Ler Lamba-me se puder – Capítulo 215 Online


Modo Claro

Depois que Bernice foi embora, Koy ficou sozinho, olhando para o vazio. Ele não conseguia acreditar no que tinha ouvido. Mas ela não tinha motivo para mentir. E, se ele não confiasse nas palavras dela, então nem teria chamado Bernice em primeiro lugar. Tirando o fato de que ela podia ser ríspida com ele, quando se tratava do trabalho, nunca cometia erros nem distorcia a verdade.

Então, naquela situação… provavelmente ela era quem tinha a visão mais precisa de tudo.

Racionalmente, aquilo fazia sentido… Mas, emocionalmente… era difícil aceitar.

“O cérebro do Júnior já está danificado.”
“Não há como reverter. Só retardar o avanço.”
“O cérebro dele vai continuar se deteriorando.”
“Vai chegar um momento em que ele não vai nem te reconhecer… talvez nem saiba quem ele mesmo é. Não dá para dizer quando.”
“Pode ser em alguns anos… ou em dez. Talvez até mais.”
“O sistema límbico, responsável pelas emoções, já sofreu danos parciais. A memória também foi afetada. A tendência é só piorar.”
“As memórias vão se fragmentar… e você vai ter que juntá-las para ele, o tempo todo. Assim como a equipe médica fez da última vez.”                                                                                 “Embora a deterioração do sistema límbico seja uma característica dos hiper-alfas, em casos como o do Júnior, que despertou tardiamente, os danos costumam ser mínimos. Um quadro assim… é raro.”

“Foi por causa do choque de feromônios causado pelo Angel?”

“Não. Ele já estava se deteriorando antes disso… há muito tempo.”
“O choque de feromônios só serviu como gatilho.”

— Ah…

Koy soltou um gemido baixo e cobriu o rosto com as duas mãos. Nada daquilo fazia sentido para ele. Ashley já estava se deteriorando antes… mas desde quando? Desde quando eles dormiram juntos? Ou desde que se reencontraram? Antes de eu vir para o Leste?

“Só o próprio Júnior sabe como isso começou.”

Talvez… muito antes disso tudo. 

De repente, Koy se lembrou de algo que havia esquecido.

<Eu não tinha intenção de te encontrar.>

As palavras que Ashley disse quando se reencontraram voltaram uma a uma à sua mente, e o rosto de Koy foi perdendo a cor aos poucos.

<Você chegou cedo demais.>
<Você arruinou meus planos. Completamente.>

E o que mais ele tinha dito mesmo?

<Então… quando você pretendia me procurar?>

Quando Koy perguntou isso, Ashley respondeu com um sorriso amargo:

<Quem sabe… daqui a uns dez anos?>
<Pensei que, até lá, tudo sairia como o planejado.>

Naquele instante, Koy puxou o ar com força e cobriu a boca com as duas mãos.

 

***

 

Ashley apareceu no Greenbell pouco mais de trinta minutos depois de Koy ter ligado para ele.

Koy, que estava olhando distraidamente pela janela, virou a cabeça ao ouvir o sino e, ao vê-lo, ficou parado, sem desviar o olhar.

Entrando a passos largos, Ashley deu uma rápida olhada ao redor da loja antes de encontrar o olhar de Koy.

Koy tentou sorrir para ele, mas os músculos do rosto não obedeceram. Seu rosto se contorceu em uma tentativa forçada de sorriso, enquanto Ashley se aproximava com passos firmes.

— O que você está fazendo aqui agora?

Ashley parou diante de Koy e falou. Com uma das mãos no bolso do casaco, ele o encarava de cima, com uma presença intimidadora. Por um momento, Koy se encolheu, mas reuniu coragem e tentou parecer o mais natural possível:

— Você chegou rápido… achei que ia demorar pelo menos uma hora.

— Eu perguntei o que você está fazendo aqui.

Ashley franziu a testa e repetiu a pergunta. Koy, reprimindo desesperadamente a vontade de pedir que ele não fosse tão duro, apontou para a cadeira do outro lado.

— Senta primeiro… depois a gente conversa.

— …

— Vai, senta.

Ao insistir, Ashley acabou se sentando, ainda que contrariado. Observando-o passar a mão pelo cabelo bem arrumado, como se estivesse irritado, Koy finalmente falou:

— Faz tempo que você não vem aqui, não é?

Ashley apenas encarou Koy em silêncio. Koy olhou ao redor antes de continuar:

— Quando eu era mais novo, esse lugar era caro demais… eu nem conseguia comprar uma bebida direito. Mas agora eu ganho o suficiente pra pagar uma refeição aqui. Não é incrível?

— Até colocar gelo na bebida?

Ashley zombou, mas Koy sorriu e balançou a cabeça.

— É. Agora eu sou um adulto.

Ashley continuou olhando para ele com o cenho franzido, como se perguntasse, sem palavras, aonde ele queria chegar com aquilo.

Nesse momento, um funcionário se aproximou da mesa. Koy pediu um chá de ervas quente. Ashley pediu um expresso duplo, mas como não havia no cardápio, acabou pedindo um americano barato. Depois que o funcionário saiu, Koy sorriu, um pouco mais relaxado.

— Eu também queria tomar café… mas dizem que cafeína não faz bem agora. Engraçado, pensando bem, faz um tempo que eu não tomo café. Acho que meu corpo percebeu instintivamente.

Sem perceber, ele passou a mão sobre o próprio ventre. Ashley observou aquilo em silêncio.

O que ele está tentando dizer?

Em vez de pressioná-lo, Ashley decidiu esperar.

Após um momento de silêncio, Koy finalmente falou:

— Tem uma coisa que eu quero te perguntar.

Ele respirou fundo e olhou diretamente nos olhos de Ashley.

— Você não sabia que eu tinha me tornado um Ômega até então, certo? E a gravidez também não foi intencional?

— Sim

Ashley respondeu com uma expressão vazia. Koy perguntou de novo:

— Se você soubesse antes que eu era um ômega e podia engravidar… você teria sido mais cuidadoso?

Embora fosse uma hipótese sem sentido, para Koy era uma pergunta importante. Ashley pareceu pensar por um momento e então disse:

— Se fosse o caso, eu não teria dormido com você.

— Por quê?

Koy perguntou imediatamente, como se estivesse esperando por isso.

— Porque, fazendo sexo comigo, você perderia os feromônios que tinha acumulado com tanto esforço?

Ashley ficou em silêncio. Não era fácil decifrar seus pensamentos a partir de seu rosto inexpressivo. Koy esperou que ele respondesse, mas, em vez disso, Ashley falou devagar:

— …Do que você está falando?

Com as palavras ditas lentamente, Koy percebeu que ele estava internamente abalado. O fato de ter desviado do assunto, em vez de responder à pergunta, era a prova disso. Koy confessou honestamente:

— Eu encontrei a senhorita Bernice. Ela me contou sobre a sua condição.

A expressão de Ashley não mudou. Mas Koy não deixou passar o momento em que ele vacilou por um breve instante. Ashley não disse nada, mas Koy não esperou e continuou:

 

— Muitas vezes achei estranho. Você estava muito diferente de antes. Não… na verdade, você muda o que diz e faz o tempo todo. Eu não conseguia entender por quê. Mas, se o seu cérebro foi danificado… então tudo faz sentido. Essas mudanças bruscas de humor… e o jeito frio, quase assustador às vezes.

Depois de despejar tudo de uma vez, Koy respirou fundo. Com a voz trêmula, ele finalmente fez a pergunta que vinha segurando:

— “O que eu quero saber é.. por que você fez tudo isso.

A voz de Koy foi se enchendo de emoção e se desfazendo violentamente. Ele pensou que deveria falar com calma, mas simplesmente não conseguia parar.

— Eu sei que te machuquei. Então, se você quisesse me machucar de volta… e dissesse que me engravidou de propósito por causa disso, tudo bem, eu até poderia entender. Mas isso é completamente diferente! Por quê? Você disse que eu arruinei o seu plano, não disse? Então isso é o seu plano orquestrado? E a sua cabeça? O que aconteceu com você? Eu simplesmente não entendo! Me explique!

O rosto de Koy se contorceu, como se estivesse prestes a chorar.

— Ou talvez eu simplesmente não seja a pessoa certa para você?

— Do que você está falando de repente?

Pela primeira vez, Ashley reagiu. Como se não entendesse por que aquilo estava sendo mencionado. Mas Koy já não conseguia mais pensar racionalmente. Mesmo depois de horas refletindo, não tinha encontrado respostas — e agora, todas as emoções negativas que ele vinha guardando explodiram de uma vez.

— “Quando eu te pedi em casamento, você ficou surpreso. Mesmo sabendo que eu estava grávido do seu filho, você disse que me amava! Então o quê? Você me ama e pode transar comigo, mas casamento não? É porque eu sou o pobre coitado do Connor Niles?

Ao ouvir essas palavras, Ashley não conseguiu se conter e disparou.

— Que besteira é essa que você está falando? Eu pareço um lixo como o meu pai pra você?

A forma como ele explodiu, como se um botão tivesse sido pressionado, fez Koy soltar os lábios que vinha mordendo e falar:

— O cardápio.

— O quê?

Ashley franziu o cenho, olhando para ele. Koy soltou um suspiro trêmulo e continuou:

— O cardápio daquele restaurante francês. Eu sei que você mandou fazer um falso.

Ashley suspirou e balançou a cabeça.

— Do que você está falando agora?

— Não finja que não sabe. Você mandou fazer um cardápio falso de propósito, ajustado à minha condição financeira. O resto do valor você pagou, não foi? Eu achei que era verdade, fiquei feliz igual um idiota. Como você pôde fazer uma coisa dessas?

Por um instante, Ashley hesitou — mas logo em seguida reagiu, irritado, pressionando Koy:

— E isso te causou algum prejuízo? Enquanto eu estava desacordado, você foi lá com uma mulher, não foi? Por que justamente lá? Não foi para se exibir? Você não tinha muito dinheiro, e aquele era o melhor restaurante que você podia pagar.

Mesmo com as palavras sarcásticas, Koy não recuou.

— Você está certo. Eu fui ao melhor lugar que eu podia pagar… e sabe por quê? Porque eu tinha cometido uma grosseria com ela… e ia cometer de novo.

Ele puxou o ar rapidamente antes de continuar:

— Eu sinto muito por ter ido lá enquanto você estava desacordado. Eu também me senti péssimo… mas queria resolver tudo antes de te encontrar de novo. Ficar enrolando só seria desrespeitoso com os dois.

— Então qual é o problema? No fim das contas, tudo saiu exatamente como você queria, não foi? Por que está com raiva?

Ashley ainda não parecia entender nada do que ele dizia.

No fim, incapaz de segurar mais aquela tristeza, Koy perguntou, deixando tudo escapar:

— Você ainda sente pena de mim?

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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