Ler Lamba-me se puder – Capítulo 217 Online

— Fiquei muito surpresa. Já foi estranho ele aparecer do nada, e ainda dizer que quer recomeçar… faz quanto tempo que a gente terminou?
Ariel, pressionando as têmporas como se estivesse com dor de cabeça, de repente lançou um olhar fulminante para Koy. Ele se assustou, e ela mudou o tom ao perguntar:
— Você falou pra ele que eu estou solteira, não foi?
— Sim…
Não adiantava negar. Era óbvio demais. Koy abaixou a cabeça, sem graça, e pediu desculpa:
— Foi mal…
Ariel franziu levemente o nariz, claramente incomodada, mas logo relaxou a expressão.
— Agora já foi. O que mais você falou?
— Só isso.
Koy respondeu rapidamente.
— Não falei mais nada. Eu pensei que devia falar com você antes e me desculpar… mas o Bill gosta de você. Vocês dois são meus amigos, então não posso tomar partido. Só… ele pediu para eu falar com você depois que se encontrassem, só assim eu concordei isso.
— Desculpa.
Ele se desculpou novamente, com sinceridade. Ariel respondeu de forma simples:
— Tá, já foi.
Ela apoiou os braços sobre a mesa e inclinou o corpo, ainda com o rosto franzido.
— Mas sério… o que será que deu nele pra querer voltar agora?
— Ele gosta de você. Precisa de outro motivo?
Koy respondeu sem pensar muito.
— Pra falar a verdade… eu queria que vocês dois se entendessem.
— Porque nós dois somos seus amigos?
Ariel perguntou com um tom de deboche, e Koy balançou a cabeça e respondeu:
— Não. Eu só acho que vocês combinam.
Ele acrescentou com uma expressão séria:
— Não é que vocês tenham terminado porque deixaram de gostar um do outro.
— Isso é verdade, mas…
Ariel respondeu após um suspiro:
— O time do Bill fica na Costa Oeste, Koy. Mesmo que eu queira ir vê-lo, são mais de seis horas de voo, fora o fuso horário.
Diante de um problema tão realista, Koy não tinha o que dizer. Afinal, foi exatamente por isso que eles terminaram da primeira vez. Quando Ariel veio para a Costa Leste a trabalho, os dois decidiram terminar em comum acordo. Desde então, só mantinham contato ocasionalmente, com algumas ligações. Era compreensível que Ariel estivesse confusa agora que Bill apareceu de repente.
— Mas… é mesmo impossível tentar de novo com o Bill?
Ainda assim, Koy insistiu, sem conseguir esconder o sentimento de pesar. Ariel então fez uma expressão séria.
— Tudo o que eu tenho está aqui no Leste, Koy.
Ela continuou com firmeza.
— Você sabe o que geralmente acontece quando um relacionamento fica mais sério e um dos dois abre mão da própria carreira pelo outro? Na maioria das vezes, é a mulher que desiste de tudo.
Koy arregalou os olhos, surpreso com aquele ponto de vista.
— Ah…
Sem hesitar, ela acrescentou:
— Eu gosto do Bill. Mas isso não significa que eu vá abrir mão de mim mesma. Quem conduz a minha vida sou eu, e todas as minhas decisões giram em torno disso. Eu não vou entregar o controle da minha vida para ninguém.
Os olhos de Koy se arregalaram ainda mais. Por um momento, parecia até que havia um brilho ao redor dela.
— Você é incrível, Al.
— Obrigada.
Diante do elogio sincero, Ariel sorriu, como se já estivesse acostumada com esse tipo de reação.
Claro… desde o ensino médio, a Al sempre foi o tipo de pessoa que todos admiravam.
Koy balançou a cabeça, compreendendo a situação, mas logo algo lhe veio à mente. Piscando, ele perguntou:
— Foi por isso que você terminou com o Garret?
Ariel hesitou por um instante, mas logo decidiu responder com sinceridade.
— Ele disse que ia se mudar para outro estado por causa do trabalho e me pediu para ir junto. Por quê? Por que eu teria que abrir mão de tudo por causa do Garrett? Ele vai pra lá pra crescer, conseguir algo melhor… então por que eu tenho que largar tudo e recomeçar do zero?
— Isso é verdade.
Concordando com a indignação de Ariel, Koy assentiu várias vezes.
— Só você sair perdendo não dá. O Garrett que está sendo egoísta.
— Exatamente. Não dá pra ficar com alguém assim.
Ariel e Koy ergueram as mãos e bateram um leve high five sobre a mesa. Os dois sorriram um para o outro, mas logo Ariel voltou a demonstrar preocupação.
— Mas ele vir até aqui e agir assim me coloca numa situação difícil. O que eu faço agora? E ainda por cima disse que vai ficar aqui por três meses…
— Três meses? Não eram duas semanas?
Surpreso, Koy arregalou os olhos. Ariel corrigiu:
— Ele disse três meses. As duas semanas são só o tempo que o médico recomendou que ele ficasse sem treinar.
— Ah…
Só então Koy entendeu, soltando um suspiro resignado. Mesmo duas semanas já seriam complicadas, quanto mais três meses. Entendendo o lado dela, ele perguntou com cuidado:
— Você não desgosta dele, não é?
Ariel não respondeu. Mas aquilo já era resposta suficiente. Koy pensou um pouco e então ofereceu uma sugestão:
— Eu tive uma ideia… posso falar?
— Fala.
Com a permissão dela, Koy respirou fundo e começou:
— Já que o Bill vai ficar aqui por três meses, não faz muito sentido ele ficar em hotel esse tempo todo. E você precisa de alguém para dividir a casa… que tal vocês morarem juntos durante esse período e verem no que dá? Pelo menos resolve o aluguel.
Ariel arregalou os olhos. Koy aproveitou o embalo e continuou:
— Vocês não terminaram porque se odiavam, mas já fazem alguns anos. Que tal testar isso agora, morando juntos? Se perceberem que não dá certo, vocês encerram de vez. Se não… podem pensar melhor depois. E, de qualquer forma, poder ficar mais três meses nessa casa também seria bom para você, não? O Bill com certeza pode pagar a parte dele.
— Ele provavelmente poderia comprar essa casa… ou várias.
Bill era um dos jogadores de hóquei no gelo mais bem pagos do momento. Depois de pensar por um instante, Ariel finalmente assentiu.
— Tá bom. Vou fazer isso.
— Ótima decisão, Al!
Koy sorriu radiante como se fosse com ele mesmo. Ariel também sorriu, mas logo estreitou os olhos e comentou:
— Nunca imaginei que estaria recebendo conselho amoroso de você.
A expressão de orgulho, como se estivesse vendo um filho crescer, fez Koy estufar o peito e declarar com altivez:
— As pessoas amadurecem, Al.
Ariel riu, e os dois bateram outro high five sobre a mesa.
É… então, Ash… nós também vamos ser diferentes de antes.
Enquanto conversava com Ariel, Koy pensava. Todos estavam seguindo em frente. Todos, exceto Ashley. O tempo dele parecia ter estagnado completamente desde aquele momento — e Koy precisava, de algum jeito, fazê-lo voltar a avançar. Independentemente de ter sucesso ou não, ele precisava se mover em alguma direção. Porque ficar parado… era o pior de todos os estados.
O que você está fazendo agora, Ash…
Antes de dormir, Koy releu as mensagens que trocaram, tentando aliviar um pouco a saudade.
***
— Koy, seu desgraçado adorável!
Assim que se encontraram, Bill passou um braço pelo pescoço de Koy e começou a bagunçar seu cabelo com a outra mão. Koy gritou e se debateu até conseguir se soltar, mas, no mesmo instante, Bill segurou seu rosto e o encheu de beijos.
— Pff.
Cambaleando, Koy se apoiou na parede, tentando recuperar o fôlego, enquanto Bill simplesmente o ignorava e começava a dar voltas pela ampla sala da suíte. Empolgado, levantou os braços, soltou um grito e até começou a dançar, rebolando de um lado para o outro.
Só de olhar, Koy acabou rindo também.
— Tá tão feliz assim?
— Claro! Eu nunca imaginei que fosse morar com a Al! Isso é mais sorte do que ganhar na loteria!
Bill cerrou os punhos e deu um soco no ar, gritando um “Isso!” antes de voltar a dançar. Koy observou o amigo com um sorriso satisfeito.
Depois de rodopiar até o outro lado da sala, Bill girou e voltou até ele, parando na sua frente.
— Numa hora dessas, tem que comemorar com champanhe. Você vai beber comigo, não é?
Enquanto pegava o tablet para abrir o menu do serviço de quarto, ele perguntou. Koy balançou a mão em negativa.
— Não. Pede um chá de ervas pra mim. Com gelo.
— Seu sem graça…
Mesmo fazendo uma cara de decepção, Bill aceitou o pedido sem reclamar. Depois de finalizar o pedido, jogou o tablet no sofá de qualquer jeito. Koy pegou e colocou de volta no lugar, dizendo:
— Agora senta aí. Quero ouvir direito… o que a Al falou?
Com os olhos brilhando, Koy perguntou, e Bill, com uma expressão cheia de confiança, começou a explicar tudo desde o começo. Ariel tinha entrado em contato primeiro e sugerido que ele fosse seu companheiro de quarto; então eles decidiram morar juntos por três meses como um teste. Era só isso — mas ele ficou divagando sobre isso por mais de trinta minutos. Só depois que o serviço de quarto chegou com o champanhe é que sua empolgação começou a diminuir.
— Espero que dê tudo certo.
Mesmo sem poder beber, Koy encheu a taça e desejou boa sorte. Então Bill ergueu a sua também.
— Você e o Ash também.
Os dois sorriram e brindaram suavemente. Koy olhou para Bill, que bebia o champanhe de uma só vez, com um sorriso satisfeito.
No dia seguinte, uma foto dos dois bebendo champanhe em um quarto de hotel foi divulgada.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can