Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 130 Online


Modo Claro

A menção repentina de Aspiria surpreendeu não apenas Eileen, mas também Ornella. Para Eileen, foi particularmente chocante porque ela não tinha mais nenhuma.

Devido à escassez, até mesmo a Casa Erzet havia ficado sem Aspiria. Embora Eileen ainda tivesse algumas pílulas em seu laboratório, elas haviam sido separadas especificamente para Luke, o relojoeiro da Rua Venue.

Cesare, porém, sabendo perfeitamente que o estoque estava esgotado, afirmou calmamente que poderia providenciar o medicamento, sem que sua expressão sequer vacilasse.

Eileen passou a observá-lo com uma nova cautela. Vê-lo mentir com tanta naturalidade a inquietou — porque Cesare nunca havia mentido para ela antes.

‘Ele geralmente prefere o silêncio à mentiras…’

Também jamais o vira mentir para cavaleiros ou soldados. Para Eileen, era a primeira vez que testemunhava tal comportamento vindo dele.

Enquanto processava esse lado desconhecido de Cesare, Ornella baixou a mão que mantinha pressionada contra a testa e falou:

— Agradeço a preocupação, mas infelizmente o medicamento não tem efeito em mim. É natural — nem todos os remédios funcionam para todos.

Ornella soltou um suspiro suave, o peito subindo e descendo delicadamente. Por um instante, sua expressão tornou-se distante, mas logo curvou os lábios em um sorriso.

— Mas ouvi dizer que Aspiria é extremamente popular na capital. De quem foi a ideia de gravar o brasão Erzet nos frascos? Parece que todos estão desesperados para conseguir um.

Embora sua voz transbordasse elogios, suas palavras não eram totalmente sinceras. Com habilidade, ela minimizava a reputação do medicamento, sugerindo que sua popularidade se devia mais à embalagem atraente do que à eficácia real.

Os lábios de Cesare se torceram em um leve sorriso cínico, seu olhar tornando-se mais frio ao encarar Ornella com desprezo indisfarçado. Ornella, contudo, devolveu o olhar com um sorriso inocente, como se ignorasse qualquer hostilidade no ar.

Eileen, alheia à tensão sutil entre os dois, estava absorta em seus próprios pensamentos. De repente, arregalou os olhos e perguntou:

— A senhorita já tomou Aspiria antes?

A expressão composta de Ornella vacilou levemente diante da pergunta, e ela respondeu com um tom quase relutante:

— …Sim. Sendo um medicamento feito pela Arquiduquesa, naturalmente comprei como membro da família. Sofro de dores de cabeça crônicas.

O rosto de Eileen tornou-se sério, sua preocupação se aprofundando ao insistir:

— A dor continuou mesmo duas horas depois de tomar?

— Hmm… Talvez… — Ornella murmurou, claramente desejando encerrar o assunto. Mas Eileen, cuja mente já percorria todas as possibilidades de tratamento, não pretendia parar.

— Nesse caso, outro analgésico certamente seria mais eficaz. Embora Aspiria tenha propriedades anti-inflamatórias, elas são desnecessárias se não houver inflamação. Especialmente se não aliviar a dor. Que tipo de remédio para dor você usou antes? Se o anterior também não funcionou, é provável que tenha componentes semelhantes ao da Aspiria. Veja, a Aspiria é derivada do ácido salicílico extraído da casca do salgueiro, usado há séculos…

No meio da explicação entusiasmada, Eileen interrompeu-se com um abrupto — Ah. Olhou ao redor, percebendo a expressão surpresa de Leone, o sorriso divertido de Cesare e o ar exasperado de Ornella. Corando de vergonha, concluiu apressadamente:

— …De qualquer forma, se não funcionou, você deveria tentar outro analgésico. Me diz o que tem usado, e posso recomendar algo diferente.

Embora não tivesse intenção de desenvolver um novo medicamento para Ornella, Eileen sentia certa responsabilidade, como farmacêutica, de oferecer alternativas.

‘Eu deveria ter sido mais breve.’

Se tivesse falado com a concisão elegante esperada de uma nobre, talvez tivesse evitado o constrangimento. Em vez disso, discursara como uma farmacêutica excessivamente empolgada, e agora sentia o calor familiar da vergonha subir por sua nuca.

Enquanto se repreendia em silêncio, o olhar de Ornella permanecia fixo nela com uma intensidade que tornava o ar mais pesado.

— …

Sua beleza era irritantemente perfeita — bochechas lisas como pétalas de lírio, brilhando suavemente sob a luz do sol, traços serenos como sempre. Mas naquele momento, a aparência de Eileen mal lhe importava.

Não, não era a beleza que despertava a ira de Ornella. Era algo muito mais pessoal, algo que Eileen havia provocado sem perceber. Uma centelha sombria contorceu-se em seu peito.

Ornella cerrou os dentes, tentando conter a amargura crescente. Mas, por mais que tentasse, lembranças de um encontro passado emergiram sem convite.

“Você acha que é a única no mundo que sabe fazer remédios? Farmacêuticos e cientistas estão por toda parte. Qualquer um poderia substituí-la facilmente.”

“Não, não podem. Ninguém pode me substituir no que estou pesquisando no momento.”

A resposta firme de Eileen a atingira profundamente naquela ocasião, e essas palavras ainda ecoavam na mente de Ornella. Aquela confiança inabalável, a convicção afiada e segura — era como se Eileen soubesse algo que o resto do mundo ignorava. E isso a enojava.

Um sorriso amargo puxou os lábios de Ornella enquanto a onda de ressentimento crescia. Ela queria arrancar aqueles olhos verdes e inocentes, calar aquela voz para que jamais voltasse a proferir algo tão arrogantemente certo.

Queria arrastar Eileen para a lama — para um lugar muito pior do que aquele onde Ornella já estivera. Queria garantir que Eileen jamais voltasse a mencionar coisas que ela própria havia descartado há muito tempo.

— Obrigada pela preocupação, Eileen — disse Ornella com um sorriso forçado.

A torrente de emoções parecia uma maré incontrolável. Ornella conseguiu curvar os lábios para cima, mesmo percebendo que recuar agora pareceria derrota. Ainda assim, não suportava mais.

— Acho que vou… descansar um pouco. Vossa Majestade, poderia me acompanhar?

Com a ajuda de Leone, Ornella começou a caminhar de volta à tenda. Mas, ao se afastar, lançou um olhar por cima do ombro. Seus olhos encontraram os verdes vívidos de Eileen por um instante antes que ela rapidamente se virasse.

Enquanto Ornella descansava, os preparativos para o festival de caça foram retomados. O evento já havia sido atrasado por um acidente inesperado que danificara o altar.

Antes que a reconstrução começasse, os sacerdotes envolveram-se em um debate acalorado sobre a possibilidade de transferir o altar. Alguns argumentavam que o solo manchado de sangue exigia mudança, enquanto outros insistiam que o rito deveria ocorrer no mesmo local, como exigia a tradição.

Após uma discussão tensa, decidiram reconstruir o altar no local original, acrescentando etapas adicionais de purificação: o solo ensanguentado foi removido, terra nova foi trazida, e seda limpa foi estendida sobre o terreno.

Como resultado, o festival começou muito mais tarde do que o previsto.

Na presença de todos os nobres reunidos, Leone recebeu uma tocha das mãos dos sacerdotes. Em silêncio solene, aproximou-se do altar, seus passos abençoados com flores e água sagrada para garantir que nenhuma impureza alcançasse o local sagrado.

Ao posicionar a tocha na base do altar, a madeira previamente tratada pegou fogo rapidamente, e as chamas ergueram-se de forma dramática.

Mesmo à distância, Eileen estremeceu com o calor intenso. As labaredas altas ondulavam como dançarinas, consumindo flores e madeira em seu abraço ardente.

Ela se virou para olhar Cesare. Ele também observava o fogo com atenção. Antes que ele percebesse seu olhar, Eileen rapidamente voltou os olhos para o altar.

Leone se virou para os nobres, pronto para declarar o início do festival.

Mas então —

BANG!

O som ensurdecedor de um disparo ecoou pela floresta, enviando uma onda de choque pela multidão. Os nobres congelaram, momentaneamente desorientados, incapazes de compreender o que acontecera. A princípio, imaginaram que fosse apenas o surgimento de outra fera, o tiro uma reação a alguma ameaça invisível na mata.

Mas, instantes depois, um nobre tombou, sangue jorrando de um ferimento.

Gritos explodiram quando o pânico se espalhou pela multidão. Nobres se jogaram ao chão, rastejando para trás de árvores, tendas e qualquer coisa que pudesse servir de abrigo contra o próximo disparo.

Antes que Eileen pudesse pensar, seus instintos entraram em ação. Ela correu em direção a Cesare, determinada a protegê-lo da próxima bala.

Mas assim que o alcançou, uma mão áspera a empurrou para o lado. Cambaleando, Eileen olhou para Cesare em choque. Para sua descrença, ele estava sorrindo.

BANG!

O segundo disparo ecoou — e desta vez, a bala estava direcionada diretamente a Cesare.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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