Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 136 Online

O autor dos disparos no festival de caça foi capturado no local pelos soldados do Arquiduque Erzet.
Embora o agressor negasse o crime, a arma encontrada na cena apresentava evidências de dois disparos, não deixando margem para dúvidas. Além disso, foi revelado que o meliante ganhava a vida através de contratos ilícitos, solidificando sua culpa de forma indiscutível.
A questão que permanecia era a identidade da pessoa que havia ordenado o assassinato. Quem ousaria orquestrar um atentado contra a vida do Arquiduque Erzet?
Essa não era a primeira tentativa contra a vida do Arquiduque. Mesmo durante o banquete que celebrava sua vitória sobre Kalpen, houve um ataque. No entanto, nenhum havia sido tão audacioso e violento quanto este. Os disparos diante de tantas testemunhas eram praticamente uma declaração aberta de rebelião contra a família imperial de Traon.
Os soldados isolaram a floresta onde o festival de caça havia ocorrido e realizaram inspeções rigorosas em todos os nobres presentes, revirando seus pertences. Diante da situação sem precedentes, ninguém ousou resistir.
A investigação apontou o Conde Bonaparte como o mentor por trás da tentativa de assassinato.
O conde implorou, alegando ser inocente, mas foi inútil. Cercado pelos cavaleiros do Arquiduque, ele foi arrastado para a sala de interrogatório junto com o agressor capturado.
Ninguém veio em seu auxílio. Em casos menos graves, outros nobres poderiam ter apoiado sua defesa, argumentando por sua inocência ou ao menos tentando amenizar sua punição.
Mas isso era diferente — o Arquiduque Erzet havia sido baleado. Sua pele havia sido perfurada por uma bala, e alguém precisava levar a culpa. Os nobres, desesperados para encerrar a situação, ofereceram o Conde Bonaparte como um bode expiatório.
Enquanto o caos tomava conta do império, o próprio Arquiduque — o epicentro da tempestade — recuperava-se em sua mansão na capital.
Através do jornal La Verità, o Arquiduque assegurou ao público que estava em segurança. O povo, furioso com a tentativa do Conde Bonaparte de assassinar seu herói, deixou flores nos portões da mansão do Arquiduque como demonstração de apoio e solidariedade.
O Conde Bonaparte continuou proclamando sua inocência, mas cada nova prova apenas confirmava seu envolvimento na conspiração de assassinato.
No turbilhão de acontecimentos, o rumor de que Eileen distribuiria Aspiria gratuitamente no festival de caça desapareceu silenciosamente, varrido sem deixar rastros.
Tudo se desenrolou precisamente como Cesare havia planejado.
O fato de Eileen permanecer alheia à verdade completa também fazia parte do plano.
Eileen torceu silenciosamente um pano embebido em água, girando-o com toda a força até que restasse apenas a umidade suficiente. Em seguida, pressionou-o cuidadosamente contra a pele de Cesare.
Ela trabalhou ao redor das bordas do ferimento, onde a nova carne já começava a se formar, limpando meticulosamente seu ombro e braço. Sentia o olhar constante dele em sua bochecha, mas teimosamente se recusava a encará-lo.
A tarefa de cuidar de Cesare havia recaído sobre Eileen. Por causa do segredo envolvendo seu corpo, permitir que qualquer outra pessoa cuidasse dele estava fora de questão.
Os cavaleiros, embora soubessem da imortalidade de Cesare, estavam ocupados demais lidando com as consequências do incidente para ajudar.
Eileen era a candidata perfeita: conhecia o segredo e possuía conhecimentos médicos básicos.
Assim como Cesare havia dito, o ferimento da bala que perfurara seu ombro estava cicatrizando rapidamente. A velocidade de recuperação estava muito além da compreensão humana, tornando o tratamento quase desnecessário.
Mesmo assim, Eileen limpava diligentemente o ferimento, trocava os curativos e administrava o remédio que ela mesma havia preparado. Fazia tudo sem dizer uma palavra, a menos que Cesare falasse primeiro — e mesmo então suas respostas eram breves.
Hoje não foi diferente.
Por mais que tentasse, Cesare revelava apenas as verdades que permitia. Ela não tinha escolha senão esperar do outro lado da linha que ele havia traçado.
Seu silêncio era a única forma de rebelião que conseguia exercer contra ele.
— Parece que você não pretende conversar hoje também — comentou Cesare preguiçosamente.
