Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 131 Online


Modo Claro

O conde Bonaparte era relativamente intocável. Embora houvesse pequenos escândalos de tempos em tempos, nenhum era grave o suficiente para derrubá-lo completamente.

Acusá-lo de ser um espião de Kalpen seria precipitado. Se Bonaparte fosse executado sob tal acusação, os demais espiões certamente se dispersariam.

Para executá-lo, Cesare decidiu usar a si mesmo como isca.

“Eu não posso fazer isso.”

Quando Michelle ouviu o plano, seu rosto ficou pálido feito fantasma. Branca como uma folha de papel, ela caiu de joelhos diante de Cesare.

“Eu não consigo, Vossa Graça. De jeito nenhum. Me mate, mas não me peça isso.”

Quase fora de si, Michelle implorava enquanto os outros cavaleiros protestavam veementemente. Lotan, com o rosto tenso, foi o primeiro a falar:

“É perigoso demais. Um ferimento por arma de fogo tem muitas variáveis.”

Mesmo que Michelle evitasse um tiro fatal, não havia garantia de que o ferimento cicatrizasse corretamente. Se a sorte não estivesse ao lado deles, complicações como infecções poderiam causar danos irreversíveis.

Diego e Senon também expressaram suas preocupações. Michelle, ainda ajoelhada e atordoada, estava chocada demais para responder enquanto ouvia seus companheiros.

Cesare esperou os cavaleiros terminarem de expressar suas objeções, então puxou uma pistola. Ele removeu uma de suas luvas de couro e apontou o cano para a palma de sua mão aberta.

O que aconteceu em seguida desafiava explicação.

Diante dos cavaleiros atordoados, Cesare permaneceu sereno. Olhou para Michelle e chamou seu nome.

“Michelle.”

A voz grave a arrancou do torpor. O tom calmo, quase tranquilizador, obrigou-a a focar. Para sua surpresa, Cesare exibia um leve sorriso.

”Se não for você, quem mais atiraria em mim?”

Michelle fechou os olhos, como se tentasse escapar do futuro inevitável onde ela não teria escolha a não ser puxar o gatilho contra o seu senhor.

— Porra, Porra …!

Suas mãos tremiam enquanto acendia um cigarro, murmurando palavrões entre os dentes. Talvez fosse o último que fumaria, pensou. Tragava nervosamente, verificando repetidamente a arma — apesar de já tê-la verificado inúmeras vezes.

Quando o cigarro queimou até o filtro, Michelle tentou descartá-lo em seu cinzeiro portátil — só para xingar novamente.

— Porra!

O cinzeiro já estava cheio de bitucas. Irritada, empurrou o resto para dentro mesmo assim, depois respirou fundo e levantou os olhos para o céu. As nuvens escuras, antes distantes, haviam se aproximado de forma ameaçadora.

Os nobres junto de Bonaparte contrataram um assassino competente — alguém renomado por sua habilidade com armas de fogo. Ele fora contratado para matar Cesare, mas Michelle agiria primeiro.

Ao encenar um atentado, ele planejava incriminar o assassino contratado, que seria então capturado e culpado pela “tentativa de assassinato do Arquiduque Erzet”.

Como o assassino pareceria ter sido contratado por Bonaparte, o conde seria naturalmente acusado como mandante e enfrentaria a execução.

A ousadia de atirar em um Arquiduque exigia que alguém fosse responsabilizado. Os nobres não perderiam tempo sacrificando Bonaparte como bode expiatório.

Era o plano perfeito para eliminá-lo — exceto pelo detalhe gritante de que Cesare precisava ser baleado.

Michelle lembrou-se do que já testemunhara antes — um fenômeno estranho, quase milagroso. Mesmo que errasse, Cesare não morreria. Era o único pensamento ao qual se agarrava enquanto sua mente corria.

Limpando as palmas suadas nas roupas, se recompôs. Ela enxugou a testa com o pano de camuflagem verde que usava para disfarce, então se acomodou rente ao tronco de uma árvore, seu rifle firmemente em mãos.

Lentamente, Michelle inspirou e expirou, acalmando seu batimento cardíaco errático. Seu corpo outrora trêmulo se acomodou num estado de quietude assustadora. Fixou seu olhar no alvo.

Através das chamas bruxuleantes do grande altar, ela vislumbrou Eileen olhando furtivamente para Cesare. O breve momento a fez sorrir, mas rapidamente endureceu sua expressão.

Prendendo a respiração, contou mentalmente o instante perfeito. Então, sem hesitar, puxou o gatilho.

BANG!

O primeiro disparo ecoou, reverberando no ar.

