Ler Lamba-me se puder – Capítulo 216 Online

— O quê?
Diante da pergunta inesperada, Ashley franziu profundamente o rosto em desgosto. Koy abriu e fechou os punhos, continuando com a voz trêmula:
— Se você realmente se importasse comigo, teria me levado a um restaurante que coubesse no meu bolso. Não a um lugar do seu nível, manipulando o cardápio.
Por um instante, Ashley parou completamente. A única coisa que se movia eram seus olhos trêmulos. Encarando-o firmemente, Koy despejou suas emoções de forma brusca:
— Você disse várias vezes que me amava, mas nunca me pediu em casamento. Se eu fosse de uma família boa como aquela mulher com quem você pretendia se casar, teria sido diferente. Para você, eu fui só alguém com quem podia dormir e dizer que amava. Mas casamento… isso você faria com alguém do seu nível. Eu não sou qualificado para isso.
— Que besteira…
— Não negue, porque é o que você realmente pensa. Você pode não saber, mas é verdade. Só não percebeu, mas essa é a sua verdade escondida. Você nunca pensou em se adaptar a mim. Sempre quis me moldar a você. Se realmente tivesse algum sentimento por mim, não agiria com essa arrogância, como se estivesse me fazendo um favor.
Koy se calou. Seus ombros subiam e desciam com a emoção intensa. Ele mordeu os lábios para não chorar, mas ainda acrescentou:
— E a única coisa que você faz para se vingar de mim é se autodestruir? Por que só consegue agir assim? Você queria que eu sentisse pena de você? Essa é a sua forma de me amar, me machucando desse jeito? Me culpar por tudo e me odiar só porque eu te abandonei?
Ele queria agarrar Ashley pelo colarinho e exigir respostas. A frustração e a dor transbordavam, mas a reação que veio foi tão fria quanto antes. Ashley, que havia cerrado o punho até os nós dos dedos ficarem brancos, relaxou a mão lentamente.
— O que você sabe?
Olhos violetas, frios, fixaram-se em Koy. Com um leve sorriso sarcástico, ele disse:
— Você ainda não sabe de nada.
— Então me explique. Faça com que eu entenda.
Koy não recuou. Ashley permaneceu em silêncio diante do olhar intenso dirigido a ele, que não demonstrava intimidação nem medo. Por um momento, pareceu até estar perdido em pensamentos. Quando o medo de que algo estivesse errado com sua mente voltou a surgir, Ashley finalmente falou:
— Por que eu deveria me dar ao trabalho de me igualar ao seu nível? Vou esquecer tudo de qualquer maneira… e você vai me abandonar de novo.
Ao ver o rosto de Koy se distorcer em perplexidade, Ashley sorriu. Puxou os lábios num sorriso aparentemente gentil, mas até Koy conseguia perceber que não havia sinceridade alguma ali. Por fim, Koy não conseguiu mais segurar as lágrimas, que começaram a se acumular em seus olhos.
— Por que você é assim?
Esfregando os olhos com violência, ele disparou:
— Por que só diz coisas tão cruéis? Eu sei que tem algo errado com você. Mesmo assim, ainda deveria saber o que pode ou não dizer. Ou está fazendo isso de propósito? Você não era assim antes…
As lembranças doces só tornavam tudo mais doloroso. Por um instante, Koy pensou que talvez fosse melhor se também pudesse esquecer, como Ashley.
Foi então que Ashley falou, sem emoção alguma:
— Esqueça quem eu era antes.
Com um rosto tão vazio quanto a voz, ele fitou Koy e continuou:
— Este sou eu agora. Se não conseguir aceitar, paciência.
Koy permaneceu em silêncio, apenas ouvindo. Ashley então concluiu:
— Volte para o Oeste, Koy.
Koy apenas ficou ali, atordoado, olhando para ele. Talvez fosse isso que Ashley queria dizer desde o começo.
Koy também hesitou, abalado… mas logo se recompôs.
Não posso fraquejar. Isso também pode fazer parte dos cálculos do Ashley.
Ele vai me ferir e, no fim, vai provar que estava certo. Quando eu não aguentar mais e for embora, ele vai dizer isso:
<Viu só? Você me abandonou de novo.>
Nunca vou deixar isso acontecer.
Foi por minha causa que Ashley ficou assim. Se eu o abraçasse agora e simplesmente encobrisse tudo, seria fácil encerrar a situação. Mas Koy escolheu outro caminho. Antes de qualquer coisa, precisava resolver a desconfiança profunda que Ashley tinha em relação a ele.
Assim como naquele tempo de escola, quando, encurralado durante o treino no rinque de gelo da casa de Ashley, ele desabou em lágrimas e quis desistir de tudo — e foi Ashley quem o levantou. Desta vez, era a vez de Koy estender a mão.
Com os dois punhos cerrados sob a mesa, Koy ergueu a cabeça com determinação e encarou Ashley diretamente nos olhos.
— Não.
Ashley franziu a testa. Mas, como se já esperasse essa resistência, logo relaxou a expressão e falou sem mudar o tom:
— Se for por causa da criança…
— Não é por isso. Claro que a criança também é um motivo, mas não é só isso.
Koy o interrompeu imediatamente. Ashley provavelmente achava que poderia resolver tudo facilmente com o dinheiro que tinha de sobra, mas estava enganado. Koy sempre foi pobre, e viver sem dinheiro era praticamente o normal para ele. Por isso, dinheiro nunca foi uma opção.
— Eu te disse antes. Nunca mais vou te abandonar.
Koy falou com firmeza, colocando peso em cada palavra.
— Mas também não vou aceitar que você me machuque desse jeito. Mesmo que você não sinta emoções… eu sinto.
O cenho de Ashley voltou a se contrair, dessa vez com ainda mais intensidade. Ao perceber isso, Koy ganhou um pouco de confiança — e então Ashley perguntou:
— Então o que pretende fazer?
Na verdade, Koy ainda não tinha ideia do que fazer. Ele também não tinha previsto que as coisas chegariam a esse ponto.
— Vou começar a pensar nisso agora. Em como vamos fazer para ficarmos juntos daqui para frente.
Ao ouvir a resposta honesta, Ashley soltou um suspiro de incredulidade, quase como se estivesse atônito.
Koy olhou para seu rosto de perfil, que ele havia virado, e disse:
— De qualquer forma, não vou desistir. Sinto muito se está decepcionado.
Ashley continuou com o rosto virado, apenas desviando o olhar na direção dele. Sustentando esse olhar, Koy acrescentou:
— Você quer que eu vá embora para provar que estava certo.
Ashley não respondeu. O silêncio parecia provar a desconfiança profunda que ele ainda tinha em relação a Koy.
Sem dizer mais nada, Koy tirou dinheiro do bolso, colocou sobre a mesa e se levantou.
— Eu pago a minha parte. Isso aqui não é um encontro.
Endireitando as costas, ele fez sua última declaração:
— Se mudar de ideia ou pensar em uma solução melhor, me avisa. Eu farei o mesmo.
Ele já ia sair quando parou de repente, como se tivesse lembrado de algo.
— Ah, e já que você arrebentou a porta da minha casa, não dá mais para ficar lá. Vou ficar um tempo na casa da Al. Só para você saber… e não tire conclusões erradas.
Com a expressão franzida de Ashley como última imagem, Koy realmente deixou o lugar.
Do lado de fora, através do vidro da janela, dava para ver claramente uma mulher abordando Koy. Parecia pedir informações, mas a conversa acabou se prolongando. Koy sorriu, balançou a cabeça e seguiu seu caminho. A mulher, que ficou olhando suas costas, suspirou antes de continuar andando.
Ashley observou tudo aquilo sentado, sem se mover.
***
— Koy!
Assim que Koy entrou em casa, Ariel veio correndo ao seu encontro.
— E aí? Como foi? O que aquele desgraçado disse?
Diante dos xingamentos sem dó de Ariel, Koy esboçou um sorriso amargo e primeiro pediu licença.
— Posso tomar um banho antes de contar?
— Ah, claro, claro. Foi mal… fiquei curiosa.
Koy sorriu, dizendo que estava tudo bem, e saiu.
Felizmente, como Ariel ainda não tinha encontrado um novo colega para dividir o apartamento, Koy conseguiu um lugar para ficar. Mas isso só valia até o fim do mês. Mesmo juntando o dinheiro que tinha, só dava para pagar um mês de aluguel. Se não encontrassem alguém até lá, tanto Koy quanto Ariel teriam que sair dali.
Até lá, talvez a porta já esteja consertada.
Depois de um banho rápido, Koy saiu e Ariel já estava esperando. Sentado de frente para ela na mesa, ele contou de forma resumida o que tinha acontecido com Ashley. Não contou tudo.
Como era óbvio que Ariel ficaria furiosa, e desabafar com ela não mudaria nada, Koy resumiu apenas o essencial: que o estado de Ashley não estava bom por causa dos feromônios e que ele havia mandado Koy voltar para o Oeste. E como resposta ele afirmou com firmeza que ficaria ali de qualquer forma, ao lado de Ashley.Ao terminar, Ariel apenas disse que entendia, com uma expressão séria no rosto.
Percebendo que ela não sabia bem o que dizer, Koy mudou de assunto naturalmente:
— Enfim, isso foi o que aconteceu comigo… e você, como foi com o Bill? Vocês se encontraram?
— Hã? Ah, sim.
Ariel confirmou com a cabeça. Sabendo que agora era a sua vez, soltou um grande suspiro primeiro.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can