Reclinado contra a cabeceira da cama, com o torso nu, uma mão repousava frouxamente ao lado do corpo enquanto a outra segurava um documento.
Eileen mordeu os lábios e continuou seu trabalho em silêncio. Cesare não insistiu para que falasse, mas seu olhar permaneceu fixo nela durante todo o tratamento.
Desde que se ferira, Eileen o evitava completamente fora dessas sessões. Ela fazia suas refeições e dormia separadamente, passando o resto do tempo trancada no laboratório. Além desses breves momentos de cuidados, raramente se viam.
Esse distanciamento autoimposto parecia estranho até para ela. Era a primeira vez que ela o evitava tão deliberadamente.
Não que sua determinação fosse perfeita — frequentemente sentia vontade de verificar se ele estava se recuperando bem. Mas sempre que esse impulso surgia, ela o reprimia.
Não queria deixar aquilo passar. Ele havia usado seu corpo como isca, e Eileen não podia aceitar isso.
Sem saber como confrontá-lo, escolheu o silêncio como arma.
— Eileen.
Quando o homem chamou seu nome, ela não respondeu imediatamente. Só depois de terminar a limpeza foi que olhou para ele.
Esperou que ele falasse, mas Cesare apenas a observava. A intensidade de seus olhos carmesim era demais; Eileen rapidamente desviou o olhar e voltou a se concentrar em enfaixar o ferimento.
Enquanto enrolava cuidadosamente a bandagem, a voz dele quebrou o silêncio:
— Faz muito tempo desde que você cuidou de mim assim.
Surpresa, Eileen levantou a cabeça instintivamente — e Cesare estendeu a mão para colocar uma mecha solta de seu cabelo atrás da orelha.
Seu cabelo havia se soltado um pouco, talvez por causa dos movimentos, embora normalmente o prendesse bem ao tratá-lo.
Tentando impedir que sua orelha denunciasse o rubor, respondeu baixinho:
— Eu nunca cuidei de você antes.
— Você espalhou flores para mim.
Ela entendeu imediatamente. Era uma lembrança de quando tinha 11 anos. Naquele dia, Cesare parecia especialmente exausto.
Embora ainda fosse criança, Eileen entendia o quanto o príncipe era ocupado e importante. Ainda assim, ele nunca demonstrava cansaço diante dela — exceto naquele dia.
Quando perguntou por que ele parecia tão cansado, ele explicou brevemente que era por causa de uma coleta de sangue. Era algo rotineiro para os médicos imperiais retirarem seu sangue, mas algo naquela sessão devia ter sido excessivo, pois sua aparência estava notavelmente pálida.
Aquele foi o primeiro dia em que Eileen tirou um cochilo com ele sob uma árvore. Enquanto ele dormia, ela recolheu flores brancas de jasmim nas proximidades e as empilhou ao lado dele.
Quando acordou e a olhou com curiosidade, Eileen explicou seriamente que aquelas flores eram conhecidas por ajudar no sono. Ela até prometeu trazer raiz de valeriana — que era particularmente eficaz — na próxima vez que o visitasse.
Ele sorriu levemente para as flores e para ela. Depois, tranquilizando-a de que estava bem, acariciou sua cabeça.
Agora, ao recordar aquela memória, Eileen mordeu o interior da bochecha para conter a emoção. O fato do homem lembrar de algo tão trivial parecia injusto, quase irritante. Ainda assim, permaneceu em silêncio, terminando o curativo com determinação.
Assim que deu o último nó, Cesare falou:
— Era alecrim?
— Era jasmim — respondeu instintivamente.
Só um segundo depois percebeu que ele já sabia. Só a estava provocando.
Suspirando, apertou o nó com um pouco mais de força do que o necessário antes de se levantar.
— O remédio está na mesa de cabeceira. Por favor, tome agora e descanse…
Quando se virou para sair, Cesare segurou seu pulso e a puxou em sua direção. Ela tropeçou levemente, apoiando-se na cama para não tocar em seu ferimento.
Assustada e levemente irritada, lhe lançou um olhar fulminante. Mas sua raiva logo se dissolveu ao encontrar o olhar dele.
— Não consigo dormir — murmurou.
Confusa, Eileen desviou novamente os olhos.
— Eu vou colher algumas flores de jasmim para você…
— Não — ele interrompeu, seu olhar fixo nela, gentil mas insistente. — Fique comigo.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui