Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 134 Online

Leone permaneceu em silêncio por um longo momento. Depois do que pareceu uma eternidade, finalmente falou, a voz pesada de dificuldade:
“…A última carta dela, você diz?”
“O senhor foi a última pessoa a visitar Eileen Elrod, Vossa Majestade.”
“ …”
Presa sob acusações emergenciais de violar as leis de narcóticos, Eileen Elrod foi imediatamente encarcerada. Ninguém foi visitá-la — uma mulher cuja execução era praticamente certa.
Seu pai, temendo qualquer repercussão, fugiu assim que a filha foi presa, levando tudo o que tinha valor. Seu único aliado era Cesare, mas com ele completamente absorvido pela campanha de Kalpen, não havia ninguém na capital para protegê-la — exceto Leone.
Antes de partir para Kalpen, Cesare pedira a Leone que cuidasse dela. Ainda assim, no fim, Leone priorizou os desejos de Eileen e a estabilidade da família imperial de Traon acima do pedido do irmão.
Cesare compreendia a decisão de Leone — era pragmática, lógica. Mas compreender não significava aceitar. Ambos sabiam que o vínculo entre eles jamais voltaria a ser o que fora antes. No silêncio pesado que se seguiu, Leone abaixou a cabeça.
“Venha comigo.”
Deixando os cavaleiros para trás, Cesare e o irmão seguiram para um lugar mais reservado. Leone o conduziu aos aposentos privados do imperador.
Ali, Leone pressionou um botão discreto em uma das colunas do dossel da cama. Com um clique suave, um compartimento secreto se abriu, revelando uma pequena adaga, uma pistola, algumas moedas e uma folha de papel cuidadosamente dobrada.
Leone pegou o papel e ficou imóvel por um instante. Ainda de costas para Cesare, começou a falar.
“ …Eu nunca tive a intenção de esconder isso.”
O leve som do papel sendo amassado cortou o silêncio tenso. A mão de Leone havia se fechado involuntariamente.
“Eu só queria esperar que seu coração se acalmasse… até lá, achei melhor guardá-la.”
Cesare observou em silêncio as veias se destacando na mão do irmão. Apesar de amassado, o papel permanecia intacto. Leone respirou fundo e se virou para encarar o irmão.
“Como você sabia que havia uma carta?”
Quando Leone visitara Eileen na prisão, não tinha mais ninguém presente — nenhum guarda, nem sequer um rato. A cela continha apenas Leone e Eileen.
A pergunta carregava uma implicação silenciosa. Ele queria saber se Cesare o colocara sob vigilância, se o irmão gêmeo havia desconfiado dele. Cesare deu uma resposta simples e serena:
“Porque ela não teria morrido sem me deixar uma palavra.”
Não houve vigilância. Cesare não precisava disso para deduzir que Leone havia retido a carta.
Eileen não fora executada imediatamente; passara um tempo na prisão. Cesare tinha certeza de que ela teria deixado alguma mensagem para ele. Sem meios para subornar ou persuadir guardas, Eileen teria confiado a carta ao único visitante que tivera — Leone.
Era uma dedução direta, baseada em anos de compreensão sobre como Eileen pensava.
A mão de Leone apertou a carta com mais força, o som do papel quase se rasgando preenchendo o ar. Percebendo a tensão, Cesare falou suavemente:
“Irmão.”
Os olhos de Leone se arregalaram levemente diante da forma familiar de tratamento. Cesare estendeu a mão em silêncio e, após um momento, Leone entregou a carta.
Embora a tenha recebido, Cesare não a abriu de imediato. Guardou-a cuidadosamente no bolso, oferecendo um leve sorriso — um sorriso fraco, distorcido pela tristeza e amargura.
“Não se esqueça, concordamos em arcar com as consequências juntos.”
Leone assentiu com dificuldade, como se o peso da coroa imperial tivesse se tornado ainda mais esmagador.
Mas Cesare não tomou a coroa dele. Assim como Cesare não podia abandonar sua espada, Leone não podia abandonar sua coroa.
Ao deixar o palácio imperial, Cesare foi diretamente para a modesta casa de tijolos. Como fizera ao ler o diário dela, subiu até o quarto de Eileen no segundo andar para ler a carta.
Era curta, escrita em uma única folha. Levava menos de um minuto para ser lida.
Ainda assim, Cesare a segurou por muito tempo, relendo-a repetidamente — não porque não entendesse seu conteúdo.
Agora entendia porque Leone não a mostrara antes. Ao reler as palavras profundamente marcadas no papel, algo dentro dele se quebrou. A absurdidade de tudo o dominou, e ele não conseguiu conter o riso. Rindo como um louco, Cesare tomou sua decisão.
Naquele dia, a chuva caía com força. Gotas grandes e incessantes golpeavam o chão enquanto todos os nobres do império eram convocados ao palácio imperial por decreto real.
Mesmo aqueles que estavam no exterior, no campo por motivos de saúde ou supervisionando suas propriedades, foram obrigados a retornar. Todos os nobres envolvidos na política imperial foram reunidos em um único lugar, com exceção de alguns senhores provinciais.
O grande salão de banquetes, normalmente reservado para grandes eventos de Estado, estava repleto de nobres, todos tensos. No momento em que entraram no palácio, uma atmosfera sinistra os atingiu.
O salão estava alinhado com soldados em formação perfeita, suas expressões rígidas e inertes como estátuas de pedra, mãos postas nas costas.
“Parece que estamos sendo encurralados como gados para uma armadilha” — comentou um nobre com uma risada nervosa, arrancando risos forçados de outros.
Enquanto alguns tentavam disfarçar o desconforto com humor, outros ficavam cada vez mais agitados, levantando a voz em protesto.
“Onde está o Arquiduque Erzet? Exijo audiência com Sua Majestade Imperial! Herói ou não, essa arrogância é intolerável!” — bradou o Duque Farbellini, a fúria palpável. Ao redor dele, outros nobres murmuravam concordando.
A convocação já fora estranha o bastante, mas o fato de soldados da guarda pessoal do Arquiduque tê-los escoltado à força até o palácio — praticamente arrastando-os — só alimentara a revolta.
Aqueles que resistiram ouviram a mesma resposta fria:
“Esta é uma ordem real e também uma ordem do Arquiduque Erzet. Entrem no palácio e falem diretamente com o Arquiduque. A recusa resultará no uso da força.”
E assim, todos os nobres da capital se viram reunidos no palácio imperial, a frustração aumentando.
“Não sei que tipo de grande proclamação ele pretende fazer, mas vai pagar por isso” — cuspiu o Duque Farbellini, a voz tremendo de raiva. Suas palavras ecoavam a indignação geral.
Mas sob a revolta havia uma curiosidade ardente. O que exatamente o Arquiduque pretendia alcançar ao reuni-los?
A resposta veio quando as portas do grande salão de banquetes se abriram.
Cesare entrou, vestido com o uniforme do Comandante Supremo do Império. Seu traje cerimonial, adornado com medalhas e honrarias, era um testemunho de seu papel como defensor do império.
Atrás dele vinham quatro cavaleiros, escolhidos a dedo por Cesare quando ainda era príncipe. Famosos por suas habilidades excepcionais, sua presença capturava a atenção de todos os nobres na sala.
No instante em que Cesare e seus cavaleiros entraram, os soldados posicionados ao redor do salão bateram continência. Com um simples gesto de mão de Cesare, retornaram à posição de descanso.
A sincronia impecável enviou um arrepio pelos nobres. A lealdade do exército imperial era muito mais formidável do que haviam imaginado.
Enquanto Cesare avançava pelo salão, nobres de alto escalão se aproximaram para saudá-lo. À frente deles estava o Duque Farbellini, o rosto vermelho de indignação.
“Arquiduque Erzet! Como ousa cometer tal—”
Antes que o duque pudesse terminar a frase, Cesare fez um sinal sutil aos cavaleiros. Um gesto preciso, enraizado no protocolo militar, compreensível apenas para quem fora treinado.
Enquanto os nobres trocavam olhares confusos, as portas do salão se fecharam com um estrondo ensurdecedor. As janelas que estavam abertas foram imediatamente fechadas, selando todas as saídas.
Os soldados desembainharam suas espadas. O que antes parecia lâminas cerimoniais agora brilhavam afiadamente mortais.
“… Arquiduque?”
O Duque Farbellini gaguejou ao perceber que algo estava terrivelmente errado. Cesare, diante dele, desembainhou a própria espada com precisão elegante — e a cravou no pescoço do duque.
Os acontecimentos se desenrolaram sem interrupção. Do instante em que o sangue jorrou da garganta do duque até o som do corpo desabando no chão, o salão foi engolido por um silêncio atordoado.
Banhado no sangue de sua vítima, Cesare sorriu friamente e deu uma única ordem:
“Matem todos.”
(Elisa: Meu maridinho como sempre quebrando a quarta parede )
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui