Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 135 Online

Nenhum dos nobres no salão compreendeu imediatamente o significado da ordem do Arquiduque Erzet. Eles ficaram imóveis, os rostos vazios de choque, até que o fio afiado de uma lâmina se aproximou de suas gargantas. Só então entenderam as palavras.
Diante da morte iminente, finalmente se lembraram dos rumores que haviam circulado discretamente pela capital algum tempo atrás — a história do massacre de civis cometido pelo Arquiduque Erzet em uma taverna na Rua Fiore.
A família imperial havia encoberto o massacre com uma justificativa conveniente, punindo o Arquiduque com prisão domiciliar.
Os nobres haviam descartado aquilo como o ato de um louco, zombando da suposta queda de Erzet à insanidade. Ainda assim, nenhum deles imaginara que a lâmina daquela loucura um dia se voltaria para seus próprios pescoços.
Gritos agudos ecoaram pelo salão. Eles tentaram fugir para salvar suas vidas, mas não havia escapatória — nenhuma rota aberta para eles.
Soldados que antes haviam arriscado a vida pelo Império de Traon agora manchavam as mãos de sangue por Cesare.
O carmesim respingava nas paredes de mármore imaculadas mais rápido do que conseguia escorrer. A estátua de um leão alado dourado foi tingida de vermelho com sangue fresco.
Enquanto o salão se transformava em um mar escarlate, Cesare ria, observando com deleite enquanto cada nobre da capital encontrava o mesmo destino que sua amada Eileen. Suas gargantas eram cortadas pela lâmina, uma após a outra.
Que importância tinha pesar a gravidade de seus crimes ou identificar quem havia participado diretamente da morte dela?
Aqueles que haviam assistido enquanto Eileen era levada à guilhotina e aqueles que transformaram seu sofrimento em fofoca vazia eram igualmente culpados. Seus pecados, cometidos com os olhos e com a língua, só poderiam ser pagos com a morte.
[Vossa Graça, Arquiduque Erzet.]
A voz de Eileen sussurrou em seu ouvido. Cesare sabia que era uma alucinação, mas não fez nenhum esforço para recuperar a lucidez.
[Eu manchei a dádiva que Vossa Graça me concedeu com esta morte vergonhosa… como poderei algum dia expiar? Nem mesmo minha morte pode lavar o grande pecado que cometi. Por muito tempo hesitei em escrever esta carta, me sentindo indigna de fazê-lo. Ainda assim, vergonhosamente, acabei colocando a pena no papel.]
Sua vozinha baixa e trêmula recitava as palavras da carta. Cesare conseguia imaginá-la com clareza — escrevendo furtivamente em um pedaço de papel, obtido com grande dificuldade, sob o olhar atento dos guardas.
[Morpheu que eu estava desenvolvendo é um analgésico destinado a aliviar o sofrimento dos soldados. Se Vossa Graça, considerar minha pesquisa valiosa, e se ainda restarem anotações, espero que possa confiar sua conclusão à Professora Glenda, do departamento de farmacologia da Universidade de Pallercia. Ela foi minha mentora durante meus estudos e talvez consiga terminar o que comecei.]
Lágrimas escorriam pelo rosto de Eileen enquanto ela escrevia a carta, seus soluços quase visíveis na mente de Cesare. O homem estendeu a mão para agarrar aquela imagem, mas ela se dissolveu no ar vazio.
[Não sei se Vossa Graça algum dia lerá esta carta. Ainda assim, se alguma vez me achou minimamente querida e decidir procurar por alguns vestígios meu…]
Eileen, agora incapaz de conter as lágrimas, limpou os olhos inchados com a manga enquanto pressionava a pena contra o papel.
[O que fiz nasceu inteiramente da minha própria ganância tola. Fui cegada pelo desejo de criar um grande medicamento e conquistar fama e poder. Espero que não guarde isso contra mim.]
Depois de pressionar a pena no papel para terminar a carta, ela hesitou por muito tempo antes de escrever a última linha.
Em vez de implorar por sua vida enquanto a guilhotina a aguardava, Eileen rezou sinceramente a Deus pelo bem-estar de Cesare.
[Que apenas momentos gloriosos preencham o caminho de Vossa Graça.]
Era só isso. A única folha de papel não continha nenhuma queixa sobre o tratamento injusto que sofreu, nenhuma menção àqueles que a caluniaram, e nenhuma reprovação à Cesare por não tê-la protegido. Mesmo depois de ler a carta repetidamente, Cesare não encontrou nada além disso.
Se ao menos ela tivesse escrito sua raiva ou tristeza — pelo menos assim ele poderia ter ouvido sua voz por mais um pouco.
A sensação do sangue respingando em sua bochecha tirou Cesare da alucinação. Sorrindo levemente, ele observou os nobres caírem um após o outro, as gargantas abertas por lâminas afiadas.
Não demorou muito para que todos os nobres da capital fossem executados. Um massacre dessa magnitude seria para sempre gravado nos anais da história de Traon.
Cesare às vezes se arrependia do massacre que havia cometido antes de voltar no tempo. Consumido pela fúria, ele matara todos os nobres da capital no mesmo dia, o que o impediu de investigar completamente as circunstâncias da morte de Eileen.
Naquele momento, buscar a verdade parecera inútil. Que importância tinha descobrir quem era o culpado? Os mortos não retornariam. Tudo o que Cesare queria então era garantir que Eileen recebesse uma homenagem digna.
Agora, porém, aquela decisão havia se tornado um veneno.
A morte de Eileen fora suave e rápida demais para ter sido orquestrada apenas por espiões do Reino de Kalpen. Mesmo que o rei de Kalpen tivesse plantado sementes de conspiração para manchar o nome de Cesare, a rapidez e eficiência dos acontecimentos sugeriam uma cumplicidade mais profunda.
O rei de Kalpen havia sido capturado, e as forças de resistência do príncipe herdeiro estavam sendo desmanteladas quando Eileen foi executada. Em um momento como aquele, os agentes de Kalpen dentro do império deveriam estar paralisados, sem saber a quem jurar lealdade.
Mesmo que o rei de Kalpen tivesse ordenado sua morte com antecedência, a execução não teria ocorrido de forma tão perfeita sem ajuda interna.
Alguém dentro do império certamente havia orquestrado ou facilitado a queda de Eileen.
Mas agora Cesare estava em um tempo em que Eileen ainda não havia sido condenada. Ele se movia com cautela, determinado a não repetir seus erros.
Desta vez, planejava desfazer a teia desde a base, poupando aqueles que ainda não haviam pecado e eliminando metodicamente os envolvidos na morte de Eileen.
O sangue em suas mãos era inevitável, mas ele o manteria escondido de Eileen o máximo possível.
Esse não era o pecado dela; era o dele. Ainda assim, Eileen, com seu coração compassivo, certamente assumiria toda a culpa para si.
— O que você deseja, Cesare? Por favor… me diga.
Era por isso que Cesare não podia ser honesto com ela, mesmo enquanto ela implorava pela verdade.
Admitir que havia voltado no tempo por causa da sua morte. Confessar que tirara inúmeras vidas e até destruíra o próprio corpo no processo. Verdades assim a destruiriam completamente.
Mas ele não poderia esconder isso para sempre. Os deuses lhe haviam concedido o poder de voltar no tempo e alterar o passado — não para uma felicidade eterna, mas a um grande custo. Para salvar uma vida, sacrifícios de igual peso eram necessários.
Cesare estava preparado para morrer. Ele pretendia terminar tudo antes que seu tempo acabasse.
Algum dia, contaria a Eileen a verdade — que tudo isso era por ela — ou melhor, por seu desejo egoísta de trazê-la de volta.
Por enquanto, ele a guiava gentilmente em direção à verdade, esperando que ela mesma pudesse juntar as peças sem se quebrar.
Observando Eileen permanecer firme, contendo as lágrimas enquanto aguardava sua resposta, Cesare não conseguiu resistir e a puxou para um abraço. Ela resistiu, empurrando-o, mas ele não deu importância.
Se ele se importasse em conceder os desejos dela, jamais teria voltado no tempo para começar tudo de novo.
— Meu desejo sempre foi apenas um.
Ele aceitaria a morte de bom grado, mas não podia suportar que Eileen o esquecesse. Egoisticamente e pecaminosamente, Cesare queria permanecer imortal em sua memória para sempre.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
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Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui