Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 132 Online


Modo Claro

Cesare sorriu levemente diante da pergunta dela, os cantos dos lábios se erguendo discretamente.

— Você já sabe o que eu vou dizer.

Eileen fechou os olhos por um instante, uma onda de impotência tomou conta. Como ele havia dito, já sabia a resposta.

Quando o tiro foi disparado, Cesare estava sorrindo — um sorriso que transmitia satisfação, como se tudo estivesse acontecendo exatamente como ele havia planejado.

‘Se ao menos ele tivesse mentido para mim.’

Não teria sido melhor? De repente, Eileen se viu tomada por pensamentos sombrios sobre o motivo de Cesare nunca mentir para ela.

Não era porque fosse especial para ele — talvez fosse porque o homem simplesmente não precisava.

Não importava o que ele dissesse, ela não teria escolha a não ser aceitar.

Eileen mordeu o lábio, consciente de como seus pensamentos eram presunçosos e desrespeitosos, mas incapaz de afastá-los.

— Por quê…?

Estranhamente, ela não chorou. Talvez já tivesse derramado tantas lágrimas que seu corpo não tivesse mais nenhuma.

— Por que você fez isso…?

O momento em que Cesare foi atingido voltou vívido à sua mente. Sua memória, antes motivo de orgulho por ser tão afiada, registrava tudo como uma fotografia — cada detalhe gravado com precisão, inclusive a impotência e o desespero que ela sentira.

Cada pequeno fragmento daquele momento permanecia, dolorosamente e indelevelmente preservado.

Sentia o olhar de Cesare sobre si, roçando sua bochecha como uma carícia. Ainda assim, permaneceu imóvel, sem reagir.

Ela havia decidido que não recuaria até obter uma resposta — não desta vez.

Cesare, claro, compreendia a determinação de Eileen. Ele a observou por um longo momento antes de finalmente falar:

— Porque era eficiente. — Ele não evitou a pergunta. — Se existe um corpo que não morre mesmo quando é queimado, cortado ou perfurado por balas, ele deve ser usado.

A verdade crua, desprovida de mentiras, era como cacos de vidro — impossível de engolir. Cesare enumerava aquelas possibilidades horríveis com uma calma perturbadora enquanto estendia a mão em direção a ela.

Eileen virou o rosto, evitando seu toque, mas Cesare segurou seu queixo, forçando-a a encará-lo mais uma vez.

— Eu também queria te mostrar — murmurou, seus olhos vermelhos presos aos dela. — Você não teria acreditado na minha imortalidade apenas vendo minha mão se curar de um pequeno corte.

Seu sussurro estava carregado de intenção.

— Isso significa que você não precisa morrer por mim, Eileen.

Ele já havia dito isso antes, muitas vezes. No entanto, como ela não ouvira, ele a obrigara a testemunhar sua imortalidade com os próprios olhos, gravando-a em sua mente.

Eileen entendia por que ele estava tentando ensiná-la. Mas, mesmo agora, não dava ouvidos às palavras dele.

Ao som do disparo, ela instintivamente se movera para proteger Cesare com o próprio corpo. Comparado ao dele, o seu era insignificante, e ainda assim ela não hesitara em se lançar à frente, disposta a servir de escudo contra a bala.

Isso havia acontecido poucos instantes depois de ela prometer que não morreria por ele — uma promessa tão efêmera quanto tinta secando no papel.

‘Então foi por isso que ele me mostrou.’

O método de Cesare era brutal, mas inegavelmente eficaz. Eileen sabia que se lembraria daquele dia pelo resto da vida. Nunca esqueceria que o corpo de Cesare era imune à morte.

— …

Sua mente ficou em branco. Enquanto sua visão obscurecia, Cesare tocou sua testa com a mão e acrescentou, quase de forma brincalhona:

— Enquanto eu estiver me recuperando no arquiducado, podemos publicar um artigo dizendo que o remédio que você fez ajudou na minha recuperação. Posso usar o ferimento como desculpa para passar mais tempo com você — vários dias em vez de apenas um.

Por um momento, Eileen sentiu uma onda de aversão. Queria apontar uma arma para a versão de si mesma que um dia implorara por ao menos um único dia do tempo dele.

Sua mente, antes vazia, agora estava inundada por incontáveis pensamentos: a bala que perfurara o ombro dele, suas lágrimas impotentes, e a forma como o homem escolhera revelar sua imortalidade.

Tudo colidiu de uma vez, e ela não conseguiu conter. Suas emoções ameaçavam explodir.

Ao mesmo tempo, uma raiva ardente queimava dentro dela, enquanto uma impotência sufocante a arrastava para baixo, como se estivesse se afogando em um oceano sem fim.

Despedaçada, Eileen abriu a boca para falar. Sua voz, quebrada e frágil, saiu quase inaudível:

— Mas… você ainda sente dor, não é verdade?

Na noite do casamento, quando Eileen viu seu corpo nu pela primeira vez, ela notara as cicatrizes marcadas em sua estrutura forte. Em silêncio, esperara que ele permanecesse na segurança da capital, longe do campo de batalha, para não suportar mais dor.

Mas Cesare tratava o próprio corpo como uma mera ferramenta, descartando-o com pouca consideração. Para Eileen, era como se ele tivesse jogado na lama um tesouro inestimável — um que ela sequer ousava tocar.

— Seus nervos não estão mortos. É só que… suas feridas cicatrizam mais rápido do que as de qualquer outra pessoa. Não é isso? E mesmo assim… — Ela fez uma pausa, lutando para respirar. As palavras ficaram presas em sua garganta, sufocadas pela angústia esmagadora que ameaçava asfixiá-la. — Por quê?— Sua voz tremia, quase inaudível. — Por que você está fazendo isso…?

Achava que finalmente começava a entender, mesmo que apenas um pouco. Cesare devia ter passado por algum tipo de ritual, sacrificando algo para obter seu corpo imortal.

Ele devia ter suportado uma dor excruciante — punições tão cruéis que até mesmo sua vontade de ferro fora marcada. Um tormento que deixara uma sombra sobre seu presente, borrando as fronteiras entre pesadelos e realidade.

Juntando fragmentos do que ele deixara escapar, Eileen formara um quadro de seu sofrimento. Mas uma peça permanecia elusiva — a mais crucial. Sem ela, o quadro permaneceria incompleto.

Qual era o propósito dele?

Cesare, o Arquiduque de Traon, Comandante Supremo, herói de guerra amado pelo povo do império. Um homem que poderia ter qualquer coisa que desejasse com um simples estender de mão.

Então o que, afinal, ele desejara com tanta desesperação a ponto de suportar tamanha agonia brutal para obter um corpo imortal?

Não era a imortalidade em si — Cesare não era do tipo que ansiava por isso.

— Você está fazendo tudo isso — até agora, arriscando tudo — porque há algo que você quer. Não importa o quão imortal você seja, devia haver maneiras mais seguras, mesmo que levassem mais tempo.

Esse método não parecia nada com Cesare. Ele era alguém que entendia o peso de sua posição.

Sabia muito bem as consequências de tratar o próprio corpo como ferramenta — as ramificações políticas e diplomáticas que seus ferimentos poderiam causar a Traon. Mesmo sendo imortal, a notícia de que o arquiduque Erzet fora ferido, abalaria o império. Ainda assim, Cesare se lançara ao perigo, usando a si mesmo como isca.

Ele alegou que era eficiente, mas até essa explicação parecia vazia.

O que o estava levando a tanta urgência?

Era como se ele estivesse correndo contra um relógio invisível, avançando imprudentemente. Isso, também, devia estar ligado ao seu propósito final.

— Por favor… me diga. — A voz de Eileen tremia de desespero: — Me fala o que você quer, Cesare.

Pela primeira vez, algo vacilou no olhar normalmente indecifrável do homem. Eileen percebeu uma leve fissura em seus olhos vermelhos, como uma superfície prestes a se despedaçar.

Mas, ainda assim, ele não quebrou. Conteve as emoções que se agitavam dentro de si. Em vez disso, apenas estendeu a mão e a puxou para seus braços.

Seu abraço era tão caloroso quanto sempre. No entanto, desta vez, não foi suficiente para Eileen.

Ela o empurrou com toda a força, mas Cesare a manteve presa facilmente com um braço, segurando-a contra o peito. Em voz baixa, murmurou: — Desde o começo, eu só quis uma coisa.

Continua …

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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