Por um momento, o tempo pareceu desacelerar. Os olhos de Eileen captaram cada detalhe: a bala atravessando o ombro de Cesare, o cheiro de sangue preenchendo o ar, e seu corpo desabando no chão.

Ela não conseguia respirar. Ou melhor, esqueceu como. Quando Cesare caiu, forçou o corpo congelado a se mover.

— Cesare, Cesare!

Queria gritar, mas a voz não saía. Era como se suas cordas vocais tivessem sido perfuradas junto com ele, restando apenas sons roucos.

Sua visão borrou e depois voltou ao foco. Cavaleiros e soldados os cercaram, tentando isolar a área, mas o caos parecia distante, abafado. Ela não conseguia processar o barulho.

Só então percebeu que tremia, lágrimas escorrendo pelo rosto.

Pálida como papel, seu primeiro instinto foi examinar o ferimento. A roupa escura de caça ocultava a gravidade à primeira vista, mas o ombro esquerdo rapidamente se encharcava de sangue.

Eileen procurou um lenço, pronta para pressioná-lo contra a ferida. Antes que conseguisse, uma mão a deteve. Olhou para o rosto de Cesare, os próprios olhos marejados.

Ele guiou silenciosamente a mão dela para pressionar o ombro. Em instantes, o pequeno lenço ficou completamente encharcado de vermelho.

— Eileen.

— …Sim?

— Você ainda está escrevendo em um diário?

A pergunta destoava do cheiro metálico de sangue no ar. Incapaz de falar, Eileen assentiu. Cesare semicerrou os olhos e esboçou um leve sorriso.

— Que incômodo… Imagino que os acontecimentos de hoje também entrarão no registro.

Eileen não conseguiu responder, seu olhar fixo nele, seus olhos tremendo. Cesare passou suavemente sua mão esquerda em sua bochecha e sussurrou:

— Não chore, Eileen.

A partir daquele momento, sua memória tornou-se fragmentada. Não desmaiou, mas a tensão esmagadora despedaçou suas lembranças.

Apesar do tiro, Cesare não soltou um único gemido. Calmamente, deu ordens aos soldados, usando a própria mão para pressionar o ombro sangrando.

Sob seu comando, capturaram o atirador e iniciaram uma busca minuciosa nas tendas de todos os nobres presentes. A situação sem precedentes deixou-os chocados demais para protestar.

Cesare ordenou que toda a floresta ao redor da área de caça fosse isolada até que o mandante fosse revelado. Depois, anunciou que retornaria ao Arquiducado para tratamento.

O médico imperial, que aguardava emergências, correu para prestar primeiros socorros. Cesare recusou. Apesar dos apelos urgentes de Leone, insistiu em partir imediatamente com seus cavaleiros, seguindo direto para a propriedade Arquiducal.

Somente ao chegarem Eileen recuperou parte do controle. Ao perceber que estavam seguros, o corpo pareceu ceder, e suas forças se esvaíram.

O tratamento deveria ter começado imediatamente, mas Cesare não mostrou sinal de urgência. Em vez disso, deu ordens para selar a propriedade.

Os portões foram trancados, soldados posicionados ao redor da residência. Durante todo o tempo, Cesare manteve uma mão segurando Eileen.

Uma vez que as ordens foram cumpridas, ele a levou para cima, até seu quarto, recusando qualquer assistência dos criados. Ordenou que ninguém se aproximasse do andar superior.

Sozinhos no quarto, Cesare removeu calmamente o casaco encharcado de sangue.

Eileen congelou ao fitar o ferimento em seu ombro. O tiro havia atravessado e, ainda assim, o sangramento já havia estancado.

O pesado casaco ensanguentado caiu no chão com um som abafado. A voz de Cesare, calma e firme, rompeu o silêncio:

— Venha aqui.

Trêmula, Eileen aproximou-se. Apesar do sangue manchando suas roupas, ela via a ferida — cicatrizando a uma velocidade antinatural.

Lembrou-se da vez em que nem mesmo um corte de adaga deixara cicatriz em sua palma. Agora presenciava o mesmo fenômeno diante dos próprios olhos.

— Acho que uma semana, talvez — comentou ele com leveza. — Deve cicatrizar completamente em cerca de uma semana.

Sorria como se fosse a coisa mais comum do mundo. Eileen o encarava, chocada. Seu corpo estava além do humano. E, no entanto, naquele momento, ela não sentiu curiosidade, nem fascínio — apenas uma esmagadora sensação de descrença.

Com os lábios trêmulos, finalmente falou:

— Cesare… — ela hesitou, as palavras carregadas de medo e confusão: — Você… levou o tiro de propósito?

Continua…

Tradução: Elisa Erzet

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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