro do que hackear, paguei pelo acesso ao ID de um regulador de sinistros de seguros ativo e verifiquei eu mesmo. Sua Alteza Real, o Sr. Rose, não teve nem um resfriado no último ano. Uau, ele é super saudável. Bem, acho que isso era de se esperar.
— Havia um frasco de comprimidos sem rótulo.
E ele vira Owen tomar um comprimido dele naquela manhã.
— Uh… espere um pouco. Estou com o médico da equipe agora. Vou colocá-lo na linha.
Após uma breve pausa, uma nova voz se juntou à chamada.
— Sim, Chefe. Médico da Equipe falando.
O médico da equipe, empregado pela empresa de segurança, era chamado simplesmente de Doc. Nick o recrutara de uma grande PMC britânica onde ele servira como médico de combate. Doc, que frequentemente os acompanhava em missões, a menos que a situação fosse particularmente perigosa, era um médico altamente qualificado, capaz de realizar cirurgias de emergência em ambientes desafiadores. Ele também era um estudioso diligente.
— Doc, o que isso significa?
— Pode ser uma substância ilegal, ou talvez ele apenas tenha transferido seus supressores para um frasco diferente. John, de onde ele tira os supressores?
— Consultas domiciliares. Um tal de Dr. O’Reilly, seu médico particular. Mas o Dr. O’Reilly está atualmente afiliado a um laboratório de pesquisa.
— Então provavelmente é isso. A menos que seja uma droga diferente.
Doc mencionou drogas ilegais casualmente, mas, dada a personalidade de Owen, Nick duvidava que ele recorreria a algo assim. Não era falta de desespero. Drogas ilegais eram instáveis. Owen não correria esse risco.
— Isso é permitido? Não é ilegal?
— Se alguém sem licença para atendimento domiciliar prescrever medicação fora de um local designado, então sim, mas pessoas ricas escapam de tudo. Talvez o Dr. O’Reilly tenha aberto uma exceção para ele.
Eles continuaram a conversa enquanto Nick permanecia em silêncio.
— Bem, o laboratório de pesquisa é financiado pela Fundação Rose, então…
— Então está confirmado. Provavelmente fizeram uma medicação personalizada para ele.
— Isso é permitido?
— Se não forem pegos. E mesmo se forem, o que vão fazer? Ele não está vendendo, está tomando ele mesmo.
— Doc.
Ele duvidava que Owen fizesse algo imprudente, mas ele poderia estar experimentando em si mesmo. Nick tinha uma suspeita sobre o tipo de medicação, mas precisava de confirmação.
— Sim, Chefe?
— Se eu lhe enviar os comprimidos, você pode analisá-los?
— Eu não posso, mas posso providenciar para que seja feito.
— Eu os enviarei. Analise-os imediatamente.
— Sim, senhor.
Assim que Doc saiu da chamada, John voltou para a conversa privada.
— Chefe… apenas se acalme e pense nisso por um segundo.
Com o telefone pressionado ao ouvido, Nick encarou o armário-cofre.
— Se alguém tão rico e influente, no topo dos 0,01%, ainda está visitando laboratórios de pesquisa e tomando medicação não prescrita, pode significar que ele tem uma doença grave e incurável.
A probabilidade era pequena, mas se Owen estivesse doente, Nick tinha que impedi-lo de tomar medicação não aprovada.
— Despesas médicas para doenças incuráveis são astronômicas. Eu sei que você tem dinheiro, Chefe, mas astronômico significa um número sem fim.
O tagarela John continuou a tecer sua narrativa enquanto Nick permanecia em silêncio.
— Chefe, por que jogar fora seu dinheiro suado? Há muitos peixes no mar, muitos ômegas. Você nem viu o mundo inteiro ainda.
— Cuidado com a língua.
A voz de Nick estava mais baixa do que quando fizera a chamada pela primeira vez.
— … Tudo bem. Calma.
John murchou imediatamente, sentindo o desagrado de Nick.
Nick sabia que John tinha boas intenções. Ainda assim, sentia raiva. Não de John, mas da situação, que estava testando sua paciência.
Ele queria avançar o mais rápido possível, mas aquele cofre polido e espelhado não abriria sem Owen. Ele teria que esperar até amanhã de manhã para conseguir os comprimidos para Doc.
— Eu realmente tenho que…?
— O quê? Não consigo te ouvir.
— Não estava falando com você. Espere.
— Tá booom.
Ouvindo a voz brincalhona de John, Nick revisou mentalmente a situação.
Ele dissera a Owen que esperaria, mas não dissera que ficaria ocioso. Enquanto esperava, não seria mais construtivo expiar seu erro e ocupar seu tempo identificando e eliminando os fatores que faziam Owen pensar que era anormal? Houve o incidente no necrotério, por exemplo. Ele identificaria todas as ameaças a Owen e as eliminaria. Não era um plano ruim.
A chamada ainda estava conectada.
— Reúna a equipe.
— Estive esperando por isso, Chefe. É só dizer a palavra.
John respondeu alegremente ao comando familiar de Nick.
— Novo projeto. Hugh, Simon, Cooper. Eu liderarei a equipe.
— Uh… acho que esses caras estão trabalhando atualmente em uma estimativa de custos para outro projeto.
— Coloque em espera. Isso tem prioridade. Peça que fiquem de prontidão assim que a tarefa atual for concluída.
— Ok. Vou avisá-los. Mas você está reunindo o time A… posso perguntar o que é “isso”? É o Sr. Rose…?
— Identifique os inimigos de Owen. Começaremos com isso.
— O Sr. Rose tem outros inimigos? Além dos fanáticos?
— Você vai descobrir.
— … Eu?
— Você é o mediador de informações. Faça o seu trabalho.
— … Certo. Vou… fazer meu trabalho. Chefe, já que esta é uma reunião oficial, vou colocar na agenda como um projeto formal. Devo listar o Sr. Rose como o cliente?
— Eu.
Um projeto formal significava que todos os recursos usados desde o momento da reunião poderiam ser faturados. Recursos, pessoal, tempo. Cada item quantificável era meticulosamente documentado e faturado, geralmente ao cliente. Desta vez, Nick era o cliente. Ele pagaria.
— Você… quem…? Espera, sério?
— As horas faturáveis serão registradas de qualquer maneira. Não importa quem é o cliente. Mãos à obra.
Nick encerrou a chamada.
Ele dissera a John para trabalhar, mas John só conseguia acessar informações disponíveis publicamente. Nick teria que lidar com a coleta de inteligência humana.
Alguém próximo a Owen tinha que ser o responsável por influenciá-lo tão profundamente. Ele não tinha família, mas tinha parentes. Incluindo aquele primo que fora parar no hospital.
— Marge?
Ele ouviu Marge chegando naquele momento.
— Sim, sou eu. Bom dia, Sr. Stockton. O café cheira maravilhosamente hoje. Obrigada.
Enquanto Marge colocava a bolsa de lado e recuperava o fôlego, Nick serviu uma xícara de café para ela e a colocou em sua frente.
— Eu estava esperando por você, Marge.
— Por mim?
Marge parou no meio de um gole, com um olhar intrigado.
— Preciso causar uma boa impressão nos parentes do Owen. Preciso de algumas informações.
Ele os reuniria todos, eliminaria os inocentes um por um, e o que sobrasse seria o culpado.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
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Sinopse: — Quero te abraçar como um louco, meu ômega.
Pela primeira vez na vida, Nick Stockton, ex-mercenário e chefe de uma empresa de segurança, encontra um homem deslumbrante e involuntariamente sente um feromônio que o excita intensamente.
O dono daquele feromônio é Owen Rose, CEO da Rose Pharmaceuticals.
No momento em que seus olhos se cruzam, Nick, convencido de que Owen é seu ômega, salva Owen de um ataque terrorista bem a tempo.
Owen, que sempre se reprimiu, acreditando ser um ômega “monstro” por ter machucado seu primo alfa quando jovem, fica sem palavras diante de Nick.
Enquanto investiga o terrorista que atacou Owen, Nick descobre que os homens que ameaçam Owen não estão apenas contra a Rose Pharmaceuticals, mas têm como alvo o próprio Owen.